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sábado, 18 de março de 2017

Neocatecumenato - Uma Seita Judaizante



    Um dos sintomas mais inquietantes da protestantização geral que se verificou no seio da Igreja católica a partir do pontificado de João XXIII é dado pela extraordinária difusão do caminho neocatecumenal, que muitos membros da hierarquia celebram como intérprete ideal dos impulsos inovadores promovidos pelo Concílio Vaticano II.
    Declarando alcançar o redescobrimento da vocação batismal aos seus próprios adeptos, o movimento fundado por Kiko Argüello e Carmen Hernández, alicerçado pelo decisivo apoio e das reiteradas aprovações dos Padres pós-conciliares, considera-se a si mesmo representante privilegiado de uma nova “Igreja”, febrilmente propensa a se livrar da tutela opressiva de estruturas hierárquicas e de princípios dogmáticos hostis à espontânea efervescência carismática, anunciadora de uma religiosidade mais vital e positiva.

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    Com base em tais premissas, presunçosamente derivadas de uma “cultura” teológica aproximativa e superficial, os neocatecumenais se erigem como genitores de uma pseudo-evangelização que, desvinculando o evento da Ressurreição do caráter essencialmente expiatório da Redenção realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo, priva a conotação sacrificial da Liturgia para reduzi-la a um convite profano dominado pela descomposta sentimentalidade de uma assembleia que nega também o valor do sacerdócio.
    Com inqualificável desconsideração, se intenta demolir o fundamento sobrenatural da Liturgia, centrada no dogma da Transubstanciação, em nome dos pretendidos “carismas” de personagens que beberam nas fontes envenenadas do pior protestantismo e foram rapidamente assumidos como líderes do neomodernismo que, desde há muitos anos, devasta a vida da Igreja.
    É doloroso constatar como a aberrante e diabólica dessacralização da Missa tem sido objeto de comprazidos apreços por parte de não poucos Pastores, para os quais o entreter-se das estridentes sonoridades e dos ridículos bailados que servem de marco às sacrílegas cerimônias neocatecumenais têm parecido uma válida alternativa à divina grandeza do Rito; mas, ainda que semelhante falsificação da Fé possa suscitar indignação e tristeza, será menos surpreendente se se pensa na sutil obra de desagregação perpetrada há decênios contra a Tradição e culminada nas escandalosas revalorizações da pseudo-teologia de Lutero.

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    Apesar da persistente heterodoxia que prejudica uma reta formação espiritual dos crentes, não receberam nenhuma atenção nem as denúncias embasadas relativas aos abusos litúrgicos cometidos pelos neocatecumenais (sacrilégios eucarísticos, desvalorização do sacramento da penitência em favor de “confissões públicas”, estimuladas mediante pressões psicológicas, etc.) nem as observações teológicas propostas por valentes sacerdotes como o padre Enrico Zoffoli, que revelou com autoridade as explícitas tendências heréticas do caminho de Kiko e Carmen.
    A raiz das anotações críticas expressadas por mons. Landucci em um artigo publicado em Sim Sim Não Não em 31 de janeiro de 1983, o citado autor, fazendo uso amplamente do texto “secreto” das catequeses redigidas pelos “líderes carismáticos” para deformar e desviar as mentes de seus sequazes, demonstrou que os neocatecumenais retomam a tese luterana do “servo arbítrio”, a qual, como é conhecido, afirma que a natureza humana, ao estar totalmente corrompida pelo pecado dos progenitores, não tem a capacidade de cooperar ativamente com a Graça divina na atuação de seu próprio fim último.

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    É evidente que o consenso explícito tributado por Papas e Bispos aos agentes da subversão anti-eclesiástica equivale a uma objetiva desaprovação do Magistério, culpavelmente ocultado pelo descaro sectário de grupos heréticos, afins por mentalidade ao Judaísmo e à Maçonaria.
    A boa fé daqueles que se unem a semelhantes grupos sem conhecer seu perigo não é razão suficiente para dissuadir aos católicos fiéis à Tradição do dever de desmascarar a grande apostasia carismática e neocatecumenal, que tende a se configurar como um cisma “legalmente” dirigido e encoberto pelos vértices da Igreja.
    
    Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam!

