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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Conferência de Mons. Fellay em Michigan, EUA, em 3 de fevereiro: citações inéditas

Por Non Possumus      

      Esta entrada é a continuação desta outra.

      Demo-nos ao trabalho de escutar a conferência completa em inglês, e em seguida lhes damos a conhecer alguns extratos – não publicados no artigo da FSSPX.NEWS – da conferência de Mons. Fellay em 3 de fevereiro de este ano no Priorado St. Joseph, de Michigan, USA:

      Após repassar a história da Fraternidade e suas idas e vindas de Roma desde o ano 2000, torna a falar do demolidor Bergoglio, a quem chama “nosso querido papa Francisco”:

      O Papa Francisco me disse que foi provavelmente o Espírito Santo quem inspirou o papa Bento a não seguir adiante (com a excomunhão) e deixar o assunto ao próximo papa. O papa Francisco se negou a firmar nossa excomunhão. Ele me disse: Eu não os condenarei. Ao Cardeal Castrillón, o papa lhe disse: “Eu nunca condenarei a Fraternidade”. O Papa nos disse: “Vocês são católicos”. Eu sei, todo mundo sabe todos os problemas que temos na Igreja por causa de nosso querido Papa Francisco, e ao mesmo tempo, o mesmo papa nos diz: Eu não condenarei a Fraternidade. Ele nos disse: “Causam-me problemas em Roma porque sou gentil convosco. E eu lhes digo: Escutem, eu tenho os anglicanos, tenho aos protestantes, porque não posso ter estes católicos?” Isso é o que me disse! [Parece que Mons. Fellay não se deu por insultado ao ser posto num mesmo nível com os anglicanos e os protestantes] Está claro que o papa tem tido gestos a nosso favor e os têm multiplicado, em diferentes níveis, a maioria são desconhecidos, são pequenos, são práticos, e posso dizer que o papa está pronto para nos ajudar. Por exemplo houve uma peregrinação. Queríamos entrar nas igrejas e dizer ali as missas, em Toma. Os argentinos fizeram saber ao papa e dito e feito. [Com razão os sacerdotes da Fraternidade não disseram nada contra Francisco nesta ocasião! É descortesia criticar dos púlpitos a um papa benfeitor! Que acontecerá, então, quando Francisco outorgar finalmente a prelatura à FSSPX, “fazendo um grande ato de justiça”, “saldando uma dívida de longas décadas”, “fechando uma ferida que sangra há mais de 40 anos”, “restituindo seus direitos à Tradição”, e “abrindo um imenso campo de apostolado à Tradição”?] Teríamos problemas na Argentina com o governo: era um verdadeiro problema para nós resistir no país, os vistos, etc. O papa interveio pessoalmente, de maneira absolutamente pessoal em todos os níveis. Conseguiu que fôssemos reconhecidos como uma entidade católica na Argentina. Chamou-os a todos, incluindo o nosso priorado. Imagine-se quando o irmão contestou o telefone... [imaginem-se quando o Papa “regularizar” à Fraternidade...] Ele faz isso.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Comentários Eleison DXLVIII (548) - A Fé é Crucial - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin


Deus está sempre ali, ainda que para nós seja invisível,
Somente se um homem crer n’Ele, compartilhar Seu Céu lhe será possível.



Sua Excelência,

            Conversando com um sacerdote de indulto (que diz a verdadeira Missa, mas obedece aos oficiais da Igreja em Roma), fiquei confuso sobre Dom Lefebvre e a posição que ele tomou em defesa da Fé. Eu acreditava que ele estava certo, mas agora já não tenho tanta certeza. Eis aqui alguns dos argumentos do sacerdote:

1 O Arcebispo desobedeceu Roma. Isto prova que ele era orgulhoso.
2 Tivesse ele desistido de sua Fraternidade e seminários para obedecer Roma, isto teria sido heroico.
3 Se ele desobedeceu Roma para salvar a Tradição, ele fez o mal para alcançar o bem, o que é errado.
4 Obedecer a um papa tão mal orientado quanto o Papa Francisco é um martírio pelo qual se imita a Cristo.
5 Dom Fellay entrar na jaula dos leões romanos é, em termos espirituais, heroico.


