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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus nº 64 - Sagrações III

Mosteiro da Santa Cruz
30 de junho de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)


Sagrações III


      Em sua carta aos futuros bispos que Dom Lefebvre ia sagrar no dia 30 de junho de 1988, ele afirma a união do sacrifício da missa e da doutrina de Cristo-Rei.


      “Assim, escreve ele, aparece com evidência a necessidade absoluta da permanência e da continuação do sacrifício adorável de Nosso Senhor para que ‘venha a nós o seu Reino’. A corrupção da Santa Missa teve como consequência a corrupção e a decadência universal da fé na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Deus suscitou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X para a permanência e perpetuidade de seu sacrifício glorioso e expiatório na Igreja. Ele escolheu para si verdadeiros sacerdotes instruídos e convictos destes mistérios divinos. Deus me deu a graça de preparar estes levitas e de conferir-lhes a graça sacerdotal para a continuação do verdadeiro sacrifício, segundo a definição do Concílio de Trento.

      É isto que nos mereceu a perseguição da Roma anticristo. Esta Roma modernista e liberal, prosseguindo sua obra de destruição do Reino de Nosso Senhor, como o provam Assis e a confirmação das teses liberais do Vaticano II sobre a liberdade religiosa, eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do episcopado católico que eu recebi, afim de que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir, para a glória de Deus e a salvação das almas.

      Eis porque, convencido de não realizar senão a santa vontade de Nosso Senhor, venho por meio desta carta pedir-lhes que aceitem a graça do episcopado católico, como eu já a conferi a outros padres em outras ocasiões.

      Eu vos conferirei esta graça do episcopado católico, confiando que sem tardar a Sé de Pedro será ocupada por um sucessor de Pedro perfeitamente católico, nas mãos do qual os senhores poderão depor a graça do vosso episcopado para que ele a confirme.”


      Não tendo a Santa Sé ainda sido ocupada por um fiel sucessor de São Pedro, nós não podemos depor esta graça nas mãos do Soberano Pontífice. Muito pelo contrário, é um dever manter-nos separados desta Igreja conciliar enquanto ela não reencontrar a tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, como fizeram Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer.



+ Tomás de Aquino OSB





U.I.O.G.D

domingo, 23 de setembro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus nº 63 - Sagrações II

23 de junho de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)



Sagrações II

 Se as circunstâncias da crise atual não tivessem forçado Dom Lefebvre, ele jamais teria sagrado bispos sem a autorização de Roma. Ele mesmo havia escrito que, se sua obra era de Deus, Deus suscitaria bispos para ordenar os seus seminaristas. Mas a Providência, que fala através dos acontecimentos, mostrou que não era de fora da Tradição que ele deveria esperar o auxílio necessário. O mal havia ido longe demais. Roma estava, e está, ocupada por inimigos de Nosso Senhor, inimigos tenazes que não abrem mão das suas conquistas. Mesmo hoje, Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer permanecem excomungados aos olhos da Roma modernista e liberal.

Escutemos as palavras de Dom Lefebvre, escrevendo aos quatro escolhidos para receberem o episcopado. Esta carta data do dia 22 de agosto de 1987. Dom Lefebvre não esconde a dura realidade, mas revela também o meio de preservar o depósito da fé e os sacramentos, para que a Igreja continue e atravesse vitoriosamente esta crise.

“A cátedra de Pedro, escreve ele, e os postos de autoridade de Roma estando ocupados por anticristos, a destruição do Reino de Nosso Senhor avança rapidamente no interior do seu Corpo Místico neste mundo, especialmente pela corrupção da Santa Missa, expressão esplêndida do triunfo de Nosso Senhor pela Cruz, “Regnavit a ligno Deus”, e fonte de extensão do seu reino nas almas e na sociedade.”

Continuaremos a transcrever esta carta no próximo número. Ela é essencial para compreender o ato heroico de Dom Lefebvre cujo trigésimo aniversário celebraremos no dia 30 deste mês de junho.





+ Tomás de Aquino OSB





U.I.O.G.D

Voz de Fátima, Voz de Deus nº 62 - Sagrações I

16 de junho de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

Sagrações I 

      Ao aproximar-se o trigésimo aniversário das sagrações de 1988, é necessário recordar as razões desta decisão heroica de Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer.

      Durante vários anos, Dom Lefebvre esperou uma mudança da parte das autoridades romanas. Ele não só seguia atentamente o que se passava em Roma, mas também preparava sacerdotes, religiosos e fiéis para uma eventual sagração.

      Em 1987 ele anunciou sua decisão, e teria realizado estas sagrações naquele mesmo ano se não fossem as propostas conciliadoras de Roma; propostas nas quais ele não confiava muito, mas mesmo assim ele aceitou fazer mais uma tentativa.

      “Fui longe demais”, teve ele de constatar. Não podendo cooperar com autoridades imbuídas de Liberalismo, Dom Lefebvre retirou sua assinatura do protocolo de acordo que ele havia assinado e tomou sobre si a responsabilidade das sagrações de 1988. Pela mesma ocasião, ele advertiu Dom Gérard Calvet sobre o perigo de fazer qualquer acordo com Roma, enquanto esta estivesse ocupada por homens que não professam a integridade da fé católica.

      Dom Gérard Calvet não seguiu o conselho de Dom Lefebvre, como Campos, doze anos mais tarde, também não o fez.

      Nosso dever, e o dever de todo sacerdote que quer permanecer católico, consiste em manter-se distante desta Igreja conciliar até que as autoridades atuais retornem à doutrina católica da qual elas se afastaram desde o Concílio Vaticano II e desde as reformas inspiradas por este mesmo Concílio, sobretudo a reforma litúrgica e a do Código de Direito Canônico.

      Para resumir todo este drama, não há outra palavra senão Liberalismo. Voltaremos ao assunto, se Deus quiser.





