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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus nº 64 - Sagrações III

Mosteiro da Santa Cruz
30 de junho de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)


Sagrações III


      Em sua carta aos futuros bispos que Dom Lefebvre ia sagrar no dia 30 de junho de 1988, ele afirma a união do sacrifício da missa e da doutrina de Cristo-Rei.


      “Assim, escreve ele, aparece com evidência a necessidade absoluta da permanência e da continuação do sacrifício adorável de Nosso Senhor para que ‘venha a nós o seu Reino’. A corrupção da Santa Missa teve como consequência a corrupção e a decadência universal da fé na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Deus suscitou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X para a permanência e perpetuidade de seu sacrifício glorioso e expiatório na Igreja. Ele escolheu para si verdadeiros sacerdotes instruídos e convictos destes mistérios divinos. Deus me deu a graça de preparar estes levitas e de conferir-lhes a graça sacerdotal para a continuação do verdadeiro sacrifício, segundo a definição do Concílio de Trento.

      É isto que nos mereceu a perseguição da Roma anticristo. Esta Roma modernista e liberal, prosseguindo sua obra de destruição do Reino de Nosso Senhor, como o provam Assis e a confirmação das teses liberais do Vaticano II sobre a liberdade religiosa, eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do episcopado católico que eu recebi, afim de que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir, para a glória de Deus e a salvação das almas.

      Eis porque, convencido de não realizar senão a santa vontade de Nosso Senhor, venho por meio desta carta pedir-lhes que aceitem a graça do episcopado católico, como eu já a conferi a outros padres em outras ocasiões.

      Eu vos conferirei esta graça do episcopado católico, confiando que sem tardar a Sé de Pedro será ocupada por um sucessor de Pedro perfeitamente católico, nas mãos do qual os senhores poderão depor a graça do vosso episcopado para que ele a confirme.”


      Não tendo a Santa Sé ainda sido ocupada por um fiel sucessor de São Pedro, nós não podemos depor esta graça nas mãos do Soberano Pontífice. Muito pelo contrário, é um dever manter-nos separados desta Igreja conciliar enquanto ela não reencontrar a tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, como fizeram Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer.



+ Tomás de Aquino OSB





U.I.O.G.D

domingo, 23 de setembro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus nº 63 - Sagrações II

23 de junho de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)



Sagrações II

 Se as circunstâncias da crise atual não tivessem forçado Dom Lefebvre, ele jamais teria sagrado bispos sem a autorização de Roma. Ele mesmo havia escrito que, se sua obra era de Deus, Deus suscitaria bispos para ordenar os seus seminaristas. Mas a Providência, que fala através dos acontecimentos, mostrou que não era de fora da Tradição que ele deveria esperar o auxílio necessário. O mal havia ido longe demais. Roma estava, e está, ocupada por inimigos de Nosso Senhor, inimigos tenazes que não abrem mão das suas conquistas. Mesmo hoje, Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer permanecem excomungados aos olhos da Roma modernista e liberal.

Escutemos as palavras de Dom Lefebvre, escrevendo aos quatro escolhidos para receberem o episcopado. Esta carta data do dia 22 de agosto de 1987. Dom Lefebvre não esconde a dura realidade, mas revela também o meio de preservar o depósito da fé e os sacramentos, para que a Igreja continue e atravesse vitoriosamente esta crise.

“A cátedra de Pedro, escreve ele, e os postos de autoridade de Roma estando ocupados por anticristos, a destruição do Reino de Nosso Senhor avança rapidamente no interior do seu Corpo Místico neste mundo, especialmente pela corrupção da Santa Missa, expressão esplêndida do triunfo de Nosso Senhor pela Cruz, “Regnavit a ligno Deus”, e fonte de extensão do seu reino nas almas e na sociedade.”

Continuaremos a transcrever esta carta no próximo número. Ela é essencial para compreender o ato heroico de Dom Lefebvre cujo trigésimo aniversário celebraremos no dia 30 deste mês de junho.





+ Tomás de Aquino OSB





U.I.O.G.D

Voz de Fátima, Voz de Deus nº 62 - Sagrações I

16 de junho de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

Sagrações I 

      Ao aproximar-se o trigésimo aniversário das sagrações de 1988, é necessário recordar as razões desta decisão heroica de Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer.

      Durante vários anos, Dom Lefebvre esperou uma mudança da parte das autoridades romanas. Ele não só seguia atentamente o que se passava em Roma, mas também preparava sacerdotes, religiosos e fiéis para uma eventual sagração.

      Em 1987 ele anunciou sua decisão, e teria realizado estas sagrações naquele mesmo ano se não fossem as propostas conciliadoras de Roma; propostas nas quais ele não confiava muito, mas mesmo assim ele aceitou fazer mais uma tentativa.

      “Fui longe demais”, teve ele de constatar. Não podendo cooperar com autoridades imbuídas de Liberalismo, Dom Lefebvre retirou sua assinatura do protocolo de acordo que ele havia assinado e tomou sobre si a responsabilidade das sagrações de 1988. Pela mesma ocasião, ele advertiu Dom Gérard Calvet sobre o perigo de fazer qualquer acordo com Roma, enquanto esta estivesse ocupada por homens que não professam a integridade da fé católica.

      Dom Gérard Calvet não seguiu o conselho de Dom Lefebvre, como Campos, doze anos mais tarde, também não o fez.

      Nosso dever, e o dever de todo sacerdote que quer permanecer católico, consiste em manter-se distante desta Igreja conciliar até que as autoridades atuais retornem à doutrina católica da qual elas se afastaram desde o Concílio Vaticano II e desde as reformas inspiradas por este mesmo Concílio, sobretudo a reforma litúrgica e a do Código de Direito Canônico.

      Para resumir todo este drama, não há outra palavra senão Liberalismo. Voltaremos ao assunto, se Deus quiser.





