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sábado, 1 de setembro de 2018

Comentários Eleison DLXXX (580) - Videogame Manipulado II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei
25 de agosto de 2018


Se o Céu diz que aqui está a solução,
Aqui está ela, e não na revolução.

      Conta-se a história da grande monarca católica da Espanha, a rainha Isabel (1451-1504), que quando perguntada uma vez o que queria ver em uma pintura, ela respondeu “um padre dizendo missa, uma mulher dando à luz e um criminoso sendo enforcado”. Em outras palavras, todos têm um papel para desempenhar na vida, e todos devem desempenhar esse papel e não outro. Podemos apenas imaginar o que ela teria dito sobre um mundo em que padres celebram piqueniques eucarísticos, mulheres usam da contracepção e abortam livremente, e criminosos são condenados a penas cada vez mais curtas em prisões que lembram hotéis de luxo. Hoje “Nada é senão o que não é” (Macbeth, I, 3).

      Hoje muitas pessoas sentem que a vida moderna é falsa, mas poucos conseguem ver por que nada é senão o que não é, ou por que “Nada é real, e nada por que preocupar-se, Strawberry Fields para sempre” (Beatles). Observam a opressão policial, jornalistas que mentem, medicamentos que envenenam, advogados que trapaceiam, políticos que traem, mulheres que se autoesterilizam, jovens que se suicidam, professores que corrompem, médicos que matam, e assim por diante; e o pior de tudo, sacerdotes que apostatam. Não é difícil ver à nossa volta um mundo desordenado que é exatamente o oposto da ordem correta que a rainha Isabel tinha em mente para a Espanha. Mas a desordem está tão disfarçada que se assemelha no presente à correta ordem do passado, de modo que poucas pessoas podem descobrir de onde vem a desordem, e muitos desistem da tentativa de localizá-la, estabelecendo-se entre os confortos materiais que ela têm para oferecer. Por exemplo, muitos músicos de rock ganham um bom dinheiro gritando contra os maus frutos do materialismo, mas poucos, se é que há algum, vão atrás das raízes destes, de modo que a maioria acaba como materialista bastante cômodo, parte integrante da falsidade que ela reconheceu corretamente nos dias em que ganhava dinheiro.

      Nas palavras da velha canção, “Por quê, por quê, por quê, Dalila?” Porque as pessoas se livraram da presença de Deus em suas vidas e não têm noção de que Sua ausência é o problema. E se alguma vez têm um pressentimento, então pela mesma razão que elas se livraram d’Ele em primeiro lugar, agora procurarão em qualquer lugar, e não na direção d’Ele, pela a solução. No entanto, foi Cristo quem criou, para o fim do mundo, aquela Cristandade que elevou na Idade Média a civilização a alturas sem precedente, e da qual a “civilização ocidental” é a sucessora sem Cristo. Mas Cristan-dade sem Cristo é “-dade”, ou melhor, “fatalidade”.

      Mas a “fatalidade” tem de competir com a Idade Média, pois, caso contrário, os homens vão querer voltar a Cristo. Daí que as aparências da lei cristã, dos hospitais, dos parlamentos, etc., devem ser mantidas mesmo que a substância seja esvaziada. Por isso que nos últimos quinhentos anos há uma série de “conservadores” que não conservaram nada além da última conquista dos liberais, daí uma longa procissão de políticos hipócritas, aparentemente direitistas, mas de fato esquerdistas, porque é isso que os povos querem – líderes que parecerão prestar homenagem aos remanescentes de Deus e de Cristo, mas que na realidade estão servindo ao Diabo, abrindo caminho para mais liberdade de Deus e de Cristo.

      Daí o Concílio Vaticano II na Igreja, que mantém a aparência exterior do catolicismo, ainda que o substitua pela realidade do modernismo. Daí o Capítulo de 2012 na Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que pretendeu manter a Tradição Católica mesmo enquanto se preparava para subordiná-la ao Vaticano II. Daí o Capítulo da Fraternidade de 2018, fingindo livrar-se do arquiteto do Capítulo de 2012, mesmo assegurando que ele permanecesse no poder. Daí um Capítulo representando não a realidade da situação da Igreja ou da Fraternidade, mas um videogame manipulado para tranquilizar aqueles que resistem à marcha da Fraternidade em direção à Roma conciliar, mesmo enquanto protegem essa marcha. Queira Deus que a situação não esteja assim.

      Então, se o mundo inteiro estiver manipulando videogames, há alguma solução? É impossível que o Céu nos tenha deixado sem solução. Desde a Idade Média, Nossa Senhora tem nos dado a todos nós o Rosário. Nos tempos modernos, ela nos deu a devoção dos primeiros sábados. Se negligenciamos seus remédios é por nossa própria conta e nosso próprio risco.
                                                                                                                                    

      Kyrie eleison.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Comentários Eleison DLXXVI (576) - Capítulo Geral I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
28 de julho de 2018


Velhos líderes, quando falham, devem ser destituídos,
E então jamais serem na liderança readmitidos!

      O último Capítulo Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o quarto com eleições (1982, 1994, 2006 e 2018), chegou ao fim em Écône, na Suíça, no último sábado. O evento foi seguido com interesse em muitos setores, porque por cerca de quarenta anos a partir de sua fundação em 1970, a Fraternidade surgiu como um importante bastião da Fé Católica na esteira do Concílio Vaticano II (1962-1965), que, com efeito, havia minado oficialmente essa Fé. No entanto, nos últimos vinte anos, a Fraternidade deu cada vez mais sinais de mudança de direção, mais em consonância com os oficiais conciliares da Igreja, e menos em consonância com seu fundador, o Arcebispo Lefebvre. Que direção o Capítulo Geral mostraria que a Fraternidade está para tomar agora?

      Os procedimentos detalhados de um Capítulo normalmente devem permanecer privados, como os da eleição de um Papa, mas no final do Capítulo surgiram palavras e ações públicas. As palavras foram a declaração oficial do Capítulo sobre a política para o futuro, que se alinhou com a famosa declaração do Arcebispo Lefebvre de novembro de 1974, "em sua totalidade". No entanto, como o website Non Possumus mostrou claramente citando verdadeiramente em sua totalidade essa declaração de guerra contra a nova religião do Vaticano II, o Capítulo escolheu deliberadamente citar apenas suas partes mais pacíficas. Isto não é promissor para a continuação, por parte da Fraternidade, da guerra santa do Arcebispo contra a terrível apostasia do Vaticano II.

      É claro que o Arcebispo foi católico em primeiro lugar, e anticonciliar só como consequência, e é por isso que sua declaração de guerra contém partes pacíficas. Mas como a verdade pode ser amada sem o ódio ao erro? O anticonciliarismo segue imediata e necessariamente o amor ao catolicismo, e é por isso que uma multidão de verdadeiros católicos vieram a seguir a Fraternidade e seu Fundador, que denunciaram clara e abertamente a apostasia dos oficiais da Igreja. Sob ele, o seminário em Écône já teve mais de cem seminaristas, e milhares de pessoas assistiam todos os verões à ordenação de uma dúzia ou mais de novos sacerdotes. Em junho deste ano, uma multidão estimada de quatrocentas e cinquenta almas assistiu à ordenação de três novos sacerdotes que estavam entre cerca de quarenta seminaristas. Os católicos estão deixando de apoiar – e fechando as carteiras – a Neofraternidade.

