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sábado, 8 de setembro de 2018

Comentários Eleison DLXXXII (582) - Para onde, Resistência? - II

Por Dom Richard N. Williamson
8 de setembro de 2018
Tradução: Borboletas ao Luar


Resistentes, nenhum de nós pode renunciar!
Somos parte de um grande e glorioso desígnio de Deus!

      Quando João Paulo II se tornou Papa em 1978, vários católicos estavam sinceramente esperançosos de que a situação na Igreja seria melhor do que tinha sido sob Paulo VI, mas lembro-me do Arcebispo Lefebvre dizendo que se João Paulo II não limpasse a casa em Roma nos primeiros seis meses de seu pontificado, ele não seria capaz de romper com as políticas estabelecidas em Roma por Paulo VI. Da mesma forma, se o Pe. Pagliarani não limpar logo a casa no topo da Fraternidade, os seguidores de Dom Fellay que o rodeiam poderão impedi-lo de fazer qualquer mudança significativa nas políticas desastrosas de seu predecessor. A podridão que começou com o GREC na década de 1990 teve tempo de fincar raízes bem profundas.

      Portanto, se alguém está preocupado com o futuro da “Resistência”, sob o argumento de que a Fraternidade está voltando ao bom caminho com o novo Superior Geral, pelo que a “Resistência” não seria mais necessária, a primeira parte da resposta é que ainda não é certo que a Fraternidade está retomando o bom caminho. Devemos esperar e ver. O Pe. Pagliarani é um bom homem, ele certamente tem boas intenções, e nós rezamos por ele; mas se ele escolhe, antes de mais nada, unir liberais e antiliberais dentro da Fraternidade por meio de compromissos humanos e políticos, nunca salvará a Fraternidade de seu atual declínio. Nossa fé é nossa vitória sobre o mundo, diz São João (1 Jo 5, 4), e não nossas políticas. Portanto, a "Resistência", aquele pequeno e disperso grupo de Bispos, padres e leigos que fazem o possível para resistir às políticas desastrosas de Roma e de Menzingen, ainda não pode deixar de resistir, por mais desorganizada que seja, por mais ineficaz que possa parecer. Alguém na Igreja deve lutar pelo que o Arcebispo Lefebvre lutou.

      Pois, realmente, em segundo lugar, imagine um convertido sendo levado pela graça de Deus, mesmo hoje, à fé católica. Por seus próprios princípios, a fé deve encarnar-se em algum lugar. É muito provável que ele não a encontre nas palhaçadas do Novus Ordo. Afasta-se então da Igreja conciliar em direção à Tradição. Encontra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mas então descobre que ela está-se tornando conciliar. Para onde ele se volta em seguida? Se não há "Resistência", ele arrisca abandonar o Cristo Encarnado. Alguém na Igreja deve estar vivendo pela lógica da verdadeira Fé de vinte séculos, caso contrário corre o risco de haver almas que concluam que essa Fé está obsoleta no mundo de hoje. Da mesma forma, as almas que abandonam o alto trapézio da Fraternidade precisam de uma rede de segurança católica sobre a qual possam cair, com ou sem o nome de "Resistência".

      E em terceiro lugar, há várias maneiras de misturar uísque com água, mas todas dependem de alguém que produza uísque puro. Do mesmo modo, há uma variedade ainda maior de maneiras de misturar Nosso Senhor com o mundo, mas todas dependem de algumas pessoas que sustentam em suas vidas, e não apenas em suas palavras, um exemplo para que todos vejam a verdadeira vida católica. Esta função sempre foi desempenhada pelas Ordens e Congregações religiosas da Igreja. Daí a importância delas. Porém, depois do Concílio que as arruinou, essa função passou a ser desempenhada especialmente pelo Arcebispo e por sua Fraternidade. Mas hoje, de todas as partes do mundo chegam relatos da Fraternidade fellaysada dando exemplos cada vez mais fracos da vida e da moral católicas. Alguém na Igreja deve dar testemunho no mínimo do esforço para viver de acordo com as altas normas de doutrina e moral que Nosso Senhor exige das almas (Mt 5, 48).