+ Tomás de Aquino OSB

domingo, 29 de julho de 2018

Comunicado Importante sobre o Padre Rodrigo Ribeiro da Silva.

Mosteiro da Santa Cruz

PAX


“Devido às atuais atitudes de inteira independência tomadas pelo padre Rodrigo Ribeiro da Silva, assim como, pela sua nova posição, a sedevacantista, nós nos vemos na obrigação de avisar aos fiéis que não nos responsabilizamos mais pelas palavras e atos do referido padre e daqueles que o seguem. Lembramos aos fiéis que Dom Lefebvre não admitia que nenhum de seus sacerdotes se recusassem a rezar pelo Papa na missa. O padre Rodrigo foi ordenado como membro da Sociedade Sacerdotal dos Apóstolos de Jesus e Maria cujo fundador, Dom Jean Michel Faure,exige de seus membros o mesmo que exigia Dom Lefebvre.


Essa é nossa posição, dos Quatro Bispos e de todos os fiéis da Resistência Católica.


Mas, ao adotar essa posição sedevacantista e a posição de completa independência, o padre Rodrigo se separa não somente de seu superior, mas também dos outros três bispos da Resistência: Mgr Williamson; Mgr Zendejas; e Mgr Tomás de Aquino. “


+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D

domingo, 11 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 54

Mosteiro da Santa Cruz

10 de março de 2018


      Para aprofundarmo-nos cada vez mais na mensagem de Fátima, paremos para meditar algumas passagens das memórias da Irmã Lúcia como as que seguem:
      “Meus pais levavam uma vida dura e simples, mas calma e feliz” (Memória VI), “Um dia, eu vi chegar perto da porta um pobre. Eu entrei em casa e disse a meu pai: ‘Está aqui um pobre pedindo esmola’. Meu pai se levantou, foi à lareira e, com sua faca, cortou a corda de um chouriço. Pegando-o perguntou à minha mãe: ‘- Olhe! Posso dar isso a esse pobre? Isso não vai fazer falta? ’ Minha mãe respondeu: ‘ – Pode. O que damos aos pobres, nunca nos faz falta.’” (Memória V) “Cada dia, quando os sinos da igreja paroquial tocavam o Ângelus, meu pai parava o trabalho, com a cabeça descoberta, ele recitava três Ave Marias e voltava para casa.” (Memória VI).
      Que belos exemplos para serem imitados por nós!
      Referindo-se à segunda aparição do Anjo, a Irmã Lúcia diz:
      “As palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito como uma luz que nos fazia compreender quem é Deus,
quanto Ele nos ama,
quanto Ele quer ser amado por nós,
o valor do sacrifício,
quanto o sacrifício é agradável a Deus,
como Ele converte os pecadores em vista de nossos sacrifícios”( Memória IV)
      Coloquei separadamente essas frases para darmos a devida atenção a cada uma delas e, assim, procurar impregnar-nos das mesmas.
      E o Anjo indica um dos mais preciosos sacrifícios: “Sobretudo, aceitai e suportai com submissão os sofrimentos que o Senhor vos enviar”. (Memória IV).
      Nossa Senhora deseja iluminar-nos, assim, como um amor especial por Deus e pelo mistério da Santíssima Trindade: “E a luz que emana de Nossa Senhora é uma luz fortíssima, tão intensa, que, entrando em nossos corações e penetrando até o mais profundo de nossa alma, nos faz ver-nos a nós mesmos em Deus.” (cf. Memória IV)
    E para recebermos essa luz de Nossa Senhora não é necessária uma visão extraordinária como a dos pastorzinhos, mas é preciso um avanço sério na vida espiritual, que é um dever de todos nós.
E se fizermos isso, poderemos dizer com Francisco: “o que mais gostei foi ver Nosso Senhor nessa luz que Nossa Senhora nos colocou no peito. Amo tanto a Deus! Mas, Ele está tão triste, por causa de tantos pecados! Nós não devemos fazer nenhum pecado!” (Memória IV)
      Que Maria Santíssima nos ajude a alcançarmos essa graça!

Arsenius


U.I.O.G.D

quarta-feira, 7 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 53

Mosteiro da Santa Cruz

03 de março de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)


      “Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará” (Nossa Senhora de Fátima, em Sua terceira aparição, em 13 de julho). E que significa esse triunfo de nossa boa Mãe do Céu, senão o triunfo do Seu Divino Filho? E que significa esse triunfo de Jesus, senão o Seu império, o Seu governo e a Sua dominação sobre todos os homens, tanto individualmente como organizados em sociedade, tanto internamente como em suas atividades externas, tanto em seus pensamentos como em suas palavras, tanto na intimidade de seus lares como em público, tanto em suas obras de arte como em suas publicações de leis civis, tanto em seu modo de estimar as coisas como de julgá-las?

      E se a Santa Igreja nada mais é que o Corpo Místico de Jesus, todos os homens, governantes e governados, desde o sumo governante que é o Papa até ao mais insignificante dos cidadãos, e todas as suas obras, realizadas em seu interior como as que realizam externamente, devem submeter-se aos ensinamentos e governo da Santa Igreja, que é a fiel transmissora da Revelação Divina e depositária da autoridade do seu Divino Fundador. E esse é o chamado Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Quando isso se realizará? Não o sabemos. O que cabe a nós, na situação em que se encontra hoje o mundo, é de, no âmbito de nossa ação e no qual tivermos alguma influência, realizarmos esse ideal em nossas próprias pessoas e nas do próximo. E isso implica necessariamente uma oposição a quase tudo que se nos oferece ao nosso redor, pois a sociedade atual está impregnada até a medula de uma multidão de coisas que se opõem a Cristo Rei. Essa atitude certamente é constrangedora e nos faz sofrer, mas nos assimila, ainda que indignamente, às santas personagens que ficaram ao pé do Calvário, as quais, sós, deram mostra de fidelidade ao nosso Divino Salvador diante da turba que vociferava com ódio contra o seu grande, maior e verdadeiramente único Benfeitor.