Prezado Senhor,

            Em tempos sãos a Igreja Católica dá às almas uma direção clara sobre o que é verdadeiro ou falso, certo ou errado, e o senhor não estaria confuso. Mas desde o Concílio Vaticano II (1962-1965) estes não têm sido tempos sãos, porque os próprios clérigos romanos naquele Concílio abandonaram a verdadeira religião católica de Deus e adotaram uma falsa religião feita pelo homem, à qual podemos chamar conciliarismo. Assim, a partir dos anos 60 os católicos tornaram-se confusos de alto a baixo na Igreja por tentarem ir em duas direções ao mesmo tempo. Por exemplo, este sacerdote de indulto diz a Missa da verdadeira religião, enquanto pretende obedecer aos romanos subordinados à falsa religião. Não admira que o senhor esteja confuso após ouvi-lo. E continuará confuso até que compreenda completamente a diferença entre a verdadeira religião de Deus e o conciliarismo dos homens – talvez Deus queira que faça mais dever de casa!

Um católico é um católico pela Fé na qual acredita, pelos sacramentos que recebe e pela hierarquia à qual obedece. Mas ele é primeiramente católico pela Fé, sem a qual não se interessaria pelos sacramentos e hierarquia católicos. Portanto, a Fé católica é fundamental para um católico, e foi esta Fé que os oficiais romanos abandonaram no Vaticano II para saírem da sintonia com Deus e entrarem na sintonia com o homem moderno. Assim, o conciliarismo é fundamentalmente diferente do catolicismo, e cria um ponto de vista extremamente diferente sobre o que considera orgulho, heroísmo, obediência, e assim por diante. O ponto de vista católico é verdadeiro, o ponto de vista conciliar é falso. Agora, vamos aos argumentos do sacerdote de indulto:

1 O Arcebispo não era orgulhoso, pois estava defendendo a verdade de Deus e colocando-O antes dos homens. Em contrapartida, hereges como Lutero e os conciliaristas são orgulhosos por desafiarem a Deus para agradar aos homens.
2 Ele foi heroico por não ceder a Roma, e por resistir a ela, para colocar Deus em primeiro lugar.
3 Quando fez o que fez para salvar a Tradição, ele não estava fazendo um mal, mas um bem para alcançar um bem.
4 O martírio católico consiste em sofrer o mal e a morte não por qualquer causa, mas somente pela verdadeira Fé católica. O Arcebispo sofreu um verdadeiro martírio por não ceder aos Papas que erravam, e por fazer tudo o que pôde para que eles enxergassem como estavam abandonando a Fé verdadeira.
5 Em contrapartida, seus sucessores vêm pelo menos desde o ano 2000 fazendo tudo o que podem para colocar a Fraternidade do Arcebispo sob o controle dos romanos conciliares, não sendo, portanto, de modo algum heroicos, porque estão colocando os homens antes de Deus. Tampouco são mártires ou verdadeiros imitadores de Cristo. São, na verdade, orgulhosos.

Prezado senhor, espero que agora possa ver que tudo na Igreja deve, em última análise, ser julgado à luz da Verdade e da Fé. Isto porque a fé de um homem ou a falta dela é sua atitude básica para com Deus. Um homem pode escolher ir para o Inferno se quiser, mas se ele quer ir para o único Céu verdadeiro do único Deus verdadeiro, então deve começar acreditando n’Ele, de acordo com a verdadeira Fé.

Kyrie eleison.



Retirado de: Borboletas ao Luar

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Comentários Eleison CDLXXX - Belo Queijo

Por Dom Richard N. Williamson

24 de setembro de 2016

Quanto mais saborosa é a isca colocada no anzol por seus inimigos,
Mais o pobre peixe se deixa enganar e os toma por amigos.