R. Pa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O SIONISMO: TRIUNFO APARENTE E FIM REAL DE ISRAEL?

DON CURZIO NITOGLIA

Tradução: Gederson Falcometa
16 de fevereiro de 2010
Retirado de: Blogue Salve Regina

Saiu em 2005, traduzido do original em língua inglesa (2004), um interessante livro, ainda que não condivisível in toto, de Yakov M. Rabkin [1], professor do Departamento de História da Universidade de Montreal, visiting scholar em Yale University e também em Tel Aviv.

Uma das surpresas que nos reserva o professor canadense de origem russa-israelense, e então não acusável de anti-“semitismo”, é aquela segundo a qual «entre os sustentadores incondicionais de Israel existem mais ‘cristãos’ que hebreus» [2]. Segundo «o pregador ‘evangelista’ Jerry Falwell […], a fundação do Estado de Israel em 1948 é a “a prova que o retorno de Jesus Cristo está próximo” » [3].

Tal ideia é levada adiante não só pelos judeus sionistas, mas sobretudo pelos “cristãos evangélicos” [4] e – acrescento eu – pelos “católicos/modernistas” a partir do Concílio “Econômico” [5] Vaticano II e a Declaração Nostra Aetate de 1965 até os nossos dias. Na verdade, o “17 [6] de janeiro de 2010, ouvimos o coro do Templo Maior hebraico romano cantar diante de Bento XVI “Esperamos o Messias”.

Mas, para nós católicos-romanos Jesus é o Messias e veio a 2010 anos atrás, fundou uma Igreja sobre Pedro e seus sucessores, os Papas, que são os seus “Vigários” na terra. Agora, como nunca antes, diante do Vigário do Messias já vindo, se canta “Esperamos o Messias“ porvir? Talvez, nós católicos romanos sejamos muito antiquados para podermos entender que tenha ocorrido um “aggiornamento” em chave pastoral a-dogmática? Em realidade isto é como o cumprimento daquilo que diziam Domenico Giuliotti: “coisa para empalidecer o inferno” e Padre Pio: “certos homens são piores que o diabo”. Se fossem estúpidos ou loucos, não teriam culpa, mas são diabolicamente inteligentes e espertos, onde são indesculpáveis. Felizmente alguns Bispos católicos estão despertando; é famoso o caso de mons. Tadeusz Pironek, ex-Secretário da Conferência Episcopal Polonesa, que declarou: «Os Israelenses não respeitam os direitos humanos dos Palestinenses. A Shoah não é apenas hebraica, mas diz respeito a católicos e Polacos. O Holocausto enquanto tal, é uma invenção dos hebreus» (Pontifex, 25 de janeiro de 2010, p. 2 e Corriere della Sera, 26 de janeiro de 2010, p. 17). Isto foi seguido por Mons. Simone Statizzi, Bispo emérito de Pistóia, Mons. Ennio Appignanesi, arcebispo emérito de Potenza, Mons. Vicenzo Franco, Bispo emérito de Otranto, Mons. Felice Leonardo, Bispo emérito de Telese, com declarações “teologicamente incorretas” em todo campo (v. Sì sì no no, 15 febbraio 2010, pp. 6-8). Em campo laico, o professor Antônio Caracciolo, que foi ameaçado de expulsão da Universidade La Sapienza de Roma onde ensina, por ter expresso o desejo de “pesquisar” a verdade histórica sobre a real entidade shoah, sendo ele um “Pesquisador” de profissão e pago para isto, não se deixou atemorizar, mas passou ao contra-ataque e foi absolvido com fórmula disciplinar plena no procedimento disciplinar, que o seu Reitor havia desejado demandar ao Colégio, de Disciplina do Conselho Universitário Nacional, o qual desenvolveu os seus trabalhos e se pronunciou em 13 de janeiro de 2010. Em via excepcional, estava presente o próprio Reitor, o qual após ler as alegações defensivas do Prof. Caracciolo e escutar os seus três advogados, decidiu retirar qualquer requisição de sanção [7]. Valha de exemplo sobretudo para nós “eclesiásticos”.

