segunda-feira, 18 de julho de 2016

Da Murmuração e da Calúnia

Via Devotae Animae - Ipatinga/MG
 

Murmurar é descobrir sem necessidade as faltas ou vícios do próximo.

Sem necessidade, dizemos, nem para bem público, nem para bem particular, porquanto se torna as vezes preciso divulgar certos males, ainda com prejuízos e desonra de quem o fez, v.g. declarando-os aos pais, mestres ou mais superiores, para que ponham cobro aos desmandos do seus inferiores, e preservem os mais do contágio e outros prejuízos eminentes. Fora esses casos excepcionais, lembremo-nos que nem todas as verdades se dizem.

Caluniar é imputar ao próximo defeitos ou culpas que não tem.
Inventa, pois, o caluniador perverso, e propala falsidade contra a honra do próximo, a quem rouba cruelmente a fama, que é dos bens o mais precisos: crime, pois, mais odioso que o precedente, já que fere a um tempo a verdade, a caridade e a própria justiça.

Tanto este como aquele pecado da língua designa-se com o nome de Detração. A Detração, em geral, é a difamação injusta do próximo ausente, por palavras ou sinais.

Arranca ou rasga o detrator a honra alheia, tira-lhe a seu irmão a fama ou reputação, difama-o. 

Para bem avaliar a gravidade deste pecado, é preciso levar em conta várias circunstâncias:
 
1º A qualidade do detrator, a posição social, o conceito de que goza de inteligente e criterioso, agravam notavelmente a ferida e o prejuízo. 
 
2º A qualidade do ofendido; se for pessoa de consideração, um sacerdote, um prelado, um magistrado, que será feito da sua autoridade e do respeito que merece? Se for um negociante, não focará desacreditado e seu negócio arruinado? Como achará emprego o criado, o operário assim difamado? Como achará arranjo uma pobre moça com o nome já mareado? 
 
3º O objeto ou matéria da detração pode ser de maior ou menor importância, mais ou menos secreto e oculto o mal que a vítima se assaca. 
 
O número e qualidade dos ouvintes. 
 
5º Os inconvenientes, as consequências, ora mais, ora menos funestas. 6º A paixão e a maldade com que se perpetra o atentado.

Muitos são os modos por que os detratores ofendem a fama do próximo.
1º Uns inventam e atribuem a outro, mal que não fez; são estes propriamente os caluniadores, execrados de Deus e dos homens, Imponens.

2º Outros exageram o mal, Augens.

3º Outros, é este o caso mais frequente, revelam misérias secretas do particulares ou das famílias, as vezes até em público raso, muitas vezes segredando ao ouvido duma ou outra pessoa: Sabe, v.m., o que dizem de fulano, de fulana...?
Fulana não é feliz com o marido, triste casal;... a moça fulana, dizem que é bastante leviana com fulano; - e que tal a ladroeira de fulano?... a fulano andam-lhe mal os negócios... Olhe, v.m., que é segredo, a mais ninguém o digo!
Ah! Segredo, e por que o não guarda? Assim o entregaria se de si se tratasse?
Que comichão de falar...oh! faísca bastante para incendiar uma vasta floresta! Malditos mexericos, malditos mexeriqueiros que acendem as inimizades e as ateiam, referindo a uns e outros o que pode provocar desuniões e rancores quase irremediáveis! Manifestans.

4º Difama-se o próximo deitando-lhe as ações a mal, atribuindo-lhes más intenções em seus atos, ora indiferentes, ora até louváveis. – Ah! Coração perverso, mede aos mais pela sua vara; seus olhos maus veem mal em tudo. 

Guarde-as para si suas interpretações malignas, que, voltando-se feitiço contra feiticeiro, perde a própria fama, e ninguém lhe acreditará nas boas intenções, já que aos mais, as nega. In mala vertens.

5º Tira-se a honra do próximo negando o bem que outros dizem dele. Ainda que não seja verdade o que se diz em louvor duma pessoa, que tem com isto o detrator? Qui negat.

