Ordenação sacerdotal de Dom Tomás de Aquino

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLLIII (553) - Paternidade Hoje - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

17 de fevereiro de 2018


Pobres pais! Será que não há nada que possamos fazer?
Fiquem atentos, na próxima semana uma ou duas ideias iremos trazer.


      Há quase 20 anos um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mestre de uma casa de retiros inacianos na França e, portanto, em contato direto com os problemas das famílias católicas tradicionalistas, escreveu um excelente editorial sobre Como os nossos jovens estão evoluindo. Ele pinta uma imagem sombria, e infelizmente, desde então, ela só se tornou mais obscura. Não devemos desesperar, mas, por outro lado, os pais devem ver as coisas como são. Não é como se os jovens de hoje não tivessem culpa, mas os pais devem fazer todo o possível para colocá-los no caminho para o Céu, porque ainda hoje essa é a responsabilidade dos pais. Aqui está a imagem obscura, adaptada e abreviada de Revue Marchons Droit, nº 90, avril-mai-juin, 2000:

      Vemos nos retiros jovens crescendo incapazes de reconstruir a Cristandade. Os sacrifícios feitos por pais e professores parecem não ter dado frutos proporcionais. Algo não está funcionando, claramente, e se não reagirmos, então dentro de duas gerações seremos engolidos pelo espírito do mundo.

      Os jovens entre 18 e 30 anos de idade que observamos são profundamente ignorantes sobre a crise na Igreja e no mundo, não porque não tenham sido ensinados, mas por falta de interesse. Em termos gerais, eles seguem a linha de seus pais, mas eles não podem explicar por conta própria o que está errado com a Nova Missa, com o Vaticano II, com a Nova Ordem Mundial. Nunca tendo tido de lutar, defender suas crenças ou resistir, e nunca tendo estudado por si mesmos, quando eles conhecem o mundo, cedem facilmente. Eles querem ser como todos os outros, não querem ser diferentes, não têm a convicção pessoal de defender a Tradição Católica, e, ao invés de serem apóstolos de Cristo, pouco a pouco vão com a corrente.

      Onde estarão amanhã as boas vocações, as boas famílias cristãs de que tão urgentemente precisamos? As vocações são cada vez mais raras, os casamentos tornam-se fracos ou murcham completamente, a formação amolece e a imaturidade domina. O que todos os jovens querem é aproveitar a vida. Os meninos não têm caráter, senso de responsabilidade, generosidade, autocontrole, tudo o que os pais devem inculcar neles para transformá-los em homens em quem podemos confiar para o futuro: homens casados, maduros, pensativos, trabalhadores, magnânimos. Sem homens de convicção, onde estarão os chefes de família de amanhã?

      As meninas também estão sendo criadas em desordem. Em vez de prepararem-se para a maternidade e cuidarem de uma família, elas aprendem a desprezar a domesticidade, que é a sua verdadeira vocação, e são encorajadas a estudar mais e mais tempo, adquirindo assim um espírito de independência ao lado de um mundanismo que se volta para a moda, para as festas e para a música rock. Como podem as mães permitir as minissaias e calças de suas filhas, os seus vestidos indecentes em festas que são óbvias ocasiões de pecado, onde desperdiçam seu tempo e mancham a pureza de seus corações?

      O resultado é que os jovens se casam aos 20 ou 22 anos, quando não estão absolutamente preparados; e logo as crianças chegam, quando eles ainda não têm ideia de como educá-las. Se eu olhar para os casais jovens que casei – na Tradição – desde a minha ordenação em 1980, graças a Deus não houve divórcios, mas devo dizer que a metade dos casamentos está por um fio, mantendo-se unidos apelas pelos “princípios católicos” dos jovens. Pais, vocês percebem o que precisam dar aos seus filhos para o futuro deles no mundo de hoje? Vocês devem, pelo amor de Deus, formar seus filhos para serem homens dignos deste nome, e suas filhas para serem mulheres dignas deste nome. Cumpram com seu dever. Caso contrário, seus filhos correm o risco de perderem suas almas, e a Cristandade estará acabada.


      Não há dúvida de que Padre Delagneau esteja correto. A Cristandade está em grave perigo, nada menos que isso. Agora podemos ver por que em 2018 Deus está permitindo que a Europa, e a França em particular, seja ocupada por Seus inimigos com outros inimigos Seus? E por que Ele está permitindo que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deslize para os braços de Seus inimigos? Ele não nos criou para cairmos no Inferno. Ele nos criou para combatermos o bom combate a fim de chegarmos ao Céu. E Ele permitirá qualquer desastre que nos distancie do caminho do Inferno e nos coloque de volta no caminho do Céu. Esperem por isso!

      Kyrie eleison.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 51


17 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

      O Evangelho do primeiro domingo da Quaresma nos mostra Nosso Senhor em combate singular com o demônio. Isto se dá logo após o batismo de Nosso Senhor, no Jordão, para nos lembrar de que todo aquele que é batizado terá de enfrentar o demônio, que inveja os que vivem na graça divina, que é, segundo a palavra de São Pedro, uma participação da natureza divina. “Meu filho, quando entrares no serviço de Deus, persevera firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a tentação.”, diz o Eclesiástico (2,1).