No seu livro Rabkin explica que a oposição ao sionismo e ao Estado de Israel é expressa pelos rabinos ortodoxos, pelos hebreus religiosos [8] e por aqueles liberais em nome da Torah e em nome do pacifismo ou defesa dos direitos humanos, em espécie dos Palestinos. Ao invés, entre nós goyjim se equipara antisionismo a antisemitismo. Talvez este zelo intempestivo dos Gentios nos confrontos do sionismo seja a prova dos nove de uma piada de tradição chassídica contada também por Moni Ovadia: ”Sabes porque os hebreus são todos inteligentes? Porque os estúpidos lhes batizam!”. Essa é uma prova dos nove da validade teórica do ante-“scemitismo” do qual já escrevemos sobre este site.
A atualidade do livro de Rabkin ultrapassa a querela entre hebreus religiosos, liberal/pacifistas e nacional/sionistas, para mostrar «quão grave é a aposta em jogo para o conjunto do povo hebreu, ainda mais hoje que o Estado sionista busca impor a própria hegemonia política e militar sobre a região, configurando uma ameaça para os hebreus ainda mais fundamental que a hostilidade árabe e palestinense»[9] e – ousarei dizer – que aquela germânica de 1942-45.

Leitura “hebraica não-sionista” da shoah

A shoah é vista pelos hebreus religiosos como uma espécie de repetição da destruição de Jerusalém e do seu Templo por parte de Tito [10]. Para os hebreus religiosos e a-sionistas a causa de tal “catástrofe” (tradução exata de “shoah”, que não significa “holocausto”), assim como de outras foi a infidelidade a Deus por parte do povo hebraico: em 70 e 135 a destruição do Templo de Jerusalém realizada por Tito e da Judeia realizada por Adriano; em 1492 expulsão dos hebreus da Espanha; em 1942-45 a “shoah” dos hebreus da Europa norte-oriental depois da declaração de guerra do judaísmo sionista ao III Reich germânico em 1933. Mesmo o grande rabino sefardita de Jerusalém, OVADIA YOSEF, declarou: «as vítimas da shoah são as almas dos pecadores askenaziti reencarnados e castigados pelos Alemães» (La Stampa, 7 de agosto de 2000, p. 11). Ele, de fato, é um conhecido cabalista e acredita cabalisticamente na reencarnação das almas. Sempre La Stampa de Turim no mesmo artigo comenta: «Outro a tornar os nazistas instrumento divino, Yoséf avalia o conceito da responsabilidade dos hebreus na própria perseguição». Intervém também o grande rabino askenazita de Jerusalém, MEIR LAU, (entrevistado no mesmo cotidiano, no mesmo dia e no referido artigo) e, embora não entrando, em uma disputa teológica anti-cabalística/sefardita sobre a reencarnação, afirma: «o conceito sefardita nas suas conclusões é similar àquele que usava a Igreja quando sustentava que os hebreus estavam destinados a expiar o Deicídio. Dois dias depois, em 9 de agosto de 2000, o rabino chefe de Turim ALBERTO SOMÈK, sefardita, lança uma longa e importante entrevista no La Stampa (página 21), no qual explica que «As declarações de Ovádia Yoséf longe de ter ligações com a política médio-oriental, refletem um debate todo interno no hebraísmo como religião. Sobre o plano teológico a reencarnação tem sólidas bases (Talmude da Babilônia, Kiddushin 72ª), sobretudo depois da expulsão dos hebreus da Espanha. As palavras de Yoséf suscitam escândalo porque atacam uma teologia alternativa: ”O silêncio de Deus”, que leva a negação da sua onipotência ou também da sua existência, a qual repreende as teorias filosóficas modernas e laicistas da “Morte de Deus”. Rav Yoséf quer lançar as bases teologicamente ortodoxas da shoah similar à destruição do Templo e à expulsão da Espanha». Em 15 de agosto é a volta do rabino sefardita Sholòmo Benzìri, que afirma: «Durante o holocausto os pioneiros sionistas [askenaziti] se interessavam mais pelas próprias vacas do que em salvar a Comunidade hebraica ortodoxa na Europa. Os Pais do sionismo as abandonaram ao próprio destino. Cometeram um crime imperdoável» (La Stampa, p. 1). Seria interessante (e também lógico e coerente) se os hebreus sefarditas acusassem os askenaziti de “crime contra a Humanidade” e lhes levassem a um “Nuremberg-bis”.

