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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 56

Mosteiro da Santa Cruz

03 de abril de 2018



Estamos, neste artigo, continuando as considerações que fizemos em nosso número anterior sobre a Santa Igreja.

A Igreja Católica define-se com mais propriedade como sendo o Corpo Místico de Cristo. E nesse corpo, Nosso Senhor Jesus Cristo é a cabeça e todos os mais que pertencem a esse mesmo corpo (inclusive o Papa) são seus membros.

Dessa Cabeça divina desce a graça santificante a seus membros. E essa graça é para todos os homens (ainda que nem todos a recebam), desde Adão até o último homem que existir. Portanto, mesmo os homens do Antigo Testamento que tiveram a dita de a receber, receberam-na por Nosso Senhor Jesus Cristo, e pertenciam à Igreja Católica. E se alguém, por acaso, se salva com o batismo de desejo, pertencendo externamente a uma falsa religião, na verdade pertence à Igreja Católica, mesmo sem o saber.

Vimos uma primeira distinção em partes, que se pode fazer na Igreja: uma parte é a Cabeça, e a outra os membros. Mas a Igreja é uma realidade complexa, acerca da qual precisamos fazer várias outras distinções para poder bem compreendê-la. Com efeito, sob um outro aspecto, o do lugar onde se encontram os seus membros, podemos distinguir a Igreja triunfante (composta por aqueles que estão no Céu), a Igreja padecente (composta por aqueles que estão no Purgatório) e a Igreja militante (composta por aqueles que estão na Terra). Ainda, sob o aspecto da guarda e da transmissão da Revelação, faz-se a distinção entre a Igreja docente (a que ensina: o Papa e os Bispos) e a Igreja discente (a que é ensinada: os demais membros). Mais outro aspecto: a Igreja, que é comparada a um homem, tem um corpo e uma alma. E nesse corpo podemos distinguir seus membros vivos e seus membros mortos. Os vivos são os que estão recebendo, da Cabeça, a vida sobrenatural da graça santificante. Os mortos são os que não estão recebendo essa vida. São como os membros gangrenados de uma pessoa: esses membros pertencem ao corpo aparentemente, materialmente, mas não formalmente, pois o sangue não os irriga mais; neles não está mais a vida do corpo.

Em uma próxima vez, se Deus quiser, continuaremos nossas considerações sobre este tema.

Arsenius

sábado, 17 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 55



17 de março de 2018

      Neste número de “A Voz de Fátima” pretendendo começar uma série de artigos nos quais tecerei considerações sobre a Santa Igreja, que, se Deus quiser, terá sua continuação em números futuros indeterminados, conforme dispuser a Divina Providência.

      Feliz culpa de Adão, que nos mereceu um tal e tão grande Salvador!

      Deus só permite o mal para daí tirar um bem maior. Ele permitiu o pecado de Adão, para daí tirar o bem infinitamente maior da Encarnação e da Redenção. E, em consequência da Encarnação e da Redenção, constituiu a Santa Igreja.

      A Santa Igreja é o meio, que Deus instituiu, através do qual os homens devem participar da vida divina, primeiramente na obscuridade da Fé e depois na visão, no gozo e na posse de Deus. Essa é a finalidade para a qual foram criados todos os homens, finalidade cheia de amor (e que amor! Amor incrível! Infinito!) por cada um de nós. E não temos o direito de não querer esse dom inestimável. Seremos justamente castigados se o recusarmos.

      Poderíamos pensar que o nosso bem é o que queremos para nós. Mas nosso Pai, nosso bom Pai, nosso melhor Amigo, Aquele que se fez nosso irmão e até quer ser nosso Filho, Ele sabe que, muitíssimas vezes, o que queremos é péssimo para nós. Como alguém que tenha um filho ou um irmão ou uma mãe que não querem absolutamente vê-lo bêbado porque sabem que isso é um mal para ele. Mas ele acha que isso é bom: como ele gosta de beber até a embriaguez!… “Por que essas pessoas, que deveriam me querer bem, ficam me reprovando de fazer o que tanto gosto?” Porque sabem que isso não é bom. Assim Deus para conosco.

