Mostrando postagens com marcador Dom Bernard Fellay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dom Bernard Fellay. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Comentários Eleison CDLXXX - Belo Queijo

Por Dom Richard N. Williamson

24 de setembro de 2016

Quanto mais saborosa é a isca colocada no anzol por seus inimigos,
Mais o pobre peixe se deixa enganar e os toma por amigos.


Na Austrália, há apenas um mês, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X pintou um retrato radiante de sua – como ele espera – sujeição iminente da Fraternidade aos oficiais da Roma Conciliar. De um longo discurso, eis aqui algumas observações importantes que ele fez, resumidas ou citadas na íntegra (em itálico):


[...] Roma está oferecendo-nos uma nova estrutura. À sua frente estará um bispo, escolhido pelo Papa de uma lista de três membros da Fraternidade, nomeados pela Fraternidade. Ele terá autoridade sobre os sacerdotes, sobre qualquer religioso que queira aderir à nova estrutura, e sobre os católicos que pertençam à nova estrutura. Estes terão um direito absoluto a receber dos sacerdotes da Fraternidade todos os sacramentos, incluindo o do matrimônio. Esse bispo estará capacitado para fundar escolas e seminários, para ordenar (padres), para estabelecer novas Congregações religiosas. A estrutura será como uma superdiocese, independente de todos os bispos locais. Em outras palavras, para vocês, fiéis, não haverá nenhuma mudança no que vocês já estão desfrutando com a Fraternidade. A única diferença será que vocês estarão reconhecidos oficialmente como católicos.


sábado, 20 de agosto de 2016

Comentários Eleison CDLXXV (475) - Bispo Fellay III

Por Dom Richard N. Williamson

20 de Agosto de 2016


Três Bispos disseram a verdade, mas “Ninguém tão cego
Como aquele que não quer ver” – ele se encerra em seu ego.

Lendo as duas questões recentes destes “Comentários” sobre a mentalidade que induz o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a buscar implacavelmente a um acordo meramente prático com as autoridades da Igreja em Roma, um bom amigo me recordou que as ideias foram estabelecidas há quatro anos em sua Carta de 14 de abril de 2012, na qual ele respondeu aos outros três bispos, que o advertiram-no seriamente contra a tentativa de qualquer acordo meramente prático com Roma. Muitos leitores hoje destes “Comentários” podem ter esquecido, ou nunca souberam, daquele avisou ou resposta do Bispo Fellay. Certamente, a troca de cartas diz muita coisa que vale a pena recordar. Aqui estão elas, resumidas tão cruelmente como de costume, com breves comentários —

A principal objeção dos três bispos a qualquer acordo prático com Roma realizado sem um acordo doutrinal era o abismo doutrinal entre a Roma Conciliar e a Sociedade Católica Tradicional. Meio ano antes da morte do Arcebispo Lefebvre, ele disse que quanto mais se analisa os documentos e a repercussão do Vaticano II, mais se percebe que o problema são menos os erros clássicos em particular, mesmo a liberdade religiosa, colegialidade e ecumenismo, do que “uma total perversão da mente” em geral, subjacente a todos os erros específicos e procedendo de “uma inteira nova filosofia fundada no subjetivismo”. Contra o argumento-chave do Bispo Fellay de que os Romanos já não são tão hostis, mas benevolentes para com a Fraternidade, os três bispos responderam com outra citação do Arcebispo: tal benevolência é apenas uma “manobra”, e nada poderia ser mais perigoso para o “nosso povo” do que “colocar-nos nas mãos dos bispos conciliares e da Roma modernista”. Os três bispos concluíram que um acordo meramente prático destroçaria a Fraternidade à parte e a destruiria.