A Alemanha agredida pelo sionismo

Autor confessa honestamente que foi primeiro «a ala mais combativa do sionismo a ter um discurso agressivo nas relações com o novo [1933] governo alemão. Jabotinsky age como se fosse o comandante supremo das forças armadas hebraicas. Ele ataca a Alemanha pela rádio oficial polonesa» [11] e o “Daily Express” de 24 de março de 1933 em primeira página intitula: “Judea declares war on Germany. Jews of all the world unite in action. Boycott of german goods“. Hitler tinha acabado de assumir o poder (janeiro de 1933). O próprio Rabkin, que não é certamente um nazista ou antissemita, escreve: «Os sionistas tinham declarado guerra a Hitler e ao seu país muito antes da segunda guerra mundial, teriam chamado para um boicote econômico da Alemanha, desencadeando a raiva do ditador [12]. […] São estes “homens de Estado” que em 1933 organizaram o irresponsável boicote contra a Alemanha […], que trouxe a desgraça sobre os hebreus na Europa» [13]. Rabkin continua: «Todos os críticos acusam os líderes sionistas de terem se ocupado mais de um futuro Estado que pela sorte dos hebreus […], assim, muitas tentativas de salvar os hebreus na Hungria e em outros lugares encontrariam uma resistência por parte dos dirigentes sionistas» [14]. Francamente nos explica que não os antissemitas, mas «os haredim e aqueles que provém do ambiente hebraico liberal foram talvez os primeiros a comparar os sionistas aos nazistas […] pelo culto da força e a adoração do Estado. Estas comparações, na época bastante frequentes, […] foram retomadas depois pela propaganda soviética e, mais tarde, por muitas mídias árabes» [15]. As Leis raciais de Nuremberg são de 1935, dois anos depois da declaração de guerra do judaísmo sionista à Alemanha.

Periculosidade apocalíptica do sionismo

Segundo muitos pensadores haredim «a shoah e o Estado de Israel não constituem de fato, acontecimentos antitéticos – destruição e reconstrução -, mais um processo contínuo: a erupção final das forças do mal […]. A tradição judaica considera arriscada toda concentração de hebreus em um mesmo lugar. Os críticos hodiernos fazem observar que as previsões mais graves parecem realizar-se, porque o Estado de Israel se tornou “o hebreu entre as Nações” e o País mais perigoso para um hebreu» [16]. No capítulo VII do seu livro Rabkin aprofunda este tema: «O Estado de Israel está em perigo […]. Aquilo que vinha apresentado como um refúgio, mesmo o refúgio por excelência, teria se tornado o lugar mais perigoso para os hebreus. São sempre mais numerosos os israelenses que se sentem presos em uma “armadilha sanguinária”. […] E cresce o número de quantos exprimem dúvidas acerca da sobrevivência de um Estado de Israel criado no Oriente Médio, naquela “zona perigosa” […]. Os teóricos do anti-sionismo rabínico sustentam […] que a shoah seja apenas o início de um longo processo de destruição, que a existência do Estado de Israel só faz agravar. […] Concentrar [5-6] milhões de hebreus em um lugar assim perigoso beira a loucura suicida» [17]. Analogamente ao que sucedem em Massada em 73. Mas a história não parece ser mais “magistra vitae”.

Conclusão

a) Enquanto no “ocidente” os goyjim são obcecados pela shoah, como por “um passado que não passa” (Sérgio Romano), em Israel se começa a entender que a shoah é o início de um longo processo de destruição. Na verdade Israel aparece como uma armadilha arriscadamente cruenta para os cerca de seis milhões de hebreus concentrados em um mesmo lugar.

b) Aquilo que poderia parecer inicialmente um magnífico triunfo ou um belíssimo sonho está se revelando sempre mais um terrível fracasso e um tremendo processo de autodestruição. Justamente Rabkin vê em Israel um perigo para a inteira humanidade, que poderia levar a uma “catástrofe” de proporções mundiais.

DON CURZIO NITOGLIA

16 febbraio 2010
http://www.doncurzionitoglia.com/sionismo_trionfo_e_fine_israele.htm