      Conclusão, todo homem deve pertencer à Santa Igreja para se salvar. E só se pode pertencer à Santa Igreja por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi porque Ele morreu por nós é que cada um de nós pode receber a participação de Sua vida divina, pela graça santificante.



Arsenius

sábado, 5 de dezembro de 2015

Comentários Eleison CDXXXVIII (438) - Novus Ordo Missae - III

Por Dom Richard Williamson

Tradução: Cristoph Klug
05 de dezembro de 2015

Católicos, sejam generosos! O objetivo de Deus em ação
É salvar muitas almas fora da “Tradição”.

Se a evidência em favor dos milagres eucarísticos que teriam tido lugar dentro da Igreja Novus Ordo (ver CE 436 e 437) é tão séria como parece, segue que os católicos devem conformar suas mentes à mente de Deus e não o contrário. E os Católicos aderidos à Tradição têm uma especial necessidade de resolver o que Deus quis significar com esses milagres, porque estes fiéis da Tradição não entendem facilmente o que Ele tem podido significar quando sabem quão desagradável deve ser para Ele a Missa Novus Ordo (NOM) em si mesma.

Por muitos séculos Deus realizou tais milagres. A razão primária tem sido sempre fortalecer a fé dos Católicos em uma verdade da Fé que não é fácil de crer, mas está muito próxima ao Coração de Deus. Que no instante da Consagração do pão e do vinho durante a Missa, Deus mesmo tome o lugar de suas substâncias, é um acontecimento tão fora do curso normal da natureza, que esta invenção do amor de Deus desejando dar-se a Si mesmo como comida e bebida para o seu rebanho possa ser prática, mas parece também inacreditável. Por isso que em devidos momentos e lugares, Deus tem operado milagres visíveis sob uma ou outra forma para ajudar às almas duvidosas a crer. Uma razão secundária para estes milagres, especialmente onde tenha havido uma ou outra profanação da Sagrada Eucaristia, é para recordar aos Católicos o tratamento sagrado e a adoração que sempre se lhes deve às humildes aparências por trás das quais Deus mesmo se esconde.

Ambas destas razões se aplicam hoje em dia quando o NOM diminuiu severamente o sentido da Presença Real, sem sempre anulá-la (ver CE 437). Quem pode negar que o rito do NOM e sua prática através da Igreja Novus Ordo, por exemplo a Comunhão de pé e na mão, tem conduzido incontáveis Católicos até a descrer na Presença Real e a incontáveis sacerdotes até a falta de devido respeito no manipular da Santa Eucaristia? Quem pode negar que ambos, o decréscimo da fé e a falta de respeito ante Ela, têm imensamente aumentado desde que o NOM foi introduzido em 1969? Humanamente falando, o assombro pode não ser que tenha havido milagres dentro do limite do NOM, mas também que tenha havido muito mais. De qualquer modo, Deus tem sabido como atuar para o melhor. 

Por outro lado, estes milagres – sempre e quando são autênticos – deixam lições para os Católicos da Tradição também, que se colocaram mais ou menos distantes do limite do Novus Ordo. A lição mais óbvia é que nem todas as Missas Novus Ordo são inválidas, nem todas as Consagrações episcopais nem todas as Ordenações sacerdotais, como os “Tradicionalistas” podem estar tentados a pensar. Isto é seguramente porque mesmo que desde os anos 1960 uma massa da grei católica tem se tornado demasiadamente mundana para merecer manter o verdadeiro rito da Missa, as ovelhas têm sem dúvida amado suficientemente a Missa para não perdê-la totalmente. O NOM pode ter sido permitido por Deus para tornar mais fácil aos Católicos para que abandonassem a Fé se eles quisessem, mas não impossível de mantê-la, sempre que o quisessem.