Para esta profunda objeção, tão profunda quanto o abismo entre o subjetivismo e a verdade objetiva, o bispo Fellay respondeu (google Bispo Fellay, 14 de abril de 2012): — 1. que os bispos estavam “muito humanos e fatalistas”. 2. A Igreja é guiada pelo Espírito Santo. 3. Por trás da real benevolência de Roma pela FSSPX está a Providência de Deus. 4. Equivaler os erros do Concílio a uma “super-heresia” é uma exageração inapropriada, 5. o que irá conduzir, logicamente, os tradicionalistas ao cisma. 6. Nem todos os Romanos são modernistas, pois cada vez menos deles acreditam no Vaticano II, 7. a tal ponto que se o Arcebispo estivesse vivo hoje, não teria hesitado em aceitar o que está sendo oferecido para a FSSPX. 8 Na Igreja sempre haverá o joio e o trigo, então o joio Conciliar não é motivo para um recuo. 9 Como eu desejo aconselhar vocês três, mas cada um de vocês em diferentes posições “fortemente e apaixonadamente não conseguiram me compreender”, e até me expuseram em público. 10 Opor a Fé à Autoridade é “contrário ao espírito sacerdotal”.

E finalmente, os brevíssimos comentários sobre cada um dos argumentos do Bispo Fellay: —

1 “Muito humano”? Como disse o Arcebispo, o grande abismo em questão é mais filosófica (natural) do que teológico (sobrenatural). “Muito fatalista”? Os três bispos foram muito mais realistas que fatalistas. 2 Os homens da Igreja conciliar são guiados pelo Espírito Santo quando eles destroem a Igreja? 3 Por trás da real malevolência de Roma está a firme resolução de dissolver a resistência da FSSPX contra a nova religião Conciliar – assim como aconteceu com as Congregações Tradicionais no passado! 4 Apenas subjetivistas por si mesmos não conseguem enxergar o abismo entre subjetividade e Verdade. 5 Católicos objetivistas firmes na Verdade estão longe do cisma. 6 Maçons-livres mantém um cinturão em Roma. Nenhum neo-modernista possui poder para falar ali. 7 Acreditar que o Arcebispo teria aceitado as ofertas atuais de Roma é não compreendê-lo completamente. O problema básico só tem piorado desde a sua época. 8 A colher do Bispo Fellay está muito curta para ele cear com os (objetivos) demônios Romanos. 9 Os três bispos não só compreenderam bem o Bispo Fellay, mas ele não quer dar ouvidos ao que os três têm dito a ele. Ele faz de si mesmo infalível? 10 São Paulo certamente imaginou que a Autoridade poderia se opor à Fé – (Gl I, 8-9 e II, 11). São Paulo tinha falta de “espírito sacerdotal”?


Kyrie Eleison.                                                                                                                                

Comentários Eleison CDLXXIV (474) - Bispo Fellay II

Por Dom Richard N. Williamson
 
13 de agosto de 2016
 
Sejamos cabeças-duras, mas de maneiras gentis.
A suavidade da mente faz o tolo, o sentimental.



Um erro nunca é propriamente refutado até que seja desraigado. Em outras palavras, para verdadeiramente se superar um erro, alguém precisa mostrar não somente que ele é um erro, mas por que é um erro. Suponhamos, com o “Comentário” da última semana, que a declaração do dia 28 de junho do Superior Geral da Fraternidade São Pio X, esperando que o pio sacerdócio da Fraternidade resolverá a crise da fé na Igreja, comete o erro de colocar a carroça do sacerdócio antes do cavalo da fé. Mostremos que este erro tem suas raízes na quase universal subvalorização da mente e supervalorização da vontade de nossa época, que resultam, mesmo que inconscientemente, num desprezo pela doutrina (exceto pela doutrina dos Beatles de “tudo do que você precisa é amor”).

E já no início da Declaração há um indício desse erro quando ela diz que o princípio central condenado na Pascendi, a grande condenação do modernismo por Pio X, é o da “independência”. Não. O princípio que ele constantemente condena como sendo a raiz do modernismo é antes o agnosticismo, a doutrina pela qual a mente não pode conhecer nada além do que aparece aos sentidos. Sobre esse desconhecimento segue a independência da mente em relação a seu objeto, seguido, por sua vez, pela declaração de independência da vontade em relação a todas as outras coisas das quais não quer depender. Está na natureza das coisas que a mente deve primeiro suicidar-se antes que a vontade possa declarar sua independência. Então, quando a Declaração põe no coração da Pascendi a independência antes do agnosticismo, este é um indício de que a Declaração é antes uma parte do problema da Igreja do que de sua solução.