      O que essa atitude nos valerá? Muitos incômodos e talvez até a vida presente, mas nos premiará com a eterna. E isso excede a todo preço.

      Que Nossa Senhora de Fátima nos alcance de Seu Divino Filho a graça de ficarmos ao lado Dela no Gólgota, de pé, como Ela.



Arsenius



U.I.O.G.D

terça-feira, 6 de março de 2018

Sermões: 2º Domingo depois da Epifania (2018)



Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.

PAX
II Domingo depois da Epifania (2018)

      O Evangelho de hoje nos fala do casamento, o qual é a união entre Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Que imenso mistério, Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja, unidos para a eternidade. Que o homem não separe o que Deus uniu. Ninguém poderá separar Nosso Senhor Jesus Cristo de sua Igreja, nem o Anticristo, nem os modernistas.

      Ora, um fato ocorrido em nossa paróquia servirá para aprofundarmos o conhecimento na contemplação deste mistério, se Deus nos fizer esta grande graça. Toda crise, toda heresia, todo erro é ocasião, para a Santa Igreja, de aprofundar o dogma, e aprofundando o dogma, aprofundar o conhecimento e o amor de Deus, ou seja, aprofundar-se na fé e na caridade, bem como na esperança dos bens que Deus nos prometeu.

      Mas qual foi o fato ocorrido em nossa paróquia que nos leva a falar da Igreja?

      O fato foram as missas que meu sobrinho, o Pe. Tarcísio, rezou na capela São Miguel. Estas missas foram para mim motivo de alegria e de tristeza.

      Alegria por ver o Tarcísio subir ao altar depois de uma longa preparação iniciada, em parte, aqui em nossa paróquia, aqui em nosso mosteiro. Contente pelo Pe. Tarcísio, que mereceu sua ordenação pelos anos de estudo realizado no seminário Nossa Senhora Corredentora, em La Reja, na Argentina, seminário da Fraternidade São Pio X.

      E a tristeza, qual é ela? É a de ver os superiores do Pe. Tarcísio, ou seja, os superiores da Fraternidade São Pio X, tomarem uma direção diferente da indicada por Dom Lefebvre no combate da fé. Como a acusação é grave, vejamos, pois, qual foi a orientação dada por Dom Lefebvre e depois comparemos esta orientação com o que faz a Fraternidade, arrastando os novos sacerdotes nesta mesma nova orientação.

      O que disse, e mesmo escreveu, Dom Lefebvre? “É um dever estrito para todo sacerdote que queira permanecer católico, o de separar-se desta Igreja conciliar enquanto ela não regressar à Tradição da Igreja e da fé católica”. Alguém pode se perguntar: “Mas que Igreja conciliar é essa? Só existe uma Igreja, não existem duas Igrejas!”. É aí que começam nossas reflexões.

      A reflexão sofrida dos combatentes, dos confessores da fé a respeito de nossa Mãe, a Santa Igreja. E quem são os mestres que seguiremos nessas reflexões? Eles são Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer, Père Calmel, Gustavo Corção e toda a Tradição da Igreja, com seu Magistério infalível e também, entre os vivos, Dom Williamson e Dom Faure.

      A crise atual obriga a aprofundar as verdades reveladas, obriga a aprofundar as palavras mesmas pelas quais a Santa Igreja exprime o dogma revelado.

      O que nós desejamos é conhecer, amar e defender esta união entre Jesus Cristo e a Igreja, para discernir onde está nosso dever para com Deus, para com nós mesmos e para com o próximo.

      Duas Igrejas? Num certo sentido, sim. Duas Igrejas, e como dizia Santo Agostinho, duas cidades.

      Dois amores constituíram duas cidades. O amor de Deus levados até o desprezo de si mesmo constituiu a cidade de Deus. E o amor de si mesmo levado até o desprezo de Deus constituiu a cidade do homem.

      Que a Igreja conciliar seja a religião do homem levada até o desprezo de Deus é evidente. Todo mundo pode constatá-lo.

      Paulo VI declarou a simpatia da Igreja (que Igreja?) pela religião do homem que se faz Deus. Isto está no discurso do encerramento do Concílio Vaticano II. Todos que desejarem podem encontrá-lo sem dificuldades. Este escândalo sem precedentes foi comentado por Dom Lefebvre e todos os grandes autores da Tradição.

      Mas não é só isso. O desprezo por Deus se manifesta primeiramente na liturgia. Comunhão de pé e na mão. Supressão de inúmeras genuflexões. Desprezo pela lei de Deus e seus mandamentos. Não é preciso enumerar o que todo mundo já está cansado de saber. Mas que significa isto?

      Isto significa que estamos diante de uma outra Igreja com sua nova liturgia, sua nova moral, seu novo Direito Canônico, sua nova espiritualidade.

      Esta nova Igreja é completamente outra? Na sua orientação, sim. Ela é totalmente outra. Ela está a serviço da cidade do homem que leva o falso amor de si mesmo até o desprezo de Deus.

      Mas e o Papa? É ele Papa de qual Igreja? Ele, por mais estranho que isto seja, ele é Papa das duas Igrejas. Ele é Papa da Igreja católica e ele é o chefe da Igreja conciliar. Logo, estas duas Igrejas estão ligadas? Pelo espírito que as anima, não. Pela ocupação efetiva dos cargos que pertencem à Igreja, sim. Elas estão entremeadas uma na outra.

      Mas se assim é, por que não assumir essa realidade e conviver com essa dificuldade? Porque não convém estar debaixo da autoridade daqueles que não professam a integridade da fé católica. Não são os inferiores que fazem os superiores, mas sim o contrário. São os superiores que influenciam os inferiores.