Notas:
[1] Yakov M. Rabkin, Una minaccia interna. Storia dell’opposizione ebraica al sionismo, [2004] Verona, Ombre corte, 2005. info@ombrecorte.it (pagine 286, euro 18, 50).
Desde a “Introdução” o Autor recusa toda tentativa de fazer passar por antissemita aqueles que rejeitam o sionismo em nome da Torah. Na verdade, o Estado de Israel não corresponde aos cânones religiosos dos rabinos talmudistas, mas é mais «uma entidade nacional no sentido europeu do termo » (p. 216). Segundo os hebreus, ao invés, «o Templo pode descer do céu em qualquer momento […], afim de que nenhum acredite que o Templo seja reconstruído pelo homem […]. A inteira cidade de Jerusalém pode descer do céu e não pode derivar do esforço humano (ivi).
Cfr também Sconfiggere Hitler. Per un nuovo umanesimo ebraico [2007], Vicenza, Neri Pozza, 2008. www.neripozza.it (pagine 407, euro 19). O Autor (nascido em Israel em 1955 filho de um ministro israelense, já deputado entre os trabalhadores e Presidente do Parlamento israelense) explica que a memória da shoah deixou Israel indiferente ao sofrimento dos outros. Ele propõe reavaliar a Diáspora diante do surgimento de novas “teoria raciais hebraicas, o desenvolvimento hiper-nacionalista do Estado de Israel e a definição do sionismo quase exclusivamente em relação à shoah, já que a sociedade israelense não pode viver na sombra do passado holocáustico. Burg descreve o País no qual vive, como um Estado militarista e militarizado, xenófobo, obcecado pela shoah, em mão de uma minoria extremista, fortemente vulnerável. Assim, consegue demolir algumas pilastras dos propagandistas sobre as quais se rege o Estado de Israel. O seu livro, que apareceu em Israel em 2007, suscitou uma grande discussão que até agora não foi fechada.
[2] Y. M. Rabkin, cit., retro copertina.
[3] Cfr. Id., p. 168.
[4] Id., ivi.
[5] Diz-se que João XXIII, sendo um agudo “perscrutador dos sinais dos tempos”, havia notado que o boom econômico dos anos 50 não duraria por um longo tempo e seria detido no fim da década de 60, assim para “poupar” certezas, muito fadigosas e empenhantes, do dogma, que um concílio econômico, “pastoral” ou “bucólico”, menos empenhante, dispendioso e ao passo com os tempos de crise que viriam, os quais nos colocariam no “verde”. E a história lhe deu amplamente razão. De fato, os anos 60 foram aqueles da famosa austerity.
[6] Também aqui, qualquer supersticioso poderia dizer que tal número junto ao “13” [abril de 1986, visita de João Paulo II à sinagoga de Roma] porta “infortúnio”. Como um velho provérbio recita: “nem Vênus nem Marte, não se esposa nem se parte e não se dá início a arte”, o novo soa: “nem de treze nem de dezessete, não se trata com os sete”
[7] Aqueles que quiserem podem enviar ao endereço comitatoeuropeo@gmail.com a sua adesão para a constituição de um “Comitê europeu pela defesa da liberdade de pensamento”. As adesões devem ser redigidas com o nome, sobrenome, profissão e quaisquer outras informações úteis. Os dados são reservados e serão utilizados apenas para as finalidades associativas.
[8] Fiamma Nirenstein conta que um pequeno hebreu haredim ou religioso “de estreita observância”, instigado pelos genitores e pelos rabinos, urinou sobre os pés do general Moshè Dayàn, que, entrou em Jerusalém les em 1967, não queria ocupá-la totalmente. Naturalmente o bom general sabra permaneceu sionisticamente impassível e “fechou um olho” passando outro.
[9] Id, ivi.
[10] Cfr. Id., p. 187.
[11] Id., p. 195.
[12] “Vim vi repellere licet”, insegna il Diritto naturale e romano.
[13] Id., p. 196.
[14] Id., p. 198.
[15] Id., p. 202.
[16] Id., pp. 210-211.
[17] Id., pp. 213-215.