      E uma quarta razão para que a “Resistência” não se resigne, ou saia do negócio, ou desista da cansativa luta pela Verdade, é que não pode fazê-lo, porque, se o fizesse, como diz Nosso Senhor (Lc 19, 40), as pedras da rua teriam que gritar. Em outras palavras, a Verdade pode ser sufocada por toda a humanidade; porém não são os homens, mas é Deus quem está no comando do mundo, e Ele nunca permitirá que a Verdade seja completamente silenciada, porque isso frustraria Seu propósito ao criar o mundo, que é povoar o céu.

      Portanto, a "Resistência" pode amanhã ou no dia seguinte mudar de forma – e, nesse sentido, sua atual falta de forma realmente ajudará! –, mas de uma forma ou de outra, Deus a fará continuar (cf. Is. 6, 9-11).

      Kyrie eleison.

sábado, 1 de setembro de 2018

Comentários Eleison DLXXXI (581) - Para onde, Resistência? - I

Por Dom Richard N. Williamson
1º de setembro de 2018
Tradução: Borboletas ao Luar


Resistentes, por motivo nenhum devem desistir.
O que salva a igreja hoje? Aqueles que continuam a resistir!

      Se alguém ainda se pergunta o que o movimento católico “Resistência” deve fazer, os recentes acontecimentos nos Estados Unidos tornam isso mais óbvio do que nunca: deve manter a fé! Com a publicação oficial no mês passado pelo estado da Pensilvânia, nos EUA, de um documento de oitocentas páginas que prova, sem deixar qualquer resquício de dúvida, a culpa de religiosos católicos do alto escalão em crimes abomináveis contra a lei da terra e a lei de Deus, milhões de católicos se verão tentados, e não apenas nos EUA, a duvidar da fé e a renunciar à Igreja.
Um leitor destes "Comentários" aponta três links da Internet perturbadores, e escreve:

      Meu coração dói. Jesus não ensinou isso. Estou chorando amargamente. Sou um homem duro, e não choro com frequência. Mas não aguento isso. Desculpe-me, mas se isso continuar eu vou ter de me tornar ortodoxo oriental, ou perderei absolutamente a cabeça. Eu simplesmente não aguento mais essa monstruosidade. Estou com dor física, porque isso está fazendo meu peito doer. Vou perder a cabeça. Todas as orações e missas são em vão, se é que ainda as fazem aqueles que participam nas orações e missas. Nosso Senhor está sendo posto de ponta-cabeça por esses hereges! Eu não aguento!

      Ora, pecados acontecem, e continuarão acontecendo até o fim do mundo, mesmo entre os padres e bispos, porque Deus não lhes tira seu livre arbítrio, e nenhum legislador sábio na Igreja ou no estado confia na mera legislação para abolir o pecado. Somente a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo pode purificar as almas do pecado (Rm 7, 24- 25). É por isso que o estado é basicamente impotente para curar os problemas humanos mais profundos de sacerdotes, famílias ou nações. Está obrigado a fazer o melhor possível para proteger os seus cidadãos, mas todos os estadistas inteligentes e honestos reconhecem que somente a Igreja Católica possui todos os meios para alcançar a cura nas profundezas das almas humanas. É por isso que eles favorecerão a Igreja da melhor maneira possível para o bem do estado, e protegerão da melhor maneira possível a reputação de bispos e padres, e deixarão que a Igreja cuide de seus próprios criminosos, se assim o desejarem. Mas se a Igreja se recusa a lidar com seus criminosos, então o estado tem de intervir.

