Mostrando postagens com marcador Igreja Ortodoxa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igreja Ortodoxa. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de março de 2016

É verdade que a autodenominada 'Igreja Ortodoxa' não está 'tão' distante da Igreja Católica? - V

Igreja Ortodoxa russa foi instrumento de Stalin para liquidar o catolicismo

Por Leão Indômito

“A Igreja Ortodoxa Russa foi utilizada pelo regime de Stalin para a liquidação pela força da Igreja Greco-Católica Ucraniana”, mas “o clero ortodoxo russo ainda não se desculpou com o greco-católico pela apropriação indevida de todos os seus bens”, disse a Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, arcebispo-mor do rito Greco-Católico ucraniano, em entrevista veiculada pela agência Religious Information Service of Ukraine – RISU.

“Na minha opinião, a capacidade de pedir desculpas indica uma consciência cristã, e é uma condição necessária para a chamada purificação da memória.

“Por exemplo, houve um verdadeiro arrependimento e perdão mútuo entre a nossa Igreja e a Igreja Católica Romana da Polônia. Eu sei de fonte segura que os bispos poloneses procuram realizar um ato semelhante de reconciliação mútua com a igreja ortodoxa russa. Mas quando se trata de a igreja ortodoxa russa pedir perdão à Igreja Católica da Polônia, aparecem logo as dificuldades”, observou o chefe do rito católico ucraniano.

O arcebispo-mor da Ucrânia disse que por causa disso não houve reconciliação simbólica entre o rito que ele preside e a igreja ortodoxa russa.

“Muito frequentemente, eles falam sobre a dificuldade de ter um encontro com o Papa, que, segundo o patriarca Kirill, é causada pelos Uniatas [greco-católicos] na Ucrânia ocidental.

“Isso vem sendo repetido há perto de 20 anos, quase todo ano, em vários foros.

“Mas o verdadeiro obstáculo é a incapacidade de admitirem os próprios erros, especialmente o fato de que a igreja ortodoxa russa foi usada pelo regime de Stalin para a liquidação pela força da Igreja Greco-Católica Ucraniana”, concluiu.



*** *** ***

Arcebispo de Lvov a Pio XII: “Este regime [comunista] só se explica como caso de possessão diabólica coletiva".

Uma alta autoridade eclesiástica parece oferecer-nos uma explicação indireta para o fato. Trata-se de Mons. André Sheptyskyj, Arcebispo de Lvov e Patriarca de Halich, líder da Igreja Católica na Ucrânia durante as perseguições de Lenine e Stalin. No início da II Guerra Mundial, escreveu ele à Santa Sé:

“Este regime só pode se explicar como um caso de possessão diabólica coletiva”. E pediu ao Papa que sugerisse a todos os sacerdotes e religiosos do mundo que “exorcizassem a Rússia soviética”.

Mons. Sheptyskyj faleceu em 1944. Seu processo de beatificação está em andamento.

A crueldade inumana da seita socialo-comunista e a desproporção entre seus satânicos feitos e os êxitos que alcançou são de molde a confirmar a impressionante declaração do heróico Prelado ucraniano.

Fonte: Pe. Alfredo Sáenz S.J., “De la Rusia de Vladimir al hombre nuevo soviético”, Ediciones Gladius, Buenos Aires, 1989, pp. 438-439.

Livro negro do comunismo: Revolução Francesa foi modelo para o Livro Negro do Comunismo, a emulação com a Grande Revolução –a Francesa de 1789– é que moveu os revolucionários vermelhos. Robespierre abriu o caminho, Lenine e Stalin lançaram-se nele, os Khmers Vermelhos do Camboja bateram recordes genocidas.

Para todos eles, a utopia igualitária e libertária tudo justificava. Exterminar milhões não importava, em sua opinião, porque assim nasceria um mundo novo, fraternal, para um homem novo liberto da canga da hierarquia e da lei.

O obstáculo a varrer era a propriedade privada. E o adversário a eliminar eram os proprietários. Os comunistas atiraram-se ferozmente sobre eles do mesmo modo como Robespierre encarniçara-se contra os nobres.

