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domingo, 5 de março de 2017

Comentários Eleison DII (502) - Religião de Migração

Por Dom Richard N. Williamson
25 de fevereiro de 2017


Os homens brancos europeus abandonaram Deus?
Servir-lhes-ão de flagelo negros, muçulmanos, mulheres e judeus!


Então, existe um Poder Global por trás do fluxo em andamento de imigrantes não europeus para a Europa, e a religião é “decisiva” neste fluxo – assim está dito no “Comentário Eleison” da semana passada. Duas questões, então, se levantam: quem ou o que é este poder? E como pode a religião entrar em uma questão tão política?

Em relação à identidade deste Poder Global, de cuja existência o economista húngaro estava tão seguro sem estar disposto a identificá-la, há facilmente acessível na internet (ao menos que tenha sido abafado) um vídeo fascinante e aterrador de uma entrevista filmada em 2010, de poucos minutos de duração, na qual uma judia declara que são os judeus que estão liderando a transformação multicultural da Europa. Barbara Spectre nasceu nos EUA em 1942, graduou-se em estudos filosóficos nos EUA, atuou como educadora profissional desde 1967 em Israel, e em 1999 emigrou para a Suécia para unir-se a seu marido, que era rabino da sinagoga de Estocolmo. Assistindo ao vídeo, parece evidente que ninguém a estaria forçando a revelar quem está por trás da transformação que está em curso atualmente na Europa. Antes, ela sinceramente acredita nessa transformação e no que os judeus estão fazendo com a Europa, porque declara que somente a invasão de imigrantes possibilitará que a Europa sobreviva. Eis aqui suas próprias palavras:

sábado, 14 de janeiro de 2017

Os Protocolos dos Sábios de Sião - Gustavo Barroso

DO QUE SE TRATA 

Os Protocolos são considerados como uma obra reveladora, um mistério desvendado pela filtração das tão zelosamente guardadas Atas Secretas do Congresso Sionista de Berna, cujo conteúdo central revela uma conspiração judaico-sionista internacional e que o escritor Léon de Poncins definia como a misteriosa Internacional Judaica, pelo fato da sua mensagem indicar a existência de um complô mundial. Já para René Guénon, os Protocolos seriam “uma tática destinada à destruição do mundo tradicional”. Também o escritor e historiador espanhol, especialista em questões judaicas, Joaquín Bochaca, define o assunto assim: “os Protocolos dos Sábios de Sião podem ser resumidamente descritos como um estuo [ardor] para o domínio do mundo por uma irmandade ou sociedade secreta”. Seja como for, os indícios de que o plano já estava em andamento e do qual os Protocolos seriam quase que um tipo de regulamentação já haviam sido manifestados, no século passado, pelo todo-poderoso Primeiro Ministro de origem judaica da Inglaterra, Benjamin Disraeli, ao afirmar que "o mundo está governado por personagens muito diferentes dos imaginados por aqueles que estão frente aos bastidores”, tese que seria confirmada e ratificada pelo também judeu e Ministro das Relações Exteriores da tristemente famosa República de Weimar, Alemanha, Walter Rathenau, ao afirmar que “trezentos judeus, cada um dos quais conhecendo os demais, governam os destinos do continente europeu e elegem seus sucessores entre os que os rodeiam”. 


UM RESUMO 

No dia 8 de maio de 1920 o então prestigioso jornal londrino The Times publicou um resumo do famoso plano de dominação mundial, baseado na primeira edição dos Protocolos, que se encontra catalogada desde 1906 no Museu Britânico, sob o código 3926d17. A partir desta data iniciou-se a grande polêmica em torno do assunto. Vejamos o resumo do Times: 

→Primeiro: Existiram e continuam existindo, desde há muitos séculos, organizações secretas políticas judaicas;

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Comentários Eleison CDXCIII (493) - Cartão de Isaías

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

24 de dezembro de 2016
A Jesus Cristo todos os homens na terra devem se voltar,
Ou então, aqui ou no futuro, eles deverão queimar.



Se Deus Todo-Poderoso fosse enviar cartões de Natal, o que poderia escrever no Seu sobre a vinda do próprio Filho, que nasceu na terra como um Filho humano de uma Mãe humana? É verdade que Deus escreveu muitas coisas sobre o Messias através dos escritores que Ele inspirou diretamente para compor os livros do Antigo Testamento e, sem dúvida, uma das mais conhecidas dessas citações vem do profeta Isaías, no capítulo 9. No anterior, Isaías profetiza a desolação e a ruína que cairão sobre os judeus por causa de seus pecados. No 9, ele volta-se para a glória da era messiânica: uma grande luz iluminará a Galileia (província natal de Jesus) – versos 1 e 2. Então, a alegria, como no tempo da colheita ou depois de uma vitória militar (verso 3), virá, após a derrota dos assírios, assim como após a derrota dos midianitas para Gideão (verso 4), e os efeitos da guerra desaparecerão (verso 5). Isaías continua com o “cartão de Natal” (glorificado na música O Messias de Händel):

domingo, 11 de setembro de 2016

Comentários Eleison CDLXXVIII (478) - As Origens do Islamismo



Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug
Revisão: Rafael S. Souza (Borboletas ao Luar)

10 de setembro de 2016

Quem se beneficia de os inimigos de Nosso Senhor fomentar?
Aqueles dos quais se serve Deus para com aflições nos castigar.


