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terça-feira, 13 de março de 2018

Comentários Eleison DLVI (556) - Paternidade Hoje - III

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

10 de março de 2018


O Paraíso é custoso, porém inestimável,
Ainda que meus esforços eu precise redobrar!


      O CE 553 (“Paternidade Hoje – I”, de 17 de fevereiro) atingiu um nervo. Não é de surpreender. O Diabo tem praticamente toda a sociedade em seu poder. O campo de batalha se mudou para aquelas famílias que ainda não estão em seu poder. Pais, não desesperem de Deus (que é o que o Diabo quer que vocês façam), mas meçam a medida da gravidade da situação e vejam a lógica das duas contramedidas propostas por Deus através de Sua Mãe para esta situação. Então façam o melhor que puderem e entreguem seus filhos nas mãos de Nossa Senhora.

      Muitos leitores reagiram até agora ao “Paternidade Hoje – I”, e certamente haverá mais. Um primeiro leitor lamenta que a análise do Pe. Delagneau se encaixe exatamente em sua própria família. No dia seguinte ao Natal, no ano passado, sua filha mais velha, com apenas 20 anos, virou as costas para a família, deixou o estilo de vida tradicional católico da família “de uma vez por todas”, e se entregou ao mundo com um casamento iminente, um contrato para o qual ela não está pronta. No entanto, uma centelha de esperança é que o jovem em questão não tem religião, o que significa que ele pode encontrar seu caminho para Deus com ela com mais facilidade do que se ele tivesse alguma religião! Outra centelha de esperança é sempre que a maternidade pode trazê-la de volta à realidade, como ela fez com Marya Shatova no romanece “Os Dêmonios” de Dostoievski (que viu o mundo moderno chegar).

      Uma segunda leitora, dada a precisão do retrato do Pe. Delagneau dos jovens de hoje, pergunta-se por que estes “Comentários” recomendam aos homens jovens em geral que se casem. Ela escreve que quase não há homens ou mulheres genuínos ao redor, porque “o material básico mudou”. Não seria tempo, ela pergunta, de considerar a possibilidade de que Deus deseja que mais homens e mulheres permaneçam solteiros e sofram na solidão, mas pela liberdade dos compromissos familiares terem mais tempo para a luta celibatária e para o sacrifício? No local de trabalho, ela diz que a geração crescente de trabalhadores quer dinheiro, poder e tempo livre, que eles não têm ideia, mesmo em teoria, de qualquer ethos de trabalho, e quase todos vivem em pecado, com “parceiros” ou segundos esposos ou alguma perversão ou outra coisa. “Jesus, tenha misericórdia”, conclui.

      Um terceiro leitor sugere que está certo que o Pe. Delagneau recorra aos pais, mas o que a Igreja está fazendo agora para defender as famílias? Considerando que o próprio leitor tem idade suficiente para ser capaz de olhar para trás com carinho para a década de 1960, quando sua própria mãe estava sempre em casa para cuidar dos filhos, agora ele diz que poucas famílias podem sobreviver sem que a mãe tenha que sair de casa para trabalhar, e as crianças devem ser entregues aos cuidados do estado, porque a Igreja oficial está na forca, e a Tradição Católica está distante. As condições de vida para as famílias são determinadas pelo estado, que não favorece as famílias e não tem nenhuma das habilidades da Igreja para poder ajudar com os problemas humanos de uma família. Este leitor conclui que estamos escravizados, como os judeus no Egito. Mas ele também diz que, como Deus deixou as famílias na situação de hoje, deve haver algo que elas possam fazer sobre isso.

      De fato. "Onde há vontade, há um caminho", diz o provérbio. E o Concílio de Trento cita Santo Agostinho no sentido de que Deus não pode abandonar uma alma que não o abandonou primeiro. Como disse Solzhenitsyn, a Rússia nunca teria caído no inferno comunista se não tivesse dado as costas a Deus. O Deus Todo-Poderoso permitiu o inferno para que a "Santa Rússia" voltasse para Ele. Demorou vários anos, mas esse retorno a Deus agora está acontecendo em toda a Rússia, mesmo que a conversão ainda não seja católica. Paciência. A Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria cuidará disso. "No sofrimento está o aprendizado". E agora famílias em todo o Ocidente consumista estão sofrendo intensamente. Paciência.

