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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Comentários Eleison DX (510) - Predições Sobre a Igreja

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
 
22 de abril de 2017


Tudo no horizonte da Igreja é obscuro, obscuro.
Mas não tenha dúvida - Deus salvará a barca de Pedro.

Como seria de esperar, tem havido não pequenas reações de leitores ao retrato da Fraternidade Sacerdotal São Pio X "declinando lentamente", como apresentado em dois números recentes destes "Comentários". A reação mostra que nem todos os católicos estão cegos ou sem pensar. Aqui estão dois leitores especulando, um sobre o futuro próximo da Fraternidade, o segundo sobre o futuro mais distante da Igreja. Eis o primeiro:

A desestabilização, a confusão e o abrandamento das mentes dos sacerdotes e leigos da Fraternidade, infelizmente continuarão, e para muitos se tornará ainda mais doloroso, porque a liderança atual da Fraternidade perseverará e continuará seguindo em frente com o jogo que estabeleceu com os semiconservadores. A consagração dos bispos "urgentemente necessários" (Dom Tissier) não será mencionada. E quando a eleição dos superiores da Fraternidade já não puder ser evitada no Capítulo Geral normalmente previsto para julho de 2018, os atuais líderes da Fraternidade farão tudo o que estiver ao seu alcance para assegurar que sua busca pelo reconhecimento por Roma continue ininterrupta.

Dependendo de quantas orações sejam feitas para o resgate da fortaleza da verdadeira Fé construída pelo Arcebispo Lefebvre, o Deus Todo-Poderoso pode intervir com um milagre para salvá-la, mas humanamente falando, dir-se-ia que a podridão se alastrou muito para que ela seja salva. Assim, o apostolado mundial da Fraternidade necessita urgentemente de alguns bispos novos e mais jovens, mas como eles podem ser escolhidos para servir a verdadeira Fé anticonciliar sem se indispor com os romanos conciliares que são os únicos que podem dar à Fraternidade o reconhecimento tão desesperadamente perseguido pelo Quartel General da Fraternidade em Menzingen? O Arcebispo Lefebvre disse em 1988 que essa perseguição seria a "Operação Suicídio" da Fraternidade, mas desde quando os liberais ao fazerem cruzada já recuaram? A cruzada pela sua Admirável Nova Ordem Mundial é sua verdadeira religião, esqueça o catolicismo.

O segundo leitor pressupõe que o suicídio da Fraternidade é um trato feito, e ele olha para o futuro da Fé sem a Fraternidade, mais de um ponto de vista divino.

O silêncio que vem de Écône sobre a 'regularização' no momento é ensurdecedor. Parece que o acordo é, na realidade, um "fato consumado". Nesse caso, podemos agora voltar a nossa atenção para o longo caminho de recuperação e cuidado que os Refugiados Católicos Tradicionais certamente precisarão. Uma restauração da ordem a partir do caos e um bote salva-vidas para agarrar, enquanto o navio de Roma que afunda suga os fracos na fé para o fundo do mar. A Fé está diminuindo ou simplesmente se purgando daqueles que têm sido infiéis? Deus nos ajude!

Quando pensamos no futuro da Igreja hoje, devemos ter em mente que a situação é tão dramática que tudo pode acontecer, ou seja, que ninguém sabe de nada, porque se a Fraternidade que tem atuado como uma boia para a Verdadeira Fé por 40 anos está realmente afundando, então o que ainda impede a Roma Conciliar de sugar os fracos na fé até o fundo do mar? Mas Deus é Deus, e Ele pode intervir a qualquer momento e de várias maneiras para interromper o caminho da Sua Igreja para a destruição. No entanto, o pessimismo humano deste leitor parece bem justificado neste momento.

Menos fácil de entender é seu otimismo pelo futuro de uma restauração da ordem e o lançamento de um bote salva-vidas, se os Papas permanecerem conciliares. Pois se há alguma lição a extrair da história da "Resistência" desde 2012, é a extrema dificuldade de fundar uma obra católica sem a aprovação do que pelo menos parece ser a Igreja oficial. A Verdade Católica é imensamente forte por si mesma, mas sem o apoio e a proteção da Autoridade Católica, que é a autoridade de Nosso Senhor, a Verdade permanece altamente vulnerável. Por exemplo, dentro de uma estrutura de autoridade um sacerdote pode facilmente submeter-se a uma proposição com a qual ele discorda, mas fora de qualquer estrutura, ele pode facilmente contestar a sabedoria da mais sábia das proposições.

Paciência. O problema é insolúvel. Oremos e esperemos que o Deus Todo-Poderoso nos atordoe com a Sua solução!


Kyrie eleison.

domingo, 2 de abril de 2017

Comentários Eleison DVII (507) - Declinando Lentamente II

Por Dom Richard N. Williamson
01 de abril de 2017


O mundo moderno perdeu completamente o seu rumo.
Não posso segui-lo e não me perder.



      A carta original do autor dos EUA era muito mais longa do que trecho que o CE da semana passada retirou dela, e muitas coisas interessantes foram deixadas de fora. Estão aqui outros dois interessantes parágrafos, sobre escolas tradicionais e mulheres tradicionais. A grande lição é sempre a mesma – se eu não viver como penso, inevitavelmente pensarei como vivo. Paciência. Deus não nos pede o impossível, mas, por outro lado, Ele espera que façamos o melhor possível:

     Talvez seja na educação que o modernismo está realizando a sua maior incursão no movimento tradicionalista. Todos os tipos de práticas modernas entraram em suas escolas sem que ninguém percebesse. A filosofia modernista psicológica e pedagógica dos anos 50 e 60 está sendo incorporada junto com todos os chavões e parafernálias usuais. Professores antiquados tornaram-se o problema. Um exército moderno de administradores, especialistas em currículo, especialistas em educação, psicólogos infantis, etc., estão agora no comando, prometendo, como de costume, fazer tudo melhor, especialmente em questões mundanas como avaliação de testes, colocação universitária e carreiras lucrativas. As escolas supostamente tradicionais estão se tornando cada vez mais indistinguíveis das escolas públicas.