Ao recomendar aos leitores o “Complô Contra a Igreja”, de Maurice Painay, um livro que prova com farta documentação que o principal inimigo da Igreja por dois mil anos tem sido os Judeus, estes “Comentários” afirmaram que os judeus estavam por trás do Islamismo, da Maçonaria e do Comunismo. Nenhum leitor contestou que eles estavam por trás da Maçonaria e do Comunismo, mas alguns perguntaram o que prova que eles estão também por trás do Islamismo. Na verdade, uma vez que o Islã surgiu no século VII d.C., não há documentação como as que existem para as modernas raízes da Maçonaria e do Comunismo. Na verdade, os especialistas sobre o Islã dirão que muitos dos documentos originais no início do Islã foram destruídos, precisamente para encobrir suas verdadeiras origens. Ficamos com os textos do próprio Corão e argumentos históricos para apontar os Judeus como os criadores do Islã. 

Quanto ao texto do Corão, alguém que o estudou de perto antes do Concílio, Hanna Zakarias, chegou à conclusão em seu livro “True Mohammed, False Koran”, que ele foi inteiramente o trabalho de um rabino judeu. Para apoiar sua tese de que o Islã é simplesmente Judaísmo, explicado aos árabes por um rabino para convertê-los ao único verdadeiro Deus do Velho Testamento, Zakarias sustenta que não há nenhuma história e nenhum detalhe no Corão que não sejam especificamente judaicos, referindo-se ao Velho Testamento, ao Talmude ou à outra literatura judaica. Somente um judeu ­– ele argumenta –, poderia glorificar Israel como o Corão faz, como cabeça das nações, único receptor da única Revelação do único Deus verdadeiro. Assim, passagens no Corão honrando, por exemplo, João Batista e a Santíssima Virgem, honram-nos puramente como sendo judeus, cortando toda ligação com a cristandade (Sura XIX, 1-21). Quanto a Jesus, ele pode ter sido o filho de Maria, mas ele certamente não era o Filho de Deus. 

Na contramão, um estudante pós-conciliar do Islã, Laurent Lagartempe, afirma em seu livro “Origins of Islam” que há muitas questões sobre a pessoa histórica de Maomé, e ele argumenta que o Corão é uma miscelânea de textos díspares, mais ou menos estabilizada apenas dois séculos após o início do Islã, para justificar a nova religião, e para servir como seu texto sagrado e rivalizar com o Antigo e o Novo Testamentos de Moisés e de Jesus Cristo, respectivamente. Mas Lagartempe não contesta uma presença significativa do Judaísmo nem de sua influência no Corão. 

Quanto aos argumentos históricos sobre os judeus estarem por trás do Islã, o livro de Pinay registra o bem conhecido papel que os judeus desempenharam em ajudar os árabes a conquistar a Espanha católica entre 711 e 788, reconquistada pelos espanhóis apenas em 1492. Lagartempe supõe razoavelmente que a conquista anterior do norte da África de 647 a 710 também foi auxiliada pelos judeus, porque esses países ao sul do Mediterrâneo, outrora partes de uma próspera cristandade, desde então permaneceram majoritariamente sob o controle árabe. 

No entanto, talvez o argumento principal que sustenta que os judeus estão por trás do Islã é o de ordem mais geral e dificilmente contestável que se apoia sobre o papel muito especial desempenhado na história do povo do Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo. Para começar, a formação dos israelitas para este papel, pelo próprio Deus, estendida por mais de 2 mil anos de Abraão a Cristo. Observe no Antigo Testamento como especialmente Deus, recompensando-os ou punindo-os, formou-os como o berço do Messias vindouro. Ele concedeu aos judeus uma familiaridade muito especial com o único Deus verdadeiro, e eles nunca a perderam totalmente desde então. E essa familiaridade lhes dá uma habilidade especial para fabricarem religiões substitutas que parecem satisfazer as necessidades religiosas reais do homem. 

Infelizmente, eles recusaram seu Messias quando Ele veio, e essa recusa lhes dá uma motivação especial para fabricar falsas religiões para afastar os homens de Cristo e da salvação eterna. Aqui está o motivo de Maurice Pinay poder mostrar como eles lutaram ocultamente por todos os séculos contra a Igreja Católica. Hoje eles estão, indiscutivelmente, por trás da invasão muçulmana das nações outrora católicas da Europa, para dissolver os últimos remanescentes da Fé, e então acabar com a oposição dessas nações à sua Nova Ordem Mundial.


