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terça-feira, 23 de agosto de 2016

DOM GRÉA: DA AÇÃO EXTRAORDINÁRIA DO EPISCOPADO


Por Non Possumus
Extratos do Cap. X, “Da Ação Extraordinária do Episcopado”, do livro “Da Igreja e de sua Divina Constituição”, Paris, Société Générale de Librairie Catgolique, 1885; por Dom Marie-Étinnenne-Adrien Gréa (1828-1927), fundador dos Cônegos Regulares da Imaculada Conceição.

Se a falha das Igrejas particulares chama à ação imediata da Igreja universal e pode dar abertura a esta ação extraordinária do episcopado, é manifestamente em duas ocasiões:

Em primeiro lugar, quando as Igrejas particulares não são ainda fundadas, e é propriamente o apostolado. Em segundo lugar, quando as Igrejas particulares estão como demolidas pela perseguição, a heresia ou qualquer grave obstáculo que destrua completamente e suprima a ação de seus pastores: e é o caso mais raro da intervenção extraordinária do episcopado vindo em seu socorro.
 
Pelo que se refere ao estabelecimento mesmo das Igrejas, os apóstolos no começo e, depois deles, seus primeiros discípulos, atuaram na virtude desta missão geral: “Ide e ensinai a todas as nações”; isto é manifesto, pois o Evangelho não lhes dá outra. Contudo, esta missão concerne constantemente ao episcopado. É, de fato, propriamente ao Colégio Episcopal que ela foi dada, pois a eficácia deveria durar até o fim do mundo, em conformidade ao que segue no texto sagrado: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

Mas esta missão foi dada antes de toda delimitação de território e antes que algum bispo tivesse um poder particular sobre um povo determinado. Ela precedeu a fundação das igrejas que deviam ser atribuídas depois a cada um dos membros do Colégio; e assim os bispos receberam na pessoa dos apóstolos uma missão geral, verdadeira e primitivamente, de anunciar o Evangelho.

À medida em que a fundação das Igrejas particulares, sucedendo a conquista evangélica, aplicou este poder a rebanhos particulares, esta restringiu pelo mesmo o campo desta atividade mais geral com respeito dos povos a conquistar e que deve cessar com o estabelecimento de hierarquias locais.

Mas não é apenas no estabelecimento da Igreja que o poder propriamente apostólico e universal dos bispos se declara. Há, contudo, uma segunda ordem destas manifestações mais raras e mais extraordinárias.

No seio mesmo dos povos cristãos temos visto às vezes, em necessidades urgentes, aos bispos, sempre dependentes nisto como todas as coisas ao Soberano Pontífice e atuando na virtude de sua comunhão, ou seja, recebendo dele todo o seu poder, usar desde poder para a saúde dos povos.

Se por calamidades superiores a todas as previsões das leis, e de violências que não se poderiam remediar por vias comuns, carecer-se-ia da ação dos pastores locais; seríamos postos em condições tais que o apostolado se exerceria para o estabelecimento das igrejas, como se os ministérios locais não estivessem ainda constituídos.

Vimos assim no século IV a Santo Eusébio de Samósata recorrer as Igrejas do Oriente devastadas pelos arianos, ordenando pastores ortodoxos sem ter jurisdição especial sobre elas.

Estas são ações verdadeiramente extraordinárias, como as circunstâncias que foram a ocasião.

Se a História nos mostra bispos cumprindo este ofício de “médicos” das Igrejas que desfalecem, ela nos conta ao mesmo tempo as conjunturas imperiosas que lhes ditou esta conduta. Requereu-se, para torná-la legítima, necessidades tais que a existência mesma da religião estivesse comprometida, que o ministério dos pastores particulares fosse completamente destruído ou tornado impotente, e que não se pudesse esperar nenhum recurso à Santa Sé.

Nestes casos extremos, o poder apostólico que apareceu, ao começo, para estabelecer o Evangelho, reaparece como para estabelecê-lo novamente: pois é dar equivalentemente um novo nascimento às igrejas e preservá-las de uma ruína total e ser seu salvador.


Porém, fora destas condições, conquanto a hierarquia legítima das igrejas particulares se conserve de pé, haveria abuso e usurpação.
 
