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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Comentários Eleison DXLIII (543) - Milagres no NOM?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

09 de dezembro de 2017


Os pastores humanos podem abandonar as ovelhas,
Mas Deus não o faz – a menos que elas mesmas queiram dormir.


Quando estes "Comentários" afirmaram no ano passado que em Sokulka, na Polônia, houve em 2008 um milagre eucarístico numa hóstia consagrada em uma Missa Nova (NOM), alguns católicos no mundo de língua inglesa negaram que tal coisa fosse possível. Quando se fez mesma afirmação recentemente em Paris (https://youtu.be/IgQnQhxmhH4), foi a vez de alguns tradicionalistas franceses questionarem a evidência científica aparente do milagre fornecida de forma independente naquele momento por dois laboratórios poloneses, os quais afirmaram que a amostra da hóstia em questão que lhes foi entregue veio do músculo do coração de um ser humano padecente de agudo sofrimento.

Em face de tais evidências, são possíveis duas linhas opostas de argumento. Tanto se pode argumentar sobre o veneno modernista do NOM que há impossibilidade intrínseca de Deus operar tal "milagre" no âmbito do NOM, como se pode argumentar desde a seriedade da evidência pela necessidade da possibilidade de a Nova Missa, as novas ordenações sacerdotais e as novas consagrações episcopais serem válidas (já que o Padre e o Bispo envolvidos foram ordenado e consagrado em 2005 e 1980, respectivamente). Alguns valentes tradicionalistas disputam de modo veemente as três possibilidades dentro da Neoigreja modernista.

O que é certo, pelo menos dentro da Igreja Católica, é que tais questões devem ser decididas pela doutrina e não pela emoção. A razão deve prevalecer – um exemplo: pilotar por instinto pode ser fatal para os aviadores. O que a doutrina da Igreja diz sobre a validade de um sacramento é que esta requer quatro coisas: um Ministro válido, Forma, Matéria e Intenção sacramental. O NOM pode excluir um destes requisitos ou todos eles, mas não exclui automaticamente nenhum deles. Onde todos os quatro estão presentes, a Nova Missa é válida. É por isso que Dom Lefebvre, que conhecia sua teologia, nunca afirmou que o NOM era automaticamente inválido. É por isso que o NOM celebrado em Sokulka não foi necessariamente inválido. É por isso que parece mais razoável argumentar desde a evidência do milagre do que desde a impossibilidade do "milagre" pela falsidade da evidência. Caso contrário, é necessária uma razão precisa para questionar o testemunho preciso dos patologistas.

A grande objeção permanece: como o Deus Todo Poderoso pode fazer milagres no âmbito do NOM, claramente projetado por seus criadores para envenenar gradualmente a fé dos católicos e assim destruir a Igreja Católica? A resposta deve ser que Deus não está em princípio autenticando o NOM, mas mantendo sua possível validez para não abandonar tantas ovelhas católicas que ainda assistem a ele com relativa ignorância e inocência em relação ao veneno; e, portanto, Ele está basicamente alertando as ovelhas e os pastores, para que se lembrem de que Ele mesmo está presente sob as aparências do pão e do vinho.

Quando se tem em mente a doutrina católica pela qual o NOM pode ser válido; quando se traz à memória os dizeres de São Paulo dizer segundo os quais qualquer um que participe indignamente da Sagrada Eucaristia é "réu do Corpo e do Sangue do Senhor" (I Cor. XI, 27-39); e quando se vê quão generalizada na Neoigreja é a falta de respeito pela Presença Real, então, vemos imediatamente o quão necessária para a salvação de muitas almas pode ser uma advertência como o milagre em Sokulka. O pároco mesmo dá testemunho de como aumentou o nível de fé e da prática católica em toda o entorno daquela região.

Mas o objetor insiste: como poderia Deus permitir que um tal rito envenenado da Missa seja válido?


Resposta: Ele não tira o livre arbítrio dos homens, mas permite-nos em larga escala fazermos o que queremos. Neste caso, os neomodernistas queriam (e ainda querem) um Rito da Missa que seja envenenado o suficiente para matar a verdadeira Igreja em longo prazo, mas ainda católico o suficiente para enganar, no curto prazo, católicos ignorantes e inocentes que ainda confiam no que seus pastores dizem, como, por exemplo, que o NOM é o "rito Ordinário” da Igreja. O NOM nunca teria obtido aceitação na Igreja Universal se tivesse sido óbvio desde o início que era automaticamente inválido.


