quarta-feira, 19 de abril de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 11




15 de abril de 2017

“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)

Nosso Senhor veio ao mundo para reinar. Seu reino exclui, necessariamente, o reino do demônio.

“O diabo, escreve Dom Emmanuel André, dominava o mundo antes da vinda de Nosso Senhor; ele dominava abertamente, publicamente. Quando o Salvador apareceu, ele sentiu o seu império desmoronar. Semelhante a estas feras que ao aproximar-se o dia entram em suas tocas, assim ele teve de abandonar a sua ação às claras e refugiar-se nas reuniões secretas.”

No dizer do mesmo Dom Emmanuel, o mistério da iniquidade, do qual fala São Paulo, não é outra coisa senão o culto do demônio nas sociedades secretas. Estas sociedades têm na Maçonaria a sua mais completa expressão anticatólica. Eis porque a luta entre a Igreja e a Maçonaria irá sempre aumentando até um desenlace no qual, segundo Dom Emmanuel, Nosso Senhor intervirá pessoalmente para dar a vitória à sua Igreja. Antes disso, a Igreja deverá passar por uma Paixão semelhante à de seu divino Esposo. Mas após a Paixão, virá a Ressurreição.

+ Tomás de Aquino OSB

U.I.O.G.D

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 10


Mosteiro da Santa Cruz

8 de abril de 2017

“Vox túrturis audita est in terra nostra”

(Cant. II, 12)



     Dom Lefebvre, no seu sermão de 29 de junho de 1987, dizia:

      “Rezemos à Santíssima Virgem. Nós vamos a Fátima no dia 22 de agosto para pedir a Nossa Senhora de Fátima que nos ajude. Não quiseram revelar seu segredo. Esconderam a mensagem da Virgem Maria. Esta mensagem devia sem dúvida impedir o que se passa hoje. Se sua mensagem tivesse sido conhecida, é provável que nós não estaríamos na situação em que estamos e que Roma não estaria como está hoje.

     Os papas recusaram a publicação desta mensagem da Virgem Maria. Então as punições anunciadas por Maria chegaram. A apostasia anunciada pela Escritura se realiza. Então, diante desta situação inteiramente excepcional, nós devemos também tomar medidas excepcionais.”


     Eis aí, em poucas palavras, as razões das sagrações de 1988 e também da sagração que deve se realizar no dia 11 de maio deste ano, em Virgínia, nos Estados Unidos.

     Dom Lefebvre havia anunciado as sagrações em 1987, mas ele as adiou até 1988 para escutar as propostas de Roma, mas ele teve que se render à evidência: a Roma conciliar persiste em trabalhar na direção aposta à da Roma eterna. Eis porque ele não quis fazer acordos com João Paulo II. É preciso esperar a volta da Tradição à Roma. Rezemos nessa intenção todos os dias.


+ Tomás de Aquino OSB

Comentários Eleison DVIII (508) - Divindade Transcendente

Por Dom Richard N. Williamson
08 de abril de 2017

 
Os homens orgulhosos não querem por Deus ser superados,
E ainda assim seus pensamentos são de longe por Deus sobrepujados.

Se há um momento do ano em que é especialmente adequado contemplar-se o sofrimento e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, esse momento é certamente hoje, na véspera do Domingo de Ramos, pouco antes da Semana Santa. E essa contemplação veio tornando-se mais necessária a cada ano nos últimos 50 anos, porque o sofrimento da Madre Igreja que apareceu com o Vaticano II se tornou cada vez mais escandaloso, cada vez mais misterioso. Todos precisamos lembrar-nos a nós mesmos de que Deus é misterioso; em outras palavras, que Ele vai infinitamente acima e além de nossas pequenas mentes humanas. Caso contrário, corremos o risco de recortá-lo e diminuir-lhe o tamanho até que se encaixe nessas mentes pequenas. "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos; nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, quanto os céus estão elevados acima da terra, assim se acham elevados os meus caminhos acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos" (Is LV, 8-9).    