      Quanto às ações públicas do Capítulo, que sempre falam mais alto que palavras, consistiram na eleição de um novo Superior Geral e dois novos Assistentes. Deve-se parabenizar os participantes do Capítulo por terem deposto o anterior Geral e seus Assistentes, porque estes haviam lutado por doze anos para mudar a direção da Fraternidade, a fim de buscarem o reconhecimento oficial dos apóstatas romanos. O reconhecimento não foi obtido, mas a Fraternidade ficou seriamente enfraquecida, e os seus melhores padres ficaram desorientados. Então, quem o Capítulo escolheu como governantes em seus lugares? Os dois novos Assistentes foram executivos leais do Geral anterior com sua política de agradar a Roma conciliar. Pelo bem comum da Fraternidade? Mas quando houve um bem comum católico contra a Fé? Quanto ao novo Geral, ele pode não saber o que pretende fazer como Geral, porque somente Deus sabe com certeza o que um homem fará quando é colocado no poder. Muitas vezes ele irá decepcionar, porque “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente” (Lord Acton), mas ele pode-se mostrar surpreendentemente bom. O Padre Pagliarani certamente precisa de nossas orações.

      A este respeito, no entanto, a última ação pública do Capítulo chegou como um raio. Pouco antes do encerramento do Capítulo, votou-se para adicionar ao Conselho Geral de governo da Fraternidade e aos dois Assistentes outros dois “Conselheiros”. E a quem eles elegeram? Os dois últimos Gerais da Fraternidade, o Pe. Schmidberger (1982-1994) e o Bispo Fellay, que entre 1994, quando ele foi eleito pela primeira vez, e 2018, quando foi finalmente destronado, era o principal arquiteto do enfraquecimento e do declínio da Fraternidade! De quem foi a tarefa de colocar o Bispo Fellay de volta junto ao trono com seu colaborador mais próximo, o padre Schmidberger? Que sábio Superior quer que seu antecessor fique por mais doze anos? O que o Capítulo pensou que estava fazendo? De qualquer forma, se a Fraternidade há de amar a verdade e odiar o erro, não é um bom sinal.

      Kyrie eleison.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Comentários Eleison DLX (560) - Argumento (Anti) "Lefebvrista"

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

07 de abril de 2018


O Arcebispo Lefebvre era sábio – sua regra era de ouro,
“Reconhecer, mas resistir” não é algo tão tolo!



Para atacar os sacerdotes dominicanos franceses de Avrillé por seu “Lefebvrismo”, ou seja, por sua recusa em aceitar que os Papas conciliares desde Paulo VI não foram Papas, um leigo francês – Sr. N. M. – acaba de escrever um artigo acusando os dominicanos de rejeitarem três dogmas católicos: que o Papa tenha primazia de jurisdição sobre a Igreja Universal; que o Magistério Ordinário Universal da Igreja é infalível; que é o Magistério vivo da Igreja que determina o que os católicos devem crer. Normalmente é melhor deixar essas questões de doutrina para os especialistas em doutrina, mas os nossos tempos não são normais. Hoje, os católicos podem confiar em seu bom senso católico para decidir essas questões por si mesmos.

Olhemos para as três perguntas de maneira simples e prática. Se eu quero aceitar que os Papas foram verdadeiros Papas desde Paulo VI, por que eu deveria negar, em primeiro lugar, que o Papa é o Chefe da Igreja; em segundo lugar, que o ensino normal da Igreja é infalível; e, em terceiro lugar, que o Papa reinante me diz em que devo acreditar? Vejamos os argumentos de N. M., um por um.

Quanto ao primeiro ponto, N. M. cita o completamente antiliberal Concílio Vaticano I (1879-1871) no sentido de que o Papa é o Chefe direto e imediato de todas as dioceses, de todos os sacerdotes e de todos os católicos. Se, então, como todos os lefebvristas eu me recuso a obedecê-lo, estou implicitamente negando que ele seja meu Chefe enquanto católico, então estou negando que o Papa é o que o Vaticano I o definiu ser. Resposta: eu não estou de forma nenhuma negando que os Papas conciliares têm a autoridade para comandar-me como católico; estou apenas dizendo que sua autoridade católica não inclui a autoridade para tornar-me um protestante, como farei caso eu siga suas ordens de acordo com o Vaticano II.

Em segundo lugar, N. M. argumenta que o Vaticano I também afirmou que o ensinamento cotidiano do Papa e dos Bispos é infalível. Ora, se alguma vez tivemos um ensinamento sério do Papa e dos Bispos juntos, foi no Vaticano II. Se, então, eu recuso esse ensinamento, estou implicitamente negando que o Magistério Ordinário Universal da Igreja seja infalível. Resposta, não, eu não estou. Reconheço plenamente que quando uma doutrina é ensinada pela Igreja em quase toda parte, em todos os tempos e por todos os Papas e Bispos, ela é infalível, mas se foi ensinada apenas nos tempos modernos do século XX pelos Papas e Bispos do Vaticano II, então é contrária ao que foi ensinado pelos Papas e Bispos em todos os outros tempos da Igreja, e eu não me considero obrigado a aceitá-la. Enquanto eu aceito o MOU consistente de todos os tempos, então eu rejeito o MOU inconsistente de hoje, que o contradiz.

Em terceiro lugar, N. M. argumenta que o verdadeiro Papa tem a autoridade viva para dizer-me como católico no que devo crer hoje. Se então me recuso a acreditar no que os Papas conciliares me disseram para crer, estou rejeitando sua autoridade viva como árbitros da Fé. Resposta: não, eu não estou. Eu estou usando meus olhos para ler, e meu cérebro dado por Deus para julgar, que o que os Papas conciliares me dizem contradiz o que todos os Papas anteriores até São Pedro me disseram, e eu prefiro seguir a consistência de duzentos e sessenta e um Papas dizendo-me no que acreditar do que a inconsistência de seis Papas Conciliares. “Mas então você está rejeitando a autoridade viva do Papa reinante como árbitro da Fé!”. Somente porque eu estou seguindo, obedecendo e submetendo-me aos duzentos e sessenta e um Papas como árbitros dessa Fé que meus olhos e meu cérebro me dizem que os Papas conciliares não estão seguindo. “Mas então você está apoiando seus próprios olhos e cérebro contra o Papa católico!” Deus me deu olhos e um cérebro que funcionam, e quando eu estiver diante Dele para ser julgado, responderei pelo uso que fiz deles.

É claro que a própria resposta de N. M. ao problema dos Papas protestantes, modernizadores e conciliares é negar que eles sejam Papas. Deveria ser igualmente claro que, para o problema, que é muito real, não estou obrigado a adotar a solução drástica de N. M. Tampouco, se me recuso a adotá-la, sou obrigado a negar três dogmas da Igreja. Que a paz esteja com N. M.

Kyrie eleison.


terça-feira, 3 de abril de 2018

Comentários Eleison DLVIX (559) - Ressurreição da Igreja?

Por Dom Richard N. Williamson


31 de março de 2018


Depende de cada homem, para a Igreja ressuscitar verdadeiramente,
Fazer tudo o que está ao seu alcance em sua situação de vida presente.


      E o dia anterior à Páscoa deve ser um bom momento para refletir sobre como a Madre Igreja ressurgirá do estado atual que a aflige. Por nossa fé católica sabemos com absoluta certeza que ela ressuscitará, e que durará até o fim do mundo (Mt. 28, 20). Mas é um grande erro pensar que ressurgirá desta vez por meios humanos, porque aí se começa a acreditar, por exemplo, em meios humanos para ir em seu resgate, como por “discussões teológicas” ou negociações diplomáticas com seus atuais líderes no Vaticano.

      Assim, as discussões teológicas de 2009-2011 não levaram a lugar nenhum, motivo pelo qual não ouvimos quase nada sobre elas desde então, o que provou que o abismo doutrinal entre a Roma conciliar e a Tradição católica não pode ser superado. E as negociações diplomáticas podem levar no máximo à mera aparência de um resgate da Tradição, porque os romanos de hoje têm 2000 anos de experiência em diplomacia, e eles não querem a Tradição, porque ela é um sério obstáculo no caminho de sua Nova Ordem Mundial, onde Nosso Senhor Jesus Cristo não tem espaço para reinar. O problema é uma rejeição generalizada de Deus por parte da humanidade em geral, e por parte de seus próprios homens da Igreja em Roma em particular.

