Ordenação sacerdotal de Dom Tomás de Aquino

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Comentários Eleison DLXII (562) - Evitou-se a Guerra? - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

21 de abril de 2018


Os gentios estão protegidos desde que estejam com Deus,
Mas, se O desprezaram, escolheram serem vítimas dos judeus.



      No fim do mundo haverá “guerras e rumores de guerras”, diz Nosso Divino Senhor (Mt XXIV, 6); mas “olhai, não vos turbeis; porque importa que estas coisas aconteçam, mas não é ainda o fim”. Nas últimas semanas tivemos indubitavelmente rumores de guerra que incluíram a ameaça na Síria de um grande confronto entre as forças armadas dos Estados Unidos e as da Rússia. Desde então a ameaça parece ter diminuído. O que aconteceu, e quais são as perspectivas para o futuro? Estamos agora a salvo da Terceira Guerra Mundial?

      É difícil dizer com certeza, porque é claro que a grande mídia está virtualmente inteira nas mãos daquela raça que está empurrando para essa Terceira Guerra Mundial que ela espera que lhe permita completar sua tirania sobre a humanidade, deixada incompleta por suas duas primeiras Guerras Mundiais. Portanto, praticamente todos os relatórios midiáticos são inclinados em favor das pessoas e dos eventos que poderiam levar à guerra. No entanto, essa raça ainda não conseguiu controlar a Internet, que, no momento, quebrou seu controle monopolista da opinião pública, de modo que se alguém estiver procurando a verdade é ainda possível ouvir vozes sãs. O que se segue é uma versão de eventos a partir do material fornecido por dois comentaristas dos Estados Unidos, ambos acessíveis na Internet: Paul Craig Roberts e “the Saker”:

      O último confronto temido entre EUA e Rússia na Síria foi evitado porque os líderes das forças armadas dos EUA em Washington não arriscariam um conflito com os russos, por causa das terríveis armas russas reveladas recentemente pelo presidente Putin na Rússia. Essas armas parecem capazes de causar estragos em qualquer frota americana que se encontre atualmente no Mediterrâneo. Portanto, os americanos evitaram cuidadosamente um ataque que poderia ter provocado uma retaliação russa, e avisaram aos russos antecipadamente, de modo que a maioria dos mísseis disparados foi abatida pela Síria, e o dano foi mínimo.

      Isto significa que o perigo acabou? De forma nenhuma. A raça mencionada mais acima ainda quer a guerra, e controla a política externa americana, tal como Ariel Sharon uma vez se gabou em Israel: “Nós controlamos os americanos, e eles sabem disso”. De qualquer forma, por todos os meios que estiverem ao seu considerável alcance eles estarão trabalhando nos generais americanos dissidentes e no presidente Trump, enquanto se esforçam furiosamente para desenvolver meios efetivos de defesa contra as novas armas russas. E assim que acharem que superaram esses obstáculos, sua mídia produzirá outro conjunto de mentiras para enganar o estúpido público ocidental, como as “armas químicas” (que já foram há muito tempo completamente removidas da Síria), ou a construção da democracia (os próprios sírios estão bastante felizes com o seu Presidente Assad), ou “Putin é Hitler” (ele continua a mostrar notável tolerância em face da vil provocação ocidental; mas, se ela não cessar, então um dia ele reagirá mais do que compreensivelmente).

      Entretanto, mesmo a influência dominadora dessa raça (pouco mencionada pelos dois comentaristas políticos) não chega ao cerne da questão (que os dois comentaristas não mencionam de jeito nenhum): essa raça é meramente um flagelo usado – e protegido – por Deus para servir a Ele punindo os povos da terra que lhe dão as costas. Assim, essa raça mostrou aos líderes do Ocidente todos os reinos do mundo, gabando-se de que estão em seu poder, e prometeu entregar ao Ocidente a Nova Ordem Mundial, se o Ocidente se inclinasse e a adorasse. Os líderes e as nações ocidentais não foram obrigados a aceitar a oferta, mas fizeram sua livre escolha.

      Portanto, a menos que os líderes e as nações ocidentais comecem a dar a resposta correta a essa oferta, a saber: “O Senhor teu Deus adorarás, e a Ele só servirás”, essa raça continuará a usar todos os talentos especiais que Deus lhe deu para tentar e flagelar. Assim, parece provável que a III Guerra Mundial eventualmente ocorrerá, se não na Síria, então onde quer que mais nações sem Deus possam ser enganadas.


      Kyrie eleison.

domingo, 15 de abril de 2018

Comentários Eleison DLXI (561) - Anti-Lefebvrismo - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

14 de abril de 2018


Demos graças a Deus pelo grande presente que nos concedeu:
O Arcebispo Lefebvre, por quem a Tradição ascendeu.

      Existe alguma razão pela qual NM (ver os “Comentários” da semana passada), ao lidar com o problema dos Papas Conciliares, recorre à solução dramática de declarar que eles não são Papas? Parece haver. A Igreja Católica é tanto humana (uma sociedade constituída por seres humanos) como divina (animada especialmente pelo Espírito Santo), e é importante não confundir as duas coisas. Os seres humanos, como tais, são todos falíveis. Somente Deus é infalível. O erro dos católicos que recorrem à solução dramática de NM é que eles estão atribuindo aos Papas humanos muito da infalibilidade que só pode vir de Deus. Vamos usar como exemplo algo que há em uma casa moderna qualquer.

      Quando eu enfio um plugue elétrico em uma tomada na parede, a corrente elétrica não vem do plugue, mas da estação de energia através da parede, e qualquer aparelho precisa receber a corrente elétrica pela tomada no plugue. A central elétrica é Deus. A parede e a tomada são a Igreja. A corrente é a infalibilidade da Igreja, vinda de Deus. O plug são as quatro condições que somente o Papa pode inserir na tomada. Essas condições, claro, são: que ele 1) fale como Papa 2) para definir de uma vez por todas 3) uma questão de fé ou de moral 4) com a intenção de obrigar todos os católicos a aceitá-la. Através do envolvimento das quatro condições pelo Papa, ele somente e ele garantiu o acesso como ser humano à infalibilidade divina da Igreja. As quatro condições envolvem o Papa. A infalibilidade envolve Deus.

      Ocorre também, é claro, que essa tomada específica, conhecida como Magistério Extraordinário da Igreja (ME), não é o único acesso dos seres humanos à infalibilidade da Igreja. Eles aderem a ela muito mais pelo Magistério Ordinário da Igreja (MO), que é a Tradição Católica, ou, o que todos os mestres da Igreja, Papas e Bispos em particular, ensinaram em todo o mundo desde que Jesus Cristo depositou esse Depósito da Fé em Sua Igreja, confirmada infalivelmente nos Apóstolos em Pentecostes e transmitida infalivelmente por eles até que o último deles morreu. A partir de então, essa doutrina passou a estar nas mãos de seres humanos falíveis, a quem Deus deixou o livre arbítrio para ensinar o erro se assim decidissem fazê-lo. Mas, se alguma vez o erro humano tornou duvidoso o que pertenceria à doutrina infalível e o que não pertenceria, Deus deu à Sua Igreja também o Magistério Extraordinário, precisamente para definir de uma vez por todas o que pertence e o que não pertence ao Magistério Ordinário. Assim, o MO está para o ME como o cão está para a cauda, ​​e não como a cauda está para o cão!

      O problema de inúmeros católicos desde a definição solene em 1870 sobre a infalibilidade da Igreja é que, uma vez que o acesso do ME à infalibilidade da Igreja está automaticamente garantido de uma maneira em que o acesso do MO não o está, então o ME parece superior, e os católicos tendem a exagerar o ME e a transferir pessoalmente para o Papa essa infalibilidade que na realidade pertence automaticamente somente à Igreja. Isso significa que se o Papa cometer sérios erros como os dos Papas conciliares, então a única explicação possível é que eles não são Papas. Ou, se são Papas, então é preciso seguir seus erros. A lógica é boa, mas a premissa é falsa. Os Papas não são tão infalíveis quanto a Igreja. Eles podem cometer erros sérios, como o mostraram o Vaticano II e seus Papas Conciliares, como nunca antes em toda a história da Igreja! Mas a Igreja continua infalível, e, portanto, eu sei que a Tradição Católica durará até o final do mundo, apesar do pior que qualquer Papa fraco possa tentar fazer daqui por diante.