6º Com a mesma injustiça diminui-se o elogio do próximo, ou se torna duvidoso o bem que lhe é atribuído. A quem louva uma bela ação, o bom procedimento, a generosidade, o zelo, o trabalho, a caridade, a fortuna, o comércio, os sucessos de um ausente, responde o murmurador: “Ora, que não há tanto assim... Nem tudo que luz é ouro!”... Não há como medir o alcance destruidor dessas e quejandas restrições. Qui minuit.

7º Os mesmo danados fins conseguem outros só com o calar-se; que há silêncio calculado e maldoso mais eloquente que as palavras. Estão a dizer mal de alguém, vós poderíeis defende-lo; em o não fazendo, cooperais a degolação desta inocente vítima. Qui tacet!

8º O louvar frouxamente pode ser, às vezes, venenosa maledicência. Ao louvar-se alguém a vista de outro, acode este com um sim tão seco, em tom de frieza, de indiferença e de constrangimento como de quem o solta contra sua opinião; tanto faz, como dizer que coisas sabe que desabonam o mérito da pessoa louvada, e é quanto basta para tudo eclipsar.
Outra manha do detrator: começa ele próprio com os encômios do ausente e, de repente: Mas! Muito homem de bem... muito boa mulher... moça muito trabalhadeira... etc.,... mas! Funesto mas! Murmuração tremenda! Disse muito uma palavra, uma palavra, um monossílabo, disse demais! Ai! Que foi isto enfeitar a vítima para degolar! Laudatque remisse.

Importa notar que para o crime de detração coopera também que assiste e escuta, que não houvera murmuradores, se não encontrassem ouvidos para atende-los.

Assim verifica-se o dizer dos Doutores que é de três pontas a língua do murmurador, e fere três vítimas a um tempo: quem fala, com quem e de quem se fala.

Entenda-se porém esta doutrina da participação voluntária, que não incorre em tão funesta cumplicidade quem, em não podendo tapar a boca maldizente ou tomar formalmente as dores do paciente, encerra-se em significativo silêncio de tristeza, de contrariedade, de distração, que basta quase sempre o rosto triste para deter a língua do maldizente, como dissipa o vento do aquilão as chuvas (Pv., 25,23).

Pior se torna e muito mais funesta e mais irremediável a detração quando perpetrada por escrito, e que será pela imprensa! Multiplica-se então os cúmplices no infinito: escritores, impressores, vendedores e leitores sem conta possível, cercam a pobre vítima como vespas peçonhentas, ou antes como assassinos implacáveis, de quem não pode escapar.

Urge-lhes os detratores de qualquer denominação a obrigação irreclinável de ressarcir o prejuízo que causaram ao próximo, obrigação de justiça qual a de restituir o que se roubou: Redde quod debes. Repõe o que me tirastes, pode clamar a vítima do detrator; roubaste-me a honra, a reputação, o crédito, o negócio, a posição; repõe-me isso tudo, que o reclamo em nome da razão, da religião, da justiça e da caridade. “O seu a seu dono!” Assim quiseras para ti, assim faze para os outros, senão, ouve a sentença de santo Agostinho que é da justiça divina: Non remittitur peccatum nisi restituatur ablatum.


Fonte: Manual do Cristão - 1930

A Igreja Católica e a abolição da escravidão no Brasil

Via Estudos Tomistas
 

     Sobretudo pela ação do arcebispo Dom José Pereira da Silva Barros, capelão-mor de Dom Pedro II, e que viria a ser conhecido como o “Bispo Abolicionista”, a Igreja Católica foi um dos principais atores da abolição da escravatura no Brasil. Com efeito, em 1887 Dom José, desde sempre abolicionista e muito ligado tanto ao Papa Pio IX como ao Papa Leão XIII, anunciou que a abolição da escravidão no Brasil seria “um bom presente ao Papa”. A Dom José Pereira, seguiram-se na defesa da causa abolicionista o arcebispo da Bahia e o de São Paulo; e Dom José Pereira, por sua luta a favor da abolição da escravatura, foi das poucas pessoas homenageadas publicamente por Dom Pedro II e por Dona Isabel. Recebeu destes o título de Conde de Santo Agostinho, o qual ele não teve dinheiro para retirar, por ser, como disse ele mesmo, um homem pobre. Com efeito, Dom José tornara-se célebre em sua cidade natal por ter doado para obras de caridade toda a fortuna herdada de sua família.
     Rodrigo Augusto da Silva, em sua defesa da Lei Áurea na Câmara Geral, citou a Igreja Católica como um dos motores da abolição da escravatura.

sábado, 16 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXX (470) - Brexit - Spexit?


Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug

16 de julho de 2016


Enquanto Menzingen pelas sirenes de Roma é encantado,
Para manter a Fé, guerra avisada não mata soldado.


Existe algo chamado “Zeitgeist” ou espírito da época. Uma prova seria o paralelo que pode ser estabelecido entre o voto da Grã-Bretanha de 23 de junho para renunciar ao abraço da quase-comunista União Europeia e a reunião de Superiores da FSSPX em 28 de junho com o Comunicado de Monsenhor Fellay de 29 de junho declarando que a Fraternidade agora renuncia ao abraço da Roma neo-modernista – “Spexit”, para abreviar. Mas assim como o “Comentário” da semana passada sugeriu que o Brexit era admirável mas duvidosamente eficaz, poderia-se temer que o São-Pio-Exit poderia ter tranquilizado muitos bons católicos pensando que a Fraternidade recuperou o rumo, mesmo que em poucos dias a Roma oficial e Mons. Fellay já dissessem que os contatos continuavam...

A base do paralelo é a apostasia que caracteriza a Quinta Época da Igreja, desde 1517 até 2017 (ou mais além), pela qual os povos do mundo, lenta porém progressivamente tem dado suas costas a Deus para substituí-lo pelo Homem. Mas sua consciência não está tranquila no processo. Consequentemente exteriormente eles anelam a liberação de Deus e os benefícios materiais da Nova Ordem Mundial. Assim, um bom instinto antigo levou aos britânicos a votar para tornarem-se independentes do Comunismo, mas sendo quase todos materialistas ateus, eles são Comunistas sem o nome e então agora dificilmente sabem o que fazer com o seu Brexit. Pois alguém pode temer que haja mais no “Spexit” do que parece.

Por exemplo, o excelente site hispânico “Non Possumus” assinalou que quando o Comunicado de 29 de junho espera um Papa “que favoreça concretamente o retorno à Santa Tradição” (2+2=4 ou 5), isto não é a mesma coisa que um Papa “que tenha voltado à Tradição” (2+2=4, e exclusivamente 4). Muito menos é tranquilizador que em 2 de julho Monsenhor Fellay convocou para uma quinta Cruzada de Rosários, já prevista em 24 de junho como uma possibilidade pelo padre Girouard, no oeste do Canadá, Recorcando como Monsenhor Fellay mostrou como presentes da Mãe de Deus, tanto a duvidosa liberação do verdadeiro rito da Missa no Summorum Pontificum em 2007, como no “levantamento” das “excomunhões” inexistentes em 2009, o padre Girouard teme que um reconhecimento unilateral da Fraternidade por parte da Roma oficial possa ser mesmo assim apresentado como uma resposta d’Ela a esta nova Cruzada de Rosários. Eis aqui como o padre Girouard imagina o reconhecimento sendo apresentado por Monsenhor Fellay: —

“Na Cruzada pedimos pela proteção da Fraternidade. Graças aos 12 milhões de Rosários, a BVN obteve para nós, do Coração de Seu Filho, esta especial proteção! Sim, o Santo Padre firmou este documento onde ele nos reconhece a nós e nos promete dar-nos sua proteção pessoal para que possamos continuar “como somos”. Este novo presente de Deus e a BVM é verdadeiramente um novo meio dado a nós pela Divina Providência para continuar melhor nosso trabalho para a extensão do Reinado Social de Cristo! Isto é também a reparação de uma grave injustiça! Isto é verdadeiramente um sinal de que Roma mudou para melhor! Nosso venerável fundador, Monsenhor Lefebvre, teria aceitado este presente providencia. Certamente, podemos estar seguros de que ele uniu suas orações às da BVM para obtê-lo de Nosso Senhor, e que ele está agora regozijando-se com Ela no Céu! Em ação de graças por este maravilhoso presente da Providência, renovemos oficialmente a consagração da Fraternidade aos Corações de Jesus e Maria, e tenhamos um Te Deum cantado em todas as nossas capelas!”

