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sábado, 18 de março de 2017

Neocatecumenato - Uma Seita Judaizante



    Um dos sintomas mais inquietantes da protestantização geral que se verificou no seio da Igreja católica a partir do pontificado de João XXIII é dado pela extraordinária difusão do caminho neocatecumenal, que muitos membros da hierarquia celebram como intérprete ideal dos impulsos inovadores promovidos pelo Concílio Vaticano II.
    Declarando alcançar o redescobrimento da vocação batismal aos seus próprios adeptos, o movimento fundado por Kiko Argüello e Carmen Hernández, alicerçado pelo decisivo apoio e das reiteradas aprovações dos Padres pós-conciliares, considera-se a si mesmo representante privilegiado de uma nova “Igreja”, febrilmente propensa a se livrar da tutela opressiva de estruturas hierárquicas e de princípios dogmáticos hostis à espontânea efervescência carismática, anunciadora de uma religiosidade mais vital e positiva.

***

    Com base em tais premissas, presunçosamente derivadas de uma “cultura” teológica aproximativa e superficial, os neocatecumenais se erigem como genitores de uma pseudo-evangelização que, desvinculando o evento da Ressurreição do caráter essencialmente expiatório da Redenção realizada por Nosso Senhor Jesus Cristo, priva a conotação sacrificial da Liturgia para reduzi-la a um convite profano dominado pela descomposta sentimentalidade de uma assembleia que nega também o valor do sacerdócio.
    Com inqualificável desconsideração, se intenta demolir o fundamento sobrenatural da Liturgia, centrada no dogma da Transubstanciação, em nome dos pretendidos “carismas” de personagens que beberam nas fontes envenenadas do pior protestantismo e foram rapidamente assumidos como líderes do neomodernismo que, desde há muitos anos, devasta a vida da Igreja.
    É doloroso constatar como a aberrante e diabólica dessacralização da Missa tem sido objeto de comprazidos apreços por parte de não poucos Pastores, para os quais o entreter-se das estridentes sonoridades e dos ridículos bailados que servem de marco às sacrílegas cerimônias neocatecumenais têm parecido uma válida alternativa à divina grandeza do Rito; mas, ainda que semelhante falsificação da Fé possa suscitar indignação e tristeza, será menos surpreendente se se pensa na sutil obra de desagregação perpetrada há decênios contra a Tradição e culminada nas escandalosas revalorizações da pseudo-teologia de Lutero.

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    Apesar da persistente heterodoxia que prejudica uma reta formação espiritual dos crentes, não receberam nenhuma atenção nem as denúncias embasadas relativas aos abusos litúrgicos cometidos pelos neocatecumenais (sacrilégios eucarísticos, desvalorização do sacramento da penitência em favor de “confissões públicas”, estimuladas mediante pressões psicológicas, etc.) nem as observações teológicas propostas por valentes sacerdotes como o padre Enrico Zoffoli, que revelou com autoridade as explícitas tendências heréticas do caminho de Kiko e Carmen.
    A raiz das anotações críticas expressadas por mons. Landucci em um artigo publicado em Sim Sim Não Não em 31 de janeiro de 1983, o citado autor, fazendo uso amplamente do texto “secreto” das catequeses redigidas pelos “líderes carismáticos” para deformar e desviar as mentes de seus sequazes, demonstrou que os neocatecumenais retomam a tese luterana do “servo arbítrio”, a qual, como é conhecido, afirma que a natureza humana, ao estar totalmente corrompida pelo pecado dos progenitores, não tem a capacidade de cooperar ativamente com a Graça divina na atuação de seu próprio fim último.

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    É evidente que o consenso explícito tributado por Papas e Bispos aos agentes da subversão anti-eclesiástica equivale a uma objetiva desaprovação do Magistério, culpavelmente ocultado pelo descaro sectário de grupos heréticos, afins por mentalidade ao Judaísmo e à Maçonaria.
    A boa fé daqueles que se unem a semelhantes grupos sem conhecer seu perigo não é razão suficiente para dissuadir aos católicos fiéis à Tradição do dever de desmascarar a grande apostasia carismática e neocatecumenal, que tende a se configurar como um cisma “legalmente” dirigido e encoberto pelos vértices da Igreja.
    
    Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam!

R. Pa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Sedevacantismo, ou uma conclusão à procura de premissas - Parte VI (Final)

