segunda-feira, 14 de maio de 2018

Comentários Eleison DLXV (565) - Sonhos Piedosos - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

12 de maio de 2018

Pobre Menzingen perdida em seus sonhos piedosos.
A gentileza neomodernista não é o que parece.


      Em junho do ano passado um confrade na França escreveu um bom artigo sobre se a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deveria ou não obter das autoridades da Igreja em Roma um status canônico que protegeria os interesses da própria Fraternidade. Obviamente, o quartel general desta em Menzingen, na Suíça, acredita que obterá tal status, e se o atual Superior Geral for reeleito para um terceiro mandato em julho, esse é o objetivo que a Fraternidade continuará a perseguir. No entanto, é bastante menos óbvio que esse objetivo deva ser perseguido. Um argumento de oito páginas inteiras de Ocampo nº 127 de junho de 2017 está resumido abaixo em uma única página.

      A posição do artigo é a de que a Fraternidade não pode de modo nenhum colocar-se sob as poderosas autoridades da Igreja imbuídas dos princípios da Revolução Francesa tal como incorporados no Vaticano II, porque são os Superiores que moldam os assuntos, e não o contrário. Dom Lefebvre fundou a Fraternidade para resistir à traição da fé católica pelo Vaticano II. Ao submeter-se aos conciliaristas, a Fraternidade estaria unindo-se aos traidores da Fé.

      As autoridades da Igreja são os bispos diocesanos e o Papa. Quanto aos bispos, aqueles francamente hostis à Fraternidade podem ser menos perigosos do que aqueles que podem ser amigáveis, mas não entendem as exigências absolutas da Tradição Católica, que não são apenas exigências da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Quanto ao Papa, se suas palavras e ações o mostram trabalhando contra a Tradição Católica, a qual é seu dever defender, então os católicos têm o direito e o dever de protegerem-se a si mesmos tanto contra o modo pelo qual ele está abusando de sua autoridade, como contra a própria necessidade inata deles de seguir e obedecer à autoridade católica. Ora, em teoria, um Papa conciliar pode prometer uma proteção especial para a Tradição da Fraternidade, mas na prática ele deve, por suas próprias convicções, esforçar-se para que a Fraternidade reconheça o Concílio e abandone a Tradição. Dada então sua grande autoridade como Papa para impor sua vontade, a Fraternidade deve manter-se fora de seu caminho.

      A experiência mostra que os tradicionalistas que se incorporam à Roma conciliar podem começar simplesmente guardando silêncio sobre os erros conciliares, mas geralmente acabam por aceitar esses erros. O acordo inicial para ficarem silenciosos é, no final das contas, fatal para sua profissão de fé. E pelo declínio natural de um compromisso a outro, eles podem até acabar perdendo a Fé. Foi a Fé que fez o Arcebispo Lefebvre dizer que, a menos que os romanos conciliares voltem à doutrina das grandes encíclicas papais antiliberais – o que eles não fizeram desde o seu tempo e não estão prestes a fazer no momento –, um diálogo maior entre os romanos e os tradicionalistas é inútil, e – ele poderia ter acrescentado – positivamente perigoso para a Fé.

      O artigo também lista oito objeções a essa posição, apresentadas aqui em itálico com as mais breves das respostas:

1 Com a Prelazia Pessoal, Roma oferece à Fraternidade uma proteção especial. Proteção dos bispos diocesanos, talvez, mas não da autoridade suprema do Papa na Igreja.  2 As exigências de Roma para o acordo vêm diminuindo. Somente porque as concessões à cooperação prática são mais eficazes para obter a submissão dos católicos, como bem sabem os comunistas. 3 A Fraternidade insiste em ser aceita por Roma “tal como somos”, isto é, Tradicional. Para os Romanos, isso significa “como vocês serão, uma vez que a cooperação prática tenha feito vocês verem como somos bons”. 4 Assim, a Fraternidade continuará a atacar os erros do Concílio. Nada há de mudar. Roma pode em seu tempo insistir em mudanças cada vez maiores. 5 Mas o Papa Francisco gosta da Fraternidade!  Tanto quanto o grande Lobo Mau gostava de Chapeuzinho Vermelho! 6 A Fraternidade é virtuosa demais para deixar-se enganar por Roma. Tola ilusão! O próprio Arcebispo foi inicialmente enganado pelo Protocolo de 5 de maio de 1988. 7 Várias comunidades tradicionais incorporaram-se à Roma sem perder a verdadeira Missa. Mas várias delas passaram a defender erros importantes do Concílio. 8 O Papa Francisco como pessoa está no erro, mas sua função é sagrada. Reconhecer a sacralidade de sua função não pode-me obrigar a seguir seus erros pessoais, isto é, o mau uso de sua função. A verdadeira Fé está acima do Papa.