Assim, em primeiro lugar, este poder universal do episcopado, ainda que habitual em seu fundo, é extraordinário em seu exercício sobre as igrejas particulares, e não tem lugar quando a ordem destas igrejas não está destruída. Em segundo lugar, é necessário também, para o exercício em si legítimo, que o recurso ao soberano Pontífice seja impossível, e que não possa haver dúvida sobre o valor da presunção pela qual o episcopado, apoiando-se no consentimento tácito de seu chefe confirmado pela necessidade, apoia-se em sua autoridade sempre presente e atuante nele.

Se o futuro reserva à Igreja provas que a reduzam às dificuldades dos primeiros séculos, se os perigos dos últimos tempos devem ir até este excesso, ela desatará, se é necessário, dentre os poderes do episcopado, aqueles que devem ser desatados pela salvação dos povos.


***

Disse Monsenhor Lefebvre: “Um bispo tem o dever de fazer tudo o que está em seu poder para que a fé e a graça sejam transmitidas aos fiéis que as reclamam legitimamente, sobretudo para a formação de verdadeiros e santos sacerdotes (...) Este atuaria assim, não contra o Papa, senão aparte do Papa, sobretudo se todo contato com o Papa lhe é proibido. Ele atuaria assim pelo maior bem da Igreja, pela salvação das almas e a exemplo de outros como Santo Atanásio, Santo Eusébio de Verceil, no tempo dos Arianos. E a este respeito vocês podem consultar a Dom Gréa em “A Igreja e sua Constituição Divina”, Dom Gréa, tomo I, página 109 a 232. Dom Gréa tem páginas a este respeito que são muito interessantes.” (22 de Febrero de 1979, COSPEC O70-A)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

PEREGRINAÇÃO DA RESISTÊNCIA A PUY, COM DOM TOMÁS DE AQUINO, OSB.


FRANCE FIDÈLE

NON POSSUMUS

A Resistência Católica em Puy para o Pentecostes...
O combate pela Fé continua!


 

Mais de 700 peregrinos vieram de toda a França para honrar sua Rainha e ganhar a indulgência jubilar de Puy. O sábado à noite, depois de uma longa caminhada, pudemos escutar o vibrante sermão do Pe. Pinaud que alentou a todos os peregrinos a não se enfraquecer na Fé de sempre inspirando-se nos milhares de cavaleiros que partiram em cruzada contra os muçulmanos ao canto da Salve.

No dia seguinte, domingo de Pentecostes, os peregrinos tiveram a alegria de assistir à Missa pontifical celebrada por Dom Tomás de Aquino. O pontífice convidou instantemente aos fiéis a continuar o combate da Fé seguindo a Mons. Lefebvre. [Nota do NP: nessa missa houve cerca de 500 comunhões, segundo disse Mons. Faure ao Non Possumus].




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Boletim do Seminário: Palavras de Mons. Faure


Estimados amigos e benfeitores:

Em 20 de agosto de 1959, Mons. Antonio de Castro Mayer respondia ao questionário do cardeal Tardini para a preparação do Vaticano II. O que escreveu nessa época se aplica à nossa de uma maneira ainda mais urgente. Especialmente em seu ideal de formação do clero. A propósito disto ele escreveu: “A formação do clero, em primeiro lugar, deveria tender a produzir sacerdotes que lutem contra a conjuração anticristã que reina no mundo e transtorna as almas de cima abaixo. Se isso não é assim, deve-se temer que os mesmos sacerdotes sejam infectados pelas máximas do mundo e terminem por ser inúteis para a edificação da cidade cristã”.

Estas palavras de Mons. de Castro Mayer podem parecer severas sobre os sacerdotes que correriam o risco de ser “infectados pelas máximas do mundo”, mas frente à constatação da apostasia atual das antigas sociedades cristãs e inclusive de Roma, não podemos mais que aprovar o juízo deste grande bispo. Um clero que não luta é um clero que cede ante os caprichos do mundo.

Para formar este clero, Mons. de Castro Mayer não sugere apenas levar o hábito, senão também a continuação dos estudos de humanidades, e acrescenta a prudência com as mulheres enquanto o mundo se encontre viciado pelo naturalismo que não põe nenhuma atenção à castidade e descuida o pecado original. Dito de outro modo, uma doutrina sólida junto à santidade da moral da qual a piedade é o sinal mais visível. Este é o ideal sacerdotal de nosso seminário São Luís Maria Grignon de Montfort: fazer pastores que poderão, pelos seus exemplos e suas palavras, aumentar o valor dos católicos contra todas as perversões intelectuais e morais que o inferno seja capaz de vomitar.

