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quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Infalibilidade Papal - Pe. Júlio Maria Lombaerde

A infalibilidade do Papa e da Igreja católica manifesta-se por palavras expressas, indicando em termos claros e precisos, que o Papa, ao dar uma decisão, no-la dá, como Soberano Pontífice, gozando e usando neste momento da prerrogativa da infalibilidade, que lhe outorgou Jesus Cristo.

Para que uma decisão do Papa seja infalível, e obrigue a todo o católico, sob pena de heresia, são exigidas as três condições seguintes:

1. — Que o OBJETO desta decisão seja a fé, a moral ou a disciplina geral da Igreja

2. — Que esta decisão seja dada pelo Papa, não como Doutor privado, mas sim como Pastor e DOUTOR SUPREMO de todos os cristãos, sendo isto particularmente especificado.

3. — Que esta decisão seja dada pelo Papa, COMO OBRIGATÓRIA, para a Igreja universal.

Cumpridos estes três requisitos, diz-se que o Papa falou ex Cathedra, isto é, como estando sentado no trono de Pedro, definindo que uma doutrina sobre a fé e sobre a moral deve ser acreditada pela Igreja universal.

Eis a infalibilidade.

Ela não pertence propriamente À PESSOA do Papa, como tal, mas sim à sua FUNÇÃO, ou antes, ela é inerente a uma de suas funções, a de DOUTOR SUPREMO dos cristãos.

Para ser infalível, não é bastante ser Papa, nem exercer tal ou tal função do Papado: É mister exercer a função específica de falar ex Cathedra – super cathedram Petri, e falar à Igreja universal.

Há muitos Papas que nunca usaram deste privilégio, embora exercessem os outros misteres de chefe da Igreja. Não tiveram ocasião de exercê-lo.

Tais Papas possuíam a infalibilidade como prerrogativa, sem exercê-la, do mesmo modo que São Francisco de Assis possuía o poder de consagrar o Corpo e o Sangue do Salvador, embora a sua humildade o conservasse afastado do Altar, sem que jamais tenha celebrado a Santa Missa.

Quantos médicos, advogados, engenheiros, são formados na respectiva arte, sem exercer as funções desta arte! Possuem a prerrogativa, sem entretanto exercê-la.

Tudo o que faz um médico, não pertence à medicina; nem tudo o que um advogado faz, pertence à magistratura. Assim, tudo o que o Papa faz e diz não pertence à infalibilidade; são somente infalíveis aqueles ATOS DETERMINADOS, com os requisitos já mencionados.

Este ponto é importante e é necessário sublinhá-lo, pois é aí que está a fonte dos erros que correm a esse respeito e das confusões que reinam em certos espíritos a respeito deste dogma.

“O Papa não é infalível, nem como homem, nem como sábio, nem como sacerdote, nem como bispo, nem como príncipe temporal, nem como juiz, nem como legislador”, diz muito bem uma Instrução pastoral, altamente aprovada por Pio IX.

“O Papa não é infalível, nem impecável em sua vida, em seu comportamento, em suas visitas políticas, em suas relações com os príncipes, e nem sequer no governo da Igreja; mas ele o é única e exclusivamente quando, em sua qualidade de DOUTOR SUPREMO da Igreja, define assuntos de fé e de moral, decisões que devem ser aceitas e consideradas obrigatórias para todos os fiéis.

O cardeal Manning exprime-se do mesmo modo: Pelas palavras: ex Cathedra, acham-se excluídas da infalibilidade, diz ele, todos os atos do Pontífice como pessoa privada, ou como doutor particular, ou como bispo local, ou como soberano de um Estado.

Em todos estes atos o Papa está sujeito ao erro. Ele está isento de erro numa única circunstância, quando, como Doutor Supremo, ensina à Igreja universal, acerca da fé e da moral. (Hist. Conc. Vat.).

Podemos ir além, e restringir ainda mais a infalibilidade.

Eis um Papa assentado na Sé de S. Pedro, e que aí fala livremente ex Cathedra, à Igreja universal a respeito de um ponto de fé ou de moral. Tudo o que ele diz não é, por isso, infalível.

Até nos decretos ou bulas dogmáticas, diz um teólogo secretário geral do Concílio do Vaticano I (Dom Fessler) não se deve considerar tudo indistintamente como decisão dogmática, e, por conseguinte, como objeto da infalibilidade.

Em particular, não se deve considerar como infalível, o que é apenas mencionado de passagem, ou o que serve de introdução ou de consideração.