      O que é tão escandaloso na presente praga de abuso por clérigos contra adolescentes e crianças é a extensão dos abusos, o encobrimento sistemático dos abusos cometidos por clérigos do alto escalão, e a altura do cargo de alguns deles, que chega ao topo da Igreja. De fato, o escândalo é conhecido nos EUA há dezenas de anos, e é totalmente impossível que também não fosse do conhecimento de todos em Roma. Por décadas, no entanto, uma rede de homossexuais teve imenso poder dentro da estrutura e da hierarquia da Igreja, a ponto de exercer um amplo controle em Roma sobre a nomeação de bispos, e nas dioceses em relação à seleção de seminaristas. Pode ser cada vez mais difícil tornar-se bispo ou padre sem pertencer pessoalmente a essa rede.

      Mas o que poderia explicar tal desastre entre tantos clérigos? A única explicação proporcional é a perda da fé desencadeada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), após a qual o grande protetor da perseverança do sacerdote, seu Breviário, e o propósito de sua existência, a Missa, foram mutilados e estropiados (Sacrosanctum Concilium, Capítulos II e IV). Tire de qualquer homem o propósito de sua existência, e ele estará obrigado a procurar satisfação em outro lugar. Pelo menos um comentarista americano culpa o satanismo pelo desastre, um pecado que ataca diretamente a Deus, e, como tal, muito mais grave que os pecados da carne. Mas os homens só se voltam para Satanás quando se afastaram ou foram afastados de Deus. O Vaticano II abriu a porta para aparentemente toda a Igreja afastar-se de Deus.
                                                                                                
      Kyrie eleison.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Comentários Eleison DLXXVII (577) - Capítulo Geral II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei
04 de agosto de 2018


Meu Deus, eu não posso. Eu devo.
Vós podeis. Eu imploro. Eu confio!


Ao menos por enquanto, pode-se razoavelmente julgar que o Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X terminou em mais uma derrota disfarçada para a Fé Católica. É uma pena que os quarenta principais sacerdotes do que uma vez foi a Fraternidade de Dom Lefebvre não compreendam toda a dimensão da a crise da Igreja e mundial em que todos nos encontramos hoje, mas essa é a realidade. De certa forma, não se pode culpá-los, porque não são nem mais nem menos do que filhos de sua época. Dado que estamos vivendo em tempos pré-apocalípticos, por que os sacerdotes da Fraternidade deveriam ser poupados das tentações e da cegueira que desde o Vaticano II reduziram a massa dos bispos e sacerdotes da Igreja? A Igreja tem a promessa de Nosso Senhor de que nunca falhará (Mt XXVIII, 20), mas a Fraternidade nunca teve tal promessa.

Portanto, quem os católicos que desejam salvar suas almas “get real [caiam na real]”, como dizem os americanos, ou conformem suas mentes à realidade de nossa situação. Por exemplo, uma mãe angustiada dos Estados Unidos me escreveu sobre sua preocupação com os filhos:

“Eu quero que meus filhos tenham outros filhos que amem a Fé. E quero que tenham outras oportunidades para que conheçam fiéis católicos e talvez se casem um dia. Eu tenho um filho de apenas doze anos e gostaria de ser padre. Qual é o futuro para eles? Haverá sempre no nosso entorno um padre da “Resistência”? E que tal uma escola? E meu filho estará seguro entrando em um seminário?” Deve haver hoje muitas mães católicas com a mesma ansiedade. Respondi com a imensa necessidade que todos os católicos têm hoje de compreender a realidade e de conformar-se a ela:


Querida Mãe,

 ACOSTUME-SE À IDEIA DE QUE PARA UM FAMINTO UM PEDAÇO DE PÃO É UM LUXO. A Igreja encontra-se em estado faminto. Então:

1. A cada dia basta o seu cuidado, diz Nosso Senhor (Sermão da Montanha). Pode haver ou não um seminário decente quando seu filho de doze anos crescer. Se não houver, isso significará que Nosso Senhor não quis que ele fosse sacerdote. Mas muita água passará sobre a represa entre o agora e o então.

2. Um sacerdote da “Resistência” em seu entorno? Só o tempo dirá. Enquanto isso, você não é obrigada a ir a missas que diminuem sua fé, na realidade você pode ser obrigada a não ir a elas. Que você e seu marido julguem. Mas se você não assistir a uma Missa pública, você deve adorar a Deus em casa regularmente no domingo. Este é o Terceiro Mandamento. Seu exemplo ensinará seus filhos.