Por conseguinte, o NOM e a Igreja Novus Ordo como um todo são perigosos para a Fé, e os Católicos estão corretos por terem aderido à Tradição para evitar o perigo. Mas como tiveram de pôr distância entre eles e a corrente principal da Igreja, assim eles se expuseram ao perigo oposto de um isolamento condutor a um espírito sectário e até farisaico, desligado da realidade. Há verdadeiros sacramentos no Novus Ordo e verdadeiros Católicos, os quais Deus cuida, e os “Tradicionalistas” deveriam estar contentes que os há. Que seu isolamento não os faça sentir que estão obrigados a negar que não haja sequer algo católico que reste no Novus Ordo. Isso é irreal e o pêndulo da realidade oscilará de volta, como com a liderança da FSSPX, que não vê mais suficientemente a necessidade de isolar-se da Igreja neo-modernista. Não. A Tradição necessita de isolamento, mas com um espírito generoso e não isolacionista.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Infalibilidade Papal - Pe. Júlio Maria Lombaerde

A infalibilidade do Papa e da Igreja católica manifesta-se por palavras expressas, indicando em termos claros e precisos, que o Papa, ao dar uma decisão, no-la dá, como Soberano Pontífice, gozando e usando neste momento da prerrogativa da infalibilidade, que lhe outorgou Jesus Cristo.

Para que uma decisão do Papa seja infalível, e obrigue a todo o católico, sob pena de heresia, são exigidas as três condições seguintes:

1. — Que o OBJETO desta decisão seja a fé, a moral ou a disciplina geral da Igreja

2. — Que esta decisão seja dada pelo Papa, não como Doutor privado, mas sim como Pastor e DOUTOR SUPREMO de todos os cristãos, sendo isto particularmente especificado.

3. — Que esta decisão seja dada pelo Papa, COMO OBRIGATÓRIA, para a Igreja universal.

Cumpridos estes três requisitos, diz-se que o Papa falou ex Cathedra, isto é, como estando sentado no trono de Pedro, definindo que uma doutrina sobre a fé e sobre a moral deve ser acreditada pela Igreja universal.

Eis a infalibilidade.

Ela não pertence propriamente À PESSOA do Papa, como tal, mas sim à sua FUNÇÃO, ou antes, ela é inerente a uma de suas funções, a de DOUTOR SUPREMO dos cristãos.

Para ser infalível, não é bastante ser Papa, nem exercer tal ou tal função do Papado: É mister exercer a função específica de falar ex Cathedra – super cathedram Petri, e falar à Igreja universal.

Há muitos Papas que nunca usaram deste privilégio, embora exercessem os outros misteres de chefe da Igreja. Não tiveram ocasião de exercê-lo.

Tais Papas possuíam a infalibilidade como prerrogativa, sem exercê-la, do mesmo modo que São Francisco de Assis possuía o poder de consagrar o Corpo e o Sangue do Salvador, embora a sua humildade o conservasse afastado do Altar, sem que jamais tenha celebrado a Santa Missa.

Quantos médicos, advogados, engenheiros, são formados na respectiva arte, sem exercer as funções desta arte! Possuem a prerrogativa, sem entretanto exercê-la.

Tudo o que faz um médico, não pertence à medicina; nem tudo o que um advogado faz, pertence à magistratura. Assim, tudo o que o Papa faz e diz não pertence à infalibilidade; são somente infalíveis aqueles ATOS DETERMINADOS, com os requisitos já mencionados.

Este ponto é importante e é necessário sublinhá-lo, pois é aí que está a fonte dos erros que correm a esse respeito e das confusões que reinam em certos espíritos a respeito deste dogma.

“O Papa não é infalível, nem como homem, nem como sábio, nem como sacerdote, nem como bispo, nem como príncipe temporal, nem como juiz, nem como legislador”, diz muito bem uma Instrução pastoral, altamente aprovada por Pio IX.