      Santo Tomás indica cinco razões pelas quais a alma em estado de graça é tentada. A primeira é para ter conhecimento desta mesma graça: “Quem não é tentado, que sabe ele?” (Eclesiástico 39,9). A segunda é para reprimir a soberba, conforme as palavras de São Paulo: “E, para que a grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi-me dado o estímulo da minha carne, um anjo de Satanás, que me esbofeteia.” (II Cor. 12,7). A terceira é para confusão do demônio, para que ele saiba quão grande é a virtude do Cristo que ele não pode superar. Assim foi com Jó, do qual Deus disse ao demônio: “Não consideraste meu servo Jó?” (Jó 1,8). A quarta é para tornar mais fortes os que são tentados, como está dito no livro dos Juízes que Deus deixou inimigos no meio dos hebreus para que estes, combatendo-os, se fortalecessem. A quinta é para que o católico conheça a sua dignidade, da qual o demônio tenta privá-lo, tentando fazê-lo cair no pecado.

      Resistamos, pois, fortes na fé, como nos exorta São Pedro (I Pd. 5,9), e nesta Quaresma armemo-nos com as armas da oração e da penitência, lembrando-nos de que aqueles que combaterem segundo as leis da Igreja terão os seus nomes inscritos no livro da vida.

      Que a Virgem Santíssima, que esmagou a cabeça da serpente infernal, obtenha-nos a vitória, pelos méritos infinitos de seu divino Filho, que disse ao tentador: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás” (Mt. 4,10).  “Então, diz o Evangelho de São Mateus, os anjos se aproximaram e o serviram.” (Mt 4,11). Assim também ocorre com todos os que confiam em Deus Nosso Senhor e em sua Mãe, Maria Santíssima.



+ Tomás de Aquino OSB

  

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLII (552) - Defendendo Menzingen

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin
Blog Borboletas ao Luar

10 de fevereiro de 2018


Desde cima reina a confusão,
Rezem pelo Papa e pelos Bispos, antes que venham a falecer!

      Graças às palavras e aos atos diretamente anticatólicos dos últimos cinco anos manifestados pelo presente ocupante da Sé de Pedro, delinquências estas cujo caminho fora inaugurado pelo Vaticano II, é menos compreensível que nunca que os sucessores de Dom Lefebvre ainda queiram colocar a Fraternidade sob o controle romano; mas, de fato, eles querem. Um chapéu cardinalício ser-lhes-ia atraente? Teriam cansado da batalha? Estariam desesperados para serem “reconhecidos” pelos conciliaristas? E a pensar realmente que o Arcebispo aprovaria o que estão fazendo? Só Deus o sabe. Independentemente do que seja, os servidores de Menzingen ainda estão tentando defender seus vinte anos de desvio da posição do Arcebispo. Eis dois exemplos recentes:

      Em primeiro lugar, para defender a política de Dom Fellay de aceitar de Roma uma prelazia pessoal, um padre da Fraternidade (http://fsspx.news/en/content/34797) parece pensar que tal prelazia garantirá a ela proteção contra os modernistas em Roma. Mas Roma controlará ou não a prelazia? Se ela estiver no controle, demorará o tempo que for necessário, como aconteceu com a Fraternidade São Pedro, mas usará seu controle lentamente para estrangular a Tradição dentro da prelazia. Pensar o contrário é simplesmente não ter compreendido o que esses romanos são.  “Somente santos acreditam no mal”, disse Gustavo Corção. O Arcebispo os chamava “anticristos”. E se a prelazia não os colocasse no controle, eles nunca a concederiam, antes de mais nada.

      Em segundo lugar, o padre tenta desacreditar os adversários da prelazia afirmando que eles dizem que o Arcebispo mudou seus princípios quando recusou o Protocolo de Maio de 1988. A afirmação é infundada. Como o próprio padre diz, a mudança do Arcebispo foi meramente prudencial, seguindo a demonstração definitiva que os romanos haviam acabado de dar nas negociações do Protocolo, de que eles não tinham intenção nenhuma de manter a Tradição tal como a Fraternidade e o Arcebispo a compreendiam. Enquanto os romanos deram qualquer sinal de preocupação genuína com a Tradição, o Arcebispo foi paciente, e foi tão longe quanto pôde para encontrá-los (de fato, no Protocolo foi além do que deveria, como ele uma vez, mais tarde, admitiu). Mas uma vez que eles deixaram claro que na realidade não tinham tal preocupação, então o Arcebispo foi inexorável – a partir daí, a doutrina tomaria o lugar da diplomacia, e os romanos teriam de provar, antes de tudo, que sua doutrina era a da Tradição Católica. Não houve da parte do Arcebispo mudança de princípios, senão que um mero reconhecimento final de que os romanos estavam voltados para a descristianização, e não para a recristianização, como ele escreveu um mês depois ao Cardeal Ratzinger.

