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segunda-feira, 5 de março de 2018

Comentários Eleison DLIV (554) - Paternidade Hoje - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

03 de março de 2017



      Não é pouco o que vocês podem fazer, pais:
      O natural, o físico e o humano, não os percam de vista jamais.

      Esperamos que os pais que leram aqui na semana passada sobre a questão de se sabem o que exige a paternidade atualmente, não tenham se sentido como se estivessem sob acusações. Eles estão sob forte pressão de todo o ambiente que circunda seus filhos, e quando as almas estão sob pressão, Deus não exige que elas façam o impossível, mas apenas o que quer que lhes seja possível fazer. Assim, na Carta à segunda das sete Igrejas da Ásia, correspondente à Idade dos Mártires da Igreja (Ap 2, 8-11), o Venerável Holzhauser explica que se os católicos de Esmirna não recebem do Espírito Santo nenhuma repreensão ou censura, como ocorre com cinco das outras sete Igrejas, é porque os católicos sob perseguição precisam de encorajamento, e não de críticas.

      E Deus sabe que os pais que se esforçam para salvar as almas de seus filhos estão sob perseguição, ainda não sangrenta, mas muito poderosa. Pois, quando os homens estão, por exemplo, voltando-se para a IA (Inteligência Artificial) para fazer de um robô o seu deus, então estão perdendo não só o Deus verdadeiro, mas toda noção da diferença entre uma máquina e um ser humano, sem falar da diferença entre homem e mulher ou entre pais e filhos. Como um ambiente em que há confiança na IA para garantir o seu futuro poderá propiciar alguma compreensão ou simpatia pela família tal como Deus a projetou?

      Como um leitor me escreveu, o comunismo oriental tratava brutalmente qualquer um que não estivesse andando na linha, mas pelo menos o inimigo da salvação era reconhecível, enquanto o que se poderia chamar consumismo no Oriente ou no Ocidente é bastante mais sutil – em vez de brutalizar, simplesmente marginaliza, fazendo com que enquanto os verdadeiros católicos sejam "anormais", as crianças desejem ser "normais", com smartphones, como todas as outras crianças, etc. O consumismo brilha com suas luzes coloridas, e, assim, as crianças estão sendo transformadas em robôs descerebrados, inteligentes o suficiente para manipularem a tecnologia e as máquinas, mas sem nenhuma ideia das questões humanas essenciais, porque não são ensinadas a ler, nem a ler nas entrelinhas, como se fez sob o comunismo, e são privadas de todas as ferramentas do pensamento. Uma geração de marionetes androides está crescendo ao nosso redor.

      Então, em contraposição ao que os pais não podem fazer, o que eles podem fazer para colocar seus filhos no caminho do Céu (será a livre escolha das crianças mais tarde se elas permanecerem ali)? Em primeiro lugar, algumas noções básicas. Deus existe, e Ele quer salvar todas as crianças, e para todos nós Ele dá a ajuda de Sua Mãe e a dos invisíveis mas poderosos Anjos da Guarda que estão do lado de todos os pais verdadeiros. Em casa, que essas realidades sobrenaturais façam parte da vida cotidiana, e que a vida cotidiana seja sobrenatural, mesmo que o senso comum dos pais impeça que as crianças sejam afastadas por um excesso artificial de religião.

      Então, no plano natural, deem a seus filhos tanto tempo quanto vocês achem que eles precisam. Que o amor seja expresso e soletrado assim: T-E-M-P-O. Para que as crianças se tornem humanas elas precisam ser formadas por seres humanos, não por máquinas. E os formadores naturais das crianças são seus pais, que têm uma enorme influência natural sobre seus filhos, caso eles apenas a usem, em vez de abdicarem dela. Estabeleçam refeições familiares regulares ao redor da mesa, e nas refeições, falem. Provérbio chinês: "Instrua seus filhos na mesa, sua esposa no travesseiro". Falem sobre política, especialmente a diferença entre a realidade e o que os meios de comunicação apresentam como realidade. Advirtam as crianças para terem cuidado fora de casa, mas digam-lhes a verdade sobre o “onze de setembro” e sobre a grande farsa (entre cinco e sete milhões). Sim, contem-lhes sobre isto assim que eles forem capazes de entender (não antes), para que possam perceber o mundo de mentira no qual Deus nos colocou para viver, como um justo castigo por nossa apostasia. Adicionem sempre a dimensão religiosa, porque está sempre lá, e os filhos precisam entender que o que importa é Deus. Mas não apenas por piedade – Nossa Senhora de Fátima promove tanto o Rosário como a Consagração da Rússia.