Neste panorama, acrescenta o padre Girouard, qualquer pessoa que rejeite a reunião da Fraternidade com Roma o farão parecer como se estivessem resistindo a Deus e desprezando a Sua Mãe.

Estes temores são no momento apenas imaginários. O que é certo é que o “Spexit” de 25 a 28 de junho não terá de forma alguma retirado a resolução de Monsenhor Fellay de conduzir a Fraternidade de Monsenhor Lefebvre entre os braços de Roma neo-modernista. Para ele, esse é o único caminho a seguir, em contraposição a “desprezar aos bons Romanos” e “estancar-se” em uma resistência que está fora de moda e já não é relevante para a evolução da situação.


Kyrie eleison.

sábado, 9 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXIX (469) – Brexit – Sério?


Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Cristoph Klug

09 de julho de 2016

Brexit nos lembra mais uma vez ­–
Edificar sem Deus é insensatez.


Muitos leitores destes “Comentários” devem estar supondo que, como um inglês que em nada lhe agrada da Nova Ordem Mundial, devo estar em regozijos sobre o voto recente do povo britânico, ainda que por uma margem relativamente pequena, para deixar a União Europeia quase-comunista. Desgraçadamente, devo admitir que tudo o que aprendi durante as últimas décadas sobre o NOM, me faz duvidar que a aparente saída da Grã-Bretanha finalmente culminará em uma reafirmação do que alguma vez foi o melhor na Grã-Bretanha. Através do Atlântico, da mesma forma, poderia gostar de Trump e odiar Hillary, mas seguramente os dois foram colocados juntos para teatralizar para nós um show de marionetes Colombina e Arlequim.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

CONFERÊNCIA DADA EM 19/12/02 POR MONS. WILLIAMSON - Extratos Significativos


Buenos Aires, 19 de dezembro de 2002.
Stat Veritas
S.E.R. Richard Williamson

Em outubro [2002] houve em Paris um congresso [organizado por Sim Sim Não Não] com vistas ao 40º aniversário do início do Concílio, em outubro de 1962. Para preparar este congresso, estudei e li novamente os documentos para tratar de ter uma vista de conjunto, do todo, das ideias-chave que estão por detrás de todos esses documentos. O primeiro que pensei foi na deificação; a divinização do homem. “O homem é deus” – rejeição do sobrenatural – e este é o princípio supremo do Concílio. Em sequência vem este outro: “todo homem é bom” – rejeição do pecado original – . Mas os revolucionários tinham de enganar os católicos, os bispos católicos que todavia estavam no Concílio. Monsenhor Lefebvre sempre dizia: de 2000 bispos, 200 eram católicos, 200 eram liberais e 1600 seguiam o Papa.

Os liberais que haviam preparado sua revolução teriam de enganar os católicos e aos que estavam no centro – digamos – e para realizar isto, teriam que ocultar suas ideias-chave. Por isso, todo documento do Vaticano II é ambíguo. O caráter essencial deste Concílio é a ambiguidade. Nosso Senhor disse “sim, sim; não, não”, o Concílio disse “sim, não” ou “não, sim” ao mesmo tempo. Tudo mesclado constantemente de maneira muito hábil. É necessário ser hábil para encontrar palavras que dizem coisas opostas ao mesmo tempo. Modernidade e catolicidade são inconciliáveis, porque o catolicismo é Deus em primeiro lugar, com Dez Mandamentos e toda a Igreja Católica.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Comentários Eleison CDLXVIII (468) - Vantagens do Campo

Por Dom Richard Nelson Williamson
Tradução: Andrea Patricia (blog Borboletas ao Luar)
Disponível também na Capela São José - Santo André-SP

02 de julho de 2016

Cidades e subúrbios, danos ao homem estão a causar,
Mas este, a Deus Todo-Poderoso, sempre pode rezar.