3. Uma escola da “Resistência” seria um superluxo. Enquanto isso, enquanto as crianças REALMENTE ouvem seus pais biológicos, isso está no fundo de sua natureza. Você pode enviá-los para as escolas não tão boas, contanto que você tenha o Rosário em casa, e vigie atentamente todas as influências que venham a influenciá-los, especialmente sua música... Não os deixe sozinhos em seus quartos com nenhum aparelho eletrônico. Mantenha esses aparelhos maus fora de casa, o mais longe possível.

4. Basta para o dia o seu próprio mal. Lembre-se do que disse Santo Ambrósio a Santa Mônica: “O filho de muitas lágrimas (o futuro Santo Agostinho) não pode-se perder”. Chore lágrimas de sangue, se é necessário para a salvação de cada um dos seus filhos – o que é mais importa? –, mas ao mesmo tempo tenha uma confiança ilimitada no Sagrado Coração de Jesus e no desejo e poder de Sua Mãe para obter sua salvação.

Portanto, caros leitores, o Arcebispo e sua Fraternidade eram um superluxo. É normal demais que hoje a percamos. Devemos “cingir nossos rins”, ou seja, apertar nossos cintos e pensar em salvar nossas almas sem ela. A graça de Deus está sempre presente. “O auxílio de Deus está mais próximo que a porta”, diz o provérbio irlandês.

Kyrie eleison.

domingo, 18 de junho de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº XVIII (18)

Mosteiro da Santa Cruz

VOZ DE FÁTIMA, VOZ DE DEUS Nº 18
03 de junho de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)

Resistência?

                Entre aqueles que negam à Resistência sua razão de ser, muitos raciocinam da seguinte forma: A Fraternidade não assinou nenhum acordo com Roma; quando o fizer, aí sim haverá uma razão para resistir. Enquanto isto não acontecer, toda Resistência é sem sentido.
Raciocinar desta forma é ignorar que os inimigos da Igreja são astutos. Eles não querem que haja uma resistência à regularização jurídica da Fraternidade São Pio X. Eles querem sujeitar juridicamente a Tradição à sua autoridade. Para obter este resultado, eles agem por etapas, para não assustar ninguém. Mesmo assim esta estratégia tem encontrado resistências como a dos sete decanos e a dos três superiores de comunidades religiosas francesas. Mas, de modo geral, a estratégia romana surte efeito. A razão deste resultado é talvez mais profunda do que uma simples estratégia. “Só os santos creem no mal”, dizia Gustavo Corção. Só Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer criam verdadeiramente que a Igreja está ocupada por cruéis inimigos. Quem não crê no mal não verá nunca a razão de resistir e de combater energicamente os modernistas, que detêm os mais altos cargos no interior da Igreja neste momento.
Que Deus nos dê a graça de combater como o fizeram Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer; e para isso, que Deus nos dê a graça de odiar o mal com os dentes, como dizia Santa Catarina de Sena.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Extrato de uma resposta do pe. Trincado ao pe. Ernesto


Trecho do email enviado pelo padre René Trincado no dia 8 de março de 2016, com autorização do mesmo para publicação.

Reverendo Padre:

Já que o senhor persiste em me difamar publicamente mediante insultos e falsas acusações, vejo-me obrigado a respondê-lo. Como sacerdote, e em atenção ao bem dos fiéis que estão sob meus cuidados, estou forçado a me defender de suas ofensas públicas.

Fique a todos claro que é o senhor que tem levado esta situação a estes extremos. Ao menos poderia ter respondido minhas mensagens anteriores ou ter feito algum outro gesto de aproximação com ânimo de superar as dificuldades existentes; mas não: parece que, para o senhor, do que se trata é de ofender – a quem nunca lhe fez nada – uma e outra vez, desde longe seguro de ficar impune, e a traição.

