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sexta-feira, 3 de março de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 4

Por Mosteiro da Santa Cruz
25 de fevereiro de 2017

“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)

Mesmo crendo que o texto da terceira parte do Segredo de Fátima não foi devidamente ou inteiramente ou de modo nenhum revelado pelo Vaticano, temos sérias razões para pensar que ele trata da apostasia atual.

Ora desde há muito tempo vemos o mundo católico traído por parte de sua hierarquia. Um artigo de Gustavo Corção (publicado em “Diário de Notícias”, de 20 de outubro 1967) já denunciava esta traição. Deixemos a palavra ao ilustre escritor:

“Tenho diante dos olhos um programa que anuncia: COMEMORAÇÃO DA REFORMA LUTERANA em fins deste mês. E quem é que quer comemorar os 450 anos de luteranismo? Os católicos. Aconselhados por quem? Pela hierarquia eclesiástica desta cidade do Rio de Janeiro. Sim senhores: os católicos querem COMEMORAR a data que foi um desastre para a Igreja e para a Civilização. Em nome de quê? Dizem que em nome do ecumenismo (…) E aqui está a consciência católica mais uma vez afligida, mais uma vez aturdida diante de novidades tolas que surgem por toda a parte como se já não existisse autoridade na Igreja. Disse autoridade? Não, digo como se já não existisse Igreja.”

Festejaram no Rio os 450 anos da Reforma, apesar dos protestos do pequeno grupo de fiéis que, com Gustavo Corção, tentavam, com sucesso, permanecer católicos, mas que tentavam, sem sucesso, abrir os olhos da hierarquia e impedir mais um ultraje lançado ao rosto de nossa Mãe a Santa Igreja. Hoje, festejam-se os 500 anos não só no Rio mas em Roma. Não tenho todos os detalhes dos atos e ditos do Papa Francisco a esse respeito, mas tenho na memória que ao longo destes 50 últimos anos os inimigos da Igreja se fartaram em exaltar hereges e em humilhar Dom Lefebvre, Dom Antõnio de Castro Mayer, sem falar de São Pio X e todos os pontífices, os quais não são senão os enviados d’Aquele que disse: “Quem vos despreza, a mim despreza.”

E a autoridade da Igreja? E a Igreja? Onde estão? Estão em parte ocupadas por cruéis inimigos e em parte por cegos que não sabem o que fazem.

Vigilemos e oremos, pois esta é a hora das trevas. A Igreja está em agonia como seu divino Esposo. Vigiemos com ela nesta hora.

+ Tomás de Aquino OSB

sábado, 10 de setembro de 2016

Comentários Eleison CDLXXVII (477) – Glória de Maria


Por Dom Richard N. Williamson
03 de setembro de 2016

Toda a glória que Maria busca é para seu Filho.
Para si mesma, Ela não busca glória alguma.


Entre as Festas Católicas da Assunção de Nossa Senhora ao Céu (15 de agosto) e a Natividade de Nossa Senhora (8 de setembro), pode ser um bom momento para refletir sobre uma objeção principal Protestante à devoção dos católicos para com Nossa Senhora, a saber, que toda a atenção, honra e oração dirigidos à Nossa Senhora lhe é tanto assim retirado a Nosso Senhor – Ele só é nosso Redentor, assim que somente a Ele devem ser dirigidas toda nossa devoção, adoração e oração. A seguinte citação, provinda como de Nosso Senhor mesmo, coloca muitas objeções em uma perspectiva diferente: —

O olho humano pode não pode olhar ao sol, mas pode olhar à lua. O olho da alma humana não pode mirar a perfeição de Deus tal como ela é, mas pode mirar a perfeição de maria. Maria é como a lua em relação ao sol. Está iluminada por sua luz e reflete sobre vós a luz que a iluminou, mas suavizando-a com esses místicos vapores que a fazem suportável à vossa limitada natureza. Por isso Eu os a proponho desde há séculos como modelo para todos vós a quem quis como irmãos, precisamente em Maria.