      Os pais precisam acima de tudo compreender a urgência da necessidade de recorrer aos dois remédios de Nossa Senhora, o Rosário e a Devoção dos Primeiros Sábados, para fazer reparação ao seu Imaculado Coração. Pois quem pode dizer que qualquer um destes remédios é absolutamente impossível? Que os pais façam um verdadeiro esforço com ambos – cinco Mistérios com os filhos, outros dez individualmente, se possível, e o que for necessário para os Primeiros Sábados; e então, como Nossa Senhora poderia abandoná-los? Não é possível!

      Kyrie eleison.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Comentários Eleison DLIV (554) - Paternidade Hoje - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

03 de março de 2017



      Não é pouco o que vocês podem fazer, pais:
      O natural, o físico e o humano, não os percam de vista jamais.

      Esperamos que os pais que leram aqui na semana passada sobre a questão de se sabem o que exige a paternidade atualmente, não tenham se sentido como se estivessem sob acusações. Eles estão sob forte pressão de todo o ambiente que circunda seus filhos, e quando as almas estão sob pressão, Deus não exige que elas façam o impossível, mas apenas o que quer que lhes seja possível fazer. Assim, na Carta à segunda das sete Igrejas da Ásia, correspondente à Idade dos Mártires da Igreja (Ap 2, 8-11), o Venerável Holzhauser explica que se os católicos de Esmirna não recebem do Espírito Santo nenhuma repreensão ou censura, como ocorre com cinco das outras sete Igrejas, é porque os católicos sob perseguição precisam de encorajamento, e não de críticas.

      E Deus sabe que os pais que se esforçam para salvar as almas de seus filhos estão sob perseguição, ainda não sangrenta, mas muito poderosa. Pois, quando os homens estão, por exemplo, voltando-se para a IA (Inteligência Artificial) para fazer de um robô o seu deus, então estão perdendo não só o Deus verdadeiro, mas toda noção da diferença entre uma máquina e um ser humano, sem falar da diferença entre homem e mulher ou entre pais e filhos. Como um ambiente em que há confiança na IA para garantir o seu futuro poderá propiciar alguma compreensão ou simpatia pela família tal como Deus a projetou?

      Como um leitor me escreveu, o comunismo oriental tratava brutalmente qualquer um que não estivesse andando na linha, mas pelo menos o inimigo da salvação era reconhecível, enquanto o que se poderia chamar consumismo no Oriente ou no Ocidente é bastante mais sutil – em vez de brutalizar, simplesmente marginaliza, fazendo com que enquanto os verdadeiros católicos sejam "anormais", as crianças desejem ser "normais", com smartphones, como todas as outras crianças, etc. O consumismo brilha com suas luzes coloridas, e, assim, as crianças estão sendo transformadas em robôs descerebrados, inteligentes o suficiente para manipularem a tecnologia e as máquinas, mas sem nenhuma ideia das questões humanas essenciais, porque não são ensinadas a ler, nem a ler nas entrelinhas, como se fez sob o comunismo, e são privadas de todas as ferramentas do pensamento. Uma geração de marionetes androides está crescendo ao nosso redor.

      Então, em contraposição ao que os pais não podem fazer, o que eles podem fazer para colocar seus filhos no caminho do Céu (será a livre escolha das crianças mais tarde se elas permanecerem ali)? Em primeiro lugar, algumas noções básicas. Deus existe, e Ele quer salvar todas as crianças, e para todos nós Ele dá a ajuda de Sua Mãe e a dos invisíveis mas poderosos Anjos da Guarda que estão do lado de todos os pais verdadeiros. Em casa, que essas realidades sobrenaturais façam parte da vida cotidiana, e que a vida cotidiana seja sobrenatural, mesmo que o senso comum dos pais impeça que as crianças sejam afastadas por um excesso artificial de religião.

      Então, no plano natural, deem a seus filhos tanto tempo quanto vocês achem que eles precisam. Que o amor seja expresso e soletrado assim: T-E-M-P-O. Para que as crianças se tornem humanas elas precisam ser formadas por seres humanos, não por máquinas. E os formadores naturais das crianças são seus pais, que têm uma enorme influência natural sobre seus filhos, caso eles apenas a usem, em vez de abdicarem dela. Estabeleçam refeições familiares regulares ao redor da mesa, e nas refeições, falem. Provérbio chinês: "Instrua seus filhos na mesa, sua esposa no travesseiro". Falem sobre política, especialmente a diferença entre a realidade e o que os meios de comunicação apresentam como realidade. Advirtam as crianças para terem cuidado fora de casa, mas digam-lhes a verdade sobre o “onze de setembro” e sobre a grande farsa (entre cinco e sete milhões). Sim, contem-lhes sobre isto assim que eles forem capazes de entender (não antes), para que possam perceber o mundo de mentira no qual Deus nos colocou para viver, como um justo castigo por nossa apostasia. Adicionem sempre a dimensão religiosa, porque está sempre lá, e os filhos precisam entender que o que importa é Deus. Mas não apenas por piedade – Nossa Senhora de Fátima promove tanto o Rosário como a Consagração da Rússia.

