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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Comentários Eleison DLXV (565) - Sonhos Piedosos - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

12 de maio de 2018

Pobre Menzingen perdida em seus sonhos piedosos.
A gentileza neomodernista não é o que parece.


      Em junho do ano passado um confrade na França escreveu um bom artigo sobre se a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deveria ou não obter das autoridades da Igreja em Roma um status canônico que protegeria os interesses da própria Fraternidade. Obviamente, o quartel general desta em Menzingen, na Suíça, acredita que obterá tal status, e se o atual Superior Geral for reeleito para um terceiro mandato em julho, esse é o objetivo que a Fraternidade continuará a perseguir. No entanto, é bastante menos óbvio que esse objetivo deva ser perseguido. Um argumento de oito páginas inteiras de Ocampo nº 127 de junho de 2017 está resumido abaixo em uma única página.

      A posição do artigo é a de que a Fraternidade não pode de modo nenhum colocar-se sob as poderosas autoridades da Igreja imbuídas dos princípios da Revolução Francesa tal como incorporados no Vaticano II, porque são os Superiores que moldam os assuntos, e não o contrário. Dom Lefebvre fundou a Fraternidade para resistir à traição da fé católica pelo Vaticano II. Ao submeter-se aos conciliaristas, a Fraternidade estaria unindo-se aos traidores da Fé.

      As autoridades da Igreja são os bispos diocesanos e o Papa. Quanto aos bispos, aqueles francamente hostis à Fraternidade podem ser menos perigosos do que aqueles que podem ser amigáveis, mas não entendem as exigências absolutas da Tradição Católica, que não são apenas exigências da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Quanto ao Papa, se suas palavras e ações o mostram trabalhando contra a Tradição Católica, a qual é seu dever defender, então os católicos têm o direito e o dever de protegerem-se a si mesmos tanto contra o modo pelo qual ele está abusando de sua autoridade, como contra a própria necessidade inata deles de seguir e obedecer à autoridade católica. Ora, em teoria, um Papa conciliar pode prometer uma proteção especial para a Tradição da Fraternidade, mas na prática ele deve, por suas próprias convicções, esforçar-se para que a Fraternidade reconheça o Concílio e abandone a Tradição. Dada então sua grande autoridade como Papa para impor sua vontade, a Fraternidade deve manter-se fora de seu caminho.

      A experiência mostra que os tradicionalistas que se incorporam à Roma conciliar podem começar simplesmente guardando silêncio sobre os erros conciliares, mas geralmente acabam por aceitar esses erros. O acordo inicial para ficarem silenciosos é, no final das contas, fatal para sua profissão de fé. E pelo declínio natural de um compromisso a outro, eles podem até acabar perdendo a Fé. Foi a Fé que fez o Arcebispo Lefebvre dizer que, a menos que os romanos conciliares voltem à doutrina das grandes encíclicas papais antiliberais – o que eles não fizeram desde o seu tempo e não estão prestes a fazer no momento –, um diálogo maior entre os romanos e os tradicionalistas é inútil, e – ele poderia ter acrescentado – positivamente perigoso para a Fé.

      O artigo também lista oito objeções a essa posição, apresentadas aqui em itálico com as mais breves das respostas:

1 Com a Prelazia Pessoal, Roma oferece à Fraternidade uma proteção especial. Proteção dos bispos diocesanos, talvez, mas não da autoridade suprema do Papa na Igreja.  2 As exigências de Roma para o acordo vêm diminuindo. Somente porque as concessões à cooperação prática são mais eficazes para obter a submissão dos católicos, como bem sabem os comunistas. 3 A Fraternidade insiste em ser aceita por Roma “tal como somos”, isto é, Tradicional. Para os Romanos, isso significa “como vocês serão, uma vez que a cooperação prática tenha feito vocês verem como somos bons”. 4 Assim, a Fraternidade continuará a atacar os erros do Concílio. Nada há de mudar. Roma pode em seu tempo insistir em mudanças cada vez maiores. 5 Mas o Papa Francisco gosta da Fraternidade!  Tanto quanto o grande Lobo Mau gostava de Chapeuzinho Vermelho! 6 A Fraternidade é virtuosa demais para deixar-se enganar por Roma. Tola ilusão! O próprio Arcebispo foi inicialmente enganado pelo Protocolo de 5 de maio de 1988. 7 Várias comunidades tradicionais incorporaram-se à Roma sem perder a verdadeira Missa. Mas várias delas passaram a defender erros importantes do Concílio. 8 O Papa Francisco como pessoa está no erro, mas sua função é sagrada. Reconhecer a sacralidade de sua função não pode-me obrigar a seguir seus erros pessoais, isto é, o mau uso de sua função. A verdadeira Fé está acima do Papa.