Via Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória - ES


Professor Carlos Ancêde Nougué


9) Pressuposto, assim, tudo quanto se disse até aqui, deve-se dizer agora que a autoridade enquanto poder ou faculdade ativa é um habitus e, por conseguinte, um acidente predicamental; e, como todo acidente predicamental, não pode existir se não é recebido num sujeito. Que sujeito, ou antes, quem governa legitimamente e quem ilegitimamente? Governa legitimamente quem foi eleito legitimamente pela sociedade para receber a autoridade, e que não tem impedimento para recebê-la. Ilegitimamente aquele que tomou ilegitimamente a autoridade, ou por tê-lo feito sem designação legal, ou, ainda que validamente designado, por ter qualquer impedimento para receber a autoridade. Na sociedade civil, a instituição do sujeito da autoridade pertence ao conjunto da comunidade. “Segundo os tomistas em geral [também traduzimos aqui, à letra, uma frase do Padre Donald J. Sanborn], a comunidade inteira tem o direito de instituir ou escolher tanto a forma de governo quanto o sujeito que receberá a autoridade, mas a comunidade não transmite a própria autoridade, como sustentaram alguns, em particular Suárez. A comunidade simplesmente propõe um sujeito de autoridade. Mas é Deus quem dá a autoridade.” Assim, para que o rei, numa monarquia hereditária, receba legitimamente a autoridade, é mister que o povo aceite, pelo menos implicitamente, o sistema monárquico hereditário. Tudo isso, porém, tem que ver com o governo civil; já a constituição da Igreja, por seu lado, provém de Cristo, é imutável e de modo algum depende da aprovação da comunidade de fiéis. E, ao contrário do que se dá na sociedade civil, os elementos essenciais da constituição da Igreja se estabeleceram por disposição divina direta. A forma que lhe deu Cristo é monárquica, e nem o papa, que enquanto vigário de Cristo desfruta da mesma autoridade que Ele, pode alterá-la.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Carta de São Pio X ao bispo de Limerick sobre os escritos do Cardeal Newman

CARTA

Na qual o Papa [São] Pio X aprova a obra do Bispo de Limerick sobre os escritos do Cardeal Newman
.


Brasão de S. S. São Pio X



Ao Nosso Venerável Irmão Edward Thomas, Bispo de Limerick

Venerável Irmão, saúde e bênção apostólica.

Pela presente informamos que Aprovamos o vosso ensaio, no qual mostrais que os escritos do Cardeal Newman, longe de estarem em desacordo com a Nossa Carta Encíclica Pascendi, estão em estreita consonância com a mesma: pois não pudestes ter servido melhor tanto a verdade quanto ao eminente mérito do homem.

Parece que aqueles cujos erros Condenamos em nossa Carta estabeleceram como regra fixa a busca de aprovação do nome de um ilustríssimo homem para as próprias coisas que eles mesmos inventaram. E assim, afirmam, livremente, que tomaram certas posições fundamentais extraídas daquela origem e fonte, e que, por essa razão, não Podemos condenar as doutrinas que lhes são próprias sem, ao mesmo tempo e ainda mais, em prioridade de ordem, condenar o ensinamento de tão eminente e grande homem.

sábado, 23 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXXI (471) - Academia Diagnosticada


Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Cristoph Klug
23 de julho de 2016


Se a Academia hoje carece de rima e razão
É porque os homens da Igreja cometeram traição.



Quando sua Excelência perguntou como estudante de História, se estava de acordo com o senhor em que a fenomenologia agnóstica condenada na Pascendi é a maior e única chave para entender a cena moderna, concordei brevemente. Logo me perguntei como os homens, especialmente os eruditos, puderam tomar seriamente a insensatez de que a mente não pode conhecer nada mais além dos fenômenos, ou aparências. E lembrei como, pelo fato de estar sentado em classes da Universidade pelos últimos três anos e meio e escutando cuidadosamente a alguns brilhantes professores que parecer ter senso da realidade, e a outros muitos que não, comecei e me perguntar por que alguns têm um grande senso de razão e outros com os mesmos ou semelhantes Títulos de Doutorado, têm adotado essas ideias selvagens e irracionais. Permita-me que lhe dê a resposta deste observador da cena acadêmica desde há muito tempo...

Depois de haver refletido um pouco, ocorreu-me que os professores mais lógicos eram católicos, porque eles podem ser conservadores no melhor dos casos, mas têm uma visão realista do mundo. As ideias e conceitos que ensinam são, em sua maioria, sensatas. Por outro lado, os ensinamentos da maioria dos professores são dúbios, confusos e insensatos. Eles professam ideias estranhas e bizarras e as respaldam com meias verdades. Adotam quase qualquer noção que esteja em moda como o Aquecimento Global ou Mudança Climática (a nova “Evolução”) e a mostram como verdade. Seu raciocínio por trás destas noções é insensatez pura e não resiste à menor análise. Comecei a me perguntar como podem estes homens eruditos serem tão ignorantes? Após muito pensar, cheguei à conclusão do que estou seguro de que seja a verdadeira resposta.

Dado que os professores que são mais sensatos são homens que ao menos se esforçam por ser católicos, parece razoável pensar que eles possuam algo que os pagãos não têm. Antes da revolta de Martim Lutero, a maioria dos acadêmicos ou homens eruditos eram católicos que usavam sua razão e possuíam senso comum, e por isso a maioria ensinou e creu na mesma verdade. Quando Lutero fez estragos na Igreja também fez estragos nos clérigos eruditos e professores universitários. Em particular, sua nova religião eliminou o Sacramento da Confirmação pelo qual sabemos que os católicos recebem os sete Dons do Espírito Santo, quatro dos quais são para a mente: Ciência, Sabedoria, Entendimento e Conselho. Todos os quatro agora estão ausentes nos agnósticos professores de hoje. Estes bem podem ser pessoas bem educadas, eruditas, mas não podem fazer uso de seu conhecimento de uma maneira razoável ou aplicá-lo à realidade. Como Pio X disse, eles desenvolvem fantasias e as mostram como verdadeiras e, mais ainda, convencem-se a si mesmos que eles são brilhantes quando de fato estão chafurdando em ignorância. Eles são o culto do 2+2=5! E orgulhosos dele.