Kyrie eleison.

domingo, 19 de junho de 2016

Comentários Eleison CDXLVI (466) - A Trapaça do Antissemitismo

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patricia (blog Borboletas ao Luar)
18 de junho de 2016
É a palavra “antissemita” brandida como uma espada?
Apenas peça a quem a brande para que a defina.



Há palavras traiçoeiras que parecem significar uma coisa, mas que são empregadas para significar outra completamente diferente. Uma das mais traiçoeiras de todas é a palavra “antissemitismo”. Esta parece significar oposição a todos os judeus pura e simplesmente porque são judeus; nesse sentido, ela condena corretamente algo mau, porque alguns judeus são perversos, mas é certo que nem todos o são. Por outro lado, é frequentemente utilizada para condenar qualquer oposição a tudo que os judeus fazem, e então a palavra está erradamente condenando algo bom, porque sempre que os judeus fizerem algo ruim, então a oposição a eles é boa. Mas os judeus fazem coisas ruins? Obviamente. Eles criaram o islã para os árabes, a maçonaria para os gentios e o comunismo para o mundo moderno, todos os três, primeiramente, para lutar contra Jesus Cristo e o Cristianismo e, então, enviar almas para o inferno.

Um livro que todos os católicos deveriam ler, os que querem defender a Igreja contra o islã, a maçonaria e o comunismo, agora globalismo, é Complô Contra a Igreja, de Maurice Pinay. O livro foi escrito pouco antes do Vaticano II para ser posto nas mãos de todos os padres conciliares e alertá-los sobre o grande perigo no qual a Igreja se encontraria no Concílio. Efetivamente. Os padres do Concílio acabaram por louvar o islã (Unitatis Redintegratio), adotar princípios maçônicos (Dignitatis Humanae) e nunca mencionar, e menos ainda condenar, o maléfico sistema comunista. Eis como em seu capítulo “Antissemitismo e Cristianismo”, Maurice Pinay analisa a traição da palavra “antissemitismo”:

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Maximiliam Kolbe aos Maçons: Vocês são controlados pelos Judeus



Em 1917 Maximiliano Maria Kolbe fundou a Milícia da Imaculada. Sua luta não se voltou para combater os inimigos da Igreja, mas sim para convertê-los para que eles pudessem alcançar a salvação eterna. É com esse espírito que ele se dirigiu aos seus inimigos.


O Talmude: uma coleção de instruções 
anticatólicas
Em um artigo intitulado “Os Pobres”, ele descreve o ódio expresso por Cristo e sua Igreja no Talmude: “O homem foi redimido, e Cristo fundou Sua Igreja sobre a rocha. Alguns do povo hebreu reconheceram-no como o Messias, mas outros – entre eles principalmente os fariseus – não quiseram reconhecê-lo. Ao invés disso, perseguiram os Seus seguidores e emitiram numerosas leis que obrigam os judeus a perseguir os cristãos. Essas leis, juntamente com histórias e apêndices, tornaram-se seu livro sagrado chamado O Talmude, em torno do ano 500 d.C.

“Neste livro os cristãos são chamados de idólatras, piores do que os turcos, assassinos, libertinos impuros; eles são o estrume, animais em forma humana, piores do que animais, filhos do Diabo, etc. Os sacerdotes católicos são chamados de adivinhos e burros calvos… a Igreja é chamada a casa de estupidez e sujeira; estátuas religiosas, medalhas e rosários são chamados de ídolos. No Talmude, domingos e festas de preceito são considerados dias de perdição.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A salvação não veio somente para um povo - Santo Agostinho

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo. XIV, 6)
Essa senda universal de que tanto tempo antes se profetizou:
“E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor terá os seus fundamentos no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele todas as gentes. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, e ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas, porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.” (Is. II, 2-3).
Essa a senda, que não é de uma nação apenas, mas de todas as nações. E a lei e a palavra do Senhor não permanecerão em Sião e em Jerusalém, mas dali sairão para expandir-se por todo o orbe. Por isso o Mediador disse a seus discípulos, hesitantes depois da ressurreição:

“Era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés e nos profetas e nos salmos. Então abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras; e disse-lhes: Assim está escrito, e assim era necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos ao terceiro dia; e que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.” (Lc. XXIV, 44-47).


Santo Agostinho, “A Cidade de Deus”, Livro X, cap. XXXII, “O caminho universal para a liberação da alma. Por não saber buscá-lo, Porfírio não deu com ele. Somente a graça cristã o descobriu”.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Comentários Eleison CCCLXIX (369) - Israelenses, Israelitas?