“O Papa não é infalível, nem impecável em sua vida, em seu comportamento, em suas visitas políticas, em suas relações com os príncipes, e nem sequer no governo da Igreja; mas ele o é única e exclusivamente quando, em sua qualidade de DOUTOR SUPREMO da Igreja, define assuntos de fé e de moral, decisões que devem ser aceitas e consideradas obrigatórias para todos os fiéis.

O cardeal Manning exprime-se do mesmo modo: Pelas palavras: ex Cathedra, acham-se excluídas da infalibilidade, diz ele, todos os atos do Pontífice como pessoa privada, ou como doutor particular, ou como bispo local, ou como soberano de um Estado.

Em todos estes atos o Papa está sujeito ao erro. Ele está isento de erro numa única circunstância, quando, como Doutor Supremo, ensina à Igreja universal, acerca da fé e da moral. (Hist. Conc. Vat.).

Podemos ir além, e restringir ainda mais a infalibilidade.

Eis um Papa assentado na Sé de S. Pedro, e que aí fala livremente ex Cathedra, à Igreja universal a respeito de um ponto de fé ou de moral. Tudo o que ele diz não é, por isso, infalível.

Até nos decretos ou bulas dogmáticas, diz um teólogo secretário geral do Concílio do Vaticano I (Dom Fessler) não se deve considerar tudo indistintamente como decisão dogmática, e, por conseguinte, como objeto da infalibilidade.

Em particular, não se deve considerar como infalível, o que é apenas mencionado de passagem, ou o que serve de introdução ou de consideração.

Todos os teólogos estão de acordo a esse respeito (Melchior Cano: De locis theol.).

A única coisa infalível no Papa é o DOUTOR SUPREMO da Igreja universal, acerca de fé e de moral.

Tudo o que contém uma bula dogmática não é, pois, infalível.

As considerações, os diversos argumentos que preparam o espírito estão excluídos, ficando o ATO DE FÉ reservado às palavras próprias da definição: palavras claras, precisas, muito solenes, pelas quais o Papa afirma que tal ou tal verdade é revelada por Deus, e que deve ser aceita, sob pena de anátema ou exclusão da Igreja.

Os termos das definições dogmáticas são os seguintes: Eis porque, apoiando-nos fielmente sobre a tradição que remonta até ao começo da fé cristã, para a glória de Deus nosso Salvador e a salvação dos povos cristãos, nós ensinamos e definimos que é um dogma devidamente revelado: a saber: ... Docemus et divinitus revelatum dogma esse definimus:

Aplicando estes termos à própria definição da infalibilidade, temos a seguinte declaração de fé:

“Que o Pontífice romano, quando fala ex Cathedra, isto é, quando preenchendo o cargo de Pastor e Doutor de todos os cristãos, em virtude de sua autoridade apostólica, define que uma doutrina sobre a fé ou a moral deve ser acreditada pela Igreja universal, goza plenamente, pela assistência divina, que lhe fora prometida na pessoa do Bem-aventurado Pedro, desta infalibilidade de que o divino Redentor quis dotar a sua Igreja, definindo a respeito da fé ou moral; e que, por conseguinte, tais definições do Pontífice Romano são irreformáveis por si mesmas, e não em virtude do consentimento da Igreja.

Se alguém, que Deus não o permita, tivesse a temeridade de contradizer a nossa definição, seja ele anátema.”