Nesta teoria, a destruição atual da academia proviria do abandono por parte de Lutero do Sacramento da Confirmação e às universidades da Europa tornando-se cada vez menos católicas. Eventualmente foram desatados milhares de professores no mundo da academia, que foram educados além de sua habilidade para raciocinar. Carecendo de Sabedoria, Entendimento, Ciência e Conselho em seu sentido mais elevado como Dons de Deus, eles desenvolvem nas universidades a panóplia de erros de hoje ou “-ismos”. Por exemplo, afirmar que o Aquecimento Global destruirá o homem e o mundo é pura insensatez; mesmo assim é ensinado e crido nas universidades modernas como se fosse 2+2=4. E estas ideias venenosas são engolidas pela juventude ingênua nas Universidades como se fossem pão fresco, especialmente a ideia de que a Verdade é meramente o que cada um de nós acredita que é, e que se dane a Razão.

Então, acontece que quando o Vaticano II escolheu seguir os passos de Lutero ao abandonar a Tradição e ao “renovar” o sacramento da Confirmação de uma maneira tal para ameaçar sua validade, os Católicos também fizeram perigar os Dons do Espírito Santo e perderam correspondentemente a habilidade para raciocinar, porque a Confirmação da Neo-Igreja tem agora simplesmente por propósito torná-los “melhores Cristãos”.

Kyrie eleison.

sábado, 21 de maio de 2016

Comentários Eleison CDLXII (462) - Sentimentos Doutrinais

Por Dom Richard Williamson
Traduzido por Cristoph Klug

21 de maio de 2016

Pelas mulheres dispostas por Cristo a sofrer, graças a Deus.
Para resguardarmo-nos de Sua ira, são elas escudo próprio Seu.

O "Comentário" da semana passada (CE 461) não terá sido do gosto de todos. Os leitores deverão ter adivinhado que a autora não nomeada da longa citação era do mesmo sexo que as também citadas Santa Teresa d'Ávila ("sofrer ou morrer") e Santa Maria Madalena de Pazzi ("sofrer e não morrer"), e a citação anônima pode ter parecido excessivamente emocional. Mas o contraste com os sentimentos do Papa Bento citados na semana anterior (CE 460) foi deliberado. Enquanto o texto do varão mostrou os sentimentos governando a doutrina, o texto da mulher mostrou a doutrina governando aos sentimentos. É melhor, obviamente, a mulher colocando a Deus primeiro, como Cristo no Horto de Getsêmani ("Meu Pai, se é possível, passe este cálice longe de Mim; mas não como Eu quero..."), que o varão colocando os sentimentos primeiro e alterando a doutrina e religião católicas para a religião Conciliar.

O surpreendente contraste destaca que a primazia de Deus significa que a doutrina vem primeiro, enquanto que a primazia dos sentimentos significa que o homem vem primeiro. Mas a vida não se trata de evitar o sofrimento, trata-se de alcançar o Céu. Se então eu deixo de crer em Deus e adoro a Mamon em seu lugar (Mt VI, 24), eu não crerei na vida além e pagarei por drogas mais e mais caras para evitar o sofrimento nesta vida, porque não há outra vida. E assim, as "democracias" ocidentais criam, um após outro, ruinosos Estados de bem-estar porque a maneira mais segura para um político "democrático" de ser eleito ou não é a de tomar uma posição a favor ou contra a medicina pública. O cuidado do corpo é tudo o que resta na vida de muitos homens que não têm Deus. Assim o secularismo arruína o Estado: "Se Javé não edifica a casa, em vão trabalham os que a constroem" (Sl CXXVI, 1), enquanto que "Ditoso é o povo cujo Deus é Javé" (Sl CXLIII, 15). A Religião governa a política e a economia por igual, a falsa religião para seu mal, a religião verdadeira para seu verdadeiro bem.

sábado, 7 de maio de 2016

Comentários Eleison CDLX (460) - Os Sentimentos de Bento

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blog Borboletas ao Luar)

07 de maio de 2016


Quando a Redenção é tornada tão agradável por Bento,
Então Cristo passa a ser nada mais que açúcar e condimento.



Quando, há dois meses, uma entrevista que Bento XVI deu a um padre jesuíta em outubro do ano passado foi publicada na Itália, alguns católicos equivocadamente “piedosos” entenderam que o Papa anterior estava retornando à doutrina tradicional sobre a absoluta necessidade da pertença à Igreja Católica para a salvação. Infelizmente, esta entrevista mostra, na realidade, um impenitente modernista medindo não o homem moderno pela Verdade católica, mas a Verdade pelo o que o homem moderno pode ou não pode compreender e aceitar. Para fazer justiça, o entrevistador levantou quatro questões sérias, e Bento não as evitou. Eis aqui um resumo da entrevista, cruelmente breve, mas não essencialmente injusto, com comentários acrescentados em itálico:

P: A vem através de uma comunidade, que, por sua vez, é um presente de Deus?