Todos os teólogos estão de acordo a esse respeito (Melchior Cano: De locis theol.).

A única coisa infalível no Papa é o DOUTOR SUPREMO da Igreja universal, acerca de fé e de moral.

Tudo o que contém uma bula dogmática não é, pois, infalível.

As considerações, os diversos argumentos que preparam o espírito estão excluídos, ficando o ATO DE FÉ reservado às palavras próprias da definição: palavras claras, precisas, muito solenes, pelas quais o Papa afirma que tal ou tal verdade é revelada por Deus, e que deve ser aceita, sob pena de anátema ou exclusão da Igreja.

Os termos das definições dogmáticas são os seguintes: Eis porque, apoiando-nos fielmente sobre a tradição que remonta até ao começo da fé cristã, para a glória de Deus nosso Salvador e a salvação dos povos cristãos, nós ensinamos e definimos que é um dogma devidamente revelado: a saber: ... Docemus et divinitus revelatum dogma esse definimus:

Aplicando estes termos à própria definição da infalibilidade, temos a seguinte declaração de fé:

“Que o Pontífice romano, quando fala ex Cathedra, isto é, quando preenchendo o cargo de Pastor e Doutor de todos os cristãos, em virtude de sua autoridade apostólica, define que uma doutrina sobre a fé ou a moral deve ser acreditada pela Igreja universal, goza plenamente, pela assistência divina, que lhe fora prometida na pessoa do Bem-aventurado Pedro, desta infalibilidade de que o divino Redentor quis dotar a sua Igreja, definindo a respeito da fé ou moral; e que, por conseguinte, tais definições do Pontífice Romano são irreformáveis por si mesmas, e não em virtude do consentimento da Igreja.

Se alguém, que Deus não o permita, tivesse a temeridade de contradizer a nossa definição, seja ele anátema.”


Eis um ato emanando do Doutor Supremo, sobre um ponto determinado da doutrina católica: tal ato é, pois, uma sentença da infalibilidade.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Sacerdócio Católico

A Santa Missa


O ponto de mira dos ataques protestantes é o Papa e os Padres, em síntese, o Sacerdócio católico.

Para eles o Padre é um homem qualquer, que não possui autoridade, nem poderes especiais. Julgam o Sacerdócio católico igual ao estado dos seus pastores.
 
A presença do Sacerdócio é a prova da divindade de uma religião; a ausência do Sacerdócio é prova da origem humana de uma seita.

Só a Igreja Católica possui um Sacerdócio real, divino. Os protestantes possuem apenas pastores, por eles nomeados, mas sem missão e sem autoridade divinas.

Estudemos este belo assunto, e diante da luz da Bíblia, cairão as baixas objeções protestantes.

São Paulo, na Epístola aos Hebreus (VII), descreve com a profundeza que lhe é peculiar o sacerdócio de Melquisedec, no Antigo Testamento.

É um capítulo magistral, que representa um tratado de teologia sobre o assunto. Extraímos apenas os textos principais que vão ao nosso caso.


I. Palavras de São Paulo
 

O Sumo-Sacerdote Melquisedec
1 – Melquisedec era rei de Salem, Sacerdote de Deus Altíssimo.
2 – Interpreta-se Rei de justiça e também rei de Salem, que é rei de paz.
3 – Sem pai, nem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias, nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
4 – Considera quão grande era este a que até o Patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos.
5 – E os que entre os filhos de Levi recebem o sacerdócio, têm segundo a lei, a ordem de tomar o dízimo do povo, isto, é de seus irmãos, conquanto eles também tenham saído dos rins de Abraão.
9 – Mas aquele cuja linhagem não é contado entre eles, tomou o dízimo de Abraão, abençoou este que tinha as promessas.
10 – Ora, sem nenhuma contestação, o menor é abençoado pelo maior.
11 – De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio Levítico... que necessidade havia de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedec, e não fosse chamado segundo de Aarão?
12 – Porque mudou-se o sacerdócio, necessariamente se fez também mudança na lei.
15 – É muito mais manifesto ainda se, a semelhança de Melquisedec, se levantar outro sacerdote.
16 – O qual não foi feito segundo a lei de mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível.

17 – Porque assim testifica dele: Tu és Sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec (Hebreus).


II. O erro protestante  
O texto citado nos revela a grandeza do sacerdócio católico, o único sacerdócio verdadeiro neste mundo. As seitas protestantes estabelecem chefes, que não são religiosos, mas apenas civis ou fictícios, sem mandado e sem autoridade.
Ora, uma religião divina exige uma autoridade divina.