E de onde vem, por sua vez, essa degradação da mente e da doutrina? Principalmente de Lutero, que chamou a razão humana de “prostituta” e que, mais que qualquer outro, lançou a Cristandade no caminho sentimental para sua autodestruição hodierna. Mas isto levou todos os 500 anos? Sim, porque houve uma resistência natural e católica ao longo do caminho. Mas Lutero estava certo quando disse ao Papa que, no final, iria destruí-lo - “Pestis eram vivus, functus tua mors ero, Papa” – Na vida, fui tua peste; morto, serei tua morte, Papa”.

A este radical e gigante erro da degradação da mente e da doutrina podem ser atribuídos dois sub-erros no caso do autor da Declaração de 28 de junho: em primeiro lugar, sua má compreensão de Monsenhor Lefebvre, e, em segundo lugar, sua muito grande compreensão da Senhora Cornaz (pseudônimo Rossinière).

Como muitos de nossos seminaristas em Écône, quando o mesmo Monsenhor Lefebvre presidia lá, Bernard Fellay estava, com razão, fascinado e encantado pelo notável exemplo, ante nossos próprios olhos, de o que um sacerdote católico pode e deve ser. Mas a coluna vertebral do sacerdócio de Monsenhor e de sua heroica luta pela Fé não foi sua piedade – muitos modernistas são “piedosos” – mas sua doutrina, doutrina do eterno sacerdócio, profundamente alérgica ao liberalismo e ao modernismo. Tampouco Monsenhor disse alguma vez que sua Fraternidade salvaria a Igreja. Antes, que seus sacerdotes deveriam salvaguardar os incalculáveis tesouros da Igreja para tempos melhores. 

A pessoa que realmente disse que os sacerdotes da Fraternidade salvariam a Igreja, como o Pe. Ortiz nos lembrou, foi a Senhora Cornaz, uma mãe de família de Lausanne, Suíça, cuja vida abarcou a maior parte do século XX e quem, entre 1928 e 1969, recebeu comunicações supostamente do céu sobre como os casais deveriam santificar o sacerdócio (!). As comunicações começaram novamente em 1995 (!), quando ela encontrou um sacerdote da Fraternidade a quem ela persuadiu, e, através dele, Monsenhor Fellay, de que eram os sacerdotes da FSSPX que estavam destinados pela Providência a salvar a Igreja propagando as “Moradas de Cristo Sacerdote” dela. Com toda sua autoridade, o Superior Geral apoiou seu projeto, mas a reação negativa dos sacerdotes da Fraternidade fê-lo rapidamente renunciá-lo em público. Interiormente, entretanto, terá a visão mística dela sobre o exaltado futuro da Fraternidade permanecido nele? Parece bem possível. Como Martin Luther King, o Superior Geral “tem um sonho”.


Kyrie eleison.


Traduzido por Leticia Fantin

domingo, 14 de agosto de 2016

Comentários Eleison CDLXXIII (473) - Bispo Fellay I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
 
 
A Fraternidade acha que a todos irá salvar?
Foi a partir do orgulho que veio a queda a se dar.



Depois da reunião de 26 a 28 de junho dos Superiores da FSSPX na Suíça, o Superior Geral fez não somente para o público geral o Comunicado de 29 de junho, já examinado nestes “Comentários” há três semanas, mas também uma Declaração em 28 de junho para o benefício dos membros da FSSPX, ou seja, primariamente para os sacerdotes da FSSPX. A Declaração é em si mesma críptica, mas uma vez decifrada (com a ajuda do Pe. Girouard), ela se mostra carregada de significados para o futuro da Tradição Católica. Segue um mero esquema dos primeiros seis parágrafos da Declaração e o texto completo do sétimo:

(1-4) A Igreja e o mundo estão em crise, porque em vez de girar em torno da Cruz de Cristo, eles giram em torno do homem. A FSSPX se opõe a essa “desconstrução” da Igreja e da sociedade humana.