      A revolução social que acontece entre as crianças em nossas escolas diariamente é especialmente forte entre as jovens damas. Há uma virulenta nova cepa do feminismo tradicionalista. Muitas têm estado embebidas do veneno moderno da igualdade com os homens e competição contra eles. Desde a tenra idade elas são confrontadas com os homens. Elas querem competir contra eles, e elas pensam que podem fazer quase tudo o que um homem pode fazer. Pensam que o único teste para saber se uma mulher deve ou não fazer uma coisa é se ela é fisicamente capaz. O que quer que seja que a Tradição possa dizer sobre o papel das mulheres, elas prestam pouca ou nenhuma atenção. Elas acreditam nas mesmas mentiras que já arruinaram uma ou duas gerações. Elas têm a ideia de que podem ter uma carreira profissional altamente bem-sucedida em qualquer campo, e ainda serem uma boa esposa e mãe católica ao mesmo tempo. A velha frase “O lugar de uma mulher é em casa” não é mais ouvida nos círculos tradicionais, e na verdade é abertamente desprezada. Pior de tudo, nossas jovens senhoras estão ouvindo e aprendendo isso não do mundo, mas do nosso próprio círculo. Há muitas mulheres em posição de autoridade em nossas escolas e há muitas professoras. Isto é revolucionário, e dá um exemplo terrível para nossas jovens senhoras, que não pode ser superado por qualquer pregação que seja. No entanto, de que serve uma mulher vestir-se modestamente se agir como um homem de outra forma, especialmente social, econômica e politicamente? Alguns anos atrás, todos, não apenas os tradicionalistas, saberiam disso, mas agora aqui está sendo promovido como tradicional.


      Então, o que há de errado com a educação moderna e seus métodos modernos? Resposta: o coração e a alma da verdadeira educação é a Fé Católica, que significa os adultos com o apoio da (verdadeira) Igreja usando sua autoridade para ensinar os jovens, por contato humano direto, em primeiro lugar como chegar ao Céu, em segundo lugar como viver vidas sãs como adultos no mundo, em conformidade com o chegar ao Céu. Quantos “administradores, especialistas em currículo, especialistas em educação e psicólogos infantis” ainda têm experiência da vivência em sala de aula, e quantos, menos ainda, têm a Fé? Por falta da Fé, a vivência nas salas de aula hoje é uma selva, cheia de bestas selvagens. Não admira que os “especialistas” fujam dela. São ignorantes e impotentes para educar.

      E o que há de errado com as mulheres modernas? Homens modernos, que deixaram que elas saíssem do controle. Deus fez as mulheres para estarem sob seus homens, mesmo antes da Queda. Então, o que uma boa moça poderia fazer? Reze para São José e para Santa Ana – ambos encontraram esposos maravilhosos – para encontrar um marido que lhes possa respeitar. A mão de Deus não é encolhida pela maldade dos homens (cf. Is LIX, 1). E os homens? Vossas mulheres acharão muito mais fácil obedecer a vocês, se vocês mesmos obedecerem a Deus (I Cor XI, 3).


     Kyrie eleison.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Comentários Eleison CDXCVI (497) - Cor, poesia...

Por Dom Richard N. Williamson
21 de janeiro de 2017


Os subúrbios fluem dos centros e os sustentam, e assim é,
Com a cultura em relação à verdadeira Fé.


"Não se pode viver mais de política, de balanços e de palavras cruzadas. Não se pode viver mais sem poesia, cor, amor" – palavras de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), aristocrata francês, aviador e escritor, não católico, mas brigando em sua alma contra o materialismo do século XX. Ele disse de si mesmo: "Eu sou um homem varrendo as cinzas, um homem lutando para encontrar as brasas da vida no fundo de uma lareira". E descrevendo em sua memória filosófica Terra dos Homens (1939) uma cena de trabalhadores e suas famílias amontoados em um trem noturno de Paris para Varsóvia, ele escreveu que estava atormentado não por sua condição desolada, mas por "ver um pouco, em cada um desses homens, Mozart assassinado".

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Linha média versus sedevacantismo, ou quando os extremos se tocam

Carlos Nougué (Estudos Tomistas)

Diz o linha-média: É impossível que um papa defeccione na fé. Com efeito, como o mostra São Roberto Bellarmino, o Papa Sisto IV, antes de tudo por meio do Sínodo de Alcalá, e depois por si mesmo, condenou os artigos de um certo Pedro de Oxford, um dos quais afirmava que a Igreja da cidade de Roma poderia errar. Trata-se pois de condenação feita pelo próprio magistério, que, como se sabe, não pode errar. Logo, quando um documento como a declaração Dignitatis humanae, do Concílio Vaticano II, diz coisas que vão aparentemente contra a fé e contra o estabelecido por dois mil anos de magistério infalível, não pode passar disso mesmo: só aparentemente se opõem à fé e ao estabelecido anteriormente pelo magistério. Se porém se mantém a aparência de oposição, não pode dever-se senão a um mau entendimento e pois a um mau juízo. Replica o sedevacantista: De fato é impossível que um papa enquanto papa cometa qualquer atentado contra a fé; se o fizesse, falharia a promessa de indefectibilidade feita por Cristo a Pedro. Por isso, como o diz São Roberto Bellarmino, se segundo suposição um papa defeccionasse na fé, ipso facto perderia a jurisdição, ou seja, deixaria de ser papa, porque – como está implícito no dito – Cristo lhe retiraria a jurisdição no ato mesmo em que defeccionasse na fé. Logo, não pode haver papa herético, ou ao menos publicamente herético. – Por isso, ainda tem razão São Roberto Bellarmino quanto à impossibilidade de que a Igreja de Roma erre, porque, com efeito, o “papa” herético já não é o bispo da Igreja de Roma. E assim as heresias de um Francisco – as quais por evidentes não podem negar-se – não são heresias de um bispo de Roma.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ainda esclarecendo dúvidas, por S.E.R. Dom Tomás de Aquino, OSB