Não basta um homem qualquer dizer: “Tu és pastor de almas”. Necessário é, que uma vez autorizado, tendo uma autoridade divina, diga: “Eu comunico-te uma autoridade religiosa sobre os outros homens”. Ora, um homem tendo sido escolhido por Deus para ser o seu representante e ministro; tendo sido ungido e delegado pelo representante de Deus na terra, este homem recebe, pelo sacramento da ordem, um caráter que nunca mais se paga; ele é sacerdote para a eternidade.

Se voltasse à vida mundana, se caísse no vício, ele é e sempre ficará sacerdote do Altíssimo. Será um mau sacerdote, mas sempre será sacerdote!


III. Doutrina Católica

Como é diferente o Sacerdote, segundo a doutrina católica!
São Paulo, descrevendo o Sacerdócio de Jesus Cristo, descreve ao mesmo tempo o sacerdócio de todos os que no decurso dos tempos, serão revestidos deste mesmo sacerdócio.

O Sacerdote supremo é um; o Sacerdócio é único.
O Cristo Sumo-Sacerdote

Este Sacerdote é o Cristo; os sacerdotes, seus sucessores, participam deste mesmo e único Sacerdócio.

As características deste Sacerdócio são indicadas pelo Apóstolo:


É sem pai, sem mãe, sem genealogia, semelhante ao Filho de Deus, sacerdote para sempre (Hb. VII, 3).

Este texto indica as quatro grandes exigências do Sacerdócio Católico.

Todo aquele que deixar por amor de meu nome casa, irmãos ou irmãs, pai ou mãe, ou a mulher ou os filhos, ou a herdade, receberá o cêntuplo neste mundo, e possuirá a vida eterna (Mt. XIX, 29).

O desapego, a renúncia deste mundo e até da própria família para consagrar-se ao serviço de Deus, eis a primeira virtude que Jesus Cristo exige de seus ministros.

O sacerdote Católico faz este sacrifício e, como os Apóstolos, deixa tudo para seguir seu Mestre, podendo dizer como São Pedro:

Eis-nos aqui, nós deixamos tudo para vos seguir! (Mt. XIX, 27).

O Apóstolo ajunta: deve ser sem genealogia.

Que quer dizer isto?

A genealogia é a linhagem, a origem, a ramificação de uma família. Esta genealogia é composta de uma série ascendente e de outra descendente.

O homem não pode existir sem série ascendente, pois todo homem é filho de seus pais, mas pode viver sem descendentes, isto é, sem filhos.

Esta palavra é, pois, uma indicação de seu afastamento do mundo, e indica o estado virginal do sacerdócio e do sacerdote: Inupta et virgo cogitat quae Domini sunt. O solteiro e a virgem pensam nas coisas de Deus, diz o Apóstolo (I Cor. VII, 34). Separando-se dos seus pais, pelo nome de Deus, e afastando-se do mundo, o sacerdote é bem o homem sem pai nem mãe (Hb. VII, 3).

Renunciando ao matrimônio, prometendo guardar a castidade, ele renuncia a genealogia descendente, e torna-se, pela vida pura, semelhante ao Filho de Deus (Ibid), que deixou seu pai, para fazer-se homem, para nascer de uma mãe virgem e viver numa pureza sem mácula. Eis que uma virgem conceberá e dará a luz um filho (Is. VII, 14).


IV. O Sacramento da Ordem  
O texto citado termina pelo cunho próprio do sacerdócio.
A separação, o afastamento, a virgindade são qualidades preparatórias, indispensáveis, para tornar-se semelhante ao Filho de Deus, como diz São Paulo; falta ainda o Sacramento da Ordem para ser Sacerdote para sempre (Hb. VII), conforme a ordem de Melquisedec.
É a quarta indicação do estado sacerdotal.
Sacerdos, dizem os teólogos, vem de sacer-do ou sacra-dans, dando coisas sacras.

O sacerdócio não é um ofício transitório, acidental, é um cargo que provém da impressão de um caráter sagrado na alma, e como tal o sacerdócio é eterno, como eterno é o grão sacerdote, o supremo sacerdote, que é Jesus Cristo.
Eis, numa frase lapidar o sacerdócio de Jesus Cristo e o caráter de cada sacerdote católico:
- Separação dos pais;
- Afastamento do mundo;- Virgindade de vida; - Caráter sacerdotal.
O sacerdócio levítico da antiga lei não tinha estas qualidades; por isso era preciso que houvesse outro sacerdócio, diz o Apóstolo (Hb. VII, 11), não segundo a ordem antiga de Aarão, mas segundo a ordem nova de Melquisedec.