      Portanto, o problema não será resolvido por meios meramente humanos. Como o Cardeal Villot (1905-1979), um ex-secretário de Estado no Vaticano sob três Papas conciliares (1969-1979), admitiu em seu leito de morte, “humanamente, a Igreja está acabada”. E é uma falta de espírito sobrenatural, não sem certa arrogância, da parte dos atuais líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X argumentar, como o fazem, que a Fraternidade tem de negociar algum acordo com os oficiais da Igreja em Roma porque não há outra solução para a crise da Igreja. Esses homens realmente acham que o Senhor Deus carece de meios para resgatar Sua Igreja? Eles realmente acham que o braço de Deus foi encurtado pela iniquidade dos homens? Aqui fala Seu profeta Isaías (59, 1-3):

      1. Eis que a mão do Senhor não se encolheu para não poder salvar; nem o seu ouvido ensurdeceu para não poder ouvir (as nossas súplicas). 2. Mas são as vossas iniquidades que puseram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados são os que lhe fizeram esconder de vós a sua face, para não vos ouvir. 3. Porque as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos, de iniquidades; os vossos lábios falaram mentira, e a vossa língua profere a iniquidade.

      As iniquidades do homem são o problema. E é possível que Deus não tenha a solução? Não. E é possível que Ele queira que os homens não tenham parte em Sua solução? Não. E é possível que o que Ele queira que façam para salvar Sua Igreja seja especialmente difícil ou complicado? Não. Mas é possível que isto requeira alguma humildade? Sim, porque “Deus resiste aos soberbos, e dá a sua graça aos humildes” (Tg. 4 ,6). E isso requer alguma fé? Certamente, porque “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb. 11 ,6). E há alguma chance de que Deus não tenha comunicado à humanidade, à beira de destruir-se a si mesma, que humildade significa que Ele quer que os homens confiem e peçam-Lhe que intervenha e os salve da destruição? Não existe essa possibilidade. Então, o que de fato Ele disse à humanidade para que Sua Igreja fosse capaz de ressuscitar?

      O que Ele disse foi por meio de Sua Mãe, em Fátima, em 1917, em Pontevedra, em 1925, e em Akita em 1973. Em Fátima: a Rússia deve ser consagrada ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa com todos os Bispos católicos. Em Pontevedra: os católicos devem praticar a devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Em Akita: os católicos devem rezar o Rosário pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes.  São estes três pontos humildes? Sim. São sobrenaturais, requerem fé sobrenatural? Definitivamente. Algum deles é pedir muito, para que a Igreja ressuscite e para que a humanidade volte da beira da destruição? Definitivamente não. Então, que ninguém se queixe de que não haja nada que se possa fazer!

      Kyrie Eleison.

      Traduzido por Leticia Fantin.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Comentários Eleison DLVII (557) - Inimigos Constantes

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

17 de março de 2018


Não por muito tempo os inimigos de Deus seguirão vencendo.
Uma confiança plena n’Ele ir-nos-há fortalecendo.

      Muitos leitores destes "Comentários" – mas não todos, absolutamente – devem ficar chocados e incrédulos sempre que estes continuam referindo-se aos judeus como sendo uma das principais fontes dos problemas na Igreja e no mundo de hoje. Isto ocorre porque desde a Revolução Francesa (1789), quando os maçons emanciparam os judeus e lhes deram liberdade para ocupar todas as posições de influência na sociedade, os judeus, com seu controle progressivo da política, das universidades e dos meios de comunicação em particular, apossaram-se cada vez mais das mentes das pessoas, e usaram esse controle que lhes foi concedido por gentios incautos para persuadirem a todos de que os judeus são as vítimas e não a causa das tensões constantes entre eles e o resto do mundo.

      No entanto, na Idade Média, quando a Fé iluminou as mentes dos homens com o Caminho, a Verdade e a Vida, os Papas Católicos e os Concílios da Igreja publicaram um grande fluxo de documentos para fazer com que os cristãos se acautelassem dos truques dos judeus, e até mesmo para proibirem os cristãos, por sua eterna salvação, de associarem-se com os eles. Isso foi meramente "antissemitismo"? Em nossos dias, um professor italiano argumentou recentemente – e ele não está só – que os judeus são a força controladora dentro do Papado e da Igreja conciliar. Segue um breve resumo do argumento do professor, que pode ser encontrado na íntegra aqui.

      O neomodernismo que devasta a Igreja Católica atualmente é o modernismo condenado por São Pio X, mas com um novo elemento acrescentado: o judaísmo talmúdico. Os judeus sempre se esforçaram para neutralizar a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois se Ele não é Deus, o catolicismo não é nada, e então o principal obstáculo para o domínio mundial está fora de seu caminho. Por exemplo, por que, em 2009, espalhou-se certa fúria pelo mundo por alguns comentários na televisão sueca que lançaram dúvidas sobre a existência de câmaras de gás homicidas na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial? O problema não pode ter sido apenas o Bispo que fez as observações. De fato, o alvoroço foi concebido em parte para prejudicar a tradicional Fraternidade Sacerdotal São Pio X, à qual o Bispo então pertencia, mas principalmente para forçar o Papa Bento XVI a afastar-se daquela Tradição Católica que está em consonância com a Fé da Idade Média. Assim, o Cardeal Ruini, Vicário emérito do Papa da diocese de Roma, declarou na época: "Ninguém que negue o 'Holocausto' pode ser um Bispo católico".

      O professor prossegue dizendo que um grande passo adiante para esta colocação do "Holocausto" no centro da religião católica foi dado em 1965, quando o Vaticano II declarou em seu documento Nostra Aetate que a aliança de Deus com os israelitas no Antigo Testamento ainda é válida, o que significa que a redenção por Jesus Cristo já não é mais necessária para a salvação; em outras palavras, que a Igreja Católica já não possui unicamente a Verdade completa e não é o único meio de salvação eterna. A partir disso a importância religiosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, abandonada pelo Vaticano II, foi imediatamente tomada pelos judeus e anexada ao seu "Holocausto". Por isso disse Abraham Foxman da B'nai B'rith em Nova York: "O Holocausto não é simplesmente um exemplo de genocídio, mas é um ataque quase bem sucedido contra o povo eleito de Deus; em outras palavras, contra o próprio Deus".

      Assim, para os judeus, o "Holocausto" é um evento teológico, central para a nova religião que deve ser imposta ao mundo inteiro, e ante a qual todas as outras religiões devem curvar-se, a começar pelo Catolicismo. É por isso que os Bispos católicos que questionam o "Holocausto" devem ser silenciados e banidos, e a Igreja Católica deve fazer o que seus mestres talmúdicos lhe digam para fazer. E o professor italiano conclui que os "irmãos mais velhos" conseguiram-se tornar os guardiões incontestáveis da Igreja de Cristo.

      Notem que esta tese exemplifica perfeitamente a afirmação de Tertuliano de que apenas a fraqueza dos católicos é a força dos judeus. A propaganda em favor do "Holocausto" decolou somente depois do Vaticano II. Antes do Concílio, as pessoas ainda tinham um pouco de bom senso para não acreditarem que cerca de duas vezes mais judeus do que o número de judeus que havia na Europa antes da guerra teriam sido exterminados.

      Mas "não temais, pequeno rebanho" (Lc. 12, 32). Todo católico sabe que é Deus que terá a última palavra, e não os seus inimigos. Este final catastrófico da Quinta Idade da Igreja, através do qual estamos vivendo, está preparando o maior triunfo da Igreja em toda a sua história, e pagando adiantadamente por ele, a breve Sexta Idade, ou Triunfo do Imaculado Coração de Maria. Algum tempo depois poderá vir o maior triunfo em toda a história do mundo dos inimigos de Deus, o reinado de três anos e meio do Anticristo (Jo 5, 43), ou a Sétima Idade da Igreja. Mas logo em seguida virá a última palavra para acabar com todas as últimas palavras, o Juízo Geral, que pertence a Deus, e que restabelecerá perfeitamente a Sua justiça universal.