Dado que nenhum ser humano jamais foi criado por Deus nesta terra por outra razão que não seja ir para o Céu (I Tm. II,4), então a bondade de Deus está sempre trabalhando, de uma forma ou de outra, mais ou menos fortemente, para atrair todas as almas para o Céu. E se um homem começa a responder a essa atração, ele está obrigado a compreender, mais cedo ou mais tarde, que a massa de almas que o rodeiam hoje em dia ou estão inconscientes dessa atração ou estão positivamente resistindo a ela. E quanto mais o homem vê com seriedade a sua própria ida ao Céu, tanto mais seriamente ele deve perguntar-se quais são os fatores no mundo ao seu redor que fazem com que tantas almas pouco se importem com o Céu, ou ao menos em chegar lá.
Alguns desses fatores podem aparecer imediatamente para ele, como o recente avanço do vício antinatural e seu triunfo na legislação mundial, do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Há outros fatores que ele talvez precise de mais tempo para perceber, porque não são tão obviamente opostos à virtude e porque empaparam o ambiente faz muito tempo, como viver em cidades ou subcidades, isto é, subúrbios. É claro que somente um tolo reclamaria que todo habitante do campo está cheio de virtudes enquanto todo habitante da cidade está cheio de vícios. Por outro lado, viver no campo é obviamente algo mais próximo à natureza que viver na cidade, de modo que se a natureza foi criada por Deus para ser a portadora indispensável dessa supernatureza sem a qual nenhuma alma pode entrar no céu, então os habitantes do campo estarão, como tais, mais próximos de Deus que os da cidade, e um habitante da cidade, desejando chegar ao céu, deve ao menos fazer um balanço do tecido de sua vida na cidade.
 

domingo, 19 de junho de 2016

Comentários Eleison CDXLVI (466) - A Trapaça do Antissemitismo

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patricia (blog Borboletas ao Luar)
18 de junho de 2016
É a palavra “antissemita” brandida como uma espada?
Apenas peça a quem a brande para que a defina.



Há palavras traiçoeiras que parecem significar uma coisa, mas que são empregadas para significar outra completamente diferente. Uma das mais traiçoeiras de todas é a palavra “antissemitismo”. Esta parece significar oposição a todos os judeus pura e simplesmente porque são judeus; nesse sentido, ela condena corretamente algo mau, porque alguns judeus são perversos, mas é certo que nem todos o são. Por outro lado, é frequentemente utilizada para condenar qualquer oposição a tudo que os judeus fazem, e então a palavra está erradamente condenando algo bom, porque sempre que os judeus fizerem algo ruim, então a oposição a eles é boa. Mas os judeus fazem coisas ruins? Obviamente. Eles criaram o islã para os árabes, a maçonaria para os gentios e o comunismo para o mundo moderno, todos os três, primeiramente, para lutar contra Jesus Cristo e o Cristianismo e, então, enviar almas para o inferno.

Um livro que todos os católicos deveriam ler, os que querem defender a Igreja contra o islã, a maçonaria e o comunismo, agora globalismo, é Complô Contra a Igreja, de Maurice Pinay. O livro foi escrito pouco antes do Vaticano II para ser posto nas mãos de todos os padres conciliares e alertá-los sobre o grande perigo no qual a Igreja se encontraria no Concílio. Efetivamente. Os padres do Concílio acabaram por louvar o islã (Unitatis Redintegratio), adotar princípios maçônicos (Dignitatis Humanae) e nunca mencionar, e menos ainda condenar, o maléfico sistema comunista. Eis como em seu capítulo “Antissemitismo e Cristianismo”, Maurice Pinay analisa a traição da palavra “antissemitismo”:

domingo, 5 de junho de 2016

Comentários Eleison CDLXIV (464) - Igreja Abandonada?


Por Dom Richard Williamson
Tradução: Cristoph Klug
Tradução do Salmo: Pe. Matos Soares, Antigo Testamento, 1944.

04 de junho de 2016

Em circunstâncias de massiva desesperação
O Salmista ensina confiança em Deus e oração.