Kyrie eleison.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Comentários Eleison - CDXCII (492) - Distinguir, discriminar

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

17 de dezembro de 2016

Quando tudo é verdade, não posso selecionar bem e escolher,
Mas quanto às mentiras em meio à verdade, rejeitá-las é um dever.

Se se deve crer na evidência aparentemente séria de milagres eucarísticos ocorrendo dentro do Novus Ordo Missae (NOM) – e se tais milagres podem mesmo acontecer frequentemente, um dos mais recentes parece vir de Legnica, também na Polônia (http://www.garabandal.org/News/Adoration_of_the_Blessed_Sacrament.shtml) no dia de Natal de 2013 – então, de fato, alguns de nós talvez precisemos fazer algumas reconsiderações. Eis como um leitor colocou: “Deus não pode contradizer-se; assim, seus milagres não podem contradizer os ensinamentos de Sua Igreja. Mas o NOM se afasta da doutrina católica essencial sobre a Missa. Portanto, ou os milagres são falsos ou o NOM é de Deus; e neste caso, qual seria a justificativa para os tradicionalistas se apegarem à Tradição? Pois se o NOM no coração da Neoigreja é confirmado por milagres, então a Neoigreja também é confirmada por Deus, e assim também os neopapas, e eu devo obedecê-los. Eu não posso selecionar bem e escolher, posso?”. Sim, você pode, e não somente você pode, mas deve, a fim de cumprir o seu dever absoluto de manter a fé.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Comentários Eleison CDXC (490) - Milagres no NOM?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin

03 de dezembro de 2016
Católicos tradicionalistas devem ter a mente aberta:
Não somente a falta de Fé eles deixaram para trás.



Ano passado, nos Estados Unidos, suscitou-se uma séria controvérsia sobre se Deus pode fazer milagres dentro do âmbito da Missa Novus Ordo. Ora, se Deus realmente faz milagres sobrenaturais, é obviamente para que eles sejam cridos, e para que fortaleçam a fé sobrenatural das pessoas. E se Ele quer que algo fora da ordem natural seja crido, obviamente providenciará suficiente evidência para tal, como Lázaro saindo de sua tumba em frente a uma multidão de espectadores. Neste sentido, a evidência mais convincente é aquela de gênero material e físico, que de nenhum modo pode ser produzida por qualquer mente humana, por mais piedosa que seja, como o espetáculo luminoso do sol no outubro de 1917, em Fátima. Assim, qual é a evidência material e física de um milagre eucarístico que tenha ocorrido em qualquer Missa Novus Ordo?

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ainda esclarecendo dúvidas, por S.E.R. Dom Tomás de Aquino, OSB

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PAX

                No Catecismo de São Pio X está dito que somente a Santa Igreja Católica recebeu o carisma de fazer milagres. Isto nunca será dado por Deus às falsas religiões porque Deus nunca favorecerá o erro, caso contrário Ele não seria Deus.

                Pergunta-se então como pode-se conceber um milagre numa Missa Nova ou mesmo entre pessoas que não são católicas? Isto é possível? Se for para a conversão destas pessoas não há nenhum impedimento. Os milagres são realizados por Deus para confirmar a verdade e assim fazendo conduzir as almas a Deus, ou seja, à Igreja Católica pois a Igreja Católica é a reunião das almas que estão unidas a Deus aqui na terra, no Purgatório e no Céu.

                Se a mula de Balaão falou foi para demonstrar que Deus abençoava o povo de Israel, figura e início da Santa Igreja Católica, e impedia que Balaão o amaldiçoasse como era sua intenção.