Eu o que digo sobre mim, vale também para os bispos, para Dom Tomás e para muitos fiéis insultados e injustamente acusados pelo senhor de “traidores”, “hereges”, “liberais” e outros qualificativos irreproduzíveis aqui.

I. Em sua carta intitulada “Las causas del Caos (o la extraña teología del intrincado P. Trincado y &"), publicada hoje no sítio “Apostolado Eucarístico”, o senhor expressa o seguinte:

“O P. Trincado, grande sofista defensor de MW , me escrevia defendendo tal erro (em 9/12/15) : “....O da árvore e os frutos tampouco se pode taxar de errôneo(!)...Um exemplo sobre o mesmo, se eu digo "se um cego guia outro cego, ambos cairão no buraco normalmente ou na maioria das vezes, mas não sempre (SIC!!!!).Não cometo heresia nem expresso algo que realmente justifique um escândalo (SIC!). As parábolas de Cristo não são definições dogmáticas”.(SIC!)”

O senhor se refere ao mesmo aqui:

Sermão de 6/03/16:
https://www.youtube.com/watch?v=Kpvr31uS240
Catequese de 6/03/16: https://www.youtube.com/watch?v=YpUiWbfeS_k

No sermão o senhor agrega: “quando eu li isto, eu tremi, porque me dei conta de que estava tratando com um homem que já não tinha mais fé (min. 15 em diante).

Certamente, padre, eu não perdi a fé. E você tampouco, mesmo que vá no caminho de perdê-la porque está ensinando constantemente uma grande quantidade de erros contra a fé e a moral, em comparação com os quais, aquelas palavras desafortunadas ou imprudentes de Mons. Williamson em uma resposta improvisada à pergunta de uma mulher birritualista nos EUA, não são praticamente nada (ver aqui e aqui).

Esta é a citação completa do que respondi sobre a parábola das árvores e frutos bons e maus:
O da árvore e os frutos tampouco se pode tachar de errôneo, pois qualquer um pode, a partir de uma parábola evangélica, fazer diversas analogias legítimas. Nessa ocasião, inspirando-se na referida parábola, Monsenhor falou corretamente de outra classe de árvore: a árvore “enferma” que dá frutos bons e maus ou frutos meio bons e meio maus... Um exemplo sobre o mesmo: se eu digo: “se um cego guia a outro cego, ambos cairão no buraco normalmente ou na maioria das vezes, mas não sempre”; não cometo heresia nem expresso algo que realmente justifique um escândalo. As parábolas de Cristo não são definições dogmáticas.

Vejamos:

-“qualquer um pode, a partir de uma parábola evangélica, fazer diversas analogias legítimas". Para que essas analogias sejam legítimas, elas não devem trair o ensinamento de fé ou de moral que Nosso Senhor quis transmitir mediante o emprego dessas parábolas. Isso o senhor não entende porque não é capaz de diferenciar, na Escritura, entre letra e sentido, e por isso chega a fazer a afirmação absurda de que eu sustento que se pode contradizer a doutrina de Cristo com essas analogias ou implicações legítimas. Há nessa ideia sua um grave defeito de lógica, padre, pois em tal caso, essas “analogias legítimas” deixariam de ser tais e passariam a ser “ilegítimas”. O senhor voltará a dizer que escrevo um novo sofisma. Tudo o que o senhor não entende o qualifica como sofisma?

Quanto a essa passagem evangélica das árvores e os frutos em particular, faço-lhe saber que segundo Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica(1) e segundo os Santos Padres que ele cita na Catena Áurea (2), a “árvore” não é uma natureza, como diziam os hereges e tende a pensar o senhor, senão uma vontade que pode ser boa ou má. Por isso São Jerônimo disse (ver na última obra citada): “Perguntemos aos hereges, que admitem em si mesmos duas naturezas contrárias se, segundo seu modo de pensar, uma árvore boa não pode produzir maus frutos, como Moisés, árvore voa, pecou junto às águas da contradição (Nm 26, 72), São Pedro negou ao Senhor na paixão dizendo: “Não conheço a esse homem”, e o sogro de Moisés, árvore má que não cria no Deus de Israel, deu-lhe um bom conselho?