   
      Kyrie eleison.

sábado, 12 de maio de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 59

Mosteiro da Santa Cruz
12 de maio de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     

(Cant. II, 12)




      A Igreja Católica é Una. Essa unidade é requerida porque a verdade se opõe à falsidade. Uma diferença (de culto, por exemplo, entre os orientais) que não inclui uma falsidade não requer uma diversidade de igrejas.

      A Igreja (com maiúscula) é a Igreja Católica. Ela é a Igreja, por antonomásia. É o protótipo, aquela em que se realiza plenamente o significado dessa palavra (a qual vem do latim ecclesia, que quer dizer reunião, com motivo religioso, organizada, com finalidade religiosa). É a reunião por excelência: a melhor de todas e que todas devem considerar como modelo. Assim, por exemplo,  acontece com a palavra bíblia (que quer dizer: o livro): isso não porque os outros livros não sejam livros, mas porque a Bíblia é o livro por excelência.

      O mesmo não se pode dizer da palavra religião, a qual só se aplica verdadeiramente ao Catolicismo, pois ela significa religar, ligar novamente o que estava separado; e o que se trata aqui é de religar o homem com Deus, os quais haviam sido separados pelo pecado, tanto o de Adão como os nossos. Ora, só a Igreja fundada pelo mesmo Deus é depositária do Sacrifício Redentor que realizou a obrar de reunir o que havia sido separado. Portanto, é um uso indevido aplicar às outras “igrejas” o nome de religião, pois não religam nada.

      Diante do que foi dito, vamos considerar a expressão “Igreja Conciliar”. Ela foi empregada pelo Cardeal Beneli. Dom Lefebvre, já em 1976, havia denunciado a existência de uma outra “igreja” no seio da Santa Igreja. Afirmação, portanto, não causada por uma emoção passageira por ocasião das sagrações episcopais de 1988 (como, parece, está-se pensando entre aqueles que, na “Tradição”, não querem acreditar na existência dessa outra “igreja”, pois agora eles têm em vista um “acordo” ou “entendimento” ou “reconhecimento” ou “oficialização” ou qualquer outro nome que queiram dar à mesma realidade). De seu lado, também Gustavo Corção já falava na “outra”, referindo-se à mesma infiltrada “igreja”.

      Em um próximo artigo pretendo dar continuidade a esse assunto.



Arsenius



U.I.O.G.D

sábado, 7 de abril de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 57

Mosteiro da Santa Cruz
7 de abril de 2018

      Fundada em 1717 a Maçonaria foi condenada por Clemente XII em sua encíclica In Eminente de 28 de abril de 1738, ou seja, 21 anos após a sua fundação.

      Como se não bastasse esta condenação, os sucessores de Clemente XII voltaram ao assunto denunciando sem cessar a seita maçônica e suas doutrinas. Esta repetição pela qual um papa retoma o que seus predecessores disseram tem grande importância. “Quando um Papa denuncia ou afirma algo apoiando-se sobre o passado, isto reforça a sua própria palavra. (…) Uma doutrina que é ensinada desta maneira, uma condenação feita desta forma parece ser infalível”, diz Dom Lefebvre (C´est moi l´accusé…Editions Clovis, 2014, pag. 142).

      Como nota o Pe. Guy Castelain, da Fraternidade São Pio X, a simples encíclica In Eminenti já parece engajar a infalibilidade pontifícia, pois nela o papa fala como Supremo Pastor, definindo claramente o que deve ser observado, num assunto de fé e de moral, obrigando a todos os fiéis, sem exceção.