   
      Kyrie eleison.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Comentários Eleison DX (510) - Predições Sobre a Igreja

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
 
22 de abril de 2017


Tudo no horizonte da Igreja é obscuro, obscuro.
Mas não tenha dúvida - Deus salvará a barca de Pedro.

Como seria de esperar, tem havido não pequenas reações de leitores ao retrato da Fraternidade Sacerdotal São Pio X "declinando lentamente", como apresentado em dois números recentes destes "Comentários". A reação mostra que nem todos os católicos estão cegos ou sem pensar. Aqui estão dois leitores especulando, um sobre o futuro próximo da Fraternidade, o segundo sobre o futuro mais distante da Igreja. Eis o primeiro:

A desestabilização, a confusão e o abrandamento das mentes dos sacerdotes e leigos da Fraternidade, infelizmente continuarão, e para muitos se tornará ainda mais doloroso, porque a liderança atual da Fraternidade perseverará e continuará seguindo em frente com o jogo que estabeleceu com os semiconservadores. A consagração dos bispos "urgentemente necessários" (Dom Tissier) não será mencionada. E quando a eleição dos superiores da Fraternidade já não puder ser evitada no Capítulo Geral normalmente previsto para julho de 2018, os atuais líderes da Fraternidade farão tudo o que estiver ao seu alcance para assegurar que sua busca pelo reconhecimento por Roma continue ininterrupta.

Dependendo de quantas orações sejam feitas para o resgate da fortaleza da verdadeira Fé construída pelo Arcebispo Lefebvre, o Deus Todo-Poderoso pode intervir com um milagre para salvá-la, mas humanamente falando, dir-se-ia que a podridão se alastrou muito para que ela seja salva. Assim, o apostolado mundial da Fraternidade necessita urgentemente de alguns bispos novos e mais jovens, mas como eles podem ser escolhidos para servir a verdadeira Fé anticonciliar sem se indispor com os romanos conciliares que são os únicos que podem dar à Fraternidade o reconhecimento tão desesperadamente perseguido pelo Quartel General da Fraternidade em Menzingen? O Arcebispo Lefebvre disse em 1988 que essa perseguição seria a "Operação Suicídio" da Fraternidade, mas desde quando os liberais ao fazerem cruzada já recuaram? A cruzada pela sua Admirável Nova Ordem Mundial é sua verdadeira religião, esqueça o catolicismo.

O segundo leitor pressupõe que o suicídio da Fraternidade é um trato feito, e ele olha para o futuro da Fé sem a Fraternidade, mais de um ponto de vista divino.

O silêncio que vem de Écône sobre a 'regularização' no momento é ensurdecedor. Parece que o acordo é, na realidade, um "fato consumado". Nesse caso, podemos agora voltar a nossa atenção para o longo caminho de recuperação e cuidado que os Refugiados Católicos Tradicionais certamente precisarão. Uma restauração da ordem a partir do caos e um bote salva-vidas para agarrar, enquanto o navio de Roma que afunda suga os fracos na fé para o fundo do mar. A Fé está diminuindo ou simplesmente se purgando daqueles que têm sido infiéis? Deus nos ajude!

Quando pensamos no futuro da Igreja hoje, devemos ter em mente que a situação é tão dramática que tudo pode acontecer, ou seja, que ninguém sabe de nada, porque se a Fraternidade que tem atuado como uma boia para a Verdadeira Fé por 40 anos está realmente afundando, então o que ainda impede a Roma Conciliar de sugar os fracos na fé até o fundo do mar? Mas Deus é Deus, e Ele pode intervir a qualquer momento e de várias maneiras para interromper o caminho da Sua Igreja para a destruição. No entanto, o pessimismo humano deste leitor parece bem justificado neste momento.