São Luís Maria Grignon, providencialmente patrono de nosso seminário, é para nós um modelo bastante apropriado e imitável para formar tais clérigos.

Convidamos aos fiéis a orar com fervor para que nossos atuais candidatos sigam generosamente o caminho que São Luís Maria Grignon traçou para os apóstolos dos últimos tempos.

 
Asseguramos-lhes nossas orações e os abençoamos paternalmente,

Mons. Jean Michel Faure

domingo, 24 de abril de 2016

Comentários Eleison CDLVIII (458) - Declaração de Bispos – I

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (Blogue Borboletas ao Luar)
23 de abril de 2016
 
 
Temos um terceiro bispo da Resistência agora,
Como e por que, uma Declaração menciona.

No dia 19 de março, pouco mais de um mês atrás, Dom Tomás de Aquino foi discretamente sagrado bispo, para o benefício das almas de todo o mundo que desejam manter a verdadeira Fé católica. Assim como quando Monsenhor Faure foi consagrado, exatamente um ano antes, a cerimônia foi belamente organizada pelos monges do Mosteiro da Santa Cruz, nas montanhas por detrás do Rio de Janeiro, em sua catedral de aço, belamente decorada para a ocasião, como no ano passado. O tempo estava seco e quente, mas não muito quente. São José fez com que tudo corresse sem dificuldades. Devemos a ele um grande agradecimento.
Havia um pouco mais de gente que no ano passado, mas a maioria delas era de lugares próximos dentro do Brasil. Não houve jornalistas presentes, e o evento foi praticamente mencionado só nas fontes católicas tradicionais. Houve uma conspiração de silêncio? Houve alguma recomendação para que não se desse atenção? Não importa. O que realmente importa é o que Deus parece estar sugerindo, a saber, que a sobrevivência da Fé não requer, no momento, publicidade ou fazer-se conhecer, mas, talvez, deslizar nas sombras, das quais a Igreja pode suavemente descer às catacumbas para esperar por sua ressurreição depois que a tormenta do mundo, que promete ser humanamente terrível, seja levada a cabo.
Em todo caso, temos agora outro bispo, firmemente na linha de Monsenhor Lefebvre, e no lado oeste do Atlântico. Assim como Monsenhor Faure, ele conhecia bem o Arcebispo e era um confidente seu. Dom Tomás de Aquino nunca trabalhou com o Arcebispo diretamente dentro da FSSPX; mas, porque não era um membro da Fraternidade, o Arcebispo deve ter se sentido mais livre para compartilhar seus pensamentos e ideias com ele. Certamente ele deu ao jovem monge inestimáveis conselhos em mais de uma ocasião, os quais Dom Tomás nunca esqueceu. Os católicos que creem não estão equivocados – houve poucas exceções à reação majoritariamente positiva pelo presente de Deus de outro verdadeiro pastor de almas.
Na época da consagração, os dois bispos consagrantes fizeram uma Declaração que não obteve ainda muita publicidade. Ela expõe em profundidade o fundamento da consagração, mostrando como este evento, aparentemente estranho, não o é em absoluto; ao contrário, é muito natural, dadas as circunstâncias. Aqui está a primeira parte da Declaração. A segunda parte terá de vir no “Comentário Eleison” da próxima semana.
Nosso Senhor Jesus Cristo advertiu-nos que em sua segunda vinda a fé teria quase desaparecido da face da terra (Luc. XVIII,8); deduz-se que, a partir do triunfo da Igreja na Idade Média, ela somente poderia experimentar um grande declínio até o fim do mundo. Três agitações em particular marcaram os estágios deste declínio: o protestantismo, que rechaçou a Igreja no século XVI; o liberalismo, que rechaçou Jesus Cristo no século XVIII; e o comunismo, que rechaçou Deus completamente no século XX.
Entretanto, o pior de todos foi quando esta Revolução por etapas conseguiu penetrar na Igreja, graças ao Concílio Vaticano II (1962–1965). Querendo manter a Igreja em contato com o mundo moderno que tanto havia se afastado dela, o Papa Paulo VI conseguiu que os padres do Concílio adotassem “os valores de 200 anos de cultura liberal” (Cardeal Ratzinger).
O que os padres adotaram foi o tríplice ideal da Revolução francesa, em particular, a liberdade, a igualdade e a fraternidade, sob a tríplice forma de liberdade religiosa, cuja ênfase na dignidade humana implica a elevação do homem acima de Deus; de colegialidade, cuja promoção da democracia mina e nivela toda a autoridade dentro da Igreja; e de ecumenismo, cujo louvor às falsas religiões implica a negação da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. No transcurso de meio século desde o fim do Vaticano II, as consequências mortais para a Igreja em relação a esta adoção dos “valores” revolucionários se tornaram mais e mais óbvias, culminando em gravíssimos escândalos quase cotidianos que mancham o pontificado do Papa reinante.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Em defesa de Dom Williamson (I), por D. Tomás de Aquino