Como dia após dia o caos aumenta em quase tudo e em todos ao nosso redor, e dentro da Igreja parece como se todos estivessem contra todos, certamente é tranquilizador saber que o Salmista de talvez 3000 anos atrás clamou a Deus para que viesse em auxílio de Seu povo, em sofrimento similar por seus inimigos. Então, como agora, eles se levantaram em seu orgulho contra Ele, seu orgulho “ascende continuamente”, eles têm feito todo o possível para destruir Seu Templo e Sua Religião, e Ele parece ter-lhes outorgado muito êxito. Eis aqui o Salmo 73 (74), com pequenas notas entre parêntesis: —

A. Como Deus pode estar permitindo o triunfo de Seus inimigos contra Sua própria Igreja?

[1] Por que razão, ó Deus, nos desamparaste para sempre? (Por que razão) se acendeu o teu furor contra as ovelhas do teu pasto? [2] Lembra-te da tua família (Igreja católica), que possuíste desde o princípio. Tu recuperaste o cetro da tua herança; o monte de Sião (Igreja católica), em que habitaste. [3] Levanta as tuas mãos contra a sua soberba (inimigos de Deus) sem limites. Quantas maldades cometeu o inimigo no santuário! [4] E os que te odeiam, gloriam-se (de te insultar) no meio da tua solenidade. Hastearam os seus estandartes como troféus; [5] e não respeitaram (a santidade de Deus) nem as eminências nem as saídas (portas e cimo do Templo). Como num bosque de árvores com machados [6] despedaçaram à porfia as suas portas; com machado e martelo (Vaticano II) tudo derribaram. [7] Puseram fogo ao teu santuário; na terra profanaram o tabernáculo do teu nome (Igreja católica). [8] Disseram no seu coração com os das suas parentelas: Façamos cessar na terra todos os dias de festas consagrados a Deus (liturgia católica). [9] Não vemos mais os nossos estandartes; já não há um profeta (que nos guie); e (Deus) não nos conhecerá daqui em diante (Deus renunciou. Estamos por nossa conta). [10] Até quando, ó Deus, nos insultará o inimigo? O adversário há de blasfemar sempre? [11] Por quê retrais a tua mão? Por quê não tiras a tua direita do teu seio de uma vez por todas?

B. Porém Deus é o Mestre da salvação, da História e da Natureza.

[12] Mas Deus, que é nosso rei antes dos séculos, operou no meio da terra. [13] Tu com o teu poder deste solidez ao mar (Mar Vermelho), pisaste as cabeças dos dragões nas águas (Egípcios); [14] Tu quebraste as cabeças do dragão (Rei Egípcio); deste-o por comida aos povos da Etiópia. [15] Tu fizeste brotar fontes e torrentes; tu secaste os rios de Etã (de forte corrente; por exemplo Js III). [16] Teu é o dia, e tua é a noite; tu criaste a aurora e o sol. [17] Tu estabeleceste todos os limites da terra; o estio e a primavera tu os formaste.

C. Ó Deus, não esqueças a teu próprio povo humilde e esmaga a teus orgulhosos inimigos.

[18] Lembra-te disto: o inimigo ultrajou o Senhor, e um povo insensato blasfemou do teu nome. [19] Não entregues às feras as almas que te louvam, e não esqueças para sempre as almas dos teus pobres. [20] Olha para a tua aliança (Novo Testamento), porque todos os lugares obscuros do país estão cheios de antros de iniquidade; [21] Não se volte confundido o humilde; o pobre e o desvalido louvarão o teu nome. [22] Levanta-te, ó Deus, julga a tua causa; lembra-te dos ultrajes feitos contra ti, dos ultrajes com que um povo néscio te injuria continuamente. [23] Não te esqueças dos clamores dos teus inimigos. A soberba daqueles que te aborrecem aumenta continuamente.



Kyrie eleison.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Comentários Eleison CDLXIII (463) - Ilusões sobre a "Normalização"

Por Dom Richard Williamson
Tradução: Andrea Patrícia (Borboletas ao Luar)
 
Entre a Fraternidade e Roma, um grande abismo aparece,
Nele toda reconciliação perece.