Menos fácil de entender é seu otimismo pelo futuro de uma restauração da ordem e o lançamento de um bote salva-vidas, se os Papas permanecerem conciliares. Pois se há alguma lição a extrair da história da "Resistência" desde 2012, é a extrema dificuldade de fundar uma obra católica sem a aprovação do que pelo menos parece ser a Igreja oficial. A Verdade Católica é imensamente forte por si mesma, mas sem o apoio e a proteção da Autoridade Católica, que é a autoridade de Nosso Senhor, a Verdade permanece altamente vulnerável. Por exemplo, dentro de uma estrutura de autoridade um sacerdote pode facilmente submeter-se a uma proposição com a qual ele discorda, mas fora de qualquer estrutura, ele pode facilmente contestar a sabedoria da mais sábia das proposições.

Paciência. O problema é insolúvel. Oremos e esperemos que o Deus Todo-Poderoso nos atordoe com a Sua solução!


Kyrie eleison.

sábado, 13 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 15

Mosteiro da Santa Cruz

13 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12) 

     Dom Gerardo Zendejas foi sagrado no dia 11 de maio por Sua Exa. Revma. Dom Richard Williamson tendo como co-sagrantes Sua Exa. Dom Jean Michel Faure e o autor destas linhas.

     Ao sagrar os quatro Bispos da Fraternidade São Pio X em 30 de junho de 1988, Dom Marcel Lefebvre lhes indicou duas funções: administrar os sacramentos e assegurar a pregação da fé.

     A razão destas sagrações de 1988 era a gravidade da situação em Roma. Dom Lefebvre dizia: “Eles não mudaram senão para pior”. Hoje nós devemos, infelizmente, dizer o mesmo. Eis porque a operação sobrevivência iniciada por Dom Lefebvre continua hoje com a sagração de Dom Gerardo Zendejas, que deverá administrar os sacramentos e assegurar a pregação da fé católica, para a maior glória de Deus e salvação das almas.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 13

Mosteiro da Santa Cruz
29 de abril de 2017


“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)


     Se Deus quiser, uma nova sagração virá, no dia 11 do próximo mês, reforçar as fileiras dos que combatem pela fé e pela honra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     É a divindade de Nosso Senhor que nos dá a certeza de que nosso combate é o bom combate. Lutar para defender os direitos de Nosso Senhor sobre toda criatura, sobre todos os povos, sobre todas as nações não pode ser senão o bom combate.

     Esta sagração se fará no mês de maio e está assim sob a proteção do Imaculado Coração de Maria, do qual devemos esperar a salvação do mundo e o restabelecimento da realeza de seu divino Filho.

     No prolongamento das sagrações de 1988 queremos simplesmente continuar a obra de Dom Marcel Lefebvre, a cujo heroísmo deve-se o não terem triunfado as portas do Inferno contra a Santa Igreja Católica.




+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

sábado, 1 de abril de 2017

A Doutrina e a Ação


Non Possumus    

     Nos anos 60, o Concílio Vaticano II conseguiu impor, sem grandes dificuldades, todo um ensinamento doutrinal contrário à doutrina tradicional da Igreja. Todos aqueles erros que haviam sido condenados pelo Magistério dos Papas anteriores, apareceram de imediato reabilitados, divulgados, aceitados e praticados, mesmo que aparentemente sem nenhuma ruptura, mediante documentos deliberadamente ambíguo, mas não tanto para que não se pudesse entender aqueles erros que se queriam impor. Alguém se questiona: como pôde ter ocorrido tal coisa? Como os católicos puderam aceitar que de um dia para o outro a Igreja começara a ensinar o oposto que até então havia ensinado? A resposta está na ignorância religiosa da maioria dos católicos de então, e na covardia dos hierarcas da Igreja que não foram partícipes diretos da subversão conciliar.
 