+
PAX

                No Catecismo de São Pio X está dito que somente a Santa Igreja Católica recebeu o carisma de fazer milagres. Isto nunca será dado por Deus às falsas religiões porque Deus nunca favorecerá o erro, caso contrário Ele não seria Deus.

                Pergunta-se então como pode-se conceber um milagre numa Missa Nova ou mesmo entre pessoas que não são católicas? Isto é possível? Se for para a conversão destas pessoas não há nenhum impedimento. Os milagres são realizados por Deus para confirmar a verdade e assim fazendo conduzir as almas a Deus, ou seja, à Igreja Católica pois a Igreja Católica é a reunião das almas que estão unidas a Deus aqui na terra, no Purgatório e no Céu.

                Se a mula de Balaão falou foi para demonstrar que Deus abençoava o povo de Israel, figura e início da Santa Igreja Católica, e impedia que Balaão o amaldiçoasse como era sua intenção.

                Se houve milagre eucarístico na Nova Missa foi para a conversão dos que o presenciaram ou que tiveram notícia dele. Que seja certo que tenha havido milagre ou não, isto não pertence às verdades nas quais temos que crer para nos salvar. Que seja possível um milagre eucarístico, caso tenha havido consagração, é uma afirmação que pode ser defendida sem incorrer a nota de heresia. Se alguém não crer nesse milagre ou se ele achar inconveniente que ele tenha ocorrido numa Missa Nova, ele não incorre em nenhuma reprovação do ponto de vista da fé católica. A questão de saber se houve realmente milagre ou não houve é uma questão aberta. Quem se interessar por ela que procure as provas que demonstram a realidade ou a impostura deste “milagre”. Mas afirmar que uma hóstia consagrada e profanada não possa sangrar para a conversão dos padres e dos fiéis afim de que eles abandonem o modernismo e venham para a Tradição não parece sensato.

                Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons. Isto é de fé, pois é Nosso Senhor Ele mesmo que o afirma. Isto é o bom senso mesmo, pois um espinheiro não pode dar os frutos que só a figueira pode dar.

                Logo, devemos concluir que nenhum bem poderá haver entre os infiéis, os protestantes e os modernistas? A questão não é tão simples assim. Santo Tomás diz que a árvore má é a vontade perversa e portanto devemos concluir que nada de bom pode sair da vontade perversa do demônio e dos que entregaram sua alma a ele. Nada de bom podia sair da inveja de Caim contra Abel. Nada de bom podia sair do ódio e da incredulidade dos fariseus contra Nosso Senhor. No entanto nem todo aquele que está na Igreja Conciliar vive do ódio, da inveja e da incredulidade. Alguns ainda querem se confessar, rezar e melhorar. Há ainda, provavelmente, árvores boas entre os progressistas, apesar do Progressismo; almas que estão lá mas não são de lá. As almas são ora movidas pelo espírito bom (do qual não pode proceder nenhum fruto mal), ora pelo espírito mal (do qual nenhum fruto bom pode proceder). Mas talvez nos perguntem. E da Nova Missa? E dos novos Sacramentos? Pode sair frutos bons destas árvores ruins? A resposta não é simples. É preciso distinguir entre o rito e o sacramento. Nós costumamos completar o rito do Batismo porque ele foi mutilado. Mas não refazemos o Batismo pois se ele foi válido, ele não pode ser dado novamente sem grave ofensa à Deus. Logo, o Batismo, mesmo entre os progressistas tem algo bom e muito bom, que é o fato de apagar o Pecado Original e nos tornar filhos de Deus, templos da Santíssima Trindade e algo mal que é a omissão dos exorcismos presentes no rito antigo. O mesmo se diga da Missa Nova. Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer pensavam que ela podia ser válida quando todas as condições necessárias para isto estivessem reunidas. Mas nem por isso eles deixaram de condená-la porque a Missa Nova conduz à heresia por causa do seu rito. Rito ruim, sacramento bom, quando há sacramento.

                Outra dúvida. O bem e o mal entrelaçados? A Igreja Nova e a Igreja Católica entrelaçadas? Quem diz entrelaçadas, diz união e amizade. Não! Jamais a Igreja Católica estará unida por laços de amizade à Nova Igreja. Mas entrelaçada significa também laçada, presa, amarrada e isto sim. Isto é o que acontece. Os inimigos da Igreja a tomaram, a reduziram à escravidão, por assim dizer. Excomungaram Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, destronaram Nosso Senhor Jesus Cristo de seu reino sobre as nações. Entrelaçadas sim, mas desta forma. Quanto ao que inspira uma e outra, não. Elas se opõem e se opõem totalmente.

