Mostrando postagens com marcador Acordos com Roma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Acordos com Roma. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de junho de 2018

Comentários Eleison DLXX (570) - Roma prepara-se?

Por Dom Richard N. Williamson
16 de junho de 2018
Blog Borboletas ao Luar



Como alguém pode fingir que a luta pela fé é inexistente?
O que mais poderia ser nossa situação presente?


      No contexto da crise que envolveu a Igreja Católica no último meio século desde o Vaticano II (1962-1965), dois movimentos recentes das autoridades da Igreja em Roma podem parecer surpreendentes, porque ambos os movimentos parecem favorecer a Tradição Católica que o Papa Francisco dá tantas indicações de querer arrancar de uma vez por todas. O Lobo Mau realmente quer ser gentil com a Chapeuzinho Vermelho da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ou esses dois outros movimentos astuciosos a prenderão em seu covil Conciliar? Estará Roma também preparando-se para o Capítulo Geral da Fraternidade em meados de julho?

      O primeiro dos dois movimentos foi em meados de fevereiro deste ano, quando a Comissão Ecclesia Dei, lançada em Roma em 1988 para desacelerar a Tradição Católica, porque esta estava ameaçando acelerar, concedeu à semitradicional Fraternidade de São Pedro o uso dos ritos litúrgicos fortemente tradicionais da Semana Santa. Estes são os ritos que se utilizaram durante séculos e séculos antes da reforma da liturgia realizada pelo Cardeal Bugnini na década de 1950, que pavimentou o caminho para a Missa Nova na década de 1960. Como os ritos da Semana Santa, estes mais antigos estão se tornando cada vez mais populares entre os católicos que repudiam a Missa Nova, porque contêm tantas características contrárias a esta liturgia modernista que Paulo VI impôs por meio de enganos administrativos à Igreja Universal em 1969. Roma está finalmente afastando-se da Missa Nova?

      Dificilmente. Como diz a famosa frase de Virgílio: “Seja o que for, não confio nos gregos, mesmo quando trazem presentes”. Este presente para a Tradição pode facilmente ter sido projetado por Roma para persuadir todos os tipos de Chapeuzinhos Vermelhos, especialmente os participantes do Capítulo Geral de Julho, de que o Grande Lobo Mau não é tão mau assim. O Capítulo é importante para Roma: esse bastião da Fé erigido pelo Arcebispo deve ser desmantelado, porque a verdadeira luta do Arcebispo Lefebvre pela Fé foi um obstáculo real na marcha progressiva da Nova Ordem Mundial, fora de toda proporção para o tamanho da Fraternidade. A luta foi severamente enfraquecida desde sua morte, mas Roma teme que o Capítulo a reanime. Roma quer outro liberal como Superior Geral, ou pelo menos um candidato condescendente, mas não um lutador pela fé!

      O outro movimento surpreendente de Roma foi em 16 de maio, quando um conhecido jornalista do Vaticano, Andrea Tornielli, destacou um extrato de um livro recentemente publicado, escrito por um oficial romano sobre o Papa Paulo VI (1963-1978). O extrato é um relato detalhado da conversa de setembro de 1976 entre o Papa e o Arcebispo Lefebvre, tida dois meses depois da Missa celebrada pelo Arcebispo em frente a uma enorme multidão em Lisle, na França. Essa missa marcou o início do movimento tradicional, e então o Papa quis refrear o Arcebispo. A conversa que durou pouco mais de meia hora foi anotada pelos romanos naquela época, e foi descrita de maneira um pouco diferente pelo Arcebispo depois, mas os romanos guardaram o conteúdo para si mesmos nos últimos quarenta e dois anos. Por que publicá-la agora?

      A resposta deve estar no “um pouco diferente”. O admirável site da Internet da América Latina, Non Possumus, publicou, um ao lado do outro, os detalhes divulgados pelos romanos e o relato do próprio Arcebispo sobre a conversa. Os leitores de Non Possumus podem comprovar por si mesmos como os romanos encobriram a cegueira de Paulo VI e sua própria vilania. Exemplo notável: Paulo VI acusou o Arcebispo de fazer seus seminaristas jurarem contra o Papa... algo absolutamente falso. O Arcebispo declarou-se disposto a jurar sobre um crucifixo que o Papa o havia acusado de tal juramento. Um porta-voz romano negou oficialmente que houvesse qualquer menção a esse juramento.

      Do mesmo modo, a versão de Roma passa por cima do abismo entre o modernismo de Paulo VI e a Fé do Arcebispo, como se os capitulares não precisassem se preocupar com a enorme lacuna entre a Roma Conciliar e a Fraternidade: que eles elejam outro liberal para seu Superior, mas um candidato condescendente já será suficiente!

Kyrie eleison.

sábado, 9 de junho de 2018

Comentários Eleison DLXIX (569) - Preparam-se os liberais

Por Dom Richard N. Williamson
09 de junho de 2018


Capitulantes, a Igreja e a Fé vêm primeiro,
E Menzingen tem de sair perdendo!

 Nem todos estão dormindo. Alguém na França está vigiando como os liberais estão-se preparando para assumirem o iminente Capítulo Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, no qual ela tem sua última chance – provavelmente a última mesmo – para defender a Fé Católica contra o Vaticano II, como o fez Dom Lefebvre. Quem quer que seja essa pessoa, ela escreveu um excelente artigo no Fidélité catholique francophone denunciando certas palavras sinistras do Secretário Geral da Fraternidade, o Pe. Christian Thouvenot, ditas em uma entrevista à revista do Distrito alemão da Fraternidade, no início deste ano. O que se segue deve muito a este artigo.

 Em primeiro lugar, as palavras sinistras: “É provável que a questão do presente status de Prelazia Pessoal seja levantado no Capítulo Geral (em julho). Mas só o Superior Geral está na chefia da Fraternidade, e ele é o único responsável pelas relações entre a Tradição e a Santa Sé. Em 1988, Dom Lefebvre deixou este ponto bem claro”. Estas palavras são sinistras porque permitem que se interprete que Menzingen, o Quartel-general da Fraternidade no qual o Pe. Thouvenot trabalha, esteja preparando membros e seguidores da Fraternidade para que o Capítulo Geral seja o momento e o lugar no qual Dom Fellay legalmente tomará para si a responsabilidade de aceitar a oferta de Roma de uma Prelazia Pessoal, e, aceitando-a, mutile de uma vez por todas a habilidade da Fraternidade de defender a Fé resistindo à Missa Novus Ordo e ao Concílio Vaticano II. E estas palavras são sinistras porque são ambíguas ou falsas.