Eis um ato emanando do Doutor Supremo, sobre um ponto determinado da doutrina católica: tal ato é, pois, uma sentença da infalibilidade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A Catolicidade da Igreja que iniciava

"Manifestação do divino, o Pentecostes dos primeiros discípulos, apresenta dois caracteres: catolicidade ou universalidade e rigorosa unidade. A catolicidade, que faz com que ela convenha a todos, é essencial ao que é divino. Onde está Deus, não há "acepção de pessoas". Fora impossível que a realidade divina aparecida no Cristo se destinasse a uns e não a outros, aos judeus e não aos bárbaros. O que é divino convém evidentemente a todos. Deus só pode operar na plenitude, no conjunto dos homens, e não em alguns apenas. Um Cristo limitado não seria um Cristo. Esta característica do primeiro Pentecostes se mostra no milagre de línguas: "Como pode acontecer que os entendamos falar cada um no idioma particular de nossa terra natal? Nós todos, partos, medas, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia"... (At. 2, 8 e 9). No mesmo tempo em que a fé nova fazia sua entrada no mundo, abarcava a humanidade inteira, era uma fé católica. "A Igreja nascente já era anunciada em todas as línguas" (2) -- E essa catolicidade era uma catolicidade na unidade. Estavam todos conjugados em torno do colégio apostólico, em torno de Pedro, e todos os compreendiam. Um só Deus, um só Cristo, uma só fé, uma só língua. Plenitude na unidade, unidade na plenitude. Foi assim que a nova fé fez a sua entrada no mundo."
(2) Sto. Agostinho, Sermo 266,2.


Karl Adam, in "A Essência do Catolicismo".

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Edito de Milão em 313?

Mais do que a conversão de Constantino, a tradição historiográfica escolheu, como limite fronteiriço entre a antiguidade pagã e a época cristã, isso a que chamamos impropriamente o edito de Milão, datado de 313, que não é um edito e nem é de Milão. Parece acreditar-se que esse texto é que permitiu ao cristianismo viver em paz e à luz do dia; não é nada disso: a tolerância funcionava havia dois anos e, depois de sua vitória de Ponte Mílvio, Constantino não quis publicar qualquer edito nesse sentido.

In hoc signo vinces (Sob este sinal vencerás)
O fim da perseguição fora conseguido em princípio desde o edito de tolerância de Galério (em Sárdica ou na Nicomédia, em 30 de abril de 311).[1] Tendo sido editado pelo Primeiro Augusto, esse edito era teoricamente válido para todo o Império e seus quatro imperatores, e foi aplicado por Constantino na Gália[2] e mesmo pelo usurpador Maxêncio na Itália e na África; mas, no Oriente, Maximino Daia fugiu à aplicação, até sua derrota sob o avanço de Licínio. 

Quanto ao pretenso edito de Milão, não passou de um mandatum, uma epistola contendo instruções complementares destinadas aos altos funcionários das províncias, na sequência de uma resolução tomada de comum acordo em Milão por Constantino e Licínio; por sua vez, Licínio expediu da Nicomédia seu mandatum a 15 de junho de 313.[3] Pode-se afirmar, para dizer em uma palavra tudo, que essas instruções complementares cumprem essa função, isto é, complementam não um certo “edito de Milão”, mas... o edito de tolerância de Galério em 311; “as the acts of Maxentius had lost their validity, Constantine presumablt claled back into force the Edict of Galerius”.[4]


Ponte Mílvio
Mas havia necessidade de completar esse edito de 311, porque o acordo dos dois Augustos em 313 previa a restituição às Igrejas de todos os bens que as perseguições delas tinham arrancado, daí os mandata de instruções complementares dos quais foram conservados os textos de Lactâncio e de Eusébio. Essa cláusula de restituição deve-se com toda a certeza ao primeiro e mais convicto dos dois Augustos, Constantino.[5] A hagiografia constantiniana ulterior fez, desse acordo concluído em Milão e das instruções complementares, um edito completo cujo mérito deve ser creditado totalmente a Constantino;[6] acrescenta-se, ao mérito citado, que também a iniciativa foi totalmente de Constantino.[7] Ainda em setembro de 315, um novo decreto de aplicação complete os regulamentos de restituição dos bens eclesiásticos.[8]


VEYNE, Paul. Quando nosso mundo se tornou cristão. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. 