      Se vê claramente que os católicos daquele tempo não conheciam os documentos do Magistério, e quiçá nem sequer bem seu Catecismo. Os magníficos ensinamentos das encíclicas contra os erros modernos de todos os últimos Papas, haviam sido passadas por alto, encobertas, desdenhadas, dando lugar a uma obediência cega, obsequente, cômoda, pela figura do Papa. O render culto ao “doce Cristo na terra” servia de justificativa para evitar os deveres próprios do cristão, em particular a formação sobre as verdades reveladas e na recepção dos ensinamentos magisteriais, verificando se as mesmas se correspondiam ou não com o ensinamento da Tradição (cf. advertência de S. Paulo). Uma despreocupação pela verdade, estimulada pela nova era de conforto trazida pelas repúblicas democráticas, mais um sentimento de orgulho ante o que parecia – americanismo como meio – um triunfo da Igreja no mundo (o “cinquentismo”), criaram o ambiente propício para que os católicos, tendo baixado a guarda, tragaram para si toda a revolução conciliar, sem quase adverti-la e nem ao menos resisti-la. O trabalho combinado das lojas e dos meios de comunicação, além do próprio desinteresse dos católicos pela verdade, renderam seus frutos à Contra-Igreja. A batalha doutrinal modernista foi quase inteiramente ganha, exceto por um pequeno grupo encabeçado por um arcebispo, Mons. Marcel Lefebvre, que amava e conhecia a verdade e teve a graça de resistir. Então a Tradição foi salva.
 
     Quarenta anos depois, a Contra-Igreja já não podia tolerar mais que este grupo recalcitrante, muito maior em número, em obras, em repercussão, continuasse sua tenaz oposição à revolução conciliar. A igreja conciliar havia tentado todas as manobras, todas as argúcias, para intentar submeter a congregação do intransigente Arcebispo. Todas fracassaram. Por quê? Porque em meio a estes estratagemas, estava sempre presente o tema doutrinal. E, diferentemente do que passou nos anos 60, os “lefebvristas” tinham muito claro o problema doutrinal da Roma modernista. Por esse lado, não seria possível capturar a tão ansiada presa. É assim que um astuto político tornado Papa, recebeu a empreitada de pescar em fim o peixe – que havia mordido fazia tempo o anzol – da água, para levá-lo a uma peixaria de Roma.
 
     A manobra, então, não apontou a doutrina, senão a ação. Por demais atentos à doutrina, a subversão dos agentes liberais de dentro se centrou na forma de atuar com Roma, que mudou e se opôs à forma de atuar anterior. A doutrina foi deixara a um lado, para centrar o foco na maneira de atuar da congregação. Ninguém questionaria em Roma sua defesa da doutrina, senão seu modo “restritivo”, quase “sectário” de defendê-la. Era preciso compartilhar essa doutrina com os outros, e para isso, voltar a Roma, pois senão se corria o risco de tornar-se “cismáticos”. “É cismático não o que não obedece senão o que não convive. Por isso estaria mais na Verdade o ecumênico rabino que o isolado Mons. Lefebvre” (Pe. Calderón, “A Candeia Embaixo do Alqueire”, p. 127, em espanhol). Mas, como os membros da congregação não viam esta manobra astuta dos inimigos romanos para procurar capturá-los? Simples: eles não esqueceram a doutrina, mas esqueceram a forma de atuar de seu fundador. Mediante a linguagem ambígua ou a dupla linguagem, em cada ocasião sobre Roma sempre pareceu continuar ileso o tema doutrinal. Então não pareceu que se corria risco ao continuar os diálogos, as negociações, a tratativas, os encontros cordiais, com os liberais de Roma, Assim como os católicos cinquentistas fechavam os olhos ante tudo o que vinha desde o Papa, assim estes “lefebvristas” fechavam os olhos ante tudo o que vinha de seu Superior Geral. Como já se criam na posse da verdade, e esta a tinham bem guardada em seus depósitos, não podiam perdê-la, não deviam temer o risco de deixar de tê-la, não necessitavam revisar suas vasilhas de barro, para ver se conservavam todo o conteúdo ou não. Acreditaram-se seguros, porque tinham a boa doutrina. E esqueceram que os inimigos não só podem estar defronte, como também que a manobra mais exitosa do inimigo é infiltrar-se dentro das próprias filas. Mais ainda, nos mais altos postos das próprias filas.
 