Quanto à questão acima exposta, GIORGIO ISRAEL no Il Giornale (29 de janeiro de 2010, p.1) escreve: «É o Irã o verdadeiro herdeiro dos nazistas» assevera que Ali Khamenei, Ali Larijani e Mahmoud Ahmadinejad querem a destruição de Israel e dos hebreus como Hitler. Ao invés, o professor de “Estudos irarianianos” na Sorbone Nouvelle de Paris, YANN RICHARD (expulso do Irã enquanto antikhomeineista), no seu último livro L’Iran de 1800 à nos jours, (Paris, Flammarion, 2009) explica, com riqueza de referências, que o Xá da Pérsia defenestrado em 1978-79 por Khomeini era um monarca manipulado pelos interesses estrangeiros e sobretudo anglo-americanos, em função petrolífera e anti-soviética/pan-árabe. Então a revolução de Khomeini (+1989) foi uma verdadeira revolução que instaurou uma república islâmica no lugar de uma monarquia corrupta e subserviente aos estrangeiros. Propriamente por isto, os EUA financiaram Saddam Hussein na guerra contra o Irã (1980-1988). Certamente o islã é o valor dominante da república iraniana, mas se trata de um islã moderno, progressista, aberto às formas parlamentares, anti-imperialistas e filo-palestinenses. Um dos inimigos do Irã é o Afeganistão dos Talibãs islâmicos wahabiti e ferozmente anti-xiitas. No Afeganistão foram massacrados cerca de quinze diplomatas iranianos pelos Talebans wahabati em Mazar-i-Sharif, no norte do país. O professor Richard explica que o verdadeiro radicalismo islâmico não é aquele sunita do Iraque de Saddam, nem aquele xiita do Irã de Ahmadinejead, mas aquele wahabita afegão. O Irã se implantou como o primeiro entre os países muçulmanos com o Presidente anti-Talibã Hamid Karzài no Afeganistão. Lutou contra Saddam também em 2003, enquanto sustentou os xiitas libaneses do Hezbolah e os Palestinos do Hamas.  Mesmo o anti-judaísmo não tem nenhum peso no Irã onde os hebreus continuam a viver com direito a cidadania. Os discursos contra o Estado de Israel de Ahmadinejad são anti-sionistas e não anti-semitas ou anti-hebreus. Esses são amplificados pela mídia ocidental, enquanto o Irã não tem a força bélica suficiente para destruir Israel. A ameaça nuclear iraniana é mais um dissuasivo que o país poderia desenvolver em caso de um novo conflito, estilo aquele de 1980-1988, que arma uma ofensiva pronta a ser utilizada eventualmente contra Israel. Certamente desde o começo da revolução khomeineista o poder no Irã oscilou entre “democracia” (ao contrário da velha monarquia Xá) e lei islâmica, que é a atual denominação do Irã: os religiosos têm a guia do país, mas aceitaram as regras parlamentares, esses se fazem paladinos da luta contra o comunismo, o imperialismo super capitalista ocidental (anglo-americano) e do apoio ao nacionalismo árabe. Contra Ahmadinejad está em ato uma espécie de “revolução aveludada” conduzida por Moussavi, Karroubi e Khatami como aquelas suscitadas pelos EUA na Geórgia e Ucrânia contra Putin.

«Mesmo alguns intelectuais leigos se perguntam se o Estado de Israel não esteja caminhando direto para o suicídio coletivo» como sucedeu em Massada em 15 de abril de 73 (Rabkin, cit., p. 228). «O tema do perigo apocalíptico que o Estado de Israel representa para o mundo inteiro retorna regularmente nos discursos anti-sionistas: a difusão do terrorismo suicida do Oriente Médio aos quatro cantos da terra […]. Alguns rabinos haredim estão preocupados pelo perigo universal constituído pelo Estado de Israel para a inteira humanidade […], a criação de Israel […] levaria a uma ‘catástrofe’ [em hebraico “shoah”] de proporções mundiais» (p. 229).

sábado, 24 de outubro de 2015

A verdade sobre João XXIII: Era este mais "tradicionalista" do que Pio XII?

Original em inglês: SSP Marian Corps

Tradução: Cristoph Klug

Estamos nos aproximando rapidamente das "canonizações" dos Papas João XXIII e João Paulo II. Enquanto a maioria dos tradicionalistas se opõem à "canonização" de JPII, há algum debate sobre o merecimento de João XXIII para ser declarado "santo".


Eu já abordei a questão da se de fato ou não Roncalli (João XXIII) merece ser reconhecido como "santo" em meu artigo "Roncalli canonizado?". A resposta é “não". Mas eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para responder às reclamações de que Roncalli não era tão ruim, ou foi de alguma forma "mais tradicional" e "menos modernista" do que o Papa Pio XII, a quem a maioria dos católicos tradicionais reconhecem como o último Papa Tradicional.

Pio XII (1939 - 1958)
João XXIII (1958 - 1963)



















O Traditio é uma página que afirma que João XXIII era "mais tradicional" do que Pio XII. Aqui está um trecho de um artigo recente deles:

"Mesmo os católicos mais tradicionais são ignorantes sobre o quão tradicional João XXIII era na doutrina e na liturgia, e de muitas formas mais tradicional que o seu predecessor, o Papa Pio XII. Pio XII nomeou o arquiteto da liturgia do Novus Ordo, o presbítero maçom-livre Hannibal Bugnini, que destruiu o rito romano tradicional. Pio XII escreveu a ambígua Carta Encíclica “Mediator Dei” (1947), que não tomou medidas decisivas contra os modernistas que já estavam destruindo a Missa Tradicional Latina. Por outro lado, João XXIII demitiu Bugnini, proibindo-o de ter qualquer posição significativa no Concílio, inclusive chamando-o de "herege". João XXIII também escreveu a Constituição Apostólica “Sapientia Veterum” (1962), que defendeu fortemente o uso exclusivo do latim na liturgia romana e exigiu sacerdotes a ter de 7 a 9 anos de estudos em latim".