[1] Como está em Lactâncio, De mortibus persec. 24, e em Eusébio, História Eclesiástica, 8, 17, 3-10).
[2] (J. Moreau em sua edição do De mortibus, col. Sources chrétiennes, nº 39, Paris, 1954, vol. II, p. 343).
[3] (Lactâncio, De mortibus persec. 18, 1: litteras ad praesidem datas; cf. em 24, 5, a epistola judicibus complementar de que fala o edito de Galério em 311).
[4] (A. Alföldim The Conversion of Constantine, op. cit., p. 37).
[5] (Charles M. Odahl, Constantine and the Christian Empire, Nova York, Routlege, 204, p. 119).
[6] (Averil Cameron e G. Clark na nova revista Cambridge Ancient History, vol. XII, Cambridge, Cambridge University Press, 2005, pp. 92 e 656)
[7] Além de Fergus Millar, ver também L. e Ch. Pietri em Histoire du Christianisme, vol. II, op. cit.. pp. 182 e 198; S. Corcoran e H. A. Drake em The Cambridge Companion to the Age of Constantine (N. Lenski ed.), Cambridge, 2006, pp. 52 e 121.
[8] (Código Teod., 10, 1, 1, citado por Ch. Pietri, Roma christiana, Roma, 1976, vol. I, p. 78).

terça-feira, 23 de julho de 2013

A Mulher vestida de sol: Nossa Senhora ou a Igreja Católica?

"Depois apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça; estava grávida, e clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz."

Apocalipse de São João XII, 1



Quem é essa mulher do Apocalipse? A Igreja Católica, em todas as edições do Apocalipse, dá nas anotações que essa mulher significa a Santa Igreja. Ela nos gera na dor e o demônio faz tudo para sua destruição. Mas os ataques e perseguições deste não a poderão destruir. A Igreja se manterá, protegida e defendida pelo braço poderoso do seu divino fundador. Eis o sentido figurativo aceito por toda a cristandade, desde os tempos mais remotos.

Porém, este capítulo do Apocalipse pode ser aplicado à Mãe de Jesus. Nada o impede, e nada o proíbe, desde que fique entendido que tal passagem é altamente de sentido figurado.

Se a passagem é figurada, admite, pois, diversas interpretações.

Há diversos sentidos nas expressões da Sagrada Escritura.

O sentido pode ser literal ou espiritual.

O sentido figurado, no Apocalipse domina, e aqui, sobretudo na visão da mulher misteriosa, vestida do sol, tendo sob seus pés a lua e, em sua cabeça, uma coroa de doze estrelas. (Ap. XII,1)

Tudo é metafórico. Tal mulher significa a Igreja Católica, luminosa como o sol, pelo seu ensino, tendo sob seus pés a lua, imagem das variações humanas, e em sua cabeça, a coroa dos 12 apóstolos, que formam como a irradiação da sua cabeça, que é o Cristo.

Tal é a interpretação católica. Mas não sendo o sentido literal próprio, senão simplesmente metafórico, é permitido dar-lhe outra interpretação, e dizer, por exemplo, que tal mulher misteriosa é a Virgem Imaculada, Mãe de Jesus. Ela é revestida de sol, que é Jesus Cristo comunicando-lhe, pela dignidade de Mãe de Deus, um esplendor, que não é dela própria, mas que vem do sol divino, que é o Cristo. Ela tem a lua sob os pés, para significar o seu domínio sobre a criação: tem a cabeça ornada de 12 grandes estrelas, que são os 12 grades privilégios do que foi enriquecida pelo Altíssimo. A comparação, embora secundária, é suave, é expressiva e mostra, admiravelmente, a grandeza e o poder da divina Mãe do Salvador.



Padre Júlio Maria de Lombaerde, Missionário de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, no livro "Objeções e erros protestantes".