Na Austrália, há apenas um mês, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X pintou um retrato radiante de sua – como ele espera – sujeição iminente da Fraternidade aos oficiais da Roma Conciliar. De um longo discurso, eis aqui algumas observações importantes que ele fez, resumidas ou citadas na íntegra (em itálico):


[...] Roma está oferecendo-nos uma nova estrutura. À sua frente estará um bispo, escolhido pelo Papa de uma lista de três membros da Fraternidade, nomeados pela Fraternidade. Ele terá autoridade sobre os sacerdotes, sobre qualquer religioso que queira aderir à nova estrutura, e sobre os católicos que pertençam à nova estrutura. Estes terão um direito absoluto a receber dos sacerdotes da Fraternidade todos os sacramentos, incluindo o do matrimônio. Esse bispo estará capacitado para fundar escolas e seminários, para ordenar (padres), para estabelecer novas Congregações religiosas. A estrutura será como uma superdiocese, independente de todos os bispos locais. Em outras palavras, para vocês, fiéis, não haverá nenhuma mudança no que vocês já estão desfrutando com a Fraternidade. A única diferença será que vocês estarão reconhecidos oficialmente como católicos.


sábado, 20 de agosto de 2016

Comentários Eleison CDLXXV (475) - Bispo Fellay III

Por Dom Richard N. Williamson

20 de Agosto de 2016


Três Bispos disseram a verdade, mas “Ninguém tão cego
Como aquele que não quer ver” – ele se encerra em seu ego.

Lendo as duas questões recentes destes “Comentários” sobre a mentalidade que induz o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a buscar implacavelmente a um acordo meramente prático com as autoridades da Igreja em Roma, um bom amigo me recordou que as ideias foram estabelecidas há quatro anos em sua Carta de 14 de abril de 2012, na qual ele respondeu aos outros três bispos, que o advertiram-no seriamente contra a tentativa de qualquer acordo meramente prático com Roma. Muitos leitores hoje destes “Comentários” podem ter esquecido, ou nunca souberam, daquele avisou ou resposta do Bispo Fellay. Certamente, a troca de cartas diz muita coisa que vale a pena recordar. Aqui estão elas, resumidas tão cruelmente como de costume, com breves comentários —

A principal objeção dos três bispos a qualquer acordo prático com Roma realizado sem um acordo doutrinal era o abismo doutrinal entre a Roma Conciliar e a Sociedade Católica Tradicional. Meio ano antes da morte do Arcebispo Lefebvre, ele disse que quanto mais se analisa os documentos e a repercussão do Vaticano II, mais se percebe que o problema são menos os erros clássicos em particular, mesmo a liberdade religiosa, colegialidade e ecumenismo, do que “uma total perversão da mente” em geral, subjacente a todos os erros específicos e procedendo de “uma inteira nova filosofia fundada no subjetivismo”. Contra o argumento-chave do Bispo Fellay de que os Romanos já não são tão hostis, mas benevolentes para com a Fraternidade, os três bispos responderam com outra citação do Arcebispo: tal benevolência é apenas uma “manobra”, e nada poderia ser mais perigoso para o “nosso povo” do que “colocar-nos nas mãos dos bispos conciliares e da Roma modernista”. Os três bispos concluíram que um acordo meramente prático destroçaria a Fraternidade à parte e a destruiria.

Para esta profunda objeção, tão profunda quanto o abismo entre o subjetivismo e a verdade objetiva, o bispo Fellay respondeu (google Bispo Fellay, 14 de abril de 2012): — 1. que os bispos estavam “muito humanos e fatalistas”. 2. A Igreja é guiada pelo Espírito Santo. 3. Por trás da real benevolência de Roma pela FSSPX está a Providência de Deus. 4. Equivaler os erros do Concílio a uma “super-heresia” é uma exageração inapropriada, 5. o que irá conduzir, logicamente, os tradicionalistas ao cisma. 6. Nem todos os Romanos são modernistas, pois cada vez menos deles acreditam no Vaticano II, 7. a tal ponto que se o Arcebispo estivesse vivo hoje, não teria hesitado em aceitar o que está sendo oferecido para a FSSPX. 8 Na Igreja sempre haverá o joio e o trigo, então o joio Conciliar não é motivo para um recuo. 9 Como eu desejo aconselhar vocês três, mas cada um de vocês em diferentes posições “fortemente e apaixonadamente não conseguiram me compreender”, e até me expuseram em público. 10 Opor a Fé à Autoridade é “contrário ao espírito sacerdotal”.