Então, seja essa mesma a primeira pergunta que agora lhe formulo a você, padre: Como São Pedro, sendo árvore boa, deu mau fruto e como o sogro de Moisés, sendo árvore má, deu bom fruto?

E uma segunda pergunta para você: Nunca houve algum mau fruto na Igreja Católica e nunca houve algum bom fruto na “Igreja conciliar” (entendida como essa sociedade presente em todo o mundo, liderada por Francisco, à que todos chamam “Igreja Católica”)?

Terceira pergunta: todos sabem que um católico que se encontra em pecado mortal, não por esse fato somente deixa de pertencer à Igreja. Logo, como é que existe esse fruto mau na árvore boa da Igreja de Cristo?

Quarta pergunta (dupla): você se considera árvore boa ou árvore má? Como então, às vezes dá frutos bons (quando obra o bem) e às vezes dá frutos maus (quando peca)?

- “se eu digo: “se um cego guia a outro cego, ambos cairão no buraco normalmente ou na maioria das vezes, mas não sempre”; não cometo heresia nem expresso algo que realmente justifique um escândalo”. O ensinamento de Cristo, nessa passagem, refere-se a que os guias religiosos que estão no erro farão cair no erro aos seus seguidores. Para inculcar essa ideia, Nosso Senhor se vale da figura de dois cegos: um que guia a outro. Porém, ao modo dos judeus e protestantes, você se prende à letra e desentende do sentido, e por isso é capaz de sustentar, absurdamente, que Nosso Senhor revelou que cada vez que aconteça que um homem fisicamente cego guie a outro homem fisicamente cego, os dois cairão em um buraco físico (!). Sobram os comentários sobre tal disparate. Padre: nessa passagem Nosso Senhor não quer ensinar sobre as consequências da cegueira física. Concorda? Pois bem, do mesmo modo, na das árvores e frutos bons e maus o Senhor não quis revelar verdades sobre botânica, senão sobre a moral. Ou é que Ele veio para nos ensinar ciências naturais? ou é que você crê que as ideias da “árvore e fruto bom” e da “árvore e fruto mau” são próprias da ciência botânica? Por favor!

Lembra-se do que nos ensinaram no seminário sobre a interpretação católica da Sagrada Escritura e sobre os diferentes gêneros literários que há nela, sobre as objeções à inerrância, etc.? Pelo visto, o senhor se esqueceu de tudo isso.

Quinta pergunta para o senhor: Nosso Senhor diz que o grão de mostarda é a menor de todas as sementes que existem no mundo (Mc 4, 31). Você está de acordo com que peca contra a fé o que diga que exista alguma semente de menor tamanho que a de mostarda?

- “As parábolas de Cristo não são definições dogmáticas”. Claro que não são. Você incrivelmente, afirma o contrário, o qual – perdoe-me a franqueza
dá conta de uma ignorância supina em teologia.

E, então, sexta pergunta para o senhor: aquele que diga que existe alguma semente no mundo que seja menor que a de mostarda, nega uma definição dogmática?

II. Na “catequese” do vídeo anteriormente mencionado, o senhor diz a seguinte falsidade (para não usar o termo “mentira”): “dos trabalhos que fiz sobre não poder haver milagres fora da Igreja Católica, ninguém me respondeu. Ninguém.” (min. 7,33). A verdade é outra: eu o respondi (como se pode ver mais abaixo) com clareza e precisão. Os dominicanos de Avrillé lhe responderam.

Por certo... sétima pergunta: está disposto a publica a resposta que lhe deram os dominicanos de Avrillé?