Ela é a Mãe. Que doçura para os filhos mirar a sua mãe! Tenho-a dado por essa razão, para que pudesses ter uma doce Majestade para contemplar, cujo esplendor fosse suficiente para arrebatá-los e cativar vosso olhar, mas não tão brilhante como para cegá-los. Apenas ante almas especiais, que elegi por motivos incensuráveis, mostrei-me a Mim mesmo, em todo o fulgor de Deus-Homem, de Inteligência e Perfeição absolutas. Mas junto àquele dom, tive de lhes dar outro que as fizessem capazes de suportar Meu conhecimento sem ser aniquilados.
Enquanto que a Maria a podeis mirar todos. Não porque ela seja semelhante a vós. Oh! Não! Sua pureza é tão alta que Eu, seu Filho e seu Deus, a trato com veneração. Sua perfeição é tão grande que o Paraíso todo se inclina ante seu trono sobre o que descende o eterno contento e o eterno resplendor de Nossa Trindade. Mas este resplendor, que a compenetra e imbui mais que a nenhuma outra criatura de Deus, está difuso pelos velos candidíssimos de sua carne imaculada, pela qual Ela irradia como uma estrela, recolhendo toda a luz de Deus e difundindo-a como uma luminosidade suave sobre todas as suas criaturas.
E além disso Ela é vossa Mãe eternamente. E a Mãe tem todas as piedades que os escusam, que intercedem por vós, que instruem pacientemente. Grande é a alegria de Maria quando Ela pode dizer a quem lhe ama, “Ama a meu Filho”. Grande é minha própria alegria quando posso dizer a quem me ama, “Ama a minha Mãe”. E grandíssima é nossa alegria quando vemos que separando-se de meus pés alguém de vós vai a Maria, ou separando-se do regaço de Maria algum de vós vem até mim. Porque a Mãe goza a dar outras almas enamoradas ao Filhos, e o Filho goza ao ver amada por outros à Mãe. Pois quando de nossa glória se trata, nenhum de nós busca prevalecer, senão que a glória de cada um de vós se completa na glória do outro.
Por isto te digo: “Ama a Maria. Te dou a Ela. Ela te ama e iluminará tua existência com tão somente a suavidade de seu sorriso. Se os católicos soubessem como deixar que sua luz irradie através deles, eles atrairiam incontáveis almas até seu Filho e até Deus, como verdadeiramente os Protestantes devotos só podem desejá-lo.

Kyrie eleison.

sábado, 23 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXXI (471) - Academia Diagnosticada


Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Cristoph Klug
23 de julho de 2016


Se a Academia hoje carece de rima e razão
É porque os homens da Igreja cometeram traição.



Quando sua Excelência perguntou como estudante de História, se estava de acordo com o senhor em que a fenomenologia agnóstica condenada na Pascendi é a maior e única chave para entender a cena moderna, concordei brevemente. Logo me perguntei como os homens, especialmente os eruditos, puderam tomar seriamente a insensatez de que a mente não pode conhecer nada mais além dos fenômenos, ou aparências. E lembrei como, pelo fato de estar sentado em classes da Universidade pelos últimos três anos e meio e escutando cuidadosamente a alguns brilhantes professores que parecer ter senso da realidade, e a outros muitos que não, comecei e me perguntar por que alguns têm um grande senso de razão e outros com os mesmos ou semelhantes Títulos de Doutorado, têm adotado essas ideias selvagens e irracionais. Permita-me que lhe dê a resposta deste observador da cena acadêmica desde há muito tempo...

Depois de haver refletido um pouco, ocorreu-me que os professores mais lógicos eram católicos, porque eles podem ser conservadores no melhor dos casos, mas têm uma visão realista do mundo. As ideias e conceitos que ensinam são, em sua maioria, sensatas. Por outro lado, os ensinamentos da maioria dos professores são dúbios, confusos e insensatos. Eles professam ideias estranhas e bizarras e as respaldam com meias verdades. Adotam quase qualquer noção que esteja em moda como o Aquecimento Global ou Mudança Climática (a nova “Evolução”) e a mostram como verdade. Seu raciocínio por trás destas noções é insensatez pura e não resiste à menor análise. Comecei a me perguntar como podem estes homens eruditos serem tão ignorantes? Após muito pensar, cheguei à conclusão do que estou seguro de que seja a verdadeira resposta.