 Em primeiro lugar, não é o Superior Geral sozinho o chefe da Fraternidade. Pelos Estatutos da Fraternidade estabelecidos por Dom Lefebvre, é verdade que, uma vez eleito o Superior Geral, ele tem notáveis poderes ao seu dispor, e pelo prazo de no mínimo doze anos, porque o Arcebispo queria que o Superior Geral tivesse tempo e poder para fazer algo, sem ser impedido como ele mesmo tinha sido pelos Padres do Espírito Santo. Mas o encontro do Capítulo Geral a cada seis ou doze anos está acima do Superior Geral, e ele deve seguir as políticas decididas ali. Hoje, na teoria, o Capítulo Geral de 2012 decidiu que qualquer “normalização canônica” da Fraternidade requereria uma maioria de votos do Capítulo Geral inteiro, mas, na prática, Dom Fellay já prosseguiu para “normalizar” com Roma as confissões da Fraternidade, as ordenações e os matrimônios. E hoje seu Secretário Geral fala como se o Capítulo Geral não tivesse mais nada por dizer, como se Dom Fellay sozinho pudesse “normalizar” o restante. Será que todos os quarenta futuros capitulantes de julho estão cientes do que Menzingen está dizendo? Eles concordam com isso?

 Em segundo lugar, o Pe. Thouvent afirma que Dom Fellay – sozinho? – é responsável pelas relações entre a Tradição Católica e a Santa Sé. Não há dúvida de que ambos, Roma e o próprio Dom Fellay, gostariam deste quadro, pois Roma poderia garfar toda a “Tradição” de uma vez só, e Dom Fellay estenderia seu império. Mas “Tradição” é uma coleção de variadas e heterogêneas sociedades e comunidades religiosas que certamente não concordam todas em serem garfadas pela Roma Conciliar, ou lideradas por Dom Fellay. Por esta razão, Dom Lefebvre repetidamente se recusava a ser chamado chefe da Tradição Católica. Mas ambos, Dom Fellay e seu Secretário, estão jogando o jogo da Roma Conciliar.

 E, em terceiro lugar, se o Arcebispo insistia, no tempo das sagrações, em 1988, que ele sozinho ainda estava no controle das relações da Fraternidade com Roma, era porque sabia que os jovens colaboradores ao seu redor não eram páreos para os astutos romanos, como vimos nós mesmos desde a sua morte em 1991. Não foi por confiança na estrutura da Fraternidade que ele dotou o Superior Geral de uma graça especial para estar à altura dos romanos conciliares. Quando os homens querem errar, não é necessariamente uma estrutura que irá salvá-los. Mas o que o Arcebispo poderia fazer? Ele teria de morrer algum dia!

 Leitores, se vocês conhecem algum capitulante de julho, pergunte-o se ele sabe o que o Secretário Geral está dizendo!  

 Kyrie eleison.

 Traduzido por Leticia Fantin.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Comentários Eleison DLXVI (566) - Sonhos Piedosos II

Por Dom Richard N. Williamson
19 de maio de 2018
Borboletas ao Luar


A política não pode resolver os infortúnios da Igreja.
Somente a Fé pode derrubar seus adversários mundanos.

       Se há algo certo sobre a Tradição Católica e o Concílio Vaticano II é que eles são irreconciliáveis. É tentador pensar que possam ser reconciliados, certamente porque a letra dos dezesseis documentos do Concílio inclui certo número de verdades católicas. Mas o espírito do Concílio se dirige a uma nova religião centrada no homem, e, como o espírito inspirou a letra dos documentos, mesmo as verdades católicas que contém estão dominadas pelo “aggiornamento” conciliar, e tornaram-se parte deste. De fato, as verdades católicas (e a hierarquia) foram usadas pelos modernistas como transmissoras de seu veneno liberal, como um cavalo de Troia para suas heresias. Portanto, mesmo as verdades católicas estão envenenadas nos documentos conciliares. Assim, em 1990 Dom Lefebvre viu e disse que o Vaticano II estava 100% infectado pelo subjetivismo, enquanto em 2001 Dom Fellay disse que os documentos do Vaticano II são 95% aceitáveis.

      É verdadeiramente tentador fazer de conta que a Tradição Católica e o Vaticano II são reconciliáveis. Por este caminho não preciso mais ficar dividido entre seguir ao mesmo tempo a Autoridade Católica e a Verdade Católica, porque desde o Concílio, como disse o Arcebispo, os católicos foram forçados ou a obedecer aos Papas conciliares e distanciarem-se da Tradição Católica, ou a separar-se da Tradição e “desobedecer” a estes Papas. Daí a tentação de fingir de um jeito ou de outro que a Tradição e o Concílio são reconciliáveis. Mas o fato de que eles são irreconciliáveis é a realidade mais importante que governa hoje a vida da Igreja, e continuará sendo assim até que a Autoridade da Igreja volte à Verdade Católica de sempre. 

         Neste meio tempo, entretanto, o atual Superior Geral da Fraternidade do Arcebispo, Dom Fellay, está convicto de que a Tradição Católica e os romanos conciliares podem se reconciliar entre si, e desde que aprovou o GREC em 1990, esforçou-se por reuni-los. Seu problema é que não entende como o modernismo mantém as aparências católicas para que eles atuem como um cavalo de Troia para enganar almas católicas, enquanto não há um verdadeiro cavalo católico debaixo do que aparenta ser um. Mas Dom Fellay acredita que o cavalo falso tem todos os ingredientes de um cavalo verdadeiro, de modo que, com o terno e amoroso cuidado da Fraternidade, se tornará mais uma vez um cavalo católico. Muitos tradicionalistas permitiram-se crer nesta política equivocada e seguir sua liderança em direção aos romanos conciliares, mas os romanos, de sua parte, não foram enganados. Eles jogaram com sua política fazendo aparentes concessões à Fraternidade e à Tradição (por exemplo, autorizações para confessar, ordenar e realizar matrimônio) e simulando repetidamente que ele está à beira de obter reconhecimento canônico para a Fraternidade, de modo que “só falta o selo para o acordo’. Mas, diferentemente dele, os romanos têm claro em suas mentes que a Tradição Católica é irreconciliável com o Concílio deles, e é por isso que todas as vezes em que a levaram até à beira, insistiram para que a Fraternidade se submeta ao seu Concílio.

             Entretanto, a cada “concessão” que Dom Fellay aceitou para a Fraternidade, os romanos têm-no feito entrar ainda mais em sua armadilha, e ficou difícil para ele voltar atrás. A cada “concessão”, o acordo com Roma se tornou mais e mais uma realidade prática, com ou sem o “selo final”. Ao segurá-lo, por culpa própria de Dom Fellay, os romanos podem jogar com ele como um pescador joga com o peixe – pois como ele pode agora desfazer as “concessões” dadas e admitir que seus vinte anos de política foram um erro? – Mais ainda, que sua política foi um erro desde o princípio? Ao carecer da fé do Arcebispo, ele não entendeu corretamente o problema da Igreja e o “problema” da Fraternidade, e confiou na política humana para tentar resolver ambos. Mas, é claro, os romanos com dois mil anos de experiência foram os políticos mais hábeis – “Sua Excelência, basta de jogos. Por vinte anos fizemos todas as concessões, o senhor não fez nenhuma (grande mentira, já que aceitar as “concessões” conciliares é por si só fazer uma concessão a Roma). Antes de julho, ou o senhor aceita o Concílio, ou nós o excomungamos e mostramo-lo ao mundo como um fracasso. Escolha!”