      Entre os documentos mais significativos que se seguiram aos de Clemente XII podemos citar as encíclicas: Providas (de Bento XIV, 1751), Ecclesiam (de Pio VII, 1821), Quo Graviora (de Leão XII, 1826), Qui Pluribus (de Pio IX, 1846), Humanum Genus (de Leão XII, 1884). Não foi, porém, só nestas encíclicas que a Igreja falou e condenou a Maçonaria. O “Sommaire de Théologie Tomastique”, publicado em 1969 pelas “Editions de Bien Public”, Canadè, indica o impressionante número de 200, os documentos da Igreja que mencionaram a Maçonaria. O livro ”Les enseignements originaux des popes sur la Franc-maçonnerie de 1717 ò nos jours”, éditions Téqui França, traz o texto de quase 30 entre eles.

      Mas qual é a finalidade que se propõe a Maçonaria para ser objeto de tal condenação? Sua finalidade, nos diz Leão XIII, é a destruir inteiramente toda ordem religiosa e social nascida das instituições cristãs. Destruir o reino religioso e social do Xto. Rei, ou seja, destruir toda ordem sobrenatural e estabelecer uma ordem fundada no naturalismo, para não dizer no satanismo pois é aí que se terminará esta empresa que prepara a vinda do Anticristo.

      São Pio X, desde a primeira encíclica de seu pontificado descreve o plano destes infelizes obstinados:

      “Em nossos dias, é bem verdade, as nações espumaram e os povos meditaram projetos insensatos contra o seu Criador. E tornou-se quase universal o brado dos inimigos: “Retirai-vos para longe de nós”. Daí, na maioria dos homens, uma rejeição total de todo respeito por Deus. Daí os costumes de vida tanto privados como públicos nos quais não se tem em nenhuma conta a soberania de Deus.”

      Não é o que vemos hoje não só na sociedade civil, mas também na Igreja Conciliar?

      Qual será o resultado deste combate feito contra Deus que atingirá seu paroxismo no advento do Anticristo?

      “Nenhum espírito sensato pode pô-lo em dúvida, escreve São Pio X. Está, sem dúvida, ao alcance do homem que quer abusar de sua liberdade, violar os direitos e a autoridade supremos do Criador, mas ao Criador cabe sempre a vitória, e isto não é tudo. A ruína paira tanto mais de perto sobre o homem quanto mais ele se levanta audaciosamente na esperança de seu triunfo. Disto nos adverte Deus Ele mesmo nas Sagradas Escrituras. Deus fecha os olhos sobre os pecados dos homens, mas em breve, despertando como um homem cuja embriaguez aumentasse a força, Ele esmaga a cabeça de seus inimigos. Que todos saibam que o rei da terra, de toda a terra, é Deus. Que os povos compreendam que eles não são senão homens.” E Supremi Apostolatus – 4 de outubro de 1903.

      Assim se terminará ou pelo juízo final (ou por algo que o precederá) este reino do Anti-Cristo preparado pelas sociedades secretas.

      Que Maria Santíssima nos guarde sob sua proteção nestes dias de aflição.

terça-feira, 13 de março de 2018

Comentários Eleison DLVI (556) - Paternidade Hoje - III

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

10 de março de 2018


O Paraíso é custoso, porém inestimável,
Ainda que meus esforços eu precise redobrar!


      O CE 553 (“Paternidade Hoje – I”, de 17 de fevereiro) atingiu um nervo. Não é de surpreender. O Diabo tem praticamente toda a sociedade em seu poder. O campo de batalha se mudou para aquelas famílias que ainda não estão em seu poder. Pais, não desesperem de Deus (que é o que o Diabo quer que vocês façam), mas meçam a medida da gravidade da situação e vejam a lógica das duas contramedidas propostas por Deus através de Sua Mãe para esta situação. Então façam o melhor que puderem e entreguem seus filhos nas mãos de Nossa Senhora.