     “O que fazia falta na tormenta que ameaça afundar a barca de Pedro, não era justamente o Concílio (Vaticano II), mas sim que a mão firme do Papa manteve o timão na direção dos princípios de sempre, pois parece certo que o nosso não é tempo de especulação, mas sim de ação”. Esta citação do Pe. Calderón (de seu livro “A Candeia Embaixo do Alqueire”, os negritos são nossos) nos leva a dizer (coisa que não diz ou não vê o próprio Pe. Calderón) que o que fazia falta na tormenta que ameaçava a Tradição (e a FSSPX) não eram justamente diálogos e negociações com Roma, senão que o Superior geral manteve o timão na direção dos princípios de sempre, ensinados por Mons. Lefebvre, que podem resumir-se nesta frase: “Todo sacerdote que queira permanecer católico tem o estrito dever se separar-se desta igreja conciliar.” Mas Mons. Fellay é um diplomático, Mons. de Galarreta um político, e Mons. Tissier um teórico, nenhum dos quais estava preparado para a ação de combate nesta guerra entre a Igreja e a Contra-Igreja. O único bispo de ação contrarrevolucionária foi Mons. Williamson, alguém que compreendeu melhor que os outros a Mons. Lefebvre, o qual entendeu perfeitamente que a doutrina não se sustenta por si mesma, mas sim por aqueles homens que combatem por ela. Hoje, associados ao bispo inglês, temos a outros dois bispos íntegros, fiéis filhos de Mons. Lefebvre: Mons. Faure e Mons. Dom Tomás de Aquino OSB. E proximamente a um quarto, Pe. Zendejas. Os bispos, como afirma São Pio X, devem preservar as almas dos erros e das seduções que por todas as partes saem ao caminho, devem instruí-las, preveni-las, animá-las e consolá-las (cfr. "Vehementer nos”). Lhes pedimos que sigam por este caminho, com mão firme no timão. E para isso procuramos ajudá-los filialmente, desde estas páginas ou desde a trincheira donde Deus nos queira usar.
 
Qual manobra utilizará o inimigo para intentar sucumbir a esta pequena Resistência? No momento, contra esses dois erros fatais que sempre mencionara Mons. Lefebvre, o ralliement liberal com Roma, e o farisaico sedevacantismo, desde a SAJM foram tomadas as medidas necessárias – desde seus próprios estatutos – para colocar-se em guarda contra eles. Mas, como os homens são débeis e o diabo não descansa, deverá se estar sempre em guarda, com os olhos abertos, e de joelhos implorando, à espera do triunfo de Maria, de seu Imaculado Coração.


     Juan Infante

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Comentários Eleison CDXCVIII (498) - Aliado Benevolente?

Por Dom Richard N. Williamson
28 de janeiro de 2017


Um bispo do V II deseja o bem aos tradicionalistas?
Mas pode ele ver como o V II leva ao Inferno?


O bispo Athanasius Schneider, nascido na Alemanha, mas atualmente bispo de Astana no Cazaquistão, deu-se a conhecer aos tradicionalistas nos anos recentes pelas suas muitas declarações ao menos aparentemente simpatizantes à Tradição Católica. Por exemplo, no ano passado associou-se publicamente aos questionamentos dos quatro Cardeais sobre a doutrina do Papa Francisco no documento papal, Amoris Laetitia. Quando ele próprio faz tanto para criticar o balanço da Igreja à “esquerda”, pode não entender ou apreciar um ataque pela “direita”, mas é a Verdade que está em jogo, não nossas pequenas personalidades. Vossa Excelência, muito obrigado por ter tido a coragem de ter defendido a verdade abertamente, mas compreenda que a Verdade total é muito mais forte, e mais exigente, do que o senhor pensa. O senhor deu recentemente uma entrevista ao Adelante la Fe. Por favor, não torne pessoal se eu citar (em itálico), algumas de suas respostas e as criticar:

Estou convencido de que nas presentes circunstâncias, Dom Lefebvre aceitaria a proposta canônica de Roma de uma Prelatura Pessoal sem hesitação.