      Kyrie eleison.

terça-feira, 13 de março de 2018

Laura Raventós, jornalista tradicionalista, penetra na maldade do marxismo cultural


O marxismo é um veneno diabólico, veneno letal abrasivo e dissolvente, que aniquila as entranhas e os mesmos cimentos da Cidade de Deus. É uma antecipação do inferno, ressonância satânica do irremissível não servirei de Lúcifer, bramido desesperado que retumba nos tímpanos da eternidade.

É uma das ideologias mais perniciosas para corromper e depravar o homem. Tem semeado de escarlate e barbárie o campo da História com milhões de mortos e sacrilégios. Tem propiciado um prejuízo incalculável à cristandade, socavando de coalho suas frondosas raízes e arrastando a um número incontável de almas ao inferno. Sopro de gelo que tem murchado flores de inocência, de pureza e de virtude.
A Rússia espalhou seus erros pelo mundo, graças ao demônio que havia semeado o joio do liberalismo nos Estados outrora católicos. Hoje em dia este vírus, assentado nas democracias liberais, segue impondo sutilmente suas mefíticas ideias através do que se conhece como marxismo cultural

Entrevistamos uma especialista no tema Laura Raventós i Vilarnau, jovem andorrana especializada em Hispanismo e Tradicionalismo Católico, principalmente focado na população anglófona, como R. U. e dos EUA. Redatora no “Traditional Latin Mass Catholics” e outros meios tradicionais.


O que se entende por marxismo cultural?
A expressão clássica do marxismo tem sido a econômica, que é a colocada em marcha do aparato econômico socialista, seguindo as ideias de Marx e posteriores ideólogos criminosos como Lênin ou Mao. Ao colapsar este modelo na maioria de países em fins do século XX, o marxismo transformou-se e de forma solapada tem envenenado a cultura no mundo inteiro e com muito mais violência ao ocidente cristão. É solapado pois muitos poucos o sabem reconhecer como marxismo, mas é tanto ou mais violento e danoso que a ideologia clássica com enfoque econômico. O marxismo cultural é, pois, a colocada em marcha e vitória da ideologia liberal e judaica maçônica sobre a sociedade.

Que pessoas estão por trás e que fins perseguem?
Em primeira instância o sionismo internacional (que oficialmente se chama assim desde o século XIX), que aliado com seus títeres, em particular a maçonaria, buscam eliminar a Cristo da sociedade. Assim se propuseram desde que assassinaram vilmente a Nosso Senhor, mas de forma mais recente no século XVIII com seu primeiro e grande triunfo: a Revolução Francesa, seguido do colapso das monarquias católicas, o triunfo do liberalismo (com suas duas expressões econômicas, a capitalista e a comunista) no mundo inteiro, e por se não fosse suficiente no século XX o nefasto Concílio Vaticano II e a subsequente destruição do mundo católico. O fim é, pois, eliminar a Cristo, e com ele levar a muitas almas à sua perdição, em benefício de seu “deus”, o Demônio.

Quais são suas principais manifestações em fatos concretos?
A principal manifestação, ao menos no Ocidente, tem sido a promulgação de leis ou correntes culturais que buscam que nossa religião seja vista como algo privado que não deve pertencer à vida pública. A heresia da separação Igreja-Estado, outrora condenada pelo Papa Pio IX, é hoje uma realidade em praticamente todos os países antigamente católicos, como Espanha. De fato, hoje em dia só sobrevivem como oficialmente católicos a Argentina, Costa Rica e os microestados europeus, mas todos de forma simbólica, um arcaísmo legal, pois tem sido também consumidos pelo liberalismo e modernismo imperante em nossos tempos. Esta é a principal manifestação, o abandono da fé, pois é a porta que se abre para as outras abominações: o relativismo, a proliferação de seitas, a sodomia, o aborto o feminismo, a revolução sexual, e um sem número mais de ideias e comportamentos que buscam perverter a sociedade e fazer com que o homem esqueça seu fim primordial: servir a Deus. Curiosamente, a Virgem Santíssima advertia em Fátima que muitos se condenariam pelos pecados relacionados com a carne e são esses os pecados que mais exalta e promove o marxismo cultural, pois com mais facilidade destroem e corrompem a alma e a mente.

Por que tem tido tão boa aceitação nas sociedades liberais ocidentais?
Porque é uma ideologia relativista, onde a verdade não é universal e absoluta, mas que depende de cada um e segundo o momento. É uma verdade cômoda, onde não há pecado nem inferno, e que de fato proclamam com orgulho em seu hino “A Internacional” – é um lugar onde todos temos razão e ninguém está errado nem será julgado. Uma igualdade que não se baseia na ciência nem na lógica, senão em uma enfermidade mental, pois isso é o liberalismo uma enfermidade mental que carcome a mente pobre das massas malformadas e mal guiadas. Como ovelhas sem pastor... e é certo, pois onde estão os pastores? Apenas existem.

Como os pais podem livrar seus filhos deste veneno do marxismo cultural?
Às crianças se lhes deve ensinar fortes bases católicas, de modo que ao crescer contem com as ferramentas para detectar e aplastar a heresia. Isso só se alcançará com pais de família bem formados, e que assistam a comunidades católicas tradicionais, onde entre outras coisas se reze a Missa de sempre e se ensine a verdadeira doutrina. É a única forma. Além disso, segundo as possibilidades, deve-se afastar o máximo possível do sistema educacional liberal, usando alternativas como por exemplo a educação à distância ou em casa.

A partir de quais outras frentes se pode combatê-lo?
Já deu o maior exemplo o Papa Santo, Pio X: “Em vão construireis igrejas, pregareis missões e edificareis escolas; todas as vossas obras, todos os vossos esforços ficarão destruídos se não sabeis manejar ao mesmo tempo a arma ofensiva e defensiva de uma imprensa católica, leal e sincera” – e isso é o que falta hoje em dia, uma verdadeira imprensa católica, salvo contados meios como o de vocês. Mas faz falta mais disso e dar maior difusão e de forma mais agressiva e clara e menos politicamente correta. Os liberais têm triunfado graças ao seu aparato midiático propagandístico e o mesmo deveríamos fazer nós. Esse é o principal conselho, além claro, de nos afastarmos como da peste dos erros da igreja conciliar e nos aproximarmos mais da Roma Eterna, recuperando a Tradição Católica e a sã doutrina.

Por que há covardia em muito católicos tradicionais e não reagem ante ao que está acontecendo?
Existe covardia principalmente por duas razões. Uns temem as repercussões sociais, como o ter problemas no emprego ou em suas relações pessoais com amigos ou familiares. Outros temem o enfrentamento com as hierarquias supostamente católicas. Assim, muitos em privado criticam o mal, porém em público fazem vista grossa com o objetivo de manter seu cômodo status quo. É uma atitude muito grave, que se não for corrigida será sua própria condenação. Lembremos a Sagrada Escritura no Apocalipse. “posto que és tíbio, e não frio nem quente, te vomitarei de minha boca”. E o mais grave é que não se trata de casos isolados, se não da grande maioria, inclusive nos círculos supostamente mais tradicionalistas.

Em quais princípios sólidos se baseia para ter as ideias tão claras?
Tenho contado com o privilégio de nascer no seio de um lar católico, onde meus pais me inculcaram as bases da fé, mas quis ir mais além e instruir-me especialmente naqueles temas que concernem à salvação das almas, incluída a minha. Graças a meus bons e santos sacerdotes assim como a outros letrados de fé sólida, e apoiada em minha formação acadêmica tenho podido me aprofundar em temas de filosofia e doutrina católica, lendo e compreendendo grandes santos como Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho, e outros mais recentes como São Pio X, aos quais considero meus mestres por excelência.