E finalmente, os brevíssimos comentários sobre cada um dos argumentos do Bispo Fellay: —

1 “Muito humano”? Como disse o Arcebispo, o grande abismo em questão é mais filosófica (natural) do que teológico (sobrenatural). “Muito fatalista”? Os três bispos foram muito mais realistas que fatalistas. 2 Os homens da Igreja conciliar são guiados pelo Espírito Santo quando eles destroem a Igreja? 3 Por trás da real malevolência de Roma está a firme resolução de dissolver a resistência da FSSPX contra a nova religião Conciliar – assim como aconteceu com as Congregações Tradicionais no passado! 4 Apenas subjetivistas por si mesmos não conseguem enxergar o abismo entre subjetividade e Verdade. 5 Católicos objetivistas firmes na Verdade estão longe do cisma. 6 Maçons-livres mantém um cinturão em Roma. Nenhum neo-modernista possui poder para falar ali. 7 Acreditar que o Arcebispo teria aceitado as ofertas atuais de Roma é não compreendê-lo completamente. O problema básico só tem piorado desde a sua época. 8 A colher do Bispo Fellay está muito curta para ele cear com os (objetivos) demônios Romanos. 9 Os três bispos não só compreenderam bem o Bispo Fellay, mas ele não quer dar ouvidos ao que os três têm dito a ele. Ele faz de si mesmo infalível? 10 São Paulo certamente imaginou que a Autoridade poderia se opor à Fé – (Gl I, 8-9 e II, 11). São Paulo tinha falta de “espírito sacerdotal”?


Kyrie Eleison.                                                                                                                                

Comentários Eleison CDLXXIV (474) - Bispo Fellay II

Por Dom Richard N. Williamson
 
13 de agosto de 2016
 
Sejamos cabeças-duras, mas de maneiras gentis.
A suavidade da mente faz o tolo, o sentimental.



Um erro nunca é propriamente refutado até que seja desraigado. Em outras palavras, para verdadeiramente se superar um erro, alguém precisa mostrar não somente que ele é um erro, mas por que é um erro. Suponhamos, com o “Comentário” da última semana, que a declaração do dia 28 de junho do Superior Geral da Fraternidade São Pio X, esperando que o pio sacerdócio da Fraternidade resolverá a crise da fé na Igreja, comete o erro de colocar a carroça do sacerdócio antes do cavalo da fé. Mostremos que este erro tem suas raízes na quase universal subvalorização da mente e supervalorização da vontade de nossa época, que resultam, mesmo que inconscientemente, num desprezo pela doutrina (exceto pela doutrina dos Beatles de “tudo do que você precisa é amor”).

E já no início da Declaração há um indício desse erro quando ela diz que o princípio central condenado na Pascendi, a grande condenação do modernismo por Pio X, é o da “independência”. Não. O princípio que ele constantemente condena como sendo a raiz do modernismo é antes o agnosticismo, a doutrina pela qual a mente não pode conhecer nada além do que aparece aos sentidos. Sobre esse desconhecimento segue a independência da mente em relação a seu objeto, seguido, por sua vez, pela declaração de independência da vontade em relação a todas as outras coisas das quais não quer depender. Está na natureza das coisas que a mente deve primeiro suicidar-se antes que a vontade possa declarar sua independência. Então, quando a Declaração põe no coração da Pascendi a independência antes do agnosticismo, este é um indício de que a Declaração é antes uma parte do problema da Igreja do que de sua solução.