[CONTINUA]

sábado, 12 de março de 2016

É verdade que a autodenominada 'Igreja Ortodoxa' não está 'tão' distante da Igreja Católica? - IV

O PRIMADO DE ROMA ESTABELECEU-SE SOBRE TODA A IGREJA, DESDE OS PRIMÓRDIOS

Por Leão Indômito

Essa primazia de Roma advém do fato de que seu primeiro Bispo foi São Pedro, sobre quem Jesus instituiu a sua Igreja. Isso consta claramente nos Evangelhos.

“Bem aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isso, mas Deus que está nos céus. Por isso, Eu te digo que tu és Pedro, e que sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E Eu te darei as chaves de Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desatares na terra será desatado nos céus” (Mt XVI, 16-19).

Essa promessa, feita pelo próprio Cristo, foi confirmada depois da Ressurreição de Nosso Senhor, ao dizer três vezes a Pedro: “Apascenta minhas ovelhas” (Jo XXI, 26)

Por sua vez, o que diz São João Crisóstomo — um Santo Bispo oriental — sobre esse texto?

"JESUS DISSE [A PEDRO]: ‘ALIMENTA AS MINHAS OVELHAS’. POR QUE JESUS NÃO LEVA EM CONTA OS DEMAIS APÓSTOLOS E FALA DO REBANHO SOMENTE A PEDRO? PORQUE ELE FOI ESCOLHIDO ENTRE OS APÓSTOLOS, ELE FOI A BOCA DE SEUS DISCÍPULOS, O LÍDER DO CORO. FOI POR ESSA RAZÃO QUE PAULO FOI PROCURAR A PEDRO ANTES QUE AOS DEMAIS. E TAMBÉM O SENHOR FEZ ISSO PARA DEMONSTRAR QUE ELE DEVIA TER CONFIANÇA, UMA VEZ QUE A NEGAÇÃO DE PEDRO HAVIA SIDO PERDOADA. JESUS LHE CONFIA O GOVERNO SOBRE SEUS IRMÃOS... SE ALGUÉM PERGUNTAR: ‘POR QUE ENTÃO FOI SANTIAGO QUEM RECEBEU A SÉ DE JERUSALÉM?’, EU LHE RESPONDERIA QUE PEDRO FOI CONSTITUÍDO MESTRE NÃO DE UMA SÉ, MAS DO MUNDO TODO” (Homilia 88 (87) in Joannem, I. Cf. Orígenes, “In epis. Ad Rom.”, 5, 10; Efrén de Siria “Humn. In B. Petr.”, en “Bibl.Orient. Assemani”, 1, 95; León I, “Sermo IV de Natale”, 2. Apud Enciclopédia Católica, verbete Primado, artigo de G. H. JOYCE).

Como se vê, São João Crisóstomo reconhecia Pedro como chefe da Igreja em todo o mundo. Ora, São João Crisóstomo é Doutor da Igreja, tendo vivido antes do Cisma do Oriente.

Por que, então, os autodenominados ‘ortodoxos’ se recusam a aceitar os ensinamentos desse grande santo e Doutor da Igreja do Oriente?

Desde o início da Igreja o Bispo de Roma era o Chefe da Igreja toda, exatamente com base no texto dos Evangelhos. Isso é um dado histórico inquestionável.

POR EXEMPLO, SÃO CLEMENTE, QUE FOI O TERCEIRO SUCESSOR DE SÃO PEDRO, DEPOIS DE SÃO LINO E DE SANTO ANACLETO NA SÉ DE ROMA, EM SUA “EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS” (EP. 59), NO ANO 95 OU 96 — AINDA, PORTANTO, NO SÉCULO I DA ERA CRISTÃ, POIS HAVIAM TRANSCORRIDO TRINTA ANOS APÓS O MARTÍRIO DE SÃO PEDRO —, ORDENA QUE SE RECEBAM OS BISPOS QUE HAVIAM SIDO EXPULSOS INJUSTAMENTE, DIZENDO: “SE ALGUM HOMEM DESOBEDECER ÀS PALAVRAS QUE DEUS PRONUNCIOU ATRAVÉS DE NÓS [PAPA], SAIBAM QUE ESSE TAL TERÁ COMETIDO UMA GRAVE TRANSGRESSÃO, E SE TERÁ POSTO EM GRAVE PERIGO”. MAIS: SÃO CLEMENTE INCITA ENTÃO OS CORÍNTIOS A “OBEDECER ÀS COISAS ESCRITAS POR NÓS ATRAVÉS DO ESPÍRITO SANTO” (SÃO CLEMENTE, EP.59).