      Da mesma forma, o blog Catholic Family News de novembro do ano passado serve a Menzingen. O blog é inteligente, e especula que a isca e a armadilha reais de Roma para apanhar a Fraternidade não são visar à sua rendição maciça, mas à sua divisão e desintegração gradual (de fato, Roma está alcançando ambas). Assim, Roma faz repetidas ofertas sedutoras, e cada uma delas divide os sacerdotes da Fraternidade, de modo que alguns se separem, enquanto Menzingen aumenta suas esperanças, somente para vê-las despedaçadas por outra exigência impossível de Roma. E o jogo continuará até que a Fraternidade esteja completamente desfeita. Portanto, conclui o CFN, a Fraternidade tem de permanecer unida a todo custo, e nenhum padre da Fraternidade deve desertar.

      Mas, caro CFN, em primeiro lugar, como o Arcebispo construiu sua Fraternidade? Certamente ele também sofreu com divisões e deserções sob suas ordens. Ele por acaso a construiu clamando por unidade, unidade, unidade? Este foi o maior argumento de Roma contra o Arcebispo! Seu maior argumento foi a Fé, a Verdade, a Fé. Advogar, como vocês fazem, em favor da unidade da Fraternidade por detrás dos pró-Roma de Menzingen, é advogar pela destruição da Fraternidade! A unidade é sempre especificada pelo entorno ao qual se deve unir. Sob a direção do Arcebispo, o que estava em torno era a Fé Católica, que era toda a força da Fraternidade. Desde 2012, ela está em torno de Menzingen, que hoje é a divisão e a ruína da Fraternidade.

      Tenham coragem, caríssimos leitores. “A Verdade é forte e prevalecerá”, com ou sem a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.                                    
                                                                                                                                        
      Kyrie eleison. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 50

Mosteiro da Santa Cruz

10 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)

      
      Ao estudo do Rev. Pe. Joaquim FBMV o Sr. Olavo de Carvalho respondeu com muitos insultos e poucos argumentos. Mas havia também argumentos. Tomemos um deles: O que está escrito na revista Verbum não reflete o pensamento do Sr. Olavo de Carvalho, mas sim o de Guénon e o de Schuon; talvez o de Lee Penn, o de Charles Upton, o de Ananda Coomaraswamy, de Whitall M. Perry; do Sr. Olavo não. Apenas a conclusão seria dele.

      Seria o caso de perguntar: Quem lê? Quem entende o que leu? Quem retém o que entendeu? Pensamos que é o Pe. Joaquim que leu, entendeu e reteve o que entendeu.

      Quem tem ouvidos, ouça. Quem não os tem, ou quem prefere não ouvir, ser-lhes-ia mais acertado procurar os sacramentos junto a outros padres, pois sacramentos vão de par com a doutrina.

      Ainda um argumento que não deixa de ser insultante. Vejamos sua força, ou melhor, sua fraqueza.

      O Sr. Olavo escreve:

      “E eis porque os que posam de defensores da verdade sem jamais tê-la buscado, os que creem conhecê-la tão somente porque a receberam pronta de uma cátedra ou de um púlpito, ERRAM SEMPRE, ainda que partindo de premissas fundadas por Deus em pessoa.”

      Notemos os termos: “posam”, “jamais”, “creem conhecê-la”, “pronta”, “cátedra”, “púlpito”, “erram sempre”.

      O “pronta” é revelador. Receber a verdade pronta. Que quer dizer receber a verdade “pronta”? Seria recebê-la sem compreendê-la? Ou seria também recebê-la compreendendo-a? O fato de ela chegar “pronta” ou “não pronta”, que diferença faz? O esforço ou não esforço para obtê-la é uma diferença? Sim. Mas esta diferença é exterior ao ato de compreender. Compreender é receber. Pouco importa o canal (cátedra, púlpito, livro, aula, conversa, etc.). O que importa é o resultado. Neste resultado há uma ação da parte do que recebe. Há uma tomada de posse e ela tem um nome: conhecer. É isto que importa. E este conhecimento exige uma atenção, e esta atenção exige um desejo, e este desejo tem um nome: amor. Amor da verdade.

      Tomemos outro termo: “jamais”; “sem jamais tê-la buscado”. Buscado o quê? A verdade? Jamais? Que sabe o Sr. Olavo de Carvalho? Quem se faz religioso, quem deixa a pátria para formar-se, para receber a mais segura doutrina, a verdadeira doutrina do Magistério da Igreja; que faz ele?

      Deixemos a última palavra a Welder Ayala, no livro “É assim porque Deus o quis”. Que diz ele? Que a filosofia de Olavo de Carvalho é perigosa para a fé. Leiam o livro e os argumentos apresentados. Concordamos com o autor e o felicitamos.



+ Tomás de Aquino OSB



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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLI (551) - Igreja Oficial?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar


Manobrar, esquivar, enganar, defraudar, Roma poderá,
Mas certo por linhas tortas Deus escreverá.