Esta grande lição é ensinada no quinto Mistério Gozoso do Santo Rosário, quando, aos 12 anos de idade, Nosso Senhor se permitiu ser perdido por Sua Mãe e São José, a fim de lembrá-los de que Ele tinha de se ocupar dos negócios de Seu Pai. Sua Mãe não pôde entender – "Filho, por que procedeste assim conosco?" Ele causara três dias de intensa ansiedade a seus pais humanos: "Eis que teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição". Nosso Senhor respondeu-lhes como se eles tivessem ficado aflitos sem nenhuma razão – "Para que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai?”. Porém, tão intensa tinha sido a aflição de Seus pais que humanamente esta resposta não lhes fazia sentido – "E eles não entenderam o que lhes disse”. No entanto, Sua Mãe sabia que era melhor não fazer mais perguntas ao Filho. Em vez disso, Ela "conservava todas estas coisas em seu coração" (Lc II, 48-51), por ver que Deus estava certo, ainda que Ela não pudesse entender.

Para a futura cabeça da Igreja, a Pedra sobre a qual ela seria construída, a mesma lição sobre os caminhos de Deus que transcendem em muito os nossos precisava ser ensinada, ainda que de modo um tanto mais rude do que à Mãe gentil de Nosso Senhor. Bastante humanamente Pedro repreende Nosso Senhor por atrever-se a dizer aos Apóstolos que Ele subiria a Jerusalém para sofrer e morrer. A resposta de Nosso Senhor é contundente: "Retira-te de mim, Satanás!", Mas a explicação é essencialmente a mesma que foi para a sua Mãe, "não tens a sabedoria das coisas de Deus, mas das coisas dos homens" (Mt. XVI, 21-23). Pedro, que acaba de ser nomeado Pedra da Igreja (Mt. XVI, 18-19), deve ser o último a pensar humanamente em vez de divinamente quando passar a governar a Igreja.

Mas, é claro, Nosso Senhor reconhece o problema dos seres humanos que pensam humanamente demais quando se trata das coisas de Deus. É por isso que, logo após a repreensão a Pedro, levou-o com Tiago e João até o Monte Tabor para, por meio de Sua Transfiguração, deixar a Divindade divina brilhar dentro da natureza humana. Assim, os Apóstolos poderiam em breve ser profundamente abalados pelo terrível deicídio em Jerusalém, mas três deles poderiam dar testemunho do que tinham visto com seus próprios olhos (cf. II Pedro I, 16-18), antes da Paixão, da Divindade que brilha de dentro do homem crucificado no Calvário.

E em nossos dias? Os católicos sabem que a vida da Igreja Católica é a continuação na terra da vida encarnada de Cristo na terra, de modo que em princípio eles sabem que assim como os 33 anos de Cristo terminaram com Sua Paixão e Morte, assim a Igreja também pode terminar seu tempo na terra pelo sangramento de todas as feridas até que seja praticamente extinta. No entanto, vê-lo na prática, ocorrendo diante dos olhos, pode abalar a fé de muitos homens bons – "Como é possível que esses Papas, esses Cardeais e esses Bispos sejam portadores da autoridade de Deus na estrutura de Sua única e verdadeira Igreja?". Claro que não são, em geral, seus portadores fiéis, mas onde mais estariam seus portadores estruturais? Paciência. Deus ainda estava lá, sendo arrastado para o Calvário, e então Ele ainda está ali, sendo arrastado para a Nova Ordem Mundial. Mas Ele ainda não deu a Sua última palavra!


Kyrie eleison.


Tradução: Borboletas ao Luar

domingo, 2 de abril de 2017

Comentários Eleison DVII (507) - Declinando Lentamente II

Por Dom Richard N. Williamson
01 de abril de 2017


O mundo moderno perdeu completamente o seu rumo.
Não posso segui-lo e não me perder.



      A carta original do autor dos EUA era muito mais longa do que trecho que o CE da semana passada retirou dela, e muitas coisas interessantes foram deixadas de fora. Estão aqui outros dois interessantes parágrafos, sobre escolas tradicionais e mulheres tradicionais. A grande lição é sempre a mesma – se eu não viver como penso, inevitavelmente pensarei como vivo. Paciência. Deus não nos pede o impossível, mas, por outro lado, Ele espera que façamos o melhor possível:

     Talvez seja na educação que o modernismo está realizando a sua maior incursão no movimento tradicionalista. Todos os tipos de práticas modernas entraram em suas escolas sem que ninguém percebesse. A filosofia modernista psicológica e pedagógica dos anos 50 e 60 está sendo incorporada junto com todos os chavões e parafernálias usuais. Professores antiquados tornaram-se o problema. Um exército moderno de administradores, especialistas em currículo, especialistas em educação, psicólogos infantis, etc., estão agora no comando, prometendo, como de costume, fazer tudo melhor, especialmente em questões mundanas como avaliação de testes, colocação universitária e carreiras lucrativas. As escolas supostamente tradicionais estão se tornando cada vez mais indistinguíveis das escolas públicas.