ATÉ MESMO LIGHTFOOT, INIMIGO CONFESSO DO PAPADO, VIU-SE FOI OBRIGADO A RECONHECER CONFESSAR QUE ESSA CARTA DE SÃO CLEMENTE FOI “O PRIMEIRO PASSO PARA ESTABELECER A DOMINAÇÃO PAPAL” (CLEMENTE, 1, 70).
Por volta do ano 107, Santo Inácio de Antioquia — outro grande santo da Igreja do Oriente —, em carta à Igreja de Roma, diz que ela “preside à irmandade de amor".

Santo Irineu, discípulo de São Policarpo, Bispo de Esmirna depois de São João, em sua famosa obra “Adversus haereses” (III, 3, 2) argumenta contra os agnósticos, dizendo-lhes que suas doutrinas não têm base na tradição apostólica, a qual foi conservada fielmente pelas igrejas, com base na sucessão dos Doze Apóstolos:

“Porém como seria demasiado longo enumerar as sucessões em Roma pelos dois gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo, A QUAL DESDE OS APÓSTOLOS CONSERVA A TRADIÇÃO E A FÉ ANUNCIADA AOS HOMENS PELOS SUCESSORES DOS APÓSTOLOS QUE CHEGAM ATÉ NÓS. Assim confundimos a todos aqueles que de um modo ou de outro, ou para agradar-se a si mesmos, ou por cegueira, ou por uma falsa opinião, acumulam falsos conhecimentos. É NECESSÁRIO QUE QUALQUER IGREJA ESTEJA EM HARMONIA COM ESSA IGREJA, CUJA FUNDAÇÃO É A MAIS GARANTIDA — ME REFIRO A TODOS OS FIÉIS DE QUALQUER LUGAR — PORQUE NELA TODOS OS QUE SE ENCONTRAM EM TODAS AS PARTES CONSERVARAM A TRADIÇÃO APOSTÓLICA".

A afirmação mais explícita da supremacia de Roma foi feita por São Víctor (189-198), quando impôs às igrejas asiáticas que se conformassem ao costume do conjunto da Igreja, na questão da Páscoa.

Polícrates, de Éfeso, resistiu a isso, objetando que os costumes que seguia procediam do próprio São João. O Papa São Víctor o excomungou por isso. Depois, São Víctor, instado por Santo Irineu, tendo visto que sua insistência poderia provocar mais dano que bem, retirou a excomunhão. Contudo, QUER POR HAVER EXCOMUNGADO, QUER POR HAVER RETIRADO ESSA MESMA EXCOMUNHÃO QUE IMPUSERA, SÃO VICTOR DEIXA PATENTE A SUPREMACIA DA SÉ DE ROMA SOBRE TODAS AS DEMAIS DIOCESES DO MUNDO.

Abércio, Bispo de Hierópolis (por volta do ano 200), assim fala da Igreja Romana: “Ele [Cristo] me enviou a Roma a contemplar a majestade e para ver a uma rainha [Roma] coberta com um manto de ouro e calçada com sandálias de ouro”.

Tertuliano, no livro “De pudicitia” (por volta do ano 220), escrito quando já havia caído na heresia do montanismo, critica uma prerrogativa papal. Ele ataca duramente um decreto do Papa chamando-o de “edito peremptório”, promulgado pelo “SUPREMO PONTÍFICE, BISPO DOS BISPOS”. Ele pronunciou tais palavras sarcasticamente, mas, pelos termos que utiliza, indica claramente que já se tinha a autoridade do Papa como sendo superior à de todos os Bispos, embora Tertuliano, que aderira à heresia montanista, fosse insubmisso a Roma.