      Mas como é que eu sei que para o Papa como Papa pertence somente o acesso privilegiado (quatro condições) à corrente elétrica (infalibilidade), e não a corrente em si que pertence à parede (a Igreja)? Porque é o que diz a própria definição de infalibilidade em 1870! Eu só preciso ler: quando o Papa cumpre com as quatro condições (mencionadas acima), ele então possui “aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse Sua Igreja na definição de doutrina relativa à fé ou à moral”.

      Assim, os Papas católicos têm liberdade para cometer erros terríveis, sem que a Igreja seja menos infalível.

      Kyrie eleison.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Comentários Eleison DLX (560) - Argumento (Anti) "Lefebvrista"

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

07 de abril de 2018


O Arcebispo Lefebvre era sábio – sua regra era de ouro,
“Reconhecer, mas resistir” não é algo tão tolo!



Para atacar os sacerdotes dominicanos franceses de Avrillé por seu “Lefebvrismo”, ou seja, por sua recusa em aceitar que os Papas conciliares desde Paulo VI não foram Papas, um leigo francês – Sr. N. M. – acaba de escrever um artigo acusando os dominicanos de rejeitarem três dogmas católicos: que o Papa tenha primazia de jurisdição sobre a Igreja Universal; que o Magistério Ordinário Universal da Igreja é infalível; que é o Magistério vivo da Igreja que determina o que os católicos devem crer. Normalmente é melhor deixar essas questões de doutrina para os especialistas em doutrina, mas os nossos tempos não são normais. Hoje, os católicos podem confiar em seu bom senso católico para decidir essas questões por si mesmos.

Olhemos para as três perguntas de maneira simples e prática. Se eu quero aceitar que os Papas foram verdadeiros Papas desde Paulo VI, por que eu deveria negar, em primeiro lugar, que o Papa é o Chefe da Igreja; em segundo lugar, que o ensino normal da Igreja é infalível; e, em terceiro lugar, que o Papa reinante me diz em que devo acreditar? Vejamos os argumentos de N. M., um por um.

Quanto ao primeiro ponto, N. M. cita o completamente antiliberal Concílio Vaticano I (1879-1871) no sentido de que o Papa é o Chefe direto e imediato de todas as dioceses, de todos os sacerdotes e de todos os católicos. Se, então, como todos os lefebvristas eu me recuso a obedecê-lo, estou implicitamente negando que ele seja meu Chefe enquanto católico, então estou negando que o Papa é o que o Vaticano I o definiu ser. Resposta: eu não estou de forma nenhuma negando que os Papas conciliares têm a autoridade para comandar-me como católico; estou apenas dizendo que sua autoridade católica não inclui a autoridade para tornar-me um protestante, como farei caso eu siga suas ordens de acordo com o Vaticano II.

Em segundo lugar, N. M. argumenta que o Vaticano I também afirmou que o ensinamento cotidiano do Papa e dos Bispos é infalível. Ora, se alguma vez tivemos um ensinamento sério do Papa e dos Bispos juntos, foi no Vaticano II. Se, então, eu recuso esse ensinamento, estou implicitamente negando que o Magistério Ordinário Universal da Igreja seja infalível. Resposta, não, eu não estou. Reconheço plenamente que quando uma doutrina é ensinada pela Igreja em quase toda parte, em todos os tempos e por todos os Papas e Bispos, ela é infalível, mas se foi ensinada apenas nos tempos modernos do século XX pelos Papas e Bispos do Vaticano II, então é contrária ao que foi ensinado pelos Papas e Bispos em todos os outros tempos da Igreja, e eu não me considero obrigado a aceitá-la. Enquanto eu aceito o MOU consistente de todos os tempos, então eu rejeito o MOU inconsistente de hoje, que o contradiz.

Em terceiro lugar, N. M. argumenta que o verdadeiro Papa tem a autoridade viva para dizer-me como católico no que devo crer hoje. Se então me recuso a acreditar no que os Papas conciliares me disseram para crer, estou rejeitando sua autoridade viva como árbitros da Fé. Resposta: não, eu não estou. Eu estou usando meus olhos para ler, e meu cérebro dado por Deus para julgar, que o que os Papas conciliares me dizem contradiz o que todos os Papas anteriores até São Pedro me disseram, e eu prefiro seguir a consistência de duzentos e sessenta e um Papas dizendo-me no que acreditar do que a inconsistência de seis Papas Conciliares. “Mas então você está rejeitando a autoridade viva do Papa reinante como árbitro da Fé!”. Somente porque eu estou seguindo, obedecendo e submetendo-me aos duzentos e sessenta e um Papas como árbitros dessa Fé que meus olhos e meu cérebro me dizem que os Papas conciliares não estão seguindo. “Mas então você está apoiando seus próprios olhos e cérebro contra o Papa católico!” Deus me deu olhos e um cérebro que funcionam, e quando eu estiver diante Dele para ser julgado, responderei pelo uso que fiz deles.

É claro que a própria resposta de N. M. ao problema dos Papas protestantes, modernizadores e conciliares é negar que eles sejam Papas. Deveria ser igualmente claro que, para o problema, que é muito real, não estou obrigado a adotar a solução drástica de N. M. Tampouco, se me recuso a adotá-la, sou obrigado a negar três dogmas da Igreja. Que a paz esteja com N. M.

Kyrie eleison.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 56

Mosteiro da Santa Cruz

03 de abril de 2018



Estamos, neste artigo, continuando as considerações que fizemos em nosso número anterior sobre a Santa Igreja.

A Igreja Católica define-se com mais propriedade como sendo o Corpo Místico de Cristo. E nesse corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo é a cabeça e todos os mais que pertencem a esse mesmo corpo (inclusive o Papa) são seus membros.

Dessa Cabeça divina desce a graça santificante a seus membros. E essa graça é para todos os homens (ainda que nem todos a recebam), desde Adão até o último homem que existir. Portanto, mesmo os homens do Antigo Testamento que tiveram a dita de a receber, receberam-na por Nosso Senhor Jesus Cristo, e pertenciam à Igreja Católica. E se alguém, por acaso, se salva com o batismo de desejo, pertencendo externamente a uma falsa religião, na verdade pertence à Igreja Católica, mesmo sem o saber.

Vimos uma primeira distinção em partes, que se pode fazer na Igreja: uma parte é a Cabeça, e a outra os membros. Mas a Igreja é uma realidade complexa, acerca da qual precisamos fazer várias outras distinções para poder bem compreendê-la. Com efeito, sob um outro aspecto, o do lugar onde se encontram os seus membros, podemos distinguir a Igreja triunfante (composta por aqueles que estão no Céu), a Igreja padecente (composta por aqueles que estão no Purgatório) e a Igreja militante (composta por aqueles que estão na Terra). Ainda, sob o aspecto da guarda e da transmissão da Revelação, faz-se a distinção entre a Igreja docente (a que ensina: o Papa e os Bispos) e a Igreja discente (a que é ensinada: os demais membros). Mais outro aspecto: a Igreja, que é comparada a um homem, tem um corpo e uma alma. E nesse corpo podemos distinguir seus membros vivos e seus membros mortos. Os vivos são os que estão recebendo, da Cabeça, a vida sobrenatural da graça santificante. Os mortos são os que não estão recebendo essa vida. São como os membros gangrenados de uma pessoa: esses membros pertencem ao corpo aparentemente, materialmente, mas não formalmente, pois o sangue não os irriga mais; neles não está mais a vida do corpo.

Em uma próxima vez, se Deus quiser, continuaremos nossas considerações sobre este tema.

Arsenius

terça-feira, 3 de abril de 2018

Comentários Eleison DLVIX (559) - Ressurreição da Igreja?

Por Dom Richard N. Williamson


31 de março de 2018


Depende de cada homem, para a Igreja ressuscitar verdadeiramente,
Fazer tudo o que está ao seu alcance em sua situação de vida presente.