Mudou-se o Sacerdócio, a lei foi também mudada. (Hb. VII, 12).

Era de temor; agora é de amor.
Era de imolação de holocaustos; agora é de imolação do próprio Cristo. Já estou farto dos holocaustos de carneiros, diz o Senhor (Is. I, 11). Ele entregou-se a si mesmo para nossa salvação (Ef. V, 2).
Este novo sacerdócio não é mais feito segundo a lei carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível (Hb. VII, 16).
O Sacerdote católico, como diz bem São João, não nasce nem do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus (Jo. I, 13). Estas palavras reproduzem e resumem admiravelmente o texto de São Paulo, repetindo a mesma verdade:
Separação dos pais (nascer do sangue);
Afastamento do mundo (nascer da carne);Virgindade de vida (nascer do homem); Caráter sacerdotal (nascer de Deus).Assim, conclui o Apóstolo pode-se testificar dele e dizer: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec (Hb. VII, 17).
Convinha tal sumo sacerdote (e tais sacerdotes) santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime que o céu (Hb. VII, 26).

É a mesma gradação, com outros termos:

- Separação dos pais (para santificar-se);
- Afastamento do mundo (para conservar-se inocente);- Virgindade de vida (para ficar imaculado);- Caráter sacerdotal (fazendo o homem mais sublime que o céu).

VI. Comparação
 
Se compararmos o sacerdócio instituído por Jesus Cristo, com estes sublimes caracteres, temos ideia da grandeza deste sacerdócio, como da sublimidade da vocação e do ministério sacerdotal.
E se ao lado desta divina instituição colocarmos a vida de um Pastor protestante, ficamos horrorizados em constatar que estes homens, que se dizem Pastores, não possuem nenhum dos característicos indicados pelo Apóstolo.

O pastor é um homem qualquer, que não se distingue em nada dos correligionários, nem na ciência, nem na piedade, nem na virtude, nem na vida. Em absolutamente nada!

A vida de um pastor é um emprego, um ganha-pão, um ofício, como o ofício de advogado, de professor, de vendedor ambulante.

O que ele quer é viver e ganhar a vida: todo o resto são meios: o fim é o sustento... só isto!

Faltam-lhe por completo os quatro requisitos exigidos por S. Paulo, e representados na vida de Melquisedec.

­– Separação dos pais – Não se separa da família, senão por necessidade.
– Afastamento do mundo – Veste e vive como qualquer mortal. – Virgindade de vida – casa e casa-se novamente, cria filhos e filhas, como qualquer homem casado. – Caráter Sacerdotal – Não possui nenhum. Não recebe um Sacramento, nem Unção, nem Missão, nem Autoridade; – prega a Bíblia porque quer, e deixará de pregar quando bem entender, e torna-se de novo um vulgar cidadão.
São dois antípodas:

O Sacerdote é de Deus;
O Pastor é dos homens;
O Sacerdote vive para Deus;
O Pastor vive para sua esposa;
O Sacerdote trabalha para Deus;
O Pastor trabalha para ganhar o salário.

E há homens, que lendo a Bíblia, a passagem citada de S. Paulo e muitas outras, não compreendem isto?

Para que então serve a Bíblia?

Reflitam um instante e constatarão que a presença de um sacerdócio eterno na Igreja Católica, é uma prova irrefutável da divindade desta Igreja, como a falta de sacerdócio no protestantismo é a prova de sua falsidade.

 
VII. Sacerdote, Altar, Vítima
Não pode haver religião sem altar, sem sacrifício e sem sacerdote.

No Gênesis encontramos estas indicações em termos positivos: Noé edificou um Altar ao Senhor, e lhe ofereceu um sacrifício sobre este Altar (Gn. VIII, 20).

 
Noé era o sacerdote; Edificou um Altar; Ofereceu um sacrifício sobre ele.
Abraão, por sua vez, construiu um altar em Siquém, em Hebron, e ali ofereceu um sacrifício ao Senhor (Gn. XII, 7 – XIII, 18) e assim por diante em toda parte há um culto religioso, encontramos o sacerdote, o Altar, a vítima (Gn. XXII, 9) – (XXXV, 1) – (Ex. XV, 15) – (XXVII, 1) – (XXIX, 13) – (Nm. VII, 1) – (XVIII, 3) – (Dt. XXVII, 5) – (Es. III, 2) – (Jt. IV, 9) – (Lm. II, 7) – (Jo. II, 17) – (Am. IX, 1) – (Ml. II, 13) etc.