+ Tomás de Aquino OSB

terça-feira, 6 de março de 2018

Sermões: 2º Domingo depois da Epifania (2018)



Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.

PAX
II Domingo depois da Epifania (2018)

      O Evangelho de hoje nos fala do casamento, o qual é a união entre Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Que imenso mistério, Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja, unidos para a eternidade. Que o homem não separe o que Deus uniu. Ninguém poderá separar Nosso Senhor Jesus Cristo de sua Igreja, nem o Anticristo, nem os modernistas.

      Ora, um fato ocorrido em nossa paróquia servirá para aprofundarmos o conhecimento na contemplação deste mistério, se Deus nos fizer esta grande graça. Toda crise, toda heresia, todo erro é ocasião, para a Santa Igreja, de aprofundar o dogma, e aprofundando o dogma, aprofundar o conhecimento e o amor de Deus, ou seja, aprofundar-se na fé e na caridade, bem como na esperança dos bens que Deus nos prometeu.

      Mas qual foi o fato ocorrido em nossa paróquia que nos leva a falar da Igreja?

      O fato foram as missas que meu sobrinho, o Pe. Tarcísio, rezou na capela São Miguel. Estas missas foram para mim motivo de alegria e de tristeza.

      Alegria por ver o Tarcísio subir ao altar depois de uma longa preparação iniciada, em parte, aqui em nossa paróquia, aqui em nosso mosteiro. Contente pelo Pe. Tarcísio, que mereceu sua ordenação pelos anos de estudo realizado no seminário Nossa Senhora Corredentora, em La Reja, na Argentina, seminário da Fraternidade São Pio X.

      E a tristeza, qual é ela? É a de ver os superiores do Pe. Tarcísio, ou seja, os superiores da Fraternidade São Pio X, tomarem uma direção diferente da indicada por Dom Lefebvre no combate da fé. Como a acusação é grave, vejamos, pois, qual foi a orientação dada por Dom Lefebvre e depois comparemos esta orientação com o que faz a Fraternidade, arrastando os novos sacerdotes nesta mesma nova orientação.

      O que disse, e mesmo escreveu, Dom Lefebvre? “É um dever estrito para todo sacerdote que queira permanecer católico, o de separar-se desta Igreja conciliar enquanto ela não regressar à Tradição da Igreja e da fé católica”. Alguém pode se perguntar: “Mas que Igreja conciliar é essa? Só existe uma Igreja, não existem duas Igrejas!”. É aí que começam nossas reflexões.

      A reflexão sofrida dos combatentes, dos confessores da fé a respeito de nossa Mãe, a Santa Igreja. E quem são os mestres que seguiremos nessas reflexões? Eles são Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer, Père Calmel, Gustavo Corção e toda a Tradição da Igreja, com seu Magistério infalível e também, entre os vivos, Dom Williamson e Dom Faure.

      A crise atual obriga a aprofundar as verdades reveladas, obriga a aprofundar as palavras mesmas pelas quais a Santa Igreja exprime o dogma revelado.

      O que nós desejamos é conhecer, amar e defender esta união entre Jesus Cristo e a Igreja, para discernir onde está nosso dever para com Deus, para com nós mesmos e para com o próximo.

      Duas Igrejas? Num certo sentido, sim. Duas Igrejas, e como dizia Santo Agostinho, duas cidades.

      Dois amores constituíram duas cidades. O amor de Deus levados até o desprezo de si mesmo constituiu a cidade de Deus. E o amor de si mesmo levado até o desprezo de Deus constituiu a cidade do homem.

      Que a Igreja conciliar seja a religião do homem levada até o desprezo de Deus é evidente. Todo mundo pode constatá-lo.

      Paulo VI declarou a simpatia da Igreja (que Igreja?) pela religião do homem que se faz Deus. Isto está no discurso do encerramento do Concílio Vaticano II. Todos que desejarem podem encontrá-lo sem dificuldades. Este escândalo sem precedentes foi comentado por Dom Lefebvre e todos os grandes autores da Tradição.

      Mas não é só isso. O desprezo por Deus se manifesta primeiramente na liturgia. Comunhão de pé e na mão. Supressão de inúmeras genuflexões. Desprezo pela lei de Deus e seus mandamentos. Não é preciso enumerar o que todo mundo já está cansado de saber. Mas que significa isto?

      Isto significa que estamos diante de uma outra Igreja com sua nova liturgia, sua nova moral, seu novo Direito Canônico, sua nova espiritualidade.

      Esta nova Igreja é completamente outra? Na sua orientação, sim. Ela é totalmente outra. Ela está a serviço da cidade do homem que leva o falso amor de si mesmo até o desprezo de Deus.

      Mas e o Papa? É ele Papa de qual Igreja? Ele, por mais estranho que isto seja, ele é Papa das duas Igrejas. Ele é Papa da Igreja católica e ele é o chefe da Igreja conciliar. Logo, estas duas Igrejas estão ligadas? Pelo espírito que as anima, não. Pela ocupação efetiva dos cargos que pertencem à Igreja, sim. Elas estão entremeadas uma na outra.

      Mas se assim é, por que não assumir essa realidade e conviver com essa dificuldade? Porque não convém estar debaixo da autoridade daqueles que não professam a integridade da fé católica. Não são os inferiores que fazem os superiores, mas sim o contrário. São os superiores que influenciam os inferiores.

      Se o Papa Francisco, se Bento XVI, se o Cardeal Burke, ou qualquer outro membro da Igreja conciliar viesse aqui para pregar, isto seria um desastre.

      Mesmo se os fiéis já impregnados de modernismo, se eles viessem em multidão em nossas missas, isto não seria bom. Aos poucos o liberalismo destes progressistas se comunicaria a nossos fiéis.

      Mas isto não é um espírito de seita?

      Não. Isto é espírito de separação.

      O católico é um homem separado do mundo. Ele está no mundo, mas ele não é do mundo. Ora, se nós podemos estar com todos no ônibus, no mercado, no dentista, nós não podemos estar com todos na hora de oferecer a Deus o Santo Sacrifício da Missa.