      Se o Papa Francisco, se Bento XVI, se o Cardeal Burke, ou qualquer outro membro da Igreja conciliar viesse aqui para pregar, isto seria um desastre.

      Mesmo se os fiéis já impregnados de modernismo, se eles viessem em multidão em nossas missas, isto não seria bom. Aos poucos o liberalismo destes progressistas se comunicaria a nossos fiéis.

      Mas isto não é um espírito de seita?

      Não. Isto é espírito de separação.

      O católico é um homem separado do mundo. Ele está no mundo, mas ele não é do mundo. Ora, se nós podemos estar com todos no ônibus, no mercado, no dentista, nós não podemos estar com todos na hora de oferecer a Deus o Santo Sacrifício da Missa.

      Na Igreja primitiva, os catecúmenos deviam sair da igreja antes do ofertório, antes do cânon, antes do sacrifício. Os que receberam a ordem menor de porteiro devem impedir a entrada na Igreja dos indignos.

      Há, pois, sim, um espírito de separação em relação ao mundo. O progressismo, o modernismo é aberto ao mundo, ao demônio e à carne. A Tradição é fechada ao mundo, ao demônio, à carne e ao modernismo. Isso é espírito de seita? Não, isto é espírito católico. Quem não entende é talvez por que já começou a não ser católico.

      “Mas recusando estar unidos ao Papa, os senhores não estão recusando o canal pelo qual passam todas as graças que vem de Nosso Senhor?”. Recusando estar unido aos papas conciliares, nós não estamos recusando a união com a hierarquia que Nosso Senhor instituiu. Nós estamos apenas dizendo: Anátema seja quem ensinar outro Evangelho, como nos ensinou a dizer São Paulo.

      “Mas então os senhores não querem e não procuram uma normalização da situação em relação a Roma?”. Quem está em situação anormal não somos nós, mas a Roma modernista.

      Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, serão eles que virão a nós e não nós que iremos a eles.

      “Isso não é orgulho?”. Não, isso é a verdade.

      “Mas a questão canônica tem de ser resolvida?”. Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, não haverá questão canônica. Nós poremos nosso episcopado nas mãos do Santo Padre, como nos ensinou Dom Lefebvre.

      “Mas os senhores esperarão de braços cruzados o fim da crise?”. Muito pelo contrário. A Resistência reza, estuda, prega, batiza, crisma, confessa, administra a Extrema-unção, realiza matrimônios e ordena sacerdotes e oferece o Santo Sacrifício do altar e dá a Santa Comunhão. Eis aí a Igreja. Igreja perseguida pelos modernistas que excomungaram Dom Lefebvre e canonizaram João Paulo II.

      “Mas a Fraternidade, no fundo, pensa como os senhores”, dirão talvez alguns. Queira Deus que sim, mas temo que isto seja uma doce ilusão.

      Todos os fatos ocorridos desde os anos 90 até hoje indicam que há duas correntes na Tradição: a corrente dos que querem uma aproximação diplomática com Roma e a corrente dos que não querem aproximação com Roma, a não ser se Roma regressar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica.

      A corrente diplomática, que podemos chamar de liberal, é uma corrente que minimiza a crise atual. A quem perguntava a Corção se ele esperava ver ainda o fim da crise, ele respondia: “Não. Não tenho esperança senão de ver a Igreja triunfante”. Corção era então um pessimista? Não. Corção era realista. Dom Lefebvre também não esperava uma rápida mudança. Ele dizia: ‘Preparai-vos para um combate de longa duração”. Mas então, esta crise durará ainda quanto tempo? Só Deus sabe o quanto durará esta crise. Não nos foi dado saber o futuro e isso não deve nos preocupar. Nosso dever é agir corretamente e deixar o resto nas mãos de Deus.

      Penso que agimos corretamente com o Pe. Tarcísio. Penso que estamos agindo corretamente expondo as razões de nossas vivas apreensões. O resto está nas mãos de Deus. Se alguém se perturba com a ideia de que nós não somos católicos ou que nossa posição é cismática, eu diria: Onde está Nosso Senhor e Nossa Senhora aí está a Igreja. Onde está a Pascendi e o Syllabus, aí está a Igreja. Onde está o desejo de se submeter a Roma quando ela regressar à Tradição do Magistério e da fé católica, aí está a Igreja. Onde está o amor de Deus até o desprezo de si mesmo, aí está a cidade de Deus.

      Apesar de nossa indignidade, esperamos obter a graça de aí viver e morrer. Assim seja.

Dom Tomás de Aquino O.S.B.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 52

Mosteiro da Santa Cruz

24 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)



      Que questão atual poderá comparar-se em gravidade à questão da gnose, que é a doutrina da Anti-Igreja? E o que é a Anti-Igreja senão este corpo do qual o demônio é a cabeça e o maus, os membros? Estes membros, outrora dispersos, unir-se-ão progressivamente até a vinda do Anticristo, cuja oposição a Nosso Senhor e à sua Igreja será completa e aparentemente triunfante, mas seu triunfo, de curta duração. Na verdade, o verdadeiro triunfo caberá à Igreja Católica, cujos membros santificar-se-ão pela paciência e obterão a vida eterna, enquanto que o Anticristo e os que obstinadamente perseverarem em segui-lo irão para o fogo eterno em punição de seus crimes, juntamente com Lúcifer e os anjos rebeldes.

      Esta oposição entre a Igreja e a Anti-Igreja é a essência do drama que vivemos e que durante o Concílio Vaticano II opôs os bispos fiéis à Igreja aos bispos liberais imbuídos, em maior ou menor grau, das doutrinas maçônicas.

      Todo o drama entre Dom Lefebvre e a Igreja Conciliar, todo o drama que divide a Tradição a respeito dos acordos com Roma, todo o drama que caracteriza o mundo atual encontra sua explicação na irredutível oposição entre a doutrina católica e a gnose, entre a Igreja Católica e a Anti-Igreja.