      Então, de modo mais prático, tirem o que puderem de aparelho eletrônico de dentro de casa. Ensinem aos filhos por que vocês não estão permitindo a televisão ou smartphones sob o seus tetos, e se vocês não podem ficar sem a Internet, ensinem-nos porque estão sob o bloqueio e a chave físicos (não apenas eletrônicos). E coloquem as mãos deles para trabalharem: os meninos no desmonte de uma motocicleta, ou na carpintaria; as meninas na costura e na cozinha; e todas as mãos no Rosário. E em vez de televisão, experimentem todas as noites uma leitura familiar do "Poema do Homem-Deus" de Maria Valtorta (título antigo). Ridículo? Tentem. Vocês podem simplesmente passar a achar que o "Poema" é a própria resposta de Deus à televisão!

      Kyrie eleison.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLLIII (553) - Paternidade Hoje - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

17 de fevereiro de 2018


Pobres pais! Será que não há nada que possamos fazer?
Fiquem atentos, na próxima semana uma ou duas ideias iremos trazer.


      Há quase 20 anos um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mestre de uma casa de retiros inacianos na França e, portanto, em contato direto com os problemas das famílias católicas tradicionalistas, escreveu um excelente editorial sobre Como os nossos jovens estão evoluindo. Ele pinta uma imagem sombria, e infelizmente, desde então, ela só se tornou mais obscura. Não devemos desesperar, mas, por outro lado, os pais devem ver as coisas como são. Não é como se os jovens de hoje não tivessem culpa, mas os pais devem fazer todo o possível para colocá-los no caminho para o Céu, porque ainda hoje essa é a responsabilidade dos pais. Aqui está a imagem obscura, adaptada e abreviada de Revue Marchons Droit, nº 90, avril-mai-juin, 2000:

      Vemos nos retiros jovens crescendo incapazes de reconstruir a Cristandade. Os sacrifícios feitos por pais e professores parecem não ter dado frutos proporcionais. Algo não está funcionando, claramente, e se não reagirmos, então dentro de duas gerações seremos engolidos pelo espírito do mundo.

      Os jovens entre 18 e 30 anos de idade que observamos são profundamente ignorantes sobre a crise na Igreja e no mundo, não porque não tenham sido ensinados, mas por falta de interesse. Em termos gerais, eles seguem a linha de seus pais, mas eles não podem explicar por conta própria o que está errado com a Nova Missa, com o Vaticano II, com a Nova Ordem Mundial. Nunca tendo tido de lutar, defender suas crenças ou resistir, e nunca tendo estudado por si mesmos, quando eles conhecem o mundo, cedem facilmente. Eles querem ser como todos os outros, não querem ser diferentes, não têm a convicção pessoal de defender a Tradição Católica, e, ao invés de serem apóstolos de Cristo, pouco a pouco vão com a corrente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Excelente declaração do Civitas sobre o Sínodo


Tradução: Cristoph Klug

O Instituto Civitas realizou uma Declaração Solene contra o Sínodo e contra as manobras dirigidas para que a FSSPX seja reconhecida pela Roma conciliar. Esta Declaração foi pontualmente atacada por Jacques Regis du Cray, pois esta foi publicada apenas 48 horas depois da “muito cordial” declaração de Mons. Fellay. Curiosamente, a Declaração foi publicada por La Porte Latine, até agora o site oficial da FSSPX na França. A explicação deste paradoxo estaria no fato de que os chefes do Civitas têm acesso direto à administração do site La Porte Latine. Até hoje, eles têm lutado contra o acordo-reconhecimento da FSSPX por parte de Roma desde o interior da Fraternidade. No Le Forum Catholique, os acorditas fraternitários vêm dizendo desde há muito tempo coisas como as seguintes: “fechem então La Puerta Letrina, Nemo é demasiadamente amável ao chamá-la de jornaleco”; “Demos à FSSPX uma imagem honorável, desligamo-nos de La Porte Latine e seu aiatolá mal-acabado”; “La Porte Latine é uma m.....”; “La Porte Latine é administrada por leigos, aiatolás da Fraternidade, loucos de Alá”; etc. E no blogue chamado “Amigos da PorteLatine”, deixam bem claro que este é o único site oficial da verdadeira Tradição Católica na França.