      E o dia anterior à Páscoa deve ser um bom momento para refletir sobre como a Madre Igreja ressurgirá do estado atual que a aflige. Por nossa fé católica sabemos com absoluta certeza que ela ressuscitará, e que durará até o fim do mundo (Mt. 28, 20). Mas é um grande erro pensar que ressurgirá desta vez por meios humanos, porque aí se começa a acreditar, por exemplo, em meios humanos para ir em seu resgate, como por “discussões teológicas” ou negociações diplomáticas com seus atuais líderes no Vaticano.

      Assim, as discussões teológicas de 2009-2011 não levaram a lugar nenhum, motivo pelo qual não ouvimos quase nada sobre elas desde então, o que provou que o abismo doutrinal entre a Roma conciliar e a Tradição católica não pode ser superado. E as negociações diplomáticas podem levar no máximo à mera aparência de um resgate da Tradição, porque os romanos de hoje têm 2000 anos de experiência em diplomacia, e eles não querem a Tradição, porque ela é um sério obstáculo no caminho de sua Nova Ordem Mundial, onde Nosso Senhor Jesus Cristo não tem espaço para reinar. O problema é uma rejeição generalizada de Deus por parte da humanidade em geral, e por parte de seus próprios homens da Igreja em Roma em particular.

      Portanto, o problema não será resolvido por meios meramente humanos. Como o Cardeal Villot (1905-1979), um ex-secretário de Estado no Vaticano sob três Papas conciliares (1969-1979), admitiu em seu leito de morte, “humanamente, a Igreja está acabada”. E é uma falta de espírito sobrenatural, não sem certa arrogância, da parte dos atuais líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X argumentar, como o fazem, que a Fraternidade tem de negociar algum acordo com os oficiais da Igreja em Roma porque não há outra solução para a crise da Igreja. Esses homens realmente acham que o Senhor Deus carece de meios para resgatar Sua Igreja? Eles realmente acham que o braço de Deus foi encurtado pela iniquidade dos homens? Aqui fala Seu profeta Isaías (59, 1-3):

      1. Eis que a mão do Senhor não se encolheu para não poder salvar; nem o seu ouvido ensurdeceu para não poder ouvir (as nossas súplicas). 2. Mas são as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizeram esconder de vós a sua face, para não vos ouvir. 3. Porque as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos, de iniquidades; os vossos lábios falaram mentira, e a vossa língua profere a iniquidade.

      As iniquidades do homem são o problema. E é possível que Deus não tenha a solução? Não. E é possível que Ele queira que os homens não tenham parte em Sua solução? Não. E é possível que o que Ele queira que façam para salvar Sua Igreja seja especialmente difícil ou complicado? Não. Mas é possível que isto requeira alguma humildade? Sim, porque “Deus resiste aos soberbos, e dá a sua graça aos humildes” (Tg. 4 ,6). E isso requer alguma fé? Certamente, porque “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb. 11 ,6). E há alguma chance de que Deus não tenha comunicado à humanidade, à beira de destruir-se a si mesma, que humildade significa que Ele quer que os homens confiem e peçam-Lhe que intervenha e os salve da destruição? Não existe essa possibilidade. Então, o que de fato Ele disse à humanidade para que Sua Igreja fosse capaz de ressuscitar?

      O que Ele disse foi por meio de Sua Mãe, em Fátima, em 1917, em Pontevedra, em 1925, e em Akita em 1973. Em Fátima: a Rússia deve ser consagrada ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa com todos os Bispos católicos. Em Pontevedra: os católicos devem praticar a devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Em Akita: os católicos devem rezar o Rosário pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes.  São estes três pontos humildes? Sim. São sobrenaturais, requerem fé sobrenatural? Definitivamente. Algum deles é pedir muito, para que a Igreja ressuscite e para que a humanidade volte da beira da destruição? Definitivamente não. Então, que ninguém se queixe de que não haja nada que se possa fazer!

      Kyrie Eleison.

      Traduzido por Leticia Fantin.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Comentários Eleison DLVII (557) - Inimigos Constantes

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

17 de março de 2018


Não por muito tempo os inimigos de Deus seguirão vencendo.
Uma confiança plena n’Ele ir-nos-há fortalecendo.

      Muitos leitores destes "Comentários" – mas não todos, absolutamente – devem ficar chocados e incrédulos sempre que estes continuam referindo-se aos judeus como sendo uma das principais fontes dos problemas na Igreja e no mundo de hoje. Isto ocorre porque desde a Revolução Francesa (1789), quando os maçons emanciparam os judeus e lhes deram liberdade para ocupar todas as posições de influência na sociedade, os judeus, com seu controle progressivo da política, das universidades e dos meios de comunicação em particular, apossaram-se cada vez mais das mentes das pessoas, e usaram esse controle que lhes foi concedido por gentios incautos para persuadirem a todos de que os judeus são as vítimas e não a causa das tensões constantes entre eles e o resto do mundo.

      No entanto, na Idade Média, quando a Fé iluminou as mentes dos homens com o Caminho, a Verdade e a Vida, os Papas Católicos e os Concílios da Igreja publicaram um grande fluxo de documentos para fazer com que os cristãos se acautelassem dos truques dos judeus, e até mesmo para proibirem os cristãos, por sua eterna salvação, de associarem-se com os eles. Isso foi meramente "antissemitismo"? Em nossos dias, um professor italiano argumentou recentemente – e ele não está só – que os judeus são a força controladora dentro do Papado e da Igreja conciliar. Segue um breve resumo do argumento do professor, que pode ser encontrado na íntegra aqui.

      O neomodernismo que devasta a Igreja Católica atualmente é o modernismo condenado por São Pio X, mas com um novo elemento acrescentado: o judaísmo talmúdico. Os judeus sempre se esforçaram para neutralizar a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois se Ele não é Deus, o catolicismo não é nada, e então o principal obstáculo para o domínio mundial está fora de seu caminho. Por exemplo, por que, em 2009, espalhou-se certa fúria pelo mundo por alguns comentários na televisão sueca que lançaram dúvidas sobre a existência de câmaras de gás homicidas na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial? O problema não pode ter sido apenas o Bispo que fez as observações. De fato, o alvoroço foi concebido em parte para prejudicar a tradicional Fraternidade Sacerdotal São Pio X, à qual o Bispo então pertencia, mas principalmente para forçar o Papa Bento XVI a afastar-se daquela Tradição Católica que está em consonância com a Fé da Idade Média. Assim, o Cardeal Ruini, Vicário emérito do Papa da diocese de Roma, declarou na época: "Ninguém que negue o 'Holocausto' pode ser um Bispo católico".

      O professor prossegue dizendo que um grande passo adiante para esta colocação do "Holocausto" no centro da religião católica foi dado em 1965, quando o Vaticano II declarou em seu documento Nostra Aetate que a aliança de Deus com os israelitas no Antigo Testamento ainda é válida, o que significa que a redenção por Jesus Cristo já não é mais necessária para a salvação; em outras palavras, que a Igreja Católica já não possui unicamente a Verdade completa e não é o único meio de salvação eterna. A partir disso a importância religiosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, abandonada pelo Vaticano II, foi imediatamente tomada pelos judeus e anexada ao seu "Holocausto". Por isso disse Abraham Foxman da B'nai B'rith em Nova York: "O Holocausto não é simplesmente um exemplo de genocídio, mas é um ataque quase bem sucedido contra o povo eleito de Deus; em outras palavras, contra o próprio Deus".

      Assim, para os judeus, o "Holocausto" é um evento teológico, central para a nova religião que deve ser imposta ao mundo inteiro, e ante a qual todas as outras religiões devem curvar-se, a começar pelo Catolicismo. É por isso que os Bispos católicos que questionam o "Holocausto" devem ser silenciados e banidos, e a Igreja Católica deve fazer o que seus mestres talmúdicos lhe digam para fazer. E o professor italiano conclui que os "irmãos mais velhos" conseguiram-se tornar os guardiões incontestáveis da Igreja de Cristo.