      Alguns poderão achar simplista esta afirmação, mas leiam os documentos pontifícios, leiam o que os Papas ensinaram a esse respeito, e verão como o combate entre a Igreja militante e seus cruéis inimigos (o demônio, o mundo e carne) se resume nesse combate entre a Igreja e a Anti-Igreja. Que foi o Concílio Vaticano II senão o triunfo das ideias maçônicas do Estado neutro e do relativismo doutrinal? Por que Roma quis os acordos com Dom Lefebvre (que os recusou) e os quer com os superiores da Fraternidade, senão para integrá-los como integrou Campos? E integrar para quê? Para que triunfe a Anti-Igreja. Mesmo o que parece não ter conexão com este combate está ligado a ele. Que mais deseja a Anti-Igreja senão a destruição da Igreja?

      A doutrina da Igreja está consignada nos documentos do seu Magistério infalível, enquanto que a doutrina da Anti-Igreja está na gnose, a qual, carecendo de um magistério, procura uma sistematização através de autores como René Guénon, que preparam as bases doutrinais para o advento do Anticristo. Isto explica a imprecisão, mais aparente do que real, de sua doutrina, que, de fato, está ainda em vias de finalização e que não chegará nunca a uma perfeita definição, pois o erro é por natureza obscuro.

      Que Nossa Senhora, que esmagou a cabeça da serpente, nos assista e proteja contra os inimigos do reino de seu divino Filho.

+ Tomás de Aquino OSB



U.I.O.G.D

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 51


17 de fevereiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

      O Evangelho do primeiro domingo da Quaresma nos mostra Nosso Senhor em combate singular com o demônio. Isto se dá logo após o batismo de Nosso Senhor, no Jordão, para nos lembrar de que todo aquele que é batizado terá de enfrentar o demônio, que inveja os que vivem na graça divina, que é, segundo a palavra de São Pedro, uma participação da natureza divina. “Meu filho, quando entrares no serviço de Deus, persevera firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a tentação.”, diz o Eclesiástico (2,1).

      Santo Tomás indica cinco razões pelas quais a alma em estado de graça é tentada. A primeira é para ter conhecimento desta mesma graça: “Quem não é tentado, que sabe ele?” (Eclesiástico 39,9). A segunda é para reprimir a soberba, conforme as palavras de São Paulo: “E, para que a grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi-me dado o estímulo da minha carne, um anjo de Satanás, que me esbofeteia.” (II Cor. 12,7). A terceira é para confusão do demônio, para que ele saiba quão grande é a virtude do Cristo que ele não pode superar. Assim foi com Jó, do qual Deus disse ao demônio: “Não consideraste meu servo Jó?” (Jó 1,8). A quarta é para tornar mais fortes os que são tentados, como está dito no livro dos Juízes que Deus deixou inimigos no meio dos hebreus para que estes, combatendo-os, se fortalecessem. A quinta é para que o católico conheça a sua dignidade, da qual o demônio tenta privá-lo, tentando fazê-lo cair no pecado.

      Resistamos, pois, fortes na fé, como nos exorta São Pedro (I Pd. 5,9), e nesta Quaresma armemo-nos com as armas da oração e da penitência, lembrando-nos de que aqueles que combaterem segundo as leis da Igreja terão os seus nomes inscritos no livro da vida.

      Que a Virgem Santíssima, que esmagou a cabeça da serpente infernal, obtenha-nos a vitória, pelos méritos infinitos de seu divino Filho, que disse ao tentador: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás” (Mt. 4,10).  “Então, diz o Evangelho de São Mateus, os anjos se aproximaram e o serviram.” (Mt 4,11). Assim também ocorre com todos os que confiam em Deus Nosso Senhor e em sua Mãe, Maria Santíssima.



+ Tomás de Aquino OSB

  

U.I.O.G.D

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 48


27 de janeiro de 2018

“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)

      Continuando o exame de certas noções necessárias à compreensão dos escritos de Guénon e de Schuon, em vista de analisar o artigo de Olavo de Carvalho na Revista Verbum nos 1 e 2, é oportuno indicar o nome de um especialista na matéria: Jean Vaquié. Este autor escreveu: “L’imposture guénonianne. Le traditionalisme, la métaphysique, le symbolisme hétérodoxes de René Guénon.” O livro foi reeditado na França pelas Éditions ACRF, no ano passado.

      A metafísica de Guénon é inspirada no hinduísmo e constitui o fundo comum de toda a sua obra. Tentaremos aprofundar o assunto tanto quanto nos for possível, mas nada melhor do que ler os estudos já realizados sobre este tema. Jean Vaquié recebeu as felicitações de Dom Lefebvre por suas obras, nas quais ele refuta, desmascara os inimigos da Igreja infiltrados entre os católicos, como foi o caso de Guénon.

      Jean Vaquié escreveu também “L’École de l’ésotérisme moderne”, no qual ele indica  que há nos meios católicos tradicionais um grupo de intelectuais fortemente influenciados por Guénon, Schuon e A.K. Coomaraswamy. Um desses intelectuais foi Jean Borella, cujo livro, “La charité profannée”, foi imprudentemente editado e difundido por tradicionalistas.

      Os dominicanos de Avrillé, na França, fazem um excelente trabalho com sua revista “Le Sel de la Terre” e suas edições “Le Sel”, onde encontramos o livro “René Guénon jugé par la Tradition”, de Antoine de Motreff, que nos tem sido muito útil no estudo do pensamento de Guénon.

      Antes de terminar, registro a recepção de dois e-mails em defesa de Olavo de Carvalho e de seu artigo na revista Verbum. Olavo não teria exposto senão o pensamento de Guénon sem aderir a nada do que diz Guénon? É isso mesmo? Recomendamos o estudo do Rev. Pe. Joaquim FBMV sobre esta questão: “Análise do artigo de Olavo de Carvalho publicado na revista Verbum, números 1 e 2, julho e novembro de 2016”.