      Muitos leitores reagiram até agora ao “Paternidade Hoje – I”, e certamente haverá mais. Um primeiro leitor lamenta que a análise do Pe. Delagneau se encaixe exatamente em sua própria família. No dia seguinte ao Natal, no ano passado, sua filha mais velha, com apenas 20 anos, virou as costas para a família, deixou o estilo de vida tradicional católico da família “de uma vez por todas”, e se entregou ao mundo com um casamento iminente, um contrato para o qual ela não está pronta. No entanto, uma centelha de esperança é que o jovem em questão não tem religião, o que significa que ele pode encontrar seu caminho para Deus com ela com mais facilidade do que se ele tivesse alguma religião! Outra centelha de esperança é sempre que a maternidade pode trazê-la de volta à realidade, como ela fez com Marya Shatova no romanece “Os Dêmonios” de Dostoievski (que viu o mundo moderno chegar).

      Uma segunda leitora, dada a precisão do retrato do Pe. Delagneau dos jovens de hoje, pergunta-se por que estes “Comentários” recomendam aos homens jovens em geral que se casem. Ela escreve que quase não há homens ou mulheres genuínos ao redor, porque “o material básico mudou”. Não seria tempo, ela pergunta, de considerar a possibilidade de que Deus deseja que mais homens e mulheres permaneçam solteiros e sofram na solidão, mas pela liberdade dos compromissos familiares terem mais tempo para a luta celibatária e para o sacrifício? No local de trabalho, ela diz que a geração crescente de trabalhadores quer dinheiro, poder e tempo livre, que eles não têm ideia, mesmo em teoria, de qualquer ethos de trabalho, e quase todos vivem em pecado, com “parceiros” ou segundos esposos ou alguma perversão ou outra coisa. “Jesus, tenha misericórdia”, conclui.

      Um terceiro leitor sugere que está certo que o Pe. Delagneau recorra aos pais, mas o que a Igreja está fazendo agora para defender as famílias? Considerando que o próprio leitor tem idade suficiente para ser capaz de olhar para trás com carinho para a década de 1960, quando sua própria mãe estava sempre em casa para cuidar dos filhos, agora ele diz que poucas famílias podem sobreviver sem que a mãe tenha que sair de casa para trabalhar, e as crianças devem ser entregues aos cuidados do estado, porque a Igreja oficial está na forca, e a Tradição Católica está distante. As condições de vida para as famílias são determinadas pelo estado, que não favorece as famílias e não tem nenhuma das habilidades da Igreja para poder ajudar com os problemas humanos de uma família. Este leitor conclui que estamos escravizados, como os judeus no Egito. Mas ele também diz que, como Deus deixou as famílias na situação de hoje, deve haver algo que elas possam fazer sobre isso.

      De fato. "Onde há vontade, há um caminho", diz o provérbio. E o Concílio de Trento cita Santo Agostinho no sentido de que Deus não pode abandonar uma alma que não o abandonou primeiro. Como disse Solzhenitsyn, a Rússia nunca teria caído no inferno comunista se não tivesse dado as costas a Deus. O Deus Todo-Poderoso permitiu o inferno para que a "Santa Rússia" voltasse para Ele. Demorou vários anos, mas esse retorno a Deus agora está acontecendo em toda a Rússia, mesmo que a conversão ainda não seja católica. Paciência. A Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria cuidará disso. "No sofrimento está o aprendizado". E agora famílias em todo o Ocidente consumista estão sofrendo intensamente. Paciência.

      Os pais precisam acima de tudo compreender a urgência da necessidade de recorrer aos dois remédios de Nossa Senhora, o Rosário e a Devoção dos Primeiros Sábados, para fazer reparação ao seu Imaculado Coração. Pois quem pode dizer que qualquer um destes remédios é absolutamente impossível? Que os pais façam um verdadeiro esforço com ambos – cinco Mistérios com os filhos, outros dez individualmente, se possível, e o que for necessário para os Primeiros Sábados; e então, como Nossa Senhora poderia abandoná-los? Não é possível!

