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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Comentários Eleison DXLIII (543) - Milagres no NOM?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar

09 de dezembro de 2017


Os pastores humanos podem abandonar as ovelhas,
Mas Deus não o faz – a menos que elas mesmas queiram dormir.


Quando estes "Comentários" afirmaram no ano passado que em Sokulka, na Polônia, houve em 2008 um milagre eucarístico numa hóstia consagrada em uma Missa Nova (NOM), alguns católicos no mundo de língua inglesa negaram que tal coisa fosse possível. Quando se fez mesma afirmação recentemente em Paris (https://youtu.be/IgQnQhxmhH4), foi a vez de alguns tradicionalistas franceses questionarem a evidência científica aparente do milagre fornecida de forma independente naquele momento por dois laboratórios poloneses, os quais afirmaram que a amostra da hóstia em questão que lhes foi entregue veio do músculo do coração de um ser humano padecente de agudo sofrimento.

Em face de tais evidências, são possíveis duas linhas opostas de argumento. Tanto se pode argumentar sobre o veneno modernista do NOM que há impossibilidade intrínseca de Deus operar tal "milagre" no âmbito do NOM, como se pode argumentar desde a seriedade da evidência pela necessidade da possibilidade de a Nova Missa, as novas ordenações sacerdotais e as novas consagrações episcopais serem válidas (já que o Padre e o Bispo envolvidos foram ordenado e consagrado em 2005 e 1980, respectivamente). Alguns valentes tradicionalistas disputam de modo veemente as três possibilidades dentro da Neoigreja modernista.

O que é certo, pelo menos dentro da Igreja Católica, é que tais questões devem ser decididas pela doutrina e não pela emoção. A razão deve prevalecer – um exemplo: pilotar por instinto pode ser fatal para os aviadores. O que a doutrina da Igreja diz sobre a validade de um sacramento é que esta requer quatro coisas: um Ministro válido, Forma, Matéria e Intenção sacramental. O NOM pode excluir um destes requisitos ou todos eles, mas não exclui automaticamente nenhum deles. Onde todos os quatro estão presentes, a Nova Missa é válida. É por isso que Dom Lefebvre, que conhecia sua teologia, nunca afirmou que o NOM era automaticamente inválido. É por isso que o NOM celebrado em Sokulka não foi necessariamente inválido. É por isso que parece mais razoável argumentar desde a evidência do milagre do que desde a impossibilidade do "milagre" pela falsidade da evidência. Caso contrário, é necessária uma razão precisa para questionar o testemunho preciso dos patologistas.

A grande objeção permanece: como o Deus Todo Poderoso pode fazer milagres no âmbito do NOM, claramente projetado por seus criadores para envenenar gradualmente a fé dos católicos e assim destruir a Igreja Católica? A resposta deve ser que Deus não está em princípio autenticando o NOM, mas mantendo sua possível validez para não abandonar tantas ovelhas católicas que ainda assistem a ele com relativa ignorância e inocência em relação ao veneno; e, portanto, Ele está basicamente alertando as ovelhas e os pastores, para que se lembrem de que Ele mesmo está presente sob as aparências do pão e do vinho.

Quando se tem em mente a doutrina católica pela qual o NOM pode ser válido; quando se traz à memória os dizeres de São Paulo dizer segundo os quais qualquer um que participe indignamente da Sagrada Eucaristia é "réu do Corpo e do Sangue do Senhor" (I Cor. XI, 27-39); e quando se vê quão generalizada na Neoigreja é a falta de respeito pela Presença Real, então, vemos imediatamente o quão necessária para a salvação de muitas almas pode ser uma advertência como o milagre em Sokulka. O pároco mesmo dá testemunho de como aumentou o nível de fé e da prática católica em toda o entorno daquela região.

Mas o objetor insiste: como poderia Deus permitir que um tal rito envenenado da Missa seja válido?


Resposta: Ele não tira o livre arbítrio dos homens, mas permite-nos em larga escala fazermos o que queremos. Neste caso, os neomodernistas queriam (e ainda querem) um Rito da Missa que seja envenenado o suficiente para matar a verdadeira Igreja em longo prazo, mas ainda católico o suficiente para enganar, no curto prazo, católicos ignorantes e inocentes que ainda confiam no que seus pastores dizem, como, por exemplo, que o NOM é o "rito Ordinário” da Igreja. O NOM nunca teria obtido aceitação na Igreja Universal se tivesse sido óbvio desde o início que era automaticamente inválido.


Kyrie eleison.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Comentários Eleison CDXC (490) - Milagres no NOM?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin

03 de dezembro de 2016
Católicos tradicionalistas devem ter a mente aberta:
Não somente a falta de Fé eles deixaram para trás.



Ano passado, nos Estados Unidos, suscitou-se uma séria controvérsia sobre se Deus pode fazer milagres dentro do âmbito da Missa Novus Ordo. Ora, se Deus realmente faz milagres sobrenaturais, é obviamente para que eles sejam cridos, e para que fortaleçam a fé sobrenatural das pessoas. E se Ele quer que algo fora da ordem natural seja crido, obviamente providenciará suficiente evidência para tal, como Lázaro saindo de sua tumba em frente a uma multidão de espectadores. Neste sentido, a evidência mais convincente é aquela de gênero material e físico, que de nenhum modo pode ser produzida por qualquer mente humana, por mais piedosa que seja, como o espetáculo luminoso do sol no outubro de 1917, em Fátima. Assim, qual é a evidência material e física de um milagre eucarístico que tenha ocorrido em qualquer Missa Novus Ordo?

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ainda esclarecendo dúvidas, por S.E.R. Dom Tomás de Aquino, OSB

+
PAX

                No Catecismo de São Pio X está dito que somente a Santa Igreja Católica recebeu o carisma de fazer milagres. Isto nunca será dado por Deus às falsas religiões porque Deus nunca favorecerá o erro, caso contrário Ele não seria Deus.

                Pergunta-se então como pode-se conceber um milagre numa Missa Nova ou mesmo entre pessoas que não são católicas? Isto é possível? Se for para a conversão destas pessoas não há nenhum impedimento. Os milagres são realizados por Deus para confirmar a verdade e assim fazendo conduzir as almas a Deus, ou seja, à Igreja Católica pois a Igreja Católica é a reunião das almas que estão unidas a Deus aqui na terra, no Purgatório e no Céu.

                Se a mula de Balaão falou foi para demonstrar que Deus abençoava o povo de Israel, figura e início da Santa Igreja Católica, e impedia que Balaão o amaldiçoasse como era sua intenção.