      Com a ajuda de Deus, voltaremos ao assunto.




+ Tomás de Aquino OSB


U.I.O.G.D

domingo, 21 de janeiro de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - nº 47

20 de janeiro de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)

Voltando ao assunto do artigo de Olavo de Carvalho na revista Verbum (números 1 e 2 de julho e novembro de 2016), recordemos algumas verdades.

Religião: só há uma verdadeira, a católica. Os milagres de Nosso Senhor, a sua doutrina e a realização das profecias a seu respeito e a respeito da Igreja o provam.

Infiéis: são os que não creem na Revelação. São os pagãos. Eles rejeitam a fé católica que nunca possuíram.

Judeus: são os que rejeitam o que em figura (Antigo Testamento) seus pais haviam crido. Abraão, Isaac e Jacó, assim como todos os santos do Antigo Testamento, creram em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Messias, e pertencem à Igreja Católica triunfante. Os judeus de hoje (judeus enquanto religião) não creem em Nosso Senhor Jesus Cristo nem pertencem à Igreja.

Hereges: são os que dão seu assentimento à doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas escolhem ou rejeitam nesta doutrina o que lhes é sugerido pela sua própria mente. Exemplo: Lutero.

Apóstatas: são os que abandonam a fé e a Igreja. Exemplo: René Guénon.

Gnósticos: aqueles que creem não em Deus – ou seja, não creem nem no que Deus revelou nem no Deus que revela -, mas no demônio (como Adão e Eva fizeram) e lhe prestam culto de uma maneira ou de outra. Em outras palavras, são os que dão fé ao que o demônio diz e não ao que Deus diz.

Ecumenismo: tal como o ensina a Igreja conciliar, é uma verdadeira heresia, que consiste em dizer que se pode salvar em e por qualquer religião. Exemplo: João Paulo II.

União transcendental das religiões: não há união transcendental das religiões. Uma religião é verdadeira ou falsa. Que união pode haver entre Cristo e Belial, entre a luz e as trevas?

Metafísica: para a verdadeira filosofia, é o estudo do “ser enquanto ser”. Alguns preferem dizer “do ente enquanto ente”, que traduz melhor o termo latino “ens”. A Metafísica estuda Deus tanto quanto Ele pode ser conhecido pelas simples forças da razão natural.

Para Guénon, Metafísica é outra coisa. Para Schuon também. Olavo diz que segue Guénon e Schuon no uso deste termo (Cf. Verbum, nº 1, pág. 41).

“La ‘metafísica’ hindú es para él (Guénon) un gnosticismo perfecto y absoluto, pues termina en el panteísmo (incluso si Guénon no cita jamás la palabra gnosis, emplea sin embargo el término sánscrito ‘jnána’, que es el equivalente, y prefiere usar el término ‘metafísica’, que ‘guenonianamente’ significa ‘conocimiento’ o… gnosis).” (Pe. Curzio Nitoglia – Jesus Christus – nº 67, página 24.)

Continuaremos o assunto se Deus quiser. Que sua graça nos assista.



+ Tomás de Aquino OSB




U.I.O.G.D

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Sermões: 24º Domingo depois de Pentecostes (2013)


Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.


PAX
XXIV Domingo depois de Pentecostes (2013)


Ao terminar o ano litúrgico, pois com este domingo se termina o ano litúrgico, a Santa Igreja põe diante de nossos olhos os acontecimentos que marcarão o final não só de um ano, mas o final de todos eles, o final de todos os tempos, ou seja, o juízo final e o começo da eternidade, eternidade que será bem diferente para uns e outros conforme as ações de uns e de outros. Os bons terão o Céu e os maus irão para o Inferno. Tanto o Céu como o Inferno são eternos. Quem entrar no Céu jamais sairá de lá. Quem entrar no Inferno também jamais sairá de lá.
Ora, tanto a epístola como o Evangelho de hoje insistem na necessidade de conhecermos a vontade de Deus sobre nós. Por esta razão, nós vamos iniciar no próximo domingo os dias de formação para todos os nossos fiéis. Todos são convidados a almoçar aqui e teremos conferências de formação no 1º domingo de cada mês.
Mas por que temos necessidade desta formação se no domingo já temos o sermão e o catecismo? A resposta está no Evangelho de hoje. Vejamos, pois, o que diz o Evangelho:

“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel, quem ler entenda. Então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; e o que se achar no terraço não desça para buscar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo, não volte para tomar sua túnica”. Façamos uma pausa.

Nosso Senhor fala aqui de dois acontecimentos ao mesmo tempo. Dois acontecimentos que têm uma mesma causa. Quais são estes dois acontecimentos e qual é esta causa comum? A causa é a recusa de crer em Nosso Senhor. Mas comecemos pelos acontecimentos e depois examinaremos melhor esta causa que é comum aos dois, razão dos domingos de formação que queremos fazer.
Nosso Senhor fala aqui da destruição do templo de Jerusalém e, ao mesmo tempo, da destruição, se possível fosse, da Santa Igreja.
O primeiro acontecimento marca o fim do reino de Israel e dos antigos sacrifícios prescritos por Moisés e que eram realizados no templo de Jerusalém. Este templo foi destruído no ano 70 quando Tito, general romano, cercou Jerusalém e venceu os judeus, matando cerca de um milhão de judeus. Pouco tempo depois o imperador Adriano acabou de destruir o que restara do templo e expulsou os judeus da região da Palestina, os dispersando pelo mundo.
Nosso Senhor prediz estes acontecimentos e aconselha aos fiéis partirem dali antes que estes acontecimentos se realizem, dando-lhes os sinais necessários para partirem antes da destruição de Jerusalém.
Entre estes sinais, Nosso Senhor fala da “abominação da desolação posta no lugar santo”. Lugar santo era o templo de Jerusalém. A abominação da desolação são os símbolos do paganismo dentro do templo, como fez Pilatos pondo os símbolos dos romanos dentro do templo de Jerusalém e como fizeram os imperadores romanos em sinal de desprezo pelo templo. Estes símbolos eram os estandartes e as estátuas dos romanos que simbolizam as doutrinas dos pagãos que consideravam os imperadores romanos como deuses. Eis aí o primeiro acontecimento predito por Nosso Senhor.
Nosso Senhor prediz não só o acontecimento, mas explica o que acontecerá antes dele para alertar os fiéis, para que eles fujam de Jerusalém antes de sua destruição, como Ló foi avisado para sair de Sodoma antes da destruição desta cidade.