E de onde vem, por sua vez, essa degradação da mente e da doutrina? Principalmente de Lutero, que chamou a razão humana de “prostituta” e que, mais que qualquer outro, lançou a Cristandade no caminho sentimental para sua autodestruição hodierna. Mas isto levou todos os 500 anos? Sim, porque houve uma resistência natural e católica ao longo do caminho. Mas Lutero estava certo quando disse ao Papa que, no final, iria destruí-lo - “Pestis eram vivus, functus tua mors ero, Papa” – Na vida, fui tua peste; morto, serei tua morte, Papa”.

A este radical e gigante erro da degradação da mente e da doutrina podem ser atribuídos dois sub-erros no caso do autor da Declaração de 28 de junho: em primeiro lugar, sua má compreensão de Monsenhor Lefebvre, e, em segundo lugar, sua muito grande compreensão da Senhora Cornaz (pseudônimo Rossinière).

Como muitos de nossos seminaristas em Écône, quando o mesmo Monsenhor Lefebvre presidia lá, Bernard Fellay estava, com razão, fascinado e encantado pelo notável exemplo, ante nossos próprios olhos, de o que um sacerdote católico pode e deve ser. Mas a coluna vertebral do sacerdócio de Monsenhor e de sua heroica luta pela Fé não foi sua piedade – muitos modernistas são “piedosos” – mas sua doutrina, doutrina do eterno sacerdócio, profundamente alérgica ao liberalismo e ao modernismo. Tampouco Monsenhor disse alguma vez que sua Fraternidade salvaria a Igreja. Antes, que seus sacerdotes deveriam salvaguardar os incalculáveis tesouros da Igreja para tempos melhores. 

A pessoa que realmente disse que os sacerdotes da Fraternidade salvariam a Igreja, como o Pe. Ortiz nos lembrou, foi a Senhora Cornaz, uma mãe de família de Lausanne, Suíça, cuja vida abarcou a maior parte do século XX e quem, entre 1928 e 1969, recebeu comunicações supostamente do céu sobre como os casais deveriam santificar o sacerdócio (!). As comunicações começaram novamente em 1995 (!), quando ela encontrou um sacerdote da Fraternidade a quem ela persuadiu, e, através dele, Monsenhor Fellay, de que eram os sacerdotes da FSSPX que estavam destinados pela Providência a salvar a Igreja propagando as “Moradas de Cristo Sacerdote” dela. Com toda sua autoridade, o Superior Geral apoiou seu projeto, mas a reação negativa dos sacerdotes da Fraternidade fê-lo rapidamente renunciá-lo em público. Interiormente, entretanto, terá a visão mística dela sobre o exaltado futuro da Fraternidade permanecido nele? Parece bem possível. Como Martin Luther King, o Superior Geral “tem um sonho”.


Kyrie eleison.


Traduzido por Leticia Fantin

domingo, 14 de agosto de 2016

Comentários Eleison CDLXXIII (473) - Bispo Fellay I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
 
 
A Fraternidade acha que a todos irá salvar?
Foi a partir do orgulho que veio a queda a se dar.



Depois da reunião de 26 a 28 de junho dos Superiores da FSSPX na Suíça, o Superior Geral fez não somente para o público geral o Comunicado de 29 de junho, já examinado nestes “Comentários” há três semanas, mas também uma Declaração em 28 de junho para o benefício dos membros da FSSPX, ou seja, primariamente para os sacerdotes da FSSPX. A Declaração é em si mesma críptica, mas uma vez decifrada (com a ajuda do Pe. Girouard), ela se mostra carregada de significados para o futuro da Tradição Católica. Segue um mero esquema dos primeiros seis parágrafos da Declaração e o texto completo do sétimo:

(1-4) A Igreja e o mundo estão em crise, porque em vez de girar em torno da Cruz de Cristo, eles giram em torno do homem. A FSSPX se opõe a essa “desconstrução” da Igreja e da sociedade humana.

