Ordenação sacerdotal de Dom Tomás de Aquino

sábado, 18 de março de 2017

Neocatecumenato - Uma Seita Judaizante



    Um dos sintomas mais inquietantes da protestantização geral que se verificou no seio da Igreja católica a partir do pontificado de João XXIII é dado pela extraordinária difusão do caminho neocatecumenal, que muitos membros da hierarquia celebram como intérprete ideal dos impulsos inovadores promovidos pelo Concílio Vaticano II.
    Declarando alcançar o redescobrimento da vocação batismal aos seus próprios adeptos, o movimento fundado por Kiko Argüello e Carmen Hernández, alicerçado pelo decisivo apoio e das reiteradas aprovações dos Padres pós-conciliares, considera-se a si mesmo representante privilegiado de uma nova “Igreja”, febrilmente propensa a se livrar da tutela opressiva de estruturas hierárquicas e de princípios dogmáticos hostis à espontânea efervescência carismática, anunciadora de uma religiosidade mais vital e positiva.

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    Com base em tais premissas, presunçosamente derivadas de uma “cultura” teológica aproximativa e superficial, os neocatecumenais se erigem como genitores de uma pseudo-evangelização que, desvinculando o evento da Ressurreição do caráter essencialmente expiatório da Redenção realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo, priva a conotação sacrificial da Liturgia para reduzi-la a um convite profano dominado pela descomposta sentimentalidade de uma assembleia que nega também o valor do sacerdócio.
    Com inqualificável desconsideração, se intenta demolir o fundamento sobrenatural da Liturgia, centrada no dogma da Transubstanciação, em nome dos pretendidos “carismas” de personagens que beberam nas fontes envenenadas do pior protestantismo e foram rapidamente assumidos como líderes do neomodernismo que, desde há muitos anos, devasta a vida da Igreja.
    É doloroso constatar como a aberrante e diabólica dessacralização da Missa tem sido objeto de comprazidos apreços por parte de não poucos Pastores, para os quais o entreter-se das estridentes sonoridades e dos ridículos bailados que servem de marco às sacrílegas cerimônias neocatecumenais têm parecido uma válida alternativa à divina grandeza do Rito; mas, ainda que semelhante falsificação da Fé possa suscitar indignação e tristeza, será menos surpreendente se se pensa na sutil obra de desagregação perpetrada há decênios contra a Tradição e culminada nas escandalosas revalorizações da pseudo-teologia de Lutero.

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    Apesar da persistente heterodoxia que prejudica uma reta formação espiritual dos crentes, não receberam nenhuma atenção nem as denúncias embasadas relativas aos abusos litúrgicos cometidos pelos neocatecumenais (sacrilégios eucarísticos, desvalorização do sacramento da penitência em favor de “confissões públicas”, estimuladas mediante pressões psicológicas, etc.) nem as observações teológicas propostas por valentes sacerdotes como o padre Enrico Zoffoli, que revelou com autoridade as explícitas tendências heréticas do caminho de Kiko e Carmen.
    A raiz das anotações críticas expressadas por mons. Landucci em um artigo publicado em Sim Sim Não Não em 31 de janeiro de 1983, o citado autor, fazendo uso amplamente do texto “secreto” das catequeses redigidas pelos “líderes carismáticos” para deformar e desviar as mentes de seus sequazes, demonstrou que os neocatecumenais retomam a tese luterana do “servo arbítrio”, a qual, como é conhecido, afirma que a natureza humana, ao estar totalmente corrompida pelo pecado dos progenitores, não tem a capacidade de cooperar ativamente com a Graça divina na atuação de seu próprio fim último.

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    É evidente que o consenso explícito tributado por Papas e Bispos aos agentes da subversão anti-eclesiástica equivale a uma objetiva desaprovação do Magistério, culpavelmente ocultado pelo descaro sectário de grupos heréticos, afins por mentalidade ao Judaísmo e à Maçonaria.
    A boa fé daqueles que se unem a semelhantes grupos sem conhecer seu perigo não é razão suficiente para dissuadir aos católicos fiéis à Tradição do dever de desmascarar a grande apostasia carismática e neocatecumenal, que tende a se configurar como um cisma “legalmente” dirigido e encoberto pelos vértices da Igreja.
    
    Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam!

R. Pa.

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