      Então, de modo mais prático, tirem o que puderem de aparelho eletrônico de dentro de casa. Ensinem aos filhos por que vocês não estão permitindo a televisão ou smartphones sob o seus tetos, e se vocês não podem ficar sem a Internet, ensinem-nos porque estão sob o bloqueio e a chave físicos (não apenas eletrônicos). E coloquem as mãos deles para trabalharem: os meninos no desmonte de uma motocicleta, ou na carpintaria; as meninas na costura e na cozinha; e todas as mãos no Rosário. E em vez de televisão, experimentem todas as noites uma leitura familiar do "Poema do Homem-Deus" de Maria Valtorta (título antigo). Ridículo? Tentem. Vocês podem simplesmente passar a achar que o "Poema" é a própria resposta de Deus à televisão!

      Kyrie eleison.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Comentários Eleison DXLV (545) - Narrativa de Natal

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar


23 de dezembro de 2017


O modo como Deus desceu aos homens faz com que nos maravilhemos.
Elevai-nos ao Céu, ó Deus, para que seus louvores entoemos!

O seguinte momento culminante de uma narrativa decerto apropriada para a época de Natal é colocado na boca da Mãe de Deus quando ela entra novamente na gruta sagrada em Belém para descrever aos amigos que a acompanham o nascimento humano de Deus, no lugar mesmo onde aconteceu. A pessoa que escreve é corajosa, e procura descrever a cena como sendo narrada pela Mãe. Nem todos os leitores destes "Comentários" concordarão que essa tentativa tenha sido bem sucedida. Não importa. Outros leitores poderão deleitar-se com a cena, que realmente aconteceu, e deve ter acontecido de maneira parecida; e para esses leitores apresentamo-la aqui:

"Maria põe-se de pé novamente e entra na gruta: "Tudo está como estava então... Só que na ocasião era noite... José acendeu uma luz quando entrei. Então, e só então ao descer do burro percebi o quão cansada e com frio estava. Um boi recebeu-nos. Eu aproximei-me dele para sentir um pouco de calor, para descansar sobre o feno... onde estou agora, José estendeu o feno para fazer-me uma cama, e ele a secou para nós dois, Jesus e eu, na pequena fogueira feita naquele canto... porque meu esposo angélico tinha por nós o amor de um verdadeiro pai... e ele e eu, segurando-nos um ao outro pelas mãos, como dois irmãos perdidos no escuro da noite, comemos nosso pão e queijo, e então ele foi lá alimentar o fogo, tirando antes seu manto para bloquear a entrada da caverna... Na verdade ele estava velando pela glória de Deus que estava por descer do Céu. Com Jesus, permaneci no feno entre o calor de dois animais, envolta no meu manto e com a manta de lã. Meu amado esposo!... Naquele momento de ânsia para mim, em que enfrentava só o mistério de dar à luz pela primeira vez, algo sempre uma vez desconhecido para qualquer mulher, mas ampliado para mim em razão da singularidade da minha maternidade, e ainda mais pela perspectiva de ver o Filho de Deus emergir da carne mortal, ele, José, foi como uma mãe para mim, como um anjo... meu consolo... ali e sempre...

"E então o silêncio e o sono vieram envolver o Homem Justo... para que ele não visse o que era para mim o abraço diário de Deus... E começaram para mim as ondas ilimitadas de êxtase, rolando de um mar paradisíaco, elevando-me novamente às cristas luminosas, cada vez mais alto, levando-me com elas para cima, mais ainda, num oceano de luz, de mais luz, paz e amor, até encontrar-me perdida no mar de Deus, do seio de Deus... Ouvi ainda uma voz vinda da terra; "Estás dormindo, Maria?" Oh, quão longe! ... Um eco simples, chamando da terra!... tão fraco que quase não toca a alma. Eu não tenho ideia de qual resposta eu lhe dou enquanto subo, e ainda estou subindo nessa imensidade de fogo, de beatitude infinita, da presciência de Deus... até Deus, o próprio Deus... Oh, foi Jesus que nasceu de mim, ou fui eu que nasci dos esplendores da Santíssima Trindade naquela noite? Eu que dei à luz Jesus, ou foi Jesus que me aspirou para a luz? Eu não faço ideia...

"E então a descida, de Coro de anjos em Coro de anjos, de camada de astros em camada de astros; uma descida tão suave e lenta, bem-aventurada e pacífica, como a de uma flor sendo carregada no alto por uma águia que depois a deixa cair, descendo lentamente nas asas do ar, embelezada por uma gema de chuva, por um fragmento de arco-íris arrebatado do céu, e que aterrissa em seu solo nativo... E minha coroa de joias: Jesus, Jesus sobre meu coração...