Dom Williamson escreveu no seu Comentário Eleison 438: “Se a evidência dos milagres ocorridos dentro da Igreja do Novus Ordo é tão séria quanto parece, então os católicos têm de conformar suas mentes à mente de Deus, e não o inverso."


Muitos atacaram Dom Williamson por causa destes comentários a respeito do possível milagre eucarístico ocorrido em Buenos Aires. Entre os argumentos utilizados retenho os seguintes:

1- Fora da Igreja não pode haver milagres. A Igreja conciliar não é a Igreja católica. Logo não houve milagre em Buenos Aires.
2-Ninguém age sem um fim. Um milagre na Missa Nova não poderia ter outro fim senão induzir os fiéis a assistirem a Missa Nova. Logo não houve milagre em Buenos Aires.
3-O milagre é a assinatura de Deus. Deus não pode assinar uma heresia. A Missa Nova favorece a heresia. Logo não houve milagre em Buenos Aires.

Vejamos cada um desses argumentos.

1- O primeiro simplifica em demasia a questão e simplificando-a ele confunde duas questões. Uma é a de saber se pode ou não haver milagres fora da Igreja. A outra é a de se saber se a Igreja conciliar é totalmente alheia à Igreja católica ou não.

À primeira questão deve-se responder com santo Tomás que sim. Pode haver milagres "fora da Igreja" dentro de certas condições. Veja-se os artigos do Prof. Carlos Nougué a esse respeito. O que Deus não faz é confirmar o erro ou o vício com um milagre, mas ele pode confirmar a verdade ou a virtude com um milagre, e isto, mesmo entre os pagãos. Se alguns bens foram realizados entre os pagãos, estes bens foram realizados por inspiração ou ação de Deus (cf. De Potentia, questão VI, artigo V, ad 5um). No mesmo artigo santo Tomás diz ser possível que Deus tenha feito um milagre para atestar a castidade de uma virgem pagã. Pode-se lembrar também o milagre da mula de Balaão que falou distintamente como se lê nas Sagradas Escrituras. Ora Balaão era um mago pagão. A mula falou porque Deus queria adverti-lo de não levar adiante seu intento de amaldiçoar os judeus. (Num XXII)

À segunda pergunta deve-se responder que as autoridades da Igreja conciliar, constituem uma seita modernista a qual, ocupando os postos chaves da Igreja, a mantêm cativa. Não se pode dizer de maneira absoluta nem que a Igreja conciliar seja a Igreja católica, nem que ela não o seja. Pela doutrina modernista e a intenção de destruir a Igreja católica ela não o é, evidentemente; mas pelo fato de deter em seu poder uma jurisdição que pertence à Igreja católica, ela tem algo de católico em seu poder. Se o Papa atual se convertesse ele exerceria catolicamente um poder que hoje ele exerce modernisticamente.
Esta parece-me ter sido a posição que Dom Lefebvre sempre adotou.

2- Ninguém age sem um fim. Mas que fim Deus poderia ter fazendo um milagre na Missa Nova?

Dom Faure já respondeu a esta pergunta. Se Nosso Senhor está presente na hóstia consagrada numa Missa Nova com o agravante desta hóstia ter sido profanada não parece absurdo que Deus faça um milagre para indicar a gravidade desta profanação.

Mas, dirão alguns, Dom Williamson citou também um suposto milagre ocorrido na Polônia. O mesmo raciocínio se impõe. Onde há presença real pode haver milagre sem se faltar com a verdade.

Mas não seria isso aprovar a Missa Nova?
Não, assim como não é aprovar o paganismo que demostrar, através de um milagre, a inocência de uma virgem pagã.

3- O milagre é uma assinatura de Deus e Deus não pode assinar uma heresia. Mas este milagre, se milagre houve, não é uma assinatura do novo rito da missa mas sim da presença real. O sacramento recebido na Igreja conciliar pode ser verdadeiro e a doutrina que o acompanha pode ser falsa. Mas são duas coisas distintas. Uma não anula a outra. Afirmar um, mesmo com milagre, não é afirmar o outro, como provar a inocência de uma virgem pagã não é aprovar o paganismo.