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (Blogue Borboletas ao Luar)
09 de agosto de 2014

Admitamos então (CE 368) que as ordens do Deus Todo-Poderoso para exterminar certos povos no Antigo Testamento (por exemplo: I Sm 15) foram atos de justiça e misericórdia para com os próprios pagãos, e um ato também designado para ajudar os israelitas a seguirem adiante na preparação do berço para a chegada, muitos séculos depois, do Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo. Este berço os israelitas proporcionaram, especialmente a Santíssima Virgem Maria, a quem toda a raça humana tem uma dívida sem limites de gratidão. Quem quer de nós que chegue ao Céu, só o faz por sua intercessão.

Então, que relação pode haver entre esses judeus por meio dos quais veio a salvação (Jo 4, 22), e os tantos judeus de hoje que estão massacrando os palestinos ou apoiando moralmente ou financeiramente o massacre? A maioria dos judeus de hoje são judeus Askenazi, e podem muito bem não ser descendentes de Abraão; mas seja como for, é certo que eles absorveram do Talmude, o livro sagrado do Judaísmo pós-cristão que Nosso Senhor chamou de “o fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16, 11), que é o espírito de seus inimigos implacáveis que o crucificaram e têm combatido Sua Igreja desde então. Como pode esse Povo Eleito ter se tornado consistentemente um dos Seus piores inimigos? (Se esta simples pergunta parece “antissemita”, nos recordemos que a verdade é boa, enquanto que o “antissemitismo” é mau; então, nenhuma verdade pode ser “antissemita”, e nada que seja “antissemita” pode ser verdade. O que se segue é a verdade, e nada tem que ver com o chamado “antissemitismo”).

Em primeiro lugar, se o Povo Eleito se voltou contra seu Deus, o problema pode parecer cronológico, mas não é. Em todo o Antigo Testamento houve israelitas que se voltaram contra Deus, como, por exemplo, os adoradores do bezerro de ouro, ou os judeus exilados na Babilônia. Deus teve de punir frequentemente seu próprio povo “de dura cerviz” e rebelde. Da mesma forma, desde o início do Novo Testamento até os nossos dias houve sempre judeus notáveis convertidos, como São Paulo, que foi tão judeu quanto poderia sê-lo (cf. Rm 9, 1-5; II Co 11, 21-22; Fl 3, 4-6). A diferença entre os israelitas e os israelenses é a mesma diferença que sempre houve entre aqueles de qualquer raça que amam a Deus e aqueles que se rebelam contra Ele. A verdadeira linha “judaico-cristã” estende desde Abel, passando, por exemplo, por Abraão, Moisés, Davi e a Mãe de Deus até a Igreja Católica. A falsa linha “judaico-cristã”, mas verdadeiramente “judaico-maçônica” se estende desde o amaldiçoado Caim, passando, por exemplo, pelos assassinos dos profetas de Deus, por Anás e Caifás, até a moderna Maçonaria, que foi criada pelos judeus e continua controlada por eles com o propósito de lutar contra a Igreja Católica, ainda que muitos maçons ignorem este fato.

Muito bem, mas não é especialmente acentuado o contraste entre israelitas e israelenses? Sim, porque como diz o velho ditado, “Quanto mais altos eles são, maior sua queda”. Como aqueles membros do Povo Eleito se recusaram a ser os servos especiais de Deus, como têm feito desde a Encarnação, acabaram sendo obrigados a se tornarem servos especiais do Diabo. Não houve para eles possibilidade de escolha entre uma coisa e outra. E o que estava por trás dessa recusa? Em uma só palavra: orgulho. Em vez de usar os dons especiais que Deus os deu para a Sua glória, eles os redirecionaram para a sua própria glória. Antes que o Messias chegasse, eles o conceberam erroneamente como seu salvador material ao invés de salvador espiritual, de modo que, quando Ele veio, eles se recusaram a reconhecê-Lo, e desde então lutam contra Ele por ter substituído sua religião mosaica racialmente exclusiva com a religião católica racialmente inclusiva, aberta a todas as raças.

E o que os católicos podem fazer para resistir à esmagadora dominância material dos outrora Eleitos à nossa volta? Materialmente, quase nada, mas uma simples alma que esteja a orar espiritualmente e sinceramente para o reino de Deus vir, e para que seja feita a Sua vontade, pode fazer com que Deus mova montanhas, o que é brincadeira de criança para Ele, que permite esse domínio apenas para nos levar de volta para Si.