"Sentada aqui, depois de adorá-Lo de joelhos, eu O amava. Por fim, pude amá-Lo sem as barreiras da carne entre nós, e daqui eu me levantei para levar-lhe ao amor do Justo, que merecia como eu estar entre os primeiros a amá-Lo. E aqui, entre estes dois pilares rústicos, ofereci-O ao Pai. E aqui Ele descansou pela primeira vez sobre o coração de José... Eu balancei-O enquanto José secava o feno ao fogo e mantinha-o quente para colocá-lo no berço do bebê; e depois, ali, adoramo-Lo, curvados diante d’Ele, assim como me curvo agora, bebendo Sua respiração, contemplando até que ponto o amor de Deus pode descer para amar os homens, chorando as lágrimas que são certamente choradas no Céu pelo gozo inesgotável de ver a Deus ".


Kyrie eleison.

sábado, 10 de setembro de 2016

Comentários Eleison CDLXXVII (477) – Glória de Maria


Por Dom Richard N. Williamson
03 de setembro de 2016

Toda a glória que Maria busca é para seu Filho.
Para si mesma, Ela não busca glória alguma.


Entre as Festas Católicas da Assunção de Nossa Senhora ao Céu (15 de agosto) e a Natividade de Nossa Senhora (8 de setembro), pode ser um bom momento para refletir sobre uma objeção principal Protestante à devoção dos católicos para com Nossa Senhora, a saber, que toda a atenção, honra e oração dirigidos à Nossa Senhora lhe é tanto assim retirado a Nosso Senhor – Ele só é nosso Redentor, assim que somente a Ele devem ser dirigidas toda nossa devoção, adoração e oração. A seguinte citação, provinda como de Nosso Senhor mesmo, coloca muitas objeções em uma perspectiva diferente: —

O olho humano pode não pode olhar ao sol, mas pode olhar à lua. O olho da alma humana não pode mirar a perfeição de Deus tal como ela é, mas pode mirar a perfeição de maria. Maria é como a lua em relação ao sol. Está iluminada por sua luz e reflete sobre vós a luz que a iluminou, mas suavizando-a com esses místicos vapores que a fazem suportável à vossa limitada natureza. Por isso Eu os a proponho desde há séculos como modelo para todos vós a quem quis como irmãos, precisamente em Maria.

Ela é a Mãe. Que doçura para os filhos mirar a sua mãe! Tenho-a dado por essa razão, para que pudesses ter uma doce Majestade para contemplar, cujo esplendor fosse suficiente para arrebatá-los e cativar vosso olhar, mas não tão brilhante como para cegá-los. Apenas ante almas especiais, que elegi por motivos incensuráveis, mostrei-me a Mim mesmo, em todo o fulgor de Deus-Homem, de Inteligência e Perfeição absolutas. Mas junto àquele dom, tive de lhes dar outro que as fizessem capazes de suportar Meu conhecimento sem ser aniquilados.
Enquanto que a Maria a podeis mirar todos. Não porque ela seja semelhante a vós. Oh! Não! Sua pureza é tão alta que Eu, seu Filho e seu Deus, a trato com veneração. Sua perfeição é tão grande que o Paraíso todo se inclina ante seu trono sobre o que descende o eterno contento e o eterno resplendor de Nossa Trindade. Mas este resplendor, que a compenetra e imbui mais que a nenhuma outra criatura de Deus, está difuso pelos velos candidíssimos de sua carne imaculada, pela qual Ela irradia como uma estrela, recolhendo toda a luz de Deus e difundindo-a como uma luminosidade suave sobre todas as suas criaturas.
E além disso Ela é vossa Mãe eternamente. E a Mãe tem todas as piedades que os escusam, que intercedem por vós, que instruem pacientemente. Grande é a alegria de Maria quando Ela pode dizer a quem lhe ama, “Ama a meu Filho”. Grande é minha própria alegria quando posso dizer a quem me ama, “Ama a minha Mãe”. E grandíssima é nossa alegria quando vemos que separando-se de meus pés alguém de vós vai a Maria, ou separando-se do regaço de Maria algum de vós vem até mim. Porque a Mãe goza a dar outras almas enamoradas ao Filhos, e o Filho goza ao ver amada por outros à Mãe. Pois quando de nossa glória se trata, nenhum de nós busca prevalecer, senão que a glória de cada um de vós se completa na glória do outro.
Por isto te digo: “Ama a Maria. Te dou a Ela. Ela te ama e iluminará tua existência com tão somente a suavidade de seu sorriso. Se os católicos soubessem como deixar que sua luz irradie através deles, eles atrairiam incontáveis almas até seu Filho e até Deus, como verdadeiramente os Protestantes devotos só podem desejá-lo.