Vossa Excelência, isso é impossível. O Arcebispo Lefebvre acreditou, e provou por argumentos da teologia e da História da Igreja, que o Vaticano II foi uma traição, sem precedentes, da parte das mais altas autoridades na Igreja, a 1900 anos de doutrina imutável desta. Mas a Roma oficial ainda está seguindo aquele Concílio objetivamente traidor. Consequentemente, colocar a FSSPX sob esta Roma seria como colocar a raposa como vigia do galinheiro. O Arcebispo sempre esperou que Roma se corrigisse. Isso ainda não aconteceu.

Dom Lefebvre foi um homem com um profundo “sensus ecclesiae”, ou senso da Igreja.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

"Normalização canônica?", por Sua Excelência Reverendíssima Dom Tomás de Aquino, OSB.

Por Dom Tomás de Aquino
Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória - ES

O Rev. Padre Franz Schmidberger no dia 19 de fevereiro expôs as razões pelas quais lhe parece chegada a hora de normalizar a situação canônica da Fraternidade e, pode-se supor, as das comunidades amigas. 

Entre as razões apresentadas pelo antigo superior geral da Fraternidade São Pio X encontramos o fato de Dom Lefebvre ter procurado uma regularização canônica para sua congregação. Isso é em parte exato em parte inexato. 

Falando de Dom Antônio de Castro Mayer, Dom Lefebvre dizia (creio que em 1985) que era necessário que o Bispo emérito de Campos compreendesse que era necessário entrar na ilegalidade. Dom Antônio, apesar de uma análise profundamente teológica da crise atual, permanecia preso à uma legalidade que o paralisava. Por receio da ilegalidade Dom Antônio não ordenou nenhum padre entre 1984, data em que foi forçado a deixar a função de Bispo titular de Campos, e 1988, data das sagrações dos quatro Bispos da Fraternidade São Pio X. Dom Lefebvre entendia melhor o que diz São Paulo, “a letra mata e o espírito vivifica.” Ele havia discernido o golpe de mestre de Satanás que foi o de ter lançado toda a Igreja na desobediência à Tradição, por obediência. A virtude da obediência utilizada contra a sua finalidade. O bem a serviço do mal. 

Que Dom Lefebvre tenha procurado uma solução canônica é evidente, mas que ele não a encontrou é mais evidente ainda. E ele não a encontrou porque ela não existia e não existirá enquanto Roma estiver ocupada pelos inimigos da realeza universal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi por isso que Dom Lefebvre sagrou quatro bispos em 1988. Ele teria sagrado provavelmente mais se Dom Antônio de Castro Mayer tivesse designado alguns padres para receber o episcopado, como lhe fora proposto atráves de Dom Gerard que veio ao Brasil em 1987 com a missão de fazer este pedido a Dom Antônio. 

Dom Lefebvre pensava que Dom Antônio poderia ter recusado de abandonar cargo e poderia ter escolhido o seu sucessor fazendo frente a Roma modernista para preservar sua diocese dos erros atuais. 

Dom Lefebvre queria sim uma solução canônica, mas uma solução canônica que não fosse falsa mas sim verdadeira. 

Para o Pe. Schmidberger o momento parece ter chegado para esta normalização verdadeira, já que Roma não fala mais de aceitação do Vaticano II nem de legitimidade do Novus Ordo, Ele diz também que a Fraternidade não se calará a respeito dos erros modernos. 

Para mim tenho que estas garantias são bastantes frágeis pois Dom Gerard e Campos diziam também que nenhuma limitação lhes seria imposta no combate anti-modernista. Eles nos prometeram continuar o combate e alguns chagaram mesmo a dizer que era agora que o combate ia começar de verdade porque eles lutariam dentro da Igreja. Pura ilusão como os fatos mostraram. Ilusão e falsa doutrina como se a Tradição estivesse fora da Igreja. 

Dom Lefebvre via bem estas ilusões em Dom Gerard. Enquanto reinar o modernismo em Roma toda esperança de uma verdadeira normalização será vã. 