O professor Carlos Nougué, que sim sabe teologia, deu-lhe várias excelentes respostas aos seus escritos (3). Com elas qualquer pessoa intelectualmente honesta fica persuadida de que não é impossível que, excepcionalmente, ocorram milagres fora da Igreja. Outra coisa é que o senhor não quer dar o braço a torcer, que você não quer aceitar (agora, pois pelo bisto muda periodicamente de parecer sobre o ponto) o que ensinam Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, o Card. Lepecier (em um texto previamente submetido à censura eclesiástica em tempos de São Pio X), o celebérrimo “Dictionnaire de Théologie Catholique” (também submetido à estrita censura pré-conciliar), e à maioria dos teólogos católicos pré-conciliares. Todos estes serão liberais? Hereges? Traidores?

Oitava pergunta: retrata-se de haver dito isto: “dos trabalhos que fiz sobre não poder haver milagres fora da Igreja Católica, ninguém me respondeu. Ninguém.”? 

III. Sobre a obra destruidora da Resistência na qual você, muito lamentavelmente, se encontra empenhado desde fins do ano de 2015: tenho me inteirado que os fiéis de Ciudad del Este já não o querem receber mais. Terão eles se tornado traidores, hereges e liberais também? Irá dizer deles que lhe "dão asco", como disse dos fiéis de Vitória?

Nona pergunta: é verdade que os fiéis de Ciudad del Este não o querem receber mais?

Décima: não é verdade que o senhor dividiu e destruiu a Resistência do Uruguai porque o senhor apoiou posturas sedevacantistas?

domingo, 3 de abril de 2016

Comentários Eleison CDLV (455) - O Legado do Arcebispo – II

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blogue Borboletas ao Luar)



Estrutura, ou não? Onde está a Fé?

Onde quer que ela esteja, ir lá necessário é!



Em 2012, os sucessores do Arcebispo à frente de sua Fraternidade Sacerdotal São Pio X, tendo falhado em compreender sua postura fundamental de antepor a Verdade católica à Autoridade católica, alegaram falsamente estar seguindo seu exemplo quando, no Capítulo Geral da Fraternidade daquele verão, se dispuseram a colocar a Autoridade sobre a Verdade ao abrirem as portas para algum acordo político e não doutrinal com os mentirosos de Roma – “O catolicismo é revolucionário” é uma mentira monstruosa. Por anos entre esses sucessores tem-se difundido rumores de que o acordo é iminente, mas Roma os tem onde quer, por culpa deles mesmos, que se expõem para que ela continue extraindo deles concessões como, possivelmente, a desastrosa entrevista de 2 de março concedida pelo Superior Geral a um predador profissional. Roma conciliar nunca se esquece daquilo que a FSSPX parece não querer mais lembrar – que a Tradição Católica e o Vaticano II são absolutamente irreconciliáveis.

Entretanto, o Arcebispo teve discípulos que não se esqueceram disso. Eles estão sob o nome de “Resistência”, a qual, logicamente, é mais um movimento do que uma organização. Apegando-se à Verdade contra a falsa Autoridade, tanto de Roma como, agora, da FSSPX, qualquer autoridade interna entre eles pode, na melhor das hipóteses, ser oferecida por suplência, isto é, como uma autoridade anormal suprida invisivelmente pela Igreja em caso de emergência para a salvação de almas. Mas tal autoridade, pela invisibilidade de sua transmissão (em contraste com as cerimônias visíveis pelas quais muitos tipos de autoridade entre os homens são transmitidas), é muito mais fraca e mais contestável que a autoridade normal na Igreja, que descende sempre, em última instância, do Papa. Assim, a “Resistência” tem a força da Verdade, mas uma fraqueza em relação à Autoridade que é normalmente essencial para proteger a Verdade católica.