      A revolução social que acontece entre as crianças em nossas escolas diariamente é especialmente forte entre as jovens damas. Há uma virulenta nova cepa do feminismo tradicionalista. Muitas têm estado embebidas do veneno moderno da igualdade com os homens e competição contra eles. Desde a tenra idade elas são confrontadas com os homens. Elas querem competir contra eles, e elas pensam que podem fazer quase tudo o que um homem pode fazer. Pensam que o único teste para saber se uma mulher deve ou não fazer uma coisa é se ela é fisicamente capaz. O que quer que seja que a Tradição possa dizer sobre o papel das mulheres, elas prestam pouca ou nenhuma atenção. Elas acreditam nas mesmas mentiras que já arruinaram uma ou duas gerações. Elas têm a ideia de que podem ter uma carreira profissional altamente bem-sucedida em qualquer campo, e ainda serem uma boa esposa e mãe católica ao mesmo tempo. A velha frase “O lugar de uma mulher é em casa” não é mais ouvida nos círculos tradicionais, e na verdade é abertamente desprezada. Pior de tudo, nossas jovens senhoras estão ouvindo e aprendendo isso não do mundo, mas do nosso próprio círculo. Há muitas mulheres em posição de autoridade em nossas escolas e há muitas professoras. Isto é revolucionário, e dá um exemplo terrível para nossas jovens senhoras, que não pode ser superado por qualquer pregação que seja. No entanto, de que serve uma mulher vestir-se modestamente se agir como um homem de outra forma, especialmente social, econômica e politicamente? Alguns anos atrás, todos, não apenas os tradicionalistas, saberiam disso, mas agora aqui está sendo promovido como tradicional.


      Então, o que há de errado com a educação moderna e seus métodos modernos? Resposta: o coração e a alma da verdadeira educação é a Fé Católica, que significa os adultos com o apoio da (verdadeira) Igreja usando sua autoridade para ensinar os jovens, por contato humano direto, em primeiro lugar como chegar ao Céu, em segundo lugar como viver vidas sãs como adultos no mundo, em conformidade com o chegar ao Céu. Quantos “administradores, especialistas em currículo, especialistas em educação e psicólogos infantis” ainda têm experiência da vivência em sala de aula, e quantos, menos ainda, têm a Fé? Por falta da Fé, a vivência nas salas de aula hoje é uma selva, cheia de bestas selvagens. Não admira que os “especialistas” fujam dela. São ignorantes e impotentes para educar.

      E o que há de errado com as mulheres modernas? Homens modernos, que deixaram que elas saíssem do controle. Deus fez as mulheres para estarem sob seus homens, mesmo antes da Queda. Então, o que uma boa moça poderia fazer? Reze para São José e para Santa Ana – ambos encontraram esposos maravilhosos – para encontrar um marido que lhes possa respeitar. A mão de Deus não é encolhida pela maldade dos homens (cf. Is LIX, 1). E os homens? Vossas mulheres acharão muito mais fácil obedecer a vocês, se vocês mesmos obedecerem a Deus (I Cor XI, 3).


     Kyrie eleison.

Voz de Fátima, Voz de Deus - Nº 9

Mosteiro da Santa Cruz

1 de abril de 2017


“Vox túrturis audita est in terra nostra”
(Cant. II, 12)

      Tradição faz alusão a algo que é transmitido. Estudando as religiões pagãs e o mito do Filho da Viúva que se encontra praticamente em todas elas, Jean Claude Luzac’hmeur constata uma semelhança e uma dissemelhança entre as tradições pagãs e a tradição católica – que podemos também chamar de Tradição judaico-cristã, no sentido de que Abraão, os patriarcas e o povo judeu creram no Messias prometido, que deveria redimir os homens morrendo na cruz, ou seja, em Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Eis aqui uma das conclusões a que chega o autor: “A religião do Filho da Viúva repousa sobre a mesma base de tradições que a Bíblia, mas com a diferença fundamental de que os valores aí estão invertidos e que o deus judaico-cristão aí aparece sob os traços de um tirano invejoso e implacável.” (Fils de la Veuve, pág. 136 – Edições de Chiré – 2002)