Javier Navascués


Non Possumus
Adelante la Fe

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 52

Mosteiro da Santa Cruz

24 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)



      Que questão atual poderá comparar-se em gravidade à questão da gnose, que é a doutrina da Anti-Igreja? E o que é a Anti-Igreja senão este corpo do qual o demônio é a cabeça e o maus, os membros? Estes membros, outrora dispersos, unir-se-ão progressivamente até a vinda do Anticristo, cuja oposição a Nosso Senhor e à sua Igreja será completa e aparentemente triunfante, mas seu triunfo, de curta duração. Na verdade, o verdadeiro triunfo caberá à Igreja Católica, cujos membros santificar-se-ão pela paciência e obterão a vida eterna, enquanto que o Anticristo e os que obstinadamente perseverarem em segui-lo irão para o fogo eterno em punição de seus crimes, juntamente com Lúcifer e os anjos rebeldes.

      Esta oposição entre a Igreja e a Anti-Igreja é a essência do drama que vivemos e que durante o Concílio Vaticano II opôs os bispos fiéis à Igreja aos bispos liberais imbuídos, em maior ou menor grau, das doutrinas maçônicas.

      Todo o drama entre Dom Lefebvre e a Igreja Conciliar, todo o drama que divide a Tradição a respeito dos acordos com Roma, todo o drama que caracteriza o mundo atual encontra sua explicação na irredutível oposição entre a doutrina católica e a gnose, entre a Igreja Católica e a Anti-Igreja.

      Alguns poderão achar simplista esta afirmação, mas leiam os documentos pontifícios, leiam o que os Papas ensinaram a esse respeito, e verão como o combate entre a Igreja militante e seus cruéis inimigos (o demônio, o mundo e carne) se resume nesse combate entre a Igreja e a Anti-Igreja. Que foi o Concílio Vaticano II senão o triunfo das ideias maçônicas do Estado neutro e do relativismo doutrinal? Por que Roma quis os acordos com Dom Lefebvre (que os recusou) e os quer com os superiores da Fraternidade, senão para integrá-los como integrou Campos? E integrar para quê? Para que triunfe a Anti-Igreja. Mesmo o que parece não ter conexão com este combate está ligado a ele. Que mais deseja a Anti-Igreja senão a destruição da Igreja?

      A doutrina da Igreja está consignada nos documentos do seu Magistério infalível, enquanto que a doutrina da Anti-Igreja está na gnose, a qual, carecendo de um magistério, procura uma sistematização através de autores como René Guénon, que preparam as bases doutrinais para o advento do Anticristo. Isto explica a imprecisão, mais aparente do que real, de sua doutrina, que, de fato, está ainda em vias de finalização e que não chegará nunca a uma perfeita definição, pois o erro é por natureza obscuro.

      Que Nossa Senhora, que esmagou a cabeça da serpente, nos assista e proteja contra os inimigos do reino de seu divino Filho.

+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLLIII (553) - Paternidade Hoje - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

17 de fevereiro de 2018


Pobres pais! Será que não há nada que possamos fazer?
Fiquem atentos, na próxima semana uma ou duas ideias iremos trazer.


      Há quase 20 anos um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mestre de uma casa de retiros inacianos na França e, portanto, em contato direto com os problemas das famílias católicas tradicionalistas, escreveu um excelente editorial sobre Como os nossos jovens estão evoluindo. Ele pinta uma imagem sombria, e infelizmente, desde então, ela só se tornou mais obscura. Não devemos desesperar, mas, por outro lado, os pais devem ver as coisas como são. Não é como se os jovens de hoje não tivessem culpa, mas os pais devem fazer todo o possível para colocá-los no caminho para o Céu, porque ainda hoje essa é a responsabilidade dos pais. Aqui está a imagem obscura, adaptada e abreviada de Revue Marchons Droit, nº 90, avril-mai-juin, 2000:

      Vemos nos retiros jovens crescendo incapazes de reconstruir a Cristandade. Os sacrifícios feitos por pais e professores parecem não ter dado frutos proporcionais. Algo não está funcionando, claramente, e se não reagirmos, então dentro de duas gerações seremos engolidos pelo espírito do mundo.

      Os jovens entre 18 e 30 anos de idade que observamos são profundamente ignorantes sobre a crise na Igreja e no mundo, não porque não tenham sido ensinados, mas por falta de interesse. Em termos gerais, eles seguem a linha de seus pais, mas eles não podem explicar por conta própria o que está errado com a Nova Missa, com o Vaticano II, com a Nova Ordem Mundial. Nunca tendo tido de lutar, defender suas crenças ou resistir, e nunca tendo estudado por si mesmos, quando eles conhecem o mundo, cedem facilmente. Eles querem ser como todos os outros, não querem ser diferentes, não têm a convicção pessoal de defender a Tradição Católica, e, ao invés de serem apóstolos de Cristo, pouco a pouco vão com a corrente.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLI (551) - Igreja Oficial?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar


Manobrar, esquivar, enganar, defraudar, Roma poderá,
Mas certo por linhas tortas Deus escreverá.

      É preciso ter muito cuidado com as palavras, porque com as palavras nossa mente opera sobre as coisas, e as coisas constituem a vida cotidiana. Portanto, das palavras depende o modo como conduziremos nossas vidas. Na igreja paroquial emblemática da Fraternidade de São Pio X em Paris, França, existe um sacerdote da Fraternidade que tem o devido cuidado com as palavras. O Pe. Gabriel Billecocq escreveu na edição do mês passado (nº 333) da revista mensal da paróquia, Le Chardonnet, um artigo intitulado "Você disse 'Igreja oficial'?". No artigo ele nunca menciona a Sede da Fraternidade em Menzingen, na Suíça, mas reclama do "desejo" que vem de algum lugar, presumivelmente de cima, de que as palavras "Igreja conciliar" devem ser sempre substituídas pelas palavras "Igreja oficial". E ele está certo, porque as palavras "Igreja conciliar" são perfeitamente claras, enquanto as palavras "Igreja oficial" não são claras, mas ambíguas.

      Pois, por um lado, "Igreja conciliar" significa claramente que grande parte da Igreja de hoje está mais ou menos envenenada com os erros do Concílio Vaticano II. Esses erros consistem essencialmente na centralização do homem no centro da Igreja, que deveria estar centrada em Deus. Por outro lado, "Igreja oficial" é uma expressão com dois significados possíveis. Pode antes significar que a Igreja foi oficialmente instituída por Cristo e trazida oficialmente para nós ao longo dos tempos pela sucessão de Papas, e a essa "Igreja oficial" nenhum católico pode opor-se, pelo contrário. Ou "Igreja oficial" pode significar a massa dos funcionários da Igreja dedicados ao Vaticano II que durante o último meio século tem usado seu poder oficial em Roma para infligir aos católicos os erros conciliares, e a esta "Igreja oficial" nenhum católico pode não opor-se. Portanto, "Igreja conciliar" expressa algo automaticamente mal, enquanto "Igreja oficial" expressa algo bom ou mal, dependendo de qual dos dois significados esteja sendo dado. Portanto, substituir "Igreja conciliar" por "Igreja oficial" é substituir a clareza pela confusão, e também impede que os católicos se refiram ao mal do Vaticano II.

      O Pe. Billecocq nunca sugere que o Quartel-General da Fraternidade tenha "desejado" tal coisa, mas um fato e uma especulação o sugerem. Quanto ao fato, no início deste mês, o Superior do Distrito Francês da Fraternidade, o Pe. Christian Bouchacourt, entrevistado em público sobre as próximas eleições em julho, disse: "Assim que um Superior Geral for eleito, o Vaticano será imediatamente notificado da decisão". Essa notificação do Vaticano pela Fraternidade sobre as eleições desta nunca foi feita antes. E sugere fortemente que os atuais líderes da Fraternidade esperam que Roma não só seja informada, mas também que dê sua aprovação oficial à escolha de seus líderes – para que notificar, senão para conseguir aprovação? O que mais a Neofraternidade implorará da Neoigreja? O que não implorará? Como se afastou a Fraternidade dos tempos em que a fé do Arcebispo Lefebvre costumava fazer Roma implorar!