Que todos os superiores da FSSPX que participarão da iminente reunião para considerar a última oferta de Roma em relação à reconciliação ponderem bem os comentários do Pe. Girouard sobre as recentes declarações do Pe. Schmidberger (ver CE 457):

A) No parágrafo IV, o Pe. Schmidberger diz que Dom Lefebvre buscava o reconhecimento mesmo depois das consagrações de 1988, mas falha em não mencionar que o Arcebispo estabeleceu condições: um retorno total da parte de Roma aos documentos antiliberais e antimodernistas dos Papas Tradicionais. O mesmo parágrafo afirma que a FSSPX não busca uma reaproximação com Roma, mas que esta a iniciou em 2000. O Pe. S. também não menciona que os encontros do GREC, que procurava “normalizar” a Fraternidade, começaram em 1997, com a bênção de Dom Fellay.

B) No parágrafo V, a carta afirma que Roma diminuiu grandemente suas condições para uma normalização, e que este, então, é o momento ideal para que nós a aceitemos. O Pe. S. falha em não compreender que a redução das exigências por parte de Roma se dá por que: 1 - a FSSPX já mudou a imagem de sua marca, e se tornou, então, mais agradável a Roma; 2 – Roma sabe que uma maior liberalização da FSSPX acontecerá naturalmente depois da normalização.

C) No parágrafo VI (respostas a objeções) # 3, o Pe. S. diz que a FSSPX não se silenciará depois da normalização. Mas, de fato, ela já vêm fazendo isso! E tem-no feito por anos! As reações da FSSPX a Assis 3, às Jornadas Mundiais da Juventude, às “canonizações/beatificações” dos papas J XXIII, JP II e Paulo VI, aos Sínodos da Família e à última Encíclica do Papa Francisco (Amoris Laetitia), e a outros escândalos não foram nada mais que submissos e leves “tapinhas na mão”. Assim, isto ficará pior depois da normalização, já que a FSSPX temerá perder o que tantas penas lhe tem custado para adquirir.

D) No parágrafo VI, # 4, o Pe. S. diz que temos de nos tornar tão úteis quanto for possível à Igreja, o que significa que a FSSPX deve ser normalizada para melhorar a Igreja desde seu interior. Minha resposta a isto é a mesma que em B e C: uma vez absorvida pela estrutura oficial modernista, a FSSPX, que já perdeu sua “salinidade”, será esmagada por más influências, e sua mensagem e suas ações terão paulatinamente menos efeito.

E) No parágrafo VI, #5, o Pe. S. diz que todo o ponto da situação é o seguinte: “Quem converterá quem?” E que precisamos ser fortes, e seremos nós os que converteremos os modernistas, assim que estivermos dentro. Este é o mesmo tipo de raciocínio que alguém que quer alugar um quarto num bordel para converter as prostitutas e seus clientes! É um pecado de presunção.

F) No parágrafo VI, #6, o Pe. S. diz que não estamos enfrentando os mesmos problemas e tentações que as outras comunidades tradicionais que se incorporaram a Roma e traíram o combate, porque elas normalmente começaram o processo com culpa, enquanto que, no caso da FSSPX, foi Roma que o iniciou em 2000. Minha resposta a esta é a mesma que em A: o GREC começou o processo em 1997, com a bênção de Dom Fellay.

G) No parágrafo VII (Conclusão), o Pe. S. diz que não devemos temer, porque a Fraternidade foi consagrada à BVM, e Ela nos protegerá. O que ele não menciona são as muitas congregações e pessoas consagradas a Ela que têm perecido desde o Vaticano II! Basta pensar nos Oblatos de Maria Imaculada, nos Servos de Maria, e em tantos outros! A BVM nunca ajudará aqueles que se colocam voluntariamente em ocasião de pecado e de destruição! Acreditar no contrário é zombar dela e de Deus! Mais uma vez, um pecado de presunção! Este não é o melhor caminho, para dizer o mínimo, para trabalhar na conversão de Roma e na reconstrução da Igreja!

E tudo o que resta dizer, quando a Fraternidade estiver “normalizada”, é: RIP FSSPX, e que Deus tenha piedade de nós!


Kyrie eleison.