(5) O remédio próprio de Deus para essa desordem foi inspirar um Arcebispo a fundar uma congregação hierárquica católica em torno do sacramento da Ordem Sagrada – Jesus Cristo, Sua Cruz, Seu Reinado, o sacrifício e o sacerdócio, fonte de toda ordem e de toda graça, é do que se trata a Fraternidade fundada por Dom Lefebvre.

(6) Por isso, a FSSPX não é nem conciliar (pois gira em torno de Cristo) nem rebelde (pois é hierárquica).

(7) “Terá chegado o momento da restauração geral da Igreja? A Divina Providência não abandona a Sua Igreja cuja cabeça é o Papa, o vigário de Cristo. Por isso um sinal incontestável dessa restauração geral será o Papa manifestando sua vontade de proporcionar os meios para reestabelecer a ordem no sacerdócio, na Fé e na Tradição. Esse sinal será a garantia da unidade católica necessária da família e da Tradição”.

Os primeiros seis parágrafos claramente levam ao sétimo. E não é desarrazoado interpretar o sétimo como significando que quando o Papa Francisco der a aprovação oficial à Fraternidade, então isso será a prova de que finalmente é chegado o momento em que toda a Igreja Católica voltará a se reerguer, para que o sacerdócio católico, a Fé católica e a Tradição católica sejam restaurados, e para que todos os tradicionalistas se juntem à Fraternidade Sacerdotal São Pio X sob seu Superior Geral. Dom Fellay parece estar repetindo aqui para o benefício de todos os sacerdotes da Fraternidade sua constante visão do glorioso papel dela, porque na reunião suíça, segundo ouvimos, ao menos alguns de seus Superiores questionaram essa glória vindo na forma de reunião com a Roma oficial. Mas esses Superiores em oposição estavam certos, porque Dom Fellay está aqui sonhando! É um sonho nobre, mas mortal.

O sonho é nobre porque se trata da honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Igreja, de Seu Sacrifício, do Arcebispo Lefebvre, do sacerdócio católico, e assim por diante. O sonho é mortal porque gira mais sobre o sacerdócio do que sobre a Fé, e enquanto ele acredita muito corretamente que o Papa Francisco e os romanos sejam os portadores da Autoridade católica, não leva em conta quão distantes estão de sustentar a Fé católica. Se se pode dizer que o Arcebispo Lefebvre salvou o sacerdócio católico e a Missa, isso foi para ele apenas um meio de salvar a Fé. A Fé é para o sacerdócio como o fim para o meio, e não como o meio para o fim. Que seria do sacerdócio sem a Fé? Quem acreditaria nos Sacramentos? Quem precisaria de sacerdotes?

E quanto a essa Fé, o Papa atual e os oficiais romanos que mantêm o controle em torno dele perderam seu apego à Verdade como sendo única, objetiva, não contraditória e exclusiva, e com isso eles perderam seu apego à verdadeira Fé, ou melhor, perderam a Fé. Isso significa que se o Papa Francisco de fato aprovar oficialmente a Fraternidade, não se tratará de modo algum de um sinal de que a Fraternidade terá restaurado a sanidade da Igreja, mas, em vez disso, que a Igreja oficial terá absorvido em sua insanidade a Fraternidade.


Kyrie eleison.

sábado, 16 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXX (470) - Brexit - Spexit?


Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug

16 de julho de 2016


Enquanto Menzingen pelas sirenes de Roma é encantado,
Para manter a Fé, guerra avisada não mata soldado.