      Notem que esta tese exemplifica perfeitamente a afirmação de Tertuliano de que apenas a fraqueza dos católicos é a força dos judeus. A propaganda em favor do "Holocausto" decolou somente depois do Vaticano II. Antes do Concílio, as pessoas ainda tinham um pouco de bom senso para não acreditarem que cerca de duas vezes mais judeus do que o número de judeus que havia na Europa antes da guerra teriam sido exterminados.

      Mas "não temais, pequeno rebanho" (Lc. 12, 32). Todo católico sabe que é Deus que terá a última palavra, e não os seus inimigos. Este final catastrófico da Quinta Idade da Igreja, através do qual estamos vivendo, está preparando o maior triunfo da Igreja em toda a sua história, e pagando adiantadamente por ele, a breve Sexta Idade, ou Triunfo do Imaculado Coração de Maria. Algum tempo depois poderá vir o maior triunfo em toda a história do mundo dos inimigos de Deus, o reinado de três anos e meio do Anticristo (Jo 5, 43), ou a Sétima Idade da Igreja. Mas logo em seguida virá a última palavra para acabar com todas as últimas palavras, o Juízo Geral, que pertence a Deus, e que restabelecerá perfeitamente a Sua justiça universal.

      Kyrie eleison.

sábado, 17 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 55



17 de março de 2018

      Neste número de “A Voz de Fátima” pretendendo começar uma série de artigos nos quais tecerei considerações sobre a Santa Igreja, que, se Deus quiser, terá sua continuação em números futuros indeterminados, conforme dispuser a Divina Providência.

      Feliz culpa de Adão, que nos mereceu um tal e tão grande Salvador!

      Deus só permite o mal para daí tirar um bem maior. Ele permitiu o pecado de Adão, para daí tirar o bem infinitamente maior da Encarnação e da Redenção. E, em consequência da Encarnação e da Redenção, constituiu a Santa Igreja.

      A Santa Igreja é o meio, que Deus instituiu, através do qual os homens devem participar da vida divina, primeiramente na obscuridade da Fé e depois na visão, no gozo e na posse de Deus. Essa é a finalidade para a qual foram criados todos os homens, finalidade cheia de amor (e que amor! Amor incrível! Infinito!) por cada um de nós. E não temos o direito de não querer esse dom inestimável. Seremos justamente castigados se o recusarmos.

      Poderíamos pensar que o nosso bem é o que queremos para nós. Mas nosso Pai, nosso bom Pai, nosso melhor Amigo, Aquele que se fez nosso irmão e até quer ser nosso Filho, Ele sabe que, muitíssimas vezes, o que queremos é péssimo para nós. Como alguém que tenha um filho ou um irmão ou uma mãe que não querem absolutamente vê-lo bêbado porque sabem que isso é um mal para ele. Mas ele acha que isso é bom: como ele gosta de beber até a embriaguez!… “Por que essas pessoas, que deveriam me querer bem, ficam me reprovando de fazer o que tanto gosto?” Porque sabem que isso não é bom. Assim Deus para conosco.

      Conclusão, todo homem deve pertencer à Santa Igreja para se salvar. E só se pode pertencer à Santa Igreja por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi porque Ele morreu por nós é que cada um de nós pode receber a participação de Sua vida divina, pela graça santificante.



Arsenius

terça-feira, 13 de março de 2018

Laura Raventós, jornalista tradicionalista, penetra na maldade do marxismo cultural


O marxismo é um veneno diabólico, veneno letal abrasivo e dissolvente, que aniquila as entranhas e os mesmos cimentos da Cidade de Deus. É uma antecipação do inferno, ressonância satânica do irremissível não servirei de Lúcifer, bramido desesperado que retumba nos tímpanos da eternidade.

É uma das ideologias mais perniciosas para corromper e depravar o homem. Tem semeado de escarlate e barbárie o campo da História com milhões de mortos e sacrilégios. Tem propiciado um prejuízo incalculável à cristandade, socavando de coalho suas frondosas raízes e arrastando a um número incontável de almas ao inferno. Sopro de gelo que tem murchado flores de inocência, de pureza e de virtude.
A Rússia espalhou seus erros pelo mundo, graças ao demônio que havia semeado o joio do liberalismo nos Estados outrora católicos. Hoje em dia este vírus, assentado nas democracias liberais, segue impondo sutilmente suas mefíticas ideias através do que se conhece como marxismo cultural

Entrevistamos uma especialista no tema Laura Raventós i Vilarnau, jovem andorrana especializada em Hispanismo e Tradicionalismo Católico, principalmente focado na população anglófona, como R. U. e dos EUA. Redatora no “Traditional Latin Mass Catholics” e outros meios tradicionais.


O que se entende por marxismo cultural?
A expressão clássica do marxismo tem sido a econômica, que é a colocada em marcha do aparato econômico socialista, seguindo as ideias de Marx e posteriores ideólogos criminosos como Lênin ou Mao. Ao colapsar este modelo na maioria de países em fins do século XX, o marxismo transformou-se e de forma solapada tem envenenado a cultura no mundo inteiro e com muito mais violência ao ocidente cristão. É solapado pois muitos poucos o sabem reconhecer como marxismo, mas é tanto ou mais violento e danoso que a ideologia clássica com enfoque econômico. O marxismo cultural é, pois, a colocada em marcha e vitória da ideologia liberal e judaica maçônica sobre a sociedade.

Que pessoas estão por trás e que fins perseguem?
Em primeira instância o sionismo internacional (que oficialmente se chama assim desde o século XIX), que aliado com seus títeres, em particular a maçonaria, buscam eliminar a Cristo da sociedade. Assim se propuseram desde que assassinaram vilmente a Nosso Senhor, mas de forma mais recente no século XVIII com seu primeiro e grande triunfo: a Revolução Francesa, seguido do colapso das monarquias católicas, o triunfo do liberalismo (com suas duas expressões econômicas, a capitalista e a comunista) no mundo inteiro, e por se não fosse suficiente no século XX o nefasto Concílio Vaticano II e a subsequente destruição do mundo católico. O fim é, pois, eliminar a Cristo, e com ele levar a muitas almas à sua perdição, em benefício de seu “deus”, o Demônio.

Quais são suas principais manifestações em fatos concretos?
A principal manifestação, ao menos no Ocidente, tem sido a promulgação de leis ou correntes culturais que buscam que nossa religião seja vista como algo privado que não deve pertencer à vida pública. A heresia da separação Igreja-Estado, outrora condenada pelo Papa Pio IX, é hoje uma realidade em praticamente todos os países antigamente católicos, como Espanha. De fato, hoje em dia só sobrevivem como oficialmente católicos a Argentina, Costa Rica e os microestados europeus, mas todos de forma simbólica, um arcaísmo legal, pois tem sido também consumidos pelo liberalismo e modernismo imperante em nossos tempos. Esta é a principal manifestação, o abandono da fé, pois é a porta que se abre para as outras abominações: o relativismo, a proliferação de seitas, a sodomia, o aborto o feminismo, a revolução sexual, e um sem número mais de ideias e comportamentos que buscam perverter a sociedade e fazer com que o homem esqueça seu fim primordial: servir a Deus. Curiosamente, a Virgem Santíssima advertia em Fátima que muitos se condenariam pelos pecados relacionados com a carne e são esses os pecados que mais exalta e promove o marxismo cultural, pois com mais facilidade destroem e corrompem a alma e a mente.

Por que tem tido tão boa aceitação nas sociedades liberais ocidentais?
Porque é uma ideologia relativista, onde a verdade não é universal e absoluta, mas que depende de cada um e segundo o momento. É uma verdade cômoda, onde não há pecado nem inferno, e que de fato proclamam com orgulho em seu hino “A Internacional” – é um lugar onde todos temos razão e ninguém está errado nem será julgado. Uma igualdade que não se baseia na ciência nem na lógica, senão em uma enfermidade mental, pois isso é o liberalismo uma enfermidade mental que carcome a mente pobre das massas malformadas e mal guiadas. Como ovelhas sem pastor... e é certo, pois onde estão os pastores? Apenas existem.