Kyrie Eleison.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

As Características dos Pagãos e do Povo Judeu - Padre Julio Meinvielle

OS POVOS PAGÃOS

Deus não criou os povos no paganismo. Sua divina misericórdia, mesmo depois da queda, confortou ao homem com os meios necessários para que conquistasse sua eterna salvação. A lei da natureza, pela qual se regiam os homens nessa primeira idade do mundo, não se chamava assim por oposição à lei sobrenatural, já que também ela compreendia os preceitos sobrenaturais da fé, da esperança e da caridade, mas sim por oposição à lei exterior ou escrita. Pois em lugar de ser proposta exteriormente, era conhecida seja pelo simples instinto da natureza, no que se refere aos preceitos da ordem natural, seja por uma simples inspiração divina sobre os preceitos da ordem sobrenatural. Neste estado, diz São Tomás (Suma Teológica III, q. 60, a. 5, ad. 3) os homens não se moviam a adorar a Deus por nenhuma lei exterior, mas somente pelo instinto interior. E muitos foram os justos que acomodaram sua vida a esta lei de natureza, não somente entre os primeiros patriarcas da humanidade, mas também depois de Abraão e de Moisés, como por exemplo o Santo Jó, que não sendo judeu nem prosolélito, deu grandes e extraordinárias mostras de santidade, e possivelmente muitos sejam agora os que por ela se rejam e se salvem. Isto pode se pensar particularmente dos grandes varões do bramanismo da Índia, que em símbolos e em altíssimos princípios teológico-metafísicos, alcançam um conhecimento tão elevado das coisas de Deus que se poderia ser acreditado hoje patrimônio exclusivo dos cristãos. (Ver Johanns S. J. "Vers le Christ par le Vedanta").

Thomas Couture, I Romani Della Decadenza, 1847

O paganismo é a infidelidade dos homens a esta lei de natureza. São Paulo nos descreve com caracteres definitivos os aspectos próprios do paganismo.

Na Carta aos Romanos I, diz o Apóstolo, falando dos pagãos: 

21. Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, mas desvaneceram-se nos seus pensamentos, e obscureceu-se o seu coração insensato;
22. porque, dizendo ser sábios, tornaram-se estultos,
23. e mudaram a glória de Deus incorruptível para a figura de um simulacro de homem corruptível, de aves, e de quadrúpedes, e de serpentes.


Deduzimos daqui as características do Paganismo.

Primeira característica: reconhecimento de Deus.
O paganismo não é ateu. Reconhece a Deus e confia em sua Providência. E a um Deus uno, governador do mundo, distinto do mesmo mundo. São Paulo na passagem citada insinua claramente esta ideia que tem sido confirmada cientificamente pelos modernos investigadores das religiões. O que se chama henoteísmo (adoração de um) não é mais que isto. "O henoteísmo, diz o filósofo Hartmann, tem seu fundamento na identidade positiva que se reconhece na base de todas as divindades da natureza, identidade que permite honrar, na pessoa de cada deus (principalmente naquela de cada um dos deuses admitidos desde a origem, a divindade no sentido absoluto, o divino, Deus. E Tertuliano reconhecia o caráter henoteísta do culto pagão quando falando à alma humana dizia: "Confessas ao Deus único e somente a Ele nomeia, quando falando às vezes aos deuses parece lhes conferir um poder que não têm." (De Testimonio animae, c. 2); e Santo Agostinho quando escreve: "Ainda antes de crer em Cristo, os pagãos não puderam ignorar totalmente o nome d'Aquele que é o Deus do universo; porque o prestígio da verdadeira divindade é tal que não pode permanecer total e plenamente escondida a uma criatura racional, usando de sua razão."

Segunda característica do paganismo: a idolatria.
Diz São Tomás II, II, 194, a. 1, ad. 4), que o nome da idolatria se impôs para significar qualquer culto dado às criaturas, mesmo que se faça sem imagens". E como os pagãos não possuíam uma ideia clara da transcendência de Deus, que está infinitamente acima de todo a criação como o Ser Necessário acima do contingente e ao mesmo tempo de sua divina imanência que está presente em todo o ser e em toda a atividade das criaturas, como Ser e Causa Primeira, (São Tomás III, q. 2 e 8) viram a divindade nas coisas mutáveis da criação, fracionaram-na nestas mesmas coisas corruptíveis e nelas a adoraram.

Terceira característica do paganismo: a divinização do poder.
O paganismo, diz São Paulo, chegou a mudar a glória de Deus incorruptível para a figura de um simulacro de homem corruptível. Divinizaram-no totalmente e não puderam então deixar de assinar caracteres divinos ao Poder e sobretudo ao Poder político, que é a suma dos poderes concebíveis na terra. O paganismo não podia distinguir na razão de todo e de parte que lhe cabe a todo homem. É um todo porque o homem, cada homem, mesmo o mais infeliz e desgraçado, está ordenado diretamente a Deus, seu fim último. É uma parte, porque para alcançar a plenitude do todo, tem que se submeter como parte das distintas sociedades, necessárias para sua perfeição. O homem é todo, é uma pessoa, e neste sentido não pode estar totalmente submetido a nenhum poder da terra: pelo contrário, os poderes da terra e mesmo a Igreja foram feitos para o homem. O homem é parte e deve obediência aos poderes legítimos, cuja autoridade vem de Deus (Rm XIII, 1-2). (Cf. Julio Meinvielle, Concepción Católica de la Política.) O paganismo teve de fazer forçosamente do Poder, do Estado, um Deus. Reconheceu o caráter orgânico e hierárquico do poder, porém para divinizá-lo. O poder resultava por ele mesmo, inevitavelmente tirânico, porque não servia ao homem, mas se servia dos homens.