      Na Igreja primitiva, os catecúmenos deviam sair da igreja antes do ofertório, antes do cânon, antes do sacrifício. Os que receberam a ordem menor de porteiro devem impedir a entrada na Igreja dos indignos.

      Há, pois, sim, um espírito de separação em relação ao mundo. O progressismo, o modernismo é aberto ao mundo, ao demônio e à carne. A Tradição é fechada ao mundo, ao demônio, à carne e ao modernismo. Isso é espírito de seita? Não, isto é espírito católico. Quem não entende é talvez por que já começou a não ser católico.

      “Mas recusando estar unidos ao Papa, os senhores não estão recusando o canal pelo qual passam todas as graças que vem de Nosso Senhor?”. Recusando estar unido aos papas conciliares, nós não estamos recusando a união com a hierarquia que Nosso Senhor instituiu. Nós estamos apenas dizendo: Anátema seja quem ensinar outro Evangelho, como nos ensinou a dizer São Paulo.

      “Mas então os senhores não querem e não procuram uma normalização da situação em relação a Roma?”. Quem está em situação anormal não somos nós, mas a Roma modernista.

      Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, serão eles que virão a nós e não nós que iremos a eles.

      “Isso não é orgulho?”. Não, isso é a verdade.

      “Mas a questão canônica tem de ser resolvida?”. Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, não haverá questão canônica. Nós poremos nosso episcopado nas mãos do Santo Padre, como nos ensinou Dom Lefebvre.

      “Mas os senhores esperarão de braços cruzados o fim da crise?”. Muito pelo contrário. A Resistência reza, estuda, prega, batiza, crisma, confessa, administra a Extrema-unção, realiza matrimônios e ordena sacerdotes e oferece o Santo Sacrifício do altar e dá a Santa Comunhão. Eis aí a Igreja. Igreja perseguida pelos modernistas que excomungaram Dom Lefebvre e canonizaram João Paulo II.

      “Mas a Fraternidade, no fundo, pensa como os senhores”, dirão talvez alguns. Queira Deus que sim, mas temo que isto seja uma doce ilusão.

      Todos os fatos ocorridos desde os anos 90 até hoje indicam que há duas correntes na Tradição: a corrente dos que querem uma aproximação diplomática com Roma e a corrente dos que não querem aproximação com Roma, a não ser se Roma regressar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica.

      A corrente diplomática, que podemos chamar de liberal, é uma corrente que minimiza a crise atual. A quem perguntava a Corção se ele esperava ver ainda o fim da crise, ele respondia: “Não. Não tenho esperança senão de ver a Igreja triunfante”. Corção era então um pessimista? Não. Corção era realista. Dom Lefebvre também não esperava uma rápida mudança. Ele dizia: ‘Preparai-vos para um combate de longa duração”. Mas então, esta crise durará ainda quanto tempo? Só Deus sabe o quanto durará esta crise. Não nos foi dado saber o futuro e isso não deve nos preocupar. Nosso dever é agir corretamente e deixar o resto nas mãos de Deus.

      Penso que agimos corretamente com o Pe. Tarcísio. Penso que estamos agindo corretamente expondo as razões de nossas vivas apreensões. O resto está nas mãos de Deus. Se alguém se perturba com a ideia de que nós não somos católicos ou que nossa posição é cismática, eu diria: Onde está Nosso Senhor e Nossa Senhora aí está a Igreja. Onde está a Pascendi e o Syllabus, aí está a Igreja. Onde está o desejo de se submeter a Roma quando ela regressar à Tradição do Magistério e da fé católica, aí está a Igreja. Onde está o amor de Deus até o desprezo de si mesmo, aí está a cidade de Deus.

      Apesar de nossa indignidade, esperamos obter a graça de aí viver e morrer. Assim seja.

Dom Tomás de Aquino O.S.B.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 52

Mosteiro da Santa Cruz

24 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)



      Que questão atual poderá comparar-se em gravidade à questão da gnose, que é a doutrina da Anti-Igreja? E o que é a Anti-Igreja senão este corpo do qual o demônio é a cabeça e o maus, os membros? Estes membros, outrora dispersos, unir-se-ão progressivamente até a vinda do Anticristo, cuja oposição a Nosso Senhor e à sua Igreja será completa e aparentemente triunfante, mas seu triunfo, de curta duração. Na verdade, o verdadeiro triunfo caberá à Igreja Católica, cujos membros santificar-se-ão pela paciência e obterão a vida eterna, enquanto que o Anticristo e os que obstinadamente perseverarem em segui-lo irão para o fogo eterno em punição de seus crimes, juntamente com Lúcifer e os anjos rebeldes.

      Esta oposição entre a Igreja e a Anti-Igreja é a essência do drama que vivemos e que durante o Concílio Vaticano II opôs os bispos fiéis à Igreja aos bispos liberais imbuídos, em maior ou menor grau, das doutrinas maçônicas.

      Todo o drama entre Dom Lefebvre e a Igreja Conciliar, todo o drama que divide a Tradição a respeito dos acordos com Roma, todo o drama que caracteriza o mundo atual encontra sua explicação na irredutível oposição entre a doutrina católica e a gnose, entre a Igreja Católica e a Anti-Igreja.

      Alguns poderão achar simplista esta afirmação, mas leiam os documentos pontifícios, leiam o que os Papas ensinaram a esse respeito, e verão como o combate entre a Igreja militante e seus cruéis inimigos (o demônio, o mundo e carne) se resume nesse combate entre a Igreja e a Anti-Igreja. Que foi o Concílio Vaticano II senão o triunfo das ideias maçônicas do Estado neutro e do relativismo doutrinal? Por que Roma quis os acordos com Dom Lefebvre (que os recusou) e os quer com os superiores da Fraternidade, senão para integrá-los como integrou Campos? E integrar para quê? Para que triunfe a Anti-Igreja. Mesmo o que parece não ter conexão com este combate está ligado a ele. Que mais deseja a Anti-Igreja senão a destruição da Igreja?