Em toda parte no antigo como no novo Testamento, encontramos, como base de todo culto os três inseparáveis elementos de um sacerdote, de um altar e de uma vítima.

Na Igreja Católica, a única igreja fundada por Jesus Cristo, estes três elementos são igualmente a base de todo o seu culto.

Há um sacerdócio instituído pelo próprio Jesus Cristo: Fazei isto em memória de mim (Lc. XXII, 19) disse o Salvador aos seus apóstolos, instituindo o Santo Sacrifício da Missa.

Há também um sacrifício.

É a função do sacerdote, diz o Apóstolo, ou do Pontífice, oferecer dons e sacrifícios a Deus (Hb. V, 1).

Há ainda um altar: Nós temos um altar, diz ainda São Paulo, do qual não podem participar os que servem no Tabernáculo (Hb. XIII, 10).

O Sacerdote é aquele que recebe o Sacramento da Ordem, e é ungido e consagrado Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec, com os caracteres já indicados.

O sacrifício é o próprio Jesus Cristo, que, não querendo mais os holocaustos de animais, oferece-se a si mesmo, ao Pai eterno, para a Salvação dos homens (Hb. V, 1).

O altar é o lugar preparado para oferecer este sacrifício, onde, por indicação divina, deve ser imolado a vítima. O anjo estava diante do altar para oferecer as orações (Ap. VIII, 3).

Se agora olharmos para o culto protestante, não encontramos nenhum destes elementos essenciais.

Sacerdote? – Não há. Apenas há um leigo que se intitula Pastor, mas sem ordenação, sem missão, sem poderes, sem capacidade.

Altar? – Não existe: no templo há apenas uma estante e uma Bíblia. Nenhum altar, nenhum incenso, nenhum lugar próprio para Sacrifícios.

Sacrifícios: Não existe também. Fazer as vezes uma Ceia, onde é servido apenas um pedaço de pão e um copo de vinho, não constitui nenhum Sacrifício; é uma ceia, um jantar, o que quiserem, que se pode fazer em casa como na casa de oração... nada mais. Nem sacerdote, nem altar, nem sacrifício: tudo desaparece.

O profeta tinha anunciado que em toda parte haveria um sacrifício puro em honra de Deus (Ml. I, 11) e a casa de oração protestante aboliu este sacrifício: Periit sacrificium... geme outro profeta (Jó I, 9).

É o deserto, a destruição... é a abominação no lugar que deveria ser santo, e que torna-se um antro de perdição. Et erit in templo abominatio desolationis (Dn. IX, 27).





LOMBAERDE, Padre Júlio Maria de. Objeções e erros protestantes. Manhumirim: O Lutador, 1932.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O debate entre Lutero e Eck

Tendo falecido o imperador Maximiliano, em 12 de janeiro de 1519, foi só depois da eleição do seu sucessor, Carlos V (out. de 1519), que o processo contra Lutero foi retomado. Nesse ínterim um novo acontecimento patenteara a má vontade de Lutero: a discussão de Leipzig. Os erros de Lutero foram-se espalhando com a repulsa de uns e a aprovação de outros. Em breve as próprias universidades da Alemanha veriam as suas opiniões divididas, efeito das dúvidas e discussões suscitadas.

O enfraquecimento da fé e o relaxamento da moral eram um terreno propício para as novidades e revoltas.

As universidades de Wittemberg, Ingolstad e Leipzig combinaram entre si um debate público para resolver a pendência. O lugar escolhido foi o castelo do conde Jorge de Sax, em Leipzig. Ali deviam reunir-se os representantes de cada partido. O salão de honra do castelo foi dividido em duas partes destinadas às duas facções, com dois púlpitos no centro, um em frente ao outro.


O grande teólogo John Eck, paladino invencível da religião católica, com a idade de 43 anos.
Ilustre sacerdote que denunciou a fraude e o logro das heresias. Ano de 1572. 

A discussão teve início a 27 de junho de 1519 entre Carlostad e Eck. O enviado de Lutero foi vergonhosamente vencido, não podendo provar as suas teses, nem refutar as do seu antagonista.