Quarta característica do paganismo: a religião nacional.
Não reconhecendo o paganismo nem a transcendência de Deus, que está acima de tudo o que foi criado, nem a transcendência do homem, que, em último termo, não se ordena totalmente senão somente a Deus, não podia se dar uma ideia de uma religião universal, una para todos, assim como há um só Deus, Criador e Fim dos homens. A religião estava particularizada como o Estado, e com ele identificada. O César, o monarca, o cônsul, o tribuno, era também quem regulava a vida religiosa quando não era o objeto mesmo do culto.

Quinta caraterística do paganismo: exaltação dos próprios instintos e ódio ao estrangeiro.
Quando se ignora a Deus não se pode verdadeiramente conhecer o homem, feito à imagem e semelhança de Deus. E assim o paganismo desprezou o homem. Desprezou o homem enquanto o exaltava. Porque lhe exaltava em uns e desprezava em outros; exaltava-lhe nos do próprio sangue, cidade ou tribo, e lhe desprezava nos de outro sangue, cidade ou tribo. Exaltava-lhe ao glorificar-lhe em vergonhosos instintos. São Paulo lhes reprova isto aos pagãos, em sua célebre carta aos Romanos I, 24-32.

24. Pelo que Deus os abandonou aos desejos do seu coração, à imundície; de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos;
25. eles, que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém.
26. Por isso Deus entregou-os a paixões de ignomínia. Porque as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza.
27. E, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a carga que era devida ao seu desregramento.
28. E, como não procuraram reconhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém,
29. cheios de toda a iniquidade, de malícia, de fornicação, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros,
30. detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventadores de maldades, desobedientes aos pais,
31. insensatos, sem lealdade, sem afeto, sem lei, sem misericórdia.
32. Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também que aprova aqueles que as fazem.




O POVO JUDEU



Tais são as características comuns que se aplicam ao mundo pagão nas distintas e grandes civilizações que criaram, não somente na greco-romana, como também nas antiquíssimas civilizações babilônicas e egípcias. Todos estes são povos idólatras, que ao perder o conhecimento do verdadeiro Deus, corromperam também os princípios de ordem e salvação sobre os quais deve estar edificada a cidade terrestre.

Os restos arqueológicos nos dão pálida ideia das grandes e colossais empresas que teceram e realizaram, mas diminuíram o homem, despojando-o das prerrogativas de dignidade humana que constituem sua verdadeira grandeza. O homem foi desumanizado, para se converter em coisa útil, em ferramenta. Ao perder o homem a Deus, também perdeu-se a si mesmo.

Por isso Deus separou para si um povo, que fosse Seu povo e na qual se conservasse intacta a revelação primitiva que Deus havia comunicado aos primeiros pais da humanidade. Dois mil anos antes de Jesus Cristo, Deus chama a Abraão e lhe diz: Sai de tua terra e de tua parentela, e vem à terra que te mostrarei. (Gn XII, 1).

2. E eu te farei cabeça de uma grande nação, e o abençoarei e enaltecerei teu nome e tu serás bendito.
3. Bendirei aos que te abençoarem e amaldiçoarei aos que te amaldiçoarem e em ti serão benditas todas as nações da terra.




A este povo Deus lhes dá uma lei escrita, a qual não salva por si, por uma eficácia intrínseca, mas que é sinal d'Aquele em quem devem ser benditas todas as linhagens da terra. Este povo torna-se então santificado e consagrado a Deus não por ser tal povo, nem por vir do Pai Abraão, senão pelo Cristo, o Filho de Deus bendito pelos séculos, o Prometido, o Libertador, o Redentor, que devia sair de seu seio.

Este povo, ao qual Deus protege de modo especial, trouxe-nos de fato o Redentor, e a mãe do Redentor, e aos apóstolos, tronco primeiro da Igreja de Cristo. O povo judeu foi em Cristo o veículo dos grandes bens da humanidade.

Mas assim como o paganismo é uma infidelidade à lei da natureza, assim o Judaísmo é uma infidelidade à lei escrita. O grande pecado dos judeus consiste em que por aderirem ao sinal, à figura, perderam a substância de salvação que é Cristo. Como escreveu em palavra eterna São João (Evangelho I, 11): Veio à sua própria casa e os seus não o receberam.

A característica distintiva do povo judeu, depois que Cristo veio ao mundo é seu anti-cristianismo. Odeiam a Cristo como a um traidor saído de sua raça. Odeiam-no porque consideram que ele os decepcionou: quando devia ter trazido a eles a grandeza dominadora sobre todos os seus inimigos, os outros povos, não fez senão atá-los ao jugo dominador destes mesmos povos.