      A doutrina da Igreja está consignada nos documentos do seu Magistério infalível, enquanto que a doutrina da Anti-Igreja está na gnose, a qual, carecendo de um magistério, procura uma sistematização através de autores como René Guénon, que preparam as bases doutrinais para o advento do Anticristo. Isto explica a imprecisão, mais aparente do que real, de sua doutrina, que, de fato, está ainda em vias de finalização e que não chegará nunca a uma perfeita definição, pois o erro é por natureza obscuro.

      Que Nossa Senhora, que esmagou a cabeça da serpente, nos assista e proteja contra os inimigos do reino de seu divino Filho.

+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 51


17 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

      O Evangelho do primeiro domingo da Quaresma nos mostra Nosso Senhor em combate singular com o demônio. Isto se dá logo após o batismo de Nosso Senhor, no Jordão, para nos lembrar de que todo aquele que é batizado terá de enfrentar o demônio, que inveja os que vivem na graça divina, que é, segundo a palavra de São Pedro, uma participação da natureza divina. “Meu filho, quando entrares no serviço de Deus, persevera firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a tentação.”, diz o Eclesiástico (2,1).

      Santo Tomás indica cinco razões pelas quais a alma em estado de graça é tentada. A primeira é para ter conhecimento desta mesma graça: “Quem não é tentado, que sabe ele?” (Eclesiástico 39,9). A segunda é para reprimir a soberba, conforme as palavras de São Paulo: “E, para que a grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi-me dado o estímulo da minha carne, um anjo de Satanás, que me esbofeteia.” (II Cor. 12,7). A terceira é para confusão do demônio, para que ele saiba quão grande é a virtude do Cristo que ele não pode superar. Assim foi com Jó, do qual Deus disse ao demônio: “Não consideraste meu servo Jó?” (Jó 1,8). A quarta é para tornar mais fortes os que são tentados, como está dito no livro dos Juízes que Deus deixou inimigos no meio dos hebreus para que estes, combatendo-os, se fortalecessem. A quinta é para que o católico conheça a sua dignidade, da qual o demônio tenta privá-lo, tentando fazê-lo cair no pecado.

      Resistamos, pois, fortes na fé, como nos exorta São Pedro (I Pd. 5,9), e nesta Quaresma armemo-nos com as armas da oração e da penitência, lembrando-nos de que aqueles que combaterem segundo as leis da Igreja terão os seus nomes inscritos no livro da vida.

      Que a Virgem Santíssima, que esmagou a cabeça da serpente infernal, obtenha-nos a vitória, pelos méritos infinitos de seu divino Filho, que disse ao tentador: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás” (Mt. 4,10).  “Então, diz o Evangelho de São Mateus, os anjos se aproximaram e o serviram.” (Mt 4,11). Assim também ocorre com todos os que confiam em Deus Nosso Senhor e em sua Mãe, Maria Santíssima.



+ Tomás de Aquino OSB

  

U.I.O.G.D

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 50

Mosteiro da Santa Cruz

10 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)

      
      Ao estudo do Rev. Pe. Joaquim FBMV o Sr. Olavo de Carvalho respondeu com muitos insultos e poucos argumentos. Mas havia também argumentos. Tomemos um deles: O que está escrito na revista Verbum não reflete o pensamento do Sr. Olavo de Carvalho, mas sim o de Guénon e o de Schuon; talvez o de Lee Penn, o de Charles Upton, o de Ananda Coomaraswamy, de Whitall M. Perry; do Sr. Olavo não. Apenas a conclusão seria dele.

      Seria o caso de perguntar: Quem lê? Quem entende o que leu? Quem retém o que entendeu? Pensamos que é o Pe. Joaquim que leu, entendeu e reteve o que entendeu.

      Quem tem ouvidos, ouça. Quem não os tem, ou quem prefere não ouvir, ser-lhes-ia mais acertado procurar os sacramentos junto a outros padres, pois sacramentos vão de par com a doutrina.

      Ainda um argumento que não deixa de ser insultante. Vejamos sua força, ou melhor, sua fraqueza.

      O Sr. Olavo escreve:

      “E eis porque os que posam de defensores da verdade sem jamais tê-la buscado, os que creem conhecê-la tão somente porque a receberam pronta de uma cátedra ou de um púlpito, ERRAM SEMPRE, ainda que partindo de premissas fundadas por Deus em pessoa.”

      Notemos os termos: “posam”, “jamais”, “creem conhecê-la”, “pronta”, “cátedra”, “púlpito”, “erram sempre”.

      O “pronta” é revelador. Receber a verdade pronta. Que quer dizer receber a verdade “pronta”? Seria recebê-la sem compreendê-la? Ou seria também recebê-la compreendendo-a? O fato de ela chegar “pronta” ou “não pronta”, que diferença faz? O esforço ou não esforço para obtê-la é uma diferença? Sim. Mas esta diferença é exterior ao ato de compreender. Compreender é receber. Pouco importa o canal (cátedra, púlpito, livro, aula, conversa, etc.). O que importa é o resultado. Neste resultado há uma ação da parte do que recebe. Há uma tomada de posse e ela tem um nome: conhecer. É isto que importa. E este conhecimento exige uma atenção, e esta atenção exige um desejo, e este desejo tem um nome: amor. Amor da verdade.

      Tomemos outro termo: “jamais”; “sem jamais tê-la buscado”. Buscado o quê? A verdade? Jamais? Que sabe o Sr. Olavo de Carvalho? Quem se faz religioso, quem deixa a pátria para formar-se, para receber a mais segura doutrina, a verdadeira doutrina do Magistério da Igreja; que faz ele?