      Kyrie eleison.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 53

Mosteiro da Santa Cruz

03 de março de 2018


“Vox túrturis audita est in terra nostra”     
(Cant. II, 12)


      “Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará” (Nossa Senhora de Fátima, em Sua terceira aparição, em 13 de julho). E que significa esse triunfo de nossa boa Mãe do Céu, senão o triunfo do Seu Divino Filho? E que significa esse triunfo de Jesus, senão o Seu império, o Seu governo e a Sua dominação sobre todos os homens, tanto individualmente como organizados em sociedade, tanto internamente como em suas atividades externas, tanto em seus pensamentos como em suas palavras, tanto na intimidade de seus lares como em público, tanto em suas obras de arte como em suas publicações de leis civis, tanto em seu modo de estimar as coisas como de julgá-las?

      E se a Santa Igreja nada mais é que o Corpo Místico de Jesus, todos os homens, governantes e governados, desde o sumo governante que é o Papa até ao mais insignificante dos cidadãos, e todas as suas obras, realizadas em seu interior como as que realizam externamente, devem submeter-se aos ensinamentos e governo da Santa Igreja, que é a fiel transmissora da Revelação Divina e depositária da autoridade do seu Divino Fundador. E esse é o chamado Reino Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Quando isso se realizará? Não o sabemos. O que cabe a nós, na situação em que se encontra hoje o mundo, é de, no âmbito de nossa ação e no qual tivermos alguma influência, realizarmos esse ideal em nossas próprias pessoas e nas do próximo. E isso implica necessariamente uma oposição a quase tudo que se nos oferece ao nosso redor, pois a sociedade atual está impregnada até a medula de uma multidão de coisas que se opõem a Cristo Rei. Essa atitude certamente é constrangedora e nos faz sofrer, mas nos assimila, ainda que indignamente, às santas personagens que ficaram ao pé do Calvário, as quais, sós, deram mostra de fidelidade ao nosso Divino Salvador diante da turba que vociferava com ódio contra o seu grande, maior e verdadeiramente único Benfeitor.

      O que essa atitude nos valerá? Muitos incômodos e talvez até a vida presente, mas nos premiará com a eterna. E isso excede a todo preço.

      Que Nossa Senhora de Fátima nos alcance de Seu Divino Filho a graça de ficarmos ao lado Dela no Gólgota, de pé, como Ela.



Arsenius



U.I.O.G.D

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Comentários Eleison DXV (515) - Defendendo o Matrimônio

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

27 de maio de 2017

Quem um verdadeiro protesto tenta esmagar,
Desafia a Verdade, e melhor não se sairá.

Muitos de vocês já devem conhecer a Carta Aberta de sete sacerdotes superiores da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, Carta co-assinada por Superiores de outras três Congregações tradicionais, na qual todos os dez protestaram há três semanas contra a tentativa das autoridades romanas de interferir em matrimônios celebrados dentro da Tradição pelos sacerdotes da Fraternidade. Muito tipicamente, as autoridades da Fraternidade ficaram do lado da Roma Conciliar e estão em processo de punir seus sete sacerdotes “subversivos”. Mas a verdadeira subversão vem daquela Roma que subverte a família e o casamento cristãos, por exemplo, através da Amoris Laetitia. Os líderes da Fraternidade estão dando mais uma prova de sua cegueira suicida. Aqui está a essência da bem escrita Carta:

Dirigida aos fieis da Fraternidade para evitar que eles sejam confundidos pela interferência de Roma, a Carta Aberta começa estabelecendo que os matrimônios celebrados pela Fraternidade nos últimos 40 anos foram e são certamente válidos. Isso porque, para fortalecer os matrimônios, o Concílio de Trento decretou que deveriam ser testemunhados por um pároco ou por seu delegado para serem válidos. No entanto, se por 30 dias não é possível sem “grave inconveniência” encontrar um tal sacerdote, então o casal pode casar-se validamente diante de simples testemunhas leigas, o que se conhece como a forma extraordinária do matrimônio (Cânon 1098 do Antigo Código).

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº XVI (16)

Mosteiro da Santa Cruz

20 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12) 

No dia 12 deste mês, em Vienna, Estado de Virgínia, nos Estados Unidos, os quatro Bispos da Resistência consagraram a Rússia ao Imaculado Coração, afim de que esta grande nação retorne ao seio da Igreja Católica. É evidente que esta consagração não realiza o pedido de Nossa Senhora, pois cabe ao Santo Padre realizar esta consagração em união com todos os Bispos do mundo. No entanto, esta consagração é o que está em nosso alcance.