      É preciso ter muito cuidado com as palavras, porque com as palavras nossa mente opera sobre as coisas, e as coisas constituem a vida cotidiana. Portanto, das palavras depende o modo como conduziremos nossas vidas. Na igreja paroquial emblemática da Fraternidade de São Pio X em Paris, França, existe um sacerdote da Fraternidade que tem o devido cuidado com as palavras. O Pe. Gabriel Billecocq escreveu na edição do mês passado (nº 333) da revista mensal da paróquia, Le Chardonnet, um artigo intitulado "Você disse 'Igreja oficial'?". No artigo ele nunca menciona a Sede da Fraternidade em Menzingen, na Suíça, mas reclama do "desejo" que vem de algum lugar, presumivelmente de cima, de que as palavras "Igreja conciliar" devem ser sempre substituídas pelas palavras "Igreja oficial". E ele está certo, porque as palavras "Igreja conciliar" são perfeitamente claras, enquanto as palavras "Igreja oficial" não são claras, mas ambíguas.

      Pois, por um lado, "Igreja conciliar" significa claramente que grande parte da Igreja de hoje está mais ou menos envenenada com os erros do Concílio Vaticano II. Esses erros consistem essencialmente na centralização do homem no centro da Igreja, que deveria estar centrada em Deus. Por outro lado, "Igreja oficial" é uma expressão com dois significados possíveis. Pode antes significar que a Igreja foi oficialmente instituída por Cristo e trazida oficialmente para nós ao longo dos tempos pela sucessão de Papas, e a essa "Igreja oficial" nenhum católico pode opor-se, pelo contrário. Ou "Igreja oficial" pode significar a massa dos funcionários da Igreja dedicados ao Vaticano II que durante o último meio século tem usado seu poder oficial em Roma para infligir aos católicos os erros conciliares, e a esta "Igreja oficial" nenhum católico pode não opor-se. Portanto, "Igreja conciliar" expressa algo automaticamente mal, enquanto "Igreja oficial" expressa algo bom ou mal, dependendo de qual dos dois significados esteja sendo dado. Portanto, substituir "Igreja conciliar" por "Igreja oficial" é substituir a clareza pela confusão, e também impede que os católicos se refiram ao mal do Vaticano II.

      O Pe. Billecocq nunca sugere que o Quartel-General da Fraternidade tenha "desejado" tal coisa, mas um fato e uma especulação o sugerem. Quanto ao fato, no início deste mês, o Superior do Distrito Francês da Fraternidade, o Pe. Christian Bouchacourt, entrevistado em público sobre as próximas eleições em julho, disse: "Assim que um Superior Geral for eleito, o Vaticano será imediatamente notificado da decisão". Essa notificação do Vaticano pela Fraternidade sobre as eleições desta nunca foi feita antes. E sugere fortemente que os atuais líderes da Fraternidade esperam que Roma não só seja informada, mas também que dê sua aprovação oficial à escolha de seus líderes – para que notificar, senão para conseguir aprovação? O que mais a Neofraternidade implorará da Neoigreja? O que não implorará? Como se afastou a Fraternidade dos tempos em que a fé do Arcebispo Lefebvre costumava fazer Roma implorar!

      Quanto à especulação, se ouve que dois candidatos principais estão sendo preparados por Menzingen para que os eleitores escolham como Superior Geral nas eleições de julho da Fraternidade, pois o posto não será mais ocupado por um Bispo. Suponha-se que Roma já está no controle virtual dessas decisões importantes que estão sendo tomadas dentro da Sede da Fraternidade. Nesse caso, Roma não tem muito por que temer que algum desses dois candidatos mudem substancialmente as políticas pró-romanas do Bispo Fellay, enquanto possa ter muito que ganhar com a aparência de uma mudança no topo, e ela pode ser capaz de fazer uso do Bispo Fellay em Roma como  líder de uma Congregação Ecclesia Dei "renovada", que inclua todas as comunidades tradicionais, incluindo sua própria antiga Fraternidade.

      Quem pode duvidar da habilidade dos romanos para tirar vantagem de todas as situações? A menos que... a menos que existissem novamente na Fraternidade a Fé e a Verdade que foram a força motriz do Arcebispo Lefebvre e de sua vitória sobre todos os liberais e modernistas em Roma. Esses demônios se esforçam para desfazer de uma vez por todas a Tradição Católica de Deus, que é o obstáculo potencial mais grave para sua nova Religião Mundial Única. E Deus pode exigir nada menos que o sangue dos mártires católicos para detê-los. Os mártires que vêm de entre os sacerdotes e os leigos da Fraternidade serão a sua glória.

      Kyrie eleison.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 49


03 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

         Há uma Metafísica comum a todas as religiões? Não. As falsas religiões se opõem à religião católica também em Metafísica.

      Que Metafísica têm os hindus? Uma Metafísica panteísta. Que Metafísica têm os modernistas? Uma Metafísica idealista. E os persas? Dualista. E assim por diante.