      Deixemos a última palavra a Welder Ayala, no livro “É assim porque Deus o quis”. Que diz ele? Que a filosofia de Olavo de Carvalho é perigosa para a fé. Leiam o livro e os argumentos apresentados. Concordamos com o autor e o felicitamos.



+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 49


03 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

         Há uma Metafísica comum a todas as religiões? Não. As falsas religiões se opõem à religião católica também em Metafísica.

      Que Metafísica têm os hindus? Uma Metafísica panteísta. Que Metafísica têm os modernistas? Uma Metafísica idealista. E os persas? Dualista. E assim por diante.

         As questões podem ser comuns, mas não as respostas. Guénon pode falar de união entre o que conhece e o que é conhecido, mas esta união não é a mesma para ele e para Santo Tomás.

         Em teoria, a Metafísica poderia ser comum à verdadeira religião e às falsas, já que a Metafísica é um conhecimento natural, e não sobrenatural. Nos fatos isso não acontece, e foi a Igreja, com o peso de sua autoridade, que salvou a Metafísica. São Pio X a prescreveu para os seminários e alertou, na Pascendi, sobre o perigo de afastar-se de Santo Tomás, sobretudo em Metafísica.

     Pio XII, falando da Filosofia de Santo Tomás, que sendo discípulo de Aristóteles completou-o e corrigiu, disse que ela era a “Filosofia da Igreja”. Ela é a Filosofia da Igreja, a Metafísica da Igreja, porque ela é a “Metafísica natural da inteligência humana”, segundo a feliz expressão de Bergson. Podia ser de outro modo, mas não foi. Isto é devido à ferida que o pecado original causou em nossa natureza. Daí a necessidade da graça, mesmo para fazer boa Filosofia. Não é uma necessidade absoluta, mas chega perto. Basta ver as aberrações que a humanidade já produziu e produz a cada dia.

        Voltaremos ao assunto. Por ora, lembremos a célebre frase de Chesterton, que cito de memória: “Expulsai o sobrenatural; não ficará nem mesmo o natural”, ou seja, nem a Metafísica.



+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D

domingo, 21 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - nº 47

20 de janeiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)

Voltando ao assunto do artigo de Olavo de Carvalho na revista Verbum (números 1 e 2 de julho e novembro de 2016), recordemos algumas verdades.

Religião: só há uma verdadeira, a católica. Os milagres de Nosso Senhor, a sua doutrina e a realização das profecias a seu respeito e a respeito da Igreja o provam.

Infiéis: são os que não creem na Revelação. São os pagãos. Eles rejeitam a fé católica que nunca possuíram.

Judeus: são os que rejeitam o que em figura (Antigo Testamento) seus pais haviam crido. Abraão, Isaac e Jacó, assim como todos os santos do Antigo Testamento, creram em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, e pertencem à Igreja Católica triunfante. Os judeus de hoje (judeus enquanto religião) não creem em Nosso Senhor Jesus Cristo nem pertencem à Igreja.

Hereges: são os que dão seu assentimento à doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas escolhem ou rejeitam nesta doutrina o que lhes é sugerido pela sua própria mente. Exemplo: Lutero.

Apóstatas: são os que abandonam a fé e a Igreja. Exemplo: René Guénon.

Gnósticos: aqueles que creem não em Deus – ou seja, não creem nem no que Deus revelou nem no Deus que revela -, mas no demônio (como Adão e Eva fizeram) e lhe prestam culto de uma maneira ou de outra. Em outras palavras, são os que dão fé ao que o demônio diz e não ao que Deus diz.

Ecumenismo: tal como o ensina a Igreja conciliar, é uma verdadeira heresia, que consiste em dizer que se pode salvar em e por qualquer religião. Exemplo: João Paulo II.

União transcendental das religiões: não há união transcendental das religiões. Uma religião é verdadeira ou falsa. Que união pode haver entre Cristo e Belial, entre a luz e as trevas?

Metafísica: para a verdadeira filosofia, é o estudo do “ser enquanto ser”. Alguns preferem dizer “do ente enquanto ente”, que traduz melhor o termo latino “ens”. A Metafísica estuda Deus tanto quanto Ele pode ser conhecido pelas simples forças da razão natural.

Para Guénon, Metafísica é outra coisa. Para Schuon também. Olavo diz que segue Guénon e Schuon no uso deste termo (Cf. Verbum, nº 1, pág. 41).

“La ‘metafísica’ hindú es para él (Guénon) un gnosticismo perfecto y absoluto, pues termina en el panteísmo (incluso si Guénon no cita jamás la palabra gnosis, emplea sin embargo el término sánscrito ‘jnána’, que es el equivalente, y prefiere usar el término ‘metafísica’, que ‘guenonianamente’ significa ‘conocimiento’ o… gnosis).” (Pe. Curzio Nitoglia – Jesus Christus – nº 67, página 24.)

Continuaremos o assunto se Deus quiser. Que sua graça nos assista.



+ Tomás de Aquino OSB




U.I.O.G.D

domingo, 14 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 46

13 de janeiro de 2018
Mosteiro da Santa Cruz



“Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)


Conversando com um professor universitário a respeito do artigo de Olavo de Carvalho publicado na revista Verbum números 1 e 2 de julho e novembro de 2016, abordamos a seguinte questão: este artigo exprime apenas o pensamento de René Guénon e de Schuon  ou também o do autor do artigo? Que haja críticas do pensamento de Guénon ao longo do artigo é evidente. O artigo, cujo título é “As Garras da Esfinge”, com subtítulo: “René Guénon e a Islamização do Ocidente”, revela este projeto de Guénon de islamizar o Ocidente. Mas aí se encontram também várias ideias do Olavo, o que é normal. Nenhum pensador escreve um longo artigo sem dizer nada do que ele mesmo pensa. E o que pensa Olavo de Carvalho?

Para melhor examinar esta questão, pedi ajuda ao Rev. Pe. Joaquim FBMV. Procurei também ler o que já foi escrito sobre Guénon e sobre Schuon, além de ler atentamente o artigo citado. A que conclusão cheguei?