A segunda característica distintiva do povo judeu é sua ambição por dominar o mundo. O que Cristo não fez, deve fazê-lo sua raça. O povo judeu, que tem consciência de seu destino eterno através da História da humanidade, quer que as promessas que lhe foram feitas e que as entenderam sempre em sentido carnal, logrem cumprimento. Assim inverteram o messianismo; ao que na mente de Deus teve um sentido espiritual, deram eles uma significação material e trabalharam com uma consciência metida no íntimo de sua raça, através dos tempos, em meio dos mais diferentes povos, certos de que virá o dia em que eles, desde Jerusalém, centro do mundo, dominarão com cetro forte as nações.

Aos judeus lhes cabe então a missão de serem os corrompedores dos povos cristãos, com a consciência clara de que quanto façam por corromper a estes povos, apartando-os de Jesus Cristo e de todos os laços tradicionais de vida, é tarefa preparatória para sua futura dominação.



MEINVIELLE, Pe. Julio. Los tres pueblos bíblicos en su lucha por la dominación del mundo. Buenos Aires: Adsum, 1937.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O que é o Nacional-Socialismo? - Gonzague de Reynold

Trecho retirado do livro do historiador Gonzague de Reynold, "De Onde Vem a Alemanha?"




É uma revolução. A revolução alemã. É para a Alemanha e para os países submetidos diretamente à sua influência, o equivalente da revolução francesa. É um regime socialista organizado no quadro nacional e inspirado pelo nacionalismo.

O nacional-socialismo é uma revolução sob o figurino alemão: romântica e dinâmica. É às vezes uma volta ao passado mais longínquo, mais bárbaro, e ao mesmo tempo o salto mais ousado, o mais “técnico” no futuro.

É uma revolução de extrema-esquerda. É um jacobinismo junto ao qual o da revolução francesa aparece singularmente burguês e clássico. Dirigiu-se, se não chegar nunca ao fim de sua própria tendência, ao vazio intelectual, ao niilismo moral, à tirania da organização.

Se, decididamente, a sociedade deve dirigir-se para uma forma em que o indivíduo será totalmente absorvido pelo coletivo, e a consciência pessoal totalmente negada na consciência coletiva, onde o ser humano será reduzido ao papel de uma formiga superior, perceber-se-á que o impulso dado nesse sentido pelo nacional-socialismo terá sido mais decisivo que o esforço bolchevista.

É bom ter sob os olhos todos os pontos desta escala descendente.

O declive começou no século dezoito. Neste século a razão foi separada da religião; ao mesmo tempo era ela afastada das grandes forças afetivas e das grandes tradições humanas; além de que uma implica necessariamente na outra. A razão degenerada em direção mental, tecnicamente vestida, engendrou o relativismo moral e o materialismo filosófico. Chegou-se assim a considerar que, só, o algarismo era capaz de representar adequadamente o real. De onde a lei do número. A partir do momento em que o número é árbitro supremo da autoridade, sob a forma da democracia, do conhecimento, sob a forma da ciência, da riqueza, sob a forma do capitalismo, do trabalho, sob a forma da produção, da civilização, sob a forma da cultura, da potência, enfim sob a forma do espaço vital, e do império, devia-se chegar fatalmente a não ter mais que massas em presença, e entre estas massas, produtos de força.

A revolução francesa liberou as potências coletivas, as massas dirigidas pelos instintos permanentes e sentimentos momentâneos: era subtrair a sociedade humana à razão para submetê-la às leis telúricas. Suprimiu os intermediários entre elas e o indivíduo. A revolução russa levou a tendência até suas extremas consequências: materialismo e comunismo. A revolução alemã, organiza, e isto é que a torna temida.

Mas seria grave esquecer a ação decisiva representada, nesta revolução total e totalitária, na só e única revolução, pelo maquinismo, as grandes concentrações econômicas e pelo mito da prosperidade. É a responsabilidade dos Estados Unidos. É enorme. Os americanos duvidam; ignoram o mal que o americanismo fez à Europa e a Alemanha em particular.

Então, o nacional-socialismo é uma das formas da revolução moderna. É, no momento, a revolução pelo último figurino.

As duas grandes forças de que dispõe e que fazem a sua superioridade são: a primeira, seu caráter místico, religioso; a segunda, seu gênio de organização.

Se o nacional-socialismo é anticristão, não é porque seja anticlerical, livre-pensador, laico, racionalista; nem porque seja materialista como o marxismo; e porque, ele próprio, é uma religião.

Fenômeno religioso, o nacional-socialismo é o triunfo do irracional. Sob esta forma, é a reação violenta, inevitável, do afetivo contra o intelectual, do instinto contra o cérebro. Aparece assim como uma vingança da natureza contra os excessos da civilização racionalista e livresca, da civilização estudada.