São Cipriano, que morreu no ano 258, chama explicitamente “CÁTEDRA DE SÃO PEDRO” DE SÉ ROMANA, dizendo que Cornélio fora elevado “ao lugar de Fabiano, que é a cátedra de Pedro” (Ep 55:8; cf. 59:14).

São Cipriano escreveu também que ROMA, “CÁTEDRA DE PEDRO, É A IGREJA PRINCIPAL DA QUAL NASCE A UNIDADE EPISCOPAL” (AD PETRI CATHEDRAM ET AD ECCLESIAM PRINCIPALEM UNDE UNITAS SACERDOTALIS EXORTA EST). Para São Cipriano, "a fonte dessa unidade episcopal é a Sé de Pedro”.

SEGUNDO ELE, ROMA DESEMPENHAVA O MESMO OFÍCIO QUE DESEMPENHOU PEDRO DURANTE SUA VIDA: SER PRINCÍPIO DA UNIDADE. POR ISSO, MANTER A COMUNHÃO COM UM ANTIPAPA, COMO ERA NOVACIANO, SERIA CAIR EM CISMA (EP. 68, 1).

ELE SUSTENTA AINDA QUE O PAPA TEM AUTORIDADE PARA DEPOR UM BISPO HEREGE. QUANDO MARCIANO DE ARLES CAIU NA HERESIA, CIPRIANO, A PEDIDO DOS BISPOS DESSA PROVÍNCIA, ESCREVEU AO PAPA ESTEVÃO PARA SOLICITAR QUE ELE “ESCREVESSE CARTAS PARA EXCOMUNGAR A MARCIANO E FAZER QUE ALGUÉM TOMASSE SEU LUGAR” (Ep. 68, 3). (Apud artigo de G. H. JOYCE sobre o primado do Papa na Enciclopédia Católica).

Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica (7, 9) cita uma carta de São Dionísio dirigida ao Papa São Sixto II tratando de um batismo que considera inválido. NESSA CARTA, SÃO DIONÍSIO AFIRMA QUE NECESSITA RECORRER AO PAPA, PARA QUE ELE DECIDA.

Noutro caso, anos depois, o Papa atendendo a São Dionísio, afirmou isso, com toda a sua autoridade, a fim de deixar clara a verdadeira doutrina sobre o assunto. Ambos os casos ensinam como Roma era reconhecida como detentora do poder para falar com autoridade em assuntos doutrinários (cfr. San Atanasio, “De sententia Dionysii”, en P.G. XXV, 500).

O IMPERADOR AURELIANO, EM 270, DECRETOU QUE AQUELE QUE FOSSE RECONHECIDO PELOS BISPOS DA ITÁLIA, ASSIM COMO PELO BISPO DE ROMA, DEVERIA SER ACEITO COMO O LEGÍTIMO OCUPANTE DE UMA SÉ EPISCOPAL. ISSO MOSTRA COMO A PRIMAZIA DE ROMA ERA RECONHECIDA UNIVERSALMENTE, POIS ATÉ UM IMPERADOR PAGÃO SABIA DISSO.

Santo Atanásio apelou a Roma contra a decisão do Concilio de Tiro (335), que o destituíra de sua diocese. O Papa Júlio anulou as decisões desse Concílio, restituindo, Santo Atanásio como a Marcelo de Ancira.

as suas respectivas sedes episcopais. A esse propósito, o Papa São Júlio escreveu: “Se eles [Atanásio e Marcelo] realmente agiram mal, como dizem, o juízo deveria ter sido realizado de acordo com os cânones eclesiásticos, e não dessa maneira... NÃO SABE QUE O COSTUME É QUE PRIMEIRO NOS DIRIJAM CARTAS A NÓS (PLURAL MAJESTÁTICO) E DEPOIS PROCEDAM CONFORME SE DEFINA ENTÃO?” (Atanásio, “Apologia”, 35).