Referindo-se, mais tarde, a esse fracasso, falou Lutero: ‘Em Leipzig Carlostad recolheu vergonha em vez de honra, mostrando-se um miserável polemista, com espírito tapado e tolo.’ (H. Boeckmer: Der Junge Luther 1929, pág. 255). A impressão foi péssima para a pretensa reforma. Os partidários chamaram Lutero para vingar a desfeita e soerguer a honra comprometida da nova doutrina.

Em 4 de julho reencetou-se a polêmica, desta vez entre Lutero e Dr. Eck. Tudo convergiu logo para a palpitante questão: a autoridade da Igreja em matéria doutrinal. Lutero havia opugnado as indulgências, proclamando o valor supremo da Bíblia e a inutilidade das boas obras, mas não tinha ainda opinião formada sobre a jurisdição da Igreja em questões de doutrina. Caiu em contradição, titubeou, aderindo, publicamente às condenadas doutrinas de Huss, rejeitando a autoridade da Igreja. O Dr. Eck refutou vitoriosamente as asserções heréticas, e Lutero não fez papel mais brilhante do que o seu representante vencido, Carlostad. Os ânimos dos sectários se exaltaram e vários começaram a gritar contra as asserções católicas de Eck. 

A 14 de julho encerrou-se a discussão, levando os louros do triunfo o Dr. Eck, como o próprio Lutero depois declarou em uma carta a Melanchton: ‘Eck tem as vantagens: ele triunfa e reina. Estes leipziganos não nos saudaram, nem visitaram, mas nos trataram como inimigos, enquanto acompanharam Eck em toda parte... para nossa vergonha... aí está todo o drama: começou mal e acabou pior... discutimos mal.’ (Enders: corr. II, 85, 20 de julho de 1519).

O conde Jorge de Saxe, o povo de Leipzig, a universidade e os católicos hesitantes sentiram-se fortalecidos em sua fé, mas Lutero, recolhendo-se sob a capa do seu amor próprio ferido, se tornou cada vez mais intratável e grosseiro.

Ei-lo feito definitivamente herege.

LOMBAERDE, Pe. Julio Maria de. O Diabo, Lutero e o Protestantismo. 2ª Ed. Manhumirim: O Lutador, 1950.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A Mulher vestida de sol: Nossa Senhora ou a Igreja Católica?

"Depois apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça; estava grávida, e clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz."

Apocalipse de São João XII, 1



Quem é essa mulher do Apocalipse? A Igreja Católica, em todas as edições do Apocalipse, dá nas anotações que essa mulher significa a Santa Igreja. Ela nos gera na dor e o demônio faz tudo para sua destruição. Mas os ataques e perseguições deste não a poderão destruir. A Igreja se manterá, protegida e defendida pelo braço poderoso do seu divino fundador. Eis o sentido figurativo aceito por toda a cristandade, desde os tempos mais remotos.

Porém, este capítulo do Apocalipse pode ser aplicado à Mãe de Jesus. Nada o impede, e nada o proíbe, desde que fique entendido que tal passagem é altamente de sentido figurado.

Se a passagem é figurada, admite, pois, diversas interpretações.

Há diversos sentidos nas expressões da Sagrada Escritura.

O sentido pode ser literal ou espiritual.

O sentido figurado, no Apocalipse domina, e aqui, sobretudo na visão da mulher misteriosa, vestida do sol, tendo sob seus pés a lua e, em sua cabeça, uma coroa de doze estrelas. (Ap. XII,1)

Tudo é metafórico. Tal mulher significa a Igreja Católica, luminosa como o sol, pelo seu ensino, tendo sob seus pés a lua, imagem das variações humanas, e em sua cabeça, a coroa dos 12 apóstolos, que formam como a irradiação da sua cabeça, que é o Cristo.

Tal é a interpretação católica. Mas não sendo o sentido literal próprio, senão simplesmente metafórico, é permitido dar-lhe outra interpretação, e dizer, por exemplo, que tal mulher misteriosa é a Virgem Imaculada, Mãe de Jesus. Ela é revestida de sol, que é Jesus Cristo comunicando-lhe, pela dignidade de Mãe de Deus, um esplendor, que não é dela própria, mas que vem do sol divino, que é o Cristo. Ela tem a lua sob os pés, para significar o seu domínio sobre a criação: tem a cabeça ornada de 12 grandes estrelas, que são os 12 grades privilégios do que foi enriquecida pelo Altíssimo. A comparação, embora secundária, é suave, é expressiva e mostra, admiravelmente, a grandeza e o poder da divina Mãe do Salvador.



Padre Júlio Maria de Lombaerde, Missionário de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, no livro "Objeções e erros protestantes".