      Quanto à especulação, se ouve que dois candidatos principais estão sendo preparados por Menzingen para que os eleitores escolham como Superior Geral nas eleições de julho da Fraternidade, pois o posto não será mais ocupado por um Bispo. Suponha-se que Roma já está no controle virtual dessas decisões importantes que estão sendo tomadas dentro da Sede da Fraternidade. Nesse caso, Roma não tem muito por que temer que algum desses dois candidatos mudem substancialmente as políticas pró-romanas do Bispo Fellay, enquanto possa ter muito que ganhar com a aparência de uma mudança no topo, e ela pode ser capaz de fazer uso do Bispo Fellay em Roma como  líder de uma Congregação Ecclesia Dei "renovada", que inclua todas as comunidades tradicionais, incluindo sua própria antiga Fraternidade.

      Quem pode duvidar da habilidade dos romanos para tirar vantagem de todas as situações? A menos que... a menos que existissem novamente na Fraternidade a Fé e a Verdade que foram a força motriz do Arcebispo Lefebvre e de sua vitória sobre todos os liberais e modernistas em Roma. Esses demônios se esforçam para desfazer de uma vez por todas a Tradição Católica de Deus, que é o obstáculo potencial mais grave para sua nova Religião Mundial Única. E Deus pode exigir nada menos que o sangue dos mártires católicos para detê-los. Os mártires que vêm de entre os sacerdotes e os leigos da Fraternidade serão a sua glória.

      Kyrie eleison.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Comentários Eleison CCLXXII (272) - Sarto, Siri?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

29 de setembro de 2012


      Em um sermão para a Festa de São Pio X eu me vi pronunciando «quase uma heresia»: me perguntava em voz alta se Giuseppe Sarto teria desobedecido a destruição da Igreja de Paulo VI se, ao invés de morrer como o Papa Pio X em 1914, ele tivesse morrido como um cardeal em, digamos, 1974. Dentro da Fraternidade São Pio X isso deve soar como uma heresia, porque como a sabedoria do patrono celeste da FSSPX pode ser de algum modo falha? No entanto, a questão não é supérflua.

      Em 1970 o Arcebispo Lefebvre fez visitas pessoais a alguns dos melhores cardeais e bispos da Igreja, na esperança de persuadir um mero punhado deles a oferecer resistência pública à revolução do Vaticano II. Ele costumava dizer que apenas meia dúzia de bispos resistindo juntos poderia ter obstruído seriamente a devastação Conciliar da Igreja. Infelizmente, nem mesmo a preferência de Pio XII por seu sucessor, o Cardeal Siri de Gênova, viria a ter promovido uma ação pública contra o Establishment da Igreja. Finalmente, o Bispo de Castro Mayer deu um passo à frente, mas só na década de 1980, quando a Revolução Conciliar já estava bem instalada no topo da Igreja.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 46

13 de janeiro de 2018
Mosteiro da Santa Cruz



“Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)


Conversando com um professor universitário a respeito do artigo de Olavo de Carvalho publicado na revista Verbum números 1 e 2 de julho e novembro de 2016, abordamos a seguinte questão: este artigo exprime apenas o pensamento de René Guénon e de Schuon  ou também o do autor do artigo? Que haja críticas do pensamento de Guénon ao longo do artigo é evidente. O artigo, cujo título é “As Garras da Esfinge”, com subtítulo: “René Guénon e a Islamização do Ocidente”, revela este projeto de Guénon de islamizar o Ocidente. Mas aí se encontram também várias ideias do Olavo, o que é normal. Nenhum pensador escreve um longo artigo sem dizer nada do que ele mesmo pensa. E o que pensa Olavo de Carvalho?

Para melhor examinar esta questão, pedi ajuda ao Rev. Pe. Joaquim FBMV. Procurei também ler o que já foi escrito sobre Guénon e sobre Schuon, além de ler atentamente o artigo citado. A que conclusão cheguei?

A conclusão é que Olavo de Carvalho, apesar de criticar Guénon e Schuon, conserva algumas de suas ideias. São estas ideias que é preciso analisar.

No artigo de Verbum nº 1, página 41, ele escreve: “Que as tradições materialmente diferentes convergem na direção de um mesmo conjunto de princípios metafísicos é algo que não se pode mais colocar seriamente em dúvida. A tese da ‘Unidade Transcendental das Religiões’ é vitoriosa sob todos os aspectos.”

Esta passagem não é uma citação nem de Guénon nem de Schuon. Ela é um juízo feito por Olavo de Carvalho. Este juízo é falso, pois não existe “Unidade Transcendental das Religiões”. Isto é ecumenismo e ecumenismo do Vaticano II. Religião não é uma especulação. Que alguns pagãos tenham dito alguma coisa de verdadeiro sobre Deus é uma coisa. Que as religiões pagãs participem de uma “unidade transcendental” com a religião católica é outra e é falsa. João Paulo II talvez desse razão a Olavo. Quem não lhe dá razão é a Igreja Católica. Por quê? Porque os deuses dos pagãos são demônios, diz a Sagrada Escritura. Não há, nem pode haver união entre a verdadeira religião e as falsas, sejam elas quais forem.

Esta heresia ecumênica, pois se trata de uma heresia, é causa da perda da fé de milhões de católicos e, em consequência, da perda eterna de suas almas.

Que nossos fiéis estudem a doutrina Católica nas encíclicas dos Papas de antes do Concílio Vaticano II, o qual foi o maior desastre da história da Igreja desde a sua fundação, como diz Dom Lefebvre. O ecumenismo conciliar, assim como a tese desta unidade transcendental das religiões procedem do mesmo erro e da mesma recusa de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua única Igreja, fora da qual não há salvação.

Com a graça de Deus, esperamos voltar ao assunto.




+ Tomás de Aquino OSB




U.I.O.G.D

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Comentários Eleison DXLVII (547) - FSSPX, 2018?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

06 de janeiro de 2018


      São Paulo exige “doutrina e piedade”,
      Católicos! Leiam e rezem, ou vocês cairão.


      À medida que o mundo mergulha num declive, mais e mais pessoas estão abrindo os olhos e se perguntando onde isto terá fim. Como a Igreja Católica é conduzida decididamente em declive por um Papa que parece que tenta somente apagar os últimos vestígios da Igreja pré-conciliar, cada vez mais católicos estão abrindo os olhos e sendo levados a pensar se o Concílio (1962-1965) não teria sido um tipo de problema para a verdadeira Igreja Católica. Então eles olham para a Fraternidade São Pio X, porque foi fundada em 1970 pelo Arcebispo Lefebvre precisamente para garantir a continuidade da Igreja pré-conciliar; e o que encontram? Um grupo de sacerdotes cada vez mais solidários com a Igreja pós-conciliar, cada vez menos claros sobre o Vaticano II, e deslizando nos braços dos romanos conciliares. Resultado? Muitas dessas almas que procuram a Verdade estão mais confusas do que nunca. Então, para onde se dirigem a Igreja e a Fraternidade São Pio X em 2018?