A conclusão é que Olavo de Carvalho, apesar de criticar Guénon e Schuon, conserva algumas de suas ideias. São estas ideias que é preciso analisar.

No artigo de Verbum nº 1, página 41, ele escreve: “Que as tradições materialmente diferentes convergem na direção de um mesmo conjunto de princípios metafísicos é algo que não se pode mais colocar seriamente em dúvida. A tese da ‘Unidade Transcendental das Religiões’ é vitoriosa sob todos os aspectos.”

Esta passagem não é uma citação nem de Guénon nem de Schuon. Ela é um juízo feito por Olavo de Carvalho. Este juízo é falso, pois não existe “Unidade Transcendental das Religiões”. Isto é ecumenismo e ecumenismo do Vaticano II. Religião não é uma especulação. Que alguns pagãos tenham dito alguma coisa de verdadeiro sobre Deus é uma coisa. Que as religiões pagãs participem de uma “unidade transcendental” com a religião católica é outra e é falsa. João Paulo II talvez desse razão a Olavo. Quem não lhe dá razão é a Igreja Católica. Por quê? Porque os deuses dos pagãos são demônios, diz a Sagrada Escritura. Não há, nem pode haver união entre a verdadeira religião e as falsas, sejam elas quais forem.

Esta heresia ecumênica, pois se trata de uma heresia, é causa da perda da fé de milhões de católicos e, em consequência, da perda eterna de suas almas.

Que nossos fiéis estudem a doutrina Católica nas encíclicas dos Papas de antes do Concílio Vaticano II, o qual foi o maior desastre da história da Igreja desde a sua fundação, como diz Dom Lefebvre. O ecumenismo conciliar, assim como a tese desta unidade transcendental das religiões procedem do mesmo erro e da mesma recusa de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua única Igreja, fora da qual não há salvação.

Com a graça de Deus, esperamos voltar ao assunto.




+ Tomás de Aquino OSB




U.I.O.G.D

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 44

30 de dezembro de 2017

“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)

  

Por mais que a vida contemplativa afaste os monges da atualidade, a atualidade não se afasta dos monges.

Neste final de dezembro, recebemos, entre outras, a visita de Dom Williamson, Dom Faure, Padre Tarcísio Ferreira da Costa (da Fraternidade São Pio X), Professor Marcos Paulo, Noel Neder (admiradores de certos escritos e aulas do Prof. Olavo de Carvalho).

A Dom Williamson pedimos o retiro anual e a ordenação do Pe. Rodrigo da Silva; ao Padre Tarcísio permitimos celebrar a missa em nossa Capela São Miguel; do Prof. Marcos Paulo ouvimos conferências.

Quem olha de fora pode pensar: Resistência, Dom Fellay, admiração por certas posições de Olavo de Carvalho; eis o ecumenismo de bom tom do Mosteiro da Santa Cruz.

Quem aprofunda a questão verá que ela é mais sutil, pois se honramos todos os nossos visitantes (honrar todos os homens, diz a Regra de São Bento), a atitude em relação a cada um é distinta.

De Dom Williamson recebemos o depósito da Fé, a doutrina dos Papas que condenaram o Liberalismo. Ao Pe. Tarcísio, meu sobrinho, cedemos a capela e escutamos a exposição das razões deste jovem sacerdote, ordenado há poucos dias, que deseja guardar fidelidade a Dom Lefebvre. Admiramos sua retidão. Lamentamos sua inexperiência. Rezamos pela sua perseverança. Quanto aos admiradores de alguns escritos e aulas do Prof. Olavo de Carvalho, expusemos-lhes nossas graves reservas e tomamos mais consciência de que, por mais que a vida contemplativa nos afaste da atualidade, o apostolado e, mais ainda, o episcopado nos obriga a tratar das questões atuais sejam elas religiosas ou políticas, pois, no fundo, tudo na vida humana depende essencialmente da relação do homem com Deus. Até a economia, diz Pio XI, não escapa à solicitude da Igreja.

Tentaremos, com o auxílio da graça, voltar a estes assuntos na esperança de que alguns encontrem em nossos escritos um eco fiel do ensinamento do Verbo que se fez carne e habitou entre nós para ensinar-nos a verdade. Veritatem Dilexisti.

  

+ Tomás de Aquino OSB






U.I.O.G.D

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Sermões: 24º Domingo depois de Pentecostes (2013)


Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.


PAX
XXIV Domingo depois de Pentecostes (2013)


Ao terminar o ano litúrgico, pois com este domingo se termina o ano litúrgico, a Santa Igreja põe diante de nossos olhos os acontecimentos que marcarão o final não só de um ano, mas o final de todos eles, o final de todos os tempos, ou seja, o juízo final e o começo da eternidade, eternidade que será bem diferente para uns e outros conforme as ações de uns e de outros. Os bons terão o Céu e os maus irão para o Inferno. Tanto o Céu como o Inferno são eternos. Quem entrar no Céu jamais sairá de lá. Quem entrar no Inferno também jamais sairá de lá.
Ora, tanto a epístola como o Evangelho de hoje insistem na necessidade de conhecermos a vontade de Deus sobre nós. Por esta razão, nós vamos iniciar no próximo domingo os dias de formação para todos os nossos fiéis. Todos são convidados a almoçar aqui e teremos conferências de formação no 1º domingo de cada mês.
Mas por que temos necessidade desta formação se no domingo já temos o sermão e o catecismo? A resposta está no Evangelho de hoje. Vejamos, pois, o que diz o Evangelho:

“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel, quem ler entenda. Então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; e o que se achar no terraço não desça para buscar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo, não volte para tomar sua túnica”. Façamos uma pausa.