(5) O remédio próprio de Deus para essa desordem foi inspirar um Arcebispo a fundar uma congregação hierárquica católica em torno do sacramento da Ordem Sagrada – Jesus Cristo, Sua Cruz, Seu Reinado, o sacrifício e o sacerdócio, fonte de toda ordem e de toda graça, é do que se trata a Fraternidade fundada por Dom Lefebvre.

(6) Por isso, a FSSPX não é nem conciliar (pois gira em torno de Cristo) nem rebelde (pois é hierárquica).

(7) “Terá chegado o momento da restauração geral da Igreja? A Divina Providência não abandona a Sua Igreja cuja cabeça é o Papa, o vigário de Cristo. Por isso um sinal incontestável dessa restauração geral será o Papa manifestando sua vontade de proporcionar os meios para reestabelecer a ordem no sacerdócio, na Fé e na Tradição. Esse sinal será a garantia da unidade católica necessária da família e da Tradição”.

Os primeiros seis parágrafos claramente levam ao sétimo. E não é desarrazoado interpretar o sétimo como significando que quando o Papa Francisco der a aprovação oficial à Fraternidade, então isso será a prova de que finalmente é chegado o momento em que toda a Igreja Católica voltará a se reerguer, para que o sacerdócio católico, a Fé católica e a Tradição católica sejam restaurados, e para que todos os tradicionalistas se juntem à Fraternidade Sacerdotal São Pio X sob seu Superior Geral. Dom Fellay parece estar repetindo aqui para o benefício de todos os sacerdotes da Fraternidade sua constante visão do glorioso papel dela, porque na reunião suíça, segundo ouvimos, ao menos alguns de seus Superiores questionaram essa glória vindo na forma de reunião com a Roma oficial. Mas esses Superiores em oposição estavam certos, porque Dom Fellay está aqui sonhando! É um sonho nobre, mas mortal.

O sonho é nobre porque se trata da honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Igreja, de Seu Sacrifício, do Arcebispo Lefebvre, do sacerdócio católico, e assim por diante. O sonho é mortal porque gira mais sobre o sacerdócio do que sobre a Fé, e enquanto ele acredita muito corretamente que o Papa Francisco e os romanos sejam os portadores da Autoridade católica, não leva em conta quão distantes estão de sustentar a Fé católica. Se se pode dizer que o Arcebispo Lefebvre salvou o sacerdócio católico e a Missa, isso foi para ele apenas um meio de salvar a Fé. A Fé é para o sacerdócio como o fim para o meio, e não como o meio para o fim. Que seria do sacerdócio sem a Fé? Quem acreditaria nos Sacramentos? Quem precisaria de sacerdotes?

E quanto a essa Fé, o Papa atual e os oficiais romanos que mantêm o controle em torno dele perderam seu apego à Verdade como sendo única, objetiva, não contraditória e exclusiva, e com isso eles perderam seu apego à verdadeira Fé, ou melhor, perderam a Fé. Isso significa que se o Papa Francisco de fato aprovar oficialmente a Fraternidade, não se tratará de modo algum de um sinal de que a Fraternidade terá restaurado a sanidade da Igreja, mas, em vez disso, que a Igreja oficial terá absorvido em sua insanidade a Fraternidade.


Kyrie eleison.

sábado, 16 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXX (470) - Brexit - Spexit?


Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug

16 de julho de 2016


Enquanto Menzingen pelas sirenes de Roma é encantado,
Para manter a Fé, guerra avisada não mata soldado.


Existe algo chamado “Zeitgeist” ou espírito da época. Uma prova seria o paralelo que pode ser estabelecido entre o voto da Grã-Bretanha de 23 de junho para renunciar ao abraço da quase-comunista União Europeia e a reunião de Superiores da FSSPX em 28 de junho com o Comunicado de Monsenhor Fellay de 29 de junho declarando que a Fraternidade agora renuncia ao abraço da Roma neo-modernista – “Spexit”, para abreviar. Mas assim como o “Comentário” da semana passada sugeriu que o Brexit era admirável mas duvidosamente eficaz, poderia-se temer que o São-Pio-Exit poderia ter tranquilizado muitos bons católicos pensando que a Fraternidade recuperou o rumo, mesmo que em poucos dias a Roma oficial e Mons. Fellay já dissessem que os contatos continuavam...