      As almas que procuram a Verdade devem ler (por exemplo, O Reno se Lança no Tibre, de Ralph Wiltgen, ou Carta Aberta aos Católicos Perplexos, de Dom Lefebvre). Foi assim que muitos católicos descobriram seu caminho, nos anos de 1970 e nos de 1980, em direção ao movimento tradicional, onde encontraram novamente a verdadeira Igreja que eles sabiam que haviam perdido depois da “renovação” do Concílio. E em Dom Lefebvre (1905-1991) eles encontraram um líder com uma visão clara e católica do que aconteceu no Concílio – que ocorreu sob a pressão do mundo moderno para conformar-se ao mundo, enquanto que desde o início da Igreja até o século XX foi sempre a Igreja quem pressionou o mundo para conformar-se com Deus. Nesta perspectiva, o Vaticano II representou uma convulsão, uma reviravolta sem precedentes em toda a história da Igreja, mas os Padres do Concílio estavam quase todos meio deslumbrados com o mundo moderno. Foi essa convulsão que estabeleceu o curso da Igreja oficial do Concílio até hoje. E dado que os inimigos de Deus e do homem estavam por trás do mundo moderno e por trás do Vaticano II, e uma vez que, por um justo castigo de Deus, eles estão agora profundamente enraizados nos escritórios do Vaticano, então, em 2018, sem que um milagre ou que eventos graves intervenham, a Igreja oficial continuará sua queda em declive.

      E a Fraternidade São Pio X em 2018? No início de julho, no prazo de seis meses, a FSSPX realiza suas eleições para aqueles que devem ser nos próximos doze anos seus três superiores, o Superior Geral e seus dois Assistentes. Se os quarenta principais sacerdotes da Fraternidade que votarem nessas eleições desejam dar continuidade ao deslizamento da Fraternidade para os braços da Roma Conciliar, ou seja, a Igreja oficial, então, sem dúvida eles votarão para que o Bispo Fellay seja Superior Geral, a fim de que ele possa terminar o trabalho de substituir a visão clara do Arcebispo sobre a necessidade de resistir ao Vaticano II com sua confusa visão de misturar a Tradição Católica com o Vaticano II, que é como misturar o fogo com a água. Pois assim como Paulo VI (1963-1978) sonhou em salvar a Igreja e o mundo moderno, misturando-os no Vaticano II, e quase destruiu a vida da Igreja por seu sonho tirânico, assim o Bispo Fellay neutraliza a vida da Fraternidade ao impor sobre ela o seu sonho paralelo de salvar a Tradição e o Concílio em uma reconciliação messiânica de sua própria imaginação. A visão dele é bastante diferente da do Arcebispo. Então, como os 40 sacerdotes votarão? De seu voto depende a forma como a Fraternidade se desenvolverá em 2018, pelo menos a partir de julho.

      No entanto, havia um motivo para o Vaticano II, e esse era o abismo cada vez maior entre a verdadeira Igreja de Deus e o homem moderno. A tensão de mantê-los juntos tornou-se insuportável, e os padres do Concílio cederam. O Arcebispo Lefebvre manteve sua posição católica e fundou a Fraternidade, mas seus sucessores na liderança desta, por sua vez, cederam sob a mesma pressão. O mundo sem Deus de hoje rodeia-nos a todos, e seus encantos de sereia são altamente sedutores. Os católicos devem “vigiar e orar” – eles precisam ler e continuar lendo, e devem ter uma forte vida de oração para se unirem a Deus – os Quinze Mistérios do Santo Rosário, todos os dias.

      Kyrie eleison.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Comentários Eleison DXXXVIII (538) - Islã Real

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

04 de novembro de 2017


“A realidade está lá fora – ESCUTEM-ME!”
“Sem chance! O Islã é doce, e mais doce não poderia ser.”


      Quando a Grã-Bretanha tinha um Império, seus administradores estavam em contado direto com povos, raças e religiões em todo o mundo, e eles podiam falar destes por experiência própria. Hoje, em geral, os governantes da Grã-Bretanha têm apenas o seu liberalismo e a sua ideologia irreal, e é por isso que poucos deles sabem do que estão falando. O Pe. Henry Boulad, pelo contrário, é um padre jesuíta da velha escola nascido há 86 anos em Alexandria, no Egito, de uma antiga família cristã síria do Rito Melquita, antigo professor de Teologia no Cairo, Superior dos Jesuítas em Alexandria e dos Jesuítas no Egito, com, obviamente, uma experiência direta ao longo da vida sobre o Islã e os muçulmanos. Os ataques terroristas na primavera passada em duas igrejas cristãs no Egito levaram-no a dar uma entrevista na França e a escrever um livro a partir do qual adapta-se as seguintes observações. Ele seguramente sabe do que está falando!

      “Acuso o Islã, mas não os muçulmanos individualmente, que são as primeiras vítimas do Islã. Decidi denunciar a fonte do terrorismo: a principal fonte do radicalismo islâmico no mundo é a Universidade de Al-Azhar” no Cairo, Egito, onde a ideologia mortal é ensinada como a doutrina oficial do Islã. Acuso a Universidade de Al-Azhar no Cairo, supostamente a encarnação do islamismo moderado, de criar um espírito de fanatismo, intolerância e ódio em milhões de estudantes e clérigos muçulmanos que vêm de toda parte para receber uma formação em seus institutos. Por este meio, Al-Azhar torna-se uma das principais fontes de terrorismo em todo o mundo.

      Acuso o próprio Islã e não apenas o “extremismo islâmico”, porque o Islamismo é, por natureza, tanto político como radical. Há 25 anos, escrevi que o Islamismo é meramente o Islamismo despojado, em toda a sua lógica e rigor. Planeja uma sociedade visando a um califado mundial baseado na lei da Sharia, que é a única lei que considera legítima, como vinda de Deus. É um plano que toma todo o globo, que inclui tudo e é completamente totalitário. Acuso de mentirosos deliberados todos aqueles que fingem que os crimes cometidos pelos muçulmanos “não têm nada que ver com o Islã”. Estes crimes são cometidos em nome do Corão e seguindo suas claras instruções. O simples fato de que o chamado muçulmano para a oração e o chamado para matar os que não são muçulmanos são precedidos pelo mesmo grito “Allah-ou Akhbar” (Deus é grande), é altamente significativo.

      Acuso os eruditos muçulmanos do século X pela promulgação dos decretos, agora irreversíveis, que levaram o Islã ao seu atual estado petrificado. O primeiro desses decretos cancelou todo tipo de precedência para os versos do Corão de Meca, que chamam por paz e harmonia, e deu prioridade aos versos de Medina, que exigem intolerância e violência. Promulgaram-se dois decretos adicionais para tornar irreversível este primeiro decreto: o Corão foi decretado como palavra incriada de Allah, e portanto é imutável; e qualquer outro esforço de interpretação está proibido, pois foi declarado que “a porta de ijtihad (reflexão) está fechada de uma vez por todas”. A sacralização destes três decretos fossilizou o pensamento muçulmano e contribuiu para a manutenção dos países islâmicos em um atraso e estagnação crônicos.

      Acuso o Decreto “Nostra Aetate” do Vaticano II por lançar um diálogo inter-religioso destinado a ser aberto, acolhedor e compreensivo com os muçulmanos, porque durante 50 anos não demos um passo à frente, e agora estamos estagnados. O diálogo com um xeque de Al-Azhar terminou com a sua proclamação de que “todos os cristãos vão para o Inferno”. Nada se move, assim como nada se moveu nos últimos 11 séculos. Diálogo sim, mas quero um diálogo baseado na verdade. A caridade sem verdade não vai a lugar nenhum.”

      Acuso a Igreja Católica de perseguir um diálogo com o Islã com base na complacência, na realização de compromissos e na duplicidade. Depois de 50 anos de iniciativas unilaterais, os monólogos da Igreja não levaram a lugar nenhum. Ao dar lugar ao “politicamente correto”, fingindo que o diálogo não deve ofender os muçulmanos porque devemos “viver juntos”, todas as questões espinhosas, mas vitais, são cuidadosamente evitadas. Mas o diálogo verdadeiro começa com a Verdade. Solicitei um encontro com o Papa Francisco. Sem resposta.