                Mas isto não é tudo. Há também o fato de que há pessoas que estão na Igreja Conciliar pensando que estão na Igreja Católica. Eles tem algo de católico pois muitos foram batizados validamente. Muitos crêem em Nosso Senhor. Muitos estão iludidos. Eles correm o perigo de perder a fé, mas nem todos já perderam a fé. Situação delicada, difícil, penosa, confusa. Sim. Paciência. Trabalhemos para ajudar estas almas. Trabalhemos para abandonar o que há ainda de liberalismo também em nós, pois cada vez que pecamos nós agimos como um liberal que se libera da lei de Deus e que, portanto, dá um fruto mau, apesar de não ser necessariamente uma árvore má.

                Que Nossa Senhora nos guie sempre pois seguindo-a ninguém se perderá. Assim seja.


+ Tomás de Aquino OSB

domingo, 27 de dezembro de 2015

Comentários Eleison CDXLI (441) - Comparação com a família

Por Dom Richard Williamdon
Tradução: Cristoph Klug

Duas famílias podem ambas por um homem ser mantidas
Assim o podem duas igrejas por um Papa conduzidas.


Enquanto que no melhor dos casos os argumentos provam, as comparações no melhor dos casos ilustram. Logo, as comparações não provam, mas podem lançar muita luz desde o conhecido até o desconhecido. Pois bem, concernente à presente crise da Igreja, de meio século de idade, necessitamos de toda luz que possamos obter, porque com cada dia que passa se torna menos e não mais compreensível. Então, segue aqui uma comparação fecunda que me enviou há pouco tempo um recente convertido à Tradição. Ele compara a Igreja Católica e a Igreja Conciliar, ou a Neo-Igreja, com as famílias legítima e ilegítima de um e o mesmo homem. Apliquemos a comparação ao seu matrimônio, à sua autoridade e aos seus filhos.

Por um casamento legal com sua verdadeira esposa, um homem inicia uma família e têm filhos legítimos. Mas passando um tempo ele é infiel, e se divorcia dela para viver com sua amante, por adultério com a qual têm outros filhos que são bastardos. Assim mesmo, por uma eleição canônica de um Cardeal como Papa, este Cardeal vem a ser o pai legítimo da Igreja católica e o pai espiritual pela verdadeira Fé de uma multidão de verdadeiros Católicos. Mas desde há 50 anos, como Papa Conciliar, se prostitui seguindo o mundo moderno, e por adultério com este forma uma nova família de bastardos Conciliares. Assim, tanto como o mesmo homem pode ser pai de uma família legal e de uma família ilegal, assim um Papa pode ao mesmo tempo ser cabeça da Igreja Católica e da Neo-Igreja.

Em segundo lugar, assim como o pai de família tem verdadeira autoridade sobre sua verdadeira família, mas não verdadeira autoridade sobre sua segunda família porque não é sua família verdadeira, assim o Papa Conciliar tem verdadeira autoridade sobre os verdadeiros Católicos, mas nenhuma autoridade sobre a Neo-Igreja com seus Católicos Conciliares. E assim como a primeira família necessita de seu verdadeiro pai, e ambos, esposa e filhos, farão tudo o que puderem para trazê-lo de volta para casa mas ele se aferra à sua companheira em adultério e a seus filhos ilegítimos que também farão tudo o que puderem para mantê-lo consigo, do mesmo modo o Papa Conciliar, mesmo que respeitado pelos Católicos Tradicionais que clamam a ele para que faça seu dever por eles, prefere aos Católicos Conciliares que têm pouco respeito real por ele mas se aferram também a ele para cobrir seu estado ilegal.

E, em terceiro lugar, assim como nenhuma verdadeira esposa aceitará ser posta ao mesmo nível que a companheira adúltera que a substituiu, nem os verdadeiros filhos (se suficientemente maduros) aceitarão ser adotados pela falsa família e assim comparados aos bastardos, do mesmo modo a Tradição é absolutamente incompatível com a Neo-Igreja, nem tampouco os verdadeiros Católicos aceitam ser incorporados nela por qualquer tipo de acordo de rendição ou traição à Tradição. Não é para eles irem se prostituindo sob seu verdadeiro pai em seu ambiente adúltero mesmo se ele é seu verdadeiro pai e eles verdadeiramente o necessitam. É para o pai retornar à sua verdadeira família. Nem tampouco podem os filhos legítimos razoavelmente esperar trazer a seu pai de volta à casa reunindo-se com ele em seu ambiente sedutor. A probabilidade muito maior é que eles também sejam seduzidos. O neo-modernismo é muito sedutor!

Esta comparação de qualquer Neo-Papa com um pai de duas famílias é fecunda em muitos outros pontos porque pertence à natureza de um Papa ser um pai. Mas, “Qualquer comparação coxeia” (outra brilhante comparação), e a perna má desta comparação consiste principalmente no fato de que enquanto a distinção entre duas famílias de um único pai está perfeitamente clara na vida real, pelo contrário, a distinção entre a Igreja Católica e a Neo-Igreja, enquanto que perfeitamente clara em teoria, é muito difícil de se desemaranhar na prática, porque elas estão quase de modo desesperado entrelaçadas na vida real. 

Para manter a cabeça católica nos ombros de alguém, é tão necessário conhecer a clara distinção em teoria como o é reconhecer a desesperada confusão na prática.


Kyrie Eleison.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Comentários Eleison CDXXXVIII (438) - Novus Ordo Missae - III

Por Dom Richard Williamson

Tradução: Cristoph Klug
05 de dezembro de 2015

Católicos, sejam generosos! O objetivo de Deus em ação
É salvar muitas almas fora da “Tradição”.