      Esta é sem dúvida uma versão nua e crua de como os astutos romanos podem pressionar o Superior Geral, mas ele é que nunca deveria ter mendigado à Autoridade sem Verdade. No caso da Igreja Católica, uma Autoridade sem Verdade é, com efeito, uma Autoridade ineficaz.

         Kyrie eleison.

* Traduzido por Leticia Fantin.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Comentários Eleison DLXV (565) - Sonhos Piedosos - I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Introibo ad Altare Dei

12 de maio de 2018

Pobre Menzingen perdida em seus sonhos piedosos.
A gentileza neomodernista não é o que parece.


      Em junho do ano passado um confrade na França escreveu um bom artigo sobre se a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deveria ou não obter das autoridades da Igreja em Roma um status canônico que protegeria os interesses da própria Fraternidade. Obviamente, o quartel general desta em Menzingen, na Suíça, acredita que obterá tal status, e se o atual Superior Geral for reeleito para um terceiro mandato em julho, esse é o objetivo que a Fraternidade continuará a perseguir. No entanto, é bastante menos óbvio que esse objetivo deva ser perseguido. Um argumento de oito páginas inteiras de Ocampo nº 127 de junho de 2017 está resumido abaixo em uma única página.

      A posição do artigo é a de que a Fraternidade não pode de modo nenhum colocar-se sob as poderosas autoridades da Igreja imbuídas dos princípios da Revolução Francesa tal como incorporados no Vaticano II, porque são os Superiores que moldam os assuntos, e não o contrário. Dom Lefebvre fundou a Fraternidade para resistir à traição da fé católica pelo Vaticano II. Ao submeter-se aos conciliaristas, a Fraternidade estaria unindo-se aos traidores da Fé.

      As autoridades da Igreja são os bispos diocesanos e o Papa. Quanto aos bispos, aqueles francamente hostis à Fraternidade podem ser menos perigosos do que aqueles que podem ser amigáveis, mas não entendem as exigências absolutas da Tradição Católica, que não são apenas exigências da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Quanto ao Papa, se suas palavras e ações o mostram trabalhando contra a Tradição Católica, a qual é seu dever defender, então os católicos têm o direito e o dever de protegerem-se a si mesmos tanto contra o modo pelo qual ele está abusando de sua autoridade, como contra a própria necessidade inata deles de seguir e obedecer à autoridade católica. Ora, em teoria, um Papa conciliar pode prometer uma proteção especial para a Tradição da Fraternidade, mas na prática ele deve, por suas próprias convicções, esforçar-se para que a Fraternidade reconheça o Concílio e abandone a Tradição. Dada então sua grande autoridade como Papa para impor sua vontade, a Fraternidade deve manter-se fora de seu caminho.

      A experiência mostra que os tradicionalistas que se incorporam à Roma conciliar podem começar simplesmente guardando silêncio sobre os erros conciliares, mas geralmente acabam por aceitar esses erros. O acordo inicial para ficarem silenciosos é, no final das contas, fatal para sua profissão de fé. E pelo declínio natural de um compromisso a outro, eles podem até acabar perdendo a Fé. Foi a Fé que fez o Arcebispo Lefebvre dizer que, a menos que os romanos conciliares voltem à doutrina das grandes encíclicas papais antiliberais – o que eles não fizeram desde o seu tempo e não estão prestes a fazer no momento –, um diálogo maior entre os romanos e os tradicionalistas é inútil, e – ele poderia ter acrescentado – positivamente perigoso para a Fé.

      O artigo também lista oito objeções a essa posição, apresentadas aqui em itálico com as mais breves das respostas:

1 Com a Prelazia Pessoal, Roma oferece à Fraternidade uma proteção especial. Proteção dos bispos diocesanos, talvez, mas não da autoridade suprema do Papa na Igreja.  2 As exigências de Roma para o acordo vêm diminuindo. Somente porque as concessões à cooperação prática são mais eficazes para obter a submissão dos católicos, como bem sabem os comunistas. 3 A Fraternidade insiste em ser aceita por Roma “tal como somos”, isto é, Tradicional. Para os Romanos, isso significa “como vocês serão, uma vez que a cooperação prática tenha feito vocês verem como somos bons”. 4 Assim, a Fraternidade continuará a atacar os erros do Concílio. Nada há de mudar. Roma pode em seu tempo insistir em mudanças cada vez maiores. 5 Mas o Papa Francisco gosta da Fraternidade!  Tanto quanto o grande Lobo Mau gostava de Chapeuzinho Vermelho! 6 A Fraternidade é virtuosa demais para deixar-se enganar por Roma. Tola ilusão! O próprio Arcebispo foi inicialmente enganado pelo Protocolo de 5 de maio de 1988. 7 Várias comunidades tradicionais incorporaram-se à Roma sem perder a verdadeira Missa. Mas várias delas passaram a defender erros importantes do Concílio. 8 O Papa Francisco como pessoa está no erro, mas sua função é sagrada. Reconhecer a sacralidade de sua função não pode-me obrigar a seguir seus erros pessoais, isto é, o mau uso de sua função. A verdadeira Fé está acima do Papa.

   
      Kyrie eleison.

terça-feira, 6 de março de 2018

Comentários Eleison DLV (555) - Defendendo Menzingen - II

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin


03 de março de 2018


      Por que alguns bons homens não conseguem ver onde o mal reside?
      Quanto mais eles falham, mais a “Resistência” progride!

      Não há dúvida de que alguns leitores destes “Comentários” não estão tão interessados em ler sobre o que lhes parecem meras disputas internas entre alguns poucos sacerdotes católicos. Que tais leitores não subestimem a importância dessas “disputas”. A religião dirige o mundo porque Deus existe, e o modo como os homens se posicionam em relação a ela (a religião) governa o modo como eles se posicionam em relação aos seus semelhantes (política). A Igreja Católica dirige a religião porque desde a Encarnação de Cristo o Catolicismo é a única religião fundada pelo único Deus verdadeiro. E a Tradição Católica dirige a Igreja Católica porque esta Igreja é tão essencialmente imutável como o próprio Nosso Senhor. E por quarenta e dois anos (1970-2012) a Fraternidade Sacerdotal São Pio X esteve na linha de frente da defesa da Tradição Católica porque era a única organização católica no mundo inteiro que efetivamente resistia à modernização infiel da Igreja pelo Concílio Vaticano II. Assim, todos os homens vivos, ateus, protestantes ou conciliaristas, especialmente sacerdotes e seguidores da FSSPX, estão preocupados com o problema de infidelidade à Tradição Católica dentro da FSSPX. Leiam, minha gente!