Passemos agora ao segundo acontecimento predito por Nosso Senhor. Nosso Senhor prediz aqui o que acontecerá no fim do mundo. Ele nos diz as mesmas palavras: “Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação… então fujam para os montes…” Que lugar santo é este senão a Santa Igreja Católica Apostólica Romana? Que abominação da desolação é esta?
Santo Hilário nos diz que a abominação da desolação é o Anticristo. Por que tem ele este nome? Por que ele ensinará o contrário do que Nosso Senhor ensinou. Assim como Nosso Senhor Jesus Cristo veio nos ensinar a verdade, o Anticristo virá ensinar a mentira.
Mas quem é o Anticristo? É ele uma pessoa, ou um grupo de pessoas ou uma situação geral de desorientação diabólica devido à perda geral da Fé? Três possibilidades:

Ou o Anticristo é uma pessoa, um homem, o homem de pecado, um homem que se entregará totalmente ao demônio;
Ou então é um grupo de homens que dominarão o mundo, levando-o a repudiar totalmente o Cristianismo;
Ou então é uma situação geral em que todas as nações se voltarão contra Nosso Senhor Jesus Cristo e contra a Sua Santa Igreja.

Qual destas possibilidades é a verdadeira? Provavelmente as três.
Assim como Nosso Senhor teve profetas que anunciaram e preparam sua vinda, assim o Anticristo terá e já tem os seus profetas que preparam a sua vinda.
Um grupo de homens preparará a vinda do Anticristo criando uma situação favorável para o seu domínio sobre as nações e finalmente ele virá. Logo, as três possibilidades se completam:

O Anticristo é
1 – a apostasia geral
2 – um grupo de homens e
3 – um homem.

Escutemos São Paulo nos descrever estes acontecimentos que a Santa Igreja propõe hoje à nossa consideração.
“Ninguém de modo algum vos engane, porque isto não será [ele fala aqui do fim do mundo e do Juízo Final] sem que venha antes a apostasia [apostasia consiste no abandono da fé católica] e sem que tenha aparecido o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se oporá e se elevara sobre tudo o que se chama Deus ou que é adorado, de sorte que se sentará no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus.
Não vos lembrais que eu vos dizia estas coisas quando ainda estava convosco? E vós agora sabeis o que é que o retém, a fim de que seja manifestado a seu tempo. Com efeito, o mistério da iniquidade já se espera, somente falta que aquele que agora o retém, desapareça”.
Antes de continuar, digamos uma palavra sobre este impedimento do qual fala São Paulo. Algo impede o Anticristo de aparecer e de reinar. Algo o retém. O que é este algo?

Muitas hipóteses já foram levantadas. Eis duas delas que me parecem muito prováveis.
Esta barreira, este impedimento, eram as nações católicas, eram os estados pontifícios, onde o Papa era protegido pelos reis e pelo seu próprio reino pontifício. Era o poder político protegendo o papado.
Hoje o poder político é contra a Igreja. Já não existem nações oficialmente católicas. O obstáculo, a muralha protetora foi derrubada, o Anticristo pode aparecer. Ele não encontrará um exército para defender a Igreja conta seus ataques.
A segunda hipótese é a doutrina. A doutrina da Fé, a doutrina revelada, a Tradição. Enquanto Roma mantiver a Tradição, o Anticristo não pode reinar, porque os católicos unidos ao Papa como no tempo de São Pio X são um impedimento à sua aparição e ao seu domínio sobre o mundo. São Pio X e os papas até Pio XII retiveram o Anticristo, pois a Verdade é um obstáculo ao Anticristo, que só pode reinar através da mentira.

Podemos pensar que Dom Lefebvre e Dom Antônio fizeram o mesmo e retiveram o Anticristo porque mantiveram a Tradição.
A Fé católica é o impedimento. A Fé católica professada pelos bispos e pelos papas. Mas se os papas e os bispos abandonam a Fé católica, o caminho fica livre para o Anticristo. Mas como seria possível os papas e os bispos abandonarem a Fé católica? Isto é obra do liberalismo.
O liberalismo é a mais perigosa de todas as heresias. Liberalismo e modernismo são duas heresias gêmeas. Elas são como um monstro de diversas cabeças. Elas penetram na vida e na alma dos católicos de mil maneiras diferentes que vão desde a televisão e a calça comprida para as mulheres até à revolução litúrgica que destrói a missa e as fontes da graça na Igreja, passando por todas as heresias ensinadas hoje nos meios modernistas.

Mas continuemos a escutar São Paulo: “E então se manifestará esse iníquo (a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da sua vinda); a vinda dele (isto é, do Anticristo) é por obra de Satanás, com todo o poder, com sinais e prodígios mentirosos e com todas as seduções da iniquidade para aqueles que se perdem, porque não abraçaram o amor da verdade para serem salvos”.
“Por isso Deus lhes enviará o artifício do erro, de tal modo que creiam na mentira, para serem condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas se comprazeram na iniquidade.”