Anibalo Bugnini (1912 - 1982)

Esta avaliação está longe de ser exata.



Em primeiro lugar, é salientado que o Papa Pio XII escreveu um "ambígua Carta Encíclica Mediator Dei", mas um fato chave ignorado é que Pio XII também escreveu "Humani Generis", que é um grande Encíclica anti-modernista.

O Traditio também afirma que Pio XII era aquele que nomeou o Cardeal Bugnini, o maçom quem foi o grande responsável pelo Novus Ordo, enquanto João XXIII "demitiu" Bugnini. Mas aqui temos vários fatos importantes que novamente são negligenciados. Por um lado, o discurso de abertura de João XXIII no Concílio Vaticano II foi inspirado pelo Cardeal Montini, que pode muito bem ter sido ele mesmo um maçom (e que colaborou com Bugnini para finalizar o Novus Ordo). Além disso, enquanto Roncalli foi núncio na França, nomeou um amigo próximo, Barão Yves Marsaudon, como chefe da sucursal francesa dos Cavaleiros de Malta, uma ordem católica leiga. Marsaudon, um maçom, elogiou as reformas que estavam sendo implementadas por Roncalli e uma vez chegou a afirmar que o próprio Roncalli era maçom.

Há muitas outras coisas a se ter em consideração aqui também. Alguns deles eu mencionei em meu artigo anterior sobre Roncalli, como o Santo Ofício suspeitando-o de modernisno, pelo menos desde 1925 (ele viria a admitir, em uma audiência privada com o Arcebispo Lefebvre, que ele tinha sido mantido à distância através da cúria romana anterior à sua eleição, porque ele foi dito ter sido um modernista), bem como sua associação com não-católicos, incluindo um padre que havia sido excomungado em 1926 por heresia. Nenhum desses escândalos graves pode ser atribuído ao Papa Pio XII.

Mons. Marcel Lefebvre (1905 - 1991)


O Arcebispo Lefebvre certamente não partilha a opinião de que João XXIII era "mais tradicional" do que Pio XII. Em conferência de 1982, ele declarou o seguinte:

"O Papa Pio XII foi um grande papa, tanto em seus escritos como no seu modo de governar a Igreja. Durante o reinado de Pio XII a fé foi firmemente mantida. Naturalmente, os liberais não gostavam dele, pois ele trouxe de volta à mente os princípios fundamentais da teologia e da verdade. Mas, então, João XXIII apareceu. Ele tinha um temperamento totalmente diferente do de Pio XII. João XXIII era um homem muito simples e aberto. Ele não viu problemas em lugar algum. "

O Bispo Williamson ecoou a crença do Arcebispo durante uma conferência dada em Post Falls, Idaho, em 2013. Ele observou que João XXIII considerou o mundo moderno "nice" e que a Igreja precisava ser "reconciliada" com o mundo.

Monsenhor Richard Nelson Williamson (1940 - )


Finalmente, aqui está um trecho do discurso de abertura do Papa João XXIII, no Concílio Vaticano II:


"No exercício cotidiano do nosso ministério pastoral ferem nossos ouvidos sugestões de almas, ardorosas sem dúvida no zelo, mas não dotadas de grande sentido de discrição e moderação. Nos tempos atuais, elas não veem senão prevaricações e ruínas; vão repetindo que a nossa época, em comparação com as passadas, foi piorando; e portam-se como quem nada aprendeu da história, que é também mestra da vida, e como se no tempo dos Concílios Ecumênicos precedentes tudo fosse triunfo completo da ideia e da vida cristã, e da justa liberdade religiosa.

Mas parece-nos que devemos discordar desses profetas da desventura, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo.
No presente momento histórico, a Providência está-nos levando para uma nova ordem de relações humanas, que, por obra dos homens e o mais das vezes para além do que eles esperam, se dirigem para o cumprimento de desígnios superiores e inesperados; e tudo, mesmo as adversidades humanas, dispõe para o bem maior da Igreja."
 (Discurso de Sua Santidade Papa João XXIII na abertura solene do SS. Concílio. 11 de outubro de 1962, I Sessão, IV, 2-4).