R: A Fé é um contato vivo e pessoal com Deus, mediado por uma comunidade viva, porque, para crer, eu preciso testemunhar Deus, isto é, a Igreja, que não é somente um conjunto de ideias (é verdade, mas um conjunto de ideias é precisamente o objetivo da fé na qual se crê. Bento compartilha do subjetivismo moderno). Por meio dos sacramentos da Igreja (de acordo com os parâmetros objetivos da Fé) eu entro em contato vivo com Cristo.

P: Pode o homem moderno compreender a JUSTIFICAÇÃO pela de Paulo? (Observem a prioridade do homem moderno.)

R: Para o homem moderno, Deus não pode deixar que a maioria dos homens sofra a eterna danação (mesmo comentário). A preocupação com a salvação pessoal desapareceu nessa maioria (então, o quê? A doutrina deve mudar?). Mas o homem moderno ainda reconhece sua própria necessidade de misericórdia, de modo que ele conhece sua própria indignidade. De fato, ele espera um amor salvador, isto é, a misericórdia de Deus, que o justifique (então, o homem peca, espera a misericórdia de Deus, e isto o justifica? Isto é puro protestantismo!). Ao contrário, a ideia clássica de Deus como o Pai que sacrifica Seu próprio Filho para satisfazer Sua própria justiça é incompreensível hoje em dia. Pois bem, o Pai e o Filho tinham a mesma vontade (mas Jesus como Deus e homem tinha duas vontades!), e o mal do mundo foi completamente superado, tal como precisava sê-lo pela participação de Deus no sofrimento do mundo, no qual o Pai e o Filho participaram da mesma forma (mas o Pai como Deus não poderia sofrer, e somente como homem poderia Cristo sofrer! Essa nova doutrina esvazia a Encarnação, a Cruz, o pecado da humanidade, a justiça de Deus, nossa Redenção! Que restou de Catolicismo?).

P: O ensino da Igreja sobre o INFERNO evoluiu nos tempos modernos?

R: “Neste ponto, estamos diante de uma profunda evolução do dogma” (sic! Mas o dogma não pode evoluir. Como um homem moderno, Bento não tem noção alguma de uma verdade não alterada nem alterável). “Depois do Vaticano II, a convicção de que os não batizados estão perdidos para sempre foi finalmente abandonada” (como se o Vaticano II pudesse mudar o ensinamento da Igreja!). Mas aí se levanta um problema – por que ainda ser cristão (boa pergunta!)? A solução de Rahner, de que todos os homens são cristãos anônimos, exclui o drama da conversão (somente “drama” – e não “absoluta necessidade”?). A solução dos pluralistas, pela qual todas as religiões são suficientes para a salvação é inadequada (de fato). A solução de De Lubac é que Cristo e a Igreja, de algum modo, substituem toda a humanidade, digamos, por crer, praticar e sofrer pela verdade. Ao menos umas poucas almas são necessárias para isto.

P: Se o mal deve ser reparado, o sacramento da CONFISSÃO o repara?

R: Cristo sozinho pode reparar o mal, mas a Confissão sempre nos coloca ao lado de Cristo.

Em vista de tal entrevista, alguém pode ainda duvidar de que os líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X estejam seriamente iludidos por pensar que a Fraternidade pode se submeter com segurança a esses romanos? A partir do humanismo e do protestantismo, uma falsa visão da Redenção embebeu os ossos modernos, e desses ossos modernos, por fim, os clérigos católicos. O Vaticano II ensina e prega um Cristianismo sem a Cruz. Isto é bem popular, mas completamente falso. Que Deus tenha piedade desses clérigos.
 

Kyrie eleison.


Comentário Eleison 461 - Sentimentos Cristãos (07 de maio de 2016)
Comentário Eleison 462 - Sentimentos Doutrinais (21 de maio de 2016)  

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Comentários Eleison CDXLVIII (448) - Animal Escorregadio

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blog Borboletas ao Luar)

A gente de hoje não é sensata ou normal.
Toda a história mostra que não há veneno igual.

“O modernismo é necessariamente, por sua natureza, um animal singularmente escorregadio”. Sendo ele o atual inimigo mortal da Igreja Católica, nunca pode ser analisado suficientemente. Como inimigo da Igreja em particular, pode ser definido como um movimento de pensamento e de crença que sustenta que a Igreja deve se adaptar ao mundo moderno, por meio da manutenção das aparências do catolicismo concomitantemente à mudança de sua substância. Este movimento infectou um sem-número de católicos desde que ganhou aprovação oficial da mais alta hierarquia da Igreja no Vaticano II, e colocou muitos cardeais, bispos e padres no caminho da eterna perdição, para não mencionarmos os leigos, ao minar sua fé católica. Vejamos novamente porque é escorregadio, e singularmente escorregadio.