A importância da conversão da Rússia é evidente. Após ter espalhado pelo mundo inteiro os erros do materialismo ateu, a Rússia é destinada a reparar os males por ela realizados, aos quais se somam os males difundidos pelos países liberais da Europa e da América. São João Bosco, pelo que lemos na revista francesa “Sous la Bannière”, número 190, predisse que a Rússia invadiria a França arvorando uma bandeira negra, que se transformaria, em seguida, em bandeira branca. Que poderia ser esta bandeira branca senão a conversão da Rússia ao Catolicismo?

Nesta mesma revista e neste mesmo artigo, lê-se que o Pe. Gruner foi contatado, em outubro de 2013, pela Embaixada da Rússia em Roma, a qual desejava saber o conteúdo exato da Mensagem de Fátima. O Pe. Gruner, já falecido, foi um grande apóstolo de Fátima, conhecido no mundo inteiro e não foi sem razão que a Embaixada da Rússia pediu-lhe informações sobre Fátima, preferindo-o, provavelmente, às autoridades do Vaticano.

Quanto mais o mal faz progressos, tanto mais Deus revela aos homens os tesouros de sua misericórdia. Que nossas orações possam apressar o triunfo do Imaculado Coração sobre a Rússia e sobre todo o mundo, a começar pela conversão dos homens da Igreja que querem sujeitá-la aos piores inimigos de Nosso Senhor.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

Comentários Eleison CXI (511) - Deus Convoca

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo Ad Altare Dei
26 de abril de 2017

Deus é o Mestre da estrutura cósmica.
Os homens contorcem-se, o Céu enche-se da mesma forma.


O padre Jean-Michel Gleize, professor de Teologia no Seminário de Écône da Fraternidade São Pio X, escreveu dois artigos sobre problemas candentes de hoje que lançam uma interessante luz sobre as suas soluções. Em primeiro lugar, pode o Papa cair em heresia formal? Resposta: talvez, porque os Papas nem sempre foram tidos como isentos de erros, como tem sido sustentado nos últimos séculos. Em segundo lugar, o documento papal Amoris Laetitia mostra que o Papa Francisco caiu em heresia formal? Resposta: estritamente falando, não, mas, na verdade, pode-se afirmá-lo, porque o neomodernismo mina a doutrina enquanto finge sustentá-la. Esta segunda pergunta terá de esperar por outro número destes “Comentários”, pois se o Pe. Gleize não quis ser apanhado entre o sedevacantismo e o liberalismo, ele teve de abordar a primeira questão antes.

No primeiro e mais curto artigo, ele diz que a partir da “Reforma” Protestante, os teólogos católicos em geral, notadamente S. Roberto Belarmino, sustentaram que o Papa não pode cair na negação consciente e pertinaz do dogma da Igreja, isto é, em heresia formal. Eles citam Nosso Senhor dizendo a Pedro para confirmar seus irmãos na Fé (Lc XXII, 32), o que pressupõe que Pedro não pode perdê-la. E eles argumentam que nunca na História da Igreja um Papa caiu em heresia formal. Por outro lado, antes da revolução protestante, diz o Pe. Gleize, os teólogos católicos do século XII ao XVI geralmente julgaram que um Papa pode cair em heresia formal, e esta opinião tem continuado, embora com menos frequência, até os tempos modernos.

Comentários Eleison DX (510) - Predições Sobre a Igreja

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
 
22 de abril de 2017


Tudo no horizonte da Igreja é obscuro, obscuro.
Mas não tenha dúvida - Deus salvará a barca de Pedro.