      Outro defensor de Menzingen, o Pe. B., alistou-se nas fileiras para defender sua política de reintegração à Roma conciliar – chamá-lo-emos reconciliaristas – com um artigo na revista oficial mensal da FSSPX dos EUA. Desde que o Vaticano II separou da Verdade Católica a Autoridade Católica, que só existe para defendê-la e mantê-la, todos os católicos têm estado necessariamente mais ou menos esquizofrênicos – ou eles seguem a Autoridade e abandonam a Verdade, ou seguem a Verdade e abandonam a Autoridade, ou eles escolhem qualquer uma de uma variedade de combinações entre elas.

      O fundador da FSSPX, o Arcebispo Lefebvre, escolheu a Verdade, mas manteve tanto respeito pelos detentores da Autoridade Católica quanto era compatível com a fidelidade à Verdade, e como resultado sofreu séria perseguição e condenação da parte de todos os católicos que mais ou menos preferiram a Autoridade. Ao contrário, seus sucessores na liderança da Fraternidade estão querendo devolvê-la à autoridade conciliar, daí que a partir de 2012 a Fraternidade tem sido oficialmente reconciliarista. Por essa mudança da FSSPX, da Verdade de seu fundador para a Autoridade conciliar, eles preencheram a Fraternidade de esquizofrenia, causando um movimento de “Resistência” contra seu “reconciliarismo”.

      Durante a maior parte de seu artigo, o Pe. B. é católico em seus princípios, mas no fim é reconciliarista na aplicação destes. Assim, talvez para ajudar na reeleição do atual reconciliarista Superior Geral da Fraternidade, em julho, ele ataca a “Resistência”, não por sua adesão à Verdade, que é um ponto forte, mas por seu desprendimento da Autoridade Católica, em Roma e em Menzingen. Desta maneira, o Pe. B. diz, em relação a Roma, a “Resistência” existe em função de sua própria “facilidade e conveniência”, sob risco de ignorar o Papa e não reconhecer sua autoridade; em relação a Menzingen, está recusando o respeito e a obediência devidos; e ao criticar cada palavra pronunciada pelo Superior Geral, está semeando suspeitas e bloqueando os canais da graça.

      Mas, Reverendo Padre, entre seus princípios católicos, o senhor mesmo reconhece a primazia da Fé. Mas, ora, o Vaticano II foi um desastre para a Fé ao tentar colocar o homem moderno no lugar de Deus. Assim, conciliarismo e reconciliarismo são ambos desastrosos, e ambos – os oficiais de Roma e o atual Superior Geral da Fraternidade – serão devidamente julgados. O problema não é a “Resistência”, que não “ignora” o Papa e certamente não está procurando sua própria facilidade e conveniência, porque é altamente desconfortável para os católicos serem privados de todo o apoio reconhecido da parte dos oficiais católicos supracitados. Assim, a “Resistência” não está nem caindo em “uma atitude cismática por si só” nem bloqueando os canais da graça. O problema é que o Concílio causa cisma, o Concílio envenena os Papas, e o Concílio sufoca a graça de Jesus Cristo. Se algo da verdadeira Fraternidade quiser sobreviver, o atual Superior Geral não deve ser reeleito, nem substituído por outro reconciliarista.

Kyrie eleison.

Sermões: 2º Domingo depois da Epifania (2018)



Sermão proferido por Dom Tomás de Aquino OSB. Desejou-se, tanto quanto possível, conservar em sua escrita a simplicidade da linguagem oral.

PAX
II Domingo depois da Epifania (2018)

      O Evangelho de hoje nos fala do casamento, o qual é a união entre Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Que imenso mistério, Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja, unidos para a eternidade. Que o homem não separe o que Deus uniu. Ninguém poderá separar Nosso Senhor Jesus Cristo de sua Igreja, nem o Anticristo, nem os modernistas.

      Ora, um fato ocorrido em nossa paróquia servirá para aprofundarmos o conhecimento na contemplação deste mistério, se Deus nos fizer esta grande graça. Toda crise, toda heresia, todo erro é ocasião, para a Santa Igreja, de aprofundar o dogma, e aprofundando o dogma, aprofundar o conhecimento e o amor de Deus, ou seja, aprofundar-se na fé e na caridade, bem como na esperança dos bens que Deus nos prometeu.

      Mas qual foi o fato ocorrido em nossa paróquia que nos leva a falar da Igreja?

      O fato foram as missas que meu sobrinho, o Pe. Tarcísio, rezou na capela São Miguel. Estas missas foram para mim motivo de alegria e de tristeza.

      Alegria por ver o Tarcísio subir ao altar depois de uma longa preparação iniciada, em parte, aqui em nossa paróquia, aqui em nosso mosteiro. Contente pelo Pe. Tarcísio, que mereceu sua ordenação pelos anos de estudo realizado no seminário Nossa Senhora Corredentora, em La Reja, na Argentina, seminário da Fraternidade São Pio X.

      E a tristeza, qual é ela? É a de ver os superiores do Pe. Tarcísio, ou seja, os superiores da Fraternidade São Pio X, tomarem uma direção diferente da indicada por Dom Lefebvre no combate da fé. Como a acusação é grave, vejamos, pois, qual foi a orientação dada por Dom Lefebvre e depois comparemos esta orientação com o que faz a Fraternidade, arrastando os novos sacerdotes nesta mesma nova orientação.

      O que disse, e mesmo escreveu, Dom Lefebvre? “É um dever estrito para todo sacerdote que queira permanecer católico, o de separar-se desta Igreja conciliar enquanto ela não regressar à Tradição da Igreja e da fé católica”. Alguém pode se perguntar: “Mas que Igreja conciliar é essa? Só existe uma Igreja, não existem duas Igrejas!”. É aí que começam nossas reflexões.

      A reflexão sofrida dos combatentes, dos confessores da fé a respeito de nossa Mãe, a Santa Igreja. E quem são os mestres que seguiremos nessas reflexões? Eles são Dom Lefebvre, Dom Antônio de Castro Mayer, Père Calmel, Gustavo Corção e toda a Tradição da Igreja, com seu Magistério infalível e também, entre os vivos, Dom Williamson e Dom Faure.

      A crise atual obriga a aprofundar as verdades reveladas, obriga a aprofundar as palavras mesmas pelas quais a Santa Igreja exprime o dogma revelado.

      O que nós desejamos é conhecer, amar e defender esta união entre Jesus Cristo e a Igreja, para discernir onde está nosso dever para com Deus, para com nós mesmos e para com o próximo.

      Duas Igrejas? Num certo sentido, sim. Duas Igrejas, e como dizia Santo Agostinho, duas cidades.

      Dois amores constituíram duas cidades. O amor de Deus levados até o desprezo de si mesmo constituiu a cidade de Deus. E o amor de si mesmo levado até o desprezo de Deus constituiu a cidade do homem.

      Que a Igreja conciliar seja a religião do homem levada até o desprezo de Deus é evidente. Todo mundo pode constatá-lo.

      Paulo VI declarou a simpatia da Igreja (que Igreja?) pela religião do homem que se faz Deus. Isto está no discurso do encerramento do Concílio Vaticano II. Todos que desejarem podem encontrá-lo sem dificuldades. Este escândalo sem precedentes foi comentado por Dom Lefebvre e todos os grandes autores da Tradição.

      Mas não é só isso. O desprezo por Deus se manifesta primeiramente na liturgia. Comunhão de pé e na mão. Supressão de inúmeras genuflexões. Desprezo pela lei de Deus e seus mandamentos. Não é preciso enumerar o que todo mundo já está cansado de saber. Mas que significa isto?

      Isto significa que estamos diante de uma outra Igreja com sua nova liturgia, sua nova moral, seu novo Direito Canônico, sua nova espiritualidade.

      Esta nova Igreja é completamente outra? Na sua orientação, sim. Ela é totalmente outra. Ela está a serviço da cidade do homem que leva o falso amor de si mesmo até o desprezo de Deus.

      Mas e o Papa? É ele Papa de qual Igreja? Ele, por mais estranho que isto seja, ele é Papa das duas Igrejas. Ele é Papa da Igreja católica e ele é o chefe da Igreja conciliar. Logo, estas duas Igrejas estão ligadas? Pelo espírito que as anima, não. Pela ocupação efetiva dos cargos que pertencem à Igreja, sim. Elas estão entremeadas uma na outra.

      Mas se assim é, por que não assumir essa realidade e conviver com essa dificuldade? Porque não convém estar debaixo da autoridade daqueles que não professam a integridade da fé católica. Não são os inferiores que fazem os superiores, mas sim o contrário. São os superiores que influenciam os inferiores.

      Se o Papa Francisco, se Bento XVI, se o Cardeal Burke, ou qualquer outro membro da Igreja conciliar viesse aqui para pregar, isto seria um desastre.

      Mesmo se os fiéis já impregnados de modernismo, se eles viessem em multidão em nossas missas, isto não seria bom. Aos poucos o liberalismo destes progressistas se comunicaria a nossos fiéis.

      Mas isto não é um espírito de seita?

      Não. Isto é espírito de separação.

      O católico é um homem separado do mundo. Ele está no mundo, mas ele não é do mundo. Ora, se nós podemos estar com todos no ônibus, no mercado, no dentista, nós não podemos estar com todos na hora de oferecer a Deus o Santo Sacrifício da Missa.

      Na Igreja primitiva, os catecúmenos deviam sair da igreja antes do ofertório, antes do cânon, antes do sacrifício. Os que receberam a ordem menor de porteiro devem impedir a entrada na Igreja dos indignos.

      Há, pois, sim, um espírito de separação em relação ao mundo. O progressismo, o modernismo é aberto ao mundo, ao demônio e à carne. A Tradição é fechada ao mundo, ao demônio, à carne e ao modernismo. Isso é espírito de seita? Não, isto é espírito católico. Quem não entende é talvez por que já começou a não ser católico.

      “Mas recusando estar unidos ao Papa, os senhores não estão recusando o canal pelo qual passam todas as graças que vem de Nosso Senhor?”. Recusando estar unido aos papas conciliares, nós não estamos recusando a união com a hierarquia que Nosso Senhor instituiu. Nós estamos apenas dizendo: Anátema seja quem ensinar outro Evangelho, como nos ensinou a dizer São Paulo.

      “Mas então os senhores não querem e não procuram uma normalização da situação em relação a Roma?”. Quem está em situação anormal não somos nós, mas a Roma modernista.

      Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, serão eles que virão a nós e não nós que iremos a eles.

      “Isso não é orgulho?”. Não, isso é a verdade.

      “Mas a questão canônica tem de ser resolvida?”. Quando Roma voltar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica, não haverá questão canônica. Nós poremos nosso episcopado nas mãos do Santo Padre, como nos ensinou Dom Lefebvre.

      “Mas os senhores esperarão de braços cruzados o fim da crise?”. Muito pelo contrário. A Resistência reza, estuda, prega, batiza, crisma, confessa, administra a Extrema-unção, realiza matrimônios e ordena sacerdotes e oferece o Santo Sacrifício do altar e dá a Santa Comunhão. Eis aí a Igreja. Igreja perseguida pelos modernistas que excomungaram Dom Lefebvre e canonizaram João Paulo II.

      “Mas a Fraternidade, no fundo, pensa como os senhores”, dirão talvez alguns. Queira Deus que sim, mas temo que isto seja uma doce ilusão.

      Todos os fatos ocorridos desde os anos 90 até hoje indicam que há duas correntes na Tradição: a corrente dos que querem uma aproximação diplomática com Roma e a corrente dos que não querem aproximação com Roma, a não ser se Roma regressar à Tradição do Magistério da Igreja e da fé católica.

      A corrente diplomática, que podemos chamar de liberal, é uma corrente que minimiza a crise atual. A quem perguntava a Corção se ele esperava ver ainda o fim da crise, ele respondia: “Não. Não tenho esperança senão de ver a Igreja triunfante”. Corção era então um pessimista? Não. Corção era realista. Dom Lefebvre também não esperava uma rápida mudança. Ele dizia: ‘Preparai-vos para um combate de longa duração”. Mas então, esta crise durará ainda quanto tempo? Só Deus sabe o quanto durará esta crise. Não nos foi dado saber o futuro e isso não deve nos preocupar. Nosso dever é agir corretamente e deixar o resto nas mãos de Deus.

      Penso que agimos corretamente com o Pe. Tarcísio. Penso que estamos agindo corretamente expondo as razões de nossas vivas apreensões. O resto está nas mãos de Deus. Se alguém se perturba com a ideia de que nós não somos católicos ou que nossa posição é cismática, eu diria: Onde está Nosso Senhor e Nossa Senhora aí está a Igreja. Onde está a Pascendi e o Syllabus, aí está a Igreja. Onde está o desejo de se submeter a Roma quando ela regressar à Tradição do Magistério e da fé católica, aí está a Igreja. Onde está o amor de Deus até o desprezo de si mesmo, aí está a cidade de Deus.

      Apesar de nossa indignidade, esperamos obter a graça de aí viver e morrer. Assim seja.

Dom Tomás de Aquino O.S.B.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Conferência de Mons. Fellay em Michigan, EUA, em 3 de fevereiro: citações inéditas

Por Non Possumus      

      Esta entrada é a continuação desta outra.

      Demo-nos ao trabalho de escutar a conferência completa em inglês, e em seguida lhes damos a conhecer alguns extratos – não publicados no artigo da FSSPX.NEWS – da conferência de Mons. Fellay em 3 de fevereiro de este ano no Priorado St. Joseph, de Michigan, USA:

      Após repassar a história da Fraternidade e suas idas e vindas de Roma desde o ano 2000, torna a falar do demolidor Bergoglio, a quem chama “nosso querido papa Francisco”:

      O Papa Francisco me disse que foi provavelmente o Espírito Santo quem inspirou o papa Bento a não seguir adiante (com a excomunhão) e deixar o assunto ao próximo papa. O papa Francisco se negou a firmar nossa excomunhão. Ele me disse: Eu não os condenarei. Ao Cardeal Castrillón, o papa lhe disse: “Eu nunca condenarei a Fraternidade”. O Papa nos disse: “Vocês são católicos”. Eu sei, todo mundo sabe todos os problemas que temos na Igreja por causa de nosso querido Papa Francisco, e ao mesmo tempo, o mesmo papa nos diz: Eu não condenarei a Fraternidade. Ele nos disse: “Causam-me problemas em Roma porque sou gentil convosco. E eu lhes digo: Escutem, eu tenho os anglicanos, tenho aos protestantes, porque não posso ter estes católicos?” Isso é o que me disse! [Parece que Mons. Fellay não se deu por insultado ao ser posto num mesmo nível com os anglicanos e os protestantes] Está claro que o papa tem tido gestos a nosso favor e os têm multiplicado, em diferentes níveis, a maioria são desconhecidos, são pequenos, são práticos, e posso dizer que o papa está pronto para nos ajudar. Por exemplo houve uma peregrinação. Queríamos entrar nas igrejas e dizer ali as missas, em Toma. Os argentinos fizeram saber ao papa e dito e feito. [Com razão os sacerdotes da Fraternidade não disseram nada contra Francisco nesta ocasião! É descortesia criticar dos púlpitos a um papa benfeitor! Que acontecerá, então, quando Francisco outorgar finalmente a prelatura à FSSPX, “fazendo um grande ato de justiça”, “saldando uma dívida de longas décadas”, “fechando uma ferida que sangra há mais de 40 anos”, “restituindo seus direitos à Tradição”, e “abrindo um imenso campo de apostolado à Tradição”?] Teríamos problemas na Argentina com o governo: era um verdadeiro problema para nós resistir no país, os vistos, etc. O papa interveio pessoalmente, de maneira absolutamente pessoal em todos os níveis. Conseguiu que fôssemos reconhecidos como uma entidade católica na Argentina. Chamou-os a todos, incluindo o nosso priorado. Imagine-se quando o irmão contestou o telefone... [imaginem-se quando o Papa “regularizar” à Fraternidade...] Ele faz isso.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLII (552) - Defendendo Menzingen

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Leticia Fantin
Blog Borboletas ao Luar

10 de fevereiro de 2018



Desde cima reina a confusão,
Rezem pelo Papa e pelos Bispos, antes que venham a falecer!

      Graças às palavras e aos atos diretamente anticatólicos dos últimos cinco anos manifestados pelo presente ocupante da Sé de Pedro, delinquências estas cujo caminho fora inaugurado pelo Vaticano II, é menos compreensível que nunca que os sucessores de Dom Lefebvre ainda queiram colocar a Fraternidade sob o controle romano; mas, de fato, eles querem. Um chapéu cardinalício ser-lhes-ia atraente? Teriam cansado da batalha? Estariam desesperados para serem “reconhecidos” pelos conciliaristas? E a pensar realmente que o Arcebispo aprovaria o que estão fazendo? Só Deus o sabe. Independentemente do que seja, os servidores de Menzingen ainda estão tentando defender seus vinte anos de desvio da posição do Arcebispo. Eis dois exemplos recentes:

      Em primeiro lugar, para defender a política de Dom Fellay de aceitar de Roma uma prelazia pessoal, um padre da Fraternidade (http://fsspx.news/en/content/34797) parece pensar que tal prelazia garantirá a ela proteção contra os modernistas em Roma. Mas Roma controlará ou não a prelazia? Se ela estiver no controle, demorará o tempo que for necessário, como aconteceu com a Fraternidade São Pedro, mas usará seu controle lentamente para estrangular a Tradição dentro da prelazia. Pensar o contrário é simplesmente não ter compreendido o que esses romanos são.  “Somente santos acreditam no mal”, disse Gustavo Corção. O Arcebispo os chamava “anticristos”. E se a prelazia não os colocasse no controle, eles nunca a concederiam, antes de mais nada.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Comentários Eleison DLI (551) - Igreja Oficial?

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar


Manobrar, esquivar, enganar, defraudar, Roma poderá,
Mas certo por linhas tortas Deus escreverá.

      É preciso ter muito cuidado com as palavras, porque com as palavras nossa mente opera sobre as coisas, e as coisas constituem a vida cotidiana. Portanto, das palavras depende o modo como conduziremos nossas vidas. Na igreja paroquial emblemática da Fraternidade de São Pio X em Paris, França, existe um sacerdote da Fraternidade que tem o devido cuidado com as palavras. O Pe. Gabriel Billecocq escreveu na edição do mês passado (nº 333) da revista mensal da paróquia, Le Chardonnet, um artigo intitulado "Você disse 'Igreja oficial'?". No artigo ele nunca menciona a Sede da Fraternidade em Menzingen, na Suíça, mas reclama do "desejo" que vem de algum lugar, presumivelmente de cima, de que as palavras "Igreja conciliar" devem ser sempre substituídas pelas palavras "Igreja oficial". E ele está certo, porque as palavras "Igreja conciliar" são perfeitamente claras, enquanto as palavras "Igreja oficial" não são claras, mas ambíguas.

      Pois, por um lado, "Igreja conciliar" significa claramente que grande parte da Igreja de hoje está mais ou menos envenenada com os erros do Concílio Vaticano II. Esses erros consistem essencialmente na centralização do homem no centro da Igreja, que deveria estar centrada em Deus. Por outro lado, "Igreja oficial" é uma expressão com dois significados possíveis. Pode antes significar que a Igreja foi oficialmente instituída por Cristo e trazida oficialmente para nós ao longo dos tempos pela sucessão de Papas, e a essa "Igreja oficial" nenhum católico pode opor-se, pelo contrário. Ou "Igreja oficial" pode significar a massa dos funcionários da Igreja dedicados ao Vaticano II que durante o último meio século tem usado seu poder oficial em Roma para infligir aos católicos os erros conciliares, e a esta "Igreja oficial" nenhum católico pode não opor-se. Portanto, "Igreja conciliar" expressa algo automaticamente mal, enquanto "Igreja oficial" expressa algo bom ou mal, dependendo de qual dos dois significados esteja sendo dado. Portanto, substituir "Igreja conciliar" por "Igreja oficial" é substituir a clareza pela confusão, e também impede que os católicos se refiram ao mal do Vaticano II.

      O Pe. Billecocq nunca sugere que o Quartel-General da Fraternidade tenha "desejado" tal coisa, mas um fato e uma especulação o sugerem. Quanto ao fato, no início deste mês, o Superior do Distrito Francês da Fraternidade, o Pe. Christian Bouchacourt, entrevistado em público sobre as próximas eleições em julho, disse: "Assim que um Superior Geral for eleito, o Vaticano será imediatamente notificado da decisão". Essa notificação do Vaticano pela Fraternidade sobre as eleições desta nunca foi feita antes. E sugere fortemente que os atuais líderes da Fraternidade esperam que Roma não só seja informada, mas também que dê sua aprovação oficial à escolha de seus líderes – para que notificar, senão para conseguir aprovação? O que mais a Neofraternidade implorará da Neoigreja? O que não implorará? Como se afastou a Fraternidade dos tempos em que a fé do Arcebispo Lefebvre costumava fazer Roma implorar!

      Quanto à especulação, se ouve que dois candidatos principais estão sendo preparados por Menzingen para que os eleitores escolham como Superior Geral nas eleições de julho da Fraternidade, pois o posto não será mais ocupado por um Bispo. Suponha-se que Roma já está no controle virtual dessas decisões importantes que estão sendo tomadas dentro da Sede da Fraternidade. Nesse caso, Roma não tem muito por que temer que algum desses dois candidatos mudem substancialmente as políticas pró-romanas do Bispo Fellay, enquanto possa ter muito que ganhar com a aparência de uma mudança no topo, e ela pode ser capaz de fazer uso do Bispo Fellay em Roma como  líder de uma Congregação Ecclesia Dei "renovada", que inclua todas as comunidades tradicionais, incluindo sua própria antiga Fraternidade.

      Quem pode duvidar da habilidade dos romanos para tirar vantagem de todas as situações? A menos que... a menos que existissem novamente na Fraternidade a Fé e a Verdade que foram a força motriz do Arcebispo Lefebvre e de sua vitória sobre todos os liberais e modernistas em Roma. Esses demônios se esforçam para desfazer de uma vez por todas a Tradição Católica de Deus, que é o obstáculo potencial mais grave para sua nova Religião Mundial Única. E Deus pode exigir nada menos que o sangue dos mártires católicos para detê-los. Os mártires que vêm de entre os sacerdotes e os leigos da Fraternidade serão a sua glória.

      Kyrie eleison.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Comentários Eleison CDXCIX (499) - Conto de Fadas?

Por Dom Richard N. Williamson


Uma moça tola pode arruinar completamente uma propriedade,
E assim pesar sobre o destino de um Reino!


Era uma vez uma moça (FSSPX) que havia sido muito bem educada por seu bom pai (Dom Lefebvre). Ele havia-a advertido sobre Dom Juan (os papas neomodernistas). Por alguns anos, a jovem foi séria e prudente, resistindo às investidas de Dom Juan. Infelizmente, um dia seu amado pai faleceu, e a jovem herdou sua fortuna. Por algum tempo ela permaneceu fiel a seus comandos. Rodeada por um grupo de outras jovens sábias (os antiliberais da FSSPX), ela continuou a administrar sua fortuna, velando pelos órfãos da propriedade de seu pai (os católicos tradicionais).

Mas o tempo passou. Ela não era mais tão jovem, e começou a sentir medo de ficar muito velha para casar. Ela estava com medo de que, fiando sua lã e trabalhando em seus bordados, logo ficaria sozinha. Pobre menina! Queria tanto ser amada, ter seus filhos legítimos (os tradicionalistas reconhecidos por Roma). Queria fazer mais que somente suas obras de caridade para com os órfãos. Ela estava cansada de sua vida. Era insultada e ridicularizada por seus vizinhos, que queriam que ela se casasse (conservadores e tradicionalistas que se submeteram a Roma).

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Comentários Eleison CDLXXX - Belo Queijo

Por Dom Richard N. Williamson

24 de setembro de 2016

Quanto mais saborosa é a isca colocada no anzol por seus inimigos,
Mais o pobre peixe se deixa enganar e os toma por amigos.


Na Austrália, há apenas um mês, o Superior Geral da Fraternidade São Pio X pintou um retrato radiante de sua – como ele espera – sujeição iminente da Fraternidade aos oficiais da Roma Conciliar. De um longo discurso, eis aqui algumas observações importantes que ele fez, resumidas ou citadas na íntegra (em itálico):


[...] Roma está oferecendo-nos uma nova estrutura. À sua frente estará um bispo, escolhido pelo Papa de uma lista de três membros da Fraternidade, nomeados pela Fraternidade. Ele terá autoridade sobre os sacerdotes, sobre qualquer religioso que queira aderir à nova estrutura, e sobre os católicos que pertençam à nova estrutura. Estes terão um direito absoluto a receber dos sacerdotes da Fraternidade todos os sacramentos, incluindo o do matrimônio. Esse bispo estará capacitado para fundar escolas e seminários, para ordenar (padres), para estabelecer novas Congregações religiosas. A estrutura será como uma superdiocese, independente de todos os bispos locais. Em outras palavras, para vocês, fiéis, não haverá nenhuma mudança no que vocês já estão desfrutando com a Fraternidade. A única diferença será que vocês estarão reconhecidos oficialmente como católicos.


domingo, 14 de agosto de 2016

Comentários Eleison CDLXXIII (473) - Bispo Fellay I

Por Dom Richard N. Williamson
Tradução: Borboletas ao Luar
 
 
A Fraternidade acha que a todos irá salvar?
Foi a partir do orgulho que veio a queda a se dar.



Depois da reunião de 26 a 28 de junho dos Superiores da FSSPX na Suíça, o Superior Geral fez não somente para o público geral o Comunicado de 29 de junho, já examinado nestes “Comentários” há três semanas, mas também uma Declaração em 28 de junho para o benefício dos membros da FSSPX, ou seja, primariamente para os sacerdotes da FSSPX. A Declaração é em si mesma críptica, mas uma vez decifrada (com a ajuda do Pe. Girouard), ela se mostra carregada de significados para o futuro da Tradição Católica. Segue um mero esquema dos primeiros seis parágrafos da Declaração e o texto completo do sétimo:

(1-4) A Igreja e o mundo estão em crise, porque em vez de girar em torno da Cruz de Cristo, eles giram em torno do homem. A FSSPX se opõe a essa “desconstrução” da Igreja e da sociedade humana.

(5) O remédio próprio de Deus para essa desordem foi inspirar um Arcebispo a fundar uma congregação hierárquica católica em torno do sacramento da Ordem Sagrada – Jesus Cristo, Sua Cruz, Seu Reinado, o sacrifício e o sacerdócio, fonte de toda ordem e de toda graça, é do que se trata a Fraternidade fundada por Dom Lefebvre.

(6) Por isso, a FSSPX não é nem conciliar (pois gira em torno de Cristo) nem rebelde (pois é hierárquica).

(7) “Terá chegado o momento da restauração geral da Igreja? A Divina Providência não abandona a Sua Igreja cuja cabeça é o Papa, o vigário de Cristo. Por isso um sinal incontestável dessa restauração geral será o Papa manifestando sua vontade de proporcionar os meios para reestabelecer a ordem no sacerdócio, na Fé e na Tradição. Esse sinal será a garantia da unidade católica necessária da família e da Tradição”.

Os primeiros seis parágrafos claramente levam ao sétimo. E não é desarrazoado interpretar o sétimo como significando que quando o Papa Francisco der a aprovação oficial à Fraternidade, então isso será a prova de que finalmente é chegado o momento em que toda a Igreja Católica voltará a se reerguer, para que o sacerdócio católico, a Fé católica e a Tradição católica sejam restaurados, e para que todos os tradicionalistas se juntem à Fraternidade Sacerdotal São Pio X sob seu Superior Geral. Dom Fellay parece estar repetindo aqui para o benefício de todos os sacerdotes da Fraternidade sua constante visão do glorioso papel dela, porque na reunião suíça, segundo ouvimos, ao menos alguns de seus Superiores questionaram essa glória vindo na forma de reunião com a Roma oficial. Mas esses Superiores em oposição estavam certos, porque Dom Fellay está aqui sonhando! É um sonho nobre, mas mortal.

O sonho é nobre porque se trata da honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Sua Igreja, de Seu Sacrifício, do Arcebispo Lefebvre, do sacerdócio católico, e assim por diante. O sonho é mortal porque gira mais sobre o sacerdócio do que sobre a Fé, e enquanto ele acredita muito corretamente que o Papa Francisco e os romanos sejam os portadores da Autoridade católica, não leva em conta quão distantes estão de sustentar a Fé católica. Se se pode dizer que o Arcebispo Lefebvre salvou o sacerdócio católico e a Missa, isso foi para ele apenas um meio de salvar a Fé. A Fé é para o sacerdócio como o fim para o meio, e não como o meio para o fim. Que seria do sacerdócio sem a Fé? Quem acreditaria nos Sacramentos? Quem precisaria de sacerdotes?

E quanto a essa Fé, o Papa atual e os oficiais romanos que mantêm o controle em torno dele perderam seu apego à Verdade como sendo única, objetiva, não contraditória e exclusiva, e com isso eles perderam seu apego à verdadeira Fé, ou melhor, perderam a Fé. Isso significa que se o Papa Francisco de fato aprovar oficialmente a Fraternidade, não se tratará de modo algum de um sinal de que a Fraternidade terá restaurado a sanidade da Igreja, mas, em vez disso, que a Igreja oficial terá absorvido em sua insanidade a Fraternidade.


Kyrie eleison.

sábado, 16 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXX (470) - Brexit - Spexit?


Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug

16 de julho de 2016


Enquanto Menzingen pelas sirenes de Roma é encantado,
Para manter a Fé, guerra avisada não mata soldado.


Existe algo chamado “Zeitgeist” ou espírito da época. Uma prova seria o paralelo que pode ser estabelecido entre o voto da Grã-Bretanha de 23 de junho para renunciar ao abraço da quase-comunista União Europeia e a reunião de Superiores da FSSPX em 28 de junho com o Comunicado de Monsenhor Fellay de 29 de junho declarando que a Fraternidade agora renuncia ao abraço da Roma neo-modernista – “Spexit”, para abreviar. Mas assim como o “Comentário” da semana passada sugeriu que o Brexit era admirável mas duvidosamente eficaz, poderia-se temer que o São-Pio-Exit poderia ter tranquilizado muitos bons católicos pensando que a Fraternidade recuperou o rumo, mesmo que em poucos dias a Roma oficial e Mons. Fellay já dissessem que os contatos continuavam...

A base do paralelo é a apostasia que caracteriza a Quinta Época da Igreja, desde 1517 até 2017 (ou mais além), pela qual os povos do mundo, lenta porém progressivamente tem dado suas costas a Deus para substituí-lo pelo Homem. Mas sua consciência não está tranquila no processo. Consequentemente exteriormente eles anelam a liberação de Deus e os benefícios materiais da Nova Ordem Mundial. Assim, um bom instinto antigo levou aos britânicos a votar para tornarem-se independentes do Comunismo, mas sendo quase todos materialistas ateus, eles são Comunistas sem o nome e então agora dificilmente sabem o que fazer com o seu Brexit. Pois alguém pode temer que haja mais no “Spexit” do que parece.

Por exemplo, o excelente site hispânico “Non Possumus” assinalou que quando o Comunicado de 29 de junho espera um Papa “que favoreça concretamente o retorno à Santa Tradição” (2+2=4 ou 5), isto não é a mesma coisa que um Papa “que tenha voltado à Tradição” (2+2=4, e exclusivamente 4). Muito menos é tranquilizador que em 2 de julho Monsenhor Fellay convocou para uma quinta Cruzada de Rosários, já prevista em 24 de junho como uma possibilidade pelo padre Girouard, no oeste do Canadá, Recorcando como Monsenhor Fellay mostrou como presentes da Mãe de Deus, tanto a duvidosa liberação do verdadeiro rito da Missa no Summorum Pontificum em 2007, como no “levantamento” das “excomunhões” inexistentes em 2009, o padre Girouard teme que um reconhecimento unilateral da Fraternidade por parte da Roma oficial possa ser mesmo assim apresentado como uma resposta d’Ela a esta nova Cruzada de Rosários. Eis aqui como o padre Girouard imagina o reconhecimento sendo apresentado por Monsenhor Fellay: —

“Na Cruzada pedimos pela proteção da Fraternidade. Graças aos 12 milhões de Rosários, a BVN obteve para nós, do Coração de Seu Filho, esta especial proteção! Sim, o Santo Padre firmou este documento onde ele nos reconhece a nós e nos promete dar-nos sua proteção pessoal para que possamos continuar “como somos”. Este novo presente de Deus e a BVM é verdadeiramente um novo meio dado a nós pela Divina Providência para continuar melhor nosso trabalho para a extensão do Reinado Social de Cristo! Isto é também a reparação de uma grave injustiça! Isto é verdadeiramente um sinal de que Roma mudou para melhor! Nosso venerável fundador, Monsenhor Lefebvre, teria aceitado este presente providencia. Certamente, podemos estar seguros de que ele uniu suas orações às da BVM para obtê-lo de Nosso Senhor, e que ele está agora regozijando-se com Ela no Céu! Em ação de graças por este maravilhoso presente da Providência, renovemos oficialmente a consagração da Fraternidade aos Corações de Jesus e Maria, e tenhamos um Te Deum cantado em todas as nossas capelas!”

Neste panorama, acrescenta o padre Girouard, qualquer pessoa que rejeite a reunião da Fraternidade com Roma o farão parecer como se estivessem resistindo a Deus e desprezando a Sua Mãe.

Estes temores são no momento apenas imaginários. O que é certo é que o “Spexit” de 25 a 28 de junho não terá de forma alguma retirado a resolução de Monsenhor Fellay de conduzir a Fraternidade de Monsenhor Lefebvre entre os braços de Roma neo-modernista. Para ele, esse é o único caminho a seguir, em contraposição a “desprezar aos bons Romanos” e “estancar-se” em uma resistência que está fora de moda e já não é relevante para a evolução da situação.


Kyrie eleison.