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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Comentários Eleison CDLXIII (463) - Ilusões sobre a "Normalização"

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (Borboletas ao Luar)
 
Entre a Fraternidade e Roma, um grande abismo aparece,
Nele toda reconciliação perece.


Que todos os superiores da FSSPX que participarão da iminente reunião para considerar a última oferta de Roma em relação à reconciliação ponderem bem os comentários do Pe. Girouard sobre as recentes declarações do Pe. Schmidberger (ver CE 457):

A) No parágrafo IV, o Pe. Schmidberger diz que Dom Lefebvre buscava o reconhecimento mesmo depois das consagrações de 1988, mas falha em não mencionar que o Arcebispo estabeleceu condições: um retorno total da parte de Roma aos documentos antiliberais e antimodernistas dos Papas Tradicionais. O mesmo parágrafo afirma que a FSSPX não busca uma reaproximação com Roma, mas que esta a iniciou em 2000. O Pe. S. também não menciona que os encontros do GREC, que procurava “normalizar” a Fraternidade, começaram em 1997, com a bênção de Dom Fellay.

B) No parágrafo V, a carta afirma que Roma diminuiu grandemente suas condições para uma normalização, e que este, então, é o momento ideal para que nós a aceitemos. O Pe. S. falha em não compreender que a redução das exigências por parte de Roma se dá por que: 1 - a FSSPX já mudou a imagem de sua marca, e se tornou, então, mais agradável a Roma; 2 – Roma sabe que uma maior liberalização da FSSPX acontecerá naturalmente depois da normalização.

C) No parágrafo VI (respostas a objeções) # 3, o Pe. S. diz que a FSSPX não se silenciará depois da normalização. Mas, de fato, ela já vêm fazendo isso! E tem-no feito por anos! As reações da FSSPX a Assis 3, às Jornadas Mundiais da Juventude, às “canonizações/beatificações” dos papas J XXIII, JP II e Paulo VI, aos Sínodos da Família e à última Encíclica do Papa Francisco (Amoris Laetitia), e a outros escândalos não foram nada mais que submissos e leves “tapinhas na mão”. Assim, isto ficará pior depois da normalização, já que a FSSPX temerá perder o que tantas penas lhe tem custado para adquirir.

D) No parágrafo VI, # 4, o Pe. S. diz que temos de nos tornar tão úteis quanto for possível à Igreja, o que significa que a FSSPX deve ser normalizada para melhorar a Igreja desde seu interior. Minha resposta a isto é a mesma que em B e C: uma vez absorvida pela estrutura oficial modernista, a FSSPX, que já perdeu sua “salinidade”, será esmagada por más influências, e sua mensagem e suas ações terão paulatinamente menos efeito.

E) No parágrafo VI, #5, o Pe. S. diz que todo o ponto da situação é o seguinte: “Quem converterá quem?” E que precisamos ser fortes, e seremos nós os que converteremos os modernistas, assim que estivermos dentro. Este é o mesmo tipo de raciocínio que alguém que quer alugar um quarto num bordel para converter as prostitutas e seus clientes! É um pecado de presunção.

F) No parágrafo VI, #6, o Pe. S. diz que não estamos enfrentando os mesmos problemas e tentações que as outras comunidades tradicionais que se incorporaram a Roma e traíram o combate, porque elas normalmente começaram o processo com culpa, enquanto que, no caso da FSSPX, foi Roma que o iniciou em 2000. Minha resposta a esta é a mesma que em A: o GREC começou o processo em 1997, com a bênção de Dom Fellay.

G) No parágrafo VII (Conclusão), o Pe. S. diz que não devemos temer, porque a Fraternidade foi consagrada à BVM, e Ela nos protegerá. O que ele não menciona são as muitas congregações e pessoas consagradas a Ela que têm perecido desde o Vaticano II! Basta pensar nos Oblatos de Maria Imaculada, nos Servos de Maria, e em tantos outros! A BVM nunca ajudará aqueles que se colocam voluntariamente em ocasião de pecado e de destruição! Acreditar no contrário é zombar dela e de Deus! Mais uma vez, um pecado de presunção! Este não é o melhor caminho, para dizer o mínimo, para trabalhar na conversão de Roma e na reconstrução da Igreja!

E tudo o que resta dizer, quando a Fraternidade estiver “normalizada”, é: RIP FSSPX, e que Deus tenha piedade de nós!