É um animal escorregadio porque, como todas as heresias, tem de se disfarçar a fim de parecer aceitável para o seu alvo, os crentes católicos. Deste modo, usa constantemente fórmulas ambíguas de palavras capazes de serem interpretadas num sentido católico ou anticatólico. Os católicos aceitam piedosamente o sentido católico e engolem as palavras, de modo que os modernistas só têm de transformá-las em veneno explorando o sentido anticatólico. O Vaticano II é ambíguo do início ao fim, escolhendo fórmulas que podem deslizar entre a Igreja e o mundo moderno, de modo a ocultar a intrínseca e mútua contradição entre estes dois. Para Paulo VI, que acreditava profundamente em ambos, a Igreja e o mundo (como os concebia), tais fórmulas surgiam instintiva e abundantemente. Os documentos de seu Concílio, o Vaticano II, estão impregnados de ambiguidade. Contudo, por estas ambiguidades Paulo VI realmente pensava que salvaria a ambos, a Igreja e o mundo, exatamente como Monsenhor Fellay hoje espera, falando pelos dois lados de sua boca, salvar a Tradição católica e o Concílio. Vã esperança! Deus “detesta a língua dupla” (Pr. VIII,13). Ela sempre serviu para enganar os católicos e fazê-los abandonar sua fé.

Mas, mais que simplesmente escorregadio, o modernismo é, entre todas as heresias, singularmente escorregadio, porque, como Pio X disse na “Pascendi”, é a heresia das heresias, como o esgoto principal que coleta em si toda a imundície dos encanamentos menores, ou heresias particulares. Isto porque é o produto (e produtor) de mentes que fixaram sua âncora em qualquer verdade, de modo que qualquer contraverdade, ou heresia, está em casa no modernismo. E isto porque seu princípio fundamental é filosófico, a suposta inabilidade da mente humana de conhecer qualquer coisa que esteja além do que aparece aos cinco sentidos externos do homem. Tal mente é como uma garrafa de vinho suja. Ela conspurca qualquer coisa que se despeja nela, mesmo o mais fino dos vinhos ou a mais sublime das verdades. Porque, enquanto qualquer outra heresia ataca uma verdade particular da Fé, o erro filosófico na raiz do modernismo mina a verdade universal, ainda que finja não estar atacando nenhuma verdade em particular. Por exemplo, Bento XVI sem dúvida ficaria horrorizado se fosse acusado de não acreditar em qualquer artigo do Credo, mas isto não o impede de estar pronto para “atualizar” a todos eles.

Nunca tantas mentes desviaram todas as âncoras da verdade objetiva como hoje, sendo tal desvio a libertação final do homem, por meio da qual a realidade não pode mais se impor a mim, senão que eu sim é que posso me impor a toda realidade. Tomei o lugar de Deus. Assim, muitos católicos foram infectados pelo mundo de hoje e deram as boas-vindas ao modernismo quando ele reapareceu no Vaticano II, porque lá estava o próprio Papa dando o aparente selo de aprovação católica à destruição de toda Verdade Católica [que eles promoviam]. Eram livres, e ainda católicos, gritando: liberdade através da Igreja!

Então, como lidar com este “animal singularmente escorregadio?” Certamente não é indo à Roma para misturar-se com suas principais vítimas e perpetradores, os atuais oficiais no topo da Igreja. O próprio Satanás pode não ter uma colher longa o suficiente para cear com segurança com estes (objetivos) tubarões, lobos e raposas, tanto mais perigosos por causa de seu possível (subjetivo) desconhecimento de sua própria condição. Rezem o Rosário para que Nossa Senhora construa ao redor das cabeças e dos corações de vocês sua própria armadura protetora.

Kyrie eleison.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Excerto do sermão do Rev. Pe. René Trincado, do XII Domingo após Pentecostes

11 de agosto de 2013


Permitam-me aqui um parêntesis. Cuidado com o qualificativo de “modernistas”. Não olhemos com desdém ao restante dos católicos, aos que chamamos secamente de modernistas, pois, em sua imensa maioria, são vítimas dos salteadores que os despojam da verdadeira fé. Cuidado, porque esses, muitas vezes, muitíssimas, são isso: vítimas, não vitimadores. Não são os assaltantes da parábola, senão o homem assaltado. Pensemos, por exemplo, no imenso bem espiritual que, em sua grande simplicidade, com suas fervorosas orações fazem essas anciãs “modernistas”, verdadeiras devotas do Rosário, assíduas nas paróquias; pensemos nessas monjas “modernistas” de clausura que, apesar da Missa Nova e das más pregações, vivem inteiramente crucificadas por causa de sua caridade ardentíssima. Pensemos nesses sacerdotes e leigos que se esforçam sinceramente para alcançar a santidade, apesar de ter de respirar cada dia a fumaça liberal que entrou no templo através do buraco escavado desde dentro por uma hierarquia de traidores. Cuidado com o desprezo pelo próximo: não nos vá a suceder que estejamos fazendo às vezes a oração do fariseu: graças te dou, Senhor, porque não sou como os demais homens, nem como esses estúpidos e ignorantes modernistas das paróquias. Cuidado: pior que ser herege material modernista é ser um orgulhoso tradicionalista, porque Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes (1Pd V, 5). Cuidado com a soberba. O orgulho farisaico é a grande tentação dos tradicionalistas. Os fariseus foram os descendentes dos assideus, esses mártires e heróis tradicionalistas que combateram às ordens dos Macabeus. Cuidado com a soberba. A esses que parecem viver de diatribes e discussões, teríamos de lhes perguntar o que é mais importante: se ter razão ou ter caridade. Se os tradicionalistas temos a verdade, é por um presente, uma graça de Deus. Mas a luz da fé verdadeira é para iluminar os homens em ordem à salvação eterna, não para querer deslumbrá-los fazendo gabo de conhecimentos, nem para esmagá-los.