         As questões podem ser comuns, mas não as respostas. Guénon pode falar de união entre o que conhece e o que é conhecido, mas esta união não é a mesma para ele e para Santo Tomás.

         Em teoria, a Metafísica poderia ser comum à verdadeira religião e às falsas, já que a Metafísica é um conhecimento natural, e não sobrenatural. Nos fatos isso não acontece, e foi a Igreja, com o peso de sua autoridade, que salvou a Metafísica. São Pio X a prescreveu para os seminários e alertou, na Pascendi, sobre o perigo de afastar-se de Santo Tomás, sobretudo em Metafísica.

     Pio XII, falando da Filosofia de Santo Tomás, que sendo discípulo de Aristóteles completou-o e corrigiu, disse que ela era a “Filosofia da Igreja”. Ela é a Filosofia da Igreja, a Metafísica da Igreja, porque ela é a “Metafísica natural da inteligência humana”, segundo a feliz expressão de Bergson. Podia ser de outro modo, mas não foi. Isto é devido à ferida que o pecado original causou em nossa natureza. Daí a necessidade da graça, mesmo para fazer boa Filosofia. Não é uma necessidade absoluta, mas chega perto. Basta ver as aberrações que a humanidade já produziu e produz a cada dia.

        Voltaremos ao assunto. Por ora, lembremos a célebre frase de Chesterton, que cito de memória: “Expulsai o sobrenatural; não ficará nem mesmo o natural”, ou seja, nem a Metafísica.



+ Tomás de Aquino OSB



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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DL (550) - Mozart em Broadstairs

Por Dom Richard N. Williamson

27 de janeiro de 2018


Um mundo desequilibrado, desarmonioso, triste,
Para alinhar as almas é necessário Mozart, sábio e alegre.



      Entre as 18h da tarde da quinta-feira 23 de fevereiro e o meio-dia do domingo 25 de fevereiro, haverá na Casa Rainha dos Mártires em Broadstairs um modesto final de semana musical apresentando exclusivamente a música do famoso compositor austríaco do final do século XVIII, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Por que a música, quando o mesmo tempo e esforço poderiam ser gastos em algo mais diretamente religioso? E por que Mozart em particular?

      Por que música? Porque a música é um dom de Deus para o mundo que Ele criou, uma expressão da harmonia no centro de Seu universo, ao qual todos os membros vivos desse universo respondem, não apenas os anjos e os seres humanos, mas até os animais e as plantas ao seu modo. Quanto às plantas, os pesquisadores do Colorado, nos EUA, construíram quatro caixas com medidas de luz, ar, umidade, solo e plantas idênticas em todas as quatro, e canalizaram para três delas cantos gregorianos ou música clássica ou rock, enquanto a quarta eles deixaram no silêncio. Com o rock, a planta cresceu mas murchou, com o gregoriano ela floresceu, com a música clássica e o silêncio, o resultado foi intermediário. Quanto aos animais, muitos vaqueiros colocam música calma em seus estábulos no momento da ordenha para aumentar a produção de leite, assim como nos supermercados colocam-se música tranquila para aumentar o volume de compras pelos clientes humanos. Surpreendente? Foi Deus quem a criou para nós, e não nós mesmos (Sl IC, 3); somos Suas criaturas com a parte harmoniosa que Ele projetou para que possamos brincar em Seu universo como um todo.

      Para os seres humanos, a música é a linguagem suprema dada por Deus para o acesso à harmonia d’Ele, mesmo que, como Brahms, não se acredite em nenhum Deus. A música é, portanto, natural para os seres humanos, e tem uma enorme influência moral sobre eles, para o bem ou para o mal. À medida que a Madre Igreja recorre ao gregoriano e à polifonia para elevar as almas para o Céu, então o Demônio utiliza o Rock e todo tipo de música moderna para carregar as almas para o Inferno. “Diga-me qual é tua música, e eu te direi quem és”, diz o ditado. Quase todos os homens têm alguma música em si, e ai daquele que não tiver – diz Shakespeare (O Mercador de Veneza, V, 1):

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 48


27 de janeiro de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

      Continuando o exame de certas noções necessárias à compreensão dos escritos de Guénon e de Schuon, em vista de analisar o artigo de Olavo de Carvalho na Revista Verbum nos 1 e 2, é oportuno indicar o nome de um especialista na matéria: Jean Vaquié. Este autor escreveu: “L’imposture guénonianne. Le traditionalisme, la métaphysique, le symbolisme hétérodoxes de René Guénon.” O livro foi reeditado na França pelas Éditions ACRF, no ano passado.

      A metafísica de Guénon é inspirada no hinduísmo e constitui o fundo comum de toda a sua obra. Tentaremos aprofundar o assunto tanto quanto nos for possível, mas nada melhor do que ler os estudos já realizados sobre este tema. Jean Vaquié recebeu as felicitações de Dom Lefebvre por suas obras, nas quais ele refuta, desmascara os inimigos da Igreja infiltrados entre os católicos, como foi o caso de Guénon.