Logo, caríssimos irmãos, nós vemos muito claramente que tanto a destruição do templo de Jerusalém como a vinda do Anticristo têm a mesma causa: o desprezo da verdade, o desprezo e abandono d’Aquele que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Se nós quisermos salvar nossas almas, nós temos que amar e viver na Verdade. “Porque”, diz Nosso Senhor, “haverá grande aflição, qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem haverá jamais. E se esses dias não fossem abreviador, ninguém se salvaria: mas por causa dos eleitos, estes dias serão abreviados”.
Que aflição é esta da qual fala Nosso Senhor? É o desprezo da Verdade, é o abandono da Fé católica, é o abandono dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o abandono da Tradição, é o modo de pensar e o modo de viver dos quais Nosso Senhor está ausente. É o liberalismo difundido pela maçonaria como preparação da vinda do Anticristo, que será o pai da mentira como o é o demônio, do qual o Anticristo será o filho espiritual por excelência, o discípulo.

Amemos, pois, a Verdade. Amemos nossa Mãe Santíssima, ela que venceu e sempre vencerá o demônio em todas as batalhas, ela da qual está dito: “Feliz és tu que venceste todas as heresias em todo o mundo”.
Quem ama a Virgem Maria jamais será enganado e se cair em algum erro não será por muito tempo, pois ela o retirará rapidamente, pois um filho de Nossa Senhora jamais se perderá.

Que cada um de nós examine sua vida, que cada um de nós se pergunte se não está pactuando com os precursores do Anticristo pelo seu procedimento, pela sua vida, suas conversas, suas diversões e se ver que deve se corrigir, que o faça, pois o tempo é breve e o machado já está para cair sobre a raiz, e nossa vida para ser cortada, e o dia do Juízo para chegar para nós em particular e para o mundo inteiro no Juízo Final.

Que Nossa Senhora nos obtenha a salvação, eis a graça que desejo a todos nós. Assim seja.


Dom Tomás de Aquino O.S.B.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - nº XVII (17)

Mosteiro da Santa Cruz

28 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)
       Qual é o mal que se apoderou de Menzingen e tem provocado uma série de reações dentro da Fraternidade? A ilusão. A ilusão liberal. É uma ilusão pensar que nossos inimigos são amigos. É uma ilusão pensar que os inimigos do reino de Nosso Senhor Jesus Cristo irão permitir que se defenda o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

       A ilusão é o grande mal dos liberais católicos. Dom Gerard teve esta ilusão. Campos teve esta ilusão. Campos não era liberal, mas os liberais conseguiram enganar Campos e sua derrota foi total. Hoje eles vivem numa total ilusão.

       A Fraternidade corre para o abismo. Sete decanos se levantaram para adverti-la a respeito do perigo. Todos eles foram sancionados. Três superiores de comunidades religiosas se uniram aos sete decanos. Serão eles sancionados também?

       Menzingen não está contente pois está iludida. É a ilusão liberal. Ilusão que custou a vida a tantas comunidades.

       Resistamos fortes na Fé, seguindo os exemplos dos dois campeões que foram Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer. Eles não eram liberais. Eles conheciam os liberais. Eis porque sagraram quatro bispos em 1988 e continuam a iluminar os passos dos que foram sagrados em 2015, 2016 e 2017.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº XVI (16)

Mosteiro da Santa Cruz

20 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12) 

No dia 12 deste mês, em Vienna, Estado de Virgínia, nos Estados Unidos, os quatro Bispos da Resistência consagraram a Rússia ao Imaculado Coração, afim de que esta grande nação retorne ao seio da Igreja Católica. É evidente que esta consagração não realiza o pedido de Nossa Senhora, pois cabe ao Santo Padre realizar esta consagração em união com todos os Bispos do mundo. No entanto, esta consagração é o que está em nosso alcance.

A importância da conversão da Rússia é evidente. Após ter espalhado pelo mundo inteiro os erros do materialismo ateu, a Rússia é destinada a reparar os males por ela realizados, aos quais se somam os males difundidos pelos países liberais da Europa e da América. São João Bosco, pelo que lemos na revista francesa “Sous la Bannière”, número 190, predisse que a Rússia invadiria a França arvorando uma bandeira negra, que se transformaria, em seguida, em bandeira branca. Que poderia ser esta bandeira branca senão a conversão da Rússia ao Catolicismo?

Nesta mesma revista e neste mesmo artigo, lê-se que o Pe. Gruner foi contatado, em outubro de 2013, pela Embaixada da Rússia em Roma, a qual desejava saber o conteúdo exato da Mensagem de Fátima. O Pe. Gruner, já falecido, foi um grande apóstolo de Fátima, conhecido no mundo inteiro e não foi sem razão que a Embaixada da Rússia pediu-lhe informações sobre Fátima, preferindo-o, provavelmente, às autoridades do Vaticano.

Quanto mais o mal faz progressos, tanto mais Deus revela aos homens os tesouros de sua misericórdia. Que nossas orações possam apressar o triunfo do Imaculado Coração sobre a Rússia e sobre todo o mundo, a começar pela conversão dos homens da Igreja que querem sujeitá-la aos piores inimigos de Nosso Senhor.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

sábado, 13 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 14

Mosteiro da Santa Cruz

6 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12) 

       O Papa Francisco introduziu a estátua de Lutero no Palácio Apostólico. Seria isto a abominação da desolação posta no lugar santo? Sim, se a este fato acrescentarmos tudo o que se soma e que se somará ainda em matéria de heresias, erros, profanações e sacrilégios que a nova religião institui em toda parte.

       Mas é disto que fala a Sagrada Escritura, ao falar da abominação da desolação posta no lugar santo? Que é exatamente esta abominação da desolação?

       São Jerônimo passa em revista o que pode ser designado por esta expressão e fala do Anticristo e da heresia. Ora Lutero foi um herege e um precursor do Anticristo. Sua estátua no Vaticano é um sinal precursor dos maiores males preditos na Sagrada Escritura.
Que Nossa Senhora de Fátima nos proteja destes males.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D