Conclusão: torna-se evidente que, muito antes do Cisma do Oriente, era comum a doutrina do Primado da Igreja de Roma sobre todas as dioceses do mundo.

Logo, a pretensão do Arcebispo de Constantinopla de gozar da primazia na Igreja do Oriente, ou a de equipar a sua autoridade à do Papa, é um absurdo doutrinário e histórico.

Constantinopla nunca teve um Apóstolo como Bispo, pois que não existia no tempo dos Apóstolos, tendo sido fundada por Constantino em 313.

[CONTINUA]

sábado, 5 de março de 2016

É verdade que a autodenominada ‘Igreja Ortodoxa' não está 'tão' distante da Igreja Católica? - III

Refutação de alguns erros graves professados pelos autodenominados 'Ortodoxos'

Por Leão Indômito

PURGATÓRIO E ‘FILIOQUE’

A) A doutrina do Purgatório já estava presente nos Padres da Igreja

S. Cipriano de Cartago afirma: "Uma coisa é pedir perdão; outra coisa, alcançar a glória. Uma coisa é estar prisioneiro sem poder sair até ter feito o pagamento do último centavo; outra coisa, receber simultaneamente o valor e o salário da fé. Uma coisa é ser torturado com longo sofrimento pelos pecados, para ser limpo e completamente purificado pelo fogo; outra coisa é ter sido purificado de todos os pecados pelo sofrimento. Uma coisa é estar suspenso até que ocorra a sentença de Deus no Dia do Juízo; outra coisa é ser coroado pelo Senhor" (Epístola 51,20).

S. Gregório de Nissa, no mesmo sentido, ensina: "Quando a alma é separada do corpo e a diferença entre a virtude e o vício é conhecida, o homem não pode aproximar-se de Deus até que seja purificado com o fogo que limpa as manchas com as quais a sua alma está infectada. Esse mesmo fogo em outros cancelará a corrupção da matéria e a propensão ao mal" (Sermão sobre a Morte 2,58)

S. Gregório Magno: “Tal como alguém sai deste mundo, assim se apresenta no Juízo. Porém, deve-se crer que exista um fogo purificador para expiar as culpas leves antes do Juízo. A razão para isso é que a Verdade afirma que se alguém disser uma blasfêmia contra o Espírito Santo, isto não lhe será perdoado nem neste século nem no vindouro. Com esta sentença se dá a entender que algumas culpas podem ser perdoadas neste mundo e algumas no outro, pois o que se nega, em relação a alguns, deve-se compreender que se afirma em relação a outros (...). No entanto, tal como já disse, deve-se crer que isto se refere a pecados leves e de menor importância.” (Diálogos 4,39: PL 77,396).

B) A cláusula do Filioque não foi inventada pela Igreja Católica em 1054

Os autodenominados ‘ortodoxos’ acusam o Papado de ter inserido a cláusula Filioque de forma arbitrária. Para eles, a doutrina do "Filioque" (segundo a qual o Espírito Santo procede não só do Pai, mas também do Filho) constituiria uma novidade...

A contrario sensu, vejamos a doutrina à luz dos Padres da Igreja que viveram antes do Cisma de 1054.

Dídidimo de Alexandria salienta estas palavras do Divino Redentor: "Ele não falará sem Mim e sem a decisão do Pai, porque Ele não tem origem em si, mas é do Pai e de Mim. Pois o que Ele é como subsistência e como palavra, Ele o é pelo Pai e por Mim" (De Spiritu Sancto 34).

Santo Epifânio de Salamina: "É preciso crer, a respeito de Cristo, que Ele vem do Pai, é Deus proveniente de Deus, e, a respeito do Espírito, que Ele provém de Cristo, ou, melhor; de ambos, pois Cristo disse: '...Ele procede do Pai' e 'receberá do que é Meu'" (Ancoratus 67).
Do mesmo santo, outro texto comprobatório: "Já que o Pai chama Filho o que procede do Pai e Espírito Santo o que provém de ambos,... fica sabendo que o Espírito Santo é a luz que vem do Pai e do Filho" (Ancoratus 71).