Nosso Senhor fala aqui de dois acontecimentos ao mesmo tempo. Dois acontecimentos que têm uma mesma causa. Quais são estes dois acontecimentos e qual é esta causa comum? A causa é a recusa de crer em Nosso Senhor. Mas comecemos pelos acontecimentos e depois examinaremos melhor esta causa que é comum aos dois, razão dos domingos de formação que queremos fazer.
Nosso Senhor fala aqui da destruição do templo de Jerusalém e, ao mesmo tempo, da destruição, se possível fosse, da Santa Igreja.
O primeiro acontecimento marca o fim do reino de Israel e dos antigos sacrifícios prescritos por Moisés e que eram realizados no templo de Jerusalém. Este templo foi destruído no ano 70 quando Tito, general romano, cercou Jerusalém e venceu os judeus, matando cerca de um milhão de judeus. Pouco tempo depois o imperador Adriano acabou de destruir o que restara do templo e expulsou os judeus da região da Palestina, os dispersando pelo mundo.
Nosso Senhor prediz estes acontecimentos e aconselha aos fiéis partirem dali antes que estes acontecimentos se realizem, dando-lhes os sinais necessários para partirem antes da destruição de Jerusalém.
Entre estes sinais, Nosso Senhor fala da “abominação da desolação posta no lugar santo”. Lugar santo era o templo de Jerusalém. A abominação da desolação são os símbolos do paganismo dentro do templo, como fez Pilatos pondo os símbolos dos romanos dentro do templo de Jerusalém e como fizeram os imperadores romanos em sinal de desprezo pelo templo. Estes símbolos eram os estandartes e as estátuas dos romanos que simbolizam as doutrinas dos pagãos que consideravam os imperadores romanos como deuses. Eis aí o primeiro acontecimento predito por Nosso Senhor.
Nosso Senhor prediz não só o acontecimento, mas explica o que acontecerá antes dele para alertar os fiéis, para que eles fujam de Jerusalém antes de sua destruição, como Ló foi avisado para sair de Sodoma antes da destruição desta cidade.

Passemos agora ao segundo acontecimento predito por Nosso Senhor. Nosso Senhor prediz aqui o que acontecerá no fim do mundo. Ele nos diz as mesmas palavras: “Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação… então fujam para os montes…” Que lugar santo é este senão a Santa Igreja Católica Apostólica Romana? Que abominação da desolação é esta?
Santo Hilário nos diz que a abominação da desolação é o Anticristo. Por que tem ele este nome? Por que ele ensinará o contrário do que Nosso Senhor ensinou. Assim como Nosso Senhor Jesus Cristo veio nos ensinar a verdade, o Anticristo virá ensinar a mentira.
Mas quem é o Anticristo? É ele uma pessoa, ou um grupo de pessoas ou uma situação geral de desorientação diabólica devido à perda geral da Fé? Três possibilidades:

Ou o Anticristo é uma pessoa, um homem, o homem de pecado, um homem que se entregará totalmente ao demônio;
Ou então é um grupo de homens que dominarão o mundo, levando-o a repudiar totalmente o Cristianismo;
Ou então é uma situação geral em que todas as nações se voltarão contra Nosso Senhor Jesus Cristo e contra a Sua Santa Igreja.

Qual destas possibilidades é a verdadeira? Provavelmente as três.
Assim como Nosso Senhor teve profetas que anunciaram e preparam sua vinda, assim o Anticristo terá e já tem os seus profetas que preparam a sua vinda.
Um grupo de homens preparará a vinda do Anticristo criando uma situação favorável para o seu domínio sobre as nações e finalmente ele virá. Logo, as três possibilidades se completam:

O Anticristo é
1 – a apostasia geral
2 – um grupo de homens e
3 – um homem.

Escutemos São Paulo nos descrever estes acontecimentos que a Santa Igreja propõe hoje à nossa consideração.
“Ninguém de modo algum vos engane, porque isto não será [ele fala aqui do fim do mundo e do Juízo Final] sem que venha antes a apostasia [apostasia consiste no abandono da fé católica] e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se oporá e se elevara sobre tudo o que se chama Deus ou que é adorado, de sorte que se sentará no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus.
Não vos lembrais que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E vós agora sabeis o que é que o retém, a fim de que seja manifestado a seu tempo. Com efeito, o mistério da iniquidade já se espera, somente falta que aquele que agora o retém, desapareça”.
Antes de continuar, digamos uma palavra sobre este impedimento do qual fala São Paulo. Algo impede o Anticristo de aparecer e de reinar. Algo o retém. O que é este algo?

Muitas hipóteses já foram levantadas. Eis duas delas que me parecem muito prováveis.
Esta barreira, este impedimento, eram as nações católicas, eram os estados pontifícios, onde o Papa era protegido pelos reis e pelo seu próprio reino pontifício. Era o poder político protegendo o papado.
Hoje o poder político é contra a Igreja. Já não existem nações oficialmente católicas. O obstáculo, a muralha protetora foi derrubada, o Anticristo pode aparecer. Ele não encontrará um exército para defender a Igreja conta seus ataques.
A segunda hipótese é a doutrina. A doutrina da Fé, a doutrina revelada, a Tradição. Enquanto Roma mantiver a Tradição, o Anticristo não pode reinar, porque os católicos unidos ao Papa como no tempo de São Pio X são um impedimento à sua aparição e ao seu domínio sobre o mundo. São Pio X e os papas até Pio XII retiveram o Anticristo, pois a Verdade é um obstáculo ao Anticristo, que só pode reinar através da mentira.

Podemos pensar que Dom Lefebvre e Dom Antônio fizeram o mesmo e retiveram o Anticristo porque mantiveram a Tradição.
A Fé católica é o impedimento. A Fé católica professada pelos bispos e pelos papas. Mas se os papas e os bispos abandonam a Fé católica, o caminho fica livre para o Anticristo. Mas como seria possível os papas e os bispos abandonarem a Fé católica? Isto é obra do liberalismo.
O liberalismo é a mais perigosa de todas as heresias. Liberalismo e modernismo são duas heresias gêmeas. Elas são como um monstro de diversas cabeças. Elas penetram na vida e na alma dos católicos de mil maneiras diferentes que vão desde a televisão e a calça comprida para as mulheres até à revolução litúrgica que destrói a missa e as fontes da graça na Igreja, passando por todas as heresias ensinadas hoje nos meios modernistas.