                Se houve milagre eucarístico na Nova Missa foi para a conversão dos que o presenciaram ou que tiveram notícia dele. Que seja certo que tenha havido milagre ou não, isto não pertence às verdades nas quais temos que crer para nos salvar. Que seja possível um milagre eucarístico, caso tenha havido consagração, é uma afirmação que pode ser defendida sem incorrer a nota de heresia. Se alguém não crer nesse milagre ou se ele achar inconveniente que ele tenha ocorrido numa Missa Nova, ele não incorre em nenhuma reprovação do ponto de vista da fé católica. A questão de saber se houve realmente milagre ou não houve é uma questão aberta. Quem se interessar por ela que procure as provas que demonstram a realidade ou a impostura deste “milagre”. Mas afirmar que uma hóstia consagrada e profanada não possa sangrar para a conversão dos padres e dos fiéis afim de que eles abandonem o modernismo e venham para a Tradição não parece sensato.

                Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons. Isto é de fé, pois é Nosso Senhor Ele mesmo que o afirma. Isto é o bom senso mesmo, pois um espinheiro não pode dar os frutos que só a figueira pode dar.

                Logo, devemos concluir que nenhum bem poderá haver entre os infiéis, os protestantes e os modernistas? A questão não é tão simples assim. Santo Tomás diz que a árvore má é a vontade perversa e portanto devemos concluir que nada de bom pode sair da vontade perversa do demônio e dos que entregaram sua alma a ele. Nada de bom podia sair da inveja de Caim contra Abel. Nada de bom podia sair do ódio e da incredulidade dos fariseus contra Nosso Senhor. No entanto nem todo aquele que está na Igreja Conciliar vive do ódio, da inveja e da incredulidade. Alguns ainda querem se confessar, rezar e melhorar. Há ainda, provavelmente, árvores boas entre os progressistas, apesar do Progressismo; almas que estão lá mas não são de lá. As almas são ora movidas pelo espírito bom (do qual não pode proceder nenhum fruto mal), ora pelo espírito mal (do qual nenhum fruto bom pode proceder). Mas talvez nos perguntem. E da Nova Missa? E dos novos Sacramentos? Pode sair frutos bons destas árvores ruins? A resposta não é simples. É preciso distinguir entre o rito e o sacramento. Nós costumamos completar o rito do Batismo porque ele foi mutilado. Mas não refazemos o Batismo pois se ele foi válido, ele não pode ser dado novamente sem grave ofensa à Deus. Logo, o Batismo, mesmo entre os progressistas tem algo bom e muito bom, que é o fato de apagar o Pecado Original e nos tornar filhos de Deus, templos da Santíssima Trindade e algo mal que é a omissão dos exorcismos presentes no rito antigo. O mesmo se diga da Missa Nova. Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer pensavam que ela podia ser válida quando todas as condições necessárias para isto estivessem reunidas. Mas nem por isso eles deixaram de condená-la porque a Missa Nova conduz à heresia por causa do seu rito. Rito ruim, sacramento bom, quando há sacramento.

                Outra dúvida. O bem e o mal entrelaçados? A Igreja Nova e a Igreja Católica entrelaçadas? Quem diz entrelaçadas, diz união e amizade. Não! Jamais a Igreja Católica estará unida por laços de amizade à Nova Igreja. Mas entrelaçada significa também laçada, presa, amarrada e isto sim. Isto é o que acontece. Os inimigos da Igreja a tomaram, a reduziram à escravidão, por assim dizer. Excomungaram Dom Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, destronaram Nosso Senhor Jesus Cristo de seu reino sobre as nações. Entrelaçadas sim, mas desta forma. Quanto ao que inspira uma e outra, não. Elas se opõem e se opõem totalmente.

                Mas isto não é tudo. Há também o fato de que há pessoas que estão na Igreja Conciliar pensando que estão na Igreja Católica. Eles tem algo de católico pois muitos foram batizados validamente. Muitos crêem em Nosso Senhor. Muitos estão iludidos. Eles correm o perigo de perder a fé, mas nem todos já perderam a fé. Situação delicada, difícil, penosa, confusa. Sim. Paciência. Trabalhemos para ajudar estas almas. Trabalhemos para abandonar o que há ainda de liberalismo também em nós, pois cada vez que pecamos nós agimos como um liberal que se libera da lei de Deus e que, portanto, dá um fruto mau, apesar de não ser necessariamente uma árvore má.

                Que Nossa Senhora nos guie sempre pois seguindo-a ninguém se perderá. Assim seja.


+ Tomás de Aquino OSB

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Em defesa de Dom Williamson - II

Os ataques a Dom Williamson se baseiam em seus escritos e em suas palavras. Examinemos alguns escritos. Seus críticos mais tenazes alegam que é preciso ver o conjunto e concluir pela heterodoxia de Dom Williamson. Se eu fosse comentar cada acusação, uma por uma, isto tomaria um tempo do qual não disponho. Examino aqui apenas uma ideia de Dom Williamson.

Ele diz no Eleison 437 que as “ovelhas” dominadas pelo mundanismo moderno perderam, como punição, o verdadeiro rito da Missa; mas, nem sempre, perderam a missa válida e isto “em recompensa a seu desejo da missa”.

Deve-se daí concluir que a Missa Nova é boa? Não, de modo algum. Mas se deve concluir que Dom Williamson disse que a Missa Nova é boa? Não, de modo algum. Mas então não se deve concluir que há algo de bom na Nova Missa? Sim: Nosso Senhor presente na hóstia consagrada e a renovação incruenta do sacrifício do Calvário quando ela é válida. Mas isto não é absurdo? De modo algum. Mas falando disso não se está induzindo os fiéis a assistirem a Missa Nova? Não. Mas dizendo que alguns, por desejo da missa, não foram privados de uma missa válida, não se está dizendo um absurdo? Também não. Pessoas como Gustavo Corção e quase todos os membros da Permanência no Brasil e da “Cité Catholique” na França assistiam ou assistiram a Missa Nova no início dos anos 70 e a maior parte dos membros da Resistência no Brasil já fizeram o mesmo antes de conhecerem a Tradição. Podemos pensar que, entre tantas pessoas, alguns tenham feito comunhões bem feitas e tenham tirado proveito destas comunhões caso tenham assistido missas válidas ainda que fossem no Novus Ordo. Dom Lefebvre e Dom Antônio nunca negaram esta possibilidade. Penso que Gustavo Corção, meus pais e irmãos, a família Fleischman e tantas outras receberam alguma graça destas comunhões. Mas isto é uma heresia, dirão alguns, ou, ao menos, uma mudança de discurso. Não creio. Isto é um aspecto da confusão na qual vivemos. Isto sim; “As verdades estão diminuídas entre os filhos dos homens” diz o Salmo (11,2).