A base do paralelo é a apostasia que caracteriza a Quinta Época da Igreja, desde 1517 até 2017 (ou mais além), pela qual os povos do mundo, lenta porém progressivamente tem dado suas costas a Deus para substituí-lo pelo Homem. Mas sua consciência não está tranquila no processo. Consequentemente exteriormente eles anelam a liberação de Deus e os benefícios materiais da Nova Ordem Mundial. Assim, um bom instinto antigo levou aos britânicos a votar para tornarem-se independentes do Comunismo, mas sendo quase todos materialistas ateus, eles são Comunistas sem o nome e então agora dificilmente sabem o que fazer com o seu Brexit. Pois alguém pode temer que haja mais no “Spexit” do que parece.

Por exemplo, o excelente site hispânico “Non Possumus” assinalou que quando o Comunicado de 29 de junho espera um Papa “que favoreça concretamente o retorno à Santa Tradição” (2+2=4 ou 5), isto não é a mesma coisa que um Papa “que tenha voltado à Tradição” (2+2=4, e exclusivamente 4). Muito menos é tranquilizador que em 2 de julho Monsenhor Fellay convocou para uma quinta Cruzada de Rosários, já prevista em 24 de junho como uma possibilidade pelo padre Girouard, no oeste do Canadá, Recorcando como Monsenhor Fellay mostrou como presentes da Mãe de Deus, tanto a duvidosa liberação do verdadeiro rito da Missa no Summorum Pontificum em 2007, como no “levantamento” das “excomunhões” inexistentes em 2009, o padre Girouard teme que um reconhecimento unilateral da Fraternidade por parte da Roma oficial possa ser mesmo assim apresentado como uma resposta d’Ela a esta nova Cruzada de Rosários. Eis aqui como o padre Girouard imagina o reconhecimento sendo apresentado por Monsenhor Fellay: —

“Na Cruzada pedimos pela proteção da Fraternidade. Graças aos 12 milhões de Rosários, a BVN obteve para nós, do Coração de Seu Filho, esta especial proteção! Sim, o Santo Padre firmou este documento onde ele nos reconhece a nós e nos promete dar-nos sua proteção pessoal para que possamos continuar “como somos”. Este novo presente de Deus e a BVM é verdadeiramente um novo meio dado a nós pela Divina Providência para continuar melhor nosso trabalho para a extensão do Reinado Social de Cristo! Isto é também a reparação de uma grave injustiça! Isto é verdadeiramente um sinal de que Roma mudou para melhor! Nosso venerável fundador, Monsenhor Lefebvre, teria aceitado este presente providencia. Certamente, podemos estar seguros de que ele uniu suas orações às da BVM para obtê-lo de Nosso Senhor, e que ele está agora regozijando-se com Ela no Céu! Em ação de graças por este maravilhoso presente da Providência, renovemos oficialmente a consagração da Fraternidade aos Corações de Jesus e Maria, e tenhamos um Te Deum cantado em todas as nossas capelas!”

Neste panorama, acrescenta o padre Girouard, qualquer pessoa que rejeite a reunião da Fraternidade com Roma o farão parecer como se estivessem resistindo a Deus e desprezando a Sua Mãe.

Estes temores são no momento apenas imaginários. O que é certo é que o “Spexit” de 25 a 28 de junho não terá de forma alguma retirado a resolução de Monsenhor Fellay de conduzir a Fraternidade de Monsenhor Lefebvre entre os braços de Roma neo-modernista. Para ele, esse é o único caminho a seguir, em contraposição a “desprezar aos bons Romanos” e “estancar-se” em uma resistência que está fora de moda e já não é relevante para a evolução da situação.


Kyrie eleison.