Como seria de esperar, tem havido não pequenas reações de leitores ao retrato da Fraternidade Sacerdotal São Pio X "declinando lentamente", como apresentado em dois números recentes destes "Comentários". A reação mostra que nem todos os católicos estão cegos ou sem pensar. Aqui estão dois leitores especulando, um sobre o futuro próximo da Fraternidade, o segundo sobre o futuro mais distante da Igreja. Eis o primeiro:

A desestabilização, a confusão e o abrandamento das mentes dos sacerdotes e leigos da Fraternidade, infelizmente continuarão, e para muitos se tornará ainda mais doloroso, porque a liderança atual da Fraternidade perseverará e continuará seguindo em frente com o jogo que estabeleceu com os semiconservadores. A consagração dos bispos "urgentemente necessários" (Dom Tissier) não será mencionada. E quando a eleição dos superiores da Fraternidade já não puder ser evitada no Capítulo Geral normalmente previsto para julho de 2018, os atuais líderes da Fraternidade farão tudo o que estiver ao seu alcance para assegurar que sua busca pelo reconhecimento por Roma continue ininterrupta.

Dependendo de quantas orações sejam feitas para o resgate da fortaleza da verdadeira Fé construída pelo Arcebispo Lefebvre, o Deus Todo-Poderoso pode intervir com um milagre para salvá-la, mas humanamente falando, dir-se-ia que a podridão se alastrou muito para que ela seja salva. Assim, o apostolado mundial da Fraternidade necessita urgentemente de alguns bispos novos e mais jovens, mas como eles podem ser escolhidos para servir a verdadeira Fé anticonciliar sem se indispor com os romanos conciliares que são os únicos que podem dar à Fraternidade o reconhecimento tão desesperadamente perseguido pelo Quartel General da Fraternidade em Menzingen? O Arcebispo Lefebvre disse em 1988 que essa perseguição seria a "Operação Suicídio" da Fraternidade, mas desde quando os liberais ao fazerem cruzada já recuaram? A cruzada pela sua Admirável Nova Ordem Mundial é sua verdadeira religião, esqueça o catolicismo.

O segundo leitor pressupõe que o suicídio da Fraternidade é um trato feito, e ele olha para o futuro da Fé sem a Fraternidade, mais de um ponto de vista divino.

O silêncio que vem de Écône sobre a 'regularização' no momento é ensurdecedor. Parece que o acordo é, na realidade, um "fato consumado". Nesse caso, podemos agora voltar a nossa atenção para o longo caminho de recuperação e cuidado que os Refugiados Católicos Tradicionais certamente precisarão. Uma restauração da ordem a partir do caos e um bote salva-vidas para agarrar, enquanto o navio de Roma que afunda suga os fracos na fé para o fundo do mar. A Fé está diminuindo ou simplesmente se purgando daqueles que têm sido infiéis? Deus nos ajude!

Quando pensamos no futuro da Igreja hoje, devemos ter em mente que a situação é tão dramática que tudo pode acontecer, ou seja, que ninguém sabe de nada, porque se a Fraternidade que tem atuado como uma boia para a Verdadeira Fé por 40 anos está realmente afundando, então o que ainda impede a Roma Conciliar de sugar os fracos na fé até o fundo do mar? Mas Deus é Deus, e Ele pode intervir a qualquer momento e de várias maneiras para interromper o caminho da Sua Igreja para a destruição. No entanto, o pessimismo humano deste leitor parece bem justificado neste momento.

Menos fácil de entender é seu otimismo pelo futuro de uma restauração da ordem e o lançamento de um bote salva-vidas, se os Papas permanecerem conciliares. Pois se há alguma lição a extrair da história da "Resistência" desde 2012, é a extrema dificuldade de fundar uma obra católica sem a aprovação do que pelo menos parece ser a Igreja oficial. A Verdade Católica é imensamente forte por si mesma, mas sem o apoio e a proteção da Autoridade Católica, que é a autoridade de Nosso Senhor, a Verdade permanece altamente vulnerável. Por exemplo, dentro de uma estrutura de autoridade um sacerdote pode facilmente submeter-se a uma proposição com a qual ele discorda, mas fora de qualquer estrutura, ele pode facilmente contestar a sabedoria da mais sábia das proposições.

Paciência. O problema é insolúvel. Oremos e esperemos que o Deus Todo-Poderoso nos atordoe com a Sua solução!