Kyrie eleison.

sábado, 21 de maio de 2016

Comentários Eleison CDLXII (462) - Sentimentos Doutrinais

Por Dom Richard Williamson
Traduzido por Cristoph Klug

21 de maio de 2016

Pelas mulheres dispostas por Cristo a sofrer, graças a Deus.
Para resguardarmo-nos de Sua ira, são elas escudo próprio Seu.

O "Comentário" da semana passada (CE 461) não terá sido do gosto de todos. Os leitores deverão ter adivinhado que a autora não nomeada da longa citação era do mesmo sexo que as também citadas Santa Teresa d'Ávila ("sofrer ou morrer") e Santa Maria Madalena de Pazzi ("sofrer e não morrer"), e a citação anônima pode ter parecido excessivamente emocional. Mas o contraste com os sentimentos do Papa Bento citados na semana anterior (CE 460) foi deliberado. Enquanto o texto do varão mostrou os sentimentos governando a doutrina, o texto da mulher mostrou a doutrina governando aos sentimentos. É melhor, obviamente, a mulher colocando a Deus primeiro, como Cristo no Horto de Getsêmani ("Meu Pai, se é possível, passe este cálice longe de Mim; mas não como Eu quero..."), que o varão colocando os sentimentos primeiro e alterando a doutrina e religião católicas para a religião Conciliar.

O surpreendente contraste destaca que a primazia de Deus significa que a doutrina vem primeiro, enquanto que a primazia dos sentimentos significa que o homem vem primeiro. Mas a vida não se trata de evitar o sofrimento, trata-se de alcançar o Céu. Se então eu deixo de crer em Deus e adoro a Mamon em seu lugar (Mt VI, 24), eu não crerei na vida além e pagarei por drogas mais e mais caras para evitar o sofrimento nesta vida, porque não há outra vida. E assim, as "democracias" ocidentais criam, um após outro, ruinosos Estados de bem-estar porque a maneira mais segura para um político "democrático" de ser eleito ou não é a de tomar uma posição a favor ou contra a medicina pública. O cuidado do corpo é tudo o que resta na vida de muitos homens que não têm Deus. Assim o secularismo arruína o Estado: "Se Javé não edifica a casa, em vão trabalham os que a constroem" (Sl CXXVI, 1), enquanto que "Ditoso é o povo cujo Deus é Javé" (Sl CXLIII, 15). A Religião governa a política e a economia por igual, a falsa religião para seu mal, a religião verdadeira para seu verdadeiro bem.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Comentários Eleison CDLXI (461) - Sentimentos Cristãos



Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug
14 de maio de 2016

 
Cristo mostrou que sofrer é um precioso dom.
Para as almas abatidas, eis aqui a exaltação dada por Deus.



Como pôde ocorrer ao Papa Bento XVI que Deus Pai era cruel com Deus Filho ao fazê-lo pagar pelos pecados do mundo (cf. CE da semana passada)? “Um batismo tenho para batizar-me”, diz o mesmo Filho, “e como estou em angústias ate que seja cumprido” (Lc XII, 50). Santa Teresa de Ávila queria “sofrer ou morrer”, mas Santa Maria Madalena de Pazzi queria “sofrer e não morrer”. A seguinte citação mostra a compreensão cristã do sofrimento da qual carece o moderno Bento.

A quem posso dizer o que estou sofrendo? A ninguém nesta terra, porque não é um sofrimento desta terra e ninguém no mundo entenderia. O sofrimento é uma doce espécie de dor e uma dolorosa espécie de doçura. Desejaria sofrer dez vezes, cem vezes mais. Por nada no mundo quereria que se detivesse. Mas isto não significa que não esteja sofrendo. Eu sofro como se estivesse sendo apertada pela garganta, oprimida entre as pranchas de uma prensa, queimada em um forno, perfurada no mesmo coração

Se me fosse permitido mover-me, estar por minha conta, de modo que pudesse mover-me e cantar para dar risadas soltas do que sinto dentro de mim, porque a dor se sente realmente, seria um alívio. Mas estou cravada como Jesus na Cruz. Não posso me mover nem estar por minha conta, e tenho que morder minha língua para não satisfazer a curiosidade da gente com minha doce agonia. Morder minha língua é dizer pouco. Só com um grande esforço posso controlar o impulso de deixar sair o pranto de dor e alegria sobrenatural, que brota de dentro e quer estalar com toda a força de uma chama abrasadora ou da água que sai aos borbotões.