Estimados fiéis: Deus nos faça caridosos e humildes. Certamente, os tradicionalistas devemos ser o bom samaritano especialmente para com todas as pobres ovelhas assaltadas e feridas por esses ministros do diabo que lhes dão a beber o veneno liberal e modernista. Estes últimos se comportam como os ladrões da parábola, de modo muito mais criminoso que o Sacerdote e o levita, que pecaram somente por omissão. Estes ladrões são a Hierarquia liberal que objetivamente despoja e assassina às almas desde essa verdadeira emboscada que foi o Vaticano II. Com estes envenenadores de almas não cabe buscar cooperação nem concórdia alguma, nem menos aceitar a possibilidade de se submeter um dia ao seu poder destruidor. Se o samaritano houvesse pretendido pôr-se às ordens dos ladrões, não teria feito com isso um ato de caridade, senão a maior insensatez imaginável. E teria terminado roubando o assaltado e o deixado mais ferido também. A primeira caridade é a verdade. No caso dos tradicionalistas, a primeira caridade está em conservar a salvo o alimento saudável das almas, o tesouro divino da fé católica, a Verdade, essa Verdade que um dia voltará a resplandecer na Igreja porque as portas do inferno não prevalecerão (Mt XVI, 18).


Que pela intercessão da Santíssima Virgem, Deus nos conceda a humilde caridade fraterna.


Rev. Pe. René Trincado
Sociedade dos Apóstolos de Jesus e Maria (SAJM)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Da seita neomodernista que ocupa a Igreja Católica


Cinquenta anos depois do Concílio Vaticano II e da reação do movimento tradicionalista na subsequente crise da Igreja, podem-se distinguir três tendências divergentes sobre a relação a ter entre a Igreja Católica e a Igreja oficial. Quer dizer, entre o corpo místico de Nosso Senhor Jesus Cristo e os clérigos e fiéis unidos à hierarquia e às reformas pós-conciliares.

Para uns, são duas igrejas substancialmente distintas, absolutamente separadas, e não se pode pertencer às duas ao mesmo tempo. Estas duas igrejas tem uma fé diferente, ritos diferentes, uma legislação diferente. A lógica os leva também a já não rezar publicamente pelo papa atualmente reinante, porque ele é papa de outra Igreja, que não é – ou já não é – católica.

Para outros, ao contrário, a Igreja oficial, hierárquica, romana, conciliar não é uma Igreja à parte, mas sim a Igreja Católica real, una, a verdadeira, a visível, a Igreja de hoje, e é inadmissível fazer uma distinção real entre a Igreja conciliar, oficial, e a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A lógica levará também a procurar a pertença oficial, visivelmente, canonicamente, a esta hierarquia, para bem assegurar a pertença à única Igreja, católica e apostólica.

Estas duas concepções, durante já cerca de meio século de debates entre tradicionalistas, dividiu-os e levou-os a formar duas pontas extremas, conhecidas comumente por “sedevacantistas” e “acordistas”. Nossa análise pode parecer sumária, mas a experiência o tem provado: quando um tradicionalista, clérigo ou leigo, já não faz a distinção entre a Igreja oficial e a Igreja católica, ele acaba um dia ou outro se colocando a serviço da primeira, e assim abandona o combate da fé exigido pela segunda nestes tempos de clara e geral apostasia.

Na verdade, o problema é mal colocado, e permanece um dilema entre dois termos de uma alternativa. Pois há uma distinção a fazer entre a Igreja oficial e a Igreja Católica, e ela foi feita por todos os nossos antigos combatentes da fé depois do concílio. Basta que refresquemos a memória e nos lembremos de fórmulas bem conhecidas: “A Igreja ocupada”, “Roma ocupada”.

A Igreja conciliar e neomodernista não é portanto nem uma Igreja substancialmente diferente da Igreja Católica nem absolutamente idêntica; ela tem misteriosamente algo de um e de outra: é um corpo estranho que ocupa a Igreja Católica. É preciso distingui-las sem separá-las.

Precisemos bem: um “corpo”, e não uma “doença”, uma “tendência”, um “espírito”, uma “concepção falsa” como se procura demonstrar no DICI n°273, recusando em princípio considerar a Igreja conciliar como uma “sociedade distinta de outra” (p. 8). Esta negação poderia, rigorosamente, ser admitida no sentido definido acima, de uma sociedade absolutamente, substancialmente diferente da Igreja Católica. Mas ela nos parece perigosa, em seu sentido óbvio, e, em todo caso, contrária à doutrina de São Pio X, que qualifica os modernistas de associação secreta (cladestinum foedus; Motu proprio de 1 de setembro de 1910) que se oculta no seio mesmo e no coração da Igreja (sinu gremioque Ecclesiae; Pascendi, 1907).