Como os pais podem livrar seus filhos deste veneno do marxismo cultural?
Às crianças se lhes deve ensinar fortes bases católicas, de modo que ao crescer contem com as ferramentas para detectar e aplastar a heresia. Isso só se alcançará com pais de família bem formados, e que assistam a comunidades católicas tradicionais, onde entre outras coisas se reze a Missa de sempre e se ensine a verdadeira doutrina. É a única forma. Além disso, segundo as possibilidades, deve-se afastar o máximo possível do sistema educacional liberal, usando alternativas como por exemplo a educação à distância ou em casa.

A partir de quais outras frentes se pode combatê-lo?
Já deu o maior exemplo o Papa Santo, Pio X: “Em vão construireis igrejas, pregareis missões e edificareis escolas; todas as vossas obras, todos os vossos esforços ficarão destruídos se não sabeis manejar ao mesmo tempo a arma ofensiva e defensiva de uma imprensa católica, leal e sincera” – e isso é o que falta hoje em dia, uma verdadeira imprensa católica, salvo contados meios como o de vocês. Mas faz falta mais disso e dar maior difusão e de forma mais agressiva e clara e menos politicamente correta. Os liberais têm triunfado graças ao seu aparato midiático propagandístico e o mesmo deveríamos fazer nós. Esse é o principal conselho, além claro, de nos afastarmos como da peste dos erros da igreja conciliar e nos aproximarmos mais da Roma Eterna, recuperando a Tradição Católica e a sã doutrina.

Por que há covardia em muito católicos tradicionais e não reagem ante ao que está acontecendo?
Existe covardia principalmente por duas razões. Uns temem as repercussões sociais, como o ter problemas no emprego ou em suas relações pessoais com amigos ou familiares. Outros temem o enfrentamento com as hierarquias supostamente católicas. Assim, muitos em privado criticam o mal, porém em público fazem vista grossa com o objetivo de manter seu cômodo status quo. É uma atitude muito grave, que se não for corrigida será sua própria condenação. Lembremos a Sagrada Escritura no Apocalipse. “posto que és tíbio, e não frio nem quente, te vomitarei de minha boca”. E o mais grave é que não se trata de casos isolados, se não da grande maioria, inclusive nos círculos supostamente mais tradicionalistas.

Em quais princípios sólidos se baseia para ter as ideias tão claras?
Tenho contado com o privilégio de nascer no seio de um lar católico, onde meus pais me inculcaram as bases da fé, mas quis ir mais além e instruir-me especialmente naqueles temas que concernem à salvação das almas, incluída a minha. Graças a meus bons e santos sacerdotes assim como a outros letrados de fé sólida, e apoiada em minha formação acadêmica tenho podido me aprofundar em temas de filosofia e doutrina católica, lendo e compreendendo grandes santos como Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho, e outros mais recentes como São Pio X, aos quais considero meus mestres por excelência.

Javier Navascués


Non Possumus
Adelante la Fe

Comentários Eleison DLVI (556) - Paternidade Hoje - III

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

10 de março de 2018


O Paraíso é custoso, porém inestimável,
Ainda que meus esforços eu precise redobrar!


      O CE 553 (“Paternidade Hoje – I”, de 17 de fevereiro) atingiu um nervo. Não é de surpreender. O Diabo tem praticamente toda a sociedade em seu poder. O campo de batalha se mudou para aquelas famílias que ainda não estão em seu poder. Pais, não desesperem de Deus (que é o que o Diabo quer que vocês façam), mas meçam a medida da gravidade da situação e vejam a lógica das duas contramedidas propostas por Deus através de Sua Mãe para esta situação. Então façam o melhor que puderem e entreguem seus filhos nas mãos de Nossa Senhora.

      Muitos leitores reagiram até agora ao “Paternidade Hoje – I”, e certamente haverá mais. Um primeiro leitor lamenta que a análise do Pe. Delagneau se encaixe exatamente em sua própria família. No dia seguinte ao Natal, no ano passado, sua filha mais velha, com apenas 20 anos, virou as costas para a família, deixou o estilo de vida tradicional católico da família “de uma vez por todas”, e se entregou ao mundo com um casamento iminente, um contrato para o qual ela não está pronta. No entanto, uma centelha de esperança é que o jovem em questão não tem religião, o que significa que ele pode encontrar seu caminho para Deus com ela com mais facilidade do que se ele tivesse alguma religião! Outra centelha de esperança é sempre que a maternidade pode trazê-la de volta à realidade, como ela fez com Marya Shatova no romanece “Os Dêmonios” de Dostoievski (que viu o mundo moderno chegar).

      Uma segunda leitora, dada a precisão do retrato do Pe. Delagneau dos jovens de hoje, pergunta-se por que estes “Comentários” recomendam aos homens jovens em geral que se casem. Ela escreve que quase não há homens ou mulheres genuínos ao redor, porque “o material básico mudou”. Não seria tempo, ela pergunta, de considerar a possibilidade de que Deus deseja que mais homens e mulheres permaneçam solteiros e sofram na solidão, mas pela liberdade dos compromissos familiares terem mais tempo para a luta celibatária e para o sacrifício? No local de trabalho, ela diz que a geração crescente de trabalhadores quer dinheiro, poder e tempo livre, que eles não têm ideia, mesmo em teoria, de qualquer ethos de trabalho, e quase todos vivem em pecado, com “parceiros” ou segundos esposos ou alguma perversão ou outra coisa. “Jesus, tenha misericórdia”, conclui.

      Um terceiro leitor sugere que está certo que o Pe. Delagneau recorra aos pais, mas o que a Igreja está fazendo agora para defender as famílias? Considerando que o próprio leitor tem idade suficiente para ser capaz de olhar para trás com carinho para a década de 1960, quando sua própria mãe estava sempre em casa para cuidar dos filhos, agora ele diz que poucas famílias podem sobreviver sem que a mãe tenha que sair de casa para trabalhar, e as crianças devem ser entregues aos cuidados do estado, porque a Igreja oficial está na forca, e a Tradição Católica está distante. As condições de vida para as famílias são determinadas pelo estado, que não favorece as famílias e não tem nenhuma das habilidades da Igreja para poder ajudar com os problemas humanos de uma família. Este leitor conclui que estamos escravizados, como os judeus no Egito. Mas ele também diz que, como Deus deixou as famílias na situação de hoje, deve haver algo que elas possam fazer sobre isso.

      De fato. "Onde há vontade, há um caminho", diz o provérbio. E o Concílio de Trento cita Santo Agostinho no sentido de que Deus não pode abandonar uma alma que não o abandonou primeiro. Como disse Solzhenitsyn, a Rússia nunca teria caído no inferno comunista se não tivesse dado as costas a Deus. O Deus Todo-Poderoso permitiu o inferno para que a "Santa Rússia" voltasse para Ele. Demorou vários anos, mas esse retorno a Deus agora está acontecendo em toda a Rússia, mesmo que a conversão ainda não seja católica. Paciência. A Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria cuidará disso. "No sofrimento está o aprendizado". E agora famílias em todo o Ocidente consumista estão sofrendo intensamente. Paciência.

      Os pais precisam acima de tudo compreender a urgência da necessidade de recorrer aos dois remédios de Nossa Senhora, o Rosário e a Devoção dos Primeiros Sábados, para fazer reparação ao seu Imaculado Coração. Pois quem pode dizer que qualquer um destes remédios é absolutamente impossível? Que os pais façam um verdadeiro esforço com ambos – cinco Mistérios com os filhos, outros dez individualmente, se possível, e o que for necessário para os Primeiros Sábados; e então, como Nossa Senhora poderia abandoná-los? Não é possível!