      Jean Vaquié escreveu também “L’École de l’ésotérisme moderne”, no qual ele indica  que há nos meios católicos tradicionais um grupo de intelectuais fortemente influenciados por Guénon, Schuon e A.K. Coomaraswamy. Um desses intelectuais foi Jean Borella, cujo livro, “La charité profannée”, foi imprudentemente editado e difundido por tradicionalistas.

      Os dominicanos de Avrillé, na França, fazem um excelente trabalho com sua revista “Le Sel de la Terre” e suas edições “Le Sel”, onde encontramos o livro “René Guénon jugé par la Tradition”, de Antoine de Motreff, que nos tem sido muito útil no estudo do pensamento de Guénon.

      Antes de terminar, registro a recepção de dois e-mails em defesa de Olavo de Carvalho e de seu artigo na revista Verbum. Olavo não teria exposto senão o pensamento de Guénon sem aderir a nada do que diz Guénon? É isso mesmo? Recomendamos o estudo do Rev. Pe. Joaquim FBMV sobre esta questão: “Análise do artigo de Olavo de Carvalho publicado na revista Verbum, números 1 e 2, julho e novembro de 2016”.

      Com a ajuda de Deus, voltaremos ao assunto.




+ Tomás de Aquino OSB


U.I.O.G.D

Comentários Eleison CCLXXII (272) - Sarto, Siri?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

29 de setembro de 2012


      Em um sermão para a Festa de São Pio X eu me vi pronunciando «quase uma heresia»: me perguntava em voz alta se Giuseppe Sarto teria desobedecido a destruição da Igreja de Paulo VI se, ao invés de morrer como o Papa Pio X em 1914, ele tivesse morrido como um cardeal em, digamos, 1974. Dentro da Fraternidade São Pio X isso deve soar como uma heresia, porque como a sabedoria do patrono celeste da FSSPX pode ser de algum modo falha? No entanto, a questão não é supérflua.

      Em 1970 o Arcebispo Lefebvre fez visitas pessoais a alguns dos melhores cardeais e bispos da Igreja, na esperança de persuadir um mero punhado deles a oferecer resistência pública à revolução do Vaticano II. Ele costumava dizer que apenas meia dúzia de bispos resistindo juntos poderia ter obstruído seriamente a devastação Conciliar da Igreja. Infelizmente, nem mesmo a preferência de Pio XII por seu sucessor, o Cardeal Siri de Gênova, viria a ter promovido uma ação pública contra o Establishment da Igreja. Finalmente, o Bispo de Castro Mayer deu um passo à frente, mas só na década de 1980, quando a Revolução Conciliar já estava bem instalada no topo da Igreja.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Elenco dos Comentários Eleison

Listam-se abaixo os Comentários Eleison publicados no blogue até hoje:

Comentários Eleison LXXXIV (84) - Harmonias Heroicas

Comentários Eleison CXII (112) - A Conversão da Rússia



Comentários Eleison CCCXLIII (343) - A Infalibilidade da Igreja I









Comentários Eleison CCCXCVIII (398) - Sinal Encorajador


Comentários Eleison LXXXIV (84) - Harmonias Heroicas


Por Dom Richard N. Williamson


07 de fevereiro de 2009



O heroísmo figurou no primeiro movimento da Terceira Sinfonia de Beethoven inspirado pela ideia de heróis católicos que fazem a guerra pela Igreja.


      Pouco antes do clamor da mídia nas últimas duas semanas, um querido amigo me pediu para escrever sobre qualquer música que me apraze especialmente. Teria de ser uma peça de Beethoven (1770-1827). Então eu poderia destacar o primeiro movimento de sua Terceira Sinfonia, conhecida como "Eroica", ou Sinfonia Heroica.

      Em efeito toda a sinfonia é heroica. É o retrato musical de um herói, originalmente Napoleão, até que Beethoven soube, do Primeiro Cônsul da República Francesa, que ele se transformara num Imperador ao velho estilo do Império Francês, após o qual Beethoven arrancou a página de dedicação a Napoleão e dedicou a Sinfonia simplesmente a um herói. Mas a música permaneceu inalterada: a expressão revolucionária das ardentes esperanças de Beethoven para uma nova era heroica do gênero humano a emergir de uma cansada velha ordem de reis e cardeais.

      E todavia, foi a velha ordem, tal como expressa Haydn (1732-1809) e Mozart (1756-1791) em particular, que deu a Beethoven as estruturas musicais dentro das quais moldaram e contiveram suas novas emoções dramáticas. O primeiro movimento da "Eroica" foi sem precedentes para o mesmo período de Beethoven - mais de 600 bares, com duração em qualquer lugar em torno de quinze minutos. No entanto, da primeira à última batuta, a variedade da riqueza e a força dinâmica das ideias musicais devem sua estreita unidade e controle total à forma sonata clássica que Beethoven herdara do século XVIII: Exposição, Desenvolvimento e Recapitulação (ABA), com um Coda Poderoso o suficiente (inovação de Beethoven) para equilibrar o Desenvolvimento (ABAC).