      Assim temos duas tradições que remontam aos primórdios do mundo: a Tradição católica e aquela que Mons. Jouin qualificava de contra-Tradição. Elas se opõem radicalmente e foi para desmascarar a contra-Tradição que Mons. Jouin fundou a Revista Internacional das Sociedades Secretas. Desmascarar porque a contra-Tradição tem algo para esconder e que ela esconde com efeito, pois nela tudo está invertido, como nos explica Jean Claude Lozac-hmeur em seu livro. Ora, esta inversão tem de ficar oculta aos olhos profanos pois ela escandalizaria as almas retas e há ainda almas retas no mundo.


+ Tomás de Aquino OSB


U.I.O.G.D

sábado, 1 de abril de 2017

A Doutrina e a Ação


Non Possumus    

     Nos anos 60, o Concílio Vaticano II conseguiu impor, sem grandes dificuldades, todo um ensinamento doutrinal contrário à doutrina tradicional da Igreja. Todos aqueles erros que haviam sido condenados pelo Magistério dos Papas anteriores, apareceram de imediato reabilitados, divulgados, aceitados e praticados, mesmo que aparentemente sem nenhuma ruptura, mediante documentos deliberadamente ambíguo, mas não tanto para que não se pudesse entender aqueles erros que se queriam impor. Alguém se questiona: como pôde ter ocorrido tal coisa? Como os católicos puderam aceitar que de um dia para o outro a Igreja começara a ensinar o oposto que até então havia ensinado? A resposta está na ignorância religiosa da maioria dos católicos de então, e na covardia dos hierarcas da Igreja que não foram partícipes diretos da subversão conciliar.
 
      Se vê claramente que os católicos daquele tempo não conheciam os documentos do Magistério, e quiçá nem sequer bem seu Catecismo. Os magníficos ensinamentos das encíclicas contra os erros modernos de todos os últimos Papas, haviam sido passadas por alto, encobertas, desdenhadas, dando lugar a uma obediência cega, obsequente, cômoda, pela figura do Papa. O render culto ao “doce Cristo na terra” servia de justificativa para evitar os deveres próprios do cristão, em particular a formação sobre as verdades reveladas e na recepção dos ensinamentos magisteriais, verificando se as mesmas se correspondiam ou não com o ensinamento da Tradição (cf. advertência de S. Paulo). Uma despreocupação pela verdade, estimulada pela nova era de conforto trazida pelas repúblicas democráticas, mais um sentimento de orgulho ante o que parecia – americanismo como meio – um triunfo da Igreja no mundo (o “cinquentismo”), criaram o ambiente propício para que os católicos, tendo baixado a guarda, tragaram para si toda a revolução conciliar, sem quase adverti-la e nem ao menos resisti-la. O trabalho combinado das lojas e dos meios de comunicação, além do próprio desinteresse dos católicos pela verdade, renderam seus frutos à Contra-Igreja. A batalha doutrinal modernista foi quase inteiramente ganha, exceto por um pequeno grupo encabeçado por um arcebispo, Mons. Marcel Lefebvre, que amava e conhecia a verdade e teve a graça de resistir. Então a Tradição foi salva.
 
     Quarenta anos depois, a Contra-Igreja já não podia tolerar mais que este grupo recalcitrante, muito maior em número, em obras, em repercussão, continuasse sua tenaz oposição à revolução conciliar. A igreja conciliar havia tentado todas as manobras, todas as argúcias, para intentar submeter a congregação do intransigente Arcebispo. Todas fracassaram. Por quê? Porque em meio a estes estratagemas, estava sempre presente o tema doutrinal. E, diferentemente do que passou nos anos 60, os “lefebvristas” tinham muito claro o problema doutrinal da Roma modernista. Por esse lado, não seria possível capturar a tão ansiada presa. É assim que um astuto político tornado Papa, recebeu a empreitada de pescar em fim o peixe – que havia mordido fazia tempo o anzol – da água, para levá-lo a uma peixaria de Roma.
 