Se a evidência em favor dos milagres eucarísticos que teriam tido lugar dentro da Igreja Novus Ordo (ver CE 436 e 437) é tão séria como parece, segue que os católicos devem conformar suas mentes à mente de Deus e não o contrário. E os Católicos aderidos à Tradição têm uma especial necessidade de resolver o que Deus quis significar com esses milagres, porque estes fiéis da Tradição não entendem facilmente o que Ele tem podido significar quando sabem quão desagradável deve ser para Ele a Missa Novus Ordo (NOM) em si mesma.

Por muitos séculos Deus realizou tais milagres. A razão primária tem sido sempre fortalecer a fé dos Católicos em uma verdade da Fé que não é fácil de crer, mas está muito próxima ao Coração de Deus. Que no instante da Consagração do pão e do vinho durante a Missa, Deus mesmo tome o lugar de suas substâncias, é um acontecimento tão fora do curso normal da natureza, que esta invenção do amor de Deus desejando dar-se a Si mesmo como comida e bebida para o seu rebanho possa ser prática, mas parece também inacreditável. Por isso que em devidos momentos e lugares, Deus tem operado milagres visíveis sob uma ou outra forma para ajudar às almas duvidosas a crer. Uma razão secundária para estes milagres, especialmente onde tenha havido uma ou outra profanação da Sagrada Eucaristia, é para recordar aos Católicos o tratamento sagrado e a adoração que sempre se lhes deve às humildes aparências por trás das quais Deus mesmo se esconde.

Ambas destas razões se aplicam hoje em dia quando o NOM diminuiu severamente o sentido da Presença Real, sem sempre anulá-la (ver CE 437). Quem pode negar que o rito do NOM e sua prática através da Igreja Novus Ordo, por exemplo a Comunhão de pé e na mão, tem conduzido incontáveis Católicos até a descrer na Presença Real e a incontáveis sacerdotes até a falta de devido respeito no manipular da Santa Eucaristia? Quem pode negar que ambos, o decréscimo da fé e a falta de respeito ante Ela, têm imensamente aumentado desde que o NOM foi introduzido em 1969? Humanamente falando, o assombro pode não ser que tenha havido milagres dentro do limite do NOM, mas também que tenha havido muito mais. De qualquer modo, Deus tem sabido como atuar para o melhor. 

Por outro lado, estes milagres – sempre e quando são autênticos – deixam lições para os Católicos da Tradição também, que se colocaram mais ou menos distantes do limite do Novus Ordo. A lição mais óbvia é que nem todas as Missas Novus Ordo são inválidas, nem todas as Consagrações episcopais nem todas as Ordenações sacerdotais, como os “Tradicionalistas” podem estar tentados a pensar. Isto é seguramente porque mesmo que desde os anos 1960 uma massa da grei católica tem se tornado demasiadamente mundana para merecer manter o verdadeiro rito da Missa, as ovelhas têm sem dúvida amado suficientemente a Missa para não perdê-la totalmente. O NOM pode ter sido permitido por Deus para tornar mais fácil aos Católicos para que abandonassem a Fé se eles quisessem, mas não impossível de mantê-la, sempre que o quisessem.

Por conseguinte, o NOM e a Igreja Novus Ordo como um todo são perigosos para a Fé, e os Católicos estão corretos por terem aderido à Tradição para evitar o perigo. Mas como tiveram de pôr distância entre eles e a corrente principal da Igreja, assim eles se expuseram ao perigo oposto de um isolamento condutor a um espírito sectário e até farisaico, desligado da realidade. Há verdadeiros sacramentos no Novus Ordo e verdadeiros Católicos, os quais Deus cuida, e os “Tradicionalistas” deveriam estar contentes que os há. Que seu isolamento não os faça sentir que estão obrigados a negar que não haja sequer algo católico que reste no Novus Ordo. Isso é irreal e o pêndulo da realidade oscilará de volta, como com a liderança da FSSPX, que não vê mais suficientemente a necessidade de isolar-se da Igreja neo-modernista. Não. A Tradição necessita de isolamento, mas com um espírito generoso e não isolacionista.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Comentários Eleison CDXXXVII (437) - Novus Ordo Missae – II

Por Dom Richard Nelson Williamson

Tradução: Cristoph Klug
28 de novembro de 2015

Os milagres eucarísticos estão onde
Deus Mesmo verdadeiramente se esconde.

Os fatos são obstinados – sempre e quando são fatos. Se leitores duvidam que o milagre eucarístico de 1996 em Buenos Aires é um fato, que eles realizem sua própria investigação: comecem, por exemplo, com http://youtu.be/3gPAbD43fTI. Mas se sua investigação deste caso os deixa sem se convencer, que eles então busquem o caso paralelo de Sokólka na Polônia onde todo um centro de peregrinação tem surgido em torno de um milagre eucarístico em 2008: vejam, por exemplo, jloughnan.tripod.com/sokolka.htm. E um pouco mais de investigação na internet descobrirá seguramente mais notícias dos tais milagres Novus Ordo, e ao menos alguns deles pareceriam autênticos.

Mas, como isso é possível? Os Católicos Tradicionais absorvem desde o início que o novo rito da Missa (NOM) é uma abominação aos olhos de Deus, e que tem ajudado a inúmeros Católicos a perder a Fé. Pois o NOM, tanto como o Vaticano II que ele seguiu, é ambíguo, favorece a heresia e tem conduzido a inumeráveis almas para fora da Igreja, para as quais a assistência regular ao rito protestantizado tem-nas convertido praticamente em protestantes. A maioria dos católicos tradicionais devem estar familiarizados com os sérios problemas doutrinais deste novo rito, elaborado para diminuir as doutrinas católicas essenciais da Presença Real, do Sacrifício propiciatório e do sacerdócio sacrificante, entre outros. Então, como pode Deus realizar milagres eucarísticos com este rito, tal como ele que fez de Sokólka um centro nacional de peregrinação para toda a Polônia?

Doutrinalmente, o NOM é ambíguo, num equilíbrio suspenso entre a religião de Deus e a religião Conciliar do homem. Porém, em questões de fé, a ambiguidade é mortal por estar normalmente feita para destruir a fé, como faz frequentemente o NOM. Mas como a ambiguidade está precisamente aberta a duas interpretações, assim o NOM não excluiu absolutamente a antiga religião. Através de um sacerdote devoto, suas ambiguidades podem ser todas dirigidas à direção antiga. Isso não torna o NOM aceitável como tal, porque sua ambiguidade intrínseca ainda favorece à nova direção, mas significa, por exemplo, que a Consagração pode mesmo assim ser válida, como Monsenhor Lefebvre nunca o negou. Mais ainda, se os milagres eucarísticos são genuínos, claramente nem todas as Consagrações de bispos Novus Ordo nem Ordenações de sacerdotes Novus Ordo são inválidas, Resumindo, o NOM como tal é mau como um todo, mau em partes, mas não mau em todas as suas partes.

Contudo, imaginemos com o maior dos respeitos, como Deus Todo-Poderoso se posiciona sobre o novo rito da Missa. Por um lado, Deus ama à Sua Igreja como a menina de Seus olhos e a preservará até o fim do mundo (Mt. XVI, 18). Por outro lado, Ele escolheu confiar seu governo a homens da Igreja humanos e falíveis, aos quais Ele guiará, mas a cujo livre arbítrio outorga evidentemente um grau notável de jogo livre para governá-la bem ou mal, começando com a traição a Seu próprio Filho. Agora, em tempos modernos, a Revolução, seja judaica, maçônica, comunista ou globalista, encontra seu principal adversário em Sua Igreja tem convertido especialmente os líderes da Igreja para destruir à Igreja. Seu êxito mais terrível foi o Vaticano II e sua NOM, os quais foram seguramente muitos mais pela culpa dos pastores que de suas ovelhas. “A fortaleza foi traída por aqueles mesmos que a deviam defendê-la”, disse São João Fisher em um momento paralelo da Reforma. Então, como cuidará Deus de Suas ovelhas, muitas das quais – não todas – são relativamente inocentes da traição Conciliar?

Depois do Vaticano II, alguns sacerdotes e leigos tiveram a graça de ver imediatamente que era como traição, e em uns poucos anos o movimento tradicional estava caminhando. A outras ovelhas Deus lhes conheceu a graça de percebê-lo mais tarde. Porém, não podemos todos admitir que há muitos bons católicos que confiaram em seus bispos, como bons católicos normalmente devem fazer? E, não é que todos estes bispos insistiram na mentira de que o NOM não era diferente da verdadeira Missa? O que especificou ao Vaticano II e à NOM foi precisamente a oficialização da heresia modernista dentro da Igreja. Então, não é que tem sentido que em castigo por sua mundanidade moderna estas ovelhas amplamente perderiam o verdadeiro rito da Missa, enquanto que em recompensa por seu desejo da Missa elas não perderiam uma Missa válida? Sem dúvida, o futuro da Igreja depende das almas que compreendem a essência da Revolução, e repudiam absolutamente todas as ambiguidades do Vaticano II e do NOM.


Comentários Eleison CDXXXVI (436) - Novus Ordo Missae – I

Por Monsenhor Richard Nelson Williamson

Tradução: Cristoph Klug
21 de novembro de 2015

Deus tem realizado milagres com a Nova Missa?
Quê!? Pois isso é o que sugere a pesquisa.

“Os fatos são coisas obstinadas” é uma famosa frase do segundo Presidente dos Estados Unidos, John Adams (1735–1826), “e quaisquer que sejam nossos desejos, nossas inclinações ou os ditames de nossa paixão, não podem alterar o estado dos fatos e a evidência.”. Concernente ao Novo Ordinário da Missa imposto para a Igreja inteira por Paulo VI em 1969, existem alguns fatos obstinados aptos a perturbar os “desejos e inclinações” dos católicos adeptos pela Tradição católica. Que sucessivos números destes “Comentários” mostrem, em primeiro lugar, alguns destes fatos; em segundo lugar vejamos como podem ser explicados, apesar do desastroso papel jogado durante os últimos 46 anos pelo NOM em ajudar aos católicos a perderem a Fé; e em terceiro lugar deliberemos sobre que conclusões deve um católico sábio tirar. Primeiro de tudo, alguns fatos:—

Em 18 de agosto de 1996, na Igreja Paroquial de Santa María no centro de Buenos Aires, o padre Alejandro Pezet terminava de distribuir a comunhão (de uma Missa nova, possivelmente), quando uma mulher lhe disse que havia uma hóstia descartada na saída da Igreja. Deve ter caído ao sair da Igreja um paroquiano que havia recebido a comunhão na mão e a abandonou no solo por não estar mais apta a ser consumida. O padre Pazet a levantou, pô-la corretamente em um vaso com água e a colocou no Tabernáculo onde em uns poucos dias normalmente se dissolveria e poderia ser descartada. Porém, quando em 26 de agosto o sacerdote abriu o Tabernáculo, qual não foi sua surpresa ao constatar que a hóstia havia se transformado em uma substância sangrenta. Fotos que foram tiradas 11 dias depois por ordens do Bispo Bergoglio, mostraram que havia aumentado consideravelmente de tamanho. Por três anos, manteve-se em estrito segredo no Tabernáculo, mas em 1999 o então Arcebispo Bergolgio decidiu levar a cabo uma análise científica. Em 15 de outubro de 1999, com a presença de testemunhas, ele permitiu ao Dr. Ricardo Castañón, neuro-psico-fisiólogo aprovado por Roma, tomar uma amostra para fazer provas.

O Dr. Castañón levou a mostra primeiramente a um laboratório forense em San Francisco que reconheceu DNA humano. Um Dr. Robert Lawrence localizou glóbulos brancos. Um Dr. Ardonidoli na Itália pensou que provavelmente fora tecido cardíaco. Um professor australiano, John Walker, reconheceu tecido muscular com glóbulos brancos intactos. Para eliminar qualquer dúvida, o Dr. Castañón se dirigiu a um renomado cardiologista e patologista da Universidade de Columbia, Nova York, o Dr. Frederico Zugibe, sem lhe dizer de onde provinha o espécime.

Olhando em seu microscópio, o Dr. Zugibe haveria dito, “Posso dizer-lhe claramente o que é. É parte do músculo que se acha na parede do ventrículo esquerdo do coração, que faz bater o coração e que lhe dá sua vida ao corpo. Entremeado no tecido há células brancas sanguíneas o qual me diz, em primeiro lugar, que o coração estava vivo no momento quando a mostra foi tomada porque as células brancas sanguíneas morrem fora do organismo vivo e, sem segundo lugar, porque as células vão em auxílio de uma lesão, então este coração sofreu. Este é o tipo de coisas que vejo em pacientes que foram golpeadas no peito”. Quando se lhe perguntou por quanto tempo estas células permaneceram vivas se provinham de uma amostra conservada em água, o Dr. Zugibe respondeu que haveriam deixado de existir em questão de minutos.

Quando, em junho de 1976, o Arcebispo Lefebvre estava perto de ordenar seu primeiro grande grupo de Sacerdotes da FSSPX, apesar da depreciação de Roma, um oficial romano veio lhe prometer o fim de todos os seus problemas com Roma se ele somente celebrasse um NOM. Baseado em princípios, por razões doutrinais, ele se negou. Então, como pode o Bom Deus ter realizado milagres eucarísticos com e por esta nova Missa? Leiam aqui na próxima semana uma resposta sugerida.


domingo, 5 de julho de 2015

Comentários Eleison CDCVI (416) - Papas Conciliares III

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blogue Borboletas ao Luar)


As mentes dos oficiais da Igreja não estão mais a funcionar?
Pode ser que medidas extremas Deus tenha de tomar.  


            Os leitores destes “Comentários”, após a leitura de “Papas Conciliares - I” e “Papas Conciliares - II”, de seis e quatro semanas atrás, respectivamente, talvez tenham ficado com a impressão de que eles sustentam que o Papa Francisco “pode ser inculpável por sua ignorância em relação às suas próprias blasfêmias e heresias”, tal como expôs um leitor. Esta impressão é equivocada. O liberalismo universal de hoje pode escusar os Papas “parcialmente” e “relativamente” por destruírem a Igreja Católica, mas é certo que ele não os escusa completamente. A prova de sua culpabilidade ao menos parcial não é difícil de obter.

            A Igreja Católica pertence a Deus. Ele fundou-a e desenhou-a para funcionar com seres humanos como Seus instrumentos. Ele nunca permitirá que esses oficiais humanos de Sua Igreja destruam-na completamente, mas também jamais tirará o livre-arbítrio deles. Como resultado, cada um deles pode adquirir grande mérito ou demérito, de acordo com o modo com que usa ou abusa de seu ofício. Contudo, desse uso ou abuso depende a salvação de muitas outras almas além das deles mesmos. Como, então, alguém pode imaginar que Deus não ofereça a esses oficiais toda a graça que eles precisam para cumprir com seus deveres oficiais para o bem das almas? Se, então, os Papas conciliares, Cardeais e Bispos são todos verdadeiramente oficiais da Igreja designados, como parecem ser e como poucos que não sejam sedevacantistas negam, então, eles estão recebendo de Deus graças suficientes para conduzir bem a Igreja. Se, então, em âmbito geral, eles a estão derrubando por terra, devem estar recusando graças de estado, graças de seus ofícios. E se eles estão recusando a graça de Deus para o cumprimento de seu dever, não podem ser completamente inculpáveis. Eles podem não ter culpa pelo mundo sentimental em torno deles, mas a graça de Deus, em última instância, poderia livrar suas mentes do sentimentalismo, se eles quisessem. Eles não querem, porque então teriam de confrontar o mundo sentimental.

            Imaginemos um exemplo concreto que pode ter acontecido muitas vezes na vida real durante a década de setenta. Uma avozinha consegue aproximar-se do Santo Padre. Em um meio a um mar de lágrimas ela explica que seu neto era um bom menino quando entrou no seminário (conciliar), mas que ele perdeu ali não apenas sua vocação, mas também sua fé e mesmo sua virtude. Se, como é mais provável, o Papa conciliar confia aos oficiais em torno que a retirem dali, ele não é inocente, porque avozinhas tendem a ser inequivocamente sinceras. Mas esses Papas preferem seu sonho conciliar, que está em harmonia com o mundo.