      Kyrie eleison.

domingo, 11 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 54

Mosteiro da Santa Cruz

10 de março de 2018


      Para aprofundarmo-nos cada vez mais na mensagem de Fátima, paremos para meditar algumas passagens das memórias da Irmã Lúcia como as que seguem:
      “Meus pais levavam uma vida dura e simples, mas calma e feliz” (Memória VI), “Um dia, eu vi chegar perto da porta um pobre. Eu entrei em casa e disse a meu pai: ‘Está aqui um pobre pedindo esmola’. Meu pai se levantou, foi à lareira e, com sua faca, cortou a corda de um chouriço. Pegando-o perguntou à minha mãe: ‘- Olhe! Posso dar isso a esse pobre? Isso não vai fazer falta? ’ Minha mãe respondeu: ‘ – Pode. O que damos aos pobres, nunca nos faz falta.’” (Memória V) “Cada dia, quando os sinos da igreja paroquial tocavam o Ângelus, meu pai parava o trabalho, com a cabeça descoberta, ele recitava três Ave Marias e voltava para casa.” (Memória VI).
      Que belos exemplos para serem imitados por nós!
      Referindo-se à segunda aparição do Anjo, a Irmã Lúcia diz:
      “As palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito como uma luz que nos fazia compreender quem é Deus,
quanto Ele nos ama,
quanto Ele quer ser amado por nós,
o valor do sacrifício,
quanto o sacrifício é agradável a Deus,
como Ele converte os pecadores em vista de nossos sacrifícios”( Memória IV)
      Coloquei separadamente essas frases para darmos a devida atenção a cada uma delas e, assim, procurar impregnar-nos das mesmas.
      E o Anjo indica um dos mais preciosos sacrifícios: “Sobretudo, aceitai e suportai com submissão os sofrimentos que o Senhor vos enviar”. (Memória IV).
      Nossa Senhora deseja iluminar-nos, assim, como um amor especial por Deus e pelo mistério da Santíssima Trindade: “E a luz que emana de Nossa Senhora é uma luz fortíssima, tão intensa, que, entrando em nossos corações e penetrando até o mais profundo de nossa alma, nos faz ver-nos a nós mesmos em Deus.” (cf. Memória IV)
    E para recebermos essa luz de Nossa Senhora não é necessária uma visão extraordinária como a dos pastorzinhos, mas é preciso um avanço sério na vida espiritual, que é um dever de todos nós.
E se fizermos isso, poderemos dizer com Francisco: “o que mais gostei foi ver Nosso Senhor nessa luz que Nossa Senhora nos colocou no peito. Amo tanto a Deus! Mas, Ele está tão triste, por causa de tantos pecados! Nós não devemos fazer nenhum pecado!” (Memória IV)
      Que Maria Santíssima nos ajude a alcançarmos essa graça!

Arsenius


U.I.O.G.D

quarta-feira, 7 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 53

Mosteiro da Santa Cruz

03 de março de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)


      “Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará” (Nossa Senhora de Fátima, em Sua terceira aparição, em 13 de julho). E que significa esse triunfo de nossa boa Mãe do Céu, senão o triunfo do Seu Divino Filho? E que significa esse triunfo de Jesus, senão o Seu império, o Seu governo e a Sua dominação sobre todos os homens, tanto individualmente como organizados em sociedade, tanto internamente como em suas atividades externas, tanto em seus pensamentos como em suas palavras, tanto na intimidade de seus lares como em público, tanto em suas obras de arte como em suas publicações de leis civis, tanto em seu modo de estimar as coisas como de julgá-las?

      E se a Santa Igreja nada mais é que o Corpo Místico de Jesus, todos os homens, governantes e governados, desde o sumo governante que é o Papa até ao mais insignificante dos cidadãos, e todas as suas obras, realizadas em seu interior como as que realizam externamente, devem submeter-se aos ensinamentos e governo da Santa Igreja, que é a fiel transmissora da Revelação Divina e depositária da autoridade do seu Divino Fundador. E esse é o chamado Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Quando isso se realizará? Não o sabemos. O que cabe a nós, na situação em que se encontra hoje o mundo, é de, no âmbito de nossa ação e no qual tivermos alguma influência, realizarmos esse ideal em nossas próprias pessoas e nas do próximo. E isso implica necessariamente uma oposição a quase tudo que se nos oferece ao nosso redor, pois a sociedade atual está impregnada até a medula de uma multidão de coisas que se opõem a Cristo Rei. Essa atitude certamente é constrangedora e nos faz sofrer, mas nos assimila, ainda que indignamente, às santas personagens que ficaram ao pé do Calvário, as quais, sós, deram mostra de fidelidade ao nosso Divino Salvador diante da turba que vociferava com ódio contra o seu grande, maior e verdadeiramente único Benfeitor.

      O que essa atitude nos valerá? Muitos incômodos e talvez até a vida presente, mas nos premiará com a eterna. E isso excede a todo preço.

      Que Nossa Senhora de Fátima nos alcance de Seu Divino Filho a graça de ficarmos ao lado Dela no Gólgota, de pé, como Ela.



Arsenius



U.I.O.G.D

terça-feira, 6 de março de 2018

Comentários Eleison DLV (555) - Defendendo Menzingen - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin


03 de março de 2018


      Por que alguns bons homens não conseguem ver onde o mal reside?
      Quanto mais eles falham, mais a “Resistência” progride!

      Não há dúvida de que alguns leitores destes “Comentários” não estão tão interessados em ler sobre o que lhes parecem meras disputas internas entre alguns poucos sacerdotes católicos. Que tais leitores não subestimem a importância dessas “disputas”. A religião dirige o mundo porque Deus existe, e o modo como os homens se posicionam em relação a ela (a religião) governa o modo como eles se posicionam em relação aos seus semelhantes (política). A Igreja Católica dirige a religião porque desde a Encarnação de Cristo o Catolicismo é a única religião fundada pelo único Deus verdadeiro. E a Tradição Católica dirige a Igreja Católica porque esta Igreja é tão essencialmente imutável como o próprio Nosso Senhor. E por quarenta e dois anos (1970-2012) a Fraternidade Sacerdotal São Pio X esteve na linha de frente da defesa da Tradição Católica porque era a única organização católica no mundo inteiro que efetivamente resistia à modernização infiel da Igreja pelo Concílio Vaticano II. Assim, todos os homens vivos, ateus, protestantes ou conciliaristas, especialmente sacerdotes e seguidores da FSSPX, estão preocupados com o problema de infidelidade à Tradição Católica dentro da FSSPX. Leiam, minha gente!

      Outro defensor de Menzingen, o Pe. B., alistou-se nas fileiras para defender sua política de reintegração à Roma conciliar – chamá-lo-emos reconciliaristas – com um artigo na revista oficial mensal da FSSPX dos EUA. Desde que o Vaticano II separou da Verdade Católica a Autoridade Católica, que só existe para defendê-la e mantê-la, todos os católicos têm estado necessariamente mais ou menos esquizofrênicos – ou eles seguem a Autoridade e abandonam a Verdade, ou seguem a Verdade e abandonam a Autoridade, ou eles escolhem qualquer uma de uma variedade de combinações entre elas.

      O fundador da FSSPX, o Arcebispo Lefebvre, escolheu a Verdade, mas manteve tanto respeito pelos detentores da Autoridade Católica quanto era compatível com a fidelidade à Verdade, e como resultado sofreu séria perseguição e condenação da parte de todos os católicos que mais ou menos preferiram a Autoridade. Ao contrário, seus sucessores na liderança da Fraternidade estão querendo devolvê-la à autoridade conciliar, daí que a partir de 2012 a Fraternidade tem sido oficialmente reconciliarista. Por essa mudança da FSSPX, da Verdade de seu fundador para a Autoridade conciliar, eles preencheram a Fraternidade de esquizofrenia, causando um movimento de “Resistência” contra seu “reconciliarismo”.

      Durante a maior parte de seu artigo, o Pe. B. é católico em seus princípios, mas no fim é reconciliarista na aplicação destes. Assim, talvez para ajudar na reeleição do atual reconciliarista Superior Geral da Fraternidade, em julho, ele ataca a “Resistência”, não por sua adesão à Verdade, que é um ponto forte, mas por seu desprendimento da Autoridade Católica, em Roma e em Menzingen. Desta maneira, o Pe. B. diz, em relação a Roma, a “Resistência” existe em função de sua própria “facilidade e conveniência”, sob risco de ignorar o Papa e não reconhecer sua autoridade; em relação a Menzingen, está recusando o respeito e a obediência devidos; e ao criticar cada palavra pronunciada pelo Superior Geral, está semeando suspeitas e bloqueando os canais da graça.