O Pe. Schmidberger diz também que a Resistência perdeu o sentido e o amor da Igreja. Certamente nós devíamos ter mais virtude, mais fé e mais caridade. No entanto, podemos dizer em nossa defesa que na Resistência se estuda a Pascendi, o Syllabus, Quanta Cura, Quas Primas, Quadragesimo Ano, etc. Na Resistência se lê “A História do Catolicismo Liberal” do Padre Emmanuel Barbier. Na Resistência se traduz em português e se edita o livro “Pierre m'aime tu? De Daniel le Roux. Na Resistência se publica o “Le Sel de la Terre” e se tem veneração por Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer. Suas obras são estudadas e explicadas aos fiéis. 

Se não fazemos mais é por nossa culpa, mas fazemos alguma coisa e esta alguma coisa creio que o fazemos por ter o sentido e o amor da Igreja. 

Que Deus aumente em nós esse amor à Igreja por intercessão do Imaculado e Doloroso Coração de Maria.


+ Tomás de Aquino, OSB.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Contradições Conciliares


Os acordos de 1988



Os acordos de 1988



Carta da Congregação para a Doutrina da Fé a Dom Gérard Calvet



Roma, 25 de julho de 1988



Reverendo Padre,



Em resposta à carta que o senhor enviou ao Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, aos 8 de julho último, e à sua Súplica ao Santo Padre, datada do mesmo dia, o Cardeal Prefeito dessa Congregação e o Cardeal Presidente da Comissão especial instituída segundo os termos do Motu Proprio “Ecclesia Dei”, do dia 2 de julho de 1988, têm o agrado de lhe comunicar o que segue.

Durante uma Audiência concedida ao Cardeal Joseph Ratzinger, aos 23 de julho de 1988, o Soberano Pontífice quis bondosamente:

1. Levantar todas as censuras e irregularidades — em consequência da recepção das Ordens sagradas das mãos de S. Exa. Dom Marcel Lefebvre quando estava suspenso “a divinis” — às quais incorreram todos os membros das comunidades de Sainte-Madeleine du Barroux e de Santa Cruz de Nova Friburgo que se encontrem nesse caso;

2. Conceder às duas mesmas comunidades a plena reconciliação com a Sé Apostólica, nas condições já oferecidas pelo Cardeal Paul Augustin Mayer por ocasião de sua visita ao Mosteiro do Barroux, aos 21 de junho de 1988, e de acordo com o parágrafo 6º do Motu Proprio “Ecclesia Dei”, a saber:

o uso, em privado ou em público, dos livros litúrgicos em vigor em 1962, para os membros das comunidades e para aqueles que frequentam suas casas religiosas;

a possibilidade de pedir a um bispo, segundo as regras canônicas em vigor, para conferir as Ordens segundo o Pontificial concedido, havendo o superior de cada casa autônoma expedido as cartas dimissórias;

o direito de os fiéis receberem os Sacramentos, segundo os livros outorgados, nas casas das comunidades, tendo em conta os cânones 878, 896 e 1122 do CIC;

a possibilidade de desenvolver uma irradiação pastoral através de obras de apostolado e de conservar os ministérios atualmente assumidos pelas comunidades, tendo em conta os cânones 679-683.

Essas medidas entrarão em vigor a partir da recepção da presente carta. Quanto a outros eventuais problemas jurídicos, seriam submetidos à competência da Comissão especial encarregada da aplicação do Motu Proprio “Ecclesia Dei”.

Enfim, quanto à inserção das duas comunidades na Confederação Beneditina, o Cardeal Presidente da Comissão especial pede ao Revm. Abade Primaz que tome, de acordo com ele (o sobredito Cardeal, N. do T.), as disposições necessárias, tendo em conta as aspirações manifestadas a esse respeito em sua carta (de Dom Gérard, N. do T.), citada, do dia 8 de julho de 1988.

Devemos acrescentar que o Santo Padre, sensível aos sentimentos de fidelidade e de adesão que o senhor lhes manifestou, não duvida de seu sincero desejo de contribuir para o bem das almas através de seu apostolado e comunhão com ele e com todos os pastores da Igreja, e que ele conta muito particularmente com sua oração e a de seus irmãos.

Receba, Reverendo Padre, a expressão de nossos sentimentos de religioso devotamento no Senhor.