Os argumentos apresentados não me parecem conclusivos. Seja como for, eles não podem servir para desacreditar Dom Williamson que permanece o Bispo que se opôs à política suicidária dos acordistas e que sagrou Dom Faure, ordenou padres para a Resistência, confirmou inúmeros fieis dando assim a todos a esperança de continuar o bom combate de Dom Lefebvre que não é outro senão o bom combate da Santa Igreja una, católica, apostólica e romana e, como dizia São Pio X, perseguida.


Ir. Tomás de Aquino O.S.B

domingo, 29 de março de 2015

Comentários Eleison CDII (402) - O Novo Bispo

Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blogue Borboletas ao Luar)
28 de março de 2015




São José, Patrono da Igreja, muito obrigado,
Por ter o número de seus verdadeiros bispos aumentado!




A ordenação do Pe. Jean-Michel a bispo que se deu na semana passada no Mosteiro da Santa Cruz, no Brasil, foi uma ocasião deleitante. O tempo estava quente e seco. O sol brilhava. Os monges e as Irmãs próximos de Dom Tomás de Aquino se destacaram por transformar uma garagem de concreto e metal em um santuário digno da nobre liturgia, que, aliás, eles também prepararam muito bem. Apesar da notícia tardia, um grupo de padres vindo de todos os lugares das Américas se fez presente; e uma congregação de uma centena de almas, também de muitos países diferentes, seguiu atentamente a cerimônia de três horas. 

Desde então têm se regozijado todos os católicos que estavam até então cientes da necessidade de haver ao menos mais um bispo para ajudar a assegurar a sobrevivência de uma “Tradição Resistente”. A preservação da compreensão que tinha Dom Lefebvre sobre a defesa da Fé católica não podia mais depender de um bispo somente. Aquela sua sagração de quatro bispos em 1988 sem a permissão de Roma, pela “Operação Sobrevivência” em oposição à “Operação Suicídio”, tinha de ser estendida no século XXI. Minhas desculpas a todos os católicos que gostariam de ter comparecido se tivessem sido devidamente informados, mas tudo teve de ser feito, e isso incluía uma medida de discrição, para que se tivesse certeza de que a ordenação se realizaria.



Ela tinha adversários poderosos. A Igreja oficial em Roma reagiu declarando que o ordenante foi “automaticamente excomungado”, mas, assim como em 1988, essa declaração é falsa, porque, segundo a Lei da Igreja, quem comete um ato punível não incorre na penalidade normal prevista – por exemplo: excomunhão por sagrar um bispo sem a permissão de Roma – se tiver agido por necessidade. Isso é bom senso, e havia indubitavelmente necessidade no presente caso. Enquanto o mundo se aproxima mais e mais da Terceira Guerra Mundial, que indivíduo na terra pode estar seguro de sua própria sobrevivência?

Paralelamente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X oficial em Menzingen, na Suíça, condenou a ordenação de Dom Jean-Michel Faure em um comunicado de imprensa emitido no mesmo dia. Digno de nota neste é a admissão de que o ordenante foi excluído da Fraternidade em 2012 por causa de sua “crítica vigorosa” dos contatos da Fraternidade com Roma nos últimos anos. Menzingen alegava até então que o problema era de “desobediência”. Agora, finalmente, admite que estava sendo continuamente acusado de “traição do trabalho de Dom Lefebvre”. Sem dúvida. Traição e destruição.

A própria Roma confirma a traição. No dia seguinte ao da ordenação, Dom Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, logo após declarar a inexistente “excomunhão”, continuou afirmando que Várias reuniões (entre Roma e a FSSPX) foram realizadas, e mais estão planejadas com certos prelados (romanos), para discutir os problemas que ainda precisam ser esclarecidos em uma relação de confiança; problemas doutrinais e internos à Fraternidade.

Dom Pozzo prosseguiu: O Papa está esperando que a Fraternidade se decida a entrar na Igreja, e nós estamos sempre prontos com um projeto canônico conhecido (uma prelatura pessoal). É necessário um pouco mais de tempo para que as coisas se tornem claras dentro da Fraternidade, e para que Dom Fellay obtenha um amplo e suficiente consenso antes de dar esse passo.

Do que mais alguém precisa para ver o que está escrito no muro?


Kyrie eleison.