Sua religião edifica altares panteístas na região revolvida e obscura onde o misticismo se confunde com o instinto, como um nevoeiro na noite.

O racismo é falso, mas como todo erro é humano. Isto quer dizer que guarda consigo um pouco de verdade. O que torna um erro perigoso, contagioso, é a dose de verdade que ele contém.

O racismo é falso, porém sugestivo e viscoso. Poderia muito bem ser para o nacional-socialismo o equivalente do que os Direitos do Homem foram para a revolução francesa: uma arma de penetração, um meio de expansão e de propaganda. Questão de tempo. Porque o racismo poderá continuar a agir mesmo quando o nazismo tiver desaparecido.

Como nos Direitos, há no racismo um apelo à revolta e ao enfraquecimento. A quem se dirige? A estes povos da Europa oriental que estão muito menos evoluídos que os da Europa ocidental, onde se acham minorias descontentes e desprezadas, onde o camponês é pobre e o operário miserável. Aos povos sensíveis e imaginosos, pelos quais, depois de muito tempo, as questões de raça existem. É fácil compreender o valor revolucionário do racismo, quando se sabe de que promessas é portador: divisão de terras, espoliação dos bens eclesiásticos, expulsão e despojamento dos judeus. O clero, a nobreza, os grandes proprietários, as pessoas da alta finança, dos negócios e da usura, acham-se deste modo, em toda a Europa oriental, face-a-face do nacional-socialismo, na mesma posição instável e inquieta onde se achavam, no Ocidente, frente-a-frente com a revolução francesa.

Mais que esta revolução, mais mesmo que a França atual, muito mais que a Rússia dos Soviets, o nacional-socialismo trabalhou pelo povo. Realizou as reformas sociais mais ousadas. Reabsorveu o chômage, e este é um argumento de valor incalculável. Tem se feito refrão de que o povo alemão sofre, de que ele está descontente, e que “nada mais suportará”: as revoluções agem por suas tendências mais que pelos seus efeitos imediatos. Nada seria feito na França depois da Revolução, e portanto...

Quando se fala do nacional-socialismo, comete-se geralmente três grandes faltas. A primeira, de julgar seu sistema econômico conforme as nossas normas e os nossos hábitos capitalistas. A segunda, de não ver nele senão um imperialismo alemão quando é uma revolução: as revoluções se propagam no interior dos países, dão pontapés no plano, e as armas não vêm senão mais tarde; as revoluções podem avançar sem combater, ocupar sem fazer guerra. A terceira, esquecer que o nacional-socialismo é uma revolução social.

É o grande concorrente do bolchevismo russo. Este nutriu ao olhar do III Reich os mesmos sentimentos que nutre um fracassado pobre, quando sonha com o vizinho rico e que acertou. Inveja misturada com admiração. De onde a perplexidade: vai-se continuar a lhe fazer oposição, a agourar sua morte? Ao contrário, vai-se visitá-lo?

O problema russo e o problema alemão dependem um do outro, e não formarão mais adiante senão um único problema.

Esta convicção está fundada na história, sobre a antiguidade dos entendimentos e a profundidade das afinidades entre a Rússia e a Germânia. O russo é um oriental, isto é, um ser implacável incapaz de se deslindar sozinho sem o favor de um agente exterior. Dos germanos, dos escandinavos: os Varègues, fizeram a Rússia; forneceram-lhe seus primeiros chefes, sua dinastia unificadora. Na Idade Média, o comércio alemão dominava-o. Desde o século dezoito a influência alemã iguala e acabou por ultrapassar a francesa. A Prússia e a Rússia evoluíram juntas, tomando o cuidado de nunca de chocar. Ao excesso, a questão judia é hoje a única que separa as duas potências. Separá-las-á sempre, porém? Na Rússia dos progroms o antissemitismo é popular.

Esta convicção é igualmente fundada sobre a geografia. Se a Alemanha quer se opor à hegemonia marítima que exercem conjuntamente a França e o império britânico e os Estados Unidos, é preciso que ela tenha atrás de si uma força continental equivalente. Basta olhar o mapa para ver que ela não pode achar esta força senão na Rússia. Mas se a revolução russa ainda tem a ambição de se estender pela Europa, é preciso que antes conquiste a Alemanha.

Eis o dilema: ou a Rússia dominará a Alemanha, ou a Alemanha dominará a Rússia. Ou a Rússia será nacional-socialista, digamos nacional-comunista, ou a Alemanha será bolchevizada. É provável que os Soviets perguntem então onde está o interesse: num acordo com o III Reich ou numa guerra contra o III Reich.


REYNOLD, Gonzague de. De Onde Vem a Alemanha?. Rio de Janeiro: Vecchi Editor, 1940. pgs. 210-216.