O que o magistério ensina originalmente como modernismo, nossos antigos o chamaram em termos enérgicos de sujeito do neomodernismo, qualificando suas hierarquias de “seita”; e não se vê em que o princípio tenha mudado hoje em dia... Que se nos permita, mesmo se este debate desagrade hoje em dia a alguns na Tradição, trazer à memória algumas citações lapidares:

Dom Lefebvre: Isso é uma seita que se apossou de Roma, se apossou da alavanca de comando da Igreja” (Conferência em Flavigny, dezembro 1988, Fideliter n° 68, p. 10).

Padre Tissier de Mallerais: “[...] nas circunstâncias de uma Igreja ocupada pela seita progressista [...]” (Fideliter n° 53, p. 38, set-out 1986).

Padre Calmel: “[...] organizações ocultas de uma falsa Igreja, de uma Igreja aparente” (Itinéraires n° 123, p. 174, maio 1968); “Igreja aparente no seio mesmo da Igreja verdadeira” [...]” (Itinéraires n° 106, p. 178, set. 1966).

Padre Marcille: “[...] a seita no poder na Igreja [...] a seita conciliar a favor do poder que ela ocupa [...]” (Fideliter n° 96, pp. 67 e 71, nov-dez 1993).

Marcel de Corte: “É a parte que se erige para tudo, a seita que se erige na Igreja una, santa, católica, apostólica e romana. Por um instante, a parte permanece no todo que ela corrompe pouco a pouco” (Itinéraires n° 131, p. 266, março de 1969).

Jean Madiran: “[...] a seita campeada na Igreja [...]” (Itinéraires n° 137, p. 28, nov. 1969).
Henri Rambaud: “[...] a seita, pequena pelo nome em relação ao resto do rebanho, mas instalada nos postos de comando [...]” (Itinéraires n° 143, p. 111, maio 1970).

Resumindo com o Padre Berto: “Jacques Maritain, em 1966, falou de ‘febre’ neomodernista. Mas ele esquece que [se trata de] neomodernistas que jamais se admitirão tais, que permanecerão a todo o preço no interior da Igreja, para ‘fazê-la crescer de dentro uma mutação substancial que não lhe deixará da Igreja senão o nome [...]; eles constituem na Igreja uma associação secreta de assassinos da Igreja” (Itinéraires n° 112, p. 69, abril 1967).

Em 1964, em pleno concílio, Jean Madiran escreveu um artigo especial intitulado “A sociedade secreta do modernismo”, em Itinéraires. Cinquenta anos depois, seu diagnóstico permanece ainda válido:

"Uma sociedade secreta que consegue sobreviver quando é combatida, não vai ela conseguir prosperar quando já não for combatida? Depois da morte de São Pio X, ocupam-se de outra coisa, incluindo o modernismo doutrinal, jurídico, social, mas já não se ocupam da sociedade secreta instalada no seio da Igreja. A consequência de tal abstenção é que a sociedade secreta reforçou sua instalação, multiplicou seus progressos, desenvolveu seu poder; que é poder oculto e se torna muito maior; que ela foi muito mais forte para colocar à frente seus adeptos, para liquidar seus adversários, e para prevenir que se fale dela: impor um silêncio público a respeito dela mesma é o objetivo de todas as sociedades secretas." (Itinéraires n° 82, abril 1964, p. 100.)

Reduzir a Igreja conciliar e neomodernista a um conceito, uma tendência, um espírito, recusando-lhe o status de seita, de sociedade, de associação (Ecclesia = assembleia em grego), em que ela deve necessariamente se encarnar, e para qual de fato ela se move concretamente e eficazmente, é ignorar os ensinamentos de São Pio X e de nossos antepassados na Tradição. Isso não é somente um erro teórico, mas também, em suas consequências práticas, uma predisposição de espírito a identificar puramente e simplesmente a Igreja Católica, a que todos querem pertencer, e a hierarquia oficial e visível que a ocupa e a dirige depois de décadas, de que nós não fazemos (ainda) parte. Situação portanto “anormal”, que convém regularizar de uma maneira ou de outra.

Citemos algumas frases significativas de Dom Fellay: “O fato de ir a Roma não quer dizer que se esteja de acordo com eles. Mas é a Igreja. E é a verdadeira Igreja” (Sermão em Flavigny, em 2-9-2012, Nouvelles de Chrétiente, n° 137, p. 20.)

“A Igreja do Cristo está presente e move-se como tal, quer dizer, como única arca de salvação, somente lá onde está o vigário de Cristo” (Carta aos amigos e benfeitores de 13-04-2014).

“A Igreja oficial é a Igreja visível; é a Igreja Católica, e ponto final” (Sermão no Seminário de la Reja, 20-12-2014).

Compare-se com o que Dom Lefebvre disse a nossos padres reunidos em Écône, em 9 de setembro de 1988: “Nestes últimos tempos, disseram-nos que era necessário que a Tradição entrasse na Igreja visível. Eu penso que se comete nisso um erro gravíssimo, [...] isso é enganar-se assimilando Igreja oficial e Igreja visível. Nós pertencemos à Igreja visível, à sociedade de fiéis submissos ao Papa, pois não recusamos a autoridade do papa, mas o que ele faz... Saímos, então, da Igreja oficial? De certa maneira sim, evidentemente. Todo o livro de M. Madiran A Heresia do 20° século é a história da heresia dos bispos, deve-se então sair do meio destes bispos, se não se quer perder sua alma” (Fideliter n° 66, nov.-dez.1988, pp. 27-28).