Sabemos desde há muito, por outro lado, que a FSSPX tem preparada uma Neo-Porte Latine mais acorde aos novos ventos que sopram na Fraternidade (conferir aqui). Não terá sido possível lançar o novo site? Medo de uma grande ruptura com muitos sacerdotes e fiéis anti-acordistas que ainda permanecem dentro da FSSPX? Muito provavelmente.

Tradinews nos informa, além disso (extrato): Civitas, no início muito próximo à FSSPX, anuncia em termos bastante diretos que não seguirá a esta em sua eventual reconciliação com Roma. E que se passará aos que a deixaram, a chamada “Resistência”. Desde t
odos os pontos de vista, a FSSPX tem se distanciado do Civitas na medida em que o instituto começou sua virada “nacional católica”, patchwork de todas as manifestações da direita da direita da direita. Dito de outro modo, o trio residual do Civitas declara a guerra ao caminho que tomará indubitavelmente a FSSPX, e se dá ao luxo de fazê-lo desde o site francês da mencionada FSSPX. Um amigo me escreveu “surpreendido de ver que o Civitas mesmo assim tem acesso à La Porte Latine”. Eu lhe respondo que a verdadeira questão é mais bem saber se a FSSPX ainda dirige seu site. Alguns duvidam.




DECLARAÇÃO SOLENE DO INSTITUTO CIVITAS



SITE OFICIAL DO CIVITAS (destacamos o parágrafo mais relevante)



O Sínodo da família, pensado e organizado pelo Papa Francisco durante os meses de outubro de 2014 e 2015, tem mostrado que uma grande parte das mais altas autoridades da Igreja querem impor um olhar positivo sobre a homossexualidade e relativizar ­– inclusive legitimar – os divórcios e as uniões adúlteras.



É com esta última finalidade que o papa Francisco promulgou o Motu Proprio Mitis Iudex Dominus Iesus, que institui sem dizê-lo a possibilidade do divórcio na Igreja. Esta finalidade está presente no documento final do Sínodo, o qual afirma (nº 84-86) o primado da consciência individual, favorecendo o interesse individual dos cônjuges a expensas da mesma instituição do matrimônio.


Esta revolução, saída diretamente do espírito antropocêntrico e relativista do Concílio Vaticano II, constitui um ataque suplementar contra a ordem instituída pelo Criador. Ela gera repercussões diretas sobre a ordem social, o matrimônio cristão que é por sua vez uma realidade sacramental e a pedra angular que funda a sociedade.



É por isso que

- O Instituto Civitas reitera sua firme oposição a todas estas pérfidas manobras que destroem em profundidade a família e a sociedade. 

- Retomando textualmente as palavras do grande arcebispo Monsenhor Marcel Lefebvre, promulgadas em 21 de novembro de 1974, o Instituto Civitas proclama: “Nós aderimos de todo coração, com toda nossa alma, à Roma católica guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a preservação desta fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e negaremos sempre a seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e despois do Concílio em todas as reformas que deste saíram”. 

- O Instituto Civitas jamais aceitará calar-se nem se subscreve à estratégia de sepultamento que consiste em fazer-se aceitar por aqueles que destroem a Igreja e a sociedade, tanto no interior como no exterior. Com efeito, é impossível trabalhar na cristianização da sociedade colaborando precisamente com aqueles que a subvertem. 

- O Instituto Civitas reafirma sua vontade, sejam quais forem as consequências, de trabalhar agora e sempre, oportuna e inoportunamente, pela cristianização de nossa sociedade. Com este fim, o Instituto Civitas continuará oferecendo sua colaboração aos sacerdotes fiéis à Tradição Católica para assisti-los e ajudá-los em suas atividades apostólicas, e solicitará sua colaboração e sua cooperação em suas atividades próprias, políticas ou sociais. Também quer ser um exemplo de colaboração livre e frutuosa entre o temporal e o espiritual, destruída pelo laicismo anticristão.




Paris, em 25 de outubro de 2015, Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei.