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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Excerto de "Complô Contra a Igreja"

Excerto de Complô Contra a Igreja, de Maurice Pinay (pseudônimo), às páginas 336 e 337. Editora Revisão, 1994.

O famoso historiador holandês Reinhart Dozy dá interessantes pormenores sobre a conspiração judia que estamos analisando que, por outro lado, são confirmados pela Enciclopédia Judaica Castelhana, que é uma voz autorizada do judaísmo; o referido investigador, referindo-se aos israelitas do Império Gótico, diz: "Por 694, dezessete anos antes da conquista da Espanha pelos muçulmanos, projetaram uma sublevação geral, de acordo com os seus correligionários de além do Estreito, onde várias tribos berberes professavam o judaísmo e onde os judeus desterrados da Espanha haviam encontrado refúgio. 

A rebelião provavelmente devia estalar em vários lugares ao mesmo tempo, no momento em que os judeus da África houvessem desembarcado nas costas da Espanha; mas antes de chegar o momento convencionado para a execução do plano, o Governo foi posto ao corrente da conspiração. O Rei Egia tomou imediatamente as medidas ditadas pela necessidade; tendo depois convocado um Concílio em Toledo, informou os seus guias espirituais e temporais dos culpáveis projetos dos judeus e pediu-lhes que castigassem severamente essa raça maldita. Ouvidas as declarações de alguns israelitas, por onde se apurou que o "complot" pretendia nada menos que converter a Espanha em Estado judeu, os Bispos, estremecendo de ira e indignação, condenaram todos os judeus à perda de seus bens e da sua liberdade. O Rei entregá-los-ia como escravos aos cristãos e aqueles que até então haviam sido escravos dos judeus, o Rei emancipava-os"...(114)

Um caso típico de como atua a quinta coluna judia contra as nações que lhes oferecem albergue.

(114) Reinhart Dozy. "Histoire des Musulmans d'Espagne". Leiden. 1932. Pág. 267. E "Enciclopédia Judaica Castelhana". Ediç. cit. Tomo IV. Vocábulo España.

sábado, 9 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXIX (469) – Brexit – Sério?


Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Cristoph Klug

09 de julho de 2016

Brexit nos lembra mais uma vez ­–
Edificar sem Deus é insensatez.


Muitos leitores destes “Comentários” devem estar supondo que, como um inglês que em nada lhe agrada da Nova Ordem Mundial, devo estar em regozijos sobre o voto recente do povo britânico, ainda que por uma margem relativamente pequena, para deixar a União Europeia quase-comunista. Desgraçadamente, devo admitir que tudo o que aprendi durante as últimas décadas sobre o NOM, me faz duvidar que a aparente saída da Grã-Bretanha finalmente culminará em uma reafirmação do que alguma vez foi o melhor na Grã-Bretanha. Através do Atlântico, da mesma forma, poderia gostar de Trump e odiar Hillary, mas seguramente os dois foram colocados juntos para teatralizar para nós um show de marionetes Colombina e Arlequim.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Maximiliam Kolbe aos Maçons: Vocês são controlados pelos Judeus



Em 1917 Maximiliano Maria Kolbe fundou a Milícia da Imaculada. Sua luta não se voltou para combater os inimigos da Igreja, mas sim para convertê-los para que eles pudessem alcançar a salvação eterna. É com esse espírito que ele se dirigiu aos seus inimigos.


O Talmude: uma coleção de instruções 
anticatólicas
Em um artigo intitulado “Os Pobres”, ele descreve o ódio expresso por Cristo e sua Igreja no Talmude: “O homem foi redimido, e Cristo fundou Sua Igreja sobre a rocha. Alguns do povo hebreu reconheceram-no como o Messias, mas outros – entre eles principalmente os fariseus – não quiseram reconhecê-lo. Ao invés disso, perseguiram os Seus seguidores e emitiram numerosas leis que obrigam os judeus a perseguir os cristãos. Essas leis, juntamente com histórias e apêndices, tornaram-se seu livro sagrado chamado O Talmude, em torno do ano 500 d.C.

“Neste livro os cristãos são chamados de idólatras, piores do que os turcos, assassinos, libertinos impuros; eles são o estrume, animais em forma humana, piores do que animais, filhos do Diabo, etc. Os sacerdotes católicos são chamados de adivinhos e burros calvos… a Igreja é chamada a casa de estupidez e sujeira; estátuas religiosas, medalhas e rosários são chamados de ídolos. No Talmude, domingos e festas de preceito são considerados dias de perdição.

domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre Michel Foucault

Por Maria José Del Olmo Toledo, Mestra em História Social pela PUC - São Paulo

Críticos a Foucault há muitos, infelizmente, a lenda foucaultina contribui para calar essas vozes. Um dos primeiros críticos foi o filósofo brasileiro José Guilherme Merquior (já falecido). Em 1985 Merquior escreveu um livro publicado pela Nova Fronteira, chamado “Michel Foucault ou o niilismo da cátedra”, com críticas incisivas a Foucault. Mas há outros como o historiador britânico Ian Maclean, que criticou com rigor as “epistemes” de Foucault. Claude Quétel que escreveu o livro “História da loucura”, referindo-se com o título ao próprio Foucault e, onde afirmava que já era hora “de acabar com Foucault e suas mitologias, ainda que ocupem sempre a paisagem epistemológica e sobretudo midiática”. Marcel Gauchet, outro crítico, explicando a longevidade de Foucault afirma: “de que adianta discutir aquilo que se apresenta como a interpretação poderosa, eficaz, soberana?”. 

O texto transcrito a seguir foi escrito por Jean-Marc Mandosio, professor da Escola Prática de Altos Estudos, de Paris.

O texto é parte de um livro que teve pouca repercussão, obviamente, dado o prestígio de Foucault. No Brasil foi publicado pela editora Achiamé, “A longevidade de uma impostura: Michel Foucault”. Ele começa afirmando que “de todos os falastrões que tiveram sua hora de glória na França, nos anos 1960/70, e depois reviveram por conta do entusiasmo das universidades americanas pela teoria francesa, Michel Foucault é o que goza ainda hoje de prestígio. ” Afirma ainda que as ideias de Foucault são, apesar de tudo, menos delirantes do que as de Deleuze, Guattari ou Derrida. 

Para Mandosio, “a história representa um papel essencial em Foucault, que se manteve constante neste ponto: a perspectiva histórica permite relativizar as evidências do presente. [...] A história como ele a entende não é, em absoluto, a mesma que praticam os historiadores; trata-se antes de uma “genealogia” no sentido que Nietzsche deu ao termo em Genealogia da moral ao historicizar os valores supostamente eternos, da moral cristã.”

“Esta “genealogia” ou “arqueologia” (os dois termos são praticamente equivalentes) que encontramos no título de vários livros de Foucault não é o relato de um desenvolvimento contínuo, cumulativo, progressivo, mas a exumação de uma série de estratos heterogêneos e descontínuos. [... para Foucault] a história das ideias não é linear e tampouco dialética, mas procede por rupturas sucessivas nas quais se passa de um “regime de saber” a outro; a história é uma sucessão de “epistemes””. [é como dizer que cada período tem uma “episteme” própria, ou seja uma visão de mundo própria, fechada e contida em um período histórico, sem relação com o passado, com os saberes anteriores, o que nega qualquer tipo de história]. “A palavra é muito mal escolhida, dado que, em grego, episteme significa simplesmente “ciência” ou “conhecimento”. [...] É precisamente a sucessão de epistemes que levanta um problema. Como se passa de uma a outra? [...] Isto não está claro, já que Foucault se abstém de recorrer aos modelos prévios de explicação das transformações históricas (ele é particularmente alérgico ao modelo dialético) sem, no entanto, substituí-los por um novo modelo. A transição entre epistemes está, portanto, fadada a permanecer um mistério.”

“[...] Muito mais incômodo é que Foucault costuma formular interpretações bem discutíveis, para não dizer aberrantes, dos textos que cita. Esta distorção das fontes está ligada sobretudo à sua doutrina das epistemes. Merquior fornece uma excelente análise da questão, enumerando, com apoio de exemplos, as diferentes categorias de fenômenos que a arqueologia de Foucault se vê obrigado a “ignorar de forma flagrante”, dando lugar a anacronismos e contrassensos em cascata.”

Isto são apenas algumas das críticas a Foucault. Geralmente temos a tendência a achar que o texto escrito é condição de verdade e acabamos caindo no argumento da autoridade (porque tal autor disse). Ao ler um texto devemos dialogar com o mesmo, ou seja, fazer perguntas do tipo “o que quis dizer? ” quando uma frase não é clara, voltar e ver se é possível perceber o que o autor quis dizer. Acreditem, em autores difíceis de entender muitas vezes o problema está neles. Não são claros, seus conceitos são difusos, suas frases muitas vezes rebuscada nos levam à confusão... E, finalmente, se ainda assim gostarem de Foucault, boa sorte! 

domingo, 14 de junho de 2015

Papisa Joana: A Lenda



Entre São Leão IV e Bento III (855), uma calúnia, acreditada pela ignorância e pela má fé, coloca na Sé apostólica a famosa papisa Joana. Os escritores hostis ao papado pretenderam, sem citar em apoio à sua opinião um só testemunho contemporâneo, que uma mulher, por nome Joana, originária de Moguncia e de gênio distinto, conseguira dissimular seu sexo e entrar nas ordens sob o nome de João da Inglaterra. Alcançando, graças a seus talentos, as mais altas dignidades eclesiásticas, teria sido eleita, como papa, em 855, sob o nome de João VIII. A fábula toma agora as proporções de uma obscenidade grosseira. Durante uma procissão solene, a papisa Joana dá à luz na mesma igreja de São João de Latrão. Nada dizemos da vergonhosa cerimônia da sedia cujos pormenores não podem ser escritos por uma pena honesta.

Durante três séculos, nenhum historiador falou nessa fábula tão ridícula quão inverossímil, de uma mulher elevada ao soberano pontificado. Ainda mesmo que o caso fosse verdadeiro, para a Igreja não resultaria nem responsabilidade nem vergonha. Seria uma surpresa e nada mais. Mas nenhum testemunho sério e contemporâneo autoriza a reconhece-lo como autêntico. Na sua História da Igreja, o cardeal Hergenroether, cuja competência e autoridade são indiscutíveis, contenta-se com dizer: “É uma fábula desde muito tempo reduzida ao nada, que Leão IV tivesse como sucessor a papisa Joana”.

Mas pode-se perguntar: qual foi, portanto, a origem de semelhante boato, e de que modo se pôde propagar? Num trabalho publicado em 1863, o doutor Doellinger, cuja ciência histórica é incontestável, rejeita a opinião que faria remontar ao século XI a origem da lenda, e seria mais verdadeiro dizer que data só do meado do século XIII. Segundo Barônio, a fábula da papisa não seria mais do que uma sátira da indolência de João VIII, particularmente no procedimento de Fócio. O O. Secchi, sábio jesuíta de Roma, não vê nisso senão uma calúnia inventada pelos Gregos. Em suma, as explicações soçobram todas perante o silêncio da tradição, e, apesar dos trabalhos históricos empreendidos em nossos dias, nada se descobriu que remonte além do século XIII. É no livro dos “Sete dons do Espírito Santo”, escrito pelo Dominicano Estevam de Borbone, lá pelo meado do século XIII, que apareceu, pela primeira vez, a notícia da papisa Joana; outro Dominicano, Martinho o Polaco, por muito tempo capelão do papa, propagou-a na sua “Crônica dos papas”. Cita-se também certo manuscrito de Anastácio, o Bibliotecário, onde esta lenda teria aparecido, não no texto, mas na margem e em caracteres diferentes dos da obra, o que revela uma interpolação. A mesma narrativa passou nas diversas Crônicas dos século XIV e XV, redigidas, as mais das vezes, por frades dominicanos ou franciscanos. Os autores da “História literária da França” admiram-se e com razão de que os propagadores mais ingênuos e talvez os inventores de uma história tão injuriosa para o papado, se encontram precisamente nas fileiras de uma milícia tão fiel à Santa Sé.

Em todo o caso, a lenda progrediu muito. No concílio de Constança, João Huss se aproveitou dela a favor de sua doutrina sobre o papado e não foi rebatido. O mesmo João Gerson lembra a história de um papa feminino para mostrar que a Igreja pode se enganar sobre uma questão de fato. O caso parecia portanto admitido sem contestação.

Concebe-se então que, na segunda metade do século XV, os Gregos se valessem dessa fábula; era um achado precioso para os inimigos da Santa Sé e para a causa do cisma. Explica-se do mesmo modo que, no século XVI, os discípulos de Lutero e de Calvino explorassem esse conto com uma animosidade prodigiosa e lançassem mão de tal invenção para dela se fazer uma arma contra o papado.

Contudo, vários dos mais doutos e mais conscienciosos entre os protestantes, tais como Blondel, Casaubon, Bayle, não se demoraram em combate-la. Chamier, Dumoulin, Bochart, Basnage e outros homens instruídos, de diversas seitas, não hesitaram em tratar a história da papisa Joana como pura invenção de copista ou de comentador. O pastor Jurieu a qualifica de fábula monstruosa, e Bayle de simples historieta.

Os escritores católicos, Eneas Sylvius, em seguida papa, sob o nome de Pio II; Onufro Pavini, Belarmino, Florimundo de Rémond, de Launoy, o P. Labbe e muitos outros, refutaram amplamente a velha lenda. Mas desprezam-se essas fontes preciosas de erudição. O século XVIII ressuscitou a questão que foi de novo abafada pela Revolução. Uma monstruosa compilação em nossa época: “Os crimes dos papas e dos reis”. Repetiu e desenvolveu a velha lenda da papisa. Quantos ignorantes e papalvos, em nossos dias, julgam ainda fazer dela um argumento contra a Igreja!
Depois do histórico da questão, vamos às provas de que a pretensa papisa Joana não é mais do que uma fábula insustentável.

1 – Esse fantasma não acha lugar para se colocar entre Leão IV e Bento III. Leão IV morreu em 17 de julho de 855; Bento VIII foi, com toda a verossimilhança, eleito no mesmo mês e sagrado em 29 de setembro do mesmo ano. Então, em que fica o reinado da papisa?

2 – Já dissemos: Nenhum contemporâneo fala de tal papisa Joana; os três séculos seguintes observam o mesmo silêncio a respeito, e é somente no século XIII que esta fábula é consignada por escrito na crônica interpolada de Martinho, o Polaco.

3 – Como todas as fábulas e lendas, a da papisa Joana é diversamente contada. Essa mulher elevada sobre a cadeira de São Pedro, nasce ora em Atenas, ora em Moguncia, ora na Inglaterra. No princípio, não se lhe conhecia o nome e não era douta; ocupava o cargo de simples secretário; em seguida, chamou-se Inez, Gilberta e Joana, este último nome sendo mais parecido com o de João, usado naquela época por alguns papas cuja reputação ficava equivoca ou eivada de fraqueza.

4 – Quanto à famosa pedra monumental de uma das ruas de Roma, com uma inscrição de letras iniciais e enigmáticas; quanto à estátua descoberta na mesma rua em que o cortejo pontifical evitava de passar, estátua representando uma mulher e perto dela um menino, é necessário todo um sistema preconcebido de interpretação para ver nisso tudo uma alusão à papisa Joana, e os arqueólogos indicaram-lhes uma significação histórica e completamente romana fora dessa falsa história.

Para concluir, somos do parecer do ministro protestante David Blondel, o qual, refutando esta fábula, declara que “não se deve aplicar o espírito em pesquisas inúteis sobre um assunto que não merece consideração alguma”. “Os protestantes”, dis Bayle, “puderam objetar legitimamente o conto da papisa enquanto não estava refutado. Dele não eram os inventores; achavam-no em várias obras compostas por bons papistas; mas desde que foi refutado por razões indiscutíveis, tiveram que abandoná-lo.

A questão é, portanto, julgada. Hoje, para qualquer espírito instruído e sério a fábula da papisa Joana não é mais do que uma prova da baixeza a que pode resvalar o espírito de partido eivado de preconceitos contra a Igreja e contra a verdade. 


Cauly, Mons. E. Curso de Instrução Religiosa, Tomo IV.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

As Características dos Pagãos e do Povo Judeu - Padre Julio Meinvielle

OS POVOS PAGÃOS

Deus não criou os povos no paganismo. Sua divina misericórdia, mesmo depois da queda, confortou ao homem com os meios necessários para que conquistasse sua eterna salvação. A lei da natureza, pela qual se regiam os homens nessa primeira idade do mundo, não se chamava assim por oposição à lei sobrenatural, já que também ela compreendia os preceitos sobrenaturais da fé, da esperança e da caridade, mas sim por oposição à lei exterior ou escrita. Pois em lugar de ser proposta exteriormente, era conhecida seja pelo simples instinto da natureza, no que se refere aos preceitos da ordem natural, seja por uma simples inspiração divina sobre os preceitos da ordem sobrenatural. Neste estado, diz São Tomás (Suma Teológica III, q. 60, a. 5, ad. 3) os homens não se moviam a adorar a Deus por nenhuma lei exterior, mas somente pelo instinto interior. E muitos foram os justos que acomodaram sua vida a esta lei de natureza, não somente entre os primeiros patriarcas da humanidade, mas também depois de Abraão e de Moisés, como por exemplo o Santo Jó, que não sendo judeu nem prosolélito, deu grandes e extraordinárias mostras de santidade, e possivelmente muitos sejam agora os que por ela se rejam e se salvem. Isto pode se pensar particularmente dos grandes varões do bramanismo da Índia, que em símbolos e em altíssimos princípios teológico-metafísicos, alcançam um conhecimento tão elevado das coisas de Deus que se poderia ser acreditado hoje patrimônio exclusivo dos cristãos. (Ver Johanns S. J. "Vers le Christ par le Vedanta").

Thomas Couture, I Romani Della Decadenza, 1847

O paganismo é a infidelidade dos homens a esta lei de natureza. São Paulo nos descreve com caracteres definitivos os aspectos próprios do paganismo.

Na Carta aos Romanos I, diz o Apóstolo, falando dos pagãos: 

21. Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, mas desvaneceram-se nos seus pensamentos, e obscureceu-se o seu coração insensato;
22. porque, dizendo ser sábios, tornaram-se estultos,
23. e mudaram a glória de Deus incorruptível para a figura de um simulacro de homem corruptível, de aves, e de quadrúpedes, e de serpentes.


Deduzimos daqui as características do Paganismo.

Primeira característica: reconhecimento de Deus.
O paganismo não é ateu. Reconhece a Deus e confia em sua Providência. E a um Deus uno, governador do mundo, distinto do mesmo mundo. São Paulo na passagem citada insinua claramente esta ideia que tem sido confirmada cientificamente pelos modernos investigadores das religiões. O que se chama henoteísmo (adoração de um) não é mais que isto. "O henoteísmo, diz o filósofo Hartmann, tem seu fundamento na identidade positiva que se reconhece na base de todas as divindades da natureza, identidade que permite honrar, na pessoa de cada deus (principalmente naquela de cada um dos deuses admitidos desde a origem, a divindade no sentido absoluto, o divino, Deus. E Tertuliano reconhecia o caráter henoteísta do culto pagão quando falando à alma humana dizia: "Confessas ao Deus único e somente a Ele nomeia, quando falando às vezes aos deuses parece lhes conferir um poder que não têm." (De Testimonio animae, c. 2); e Santo Agostinho quando escreve: "Ainda antes de crer em Cristo, os pagãos não puderam ignorar totalmente o nome d'Aquele que é o Deus do universo; porque o prestígio da verdadeira divindade é tal que não pode permanecer total e plenamente escondida a uma criatura racional, usando de sua razão."

Segunda característica do paganismo: a idolatria.
Diz São Tomás II, II, 194, a. 1, ad. 4), que o nome da idolatria se impôs para significar qualquer culto dado às criaturas, mesmo que se faça sem imagens". E como os pagãos não possuíam uma ideia clara da transcendência de Deus, que está infinitamente acima de todo a criação como o Ser Necessário acima do contingente e ao mesmo tempo de sua divina imanência que está presente em todo o ser e em toda a atividade das criaturas, como Ser e Causa Primeira, (São Tomás III, q. 2 e 8) viram a divindade nas coisas mutáveis da criação, fracionaram-na nestas mesmas coisas corruptíveis e nelas a adoraram.

Terceira característica do paganismo: a divinização do poder.
O paganismo, diz São Paulo, chegou a mudar a glória de Deus incorruptível para a figura de um simulacro de homem corruptível. Divinizaram-no totalmente e não puderam então deixar de assinar caracteres divinos ao Poder e sobretudo ao Poder político, que é a suma dos poderes concebíveis na terra. O paganismo não podia distinguir na razão de todo e de parte que lhe cabe a todo homem. É um todo porque o homem, cada homem, mesmo o mais infeliz e desgraçado, está ordenado diretamente a Deus, seu fim último. É uma parte, porque para alcançar a plenitude do todo, tem que se submeter como parte das distintas sociedades, necessárias para sua perfeição. O homem é todo, é uma pessoa, e neste sentido não pode estar totalmente submetido a nenhum poder da terra: pelo contrário, os poderes da terra e mesmo a Igreja foram feitos para o homem. O homem é parte e deve obediência aos poderes legítimos, cuja autoridade vem de Deus (Rm XIII, 1-2). (Cf. Julio Meinvielle, Concepción Católica de la Política.) O paganismo teve de fazer forçosamente do Poder, do Estado, um Deus. Reconheceu o caráter orgânico e hierárquico do poder, porém para divinizá-lo. O poder resultava por ele mesmo, inevitavelmente tirânico, porque não servia ao homem, mas se servia dos homens.

Quarta característica do paganismo: a religião nacional.
Não reconhecendo o paganismo nem a transcendência de Deus, que está acima de tudo o que foi criado, nem a transcendência do homem, que, em último termo, não se ordena totalmente senão somente a Deus, não podia se dar uma ideia de uma religião universal, una para todos, assim como há um só Deus, Criador e Fim dos homens. A religião estava particularizada como o Estado, e com ele identificada. O César, o monarca, o cônsul, o tribuno, era também quem regulava a vida religiosa quando não era o objeto mesmo do culto.

Quinta caraterística do paganismo: exaltação dos próprios instintos e ódio ao estrangeiro.
Quando se ignora a Deus não se pode verdadeiramente conhecer o homem, feito à imagem e semelhança de Deus. E assim o paganismo desprezou o homem. Desprezou o homem enquanto o exaltava. Porque lhe exaltava em uns e desprezava em outros; exaltava-lhe nos do próprio sangue, cidade ou tribo, e lhe desprezava nos de outro sangue, cidade ou tribo. Exaltava-lhe ao glorificar-lhe em vergonhosos instintos. São Paulo lhes reprova isto aos pagãos, em sua célebre carta aos Romanos I, 24-32.

24. Pelo que Deus os abandonou aos desejos do seu coração, à imundície; de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos;
25. eles, que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém.
26. Por isso Deus entregou-os a paixões de ignomínia. Porque as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza.
27. E, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a carga que era devida ao seu desregramento.
28. E, como não procuraram reconhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém,
29. cheios de toda a iniquidade, de malícia, de fornicação, de avareza, de maldade, cheios de inveja, de homicídios, de contendas, de engano, de malignidade, mexeriqueiros,
30. detratores, odiados por Deus, injuriadores, soberbos, altivos, inventadores de maldades, desobedientes aos pais,
31. insensatos, sem lealdade, sem afeto, sem lei, sem misericórdia.
32. Os quais, tendo conhecido a justiça de Deus, não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também que aprova aqueles que as fazem.




O POVO JUDEU



Tais são as características comuns que se aplicam ao mundo pagão nas distintas e grandes civilizações que criaram, não somente na greco-romana, como também nas antiquíssimas civilizações babilônicas e egípcias. Todos estes são povos idólatras, que ao perder o conhecimento do verdadeiro Deus, corromperam também os princípios de ordem e salvação sobre os quais deve estar edificada a cidade terrestre.

Os restos arqueológicos nos dão pálida ideia das grandes e colossais empresas que teceram e realizaram, mas diminuíram o homem, despojando-o das prerrogativas de dignidade humana que constituem sua verdadeira grandeza. O homem foi desumanizado, para se converter em coisa útil, em ferramenta. Ao perder o homem a Deus, também perdeu-se a si mesmo.

Por isso Deus separou para si um povo, que fosse Seu povo e na qual se conservasse intacta a revelação primitiva que Deus havia comunicado aos primeiros pais da humanidade. Dois mil anos antes de Jesus Cristo, Deus chama a Abraão e lhe diz: Sai de tua terra e de tua parentela, e vem à terra que te mostrarei. (Gn XII, 1).

2. E eu te farei cabeça de uma grande nação, e o abençoarei e enaltecerei teu nome e tu serás bendito.
3. Bendirei aos que te abençoarem e amaldiçoarei aos que te amaldiçoarem e em ti serão benditas todas as nações da terra.




A este povo Deus lhes dá uma lei escrita, a qual não salva por si, por uma eficácia intrínseca, mas que é sinal d'Aquele em quem devem ser benditas todas as linhagens da terra. Este povo torna-se então santificado e consagrado a Deus não por ser tal povo, nem por vir do Pai Abraão, senão pelo Cristo, o Filho de Deus bendito pelos séculos, o Prometido, o Libertador, o Redentor, que devia sair de seu seio.

Este povo, ao qual Deus protege de modo especial, trouxe-nos de fato o Redentor, e a mãe do Redentor, e aos apóstolos, tronco primeiro da Igreja de Cristo. O povo judeu foi em Cristo o veículo dos grandes bens da humanidade.

Mas assim como o paganismo é uma infidelidade à lei da natureza, assim o Judaísmo é uma infidelidade à lei escrita. O grande pecado dos judeus consiste em que por aderirem ao sinal, à figura, perderam a substância de salvação que é Cristo. Como escreveu em palavra eterna São João (Evangelho I, 11): Veio à sua própria casa e os seus não o receberam.

A característica distintiva do povo judeu, depois que Cristo veio ao mundo é seu anti-cristianismo. Odeiam a Cristo como a um traidor saído de sua raça. Odeiam-no porque consideram que ele os decepcionou: quando devia ter trazido a eles a grandeza dominadora sobre todos os seus inimigos, os outros povos, não fez senão atá-los ao jugo dominador destes mesmos povos.




A segunda característica distintiva do povo judeu é sua ambição por dominar o mundo. O que Cristo não fez, deve fazê-lo sua raça. O povo judeu, que tem consciência de seu destino eterno através da História da humanidade, quer que as promessas que lhe foram feitas e que as entenderam sempre em sentido carnal, logrem cumprimento. Assim inverteram o messianismo; ao que na mente de Deus teve um sentido espiritual, deram eles uma significação material e trabalharam com uma consciência metida no íntimo de sua raça, através dos tempos, em meio dos mais diferentes povos, certos de que virá o dia em que eles, desde Jerusalém, centro do mundo, dominarão com cetro forte as nações.

Aos judeus lhes cabe então a missão de serem os corrompedores dos povos cristãos, com a consciência clara de que quanto façam por corromper a estes povos, apartando-os de Jesus Cristo e de todos os laços tradicionais de vida, é tarefa preparatória para sua futura dominação.



MEINVIELLE, Pe. Julio. Los tres pueblos bíblicos en su lucha por la dominación del mundo. Buenos Aires: Adsum, 1937.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O que é o Nacional-Socialismo? - Gonzague de Reynold

Trecho retirado do livro do historiador Gonzague de Reynold, "De Onde Vem a Alemanha?"




É uma revolução. A revolução alemã. É para a Alemanha e para os países submetidos diretamente à sua influência, o equivalente da revolução francesa. É um regime socialista organizado no quadro nacional e inspirado pelo nacionalismo.

O nacional-socialismo é uma revolução sob o figurino alemão: romântica e dinâmica. É às vezes uma volta ao passado mais longínquo, mais bárbaro, e ao mesmo tempo o salto mais ousado, o mais “técnico” no futuro.

É uma revolução de extrema-esquerda. É um jacobinismo junto ao qual o da revolução francesa aparece singularmente burguês e clássico. Dirigiu-se, se não chegar nunca ao fim de sua própria tendência, ao vazio intelectual, ao niilismo moral, à tirania da organização.

Se, decididamente, a sociedade deve dirigir-se para uma forma em que o indivíduo será totalmente absorvido pelo coletivo, e a consciência pessoal totalmente negada na consciência coletiva, onde o ser humano será reduzido ao papel de uma formiga superior, perceber-se-á que o impulso dado nesse sentido pelo nacional-socialismo terá sido mais decisivo que o esforço bolchevista.

É bom ter sob os olhos todos os pontos desta escala descendente.

O declive começou no século dezoito. Neste século a razão foi separada da religião; ao mesmo tempo era ela afastada das grandes forças afetivas e das grandes tradições humanas; além de que uma implica necessariamente na outra. A razão degenerada em direção mental, tecnicamente vestida, engendrou o relativismo moral e o materialismo filosófico. Chegou-se assim a considerar que, só, o algarismo era capaz de representar adequadamente o real. De onde a lei do número. A partir do momento em que o número é árbitro supremo da autoridade, sob a forma da democracia, do conhecimento, sob a forma da ciência, da riqueza, sob a forma do capitalismo, do trabalho, sob a forma da produção, da civilização, sob a forma da cultura, da potência, enfim sob a forma do espaço vital, e do império, devia-se chegar fatalmente a não ter mais que massas em presença, e entre estas massas, produtos de força.

A revolução francesa liberou as potências coletivas, as massas dirigidas pelos instintos permanentes e sentimentos momentâneos: era subtrair a sociedade humana à razão para submetê-la às leis telúricas. Suprimiu os intermediários entre elas e o indivíduo. A revolução russa levou a tendência até suas extremas consequências: materialismo e comunismo. A revolução alemã, organiza, e isto é que a torna temida.

Mas seria grave esquecer a ação decisiva representada, nesta revolução total e totalitária, na só e única revolução, pelo maquinismo, as grandes concentrações econômicas e pelo mito da prosperidade. É a responsabilidade dos Estados Unidos. É enorme. Os americanos duvidam; ignoram o mal que o americanismo fez à Europa e a Alemanha em particular.

Então, o nacional-socialismo é uma das formas da revolução moderna. É, no momento, a revolução pelo último figurino.

As duas grandes forças de que dispõe e que fazem a sua superioridade são: a primeira, seu caráter místico, religioso; a segunda, seu gênio de organização.

Se o nacional-socialismo é anticristão, não é porque seja anticlerical, livre-pensador, laico, racionalista; nem porque seja materialista como o marxismo; e porque, ele próprio, é uma religião.

Fenômeno religioso, o nacional-socialismo é o triunfo do irracional. Sob esta forma, é a reação violenta, inevitável, do afetivo contra o intelectual, do instinto contra o cérebro. Aparece assim como uma vingança da natureza contra os excessos da civilização racionalista e livresca, da civilização estudada.

Sua religião edifica altares panteístas na região revolvida e obscura onde o misticismo se confunde com o instinto, como um nevoeiro na noite.

O racismo é falso, mas como todo erro é humano. Isto quer dizer que guarda consigo um pouco de verdade. O que torna um erro perigoso, contagioso, é a dose de verdade que ele contém.

O racismo é falso, porém sugestivo e viscoso. Poderia muito bem ser para o nacional-socialismo o equivalente do que os Direitos do Homem foram para a revolução francesa: uma arma de penetração, um meio de expansão e de propaganda. Questão de tempo. Porque o racismo poderá continuar a agir mesmo quando o nazismo tiver desaparecido.

Como nos Direitos, há no racismo um apelo à revolta e ao enfraquecimento. A quem se dirige? A estes povos da Europa oriental que estão muito menos evoluídos que os da Europa ocidental, onde se acham minorias descontentes e desprezadas, onde o camponês é pobre e o operário miserável. Aos povos sensíveis e imaginosos, pelos quais, depois de muito tempo, as questões de raça existem. É fácil compreender o valor revolucionário do racismo, quando se sabe de que promessas é portador: divisão de terras, espoliação dos bens eclesiásticos, expulsão e despojamento dos judeus. O clero, a nobreza, os grandes proprietários, as pessoas da alta finança, dos negócios e da usura, acham-se deste modo, em toda a Europa oriental, face-a-face do nacional-socialismo, na mesma posição instável e inquieta onde se achavam, no Ocidente, frente-a-frente com a revolução francesa.

Mais que esta revolução, mais mesmo que a França atual, muito mais que a Rússia dos Soviets, o nacional-socialismo trabalhou pelo povo. Realizou as reformas sociais mais ousadas. Reabsorveu o chômage, e este é um argumento de valor incalculável. Tem se feito refrão de que o povo alemão sofre, de que ele está descontente, e que “nada mais suportará”: as revoluções agem por suas tendências mais que pelos seus efeitos imediatos. Nada seria feito na França depois da Revolução, e portanto...

Quando se fala do nacional-socialismo, comete-se geralmente três grandes faltas. A primeira, de julgar seu sistema econômico conforme as nossas normas e os nossos hábitos capitalistas. A segunda, de não ver nele senão um imperialismo alemão quando é uma revolução: as revoluções se propagam no interior dos países, dão pontapés no plano, e as armas não vêm senão mais tarde; as revoluções podem avançar sem combater, ocupar sem fazer guerra. A terceira, esquecer que o nacional-socialismo é uma revolução social.

É o grande concorrente do bolchevismo russo. Este nutriu ao olhar do III Reich os mesmos sentimentos que nutre um fracassado pobre, quando sonha com o vizinho rico e que acertou. Inveja misturada com admiração. De onde a perplexidade: vai-se continuar a lhe fazer oposição, a agourar sua morte? Ao contrário, vai-se visitá-lo?

O problema russo e o problema alemão dependem um do outro, e não formarão mais adiante senão um único problema.

Esta convicção está fundada na história, sobre a antiguidade dos entendimentos e a profundidade das afinidades entre a Rússia e a Germânia. O russo é um oriental, isto é, um ser implacável incapaz de se deslindar sozinho sem o favor de um agente exterior. Dos germanos, dos escandinavos: os Varègues, fizeram a Rússia; forneceram-lhe seus primeiros chefes, sua dinastia unificadora. Na Idade Média, o comércio alemão dominava-o. Desde o século dezoito a influência alemã iguala e acabou por ultrapassar a francesa. A Prússia e a Rússia evoluíram juntas, tomando o cuidado de nunca de chocar. Ao excesso, a questão judia é hoje a única que separa as duas potências. Separá-las-á sempre, porém? Na Rússia dos progroms o antissemitismo é popular.

Esta convicção é igualmente fundada sobre a geografia. Se a Alemanha quer se opor à hegemonia marítima que exercem conjuntamente a França e o império britânico e os Estados Unidos, é preciso que ela tenha atrás de si uma força continental equivalente. Basta olhar o mapa para ver que ela não pode achar esta força senão na Rússia. Mas se a revolução russa ainda tem a ambição de se estender pela Europa, é preciso que antes conquiste a Alemanha.

Eis o dilema: ou a Rússia dominará a Alemanha, ou a Alemanha dominará a Rússia. Ou a Rússia será nacional-socialista, digamos nacional-comunista, ou a Alemanha será bolchevizada. É provável que os Soviets perguntem então onde está o interesse: num acordo com o III Reich ou numa guerra contra o III Reich.


REYNOLD, Gonzague de. De Onde Vem a Alemanha?. Rio de Janeiro: Vecchi Editor, 1940. pgs. 210-216.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O Apego à Terra Pátria



Segundo o historiador israelita Shlomo Sand (1946 -), houve dissidentes entre os Judeus no século IX d.C., chamados de caraítas ou os “enlutados de Sião”, que não aceitaram o Talmude e a Lei oral definidos pelos talmudistas. Pregavam que somente a Torá e os Profetas deveriam ser seguidos, e que a Terra (de Israel) só poderia ser sagrada se fosse habitada por aqueles que nisso acreditassem. Para os talmudistas, por outro lado, a região onde outrora ficara o Templo não representava para eles a terra de origem, nem mesmo para os seus antepassados. O “exílio” espiritual em que viviam não afrouxou a ligação deles com o local; muito pelo contrário: a significância desta Terra se fortalecera entre os Judeus que viviam em outras regiões do Mediterrâneo, onde mantinham suas práticas religiosas e sua cultura.

Jerusalém: da cidade Santa dos antigos para a atual cidade-Pátria do Sionismo



Até a delineação do Estado de Israel em 1948, entre os Judeus eram poucos os que defendiam uma Pátria terrena própria em Jerusalém e entornos. Viviam bem entre outras culturas em outros países como França e Bélgica, assim como também no Egito, que era tão próximo de Jerusalém. Somente com a ascensão do Movimento Sionista em fins do século XIX, utilizando-se tendenciosamente de uma matriz vetero-testamentária, é que essa ideia foi incutida na mentalidade mundial, dando a ideia de que o “povo disperso” tivesse por direito uma Terra Pátria, diferentemente da Terra Santa dos antigos.

Quando Theodor Herzl (1860-1904), um dos grandes nomes do Sionismo, tentou buscar uma “aprovação” do então Papa S. Pio X (1903-1914), recebeu uma memorável e “doce” recusa do digníssimo santo Padre.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Os Judeus e o Muro das Lamentações

Expulsos da cidade santa ao tempo do Império romano e bizantino, podiam os Hebreus, uma vez por ano e pagando pesado tributo, conseguir permissão de entrada, a fim de orarem e chorarem junto a esta sagrada muralha [das Lamentações][1]. E aí está como aquele povo, que por tão baixo preço comprara o sangue do Filho de Deus, que se mostrara insensível às suas dores e às suas lágrimas, que chamara sobre sua cabeça o sangue divino inocente, foi constrangido a comprar, durante séculos, a peso de ouro, uma vez por ano, o consolo de poder chorar sobre as ruínas de sua pátria, de seu templo e de sua grandeza. Terrível castigo pelo grande pecado! Espantosa justiça de Deus!

Hoje, eles podem habitar em Jerusalém[2] e, conquanto lhes seja proibido, sob pena de morte, pisar a sagrada plateia superior, é-lhes facultado livre acesso à muralha das lamentações.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Primado de Pedro [I]: São Leão Magno [440-461]

"O Salvador do gênero humano, Jesus Cristo, lançando os fundamentos daquela fé que converte os ímpios à justiça e restitui os mortos à vida, formava seus discípulos por doutrina e milagres a fim de crerem que o mesmo Cristo é o Unigênito de Deus e Filho do homem. Isolar um do outro não seria proveitoso para a salvação. Perigo igual seria acreditar que o Senhor era só Deus e não homem, ou apenas homem e não Deus. Era preciso confessar ambas as verdades: como em Deus havia verdadeira natureza humana, unia-se à natureza humana a verdadeira divindade.

O Senhor, com a finalidade de confirmar o salutífero conhecimento desta verdade de fé, havia interrogado os seus discípulos, o que acreditavam, o que pensavam dele, em meio das mais diversas opiniões dos demais. O apóstolo Pedro, por revelação do Pai supremo, supera o corpóreo e vai além do humano. Vê com os olhos do espírito o Filho de Deus vivo, confessa a glória da divindade, porque não se detém na substância da carne e do sangue. A sublimidade desa fé agradou tanto ao Senhor que ele o chamou feliz e bem-aventurado e outorgou-lhe a sagrada firmeza da pedra inconcussa, sobre a qual seria fundada a Igreja e contra a qual não prevaleceriam as portas do inferno, nem as leis da morte. Além disso, para ligar ou desligar qualquer causa, não seria ratificado nos céus senão o que sentenciasse Pedro."


São Leão Magno, Papa. Sermões, LI Sermão, "Sermão sobre a transfiguração do Senhor", Paulus, 2005.