São Cirilo de Alexandria: "O Espírito é o Espírito de Deus Pai e, ao mesmo tempo, Espírito do Filho, saindo substancialmente de ambos simultaneamente, isto é, derramado pelo Pai a partir do Filho" (De adoratione, livro I, PG 68,148).

São João Damasceno: "O Espírito Santo provém das duas Pessoas simultaneamente" (De recta fide 21, PG 76,1408).

Textos da Sagrada Escritura:

O Evangelho de São João diz: "...o Espírito da verdade, que procede (ekporeúetai) do Pai" (XV,26).

O Evangelho diz que o Espírito Santo procede do PAI, mas não disse que procede SOMENTE do Pai.

Jesus disse que "Receberá do que é Meu e vô-lo anunciará" (Jo XVI,14s) ou ainda: "Quando vier o Paráclito, QUE VOS ENVIAREI de junto do Pai" (Jo XV,26).

"Receberá do que é Meu e vô-lo anunciará" (Jo XVI,14s).

[CONTINUA]

sábado, 27 de fevereiro de 2016

É verdade que a autodenominada 'Igreja Ortodoxa' não está 'tão' distante da Igreja Católica? - II

ERROS DOUTRINÁRIOS DOS AUTODENOMINADOS ‘ORTODOXOS’

Por Leão Indômito

Os principais pontos doutrinários relativos ao Cisma são:

1 - Espírito Santo: pela Doutrina católica, o Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, procede do Pai e do Filho, definido no Concílio de Nicéia, enquanto que, para os da autodenominada Igreja ‘Ortodoxa’, o Espírito Santo só procederia do Pai.

2 - Juízo particular: a Igreja Ortodoxa não aceita o Juízo particular imediatamente após a morte, como ensina a Igreja Católica, admitindo somente o Juízo Universal; consequentemente, a Igreja ‘Ortodoxa’ não admite a existência do purgatório nem do limbo, bem como não aceita as indulgências.

3 - Imaculada Conceição: Nossa Senhora, para os da autodenominada Igreja ‘Ortodoxa’, foi concebida com o pecado original, ao passo que Pio IX definiu o dogma da Imaculado Conceição, em 1854. Constitui heresia negá-lo. Logo, os ‘ortodoxos’ são também hereges e não apenas cismáticos.

4 - Primazia e infalibilidade papal: A Igreja Ortodoxa não aceita, de forma nenhuma, tanto a primazia como a infalibilidade do Papa, conforme foi definido pela Igreja Católica, particularmente pelo Concílio Vaticano I.


Quanto à liturgia, ao culto, aos sacramentos e à disciplina eclesiástica:

1 - Para os ortodoxos, a consagração do pão e do vinho é realizada no Prefácio da Missa, e não no Canon, com as palavras pronunciadas por Nosso Senhor na última Ceia, conforme a liturgia católica.

2 - Na Igreja ‘Ortodoxa’ não há as tradicionais devoções da Igreja Católica, como a comemoração de Corpus Christi, do Sagrado Coração de Jesus, a cerimônia da Via Crucis, o culto ao Imaculado Coração de Maria, Rosário, e outras.

3 - Os ‘ortodoxos’ só aceitam ícones nos templos.

4 - Para os ‘ortodoxos’, o Sacramento do Matrimônio é ministrado pelo padre, enquanto que para a Igreja Católica, os ministros são os nubentes.

5 - Os sacerdotes ortodoxos têm liberdade de optar entre o celibato e o matrimônio, enquanto os sacerdotes católicos são celibatários.

Logo, as diferenças doutrinárias são profundas e, para suplantá-las, é necessária uma verdadeira conversão dos assim chamados ‘ortodoxos’, que devem renunciar aos seus erros e voltar ao redil da única Igreja verdadeira, que é a Igreja Católica.

Nosso Senhor Jesus Cristo, na parábola do Bom Pastor, referindo-se às ovelhas que se encontram fora do seu aprisco, disse: "... é preciso que eu as traga e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor" (S. João X, 16).