Dado que os professores que são mais sensatos são homens que ao menos se esforçam por ser católicos, parece razoável pensar que eles possuam algo que os pagãos não têm. Antes da revolta de Martim Lutero, a maioria dos acadêmicos ou homens eruditos eram católicos que usavam sua razão e possuíam senso comum, e por isso a maioria ensinou e creu na mesma verdade. Quando Lutero fez estragos na Igreja também fez estragos nos clérigos eruditos e professores universitários. Em particular, sua nova religião eliminou o Sacramento da Confirmação pelo qual sabemos que os católicos recebem os sete Dons do Espírito Santo, quatro dos quais são para a mente: Ciência, Sabedoria, Entendimento e Conselho. Todos os quatro agora estão ausentes nos agnósticos professores de hoje. Estes bem podem ser pessoas bem educadas, eruditas, mas não podem fazer uso de seu conhecimento de uma maneira razoável ou aplicá-lo à realidade. Como Pio X disse, eles desenvolvem fantasias e as mostram como verdadeiras e, mais ainda, convencem-se a si mesmos que eles são brilhantes quando de fato estão chafurdando em ignorância. Eles são o culto do 2+2=5! E orgulhosos dele.

Nesta teoria, a destruição atual da academia proviria do abandono por parte de Lutero do Sacramento da Confirmação e às universidades da Europa tornando-se cada vez menos católicas. Eventualmente foram desatados milhares de professores no mundo da academia, que foram educados além de sua habilidade para raciocinar. Carecendo de Sabedoria, Entendimento, Ciência e Conselho em seu sentido mais elevado como Dons de Deus, eles desenvolvem nas universidades a panóplia de erros de hoje ou “-ismos”. Por exemplo, afirmar que o Aquecimento Global destruirá o homem e o mundo é pura insensatez; mesmo assim é ensinado e crido nas universidades modernas como se fosse 2+2=4. E estas ideias venenosas são engolidas pela juventude ingênua nas Universidades como se fossem pão fresco, especialmente a ideia de que a Verdade é meramente o que cada um de nós acredita que é, e que se dane a Razão.

Então, acontece que quando o Vaticano II escolheu seguir os passos de Lutero ao abandonar a Tradição e ao “renovar” o sacramento da Confirmação de uma maneira tal para ameaçar sua validade, os Católicos também fizeram perigar os Dons do Espírito Santo e perderam correspondentemente a habilidade para raciocinar, porque a Confirmação da Neo-Igreja tem agora simplesmente por propósito torná-los “melhores Cristãos”.

Kyrie eleison.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Afixação de 95 teses no portal da igreja de um castelo?



Nunca houve a propalada exposição pública das teses de Lutero; trata-se apenas de uma lenda histórica, inventada pelas Igrejas Protestantes, segundo a qual Martinho Lutero, monge agostiniano e professor de Teologia da Universidade de Wittemberg, pregou noventa e cinco teses, aos 34 anos, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg, abrindo, com essas “ressonantes marteladas”, uma nova era na história da Igreja e do mundo europeu. Isto é o que dizem os historiadores da Igreja Católica Romana, na época moderna, com base em pormenorizados estudos nas fontes existentes. Surgiu uma polêmica científica sobre o problema entre os professores universitários Erwin Iserloh, Klemens Honselmann, Kurt Aland, Heinrich Bornkamm e muitos outros[1].

O fato fora de questão, e que pode ser comprovado inequivocamente nas fontes, é que Lutero, no dia 31 de outubro de 1517, enviou as noventa e cinco teses sobre as Indulgências, por ele redigidas, ao Arcebispo Albrecht von Hohenzollern, de 27 anos, então em exercício de suas funções na cidade de Magdeburgo. O manuscrito foi acompanhado de uma respeitosa carta.

FITZER, Gottfried. O que Lutero realmente disse, Civilização Brasileira, 1971, p. 1.


[1] Erwin Iserloh, A Fixação das Teses por Lutero: Fato histórico ou lenda?, Wiesbaden, 1962.
Clemens Honselmann, “A Publicação das Teses Sobre as Indulgências, de Lutero: 1517” (in Teologia e Fé, 55, 1965, pp. 1-23).
Hans Volz, A Afixação das Teses de Lutero e sua Preparação, Weimar, 1959.
Kurt Aland, As Noventa e Cinco Teses de Lutero, Hamburgo, 1965, Editora Furche, nº 211.
Heinrich Bornkamm, Teses e a Afixação das Teses de Lutero, Berlim, 1967.