Mas continuemos a escutar São Paulo: “E então se manifestará esse iníquo (a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da sua vinda); a vinda dele (isto é, do Anticristo) é por obra de Satanás, com todo o poder, com sinais e prodígios mentirosos e com todas as seduções da iniquidade para aqueles que se perdem, porque não abraçaram o amor da verdade para serem salvos”.
“Por isso Deus lhes enviará o artifício do erro, de tal modo que creiam na mentira, para serem condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas se comprazeram na iniquidade.”

Logo, caríssimos irmãos, nós vemos muito claramente que tanto a destruição do templo de Jerusalém como a vinda do Anticristo têm a mesma causa: o desprezo da verdade, o desprezo e abandono d’Aquele que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Se nós quisermos salvar nossas almas, nós temos que amar e viver na Verdade. “Porque”, diz Nosso Senhor, “haverá grande aflição, qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem haverá jamais. E se esses dias não fossem abreviador, ninguém se salvaria: mas por causa dos eleitos, estes dias serão abreviados”.
Que aflição é esta da qual fala Nosso Senhor? É o desprezo da Verdade, é o abandono da Fé católica, é o abandono dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o abandono da Tradição, é o modo de pensar e o modo de viver dos quais Nosso Senhor está ausente. É o liberalismo difundido pela maçonaria como preparação da vinda do Anticristo, que será o pai da mentira como o é o demônio, do qual o Anticristo será o filho espiritual por excelência, o discípulo.

Amemos, pois, a Verdade. Amemos nossa Mãe Santíssima, ela que venceu e sempre vencerá o demônio em todas as batalhas, ela da qual está dito: “Feliz és tu que venceste todas as heresias em todo o mundo”.
Quem ama a Virgem Maria jamais será enganado e se cair em algum erro não será por muito tempo, pois ela o retirará rapidamente, pois um filho de Nossa Senhora jamais se perderá.

Que cada um de nós examine sua vida, que cada um de nós se pergunte se não está pactuando com os precursores do Anticristo pelo seu procedimento, pela sua vida, suas conversas, suas diversões e se ver que deve se corrigir, que o faça, pois o tempo é breve e o machado já está para cair sobre a raiz, e nossa vida para ser cortada, e o dia do Juízo para chegar para nós em particular e para o mundo inteiro no Juízo Final.

Que Nossa Senhora nos obtenha a salvação, eis a graça que desejo a todos nós. Assim seja.


Dom Tomás de Aquino O.S.B.

domingo, 18 de junho de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº XX (20)

Mosteiro da Santa Cruz
VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 20
17 de junho de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)

Num dos números desta publicação usei a expressão “tradição judaico-cristã”. Lamento tê-lo feito, porque esta expressão é também utilizada pelos liberais para confundir as inteligências, como se judeus e católicos tivessem a mesma tradição. Os judeus não têm a mesma tradição que os católicos. Os católicos têm a fé de Abraão e os judeus renegaram esta mesma fé ao renegarem o Messias predito pelos profetas, o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Eu queria (ao utilizar a expressão “tradição judaico-cristã) ressaltar a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento, opondo-a à tradição primordial dos gnósticos, como o faz Jean-Claude Lozac’hmeur no seu excepcional livro – “Fils de la Veuve” – editado por Chiré. Mas é necessário conformar-se com o uso na utilização das palavras. Se a expressão “tradição judaico-cristã” é sobretudo utilizada para tentar unir dois contrários (os que creem e os que não creem em Nosso Senhor Jesus Cristo), então é melhor não utilizá-la. Jean Vaquié utiliza a expressão “tradição bíblica”, melhor ainda é “tradição católica”.
Que um dia caia o véu que cobre os olhos dos judeus e que eles creiam no único Redentor, Jesus Cristo, Deus e homem, Filho eterno do Pai e Filho de Maria Santíssima.

+ Tomás de Aquino OSB
U.I.O.G.D


Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº XIX (19)

Mosteiro da Santa Cruz
VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 19
10 de junho de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)

Frei Vicente do Salvador, em seu livro “História do Brasil”, conta que um herege francês, João Bouller, fora condenado à morte no tempo de Men de Sá, porque difundia sutilmente o calvinismo em nossa pátria, João Bouller fora denunciado ao Bispo Dom Pedro Leitão, que o condenou como seus erros o mereciam e, devido à sua obstinação, remeteu-o ao governador Men de Sá, que o condenou à morte.
Pe. José de Anchieta o procurou na prisão para convertê-lo e teve êxito em seu apostolado. Na hora da execução, vendo que o carrasco era pouco exercido no seu ofício, e temendo que o condenado, diante daquela angustiante situação, viesse a voltar atrás na sua conversão e perdesse sua alma, repreendeu o carrasco e o orientou no seu ofício, com o risco de incorrer em penas eclesiásticas. Mas Pe. José de Anchieta preferia correr estes riscos a ver perder-se uma alma. Assim João Bouller morreu católico; condenado, mas arrependido.
O mundo moderno não deixará de reprovar a conduta do Bispo Dom Pedro Leitão, a de Men de Sá assim como a de Pe. José de Anchieta, mas isto é devido à diminuição da fé, e não a um exame objetivo da conduta destes homens que fundaram a nossa pátria. O Liberalismo moderno não entende os tempos em que a lei do Evangelho ainda regia a vida dos povos e sobretudo a de Portugal no século XVI, pois o mundo moderno não entende a lei do Evangelho e, por isso, combate-a mesmo quando pensa defendê-la. O mundo moderno vive na ilusão: a ilusão liberal.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D