Certamente, os católicos resistentes, dentro ou fora da Tradição, têm de levar em conta as muitas consequências dessa separação entre Verdade e Autoridade imposta pelo Vaticano II a toda a Igreja. Estando o Supremo Pastor de Deus extremamente ferido pela loucura conciliar, como não poderiam estar extremamente dispersas as ovelhas de Deus (cf. Zc. XIII, 7; Mt. XXVI, 31)? Para não sofrerem, os católicos teriam de deixar de pertencer à Igreja Católica. É isto o que eles querem? Então, os católicos durante estes tempos não deveriam estar surpresos com traições nem desapontados por divisões. No momento, ao Diabo está sendo dada quase uma via livre para causar divisões (“diabolein”, em grego), e quando os católicos estão todos lutando pela salvação eterna, as divisões são frequentemente amargas. Paciência.

Logo, dos Papas conciliares já não pode haver sangue vital da verdadeira autoridade Católica fluindo para as instituições católicas, e então as pessoas católicas já não podem mais depender das instituições católicas como elas poderiam normalmente fazer. Em vez disso, qualquer uma dessas instituições tem de depender das pessoas para a Verdade, tal como nós vimos a FSSPX depender de Dom Lefebvre. Mas pessoas sem apoio ou controle institucional são sempre propensas a falhar, e então parece imprudente esperar que algum agrupamento de católicos pela Verdade atualmente vá atrair grandes números. Os católicos podem naturalmente aspirar por estrutura, hierarquia, superiores e obediência, mas estes não podem ser fabricados do nada. Seguramente o pouco que resta é a ordem do dia. Paciência.

Para concluir, os católicos que se esforçam para manter a Fé devem aceitar seu bem merecido castigo, renunciar a todas as ilusões e invenções humanas, e implorar em oração para que Deus Todo-Poderoso intervenha. Quando suficientes almas se voltarem para Ele, para a Sua solução em vez das suas próprias, estas reconhecerão que Sua Providência lhes providenciou isso na forma da devoção dos primeiros sábados, em reparação de Sua Mãe. Pois quando suficiente reparação tiver sido feita, Ele dará a seu Vigário na terra a graça de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração dela, e, consequentemente, a ordem começará a ser restaurada como Ele prometeu. Para a prática desta devoção, não percam o “Comentário” da próxima semana.



Kyrie eleison.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A Cruz da Resistência


Neste 7 de outubro, festa de Nossa Senhora do Rosário e aniversário da grande vitória da batalha de Lepanto, queremos oferecer aos fiéis da Resistência um estandarte: a Cruz da Resistência.

Nosso emblema não pode ser outro que o de Cristo e sua Igreja: a Santa Cruz que nos tem salvado e que venceu o mundo inimigo de Deus.

Esta Cruz é, em essência, a Cruz dos cruzados, porque é preciso restaurar o espírito militante destruído pelos hereges liberais.

É uma Cruz tingida de sangue porque a cor vermelha do sangue é a cor da guerra, e a Resistência combate uma Guerra Santa contra o liberalismo. Também porque uma Caridade ardente deve animar a todos os combatentes da Resistência, de modo que estejam dispostos a chegar ao extremo do martírio no cumprimento de seu sagrado dever.

É uma Cruz formada por quatro espadas, porque Cristo disse “não vim para trazer paz senão a espada” (Mt X, 34), e esta espada santa é absolutamente incompatível com o traidor diálogo liberal, com a herética tolerância liberal, com o apóstata ecumenismo liberal, e com o covarde pacifismo liberal. São quatro as espadas porque a Resistência deve combater sem trégua – usque in finem (Mt XXIV, 13) – aos inimigos que assediam à Igreja pelos quatro flancos. As lâminas das espadas representam o ataque e suas guarnições simbolizam a resistência; os dois atos da virtude e da fortaleza. As quatro espadas de dois fios figuram também os quatro Evangelhos, nossa arma primeira, segundo a doutrina de São Paulo (Hb IV, 12).

As quatro espadas que formam os braços da Cruz apontam rumo aos quatro pontos cardeais, porque a Resistência, por pequena e humilde que seja e colocando toda a confiança em Deus, deve aspirar – alegre, audaz, valorosa e magnanimamente – à reconquista do mundo para Cristo Rei.



A Crus está sobre um fundo branco, cor que simboliza a Fé e a Fidelidade.