Kyrie eleison.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

"Normalização canônica?", por Sua Excelência Reverendíssima Dom Tomás de Aquino, OSB.

Por Dom Tomás de Aquino
Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória - ES

O Rev. Padre Franz Schmidberger no dia 19 de fevereiro expôs as razões pelas quais lhe parece chegada a hora de normalizar a situação canônica da Fraternidade e, pode-se supor, as das comunidades amigas. 

Entre as razões apresentadas pelo antigo superior geral da Fraternidade São Pio X encontramos o fato de Dom Lefebvre ter procurado uma regularização canônica para sua congregação. Isso é em parte exato em parte inexato. 

Falando de Dom Antônio de Castro Mayer, Dom Lefebvre dizia (creio que em 1985) que era necessário que o Bispo emérito de Campos compreendesse que era necessário entrar na ilegalidade. Dom Antônio, apesar de uma análise profundamente teológica da crise atual, permanecia preso à uma legalidade que o paralisava. Por receio da ilegalidade Dom Antônio não ordenou nenhum padre entre 1984, data em que foi forçado a deixar a função de Bispo titular de Campos, e 1988, data das sagrações dos quatro Bispos da Fraternidade São Pio X. Dom Lefebvre entendia melhor o que diz São Paulo, “a letra mata e o espírito vivifica.” Ele havia discernido o golpe de mestre de Satanás que foi o de ter lançado toda a Igreja na desobediência à Tradição, por obediência. A virtude da obediência utilizada contra a sua finalidade. O bem a serviço do mal. 

Que Dom Lefebvre tenha procurado uma solução canônica é evidente, mas que ele não a encontrou é mais evidente ainda. E ele não a encontrou porque ela não existia e não existirá enquanto Roma estiver ocupada pelos inimigos da realeza universal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi por isso que Dom Lefebvre sagrou quatro bispos em 1988. Ele teria sagrado provavelmente mais se Dom Antônio de Castro Mayer tivesse designado alguns padres para receber o episcopado, como lhe fora proposto atráves de Dom Gerard que veio ao Brasil em 1987 com a missão de fazer este pedido a Dom Antônio. 

Dom Lefebvre pensava que Dom Antônio poderia ter recusado de abandonar cargo e poderia ter escolhido o seu sucessor fazendo frente a Roma modernista para preservar sua diocese dos erros atuais. 

Dom Lefebvre queria sim uma solução canônica, mas uma solução canônica que não fosse falsa mas sim verdadeira. 

Para o Pe. Schmidberger o momento parece ter chegado para esta normalização verdadeira, já que Roma não fala mais de aceitação do Vaticano II nem de legitimidade do Novus Ordo, Ele diz também que a Fraternidade não se calará a respeito dos erros modernos. 

Para mim tenho que estas garantias são bastantes frágeis pois Dom Gerard e Campos diziam também que nenhuma limitação lhes seria imposta no combate anti-modernista. Eles nos prometeram continuar o combate e alguns chagaram mesmo a dizer que era agora que o combate ia começar de verdade porque eles lutariam dentro da Igreja. Pura ilusão como os fatos mostraram. Ilusão e falsa doutrina como se a Tradição estivesse fora da Igreja. 

Dom Lefebvre via bem estas ilusões em Dom Gerard. Enquanto reinar o modernismo em Roma toda esperança de uma verdadeira normalização será vã. 

O Pe. Schmidberger diz também que a Resistência perdeu o sentido e o amor da Igreja. Certamente nós devíamos ter mais virtude, mais fé e mais caridade. No entanto, podemos dizer em nossa defesa que na Resistência se estuda a Pascendi, o Syllabus, Quanta Cura, Quas Primas, Quadragesimo Ano, etc. Na Resistência se lê “A História do Catolicismo Liberal” do Padre Emmanuel Barbier. Na Resistência se traduz em português e se edita o livro “Pierre m'aime tu? De Daniel le Roux. Na Resistência se publica o “Le Sel de la Terre” e se tem veneração por Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer. Suas obras são estudadas e explicadas aos fiéis. 

Se não fazemos mais é por nossa culpa, mas fazemos alguma coisa e esta alguma coisa creio que o fazemos por ter o sentido e o amor da Igreja. 

Que Deus aumente em nós esse amor à Igreja por intercessão do Imaculado e Doloroso Coração de Maria.


+ Tomás de Aquino, OSB.