     A manobra, então, não apontou a doutrina, senão a ação. Por demais atentos à doutrina, a subversão dos agentes liberais de dentro se centrou na forma de atuar com Roma, que mudou e se opôs à forma de atuar anterior. A doutrina foi deixara a um lado, para centrar o foco na maneira de atuar da congregação. Ninguém questionaria em Roma sua defesa da doutrina, senão seu modo “restritivo”, quase “sectário” de defendê-la. Era preciso compartilhar essa doutrina com os outros, e para isso, voltar a Roma, pois senão se corria o risco de tornar-se “cismáticos”. “É cismático não o que não obedece senão o que não convive. Por isso estaria mais na Verdade o ecumênico rabino que o isolado Mons. Lefebvre” (Pe. Calderón, “A Candeia Embaixo do Alqueire”, p. 127, em espanhol). Mas, como os membros da congregação não viam esta manobra astuta dos inimigos romanos para procurar capturá-los? Simples: eles não esqueceram a doutrina, mas esqueceram a forma de atuar de seu fundador. Mediante a linguagem ambígua ou a dupla linguagem, em cada ocasião sobre Roma sempre pareceu continuar ileso o tema doutrinal. Então não pareceu que se corria risco ao continuar os diálogos, as negociações, a tratativas, os encontros cordiais, com os liberais de Roma, Assim como os católicos cinquentistas fechavam os olhos ante tudo o que vinha desde o Papa, assim estes “lefebvristas” fechavam os olhos ante tudo o que vinha de seu Superior Geral. Como já se criam na posse da verdade, e esta a tinham bem guardada em seus depósitos, não podiam perdê-la, não deviam temer o risco de deixar de tê-la, não necessitavam revisar suas vasilhas de barro, para ver se conservavam todo o conteúdo ou não. Acreditaram-se seguros, porque tinham a boa doutrina. E esqueceram que os inimigos não só podem estar defronte, como também que a manobra mais exitosa do inimigo é infiltrar-se dentro das próprias filas. Mais ainda, nos mais altos postos das próprias filas.
 
     “O que fazia falta na tormenta que ameaça afundar a barca de Pedro, não era justamente o Concílio (Vaticano II), mas sim que a mão firme do Papa manteve o timão na direção dos princípios de sempre, pois parece certo que o nosso não é tempo de especulação, mas sim de ação”. Esta citação do Pe. Calderón (de seu livro “A Candeia Embaixo do Alqueire”, os negritos são nossos) nos leva a dizer (coisa que não diz ou não vê o próprio Pe. Calderón) que o que fazia falta na tormenta que ameaçava a Tradição (e a FSSPX) não eram justamente diálogos e negociações com Roma, senão que o Superior geral manteve o timão na direção dos princípios de sempre, ensinados por Mons. Lefebvre, que podem resumir-se nesta frase: “Todo sacerdote que queira permanecer católico tem o estrito dever se separar-se desta igreja conciliar.” Mas Mons. Fellay é um diplomático, Mons. de Galarreta um político, e Mons. Tissier um teórico, nenhum dos quais estava preparado para a ação de combate nesta guerra entre a Igreja e a Contra-Igreja. O único bispo de ação contrarrevolucionária foi Mons. Williamson, alguém que compreendeu melhor que os outros a Mons. Lefebvre, o qual entendeu perfeitamente que a doutrina não se sustenta por si mesma, mas sim por aqueles homens que combatem por ela. Hoje, associados ao bispo inglês, temos a outros dois bispos íntegros, fiéis filhos de Mons. Lefebvre: Mons. Faure e Mons. Dom Tomás de Aquino OSB. E proximamente a um quarto, Pe. Zendejas. Os bispos, como afirma São Pio X, devem preservar as almas dos erros e das seduções que por todas as partes saem ao caminho, devem instruí-las, preveni-las, animá-las e consolá-las (cfr. "Vehementer nos”). Lhes pedimos que sigam por este caminho, com mão firme no timão. E para isso procuramos ajudá-los filialmente, desde estas páginas ou desde a trincheira donde Deus nos queira usar.
 
Qual manobra utilizará o inimigo para intentar sucumbir a esta pequena Resistência? No momento, contra esses dois erros fatais que sempre mencionara Mons. Lefebvre, o ralliement liberal com Roma, e o farisaico sedevacantismo, desde a SAJM foram tomadas as medidas necessárias – desde seus próprios estatutos – para colocar-se em guarda contra eles. Mas, como os homens são débeis e o diabo não descansa, deverá se estar sempre em guarda, com os olhos abertos, e de joelhos implorando, à espera do triunfo de Maria, de seu Imaculado Coração.


     Juan Infante