Concluímos: com são Pio X, guardemos sempre no espírito que os neomodernistas formam uma seita que não quer jamais deixar a Igreja Católica, que a subverte do interior, e que são seus piores inimigos, verdadeiros lobos revestidos de pele de ovelha.

Com Monsenhor Lefebvre, não nos juntemos aos “católicos que confundem a Igreja Católica e romana eterna com a Roma humana e suscetível de ser invadida pelos inimigos cobertos de púrpura” (Carta ao Figaro, de 02-08-1976).

Revista “Le Sel de la terre” dos dominicanos de Avrillé, edição de inverno de 2015

sábado, 5 de dezembro de 2015

Comentários Eleison CDXXXVIII (438) - Novus Ordo Missae - III

Por Dom Richard Williamson

Tradução: Cristoph Klug
05 de dezembro de 2015

Católicos, sejam generosos! O objetivo de Deus em ação
É salvar muitas almas fora da “Tradição”.

Se a evidência em favor dos milagres eucarísticos que teriam tido lugar dentro da Igreja Novus Ordo (ver CE 436 e 437) é tão séria como parece, segue que os católicos devem conformar suas mentes à mente de Deus e não o contrário. E os Católicos aderidos à Tradição têm uma especial necessidade de resolver o que Deus quis significar com esses milagres, porque estes fiéis da Tradição não entendem facilmente o que Ele tem podido significar quando sabem quão desagradável deve ser para Ele a Missa Novus Ordo (NOM) em si mesma.

Por muitos séculos Deus realizou tais milagres. A razão primária tem sido sempre fortalecer a fé dos Católicos em uma verdade da Fé que não é fácil de crer, mas está muito próxima ao Coração de Deus. Que no instante da Consagração do pão e do vinho durante a Missa, Deus mesmo tome o lugar de suas substâncias, é um acontecimento tão fora do curso normal da natureza, que esta invenção do amor de Deus desejando dar-se a Si mesmo como comida e bebida para o seu rebanho possa ser prática, mas parece também inacreditável. Por isso que em devidos momentos e lugares, Deus tem operado milagres visíveis sob uma ou outra forma para ajudar às almas duvidosas a crer. Uma razão secundária para estes milagres, especialmente onde tenha havido uma ou outra profanação da Sagrada Eucaristia, é para recordar aos Católicos o tratamento sagrado e a adoração que sempre se lhes deve às humildes aparências por trás das quais Deus mesmo se esconde.

Ambas destas razões se aplicam hoje em dia quando o NOM diminuiu severamente o sentido da Presença Real, sem sempre anulá-la (ver CE 437). Quem pode negar que o rito do NOM e sua prática através da Igreja Novus Ordo, por exemplo a Comunhão de pé e na mão, tem conduzido incontáveis Católicos até a descrer na Presença Real e a incontáveis sacerdotes até a falta de devido respeito no manipular da Santa Eucaristia? Quem pode negar que ambos, o decréscimo da fé e a falta de respeito ante Ela, têm imensamente aumentado desde que o NOM foi introduzido em 1969? Humanamente falando, o assombro pode não ser que tenha havido milagres dentro do limite do NOM, mas também que tenha havido muito mais. De qualquer modo, Deus tem sabido como atuar para o melhor. 

Por outro lado, estes milagres – sempre e quando são autênticos – deixam lições para os Católicos da Tradição também, que se colocaram mais ou menos distantes do limite do Novus Ordo. A lição mais óbvia é que nem todas as Missas Novus Ordo são inválidas, nem todas as Consagrações episcopais nem todas as Ordenações sacerdotais, como os “Tradicionalistas” podem estar tentados a pensar. Isto é seguramente porque mesmo que desde os anos 1960 uma massa da grei católica tem se tornado demasiadamente mundana para merecer manter o verdadeiro rito da Missa, as ovelhas têm sem dúvida amado suficientemente a Missa para não perdê-la totalmente. O NOM pode ter sido permitido por Deus para tornar mais fácil aos Católicos para que abandonassem a Fé se eles quisessem, mas não impossível de mantê-la, sempre que o quisessem.

Por conseguinte, o NOM e a Igreja Novus Ordo como um todo são perigosos para a Fé, e os Católicos estão corretos por terem aderido à Tradição para evitar o perigo. Mas como tiveram de pôr distância entre eles e a corrente principal da Igreja, assim eles se expuseram ao perigo oposto de um isolamento condutor a um espírito sectário e até farisaico, desligado da realidade. Há verdadeiros sacramentos no Novus Ordo e verdadeiros Católicos, os quais Deus cuida, e os “Tradicionalistas” deveriam estar contentes que os há. Que seu isolamento não os faça sentir que estão obrigados a negar que não haja sequer algo católico que reste no Novus Ordo. Isso é irreal e o pêndulo da realidade oscilará de volta, como com a liderança da FSSPX, que não vê mais suficientemente a necessidade de isolar-se da Igreja neo-modernista. Não. A Tradição necessita de isolamento, mas com um espírito generoso e não isolacionista.