      Mas, Reverendo Padre, entre seus princípios católicos, o senhor mesmo reconhece a primazia da Fé. Mas, ora, o Vaticano II foi um desastre para a Fé ao tentar colocar o homem moderno no lugar de Deus. Assim, conciliarismo e reconciliarismo são ambos desastrosos, e ambos – os oficiais de Roma e o atual Superior Geral da Fraternidade – serão devidamente julgados. O problema não é a “Resistência”, que não “ignora” o Papa e certamente não está procurando sua própria facilidade e conveniência, porque é altamente desconfortável para os católicos serem privados de todo o apoio reconhecido da parte dos oficiais católicos supracitados. Assim, a “Resistência” não está nem caindo em “uma atitude cismática por si só” nem bloqueando os canais da graça. O problema é que o Concílio causa cisma, o Concílio envenena os Papas, e o Concílio sufoca a graça de Jesus Cristo. Se algo da verdadeira Fraternidade quiser sobreviver, o atual Superior Geral não deve ser reeleito, nem substituído por outro reconciliarista.

Kyrie eleison.

Sermões: 2º Domingo depois da Epifania (2018)



Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.

PAX
II Domingo depois da Epifania (2018)

      O Evangelho de hoje nos fala do casamento, o qual é a união entre Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Que imenso mistério, Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja, unidos para a eternidade. Que o homem não separe o que Deus uniu. Ninguém poderá separar Nosso Senhor Jesus Cristo de sua Igreja, nem o Anticristo, nem os modernistas.

      Ora, um fato ocorrido em nossa paróquia servirá para aprofundarmos o conhecimento na contemplação deste mistério, se Deus nos fizer esta grande graça. Toda crise, toda heresia, todo erro é ocasião, para a Santa Igreja, de aprofundar o dogma, e aprofundando o dogma, aprofundar o conhecimento e o amor de Deus, ou seja, aprofundar-se na fé e na caridade, bem como na esperança dos bens que Deus nos prometeu.

      Mas qual foi o fato ocorrido em nossa paróquia que nos leva a falar da Igreja?

      O fato foram as missas que meu sobrinho, o Pe. Tarcísio, rezou na capela São Miguel. Estas missas foram para mim motivo de alegria e de tristeza.

      Alegria por ver o Tarcísio subir ao altar depois de uma longa preparação iniciada, em parte, aqui em nossa paróquia, aqui em nosso mosteiro. Contente pelo Pe. Tarcísio, que mereceu sua ordenação pelos anos de estudo realizado no seminário Nossa Senhora Corredentora, em La Reja, na Argentina, seminário da Fraternidade São Pio X.

      E a tristeza, qual é ela? É a de ver os superiores do Pe. Tarcísio, ou seja, os superiores da Fraternidade São Pio X, tomarem uma direção diferente da indicada por Dom Lefebvre no combate da fé. Como a acusação é grave, vejamos, pois, qual foi a orientação dada por Dom Lefebvre e depois comparemos esta orientação com o que faz a Fraternidade, arrastando os novos sacerdotes nesta mesma nova orientação.

      O que disse, e mesmo escreveu, Dom Lefebvre? “É um dever estrito para todo sacerdote que queira permanecer católico, o de separar-se desta Igreja conciliar enquanto ela não regressar à Tradição da Igreja e da fé católica”. Alguém pode se perguntar: “Mas que Igreja conciliar é essa? Só existe uma Igreja, não existem duas Igrejas!”. É aí que começam nossas reflexões.

      A reflexão sofrida dos combatentes, dos confessores da fé a respeito de nossa Mãe, a Santa Igreja. E quem são os mestres que seguiremos nessas reflexões? Eles são Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer, Père Calmel, Gustavo Corção e toda a Tradição da Igreja, com seu Magistério infalível e também, entre os vivos, Dom Williamson e Dom Faure.

      A crise atual obriga a aprofundar as verdades reveladas, obriga a aprofundar as palavras mesmas pelas quais a Santa Igreja exprime o dogma revelado.

      O que nós desejamos é conhecer, amar e defender esta união entre Jesus Cristo e a Igreja, para discernir onde está nosso dever para com Deus, para com nós mesmos e para com o próximo.

      Duas Igrejas? Num certo sentido, sim. Duas Igrejas, e como dizia Santo Agostinho, duas cidades.

      Dois amores constituíram duas cidades. O amor de Deus levados até o desprezo de si mesmo constituiu a cidade de Deus. E o amor de si mesmo levado até o desprezo de Deus constituiu a cidade do homem.

      Que a Igreja conciliar seja a religião do homem levada até o desprezo de Deus é evidente. Todo mundo pode constatá-lo.

      Paulo VI declarou a simpatia da Igreja (que Igreja?) pela religião do homem que se faz Deus. Isto está no discurso do encerramento do Concílio Vaticano II. Todos que desejarem podem encontrá-lo sem dificuldades. Este escândalo sem precedentes foi comentado por Dom Lefebvre e todos os grandes autores da Tradição.

      Mas não é só isso. O desprezo por Deus se manifesta primeiramente na liturgia. Comunhão de pé e na mão. Supressão de inúmeras genuflexões. Desprezo pela lei de Deus e seus mandamentos. Não é preciso enumerar o que todo mundo já está cansado de saber. Mas que significa isto?

      Isto significa que estamos diante de uma outra Igreja com sua nova liturgia, sua nova moral, seu novo Direito Canônico, sua nova espiritualidade.

      Esta nova Igreja é completamente outra? Na sua orientação, sim. Ela é totalmente outra. Ela está a serviço da cidade do homem que leva o falso amor de si mesmo até o desprezo de Deus.

      Mas e o Papa? É ele Papa de qual Igreja? Ele, por mais estranho que isto seja, ele é Papa das duas Igrejas. Ele é Papa da Igreja católica e ele é o chefe da Igreja conciliar. Logo, estas duas Igrejas estão ligadas? Pelo espírito que as anima, não. Pela ocupação efetiva dos cargos que pertencem à Igreja, sim. Elas estão entremeadas uma na outra.

      Mas se assim é, por que não assumir essa realidade e conviver com essa dificuldade? Porque não convém estar debaixo da autoridade daqueles que não professam a integridade da fé católica. Não são os inferiores que fazem os superiores, mas sim o contrário. São os superiores que influenciam os inferiores.

      Se o Papa Francisco, se Bento XVI, se o Cardeal Burke, ou qualquer outro membro da Igreja conciliar viesse aqui para pregar, isto seria um desastre.

      Mesmo se os fiéis já impregnados de modernismo, se eles viessem em multidão em nossas missas, isto não seria bom. Aos poucos o liberalismo destes progressistas se comunicaria a nossos fiéis.

      Mas isto não é um espírito de seita?

      Não. Isto é espírito de separação.

      O católico é um homem separado do mundo. Ele está no mundo, mas ele não é do mundo. Ora, se nós podemos estar com todos no ônibus, no mercado, no dentista, nós não podemos estar com todos na hora de oferecer a Deus o Santo Sacrifício da Missa.

      Na Igreja primitiva, os catecúmenos deviam sair da igreja antes do ofertório, antes do cânon, antes do sacrifício. Os que receberam a ordem menor de porteiro devem impedir a entrada na Igreja dos indignos.

      Há, pois, sim, um espírito de separação em relação ao mundo. O progressismo, o modernismo é aberto ao mundo, ao demônio e à carne. A Tradição é fechada ao mundo, ao demônio, à carne e ao modernismo. Isso é espírito de seita? Não, isto é espírito católico. Quem não entende é talvez por que já começou a não ser católico.

      “Mas recusando estar unidos ao Papa, os senhores não estão recusando o canal pelo qual passam todas as graças que vem de Nosso Senhor?”. Recusando estar unido aos papas conciliares, nós não estamos recusando a união com a hierarquia que Nosso Senhor instituiu. Nós estamos apenas dizendo: Anátema seja quem ensinar outro Evangelho, como nos ensinou a dizer São Paulo.