                Felizes os que receberam a graça de compreender a questão da missa. Corção compreendeu sua malignidade desde o início, mas que não devia assisti-la, ele só o compreendeu depois. Ele levou cerca de quatro anos para tomar a decisão de não ir mais a essa missa. Ele só a tomou depois que Jean Madiran veio da França para lhe falar do assunto, pelo que me lembro ter ouvido. Era Corção um herege? Não. Um mal católico? Também não. Tirou ele algum fruto de suas comunhões diárias (ele ia à Missa todos os dias) na Nova Missa? Creio que sim. Era uma recompensa pelo seu desejo de ter uma missa válida para assistir? É difícil responder. Talvez fosse. Mas ele entendeu que não devia ir pois este rito conduz à heresia e é um mau exemplo ir à Missa Nova. Então ele não foi mais. O Rio de Janeiro acabou tendo a Missa de Sempre, codificada por São Pio V.

                Que concluir disso? Eu concluo que não há porque lançar D. Williamson (e Corção igualmente) na fogueira. Nem um nem outro são hereges. Um demorou a entender que não devia ir à Missa Nova e outro procurou dar uma explicação para este fato. Tanto um como outro me parecem igualmente católicos e igualmente antiliberais pois ambos condenaram a Missa Nova e defenderam a Missa de Sempre.

ir. Tomás de Aquino, OSB

domingo, 31 de janeiro de 2016

Comentários Eleison CDXLVII (447) - Hospedeiro e Parasita II

De uma mãe leprosa alguns filhos desertarão,
Outros que não forem alertados, demasiadamente se aproximarão.

Há duas semanas, estes “Comentários” voltaram a pisar em campo minado e defenderam a posição de que ainda existe algo de católico no que se tornou a Igreja Católica desde o Vaticano II. Esta posição é altamente disputada. Por exemplo, de um lado os atuais líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X agem como se a Igreja oficial em Roma fosse ainda tão católica que a FSSPX não pudesse atuar sem seu reconhecimento oficial. Do outro lado, muitas almas que realmente possuem a fé católica repudiam absolutamente a ideia de que ainda resta algo de católico na “Igreja”, agora comandada pelo “Papa” Francisco. O que segue é somente uma tentativa de discernir que verdade pode estar em ambos os lados.

No coração do problema está o modernismo, que foi a doença essencial do Vaticano II. O modernismo é necessariamente, por sua natureza, um animal singularmente escorregadio. Isto porque seu princípio básico é adaptar o catolicismo ao mundo moderno intrinsecamente anticatólico. Assim, Papas conciliares como “Paulo VI” e “Bento XVI” queriam romper e não romper com a Tradição Católica. Para qualquer mente sã isto é impossível porque é contraditório. Mas, dado que estes papas foram eleitos para corresponder ao mundo moderno, eles já não têm mentes sãs. Ao contrário, possuem a contradição da realidade em sua corrente sanguínea. E dado que tiveram aproximadamente 50 anos para conformar a Igreja à sua insanidade, de cima para baixo, uma Igreja tão diferente emergiu a partir da Igreja pré-conciliar, que ela realmente merece o nome de Neoigreja.

Mais ainda, mesmo onde uma prática pré-conciliar é mantida na Neoigreja atual, por exemplo, a Benção do Santíssimo Sacramento, o fundamento mental que descansa nas cabeças daqueles que assistem é passível de ser qualquer coisa que não sólido, porque a doutrina da Real Presença é agora tanto tradicional como não tradicional, já que a consagração é realizada por sacerdotes atualizados, que são ambos, sacerdotes e não sacerdotes. São sacerdotes se você quiser, mas também, ao mesmo tempo, meros presidentes se você quiser. O que quer que você sinta como tal é o que se considera verdadeiro, porque a mente está desenganchada da realidade objetiva. Está nadando em sentimentos agradáveis e subjetivos, e está inconsciente do que está fazendo porque (quase) todos o fazem. Para qualquer um que tem a Fé real, tal carência de objetividade está longe de ser agradável: é nauseante. Não é de estranhar que tais almas possam repudiar a totalidade da Neoigreja.

Mas se alguém respeita a realidade, está obrigado a admitir que ainda há fé na Neoigreja. Um leigo disse-me que seu pai tem ido fielmente ao NOM pelos últimos 45 anos, e ele ainda mantém a fé. Um padre me contou que se lembrava de uma leiga apresentando ao próprio Arcebispo Lefebvre suas razões sobre a necessidade que tinha de assistir ao NOM, e ele só encolheu os ombros. E eu poderia multiplicar esses testemunhos que chegaram a mim sobre a fé católica sobrevivendo a ataques de tudo o que é errado no NOM. A razão para tais testemunhos serem reais deveria ser óbvia. 

Como uma parte essencial da religião subjetiva e ambígua, o NOM pode ser o que você faz dele. Um padre pode celebrá-lo “decentemente”, um católico pode assisti-lo “devotamente”. As aspas são para aplacar os linha-duras que insistirão que com o NOM não pode haver nem verdadeira decência nem verdadeira devoção. Mas quando eles dizem tais coisas, penso que estão indo contra a realidade. Graças a Deus, Deus é juiz! Não há dúvida que o NOM, como se apresenta, está constantemente minando e erodindo a decência e a devoção católicas, mas dizer que não restou absolutamente nada disso na “Neoigreja” parece-se ser um grave exagero.

Não é que os líderes da FSSPX estão certos em querer ser reincorporados à Neoigreja. Longe disso. Quaisquer ovelhas ali dentro que ainda não estejam infectadas pelo subjetivismo, estão abertas ao terrível perigo. Nem os pastores estão imunes. Ai dos bispos que falharam em manter o subjetivismo fora da Igreja católica! Estes carregam uma responsabilidade tremenda.

Kyrie eleison.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Em defesa de Dom Williamson (I), por D. Tomás de Aquino

Dom Williamson escreveu no seu Comentário Eleison 438: “Se a evidência dos milagres ocorridos dentro da Igreja do Novus Ordo é tão séria quanto parece, então os católicos têm de conformar suas mentes à mente de Deus, e não o inverso."


Muitos atacaram Dom Williamson por causa destes comentários a respeito do possível milagre eucarístico ocorrido em Buenos Aires. Entre os argumentos utilizados retenho os seguintes:

1- Fora da Igreja não pode haver milagres. A Igreja conciliar não é a Igreja católica. Logo não houve milagre em Buenos Aires.
2-Ninguém age sem um fim. Um milagre na Missa Nova não poderia ter outro fim senão induzir os fiéis a assistirem a Missa Nova. Logo não houve milagre em Buenos Aires.
3-O milagre é a assinatura de Deus. Deus não pode assinar uma heresia. A Missa Nova favorece a heresia. Logo não houve milagre em Buenos Aires.

Vejamos cada um desses argumentos.

1- O primeiro simplifica em demasia a questão e simplificando-a ele confunde duas questões. Uma é a de saber se pode ou não haver milagres fora da Igreja. A outra é a de se saber se a Igreja conciliar é totalmente alheia à Igreja católica ou não.

À primeira questão deve-se responder com santo Tomás que sim. Pode haver milagres "fora da Igreja" dentro de certas condições. Veja-se os artigos do Prof. Carlos Nougué a esse respeito. O que Deus não faz é confirmar o erro ou o vício com um milagre, mas ele pode confirmar a verdade ou a virtude com um milagre, e isto, mesmo entre os pagãos. Se alguns bens foram realizados entre os pagãos, estes bens foram realizados por inspiração ou ação de Deus (cf. De Potentia, questão VI, artigo V, ad 5um). No mesmo artigo santo Tomás diz ser possível que Deus tenha feito um milagre para atestar a castidade de uma virgem pagã. Pode-se lembrar também o milagre da mula de Balaão que falou distintamente como se lê nas Sagradas Escrituras. Ora Balaão era um mago pagão. A mula falou porque Deus queria adverti-lo de não levar adiante seu intento de amaldiçoar os judeus. (Num XXII)

À segunda pergunta deve-se responder que as autoridades da Igreja conciliar, constituem uma seita modernista a qual, ocupando os postos chaves da Igreja, a mantêm cativa. Não se pode dizer de maneira absoluta nem que a Igreja conciliar seja a Igreja católica, nem que ela não o seja. Pela doutrina modernista e a intenção de destruir a Igreja católica ela não o é, evidentemente; mas pelo fato de deter em seu poder uma jurisdição que pertence à Igreja católica, ela tem algo de católico em seu poder. Se o Papa atual se convertesse ele exerceria catolicamente um poder que hoje ele exerce modernisticamente.
Esta parece-me ter sido a posição que Dom Lefebvre sempre adotou.

2- Ninguém age sem um fim. Mas que fim Deus poderia ter fazendo um milagre na Missa Nova?

Dom Faure já respondeu a esta pergunta. Se Nosso Senhor está presente na hóstia consagrada numa Missa Nova com o agravante desta hóstia ter sido profanada não parece absurdo que Deus faça um milagre para indicar a gravidade desta profanação.

Mas, dirão alguns, Dom Williamson citou também um suposto milagre ocorrido na Polônia. O mesmo raciocínio se impõe. Onde há presença real pode haver milagre sem se faltar com a verdade.

Mas não seria isso aprovar a Missa Nova?
Não, assim como não é aprovar o paganismo que demostrar, através de um milagre, a inocência de uma virgem pagã.

3- O milagre é uma assinatura de Deus e Deus não pode assinar uma heresia. Mas este milagre, se milagre houve, não é uma assinatura do novo rito da missa mas sim da presença real. O sacramento recebido na Igreja conciliar pode ser verdadeiro e a doutrina que o acompanha pode ser falsa. Mas são duas coisas distintas. Uma não anula a outra. Afirmar um, mesmo com milagre, não é afirmar o outro, como provar a inocência de uma virgem pagã não é aprovar o paganismo.

Os argumentos apresentados não me parecem conclusivos. Seja como for, eles não podem servir para desacreditar Dom Williamson que permanece o Bispo que se opôs à política suicidária dos acordistas e que sagrou Dom Faure, ordenou padres para a Resistência, confirmou inúmeros fieis dando assim a todos a esperança de continuar o bom combate de Dom Lefebvre que não é outro senão o bom combate da Santa Igreja una, católica, apostólica e romana e, como dizia São Pio X, perseguida.


Ir. Tomás de Aquino O.S.B

sábado, 23 de janeiro de 2016

Comentários Eleison CDXLV (445) - Hospedeiro e Parasita I

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (Blog Borboletas ao Luar)


Assim como sem o bem o mal não existe,
Sem a verdadeira Igreja a Neoigreja não subsiste.


O motivo de eu ter dito seis meses atrás que um padre não está obrigado, em todas as situações, a proibir um católico de assistir à Nova Missa (NOM) não foi obviamente afirmar que está tudo perfeitamente bem em assistir ao NOM. O rito da Nova Missa é, em si mesmo, o ato central de culto da falsa religião do Vaticano II centrada no homem, cujo despertar se deu em 1969. De fato, a obrigação de manter-se longe do NOM é proporcional ao conhecimento que uma pessoa tenha sobre quão mal ele é. O NOM tem contribuído enormemente para que um incontável número de católicos perca a fé quase sem perceber.

Mas existem dois fatores que, mesmo nos dias de hoje, têm tornado mais fácil os católicos serem enganados pelo NOM. Em primeiro lugar, ele foi imposto a toda a Igreja de rito latino, porque o Papa Paulo VI fez de tudo que pôde para parecer que o rito fora imposto pela força de sua autoridade papal, a qual em 1969 parecia imensa. Ainda hoje o NOM passa como o rito “ordinário”, enquanto a Missa de sempre é oficialmente reduzida a um rito “extraordinário’. Desse modo, mesmo 47 anos depois, um católico honesto pode sentir-se ainda obrigado pela obediência a assistir ao NOM. É claro que na realidade não pode haver tal obrigação, porque nenhuma lei da Igreja pode obrigar um católico a pôr sua fé em perigo, o que ele normalmente faria se fosse ao NOM, tamanha é a falsidade deste.

Em segundo lugar, o NOM foi introduzido paulatina e notavelmente, por uma série de mudanças habilidosamente graduadas, em 1962, 1964 e 1967, de modo que a revolução generalizada de 1969 encontrou católicos prontos para a novidade. De fato, ainda hoje o rito do NOM inclui opções para o celebrante, que torna a este possível celebrá-lo como uma cerimônia de puro sangue da nova religião humanista, ou como uma cerimônia que lembra a verdadeira Missa, semelhante o suficiente para enganar muitos católicos, fazendo-os acreditar que não há diferença significante entre o velho e o novo rito. É claro que na realidade, como Monsenhor Lefebvre sempre dizia, é melhor o velho rito numa língua moderna, que o novo rito em latim, por causa da diminuição ou clara falsificação da doutrina católica da Missa no NOM.

Além destes dois fatores, a imposição oficial das mudanças e o caráter às vezes opcional destas, intrínsecos ao NOM, são mais que suficientes para explicar porque hoje deve haver milhares de católicos que querem e pretendem ser católicos ainda que assumam que a maneira correta de agir é assistir ao NOM todo domingo. E quem ousará dizer que em meio a essa multidão não há pessoas que ainda estejam alimentando sua fé obedecendo o que lhes parece ser (subjetivamente) sua obrigação (objetiva)? Deus é seu juiz, mas por quantos anos simplesmente a maioria dos seguidores da Tradição católica não teve de ir ao NOM antes de compreender que sua fé a obrigava a não fazer isto? E se o NOM os tivesse feito perder a fé por todos estes anos, como teriam eles chegado à Tradição católica? Dependendo de como o celebrante usa as opções do NOM, nem todos os elementos que podem nutrir a fé são necessariamente eliminados, especialmente se a consagração é válida, uma possibilidade que ninguém que saiba sua teologia sacramental pode negar.

Entretanto, dados a fraqueza da natureza humana e o risco de encorajar os católicos a seguirem a nova e fácil religião por causa destas últimas palavras ditas em favor de seu rito central de culto, por que então dizer uma palavra em favor de qualquer característica da Neoigreja? Por ao menos duas razões. Em segundo lugar, para afastar o desprezo potencialmente farisaico em relação aos crentes que estão fora do movimento tradicional; e, em primeiro lugar, para afastar o que começa a ser chamado de “eclesiavacantismo”, a saber, a ideia de que na Neoigreja não restou nada de católico. Em teoria, a Neoigreja é pura podridão, mas na prática essa podridão não pode existir sem algo que ainda não apodreceu e que está ali com potência para apodrecer. Todo parasita necessita de um hospedeiro. Tendo esse particular hospedeiro: a verdadeira Igreja, desaparecido completamente, não teriam então as portas do inferno prevalecido sobre ela? Mas isto é impossível (Mt. XVI, 18).
                                                                                                                                          
Kyrie eleison.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

“Como é possível milagre fora da Igreja Católica”, pelo Cardeal Lépicier*

Prof. Carlos Nougué


«Põe-se aqui uma grave questão: pode haver milagre fora da Igreja Católica? Nossa resposta é que se pode, em verdade, sustentar a possibilidade e até a existência de verdadeiros milagres fora da religião católica. Isso não pode dar-se por uma lei ordinária, mas somente por exceção e em casos isolados, e jamais fora do fim que distingue a verdadeira religião de Jesus Cristo. Por isso dizemos que o milagre pode dar-se fora do corpo desta religião, mas não fora de sua alma. Como fato sistemático, que constitui, por assim dizer, um sistema, um todo harmonioso governado por princípios invariáveis e por uma lei fixa, o milagre existe somente na religião que se intitula universal ou católica, porque fundada pela Causa Primeira que reuniu tudo, e em favor da qual foram operados os milagres mesmos da antiga lei.

Em verdade, pode admitir-se que, de maneira excepcional, e em casos isolados, o milagre se dê fora do corpo da religião católica, sendo livre o Espírito Santo para escolher seus instrumentos por onde quer que queira. Isso não deve constituir nenhuma dificuldade, sobretudo se o taumaturgo é um homem de vida santa e não busca outra coisa em suas obras que a honra de Deus.

Será bom, a este respeito, lembrar aqui o que lemos em São Marcos. Tendo dito a Jesus o Apóstolo João: “Mestre, vimos um homem, que não vai conosco, expulsar os demônios em vosso nome, e lho impedimos”, Nosso Senhor falou nestes termos: “Não o impeçais, pois ninguém pode fazer milagre em meu nome e logo depois falar mal de mim. Quem não é contra vós é por vós”. Isto equivale a dizer que, se algum milagre se cumpre por um homem fora do corpo da Igreja de Jesus Cristo, tal fato é necessariamente ordenado à manifestação da verdade pregada pelo Salvador, e de modo algum em favor do erro.

É neste sentido que se devem explicar os milagres atribuídos, em tempos muito próximos dos nossos, a um padre ortodoxo grego de grande piedade, chamado Ivã ou João Serguief, da principal igreja de Cronstadt. A fama de santidade deste padre era tal que, no mês de outubro de 1894, o imperador Alexandre III, morrendo, o chamou na esperança de obter por sua intercessão um alívio para seus sofrimentos.

Tais milagres, supondo-os autênticos, seriam fatos isolados, cumpridos aparentemente fora da Igreja Católica, mas lhe pertenceriam de direito, porque não tinham por objeto a confirmação de uma falsa doutrina, mas antes a recompensa de uma santidade em harmonia com os princípios proclamados precisamente pela Igreja Católica. Tais milagres teriam tido pois por fim fornecer novas provas da existência da ordem sobrenatural.

Santo Agostinho expõe luminosamente esta verdade quando, comentando precisamente o fato contado por São Marcos na passagem há pouco citada, explica que as palavras pronunciadas então por Nosso Senhor: “Quem não é contra vós é por vós”, não contradizem as referidas em São Mateus: “Quem não está comigo é contra mim”. “Nesse caso”, diz o santo Doutor de Hipona (o daquele que expulsara o demônio), “ele não era contra os discípulos, mas, ao contrário, era por eles, enquanto operava curas pelo nome de Cristo... Ele devia ser confirmado na veneração de tal nome e, portanto, não era contra Igreja, mas pela Igreja.” Lembremos ainda, aqui, o episódio tão interessante contado no livro dos Números. Dois indivíduos, Eldad e Medad, embora não tivessem ido com os outros ao tabernáculo, profetizaram todavia no campo na ausência e sem o conhecimento de Moisés. O chefe do povo de Deus, tendo-o sabido, quis que eles fossem deixados livres para profetizar.»




* * *


1) Ademais, “A generalidade dos Padres e dos teólogos admitiu a possibilidade de milagres entre os hereges”, como se lê no prestigioso DTC: 


2) Por fim, como nos escreveu um sacerdote, “o milagre da liquefação do sangue de São Genaro, que desde há 45 anos se vem produzindo no âmbito do Novus Ordo, devemos atribuí-lo agora aos demônios? Diga-se o mesmo do milagre permanente da conservação da tilma de Guadalupe. Segundo os que negam a possibilidade de milagre no âmbito da Igreja conciliar, esse tecido já deveria ter-se desfeito ‘porque Deus não pode aprovar o N.O.’. E assim com os muitos milagres permanentes na Igreja conciliar em todo o mundo” – e que de modo algum, acrescentamos, se ordenam a aprovar a Igreja conciliar no que tem de conciliar, senão que se ordenam à manifestação da verdade sobrenatural da Igreja Católica.


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* Sobre el Card. Lépicier: 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Comentários Eleison CDXXXVII (437) - Novus Ordo Missae – II

Por Dom Richard Nelson Williamson

Tradução: Cristoph Klug
28 de novembro de 2015

Os milagres eucarísticos estão onde
Deus Mesmo verdadeiramente se esconde.

Os fatos são obstinados – sempre e quando são fatos. Se leitores duvidam que o milagre eucarístico de 1996 em Buenos Aires é um fato, que eles realizem sua própria investigação: comecem, por exemplo, com http://youtu.be/3gPAbD43fTI. Mas se sua investigação deste caso os deixa sem se convencer, que eles então busquem o caso paralelo de Sokólka na Polônia onde todo um centro de peregrinação tem surgido em torno de um milagre eucarístico em 2008: vejam, por exemplo, jloughnan.tripod.com/sokolka.htm. E um pouco mais de investigação na internet descobrirá seguramente mais notícias dos tais milagres Novus Ordo, e ao menos alguns deles pareceriam autênticos.

Mas, como isso é possível? Os Católicos Tradicionais absorvem desde o início que o novo rito da Missa (NOM) é uma abominação aos olhos de Deus, e que tem ajudado a inúmeros Católicos a perder a Fé. Pois o NOM, tanto como o Vaticano II que ele seguiu, é ambíguo, favorece a heresia e tem conduzido a inumeráveis almas para fora da Igreja, para as quais a assistência regular ao rito protestantizado tem-nas convertido praticamente em protestantes. A maioria dos católicos tradicionais devem estar familiarizados com os sérios problemas doutrinais deste novo rito, elaborado para diminuir as doutrinas católicas essenciais da Presença Real, do Sacrifício propiciatório e do sacerdócio sacrificante, entre outros. Então, como pode Deus realizar milagres eucarísticos com este rito, tal como ele que fez de Sokólka um centro nacional de peregrinação para toda a Polônia?

Doutrinalmente, o NOM é ambíguo, num equilíbrio suspenso entre a religião de Deus e a religião Conciliar do homem. Porém, em questões de fé, a ambiguidade é mortal por estar normalmente feita para destruir a fé, como faz frequentemente o NOM. Mas como a ambiguidade está precisamente aberta a duas interpretações, assim o NOM não excluiu absolutamente a antiga religião. Através de um sacerdote devoto, suas ambiguidades podem ser todas dirigidas à direção antiga. Isso não torna o NOM aceitável como tal, porque sua ambiguidade intrínseca ainda favorece à nova direção, mas significa, por exemplo, que a Consagração pode mesmo assim ser válida, como Monsenhor Lefebvre nunca o negou. Mais ainda, se os milagres eucarísticos são genuínos, claramente nem todas as Consagrações de bispos Novus Ordo nem Ordenações de sacerdotes Novus Ordo são inválidas, Resumindo, o NOM como tal é mau como um todo, mau em partes, mas não mau em todas as suas partes.

Contudo, imaginemos com o maior dos respeitos, como Deus Todo-Poderoso se posiciona sobre o novo rito da Missa. Por um lado, Deus ama à Sua Igreja como a menina de Seus olhos e a preservará até o fim do mundo (Mt. XVI, 18). Por outro lado, Ele escolheu confiar seu governo a homens da Igreja humanos e falíveis, aos quais Ele guiará, mas a cujo livre arbítrio outorga evidentemente um grau notável de jogo livre para governá-la bem ou mal, começando com a traição a Seu próprio Filho. Agora, em tempos modernos, a Revolução, seja judaica, maçônica, comunista ou globalista, encontra seu principal adversário em Sua Igreja tem convertido especialmente os líderes da Igreja para destruir à Igreja. Seu êxito mais terrível foi o Vaticano II e sua NOM, os quais foram seguramente muitos mais pela culpa dos pastores que de suas ovelhas. “A fortaleza foi traída por aqueles mesmos que a deviam defendê-la”, disse São João Fisher em um momento paralelo da Reforma. Então, como cuidará Deus de Suas ovelhas, muitas das quais – não todas – são relativamente inocentes da traição Conciliar?

Depois do Vaticano II, alguns sacerdotes e leigos tiveram a graça de ver imediatamente que era como traição, e em uns poucos anos o movimento tradicional estava caminhando. A outras ovelhas Deus lhes conheceu a graça de percebê-lo mais tarde. Porém, não podemos todos admitir que há muitos bons católicos que confiaram em seus bispos, como bons católicos normalmente devem fazer? E, não é que todos estes bispos insistiram na mentira de que o NOM não era diferente da verdadeira Missa? O que especificou ao Vaticano II e à NOM foi precisamente a oficialização da heresia modernista dentro da Igreja. Então, não é que tem sentido que em castigo por sua mundanidade moderna estas ovelhas amplamente perderiam o verdadeiro rito da Missa, enquanto que em recompensa por seu desejo da Missa elas não perderiam uma Missa válida? Sem dúvida, o futuro da Igreja depende das almas que compreendem a essência da Revolução, e repudiam absolutamente todas as ambiguidades do Vaticano II e do NOM.


Comentários Eleison CDXXXVI (436) - Novus Ordo Missae – I

Por Monsenhor Richard Nelson Williamson

Tradução: Cristoph Klug
21 de novembro de 2015

Deus tem realizado milagres com a Nova Missa?
Quê!? Pois isso é o que sugere a pesquisa.

“Os fatos são coisas obstinadas” é uma famosa frase do segundo Presidente dos Estados Unidos, John Adams (1735–1826), “e quaisquer que sejam nossos desejos, nossas inclinações ou os ditames de nossa paixão, não podem alterar o estado dos fatos e a evidência.”. Concernente ao Novo Ordinário da Missa imposto para a Igreja inteira por Paulo VI em 1969, existem alguns fatos obstinados aptos a perturbar os “desejos e inclinações” dos católicos adeptos pela Tradição católica. Que sucessivos números destes “Comentários” mostrem, em primeiro lugar, alguns destes fatos; em segundo lugar vejamos como podem ser explicados, apesar do desastroso papel jogado durante os últimos 46 anos pelo NOM em ajudar aos católicos a perderem a Fé; e em terceiro lugar deliberemos sobre que conclusões deve um católico sábio tirar. Primeiro de tudo, alguns fatos:—

Em 18 de agosto de 1996, na Igreja Paroquial de Santa María no centro de Buenos Aires, o padre Alejandro Pezet terminava de distribuir a comunhão (de uma Missa nova, possivelmente), quando uma mulher lhe disse que havia uma hóstia descartada na saída da Igreja. Deve ter caído ao sair da Igreja um paroquiano que havia recebido a comunhão na mão e a abandonou no solo por não estar mais apta a ser consumida. O padre Pazet a levantou, pô-la corretamente em um vaso com água e a colocou no Tabernáculo onde em uns poucos dias normalmente se dissolveria e poderia ser descartada. Porém, quando em 26 de agosto o sacerdote abriu o Tabernáculo, qual não foi sua surpresa ao constatar que a hóstia havia se transformado em uma substância sangrenta. Fotos que foram tiradas 11 dias depois por ordens do Bispo Bergoglio, mostraram que havia aumentado consideravelmente de tamanho. Por três anos, manteve-se em estrito segredo no Tabernáculo, mas em 1999 o então Arcebispo Bergolgio decidiu levar a cabo uma análise científica. Em 15 de outubro de 1999, com a presença de testemunhas, ele permitiu ao Dr. Ricardo Castañón, neuro-psico-fisiólogo aprovado por Roma, tomar uma amostra para fazer provas.

O Dr. Castañón levou a mostra primeiramente a um laboratório forense em San Francisco que reconheceu DNA humano. Um Dr. Robert Lawrence localizou glóbulos brancos. Um Dr. Ardonidoli na Itália pensou que provavelmente fora tecido cardíaco. Um professor australiano, John Walker, reconheceu tecido muscular com glóbulos brancos intactos. Para eliminar qualquer dúvida, o Dr. Castañón se dirigiu a um renomado cardiologista e patologista da Universidade de Columbia, Nova York, o Dr. Frederico Zugibe, sem lhe dizer de onde provinha o espécime.

Olhando em seu microscópio, o Dr. Zugibe haveria dito, “Posso dizer-lhe claramente o que é. É parte do músculo que se acha na parede do ventrículo esquerdo do coração, que faz bater o coração e que lhe dá sua vida ao corpo. Entremeado no tecido há células brancas sanguíneas o qual me diz, em primeiro lugar, que o coração estava vivo no momento quando a mostra foi tomada porque as células brancas sanguíneas morrem fora do organismo vivo e, sem segundo lugar, porque as células vão em auxílio de uma lesão, então este coração sofreu. Este é o tipo de coisas que vejo em pacientes que foram golpeadas no peito”. Quando se lhe perguntou por quanto tempo estas células permaneceram vivas se provinham de uma amostra conservada em água, o Dr. Zugibe respondeu que haveriam deixado de existir em questão de minutos.

Quando, em junho de 1976, o Arcebispo Lefebvre estava perto de ordenar seu primeiro grande grupo de Sacerdotes da FSSPX, apesar da depreciação de Roma, um oficial romano veio lhe prometer o fim de todos os seus problemas com Roma se ele somente celebrasse um NOM. Baseado em princípios, por razões doutrinais, ele se negou. Então, como pode o Bom Deus ter realizado milagres eucarísticos com e por esta nova Missa? Leiam aqui na próxima semana uma resposta sugerida.


domingo, 25 de outubro de 2015

Um dia o povo inglês acordou protestante


Gustavo Corção

Postado originalmente em Mosteiro da Santa Cruz



Trago ainda Hoje, e ainda motivada pelo affaire Lefebvre uma interessante contribuição de Jean Dutourd publicada em France Soir, no qual a situação do Bispo francês é comparada à do bispo inglês John Fisher, único opositor de Henrique VIII que levou se testemunho até o martírio. Eis o resumo daquele longo e doloroso histórico: “Em 1535 John Fisher, bispo de Rochester, foi executado por ordem de Henrique VIII, “defensor da fé”, porque, único entre os prelado ingleses, recusou a transformar a missa, que é a renovação do sacrifício da Cruz, num simples “serviço de comunhão”. Em outras palavras, foi ele o único a se opor à protestantização da Igreja da Inglaterra. Protestantização que se estabeleceu sorrateiramente depois da morte do último obstáculo.”

“O povo, vendo que as caras eram as mesmas, julgou que a religião não mudara.”

Interrompo Jean Dutourd para resumir seu texto num susto aplicável a toda a atualidade católica: amanhã ou depois o povo católico do mundo inteiro, na sua brutal e mole maioria acordará protestante, ou nem sequer acordará.

A nova religião das Conferências Episcopais ou do Homem que se faz Deus, segundo a lógica interna da mudança perpétua, que os tolos tomam como manifestação de vitalidade quando, na verdade, são sinais de desmoronamento e de morte, essa nova religião em perpétuo devenir depressa atingirá as mais desordenadas formas de protestantismo, não conseguindo sequer manter as formas mais altas e tradicionais da Reforma. No ponto em que se acha o fenômeno, essa igreja ainda reclama para si o Papa eleito na Religião Católica – um Papa diminuído pela colegialidade que já renunciou o báculo e já se desfez da tiara.

Não estamos exagerando, nem gracejando, mas observando três fatos de brutal objetividade: a troca de báculo, sinal de autoridade e de governo, por um bastão de peregrino, o desaparecimento da tiara em torno da qual se tecem as mais variadas suposições, e a hipertrofia das conferências episcopais, tudo isto converge para um sombrio prognóstico.

Teilhard de Chardin lançou uma fórmula que não tem sentido nenhum na sua fenomenologia: “Tudo o que sobe converge”. Ao contrário, onde a lei da matéria se sobrepõe à do espírito, é mais acertado dizer que “tudo o que cai converge”.

No caso, vemos em todas as tendências da outra igreja uma convergência para baixo: uma naturalização do que era sobrenatural, de uma democratização do que era hierárquico, de uma protestantização do que era católico. E isto tudo se passa sem parecer acordar as consciências do povo adormecido. Amanhã ou depois, as Conferências Episcopais julgarão desnecessárias a eleição de um novo Papa. Para quê? Caberá aos católicos que permanecem católicos o encargo de restabelecer a continuidade interrompida. O affaire Lefevbre terá servido para alertar as consciências dos bispos ainda católicos, ou se perderá na tempestade apocalíptica que já se anuncia. O autor do artigo publicado em France Soir continua nestes termos: “Quatrocentos anos mais tarde, Fisher foi canonizado. Será que dentro de quatrocentos anos ou até antes D. Lefebvre não estará também canonizado?”

“Seu crime é exatamente o mesmo que o de Fisher. Ainda não lhe cortaram a cabeça, mas não é impossível que este ancião morra de tristeza depois da decisão tomada pelo Papa.”

“Tudo é obscuro no affaire D. Lefbvre, que parece mais uma escamoteação. Proíbe-se D. Lefebvre de celebrar a missa, de administrar os sacramentos e de pregar.”

“Mas Por quê? Ninguém o esclarece. Será porque ele diz o Pai nosso e o Credo em latim, porque mantém a liturgia tradicional, prepara seminaristas como eram formados há apenas vinte anos atrás?”

“Nenhum ato de acusação foi publicado. Parece que lhe reclamam o não ter aceito as orientações do último Concílio, o qual aliás tinha explicitamente afirmado que não era “doutrinal” mas “pastoral”. O crime de D. Lefebvre seria então o de se apegar tradição de Santo Tomás de Aquino, e do Concílio de Trento sobre a qual a Igreja viveu mais de setecentos anos.”

“O mínimo que se pode dizer desse papa é que é um personagem ondulante e diverso. Um dia declara as coisas mais santamente tradicionalistas às quais todos os Lefebvre da cristandade poderiam subscrever; no outro dia afirma que ele mais do ninguém tem o “culto do homem”. No século XIV, havia um papa e um anti-papa que se excomungavam mutuamente. Hoje tem-se por vezes a impressão que o papa e o anti-papa estão unidos na mesma pessoa, pelo modo com que a dita pessoa sofra o frio e o calor.”

“Somos sempre mais impiedosos com os irmãos ou parentes próximos. O papa que várias vezes recusou receber D. Lefebvre, que o condenou sem ouvi-lo recebe acintosamente o Sr. Gromyko que é ateu, representa o Gulag e que pertence a um governo que há sessenta anos persegue os cristãos.”

Não acompanho o paralelo traçado por Jean Dutourd, entre o caso Fisher e o caso Lefebvre, porque para imaginar a possibilidade de uma canonização é preciso, previamente confiar na continuidade da Igreja Católica Militante. Não me parece provável a canonização de Dom Lefebvre; mas parece-me certa a ideia de que, desde já, sua mansa e inabalável permanência seja no Céu festejada pela alegria dos santos e dos anjos. Hoje, sem atrevimento, talvez possamos dizer que haverá igual ou maior alegria no céu pelos justos que perseveram até o martírio embora sem efusão de sangue por falta de coragem de seus perseguidores.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Padre Pio, o Concílio e a Missa Nova

A reação de São padre Pio ao concílio e à missa nova



Publicamos a seguir um extrato do artigo do Frei João, capuchinho de Morgon (França), publicado na Carta aos amigos de São Francisco, n° 17, de 02/02/1999:


«Modelo de respeito e de submissão para com os seus superiores eclesiásticos e religiosos, em particular por ocasião das perseguições contra a sua pessoa, o Padre Pio de Pietrelcina não podia ficar mudo perante um desafio nefasto à Igreja.

Antes mesmo do fim do concílio, em fevereiro de 1965, anunciaram-lhe que seria preciso em breve celebrar a missa segundo um novo rito “ad experimentum”, em língua vulgar, e elaborado por uma comissão litúrgica conciliar para responder às aspirações do homem moderno.

Antes mesmo de ter o seu texto debaixo dos olhos, escreveu imediatamente a Paulo VI pedindo-lhe fosse dispensado desta experiência litúrgica e pudesse continuar a celebrar a missa de São Pio V.

Tendo-se o cardeal Bacci deslocado em pessoa para lhe levar esta autorização, Padre Pio deixou escapar esta queixa junto do enviado do Papa: “O Concílio, por piedade, acabai com ele depressa!”

Papa Paulo VI

No mesmo ano, na euforia conciliar que prometia uma “nova primavera” para a Igreja e para o mundo, confiava a um de seus filhos espirituais: “Rezemos nesta época de trevas. Façamos penitência pelos eleitos.

[...]

Quão significativas outras cenas: essas reações em face do “aggiornamento” que as ordens religiosas assimilaram no dia seguinte ao Vaticano II (citações extraídas duma obra munida de imprimatur): 

“O Padre Geral (dos franciscanos) veio de Roma antes do capítulo especial para as constituições, em 1966, para pedir ao Padre Pio orações e bênçãos. Encontrou o Padre Pio no corredor do convento: ‘Padre, vim para vos recomendar o capítulo especial para as novas constituições...’ Apenas ouviu ‘capítulo especial’, Padre Pio fez um gesto violento e gritou: ‘Não são senão parlapatices e ruínas!’ ‘Mas que quereis, Padre?

As novas gerações... os jovens evoluem à sua maneira... há novas exigências...’ ‘É o cérebro e o coração que faltam, eis tudo, a inteligência e o amor’.

Em seguida avançou para a sua cela, deu meia-volta, apontou o dedo dizendo: ‘Não nos desnaturemos, não nos desnaturemos! Quando Deus nos julgar, São Francisco não nos reconhecerá como filhos!’ 

Padre Pio de Pietrelcina


“Um ano depois, a mesma cena para o “aggiornamento” dos capuchinhos: “Um dia, confrades com o Padre Definidor Geral discutiam sobre a Ordem, quando o Padre Pio, tomando uma atitude espantosa, se pôs a gritar ao mesmo tempo que fixava o olhar ao longe: ‘Mas o que estais prestes a fazer em Roma? Que combinais vós? Quereis mesmo mudar a Regra de São Francisco!’ E o Definidor diz: ‘Padre, propõem-se estas mudanças porque os jovens nada querem saber da tonsura, do hábito, dos pés descalços...’

‘Expulsai-os fora! Expulsai-os fora! Mas quê? São eles que vão fazer um favor a São Francisco ao tomarem o hábito e ao seguirem o seu modo de vida, ou é antes São Francisco que lhes faz um grande dom?’”

Se se considera que o Padre Pio foi um verdadeiro alter Christus, que toda a sua pessoa, corpo e alma, foi tão perfeitamente conforme quanto possível à de Jesus Cristo, esta recusa nítida das inovações da Missa e do “aggiornamento” deve ser para nós uma lição a reter.

É também notável que o Bom Deus tenha querido lembrar-se dele, seu fiel servidor, pouco tempo antes da imposição implacável das reformas do Concílio no seio da Igreja e da ordem capuchinha. E que Katarina Tangari, uma das suas filhas espirituais mais privilegiadas, tenha apoiado tão admiravelmente os padres de Écône até à morte, um ano após as sagrações episcopais.

E Padre Pio ainda era menos complacente em face da ordem — ou antes da desordem — social e política: “confusão de ideias e reino dos ladrões” (em 1966).

Profetizou que os comunistas chegariam ao poder “por surpresa, sem desfechar golpe... Nós nos daremos conta disso da noite para o dia”.

Chegou a precisar até, a Monsenhor Piccinelli, que a bandeira vermelha flutuará sobre o Vaticano, “mas isso passará”.

Ainda aqui a sua conclusão coincide com a da Rainha dos Profetas: “Mas por fim o meu Coração Imaculado triunfará!”»

Texto enviado por Rev. Pe. Ernesto Cardoso.