      Kyrie eleison.

sábado, 1 de abril de 2017

A Doutrina e a Ação


Non Possumus    

     Nos anos 60, o Concílio Vaticano II conseguiu impor, sem grandes dificuldades, todo um ensinamento doutrinal contrário à doutrina tradicional da Igreja. Todos aqueles erros que haviam sido condenados pelo Magistério dos Papas anteriores, apareceram de imediato reabilitados, divulgados, aceitados e praticados, mesmo que aparentemente sem nenhuma ruptura, mediante documentos deliberadamente ambíguo, mas não tanto para que não se pudesse entender aqueles erros que se queriam impor. Alguém se questiona: como pôde ter ocorrido tal coisa? Como os católicos puderam aceitar que de um dia para o outro a Igreja começara a ensinar o oposto que até então havia ensinado? A resposta está na ignorância religiosa da maioria dos católicos de então, e na covardia dos hierarcas da Igreja que não foram partícipes diretos da subversão conciliar.
 
      Se vê claramente que os católicos daquele tempo não conheciam os documentos do Magistério, e quiçá nem sequer bem seu Catecismo. Os magníficos ensinamentos das encíclicas contra os erros modernos de todos os últimos Papas, haviam sido passadas por alto, encobertas, desdenhadas, dando lugar a uma obediência cega, obsequente, cômoda, pela figura do Papa. O render culto ao “doce Cristo na terra” servia de justificativa para evitar os deveres próprios do cristão, em particular a formação sobre as verdades reveladas e na recepção dos ensinamentos magisteriais, verificando se as mesmas se correspondiam ou não com o ensinamento da Tradição (cf. advertência de S. Paulo). Uma despreocupação pela verdade, estimulada pela nova era de conforto trazida pelas repúblicas democráticas, mais um sentimento de orgulho ante o que parecia – americanismo como meio – um triunfo da Igreja no mundo (o “cinquentismo”), criaram o ambiente propício para que os católicos, tendo baixado a guarda, tragaram para si toda a revolução conciliar, sem quase adverti-la e nem ao menos resisti-la. O trabalho combinado das lojas e dos meios de comunicação, além do próprio desinteresse dos católicos pela verdade, renderam seus frutos à Contra-Igreja. A batalha doutrinal modernista foi quase inteiramente ganha, exceto por um pequeno grupo encabeçado por um arcebispo, Mons. Marcel Lefebvre, que amava e conhecia a verdade e teve a graça de resistir. Então a Tradição foi salva.
 
     Quarenta anos depois, a Contra-Igreja já não podia tolerar mais que este grupo recalcitrante, muito maior em número, em obras, em repercussão, continuasse sua tenaz oposição à revolução conciliar. A igreja conciliar havia tentado todas as manobras, todas as argúcias, para intentar submeter a congregação do intransigente Arcebispo. Todas fracassaram. Por quê? Porque em meio a estes estratagemas, estava sempre presente o tema doutrinal. E, diferentemente do que passou nos anos 60, os “lefebvristas” tinham muito claro o problema doutrinal da Roma modernista. Por esse lado, não seria possível capturar a tão ansiada presa. É assim que um astuto político tornado Papa, recebeu a empreitada de pescar em fim o peixe – que havia mordido fazia tempo o anzol – da água, para levá-lo a uma peixaria de Roma.
 
     A manobra, então, não apontou a doutrina, senão a ação. Por demais atentos à doutrina, a subversão dos agentes liberais de dentro se centrou na forma de atuar com Roma, que mudou e se opôs à forma de atuar anterior. A doutrina foi deixara a um lado, para centrar o foco na maneira de atuar da congregação. Ninguém questionaria em Roma sua defesa da doutrina, senão seu modo “restritivo”, quase “sectário” de defendê-la. Era preciso compartilhar essa doutrina com os outros, e para isso, voltar a Roma, pois senão se corria o risco de tornar-se “cismáticos”. “É cismático não o que não obedece senão o que não convive. Por isso estaria mais na Verdade o ecumênico rabino que o isolado Mons. Lefebvre” (Pe. Calderón, “A Candeia Embaixo do Alqueire”, p. 127, em espanhol). Mas, como os membros da congregação não viam esta manobra astuta dos inimigos romanos para procurar capturá-los? Simples: eles não esqueceram a doutrina, mas esqueceram a forma de atuar de seu fundador. Mediante a linguagem ambígua ou a dupla linguagem, em cada ocasião sobre Roma sempre pareceu continuar ileso o tema doutrinal. Então não pareceu que se corria risco ao continuar os diálogos, as negociações, a tratativas, os encontros cordiais, com os liberais de Roma, Assim como os católicos cinquentistas fechavam os olhos ante tudo o que vinha desde o Papa, assim estes “lefebvristas” fechavam os olhos ante tudo o que vinha de seu Superior Geral. Como já se criam na posse da verdade, e esta a tinham bem guardada em seus depósitos, não podiam perdê-la, não deviam temer o risco de deixar de tê-la, não necessitavam revisar suas vasilhas de barro, para ver se conservavam todo o conteúdo ou não. Acreditaram-se seguros, porque tinham a boa doutrina. E esqueceram que os inimigos não só podem estar defronte, como também que a manobra mais exitosa do inimigo é infiltrar-se dentro das próprias filas. Mais ainda, nos mais altos postos das próprias filas.
 
     “O que fazia falta na tormenta que ameaça afundar a barca de Pedro, não era justamente o Concílio (Vaticano II), mas sim que a mão firme do Papa manteve o timão na direção dos princípios de sempre, pois parece certo que o nosso não é tempo de especulação, mas sim de ação”. Esta citação do Pe. Calderón (de seu livro “A Candeia Embaixo do Alqueire”, os negritos são nossos) nos leva a dizer (coisa que não diz ou não vê o próprio Pe. Calderón) que o que fazia falta na tormenta que ameaçava a Tradição (e a FSSPX) não eram justamente diálogos e negociações com Roma, senão que o Superior geral manteve o timão na direção dos princípios de sempre, ensinados por Mons. Lefebvre, que podem resumir-se nesta frase: “Todo sacerdote que queira permanecer católico tem o estrito dever se separar-se desta igreja conciliar.” Mas Mons. Fellay é um diplomático, Mons. de Galarreta um político, e Mons. Tissier um teórico, nenhum dos quais estava preparado para a ação de combate nesta guerra entre a Igreja e a Contra-Igreja. O único bispo de ação contrarrevolucionária foi Mons. Williamson, alguém que compreendeu melhor que os outros a Mons. Lefebvre, o qual entendeu perfeitamente que a doutrina não se sustenta por si mesma, mas sim por aqueles homens que combatem por ela. Hoje, associados ao bispo inglês, temos a outros dois bispos íntegros, fiéis filhos de Mons. Lefebvre: Mons. Faure e Mons. Dom Tomás de Aquino OSB. E proximamente a um quarto, Pe. Zendejas. Os bispos, como afirma São Pio X, devem preservar as almas dos erros e das seduções que por todas as partes saem ao caminho, devem instruí-las, preveni-las, animá-las e consolá-las (cfr. "Vehementer nos”). Lhes pedimos que sigam por este caminho, com mão firme no timão. E para isso procuramos ajudá-los filialmente, desde estas páginas ou desde a trincheira donde Deus nos queira usar.
 
Qual manobra utilizará o inimigo para intentar sucumbir a esta pequena Resistência? No momento, contra esses dois erros fatais que sempre mencionara Mons. Lefebvre, o ralliement liberal com Roma, e o farisaico sedevacantismo, desde a SAJM foram tomadas as medidas necessárias – desde seus próprios estatutos – para colocar-se em guarda contra eles. Mas, como os homens são débeis e o diabo não descansa, deverá se estar sempre em guarda, com os olhos abertos, e de joelhos implorando, à espera do triunfo de Maria, de seu Imaculado Coração.


     Juan Infante