Existe algo chamado “Zeitgeist” ou espírito da época. Uma prova seria o paralelo que pode ser estabelecido entre o voto da Grã-Bretanha de 23 de junho para renunciar ao abraço da quase-comunista União Europeia e a reunião de Superiores da FSSPX em 28 de junho com o Comunicado de Monsenhor Fellay de 29 de junho declarando que a Fraternidade agora renuncia ao abraço da Roma neo-modernista – “Spexit”, para abreviar. Mas assim como o “Comentário” da semana passada sugeriu que o Brexit era admirável mas duvidosamente eficaz, poderia-se temer que o São-Pio-Exit poderia ter tranquilizado muitos bons católicos pensando que a Fraternidade recuperou o rumo, mesmo que em poucos dias a Roma oficial e Mons. Fellay já dissessem que os contatos continuavam...

A base do paralelo é a apostasia que caracteriza a Quinta Época da Igreja, desde 1517 até 2017 (ou mais além), pela qual os povos do mundo, lenta porém progressivamente tem dado suas costas a Deus para substituí-lo pelo Homem. Mas sua consciência não está tranquila no processo. Consequentemente exteriormente eles anelam a liberação de Deus e os benefícios materiais da Nova Ordem Mundial. Assim, um bom instinto antigo levou aos britânicos a votar para tornarem-se independentes do Comunismo, mas sendo quase todos materialistas ateus, eles são Comunistas sem o nome e então agora dificilmente sabem o que fazer com o seu Brexit. Pois alguém pode temer que haja mais no “Spexit” do que parece.

Por exemplo, o excelente site hispânico “Non Possumus” assinalou que quando o Comunicado de 29 de junho espera um Papa “que favoreça concretamente o retorno à Santa Tradição” (2+2=4 ou 5), isto não é a mesma coisa que um Papa “que tenha voltado à Tradição” (2+2=4, e exclusivamente 4). Muito menos é tranquilizador que em 2 de julho Monsenhor Fellay convocou para uma quinta Cruzada de Rosários, já prevista em 24 de junho como uma possibilidade pelo padre Girouard, no oeste do Canadá, Recorcando como Monsenhor Fellay mostrou como presentes da Mãe de Deus, tanto a duvidosa liberação do verdadeiro rito da Missa no Summorum Pontificum em 2007, como no “levantamento” das “excomunhões” inexistentes em 2009, o padre Girouard teme que um reconhecimento unilateral da Fraternidade por parte da Roma oficial possa ser mesmo assim apresentado como uma resposta d’Ela a esta nova Cruzada de Rosários. Eis aqui como o padre Girouard imagina o reconhecimento sendo apresentado por Monsenhor Fellay: —

“Na Cruzada pedimos pela proteção da Fraternidade. Graças aos 12 milhões de Rosários, a BVN obteve para nós, do Coração de Seu Filho, esta especial proteção! Sim, o Santo Padre firmou este documento onde ele nos reconhece a nós e nos promete dar-nos sua proteção pessoal para que possamos continuar “como somos”. Este novo presente de Deus e a BVM é verdadeiramente um novo meio dado a nós pela Divina Providência para continuar melhor nosso trabalho para a extensão do Reinado Social de Cristo! Isto é também a reparação de uma grave injustiça! Isto é verdadeiramente um sinal de que Roma mudou para melhor! Nosso venerável fundador, Monsenhor Lefebvre, teria aceitado este presente providencia. Certamente, podemos estar seguros de que ele uniu suas orações às da BVM para obtê-lo de Nosso Senhor, e que ele está agora regozijando-se com Ela no Céu! Em ação de graças por este maravilhoso presente da Providência, renovemos oficialmente a consagração da Fraternidade aos Corações de Jesus e Maria, e tenhamos um Te Deum cantado em todas as nossas capelas!”

Neste panorama, acrescenta o padre Girouard, qualquer pessoa que rejeite a reunião da Fraternidade com Roma o farão parecer como se estivessem resistindo a Deus e desprezando a Sua Mãe.