E aqui está um exemplo real ocorrido no Brasil, provavelmente nos anos oitenta. João Paulo II esteve em uma reunião de bispos diocesanos para discutir o apostolado em suas dioceses. Em um dado momento, um jovem bispo levantou-se para dizer que o rebanho em sua diocese estava sendo devastado pela invasão de seitas protestantes oriundas dos EUA promovida pelo ecumenismo; um desastre já conhecido, há muitos anos espalhado pela América Latina. O Papa ouviu o testemunho do bispo, mas poucos minutos depois já estava de volta a promover exatamente aquele ecumenismo que o bispo tinha acabado de denunciar. Quando confrontado com a realidade católica, o Papa preferiu seu sonho conciliar. Como ele poderia ser completamente inocente?

            Disso se segue que esses Papas não são totalmente inocentes nem totalmente culpados da presente devastação da Igreja. Quanto de um eles são, e quanto do outro? Só Deus sabe. Mas se um bom Papa fosse designado, (e protegido por Deus!), para peneirar os oficiais da Igreja, limpar os maus e promover os bons, ele designaria um tribunal ou inquisição – sim, inquisição – para forçar cada oficial a escolher abertamente entre a Verdade ou o sentimentalismo. Seria uma tarefa fácil? Não, porque os mercadores de sentimentalismo não têm dificuldade em fazer parecer que eles amam a verdade, e podem facilmente acreditar, eles mesmos, que estão a lidar somente com a verdade. Eles podem ajustar suas mentes para qualquer coisa, e para opor-se a qualquer coisa. Então, o que se pode fazer? Um Castigo, para limpar os estábulos de Aúgias.


sábado, 13 de junho de 2015

Comentários Eleison CDXIII (413) - Rotina Diária

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blogue Borboletas ao Luar)

13 de junho de 2015


Já não são os meios antigos funcionais?
Ou só requerem por trás deles todos uma força nova a mais?

            Não poucos e-mails que cruzam meu escritório eletrônico merecem ser compartilhados com os leitores destes “Comentários”. Permitam-me citar aqui dois deles (resumidos e adaptados, como de costume). O primeiro é o de um jovem leigo, um antigo seminarista de Winona e agora pai de uma família numerosa. Eis um católico que nunca deveria ser acusado de subestimar o poder da atual apostasia universal, ainda que esteja certo de que resta algo que pode, e deve, ser feito. Ele escreve:

            O liberalismo institucionalizado de hoje e o pedido ensurdecedor da multidão moderna por Barrabás pode muito bem resultar em uma safra de mártires. Eu posso apreciar a preocupação do senhor ao perguntar se Deus ainda quer hoje uma instituição tradicional como um seminário, por exemplo. No século XIX, Dom Bosco criou um novo tipo de “co-operador” leigo para seu trabalho com meninos, não uma Confraternidade nem uma Terceira Ordem, porque ele disse que o mal tinha mudado suas táticas, e por isso ele teve de fazer o mesmo. Os bons católicos foram tomados de surpresa, mas sua nova adaptação aos antigos provou-se eficaz.

            Eu menciono isso porque manter a Fé hoje é como mover-se contra as corredeiras mais selvagens. Manter toda a minha família e a mim mesmo no caminho para o Céu requer tudo o que sou e tudo o que tenho. Adaptando as palavras de São Paulo (II Co 11, 29), “Quem está enfermo, que eu não esteja enfermo?”. Eu lembro do senhor dizendo a nós seminaristas anos atrás que onde quer que nós nos encontrássemos mais tarde, teríamos de pôr ordem em um caos voador. Esse caos é mais intenso agora do que era há 25 anos, porque a vida diária mudou enormemente durante os últimos 15, 30, 45 anos. O mundo está agora comendo almas no almoço de uma forma sofisticada e implacável. Os pais devem adaptar princípios provados e verdadeiros para combater as novas táticas do Diabo, porque o que funcionava antes não necessariamente funciona hoje. São essas “lanças e flechas” da atual educação dos filhos que me fazem questionar se a necessidade de diferentes meios para alcançar os mesmos fins não deveriam se aplicar também aos seminários e vocações.

            O segundo e-mail vem de um sacerdote da “Resistência” que diz que os velhos meios ainda são bons, mas precisam ser fielmente aplicados. Ele escreve:

            É incrível como tantos membros de nosso povo não estão fazendo as coisas básicas da vida católica. Eles querem agradar a Deus. Mas bem, iniciativas e empresas católicas especiais não são más em si mesmas, mas são muito menos importantes, difíceis e meritórias que a rotina diária. Nosso povo quer evitar o pecado mortal, e isso é quase tudo. Quantas vezes eu ouvi que eles se “esqueceram” de fazer suas preces da manhã e da noite, ou as de antes e depois das refeições? E a leitura da Bíblia, da vida dos santos, do catecismo! É por isso que eu trabalho no horário e a destempo, para tentar convencer meu povo a ter uma vida católica constante e regular, para convencê-lo de que é o que verdadeiramente agrada a Deus.

            O mesmo se aplica à “Resistência”. Eu tenho dito ao meu povo que a verdadeira prova será a da continuidade, a da perseverança. Isso foi relativamente fácil dois ou três anos atrás, quando estávamos em uma batalha campal, batendo à direita e à esquerda, mas agora é mais como guerra e trincheiras. E nós defenderemos nossas posições como um movimento se cada sacerdote e cada leigo católico mantiver sua posição em sua vida diária.

            Deus não criou nenhuma alma para o Inferno (1 Tm 2, 4). Segue-se que cada alma pode encontrar os métodos para chegar ao Céu, se ela quiser. Esses métodos podem ser difíceis, mas não são complicados, ou seriam inacessíveis para muitos. Os antigos meios, especialmente o Rosário diário, não são complicados, mas devem ser empregados.


Kyrie eleison.