Kyrie eleison.

sábado, 13 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 15

Mosteiro da Santa Cruz

13 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12) 

     Dom Gerardo Zendejas foi sagrado no dia 11 de maio por Sua Exa. Revma. Dom Richard Williamson tendo como co-sagrantes Sua Exa. Dom Jean Michel Faure e o autor destas linhas.

     Ao sagrar os quatro Bispos da Fraternidade São Pio X em 30 de junho de 1988, Dom Marcel Lefebvre lhes indicou duas funções: administrar os sacramentos e assegurar a pregação da fé.

     A razão destas sagrações de 1988 era a gravidade da situação em Roma. Dom Lefebvre dizia: “Eles não mudaram senão para pior”. Hoje nós devemos, infelizmente, dizer o mesmo. Eis porque a operação sobrevivência iniciada por Dom Lefebvre continua hoje com a sagração de Dom Gerardo Zendejas, que deverá administrar os sacramentos e assegurar a pregação da fé católica, para a maior glória de Deus e salvação das almas.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 14

Mosteiro da Santa Cruz

6 de maio de 2017

Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12) 

       O Papa Francisco introduziu a estátua de Lutero no Palácio Apostólico. Seria isto a abominação da desolação posta no lugar santo? Sim, se a este fato acrescentarmos tudo o que se soma e que se somará ainda em matéria de heresias, erros, profanações e sacrilégios que a nova religião institui em toda parte.

       Mas é disto que fala a Sagrada Escritura, ao falar da abominação da desolação posta no lugar santo? Que é exatamente esta abominação da desolação?

       São Jerônimo passa em revista o que pode ser designado por esta expressão e fala do Anticristo e da heresia. Ora Lutero foi um herege e um precursor do Anticristo. Sua estátua no Vaticano é um sinal precursor dos maiores males preditos na Sagrada Escritura.
Que Nossa Senhora de Fátima nos proteja destes males.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 13

Mosteiro da Santa Cruz
29 de abril de 2017


“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)


     Se Deus quiser, uma nova sagração virá, no dia 11 do próximo mês, reforçar as fileiras dos que combatem pela fé e pela honra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     É a divindade de Nosso Senhor que nos dá a certeza de que nosso combate é o bom combate. Lutar para defender os direitos de Nosso Senhor sobre toda criatura, sobre todos os povos, sobre todas as nações não pode ser senão o bom combate.

     Esta sagração se fará no mês de maio e está assim sob a proteção do Imaculado Coração de Maria, do qual devemos esperar a salvação do mundo e o restabelecimento da realeza de seu divino Filho.

     No prolongamento das sagrações de 1988 queremos simplesmente continuar a obra de Dom Marcel Lefebvre, a cujo heroísmo deve-se o não terem triunfado as portas do Inferno contra a Santa Igreja Católica.




+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

sábado, 22 de abril de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - nº 12



22 de abril de 2017

“Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)

Santo Agostinho distingue duas cidades adversas neste mundo, que ele define da seguinte maneira:

Dois amores deram nascimento a duas cidades: a cidade terrestre, que procede do amor de si mesmo levado até o desprezo de Deus, e a cidade celeste, que procede do amor de Deus levado até o desprezo de si mesmo.

Dom Emmanuel André compara estas duas cidades a dois polos: a Igreja é o polo positivo, e as sociedades secretas o polo negativo. Entre estes dois polos flutuam os membros de todas as outras sociedades religiosas, que tendem ou a converterem-se ao catolicismo ou a aproximarem-se das sociedades secretas e de suas doutrinas.

Entre os mestres das sociedades secretas encontra-se René Guénon, que é um dos autores mais penetrantes da Contra-Igreja, devido à clareza de seu espírito. Este autor influenciou e ainda influencia mesmo membros da Igreja Católica. Isto é devido à negligência dos pastores que não denunciam os erros deste autor e de seus seguidores, como os seus erros sobre a tradição e a metafísica, entre outros.

Quanto mais os séculos se aproximam da aparição do Anticristo, esta luta entre as duas cidades se acentua. Vigiemos pelo estudo e rezemos para que Deus nos mantenha firmes na fé católica, sem nos deixar levar pelas falsas doutrinas de falsos mestres.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D