                Se houve milagre eucarístico na Nova Missa foi para a conversão dos que o presenciaram ou que tiveram notícia dele. Que seja certo que tenha havido milagre ou não, isto não pertence às verdades nas quais temos que crer para nos salvar. Que seja possível um milagre eucarístico, caso tenha havido consagração, é uma afirmação que pode ser defendida sem incorrer a nota de heresia. Se alguém não crer nesse milagre ou se ele achar inconveniente que ele tenha ocorrido numa Missa Nova, ele não incorre em nenhuma reprovação do ponto de vista da fé católica. A questão de saber se houve realmente milagre ou não houve é uma questão aberta. Quem se interessar por ela que procure as provas que demonstram a realidade ou a impostura deste “milagre”. Mas afirmar que uma hóstia consagrada e profanada não possa sangrar para a conversão dos padres e dos fiéis afim de que eles abandonem o modernismo e venham para a Tradição não parece sensato.

                Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons. Isto é de fé, pois é Nosso Senhor Ele mesmo que o afirma. Isto é o bom senso mesmo, pois um espinheiro não pode dar os frutos que só a figueira pode dar.

                Logo, devemos concluir que nenhum bem poderá haver entre os infiéis, os protestantes e os modernistas? A questão não é tão simples assim. Santo Tomás diz que a árvore má é a vontade perversa e portanto devemos concluir que nada de bom pode sair da vontade perversa do demônio e dos que entregaram sua alma a ele. Nada de bom podia sair da inveja de Caim contra Abel. Nada de bom podia sair do ódio e da incredulidade dos fariseus contra Nosso Senhor. No entanto nem todo aquele que está na Igreja Conciliar vive do ódio, da inveja e da incredulidade. Alguns ainda querem se confessar, rezar e melhorar. Há ainda, provavelmente, árvores boas entre os progressistas, apesar do Progressismo; almas que estão lá mas não são de lá. As almas são ora movidas pelo espírito bom (do qual não pode proceder nenhum fruto mal), ora pelo espírito mal (do qual nenhum fruto bom pode proceder). Mas talvez nos perguntem. E da Nova Missa? E dos novos Sacramentos? Pode sair frutos bons destas árvores ruins? A resposta não é simples. É preciso distinguir entre o rito e o sacramento. Nós costumamos completar o rito do Batismo porque ele foi mutilado. Mas não refazemos o Batismo pois se ele foi válido, ele não pode ser dado novamente sem grave ofensa à Deus. Logo, o Batismo, mesmo entre os progressistas tem algo bom e muito bom, que é o fato de apagar o Pecado Original e nos tornar filhos de Deus, templos da Santíssima Trindade e algo mal que é a omissão dos exorcismos presentes no rito antigo. O mesmo se diga da Missa Nova. Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer pensavam que ela podia ser válida quando todas as condições necessárias para isto estivessem reunidas. Mas nem por isso eles deixaram de condená-la porque a Missa Nova conduz à heresia por causa do seu rito. Rito ruim, sacramento bom, quando há sacramento.

                Outra dúvida. O bem e o mal entrelaçados? A Igreja Nova e a Igreja Católica entrelaçadas? Quem diz entrelaçadas, diz união e amizade. Não! Jamais a Igreja Católica estará unida por laços de amizade à Nova Igreja. Mas entrelaçada significa também laçada, presa, amarrada e isto sim. Isto é o que acontece. Os inimigos da Igreja a tomaram, a reduziram à escravidão, por assim dizer. Excomungaram Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, destronaram Nosso Senhor Jesus Cristo de seu reino sobre as nações. Entrelaçadas sim, mas desta forma. Quanto ao que inspira uma e outra, não. Elas se opõem e se opõem totalmente.

                Mas isto não é tudo. Há também o fato de que há pessoas que estão na Igreja Conciliar pensando que estão na Igreja Católica. Eles tem algo de católico pois muitos foram batizados validamente. Muitos crêem em Nosso Senhor. Muitos estão iludidos. Eles correm o perigo de perder a fé, mas nem todos já perderam a fé. Situação delicada, difícil, penosa, confusa. Sim. Paciência. Trabalhemos para ajudar estas almas. Trabalhemos para abandonar o que há ainda de liberalismo também em nós, pois cada vez que pecamos nós agimos como um liberal que se libera da lei de Deus e que, portanto, dá um fruto mau, apesar de não ser necessariamente uma árvore má.

                Que Nossa Senhora nos guie sempre pois seguindo-a ninguém se perderá. Assim seja.


+ Tomás de Aquino OSB