Com tais palavras Nosso Senhor exprime um desejo ou uma oração para que todos se submetam aos ensinamentos que Ele nos deixou, sob a orientação de um só pastor, Pedro e seus sucessores, e não de vários, ou de quaisquer pastores. Para isso é necessário, antes de tudo, professar a mesma e única doutrina por Ele ensinada. Essa é a única tentativa de união cabível.

[CONTINUA]

sábado, 20 de fevereiro de 2016

É verdade que a autodenominada ‘Igreja Ortodoxa' não está 'tão' distante da Igreja Católica? - I

O QUE FOI O CISMA DE BIZÂNCIO (CONSTANTINOPLA)

Por Leão Indômito

Constantinopla foi fundada pelo Imperador Constantino, o Grande, o que deu liberdade aos cristãos, no ano 313, e transferiu o poder imperial para o Oriente, fundando então Constantinopla.

O título de Patriarca era dado apenas aos Bispos de cidades que haviam recebido a pregação de um Apóstolo.

Assim eram reconhecidos como Patriarcas o Bispo de Alexandria , onde pregara o evangelista São Marcos. O Bispo de Jerusalém, onde fora Bispo o Apóstolo São Tiago. O bispo de Antioquia, cidade em que viveu e foi Bipo São Pedro. E , finalmente, Roma , que teve o mesmo São Pedro como seu primeiro Bispo.

É claro que Constantinopla, por ter sido fundada apenas no século IV, não poderia ter, normalmente, o título de Patriarca, pois nenhum Apóstolo pregara nessa cidade, que ainda não existia nos tempos apostólicos.

Entretanto, por ser a capital do Império do Oriente, os Arcebispos de Constantinopla reivindicavam essa honra, que Roma afinal lhe concedeu, a título honorário.

Cedo, alguns Patriarcas orientais, especialmente o de Constantinopla, reivindicaram uma paridade com o Papa, querendo que a Igreja não fosse uma monarquia, e sim uma Pentarquia. ( Erro que está, hoje, em voga entre alguns orientais...).

Pretendia-se que o Papa fosse apenas um chefe honorífico da Igreja, um "primus inter pares", um superior em honra, entre os Patriarcas, que seriam iguais em direito.

Ora, isto vai contra o Evangelho, que mostra Cristo ter fundado a Igreja sobre Pedro apenas. Cristo fez a Igreja monárquica e não pentárquica.

No século IX, o Arcebispo de Constantinopla , Fócio, se rebelou contra o Papa São Nicolau I, que excomungou esse rebelde em 863.

Como resposta, Fócio se autoproclamou Patriarca Ecumênico de Constantinopla e "excomungou" o Papa São Nicolau I. Com a subida ao poder em Constantinopla do Imperador Basílio, o Macedônico, Fócio perdeu o poder que tinha.

A questão entre Roma e Constantinopla foi ainda mais envenenada pelo problema da processão do Espírito Santo, que os Orientais dizem proceder apenas do Pai, enquanto a Igreja ensina que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.

Fócio retomou o poder em Constantinopla, mesmo depois de sua solene condenação, no ano 870. De novo, o Papa João VIII renovou a condenação de Fócio. Com o advento ao trono do Imperador Leão, o Filósofo, Fócio é expulso pela segunda vez de Constantinopla, terminando o cisma, pouco depois.

No século XI, Miguel Cerulário, Patriarca de Constantinopla causou a separação definitiva da Igreja do Oriente separando-a da obediência ao Papa, no tempo do Papa Leão IX. Miguel Cerulário foi excomungado pelo Papa em 1054.

Desde esse tempo, os orientais estão separados de Roma, portanto em cisma. A esse mal, vieram se acrescentar a negação dos dogmas proclamados pela Igreja, após a separação do Oriente. Os Orientais possuem sucessão apostólica, isto é, seus Bispos são legítimos, assim como os seus sacerdotes. Em consequência, seus sacramentos são válidos, embora ilicitamente administrados por causa de sua separação de Roma.


(Na imagem, Fócio, autoproclamado "Patriarca Ecumênico de Constantinopla")

[CONTINUA]