Joseph Card. Ratzinger                                                             Paul Augustin Card. Mayer



Declaração recusando as concessões da Congregação para a Doutrina da Fé



+

PAX



DECLARAÇÃO



Na qualidade de Prior do Mosteiro da Santa Cruz de Nova Friburgo R.J. Brasil após séria reflexão e oração diante de Deus, considerando minha responsabilidade por este mosteiro, pela minha salvação eterna, perante os meus superiores e confrades e perante a Santa Igreja, venho cumprir o dever de declarar o que segue:

O Mosteiro da Santa Cruz recusa o acordo formado entre a Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, na pessoa dos cardeais Ratzinger e Mayer, e Dom Gérard Calvet, Prior do Mosteiro de Santa Madalena do Barroux.

O nosso mosteiro da Santa Cruz foi incluído nos termos do acordo, que ora vimos recusar, sem que fôssemos consultados sobre o assunto, apesar de estarmos presentes no Barroux, quando se faziam as negociações e apesar de saberem nosso desagrado.

Os motivos desta recusa são os seguintes:

1 – Este acordo significa a nossa inserção e engajamento prático na “Igreja conciliar”. Esta inserção se infere dos cânones citados no sobredito acordo que nos colocam em estreito relacionamento com o Bispo diocesano e sob o seu controle. Ademais, conforme o cânon 967, que faz parte do acordo, o Bispo diocesano, cujos critérios são sempre os da Igreja Nova, tem o poder de nos expulsar da diocese.

2 – O acordo prevê nossa plena reconciliação com a Sé Apostólica segundo as normas do Motu Proprio “Ecclesia Dei”, documento que proclamou a excomunhão de Dom Marcel Lefebvre. Ora, nós nunca nos separamos da Santa Sé Apostólica e sempre professamos e continuaremos a professar perfeita comunhão com a Cátedra de Pedro. Separamo-nos sim da Roma modernista e liberal que patrocina o encontro de Assis e elogia Lutero. E com esta Roma não queremos nos reconciliar.

3 – O acordo é baseado no Motu Proprio “Ecclesia Dei”, que excomunga Dom Marcel Lefebvre. Portando, participando desse acordo, estaremos reconhecendo a injustiça praticada contra Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer e os quatro novos bispos, cuja excomunhão foi nula de pleno direito. Nós não somos seguidores de Dom Antônio e de Dom Lefebvre e sim da Igreja Católica. Mas na hora atual, em que esses dois baluartes da Fé foram os únicos a terem a coragem de levantar sua voz contra a auto-demolição da Igreja não nos é possível nos dissolidarizarmos deles. Assim como no século IV, no tempo do Arianismo, era sinal de ortodoxia estar “em comunhão com Atanásio” (e não com o Papa Libério), assim estarmos unidos a Dom Antônio e Dom Lefebvre é um sinal de fidelidade à Igreja de sempre. São Paulo eremita disso nos dá um exemplo pedindo a Santo Antão, patriarca dos cenobitas, que o sepultasse com o manto de Santo Atanásio para, segundo São Jerônimo, indicar que desejava morrer na fé e comunhão de Santo Atanásio, defensor da Fé ortodoxa contra a heresia ariana.

4 – O desejo manifesto de praticamente todos os nossos benfeitores brasileiros nos leva igualmente a recusar o acordo. Agindo assim estamos, aliás, respeitando o cânon 1300 do Código de Direito Canônico.

Aos nossos superiores sentimo-nos por amor à nossa fé e à nossa vocação, no dever de repetir as palavras de São Godofredo de Amiens e São Hugo de Grenoble ao Papa Pascoal II: “... valha-nos Deus, pois assim nos estaríeis afastando de vossa obediência.”

E São Bernardo nos ensina: “Aquele que faz um mal porque lhe mandam, faz menos um ato de obediência do que de rebeldia. Faz uma inversão das coisas: deixa de obedecer a Deus para obedecer aos homens.” (cf. Oeuvres Complètes de Saint Bernard – Charpentier Tome I Ep. VII).



na festa de São Bartolomeu Apóstolo

no ano de graça de 1988

ir. Tomás de Aquino OSB

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