Estes temores são no momento apenas imaginários. O que é certo é que o “Spexit” de 25 a 28 de junho não terá de forma alguma retirado a resolução de Monsenhor Fellay de conduzir a Fraternidade de Monsenhor Lefebvre entre os braços de Roma neo-modernista. Para ele, esse é o único caminho a seguir, em contraposição a “desprezar aos bons Romanos” e “estancar-se” em uma resistência que está fora de moda e já não é relevante para a evolução da situação.


Kyrie eleison.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Pe. Bruno OSB: "Nos reconhecer tal como somos"?



Pe. Bruno OSB

Ao final da “palavra do superior geral” (1º de novembro de 2015) do último boletim do Cor Unum, Mons. Fellay precisa algumas coisas aos membros da Fraternidade sobre “a situação da Igreja e nossas relações romanas”. 

Há muitos pontos que poderiam ser comentados: “a santa Igreja, enferma, [...] perdendo cada dia mais sua unidade” (?) – “o papa [...] está mais ao lado dos progressistas” (sério?) – “a graça da fidelidade a esta obra maravilhosa que é a FSSPX”...

Tomemos aqui simplesmente o que nos parece mais importante: Mons. Fellay, depois de ter explicado que “em julho Roma fez novas proposições para uma regularização”, afirma que “a condição sine qua non de nossa aceitação” é a expressão “nos reconhecer tal como somos”. Ele indica ali as “aplicações práticas”: curiosamente, já somente se trata da missa e dos sacramentos (em resumo: “que Roma não nos peça para participar na nova missa”), mas de nenhum modo dos problemas doutrinais e da necessária denúncia dos erros e escândalos.

A fórmula “nos reconhecermos tal como somos” reaviva as dolorosas recordações deste antigo membro do Barroux [mosteiro beneditino que esteve vinculado a Mons. Lefebvre. NP] que eu sou: Dom Gérard [superior desse mosteiro. NP] tinha a mesma linguagem em 1988, insistindo vigorosamente: “sem contraprestação, sem concessões, sem renegar.” E em sua famosa declaração de 18 de agosto de 1988, colocou os pingos nos i’s: “Que nenhuma contraprestação doutrinal ou litúrgica seja exigida de nós, e que nenhum silêncio seja imposto à nossa pregação antimodernista”. Sabemos, desgraçadamente, o que aconteceu com estas belas resoluções.

A experiência nos ensina que quando Roma diz: “se lhes reconhecem tal como são”, Roma pensa de fato: “os reconhecemos tal como vocês serão”, tal como aquilo em que vocês, lenta porém seguramente, vão se converter (e talvez não tão lentamente). Roma prevê com razão que depois de um pacto (se lhe chame acordo, reconhecimento, regularização), o grupo que está submetido à sua autoridade irá evoluir, sobretudo se a evolução já começou há muito... Roma sabe bem que a integração dos “integristas” será sua desintegração.

Rezemos para que entre os sacerdotes da Fraternidade – todos receberam este texto de seu superior – ao menos alguns salvem a honra, opondo-se publicamente a esta deriva. Que eles tenham o valor de dizer bem alto: “nós queremos permanecer tal como somos, e é por isso que não podemos sob nenhum preço aceitar que a Roma conciliar nos reconheça tal como somos”.

A verdadeira “condição sine qua non de nossa aceitação”, a formulou Mons. Lefebvre de maneira simples e luminosa: que Roma volte a coroar Nosso Senhor. “Quando se nos coloca a questão de saber quando haverá um acordo com Roma, minha resposta é simples: quando Roma voltar a coroar Nosso Senhor Jesus Cristo”. (Conferência em Flavigny, dezembro de 1988). Em outros termos: que Roma reconheça a Cristo tal qual Ele é: o único Rei, o único Deus, o único Salvador.

Hoje em dia estamos bastante longe disto, com o odioso sincretismo do papa Francisco, do qual acaba de dar uma prova suplementar com seus desejos para o ano novo. 

Antes de “nos reconhecer tal como somos”, que Roma o reconheça tal qual é a Ele, Nosso Senhor Jesus Cristo.


Padre Bruno.