      Entrando em ação com dois acordes de Mi bemol maior, o herói avança com seu tema principal, o primeiro assunto, construído solidamente fora desse acorde. O tema verte sobre a guerra. Uma valente nova apresentação precede várias novas ideias de diversos ritmos, chaves e estados da alma até momentos de calma vêm com o classicamente mais tranquilo segundo assunto. Mas a guerra volta logo, com ritmos inusitados e violenta luta, culminando em seis martelares de cordas em dois tempos que cortam os três tempos do movimento. Alguns traços vigorosos concluem a Exposição.

      Transtornos e calma alternam-se para o restante do movimento. Notável no desenvolvimento é a mais tremenda agitação de todas, culminando em uma tríplice discordância de Fá maior com Mi natural nos metais, de cuja boca do leão flui o mel de uma nova melodia lírica, mas ainda a passos largos! Notável no Coda é a repetição quádrupla do triunfante tema principal do herói, culminando com lógica inexorável em um resplendor de glória.

      Senhor, concede-nos heróis da Fé, heróis tenros e valorosos, heróis da Igreja!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Comentários Eleison DXLIX (549) - Sobrevivência na Prisão

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

20 de janeiro de 2018


      O inferno globalista vindoiro desperta-lhe temor?  
      Construa bem, e preencha com Deus seu castelo interior.

      Alexander Solzhenitsyn (1918-2008) é um dos poucos escritores do século XX verdadeiramente proeminentes por não ser ele ateu, pois se voltou para Deus graças a seus sofrimentos sob a tirania totalitária da Rússia comunista, que durou de 1917 até 1989. Sua principal obra é o Arquipélago Gulag, em três volumes, nos quais ele descreve extensivamente sua própria experiência de ter vivido de 1945 a 1953 dentro do arquipélago comunista de campos de prisioneiros espalhados por toda a Rússia. Ele sobreviveu à experiência, e seus escritos incluem sugestões ou conselhos válidos de como sobreviver em prisões totalitárias modernas. Ouve-se dizer que os globalistas já construíram prisões em todos os Estados Unidos para calar os inimigos do estado globalista, que seguramente incluirão cristãos convictos. A seguinte receita em sete tópicos para a sobrevivência foi extraída do Arquipélago Gulag e apresentada recentemente na França:

      * No interrogatório preliminar, não tente enganar ou iludir os interrogadores quando, durante uma semana, você recebeu o mínimo de alimentos e de sono o suficiente para sobreviver. Em vez disso, banque o idiota do início ao fim, dizendo, por exemplo, "eu não sei", "não consigo lembrar". Em qualquer caso, não se engane, são os interrogadores que escrevem o interrogatório – o Partido é a consciência deles, e eles não querem perder seus empregos.

      * Uma vez dentro da prisão, pratique qualquer tipo de atividade mental de modo suficientemente intenso para que nenhum tipo de sofrimento seja capaz de desequilibrar sua mente.

      * Coloque em sua cabeça, o mais rápido possível, que sua vida anterior acabou, e inclusive a sua própria vida. Uma vez que não tiver mais nada a perder e estiver convencido disto, que você tiver tomado uma decisão que cumprirá a qualquer custo e seguirá fielmente qualquer linha de ação que tiver traçado, então você não terá mais medo, encontrará automaticamente as respostas certas e o modo de dá-las, e eles não terão mais poder sobre você, que se tiver de morrer, fará isto com dignidade e consciência tranquila. Aqui está a força moral que eles temem e que eles fazem tudo o que podem para romper, por exemplo, levantando falsas esperanças de receber um perdão.

      * Não possua nada, seja separado de tudo, e você terá a calma e a liberdade mental para julgar serenamente as pessoas e as circunstâncias. Confie somente em sua memória para recordar tudo o que conhece do homem e da natureza humana.

      * Desista de qualquer desejo de organizar sua própria vida, a fim de preservar sua paz mental.

      * Não acredite em ninguém, desconfie de todos: dentro do gulag, ninguém faz algo por nada.

      * Finalmente, fique perto de companheiros de prisão decentes contra os criminosos e os informantes, fazendo justiça com suas próprias mãos se necessário. Pois, de fato, uma das descobertas mais notáveis em sua jornada através desta cena do Inferno é que seus piores inimigos não são os guardas da prisão, mas ... seus companheiros de prisão. A lei desta selva é, hoje é você que chuta o balde, amanhã é a minha vez. Tudo o que você pode fazer é atacar em primeiro lugar, mesmo se você for esfaqueado em troca... em breve, faça-se respeitar se você não quiser ser explorado.

      Quanto ao uso da força física pela autodefesa, a Igreja ensina que deve ser proporcional à ameaça de ataque. Mas o ponto principal de Solzhenitsyn é a renúncia a toda esperança terrena, o desapego de todos os bens, a calma da mente, a paz da consciência; resumindo, a força moral interior que transfere o medo de si para os adversários. Aqui os católicos são universalmente reconhecidos como vitoriosos, que têm uma vida de oração com a qual vivem perto de Deus. "Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé" (I Jo 5, 4).


      Kyrie eleison.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - nº 47

20 de janeiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)

Voltando ao assunto do artigo de Olavo de Carvalho na revista Verbum (números 1 e 2 de julho e novembro de 2016), recordemos algumas verdades.

Religião: só há uma verdadeira, a católica. Os milagres de Nosso Senhor, a sua doutrina e a realização das profecias a seu respeito e a respeito da Igreja o provam.

Infiéis: são os que não creem na Revelação. São os pagãos. Eles rejeitam a fé católica que nunca possuíram.

Judeus: são os que rejeitam o que em figura (Antigo Testamento) seus pais haviam crido. Abraão, Isaac e Jacó, assim como todos os santos do Antigo Testamento, creram em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, e pertencem à Igreja Católica triunfante. Os judeus de hoje (judeus enquanto religião) não creem em Nosso Senhor Jesus Cristo nem pertencem à Igreja.

Hereges: são os que dão seu assentimento à doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas escolhem ou rejeitam nesta doutrina o que lhes é sugerido pela sua própria mente. Exemplo: Lutero.

Apóstatas: são os que abandonam a fé e a Igreja. Exemplo: René Guénon.

Gnósticos: aqueles que creem não em Deus – ou seja, não creem nem no que Deus revelou nem no Deus que revela -, mas no demônio (como Adão e Eva fizeram) e lhe prestam culto de uma maneira ou de outra. Em outras palavras, são os que dão fé ao que o demônio diz e não ao que Deus diz.

Ecumenismo: tal como o ensina a Igreja conciliar, é uma verdadeira heresia, que consiste em dizer que se pode salvar em e por qualquer religião. Exemplo: João Paulo II.

União transcendental das religiões: não há união transcendental das religiões. Uma religião é verdadeira ou falsa. Que união pode haver entre Cristo e Belial, entre a luz e as trevas?

Metafísica: para a verdadeira filosofia, é o estudo do “ser enquanto ser”. Alguns preferem dizer “do ente enquanto ente”, que traduz melhor o termo latino “ens”. A Metafísica estuda Deus tanto quanto Ele pode ser conhecido pelas simples forças da razão natural.

Para Guénon, Metafísica é outra coisa. Para Schuon também. Olavo diz que segue Guénon e Schuon no uso deste termo (Cf. Verbum, nº 1, pág. 41).

“La ‘metafísica’ hindú es para él (Guénon) un gnosticismo perfecto y absoluto, pues termina en el panteísmo (incluso si Guénon no cita jamás la palabra gnosis, emplea sin embargo el término sánscrito ‘jnána’, que es el equivalente, y prefiere usar el término ‘metafísica’, que ‘guenonianamente’ significa ‘conocimiento’ o… gnosis).” (Pe. Curzio Nitoglia – Jesus Christus – nº 67, página 24.)

Continuaremos o assunto se Deus quiser. Que sua graça nos assista.



+ Tomás de Aquino OSB




U.I.O.G.D

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Recomendações sobre as boas leituras

      “Por conseguinte, em geral, julgue-se que devem se evitar todos os livros e escritos, ainda que estes sejam folhas ou periódicos pequenos, nos quais são louvados com epítetos honoríficos os inimigos da Igreja e os aborrecedores da liberdade cristã; igualmente os escritos que cheiram a superstição ou paganismo; os que destroem a fama dos próximos, principalmente dos eclesiásticos e príncipes, e são contrários aos bons costumes e à disciplina cristã; os que estão contra a liberdade, imunidade e jurisdição eclesiástica; os que contém exemplos e sentenças, narrações ou ficções que ferem e violam os ritos eclesiásticos; e principalmente os que propagam o que se chama o volterianismo, ou o desprezo ou irrisão, ou ao menos o indiferentismo pelo que se refere à religião e à inteireza dos costumes” (Concílio Plenário da América Latina, art. 130).

      Não esqueçamos do critério e norma interior de Santo Inácio de Loyola. Para proscrever um livro de Erasmo não precisou de outra coisa que notar que se lhe diminuía a devoção com sua leitura. Se, pois, não só lhe diminui ao leitor a devoção, senão que vai se aficionado ao mundo, perdendo o horror ao pecado, à desonestidade, vendo-a como coisa inevitável; tendo ao duelo por ato nobre, ao suicídio por obra de grande valor; vai se decaindo em seu ânimo o respeito e amor à Igreja e aos seus ministros; se começa a vacilar em seu entendimento as ideias mais assentadas; se seu critério, até agora católico, se quebra; se sua fé e simples adaptação ao dogma, aos costumes antigos e tradicionais se ressentem, que mais sinais quer para conhecer a maldade de tais leituras?

      Além disso, tenha-se em conta estas reflexões: