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domingo, 21 de junho de 2015

Comentários Eleison CDXIV (414) - Fátima Invertida?

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blogue Borboletas ao Luar)

20 de junho de 2015


Já não tem a Consagração da Rússia validade?
Ela é indispensável, ainda que seja tarde.

            Quando Nossa Senhora apareceu para a Irmã Lúcia em Tuy, na Espanha, no dia 13 de junho de 1929, para pedir pela Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração, isto fazia perfeitamente sentido, porque desde que a Revolução Russa estourou em outubro de 1917, a Rússia vinha perseguindo a Igreja e agindo como o principal instrumento do Comunismo para espalhar seus erros mortais pelo mundo. Contudo, a Rússia está agora a desempenhar um papel diferente no cenário dos assuntos internacionais, que faz com que muitos católicos estejam a se perguntar se aquela Consagração ainda é necessária. Será que ela não foi superada pelos acontecimentos?
           
            É verdade que com a queda do Muro de Berlin em 1989, o povo russo começou a repudiar o Comunismo ateu sob o qual ele tanto sofreu durante setenta anos, e desde então não parou de evoluir em direção a Deus ao invés de afastar-se Dele. Tem liderado esta evolução o Primeiro Ministro ou Presidente da Rússia desde 1999, Vladimir Putin (nascido em 1952), que com seu exemplo pessoal e com sua liderança pública tem feito tudo o que pode para promover o verdadeiro ressurgimento da religião cristã ortodoxa dentro da Rússia. Alguns observadores ainda duvidam da sinceridade de Putin, mas os frutos estão aí: milhares de igrejas e catedrais reconstruídas por toda a Rússia, e a moralidade defendida; enquanto que, fora da Rússia, ele já retardou mais de uma vez a deflagração da Terceira Guerra Mundial ao enganar os delinquentes políticos ocidentais, fantoches da ímpia Nova Ordem Mundial que se esforçam para que ela triunfe.

            Pode-se então dizer que a Rússia hoje não precisa mais ser convertida? Não, porque o Cristianismo Ortodoxo ainda não é Catolicismo, e porque o Comunismo tem, pelo que se diz, deixado sua marca na moral do povo russo, por exemplo, na ainda difundida prática do aborto. Mas o que se pode seguramente dizer é que pelo atual ressurgimento religioso na Rússia, testemunhado há muitos anos pelos visitantes ocidentais, Nossa Senhora está preparando a completa conversão daquela nação, e ainda que essa completa conversão possa não ser mais necessária para pôr um fim ao comunismo russo, no século XXI ela se faz ainda mais necessária para vencer o Globalismo mundial. Vamos especular sobre como isto poderia acontecer.

             Para quebrar o cerco agressivo estruturado por bases militares de uma tal potência ocidental que se permitiu ser instrumentalizada pelos maus Mestres do Globalismo, a Rússia, o aparente mas não o verdadeiro agressor (os dois não são sempre o mesmo), invade e conquista a Europa completamente corrompida pelo materialismo ateísta. Sob a pressão da guerra e da ocupação, o Papa finalmente realiza a Consagração da Rússia, conforme pedido por Nossa Senhora em Fátima, e dá-se início à completa conversão miraculosa, mas não para a pútrida religião da Roma conciliar, e sim para um Catolicismo totalmente novo (e totalmente velho) (Mt 13, 52), no qual toda a Verdade da Roma Eterna e do outrora fiel Ocidente é revitalizada pelo frescor religioso dos russos pós-comunistas, que se valem de tudo o que há de mais verdadeiro e de melhor em suas próprias tradições orientais.

            Está-se a priorizar o desejo em detrimento da realidade? Os detalhes aqui costurados a partir das profecias, e mesmo as linhas gerais da especulação podem estar errados, mas de qualquer forma, algum milagre será feito por Nossa Senhora para limpar o Oriente de seus erros e o Ocidente de sua corrupção, de modo que a Igreja possa novamente respirar com ambos os pulmões, e para que assim sobrevenha o “período de paz para o mundo” que ela prometeu em Fátima. Em todo caso, os crentes clamarão com São Paulo: “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os seus juízos e imperscrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11, 33). Se nós estamos entre os sobreviventes, devemos nos maravilhar com as obras de Deus e de sua Mãe Santíssima.


Kyrie eleison.

domingo, 31 de maio de 2015

Comentários Eleison CDXI (411) - Fim de Semana com Eliot

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (blogue Borboletas ao Luar)

30 de maio de 2015

FIM DE SEMANA COM ELIOT


Católicos, que suas mentes não sejam tão limitadas.
Fora do redil de Nosso Senhor há ovelhas que são por Ele lideradas.


O ciclo de palestras de fim de semana que houve aqui em Broadstairs no início de maio sobre poemas e peças do famoso poeta moderno T. S. Eliot (1888-1965), foi um grande sucesso. Eliot é um escritor difícil de entender, porque ele insistiu em dar sentido ao mundo moderno sem sentido; mas as seis palestras do Dr. David White (em 36 horas!) inspiraram em seus mais de duas dúzias de ouvintes católicos um real interesse em Eliot, a quem escolheu como tema de seu evento literário por ter escrito parte de seu mais famoso poema, a Terra Desolada, nas proximidades de Margate. Um ponto alto do evento foi uma excursão ao pavilhão na beira-mar onde Eliot escreveu essa parte, e onde o Dr. White recitou a Terra Desolada para os participantes do evento sob o azul do céu, diante do mar cinza – a atmosfera estava perfeita!

Muitos católicos rejeitam escritores que não são abertamente católicos, por mais famosos que sejam. Mas em meados dos anos vinte, logo depois de escrever a Terra Desolada, Eliot esteve perto de se tornar católico, e desde então, até sua morte, a solução que ele apresentou em seus escritos para os problemas do mundo moderno é centrada em Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso pode não ser óbvio à primeira vista, seja porque ele estava escrevendo para cristãos mornos, ou porque ele mesmo ainda estava a lutar contra a modernidade; mas deixemos que sua verdadeira crença em Cristo seja ilustrada por um poema de seus Quatro Quartetos – selecionado pelo Dr. White para explicação –, a seção IV do quarto quarteto, Little Gidding


1. A pomba mergulhando rasga o espaço
2. Com flama de terror esbraseado
3. Cujas línguas arrojam sem cessar
4. Um jorro apenas de erro e de pecado.
5. Toda esperança, ou mais desesperar,
6. Está na escolha de uma ou de outra pira
7. – Para que o fogo pelo fogo nos redima.
8. Quem, pois, urdia tanto suplício? Amor.
9. Amor é Nome de furtiva chama
10. Sob as mãos que teceram com rancor
11. A intolerável túnica de flama
12. A que poder algum se pode opor.
13. Apenas suspiramos, ainda vivos,
14. Por esse ou outro fogo consumidos.
(N.T.: Tradução de Ivan Junqueira)


Durante a Segunda Guerra Mundial, Eliot vivia em Londres, e à noite ele agia como um Guardião de Ataques Aéreos, patrulhando as ruas para minimizar o perigo ou os danos dos ataques aéreos alemães. O primeiro dos dois versos do poema é como aquelas figuras duplas de plástico que contêm duas imagens, dependendo de como você inclina o plástico. O segundo verso deduz da figura dupla sua tremenda lição.

Assim 1) a “pomba mergulhando” é tanto o Espírito Santo descendo em Pentecoste como os bombardeiros inimigos avançando sobre Londres. 2) A “flama de terror” é tanto o fogo do Espírito Santo como as bombas incendiárias do inimigo. 3) As “línguas” são tanto aquelas do Espírito Santo que caíram sobre os Apóstolos, como aquelas das bombas incendiárias, enquanto 4) os “jorros” são tanto a Redenção por Cristo como o lançamento de bombas pelos políticos humanos. 5) A primeira parte diz respeito à nossa única esperança; a segunda, à desesperança da guerra. Em qual pira funeral nós escolhemos nos queimar? 7) O fogo da Redenção é para nos salvar do fogo da condenação.

Segundo verso: 8) é Deus quem designa as Guerras Mundiais para nos salvar do fogo eterno. 9) Ele não é bem conhecido, mas é 10) Seu Amor que está permitindo que os políticos causem 11) os tormentos da guerra, 12) que são redimíveis apenas por Cristo. 13) E para concluir, a vida humana termina apenas 14) no fogo, seja o do Amor divino, ou o da condenação eterna.

A Terceira Guerra Mundial se aproxima. Quando ela chegar, quantos pregadores católicos se atreverão a pregar que é o Amor divino que estará por trás de seus espantosos sofrimentos, que é o mínimo necessário para nos pôr de volta, por desígnio de Deus, no caminho do Céu? O não católico Eliot estava a dizê-lo há 70 anos.



Kyrie eleison.