      “Mas então os senhores não querem e não procuram uma normalização da situação em relação a Roma?”. Quem está em situação anormal não somos nós, mas a Roma modernista.

      Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, serão eles que virão a nós e não nós que iremos a eles.

      “Isso não é orgulho?”. Não, isso é a verdade.

      “Mas a questão canônica tem de ser resolvida?”. Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, não haverá questão canônica. Nós poremos nosso episcopado nas mãos do Santo Padre, como nos ensinou Dom Lefebvre.

      “Mas os senhores esperarão de braços cruzados o fim da crise?”. Muito pelo contrário. A Resistência reza, estuda, prega, batiza, crisma, confessa, administra a Extrema-unção, realiza matrimônios e ordena sacerdotes e oferece o Santo Sacrifício do altar e dá a Santa Comunhão. Eis aí a Igreja. Igreja perseguida pelos modernistas que excomungaram Dom Lefebvre e canonizaram João Paulo II.

      “Mas a Fraternidade, no fundo, pensa como os senhores”, dirão talvez alguns. Queira Deus que sim, mas temo que isto seja uma doce ilusão.

      Todos os fatos ocorridos desde os anos 90 até hoje indicam que há duas correntes na Tradição: a corrente dos que querem uma aproximação diplomática com Roma e a corrente dos que não querem aproximação com Roma, a não ser se Roma regressar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica.

      A corrente diplomática, que podemos chamar de liberal, é uma corrente que minimiza a crise atual. A quem perguntava a Corção se ele esperava ver ainda o fim da crise, ele respondia: “Não. Não tenho esperança senão de ver a Igreja triunfante”. Corção era então um pessimista? Não. Corção era realista. Dom Lefebvre também não esperava uma rápida mudança. Ele dizia: ‘Preparai-vos para um combate de longa duração”. Mas então, esta crise durará ainda quanto tempo? Só Deus sabe o quanto durará esta crise. Não nos foi dado saber o futuro e isso não deve nos preocupar. Nosso dever é agir corretamente e deixar o resto nas mãos de Deus.

      Penso que agimos corretamente com o Pe. Tarcísio. Penso que estamos agindo corretamente expondo as razões de nossas vivas apreensões. O resto está nas mãos de Deus. Se alguém se perturba com a ideia de que nós não somos católicos ou que nossa posição é cismática, eu diria: Onde está Nosso Senhor e Nossa Senhora aí está a Igreja. Onde está a Pascendi e o Syllabus, aí está a Igreja. Onde está o desejo de se submeter a Roma quando ela regressar à Tradição do Magistério e da fé católica, aí está a Igreja. Onde está o amor de Deus até o desprezo de si mesmo, aí está a cidade de Deus.

      Apesar de nossa indignidade, esperamos obter a graça de aí viver e morrer. Assim seja.

Dom Tomás de Aquino O.S.B.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Comentários Eleison DLIV (554) - Paternidade Hoje - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

03 de março de 2017



      Não é pouco o que vocês podem fazer, pais:
      O natural, o físico e o humano, não os percam de vista jamais.

      Esperamos que os pais que leram aqui na semana passada sobre a questão de se sabem o que exige a paternidade atualmente, não tenham se sentido como se estivessem sob acusações. Eles estão sob forte pressão de todo o ambiente que circunda seus filhos, e quando as almas estão sob pressão, Deus não exige que elas façam o impossível, mas apenas o que quer que lhes seja possível fazer. Assim, na Carta à segunda das sete Igrejas da Ásia, correspondente à Idade dos Mártires da Igreja (Ap 2, 8-11), o Venerável Holzhauser explica que se os católicos de Esmirna não recebem do Espírito Santo nenhuma repreensão ou censura, como ocorre com cinco das outras sete Igrejas, é porque os católicos sob perseguição precisam de encorajamento, e não de críticas.

      E Deus sabe que os pais que se esforçam para salvar as almas de seus filhos estão sob perseguição, ainda não sangrenta, mas muito poderosa. Pois, quando os homens estão, por exemplo, voltando-se para a IA (Inteligência Artificial) para fazer de um robô o seu deus, então estão perdendo não só o Deus verdadeiro, mas toda noção da diferença entre uma máquina e um ser humano, sem falar da diferença entre homem e mulher ou entre pais e filhos. Como um ambiente em que há confiança na IA para garantir o seu futuro poderá propiciar alguma compreensão ou simpatia pela família tal como Deus a projetou?

      Como um leitor me escreveu, o comunismo oriental tratava brutalmente qualquer um que não estivesse andando na linha, mas pelo menos o inimigo da salvação era reconhecível, enquanto o que se poderia chamar consumismo no Oriente ou no Ocidente é bastante mais sutil – em vez de brutalizar, simplesmente marginaliza, fazendo com que enquanto os verdadeiros católicos sejam "anormais", as crianças desejem ser "normais", com smartphones, como todas as outras crianças, etc. O consumismo brilha com suas luzes coloridas, e, assim, as crianças estão sendo transformadas em robôs descerebrados, inteligentes o suficiente para manipularem a tecnologia e as máquinas, mas sem nenhuma ideia das questões humanas essenciais, porque não são ensinadas a ler, nem a ler nas entrelinhas, como se fez sob o comunismo, e são privadas de todas as ferramentas do pensamento. Uma geração de marionetes androides está crescendo ao nosso redor.

      Então, em contraposição ao que os pais não podem fazer, o que eles podem fazer para colocar seus filhos no caminho do Céu (será a livre escolha das crianças mais tarde se elas permanecerem ali)? Em primeiro lugar, algumas noções básicas. Deus existe, e Ele quer salvar todas as crianças, e para todos nós Ele dá a ajuda de Sua Mãe e a dos invisíveis mas poderosos Anjos da Guarda que estão do lado de todos os pais verdadeiros. Em casa, que essas realidades sobrenaturais façam parte da vida cotidiana, e que a vida cotidiana seja sobrenatural, mesmo que o senso comum dos pais impeça que as crianças sejam afastadas por um excesso artificial de religião.

      Então, no plano natural, deem a seus filhos tanto tempo quanto vocês achem que eles precisam. Que o amor seja expresso e soletrado assim: T-E-M-P-O. Para que as crianças se tornem humanas elas precisam ser formadas por seres humanos, não por máquinas. E os formadores naturais das crianças são seus pais, que têm uma enorme influência natural sobre seus filhos, caso eles apenas a usem, em vez de abdicarem dela. Estabeleçam refeições familiares regulares ao redor da mesa, e nas refeições, falem. Provérbio chinês: "Instrua seus filhos na mesa, sua esposa no travesseiro". Falem sobre política, especialmente a diferença entre a realidade e o que os meios de comunicação apresentam como realidade. Advirtam as crianças para terem cuidado fora de casa, mas digam-lhes a verdade sobre o “onze de setembro” e sobre a grande farsa (entre cinco e sete milhões). Sim, contem-lhes sobre isto assim que eles forem capazes de entender (não antes), para que possam perceber o mundo de mentira no qual Deus nos colocou para viver, como um justo castigo por nossa apostasia. Adicionem sempre a dimensão religiosa, porque está sempre lá, e os filhos precisam entender que o que importa é Deus. Mas não apenas por piedade – Nossa Senhora de Fátima promove tanto o Rosário como a Consagração da Rússia.

      Então, de modo mais prático, tirem o que puderem de aparelho eletrônico de dentro de casa. Ensinem aos filhos por que vocês não estão permitindo a televisão ou smartphones sob o seus tetos, e se vocês não podem ficar sem a Internet, ensinem-nos porque estão sob o bloqueio e a chave físicos (não apenas eletrônicos). E coloquem as mãos deles para trabalharem: os meninos no desmonte de uma motocicleta, ou na carpintaria; as meninas na costura e na cozinha; e todas as mãos no Rosário. E em vez de televisão, experimentem todas as noites uma leitura familiar do "Poema do Homem-Deus" de Maria Valtorta (título antigo). Ridículo? Tentem. Vocês podem simplesmente passar a achar que o "Poema" é a própria resposta de Deus à televisão!

      Kyrie eleison.