Isto parece confirmar que o bispo Williamson estava correto em sua avaliação; o que está sendo dito, essencialmente, no referenciado acima é "Fora com aqueles que falam sobre o quão ruim o mundo é hoje! Há uma abundância de bem no mundo de hoje! Esforcemo-nos para reconciliar a Igreja com o mundo moderno".

Além disso, "uma nova ordem de relações humanas" parecia ser uma sugestão sutil do que estava por vir, ou seja, ecumenismo com as falsas religiões. A escolha de palavras, no entanto, também é mais interessante. Ele fala de uma "nova ordem". Ele poderia ter insinuado a Nova Ordem Mundial? Certamente não seria um estiramento para saber se este é o caso. De fato, Paulo VI iria passar a endossar especificamente uma "Nova Ordem Mundial" nas Nações Unidas em 1967, seguido por Bento XVI apelando a uma NOM em 2009.

Por causa de todos esses fatos, não vejo, portanto, absolutamente nenhuma razão para concluir que João XXIII era "mais tradicional" do Pio XII, ou que ele não era tão ruim assim. Os fatos simplesmente não embasam uma afirmação tão absurda. Pelo contrário; Papa Pio XII, embora não tendo sido perfeito, era um pastor angélico que fez muito bem para a Igreja. Foram seus sucessores – Roncalli, Montini, e os demais – que desconsideraram os ensinamentos de Pio e os outros papas, levando a uma apostasia verdadeiramente sem precedentes da Fé como um resultado direto do Vaticano II.

Não se deixem enganar. João XXIII não era amigo da Tradição, nem tendo qualquer dos seus sucessores sido assim.

Deus vos abençoe. 

http://traditionalcatholicremnant.wordpress.com/2014/04/24/the-truth-about-john-xxiii/

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dominicanos de Avrillé: Quando Satanás sonha acordado

Tradução: Cristoph Klug


LE SEL DE LA TERRE N° 92 no site oficial dos Dominicanos de Avrillé



Quando Satanás sonha acordado







O «famoso» sonho maçônico (1934)

No sétimo volume da série Os Homens de boa vontade, o novelista Jules Romains detém-se na maçonaria com uma evidente complacência. A obra se intitula À busca de uma igreja [1].

Para neutralizar as críticas, primeiro a maçonaria é apresentada de maneira satírica: um dos personagens da novela, antigo maçom, põe em ridículo os ritos de sua loja. Mas a apresentação positiva aparece mais tarde. Um verdadeiro maçom, muito simpático, revela seu ideal: A construção do Templo, ou seja, da nova humanidade, unida finalmente na justiça, na paz e na fraternidade.

Para esta construção, a mesma Igreja católica é chamada a colaborar, desde que renuncie à sua feroz intransigência. E a eminência maçônica enuncia o “famoso sonho” de sua seita:
Será necessário que em um ou outro momento, a questão se arranje entre nós e a Igreja... Eu não me desespero por uma aliança tarde ou cedo... uma aliança mais ou menos oculta... Nós somos, eles e nós, os únicos soldados do Universal e também do Espiritual... Por que seu Deus não poderia tolerar nosso jovem arquiteto? Deve apenas deixar a ele este mundo e conservar para si o outro mundo... Você não o crê? – O que você oferece é uma situação de Deus em exílio? – Talvez, mas com grandes honras [...] Bem, veremos… Você conhece o famoso sonho do papa, que, um dia, será um dos nossos?
O alto iniciado conclui alegremente: “Nós já temos bispos maçons!” (pg. 303-304).



Versão judaica (1951)

Este sonho maçônico tem também sua versão judaica. Em 1951 um novelista judeu (Abraham Moses Klein) descreveu os diferentes ideais que entusiasmaram sucessivamente seus correligionários durante a primeira metade do século XX. O herói da novela, Melech Davision, passa do estudo assíduo do Talmude ao entusiasmo comunista, antes de mudar a militante sionista. De vez em quando, é brevemente atraído pelo cristianismo. Ele resiste à tentação, mas seu sobrinho, que o ignora, está entristecido de angústia com a ideia desta conversão: “Tio Melech terá dado o passo impensável?” Para vencer seu medo, abandona-se ao sonho: tio Melech se converteu não apenas em cristão, mas também em papa; e ele usa sua autoridade para transformar a Igreja, unificando o judaísmo, o cristianismo e o islã numa nova “trindade”: